cinema

Por Matheus Rodrigues – Start – Parceiros Contramão HUB

Harry Potter com certeza é uma franquia que possui uma enorme legião de adoradores, e não é uma surpresa quando um vídeo ou curta de fãs é produzido, e desde o ano passado os fãs estavam no aguardo de Voldemort: A origem do Herdeiro. Desde o fim da série de filmes foi lançada uma peça de teatro com o filho de Harry, e um filme no mesmo universo, Animais Fantásticos e Onde Habitam, e no dia 13 de janeiro deste ano chegou ao Youtube o fanfilme tão aguardado quanto as produções oficiais.

Em menos de um dia o vídeo ficou no #1 lugar entre os Vídeos em Alta e ultrapassou 2 milhões de visualizações. O longa metragem de 52 minutos foi realizado de forma independente pela italiana Tryangle Films, e mesmo com pequenas falhas no roteiro, os fãs de Harry Potter tem elogiado bastante o filme considerado o baixo orçamento de uma produção não hollywoodiana.

O enredo da trama tem o intuito de revelar um pouco do passado de Tom Riddle, ainda como um jovem estudante em Hogwarts, e como ele tornou-se o maior bruxo das trevas a ser conhecido na história. Assista ao filme em HD, e com a opção de legendas em PT-BR:

O que você achou do filme de fãs? Muitos Potterheads, adoradores de Harry Potter, gostariam de ver a J. K. Rowling envolvida e um grande orçamento de estúdios investidos nessa produção, você pensa que isso seria uma boa ideia também? Aproveite a área de comentários abaixo e deixe sua opinião.

 

Cobertura por Ked Maria e Ana Luísa Arrunátegui

Provocando o público quanto aos termos Realismo e Naturalismo, a curadora de curtas da 21ª Mostra de Cinema de Tiradentes, Camila Vieira destacou que essas palavras têm ligações históricas e são carregadas de sentidos, durante o Seminário Debate que ocorreu no sábado, 20 no Cine Tenda.

Junto de Camila, estava também os curadores Cleber Eduardo, Francis Vogner, Lila Foster e Pedro Marciel, que explicaram como foram feitas as seleções dos filmes e o que nós podemos esperar do termo realismo.

Camila, após a provocação destacou que a seleção não foi pensada somente sob o olhar do engajamento com o real, segundo ela, a ficção também está presente nos filmes selecionados que serão vistos durante todo o festival. Já Cleber ressaltou que a escolha do tema não foi aleatória, uma vez que, as produções desde 2012 vem com uma relação direta com o real.

O termo Chamado Realista, surgiu a partir das variações de filmes inscritos, selecionados ou não para a Mostra, e que apresenta de maneiras distintas a abertura para a vida. Além de esclarecer que em sua visão a ideia do “realismo” tende para o lado pan-realista. O curador enfatiza que esse tema não está presente em todos os filmes exibidos.

De acordo com Francis Vogner, as experiências contemporâneas, cada vez mais, servem como alimento para produções de curta-metragem, e que isso fica evidente quando se compara com as edições anteriores da mostra. Lila Foster destaca que o tema sugere algo como um documentário ultra-realista permeado por fabulações, pensado em estratégias em que filmes desenvolvem para ter contato com o real.

Exemplo deste chamado realista é o curta Vaca Profana, de René Guerra, um dos quatro curtas exibidos dentro dessa temática no Cine-Tenda, foram 16 minutos de emoção com a história de Nádia, uma travesti que sonha em ser mãe. Pontos Corridos, tirou risos dos espectadores com a fugaz amizade entre um homem com problemas e o motorista derivada de uma música. Outro curta-metragem que se destacou na Mostra Panorama foi o Intervenção de Issac Brum, explorando a tensão e os conflitos com a polícia, o diretor despeja a violência e as decisões de um motoboy.

Por Ked Maria

A tranquila cidade de Tiradentes parou nessa sexta feira, 19, para acompanhar a abertura da 21° Mostra de Cinema. A Cine Tenda foi montada na Praça da Rodoviária e convidou toda a cidade e os turistas para acompanhar a Banda Ramalho com pipoca e pirulito. O início do festival se deu com promessas de mais incentivo financeiro para as produções mineiras e com muitas homenagens. Babu Santana, foi a estrela da noite, levou para o palco muita representatividade e mostrou que o Chamado Realista é um apelo da sociedade traduzido nas obras cinematográficas.  

Os pais Leandro Rocha e Karla Testoni levaram a pequena Luna Testoni, no colo, para o evento que já é tradicional na cidade. A assistente social de 33 anos, reside em Tiradentes há cincos anos, ela e o marido fazem questão de participar anualmente. “Como sou de Tiradentes venho sempre desde o início, acompanhei o crescimento da Mostra de Cinema, é um dos melhores eventos que acontece na cidade.”, afirma o marceneiro de 31 anos. Segundo o casal o evento movimenta bastante a cidade por ser vários dias, o que atraí o turismo. 

Renan Távora de 19 anos, estudante de cinema, veio de Belo horizonte para prestigiar uma produção fruto de um trabalho de conclusão de curso (TCC), o curta “Super Estrela Prateada “, de Leandro Branco. “Acho que a Mostra de Tiradentes dá espaço para as pessoas que estão começando agora, diversos trabalhos de conclusão de curso estão sendo exibidos aqui.”, afirma o jovem. O universitário acredita que há espaço para todos dentro do cinema, principalmente com o tema escolhido para este ano, uma vez que, a política caminha com a arte quando ela está sendo realizada. Távora enfatiza a importância de fortalecer o cinema nacional. Já Letícia Blandina, de 19 anos, universitária, cursa cinema na capital mineira, chegou na cidade com a visão do aprendizado. “A Mostra de Cinema já é tradicional, além de ser o primeiro festival do ano, ou seja, mostra os filmes do mercado atual e exibem filmes de qualidade.”, ressalta a estudante que completa: “É enriquecedor para um aluno de cinema ter esse contato com festivais”. 

 A professora Maria Marta, de 53 anos, a aniversariante chegou a cidade com a família para passear. “É a minha primeira vez em Tiradentes, queria fazer algo diferente, e como é meu aniversário, acabamos vindos parar aqui, o que foi uma grande surpresa a Mostra.”, relata a turista ressaltando que esses eventos são de extrema importância para a cultura, que segundo ela, muitas vezes é posta de lado. A  Cine-Tenda pegou ela e o marido Flávio Neto, de 61 anos, de surpresa, “As coisas que me faz vim a cidades históricas são as igrejas e a arquitetura das casas, pois sou católico. Vimos que estava acontecendo a Mostra na cidade e resolvemos ficar.”, declara o construtor.

O jovem Rai Batista de Melo, de 25 anos, compareceu a abertura com muitas expectativas, “Eu sou uma pessoa que me interesso pela a área, faço cursos de atuação e pretendo cursar Teatro na faculdade.”. Para o Inspetor de Qualidade a Mostra de Cinema de Tiradentes é um gancho para quem gosta de cultura, cinema, teatro, além de agregar experiência. Natural de uma cidade vizinha, Dores de Campos, Rai demonstra satisfação com a escolha do homenageado, “Assim como o negro, o gay, as mulheres, estão conseguindo cada dia mais o seu espaço, que hoje ainda é pouco, mas acredito que daqui há alguns anos isso vai mudar. O importante mesmo é o respeito, não importa a cor, classe ou gênero.”. Batista acredita que Babu Santana está conquistando seu espaço e a prova disso e a homenagem desde ano.

 

Google/Reprodução

Por Bruna Valentim

Nos últimos meses o produtor de Hollywood Harvey Weinstein foi acusado de assédio sexual por atrizes como Angelina Jolie, Ashley Judd o que surpreendeu e ganhou coro com acusações de personalidades como Courtney Love e Lupita Nyongo. O som de suas vozes ao falarem sobre suas experiências com o diretor deu coragem para outras vítimas se abrirem o assunto, o que ficou conhecido como o “efeito Weinsten”. A atriz mexicana Selma Hayek, de 51 anos foi a estrela mais recente a vir a público, de acordo com o jornal The New York Times, a atriz se referiu ao produtor como “Meu monstro” e deu detalhes de um episódio “As táticas de persuasão dele iam de falar coisas doces a fazer promessas, até uma vez que, em um ataque de raiva, ele disse as palavras mais assustadoras: ‘Vou te matar, não ache que eu não sou capaz” desabafou Selma. O produtor nega as acusações que vão de assédio a estupro, mas foi afastado de sua produtora e está prestes a ter seu nome retirado da Academia do Oscar.

A aluna Priscila Mendes acha que os casos de Hollywood não são casos isolados e que isso acontece em todos os lugares e em todos os meios “Eu achei muito legal, muito bonito ver essa união, dá forças para outras mulheres que não tem tanta influência como Angelina Jolie falarem. Eu gostei muito também de mulheres produtoras, diretores retirarem esses atores, essas pessoas de suas produções. Isso é presente no Brasil também, conheço vários casos, acontece de ter mulheres assediando homens, acontece de ter homens assediando homens, mas a gente sabe que isso acontece mais com homens assediando mulheres e homens poderosos que intimidam porque as pessoas têm medo de perder suas carreiras, quem está no cinema a maioria não é pelo dinheiro porque é muito difícil ganhar muito dinheiro com isso, é pelo amor e isso as intimida, então acho esse movimento muito importante” declara a estudante.

Kevin Spacey ganhou o Oscar duas vezes, protagonizou o clássico dos anos 90, Beleza Americana, e atualmente é a estrela principal de House of Cards, série original Netflix. Spacey foi visto como um bom homem, discreto na sua vida pessoal e excelente em seus papéis, o ator seguia uma trajetória linear e exemplar já alguns anos até que em outubro ele foi acusado pelo ex ator mirim Anthony Raupp, que alegou investidas sexuais de Spacey sobre ele quando o mesmo tinha apenas 14 anos e Spacey 27. Ele se desculpou, mas afirmou não se lembrar do episódio, em posicionamento público acabou se assumindo homossexual, o que foi considerado um desserviço para a comunidade já que pareceu apenas uma tentativa de mascarar a polêmica.

A estagiária de cinema Stefânia Grochowski acredita que as penas devem ser justas, mas acredita na reintegração social dessas pessoas “Acho que cada caso deve ser estudado de forma única. Vejo que essas pessoas erraram, mas o caso do Kevin Spacey eu sinceramente acredito que o que aconteceu não foi pelo ato dele em si, foi pela repercussão do caso. Eu acho que a postura da Netflix, por exemplo, em nada se deve ao talento ator, acho que os produtores deviam ter colocado Kevin para conversar com um especialista e vê a raiz de seu problema e tentar achar uma solução. Excluir esses profissionais para sempre não acho que seja uma atitude justa, acho que as pessoas podem mudar e melhorar.”

Ed Westick é conhecido majoritariamente por dar vida a Chuck Bass, o personagem mais popular da série teen americana Gossip Girl. O ator namorou colegas de elenco e costuma ser simpático, apesar de reservado nas suas entrevistas. Não nega ao falar do papel que o consagrou como astro mundial. Westick estava planejando ficar noivo da modelo Jessica Serfaty quando foi surpreendido pelas acusações de estupro pela atriz Kristina Cohen. O ator simplesmente publicou uma frase negando conhecer a mulher e afirmou que nunca tentou forçar ninguém a nada, o que foi consequentemente questionado ao surgirem mais dois casos de assédio semelhantes vindos de jovens atrizes. Westick foi afastado da série que protagoniza White Gold, da emissora inglesa BBC e retirado do elenco de Ordeal by innocence da mesma emissora.

Outro caso surpreendente é o do criador da série One Tree Hill, um hit absoluto entre os jovens, no início dos anos 2000 foi acusado em uma carta aberta assinada por atrizes e pessoas envolvidas no programa. Em seguida foi a vez das mulheres da equipe de The Royals, sua atual produção exibida no Brasil pelo canal fechado E!, se pronunciarem fazendo coro às denúncias das mulheres de One Tree Hill. Alexandra Park a protagonista de The Royals, onde interpreta a Princesa Eleanor postou uma nota em seu twitter sobre a situação “Tenho uma responsabilidade por ter trabalhado com ele em The Royals. Estou devastada de admitir a mim mesma, aos meus colegas e à essa indústria, que eu também fui exposta a esses comportamentos repreensíveis. Estou orgulhosa e grata hoje, que podemos tomar um rumo diferente. O que nos encoraja a denunciar o inaceitável, liderança dolorosa; fé que essa liderança será removida e substituída. Fé que não seremos penalizados pelo comportamento de uma pessoa.”, disse a atriz. Mark foi afastado da produção da série e não se pronunciou a respeito das acusações.

Com artistas tão influentes denunciando crimes como assédio e estupro, a hashtag  #MeToo ganhou força nas redes sociais e a capa da revista TIME, com cinco mulheres que representam a força dessa luta, simbolizam a campanha: a atriz Ashley Judd, primeira a denunciar Weinstein, a cantora Taylor Swift, a lavradora Isabel Pascual (pseudônimo), a lobista Adama Iwu e a ex-engenheira do Uber Susan Fowler. Elas são conhecidas como as voices breakers, as vozes que quebraram o silêncio e simbolizam um movimento de extrema importância na luta feminista.

A estudante de jornalismo Lara Rodrigues acredita que o caso do Kevin Spacey é um exemplo a ser seguido “Acho utópico acreditar que é capaz retirar um abusador da sociedade, porque sempre vão existir pessoas que os apoiam. Mas acho que o abusador, seja quem for, deve ser humilhado e rechaçado quantas vezes necessário, porque se simplesmente deixarmos a pessoa de lado depois de um tempo tudo é esquecido e ele volta como se nada tivesse acontecido. O Kevin ter sua série cancelada e o modo como a sociedade no geral lidou com a situação é realmente o que deve acontecer. Mas é claro que acredito que o fato das vítimas de Spacey serem homens influenciou nas consequências de seus atos”.

Os casos acima são um exemplo claro que a união faz a força e que as mulheres vão seguir lutando contra a cultura do estupro que assombra a sociedade até o fim. O ano de 2017 parece ser o início de uma nova era para Hollywood e mostra que as pessoas não estão mais dispostas a se calarem e pelo visto os machistas não passarão, ganharão prêmios ou qualquer coisa além de uma pena justa por suas condutas.

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Por Tiago Jamarino – Start – Parceiros Contramão HUB

 

Aviso: Spoilers para Star Wars: Os Últimos Jedi abaixo.

 

Facilmente um dos aspectos mais divisivos de Star Wars: Os Últimos Jedi é a maneira como os personagens usam a Force de maneiras que não foram vistas na série antes. De um lado, você tem os fãs que acreditam que isso trai o que veio antes. Do outro lado, há os fãs que acreditam que era hora de avançar no passado e em uma nova direção. O diretor Rian Johnson falou com o Los Angeles Times sobre as mudanças e sua inspiração por trás deles.

 

Em termos de usar poderes que não foram contextualizados em filmes anteriores, Johnson simpatiza com os fãs, mas ressalta que esta não é a primeira vez que os novos poderes da Força foram exibidos:

 

“A verdade é que, porque Star Wars até ‘O Despertar da Força’ foi configurado em âmbar e não tivemos um novo filme Star Wars em 10 anos, você esqueceu que eles estavam apresentando novos itens da Força com cada filme, com base no requisitos da história. O agravamento da força não ocorreu até o “Império Contra-Ataca”, não estava em ” Uma Nova Esperança”. Mesmo com os fantasmas da Força. Eles apresentariam novas idéias sobre o que poderia acontecer com a Força de cada vez “.

 

Os fãs dos xiitas tendem a apontar o máximo quando se discute a Força em Os Último Jedi, depois que o General Leia foi ejetada de sua nave e aparentemente morta, apenas para usar os poderes da Força que ela nunca havia demonstrado antes de voltar para a nave. Johnson sabia que esta cena não seria necessariamente abraçada, mas faz uma nota de que as sementes foram plantadas na trilogia original:

 

“Isso foi algo que Kathy [Kennedy] sempre perguntou: por que isso nunca se manifestou em Leia? Ela obviamente fez uma escolha, porque em ‘O Retorno de Jedi’ Luke diz a ela, ‘Você também possui esse poder.’ Eu gostei da ideia de que não é Luke concentrar-se, alcançando o sabre de luz; é uma coisa de sobrevivência instintiva, como quando você ouve histórias de um pai cujas crianças estão presas sob um carro e eles conseguem força sobre-humana, ou uma pessoa que se afoga se arrastando para a superfície. É basicamente que ela não está sendo completada com a luta ainda. Eu queria que acontecesse [para Carrie] e eu sabia que seria um trecho. É um grande momento, e tenho certeza de que vai estabelecer formas diferentes para pessoas diferentes, mas para mim sentiu-se como uma coisa realmente emocionalmente satisfatória para ver “.

 

Escrito e dirigido por Rian Johnson, o elenco de Star Wars: Os Últimos Jedi inclui Mark Hamill como Luke Skywalker, Carrie Fisher como General Leia Organa, Daisy Ridley como Rey, John Boyega como Finn, Adam Driver como Kylo Ren, Oscar Isaac como Poe Dameron, Lupita Nyong’o como Maz Kanata, Kelly Marie Tran como Rose Tico, Laura Dern como vice-almirante Amilyn Holdo, Gwendoline Christie como capitã Phasma, Andy Serkis como líder supremo Snoke, Domhnall Gleeson como general Armitage Hux, Benicio Del Toro como “DJ”, Joonas Suotamo como Chewbacca, Anthony Daniels como C-3PO e Jimmy Veecomo R2-D2.

 

Star Wars: Os Últimos Jedi  já está em exibições nos cinemas.

 

Fonte: Los Angeles Times

Por Tiago Jamarino – Start – Parceiros Contramão HUB

Oitavo filme da saga toma rumos completamente diferentes do normal, com uma trama mais complexa, divertida e bem mais vistosa!

 

Star Wars teve sua tão esperada continuação após longos trinta e dois anos, O Despertar da Força (2015), foi a tão esperada volta a galáxia tão… tão distante, lógico sem mencionar a trilogia prequel feita por George Lucas. O Despertar da Força, foi o responsável por reviver a franquia, o resultado do filme foi, a terceira maior bilheteria de todos os tempos e uma grande aclamação pela crítica. Mas o filme não foi isento de críticas fervorosas pelos fãs, a grande maioria era unanime  ao questionar os caminhos trilhados pelo Episódio VII, que era simplesmente uma releitura do Episódio IV — Uma Nova Esperança, a nova trilogia estava tratando seu começo a base de um reboot disfarçado de continuação, copiando em base, os mesmos plots e deixando caminhos questionáveis. J. J. Abrams que estava no leme de O Despertar da Força, passou o bastão para Rian Johnson, diretor e roteirista, que renega totalmente seu antecessor e segue em um caminho completamente oposto visto em toda a Saga. O grande medo do público, em geral, era que este filme em potencial fosse ser uma releitura de O Império Contra-Ataca, mas para a felicidade geral da nação, não, este filme segue seu próprio ponto de vista, apesar de ser um filme do meio que tenha que deixar pontas soltas para o próximo.

 

A trama começa exatamente segundos depois de O Despertar da Força, com Rey (Daisy Ridley), indo encontrar com Luke Skywalker (Mark Hamill) em uma ilha isolada, a garota implora desesperadamente pela ajuda do velho mestre Jedi para ajudar a Resistência na guerra contra a Primeira Ordem. A Primeira Ordem comandada pelo general Hux (Domhnall Gleeson), descobre a localização da última base rebelde, coordenada pela General Organa (Carrie Fisher). O início do filme já é o cartão de visita de Rian Johnson, temos uma verdadeira guerra nas estrelas, uma batalha especial nunca vista antes em toda a saga, com um bom tempo de execução e poderio militar. Para repelir a horda de bombardeiros inimigos, a Resistência conta com o comandante Poe Dameron (Oscar Isaac), que tenta um contra-ataque sem sucesso, forçados a fugirem desesperadamente sendo seguidos de perto pelo esquadrão inimigo. A Resistência manda Finn (John Boyega)e a encarregada da manutenção Rose (Kelly Marie Tran) em busca de um enigmático contrabandista, que poderia ajudá-los a destruir o sistema de rastreamento da Primeira Ordem.

 

Ao falar do filme deixarei alguns pequenos spoilers, é impossível fazer uma crítica mais detalhada sem revelar nada da trama, mas fique tranquilo, não estragarei as partes essenciais. Star Wars foi inspirado na obra do escritor americano Joseph Campbell, com sua obra que contava a jornada do herói, um mito sobre a batalha do bem contra o mal. Essa simples premissa permeia no cerne de toda a saga, esquecida nas trilogias prequels, mas retomada no Episódio VII, Johnson tinha uma base solida nas mãos e alguns personagens já estabelecidos. O diretor e roteirista, tinha um abacaxi nas mãos a descascar, ter em mãos personagens já consagrados, apresentar algo novo e, ao mesmo tempo respeitar o legado da franquia. Johnson tem jogadas cirúrgicas para tratar do seu material, como o filme do meio, em algum momento lembrará ao Império Contra-Ataca, por ser um filme, dramático, de derrotas, fugas, vinganças e restruturação para vitória. Mesmo tendo a alma do Episódio V, Os Últimos Jedi toma um rumo mais inesperado possível, tomando soluções que fogem completamente a (forma) Star Wars de ser, alguns personagens tomam rumos diferentes e o amadurecimento do mesmo torna este filme mais autoral possível.

 

A direção e o roteiro ficam a cargos de Rian Johnson, que vem de ótimos trabalhos, como A Ponte de Um Crime (2005), Looper: Assassinos do Futuro (2012) e alguns episódios de Breaking Bad. A direção é mais autoral do que o esperado, é até um espanto ver o resultado e saber que não ouve tanto as rédeas do estúdio, Johnson consegue se sair bem tanto em aspectos técnicos e visuais, também alcançando o ápice em aspectos narrativos. A fotografia é simplesmente sensacional, mesmo sendo a marca da franquia, a fotografia vista neste filme é a mais bonita da saga. O CGI faz um trabalho magistral dando vida a mundos e belas criaturas, e a grande satisfação que muitas coisas são feitas por efeitos práticos. As paletas de cores reagem ao humor e a decisão de rumo de cada personagem, o cinza da resistência e do núcleo Jedi, ao vermelho e o escuro nefasto da Primeira Ordem. Em termos de estéticas visuais, cada batalha até as vistas nos trailers, são um deleite visual e de cores vibrantes. Johnson soube trabalhar realmente seu clima de guerra, sempre nos mostrando a sensação angustiante das escolhas.

 

O filme divide bem suas linhas de ações, tanto as batalhas espaciais quanto as tomadas áreas, os planos fechados são similares a wallpapers, se congelar uma única imagem, você consegue milhões de papeis de paredes. Os Figurinos são bem trabalhados, cores negras e fardas semelhantes a juventude nazista encontrada na Primeira Ordem, aos costumeiros farrapos acinzentados da Resistência. As variedades de raças alienígenas ainda continua um marco, criaturas misturadas com efeitos práticos e CGI. No planeta cassino vemos todo esse potencial da saga inclusa. A trilha sonora composta magistralmente por John Willians, que desta vez veio com tudo, o pouco entusiasmo mostrado em O Despertar da Força, é rapidamente suprido, com novos temas e alguns antigos que causam a nostalgia.

 

O roteiro como dito anteriormente é assinado por Rian Johnson, não é à-toa que o diretor foi contratado para dirigir alguns episódios de Breaking Bad, que por sinal, são os melhores da série. A narrativa simples de Star Wars ganhou folego novo, mantendo elementos consagrados da série, mas com um toque bem pessoal. O texto apresentado em Os Últimos Jedi apresenta ambos os lados da força, Luz e Trevas tendo tempo de tela para mostrarem todo seu potencial, cada um tendo tempo necessário para mostrar um ponto de vista, que é habilmente usado para mostrar até um lado arrogante vindo do conhecimento Jedi. O que o roteiro de Johnson oferece é mais dúvidas, angustias pessoais, a esperança em tempos de guerras. O grande problema do filme que até Star Wars sofre de barrigadas para prolongar uma trama, principalmente quando está no núcleo do planeta cassino é onde o roteiro começa a enrolar sem necessidades, poderia simplesmente ser enxugados trinta minutos de filme. O maior ponto na narrativa criada por Johnson é que nenhuma referência se baseia para enfeitar seu texto, ou só para agradar a fãs saudosistas, tudo mostrado tem um porquê e move a trama. O grande impacto de Os Últimos Jedi é simplesmente estabelecer a conexão entre seus três personagens centrais, Rey, Luke e Kylo, que ambos são a alma do filme.

 

O elenco é bem diversificado, sendo bem a cara da nova Disney, dando espaço a novos talentos. Mark Hamilltão contestado na trilogia original, mas agora entregando um melhor Luke, bem pirado, beirando a esquizofrenia e com conflitos internos. A Daisy Ridley está ainda melhor que o filme antecessor, seu personagem ainda é a alma do filme, adicionando em sua interpretação olhares e expressões pesadas. Adam Driver ainda entrega um personagem atormentado por suas decisões, várias críticas anteriores ao seu personagem são devidas as inúmeras comparações com Vader, injustas, pois, o seu personagem é a atual caricatura da adolescência atual. O John Boyega está mais alivio cômico do que de costume, tem momentos que está até bobalhão demais. Oscar Isaac esquecido no anterior, tendo agora um certo favorecimento no roteiro, seu personagem tem o peso da guerra e tem escolhas a fazer. Existe uma parte do elenco que está completando tabela, Andy Serkis, Gwendoline Christie (Capitã Phasma ainda continua sendo nada), Laura Dern e Benicio Del Toro totalmente jogado e esquecido. Carrie Fisher claramente teria o próximo filme só para ela, com seu falecimento no ano passado, o filme poderia ser penalizado, mas até que sua participação é bem leve e pontual.

 

Star Wars: Os Últimos Jedi é um grande ponto fora da curva para filmes pipocas, contendo um roteiro bastante maduro para o gênero, com novas definições de bem e mal. Apesar de sofrer com uma barrigada em seu ato do meio, o filme acerta mais do que erra. O bom caminho conduzido pela nova narrativa vai tirar qualquer fã de Star Wars de sua zona de conforto, oferecendo mais caminhos a serem trilhados e uma nova gama de possibilidades a serem exploradas. O elenco antigo ainda continua a arrancar suspiros e até seu tom quando fica leve dosa bem o filme. Com uma cinematografia impecável e a mais linda de toda a saga, Os Últimos Jedi tem todos os benefícios de um filme escrito e dirigido por alguém que teve muito mais liberdade criativa e com maestria em suas escolhas para o rumo da saga.

 

4-Ótimo

 

 

FICHA TÉCNICA

 

  • DIREÇÃO

    • Rian Johnson

    EQUIPE TÉCNICA

    Roteiro: Rian Johnson

    Produção: Kathleen Kennedy, Ram Bergman

    Fotografia: Steve Yedlin

    Trilha Sonora: John Williams

    Estúdio: Lucasfilm Ltd, Walt Disney Studios Motion Pictures USA

    Montador: Bob Ducsay

    Distribuidora: Walt Disney Pictures

    ELENCO

    Adam Driver, Adrian Edmondson, Aki Omoshaybi, Akshay Kumar, Andy Nyman, Andy Serkis, Andy Wareham, Anthony Daniels, Antonio Lujak, Benicio Del Toro, Bern Collaco, Billie Lourd, Carrie Fisher, Chris Adams, Christopher Jaciow, Crystal Clarke, Daisy Ridley, Dan Euston, Dante Briggins, Domhnall Gleeson, Florian Robin, Gareth Edwards, Gary Barlow, Gwendoline Christie, Hermione Corfield, James Cox, Jimmy Vee, John Boyega, Jonathan Harden, Joseph Gordon-Levitt, Justin Theroux, Karanja Yorke, Kelly Marie Tran, Kevin Layne, Laura Dern, Liang Yang, Lupita Nyong’o, Mark Hamill, Mark Lewis Jones, Mike Quinn, Noah Segan, Oscar Isaac, Peter Mayhew, Tim Rose, Togo Igawa, Veronica Ngo, Warwick Davis, William Willoughby