Buscando (Searching) – 2018 – Aneesh Chagant

Buscando (Searching) – 2018 – Aneesh Chagant

0 184
“Buscando”é um filme construído a partir de imagens capturadas em equipamentos tecnológicos. Foto/reprodução

Por Ieda Lagos (aluna do 2° período do curso de Cinema e Audiovisual do Centro Universitário UNA)

Excepcionalmente inteligente. Assim eu descreveria essa produção cinematográfica em poucas palavras que lança mão de recursos não usuais para desenvolver a sua narrativa meticulosamente pensada, e que sabe exatamente como gerar no espectador o entendimento da trama a partir dos recursos propostos.

Aneesh Chaganty produz “Buscando” a partir de imagens capturadas em equipamentos tecnológicos, como celulares e computadores, o que pode soar familiar já que filmes como “Amizade Desfeita” de 2014, traçam roteiros em cima desses mesmos recursos, as diferenças principais seriam a quantidade de produtos midiáticos de diferentes fontes e uma maturidade no desenvolvimento, em que a captura de situações inverossímeis acabam sendo a forma de manter uma linearidade de acesso às imagens produzida, já em “Buscando” cada uma das imagens que aparece tem um motivo muito bem justificado para serem mostradas e a construção que é criada entre elas nos mantem a todo momento extremamente envolvidos à narrativa.

A partir de vídeos caseiros, agendas online e buscas no Google mostrados logo no início, somos apresentados a um prólogo sobre a família e a perda pela qual David Kim (John Cho) e sua filha Margot Kim passaram com a morte da mulher e mãe, Pamela Kim. A tragédia gera um distanciamento entre pai e filha que posteriormente será explorado.

Essa história se desenvolverá em cima do desaparecimento de Margot e toda a busca feita pelo pai, David Kim com a ajuda da atriz Debra Messing no personagem da detetive Rosemary, a partir de mídias sociais, câmeras de segurança e conversas tanto faladas quanto digitas, usadas de forma perspicaz quando somos expostos à insegurança de David nos tempos de espera e também ao escrever uma longa mensagem deixando clara sua frustração e logo em seguida à apagando, ou as várias vezes em que apaga suas respostas antes de manda-las.

Em pouco tempo somos envolvidos por um thriller psicológico de alta qualidade, em que absolutamente nada é mostrado por acaso e toda a escolha de imagens é pensada e entendida não apenas como imagem pura, mas também sob a perspectiva  da recepção ao espectador, algo que foi muito bem estudado e analisado, já que é essa construção que dita o ritmo da trama. No primeiro terço temos o computador e celulares como fonte, logo no segundo terço são adicionados novos recursos como câmeras de segurança e GPS e no último terço, intensificando a tensão, entram os noticiários, cada um com especificidade estímulo, sendo também esperto utilizar das mídias sócias já conhecidas, como Facebook, Instagram, MySpace dentre outras para aumentar ainda mais a nossa imersão.

A atuação de John Cho merece ser comentada já que quando ele aparece na tela fica claro seu cansaço, desespero ou esperança.

Além de realista em suas escolhas, a história no final impacta não apenas pelo plot twist muito bem desenvolvido em tempo e sentido, mas pela amarração de informações mesmo com a limitação de linguagem proposta e por fim por manter diversas críticas sobre as mídias de comunicação, o estar conectado em rede, porém não fisicamente, pelo oportunismo em situações trágicas, dentre outras tantas situações.

O filme cria um marco de linguagem para o cinema atual, com um entendimento realmente aprofundado das nossas relações com o universo tecnológico dando base para se desenvolver tramas inteligente e muito bem amarradas sem necessidade apelativa. Apesar do incrível roteiro por traz nada supera a destreza para com o formato narrativo.

SIMILAR ARTICLES

NO COMMENTS

Deixe uma resposta