cinema

0 478

Por Ana Paula Tinoco

Keanu Reeves é um ator que divide opiniões quanto o quesito é sua atuação, apesar disso não se pode negar que ele é dono de uma carreira consagrada. Como qualquer outro profissional da sétima arte, Reeves possuí grandes sucessos em sua carreira quase que na mesma proporção que amarga alguns títulos ruins estralados por ele.

Reeves que começou muito jovem, aos 21 anos, ganhou notoriedade com os longas de ação “Velocidade Máxima”, “Caçadores de Emoção” e a Trilogia “Matrix”, passeando às vezes por dramas que foram igualmente importantes para que se tornasse conhecido, salvo os belíssimos “Drácula de Bram Stoker”, “Advogado do Diabo” e “Doce Novembro”, ele passou por um tempo no que podemos chamar de anonimato.

 

Porém, em 2014 vimos isso mudar quando o diretor estreante Chad Stahelski, que fora dublê de Reeves em Matrix, trouxe para as grandes telas “John Wick”. O filme como um bom longa-metragem de ação que é bebe da fonte de grandes sucessos do gênero. São claras as homenagens de títulos como “O Profissional”, “Desejo de Matar” e “Mad Max”. E, talvez proposital, o nome dado ao filme aqui em terras tupiniquins marca literalmente o retorno do astro às grandes produções: “De Volta ao Jogo”.

Sem mais delongas, De Volta ao Jogo é o que os amantes de filmes de ação esperam, muito tiro, pancadaria e um protagonista que apesar de não seguir às regras da sociedade nos cativa pelo o que motiva, sua vingança (O Profissional). Após perder sua esposa, Wick se vê perdido e sem esperança até que em um último ato de amor sua mulher o presenteia com um cãozinho acompanhado de um aviso: “Encontre o amor e não estou falando do carro”.

Neste momento começamos a criar uma simpatia pelo personagem quando percebemos, sem muito conhecer sua história, que sim, ele é um homem que se permite um certo grau de vulnerabilidade pertencente a todos nós simples mortais. A sacada interessante de Stahelski é que essa apresentação de um homem comum em luto pela morte do amor de sua vida não se estende. E com uma simples ida a um posto de gasolina a reviravolta apresenta de fato quem ele é.

Mergulhamos então no mundo dos assassinos de aluguel, que apesar de deixar algumas pontas soltas sobre sua origem, se apresenta como uma máfia bem organizada. Eles possuem seus próprios serviços, moedas e um hotel com suas próprias regras. Tudo entregue com o glamour que é de se esperar de uma sociedade secreta.

E é em meio a essa descoberta do público que Wick inicia sua caçada mortal (Desejo de Matar) e cheia de perseguições e frenesi (Mad Max). Reeves traz à tona take a take quem foi John Wick e com propriedade nos entrega um homem forte, comprometido, determinado e capaz de tudo para alcançar seu objetivo, algo que é dito constantemente durante a trama, vingar aquilo que lhe foi tirado quando tudo o que ele queria era paz.

As cenas de ação são um espetáculo à parte, recheadas de lutas, Reeves nos remete ao bom e velho Neo, a narrativa não se perde em meio a tiroteios, e apesar do enredo comum, o filme nos prende, chegar ao final dessa jornada é o que nos excita.  E deixando de lado os momentos por vezes mirabolantes, as formas variadas como Wick vai derrubando um a um quem quer que entre no seu caminho dão um alívio e um respiro à história, mas nada que se compare as balas curvas de “O Procurado”, escuto um amém.

O elenco que o acompanha não deixa a desejar e ajuda na construção e volta da antiga persona de John Wick. Destaque para Willem Defoe (A Grande Muralha) e Ian McShane (Piratas do Caribe – Navegando em águas perigosas) que estão sempre impecáveis em cena.  John Leguizamo (A Era do Gelo), Alfie Owen-Allen (Game of Thrones), Dean Winters (Oz) e Adrianne Palicki (Agentes da S.H.I.L.D.) também constroem o corpo dessa espiral que é o submundo dos assassinos de aluguel.

 

Este ano o capítulo e de John Wick foi lançado sob a alcunha de  Um novo dia para matar. A previsão para o lançamento do Capítulo 3 é em 2019 nos Estados Unidos.

foto: bhaz

 

Por Hellen Santos 

Em comemoração aos 120 anos da capital mineira, a Prefeitura de Belo Horizonte, lançou na manhã desta terça-feira, 28, a nova marca da casa e o calendário comemorativo de aniversário. Entre os dias 01 e 12 dezembro, a cidade estará em festa. Está programado mais de 170 eventos distribuídos pela cidade, entre eles Show da banda mineira Skank, na Praça da Estação e apresentação do Grupo Cine Galpão Horto.

 

 

Os centros culturais distribuídos nas nove regionais também entrarão na programação. Segundo a Gerente de Desenvolvimento Turístico da Belotur, Ana Gabriela Baeta, as festividades contam com visitações a pontos turísticos, guiadas e gratuitas. “Os passeios ocorrem entre os dias 01 e 03 de dezembro em dois turnos: manhã e tarde. Haverá visitas na região da Pampulha, Mercado Central e ao Cemitério do Bonfim, onde as pessoas poderão conhecer a história, as escrituras e as obras de artes”, detalha Baeta.

 

 

De acordo com a PBH, para as festividades foram aplicados cerca de 1 milhão de reais no município. Segundo o presidente da BeloTur, Aluizer Malab, a reunião desta manhã também serviu para anunciar as boas novas da capital. “O Hospital Metropolitano Doutor Célio de Castro, no Barreiro está com seus leitos 100% em funcionamento.”, destacou Malab afirmando “Estamos muito felizes e comemorando.”

 


Não quer ficar de fora das comemorações? Então fique atento ao site da PBH que traz toda a programação em detalhes. http://www.belohorizonte.mg.gov.br/120anos

Por Lucas Henrique – Start – Parceiros Contramão HUB

Embora tenha desapontado um tanto na bilheteria doméstica, a Liga da Justiça continua a adicionar aos seus totais estrangeiros, e agora passou oficialmente a marca de US $ 400 milhões em todo o mundo.

;

O filme trouxe oficialmente US $ 481,3 milhões a partir deste fim de semana e deve atingir a marca de meio bilhão de dólar em algum momento desta semana. O filme trouxe US $ 309,8 milhões no exterior, o que é quase duas vezes maior do que o recebido na bilheteria doméstica. Seu total de US $ 171 milhões nos Estados Unidos ainda é um pouco de decepção, no entanto, o filme entrou no fim de semana de férias com um dos maiores totais de terça-feira em anos.

 

Liga da Justiça também não está acompanhando as marcas das bilheterias estabelecidas por outros filmes recentes do DC Extended Universe, Esquadrão Suicida ou Mulher-Maravilha. Neste momento em seu lançamento, a Mulher-Maravilha já arrecadou US $ 206,3 milhões, enquanto o  Esquadrão Suicida superou um pouco com US $ 222,6 milhões.

 

Liga da Justiça possui um elenco que também inclui Ben Affleck como Bruce Wayne (Batman), Henry Cavill como Kal-El / Clark Kent (Superman), Jason Mamoa como Orin / Arthur Curry (Aquaman), Ezra Miller como Barry Allen (The Flash) Ray Fisher como Victor Stone (Cyborg), Ciarán Hinds como Lobo da Estepe, Amy Adams como Lois Lane, Willem Dafoe como Nuidis Vulko, Jesse Eisenberg como Lex Luthor, Jeremy Irons como Alfred Pennyworth, Diane Lane como Martha Kent, Connie Nielsen como Rainha Hippolyta , Robin Wright como General Antiope, JK Simmons como Comissário James ‘Jim’ Gordon, Joe Morton como Dr. Silas Stone, Amber Heard como Mera, Billy Crudup como Dr. Henry Allen e Kiersey Clemons como Iris West. Julian Lewis Jones e Michael McElhatton também estão no filme em papéis não especificados. Aqui está a sinopse oficial do filme:

 

Alimentado por sua fé restaurada na humanidade e inspirado pelo ato altruísta de Superman, Bruce Wayne pede a ajuda de seu novo aliado, Diana Prince, para enfrentar um inimigo ainda maior. Juntos, Batman e Mulher-Maravilha trabalham rapidamente para encontrar e recrutar uma equipe de metahumanos para enfrentar esta ameaça recentemente despertada. Mas, apesar da formação desta liga sem precedentes de heróis – Batman, Mulher-Maravilha, Aquaman, Cyborg e The Flash – talvez já seja tarde demais para salvar o planeta de um ataque de proporções catastróficas.

 

A Liga da Justiça já esta em exibições nos cinemas.

 

0 160

Por Ana Paula Tinoco

Em 2006, quando Carros foi lançando, a animação causou furor entre os amantes da Pixar. O motivo, vínhamos de uma extensa sequência de ótimos longas animados, como Monstros S.A. (2001), Procurando Nemo (2003) e Os Incríveis (2004), sem esquecer de mencionar aquele que despertou a criança que adormecia dentro de cada um de nós e acordou muitas outras para a magia da cultura pop, o maravilhoso Toy Story (1995).

Diferente de seu protagonista, Carros começa modesto e aos poucos vai se formando a narrativa, talvez manjada por se tratar da jornada do herói, mas que compensa algo tão explorado e maçante com coadjuvantes espetaculares, pontos para Larry the Cable Guy que dubla o tão amado Mate. Com grandes nomes, Owen Wilson (Relâmpago McQueen), Bonnie Hunt (Sally), Michael Keaton (Chick Hicks) e o saudoso Paul Newman (Doc Houdson), o filme ganhou status e cinco anos depois o tenebroso Carros 2 fora lançado.

Apesar do fiasco, o filme possui 39% de aprovação do Rotten Tomatoes, o produtor e co-fundador do Estúdio de Animação, John Lasseter, não se deixou abater e este ano (2017) lançou Carros 3. Voltando a velha fórmula, ao perceber que nem o personagem mais carismático de toda trama, como é o caso de Mate, consegue gerar um bom roteiro, Lasseter traz de volta o velho e bom Relâmpago McQueen. Com um mergulho no básico, o que temos é um carro de corrida competitivo, dono de suas quatro rodas fazendo o que sabe fazer de melhor, correr.

Poster promocional

Toda jornada do herói precisa de seu antagonista, na nova animação ela se mostra na forma do ego de McQueen, um carro sênior, um dos maiores campeões de todos os tempos, que viciado em velocidade se perde na sombra do medo da aposentadoria e que amedrontado não busca para si outras realizações, como se reinventar. E toda essa frustração se personifica no novo personagem, Jackson Storm (Armie Hammer) que mais novo e mais moderno leva o carro 95 a duvidar de si mesmo.

Porém, diferente de Dick Hicks que por seu exagero se torna interessante, Storm não tem nem carisma nem apelo para desenvolvermos alguma espécie de sentimento por ele, a impressão que dá é que ele está ali apenas como fio condutor para a nova busca de McQueen. A grande guinada está no momento em que Cruz Ramirez (Cristela Alonzo) é introduzida na história, uma jovem que empolgada e cheia de frases de efeito, se perde na ansiedade por acreditar não ser capaz e se torna uma espécie de Life Coach.

A personalidade de Cruz em contrapartida a sua imensa vontade de se tornar unânime nas pistas de corrida é o que leva McQueen a se transformar em seu mentor. Aos poucos e de forma bem dosada, seu lado intimista e doce que progride na velocidade em que é exigida para o desenvolvimento de ambos os personagens vai surgindo. Ao perceber que diferente dele, a jovem não teve alguém para apoiá-la e guiá-la nessa árdua jornada, o ponto alto da trama surge, e os dois improváveis companheiros ao lado de Luigi (Tony Shalhoub), Mack (John Ratzenberger) e o divertidíssimo Guido (Guido Quaroni) vão em busca da inspiração e melhora de McQueen, e encontram tudo isso no capô daquele responsável pelo início de tudo, Smokey (Chris Cooper).

Ponto para os roteiristas Robert L. Baird e Dan Gerson que souberam desenvolver um momento de auto ajuda sem cair na mesmice do clichê dos filmes com essa temática e acertaram ao introduzir vários flashbacks, de Doc Hudson.

Foto Divulgação

O personagem (Smokey), que é uma homenagem a todos os mecânicos responsáveis por manter as engrenagens em ordem, é o ponto de partida da história de sucesso de Hudson Hornet, nosso querido Doc. Smokey conduz o adeus entre o mestre e seu aprendiz, algo que não vimos já que Newman morreu em 2008, e faz com que McQueen perceba que existe muito mais além do horizonte das pistas de corrida, basta se adaptar e encontrar uma nova motivação para continuar. E a auto estima reencontrada nesta viagem é direcionada a um novo propósito e percebemos aqui que ganhar nem sempre se trata de cruzar a linha de chegada, o ganho pode estar em ajudar o próximo. E é linda a cena em que Cruz prova que o ditado de que quem não sabe fazer ensina é a maior mentira de todos os tempos.

Outros personagens que foram cruciais para o sucesso em 2006 não possuem o mesmo lugar de destaque quase 11 anos depois. Um sumiço válido se levarmos em consideração que Lasseter precisava reconstruir a essência da primeira animação. Entretanto, a pouca aparição deles não prejudica o desenrolar dos fatos, pelo contrário, já que parte de Sally a alavancada para que McQueen emerja de sua auto piedade e Mate que de seu jeito o leva a ir atrás do treinador de Doc.

Os personagens que são homenagens a grandes pilotos da Nascar – Divulgação

Relembrando grandes nomes da Nascar, podemos ver três grandes pilotos, River Scott (primeiro homem negro a correr na competição), Junior Midnight Moon e a mulher que inconformada em ficar atrás da cerca roubou o carro do marido e se tornou pioneira no ramo, Louise Barnstormer Nash. Homenagens estas que são comuns na animação, foi assim no primeiro com Michael Schumacher e Marlo Andretti (ambos dublados pelos próprios pilotos), Ayrton Senna (mesmo que apenas em uma exposição) e Lewis Hamilton (que também dublou seu personagem) no segundo.

Em suma, valeu a espera por Carros 3 e se olharmos para esse desvio de rota sem perder a base da 66 onde se encontra Radiator Springs, podemos esperar muito mais de uma possível continuação, esta que caso aconteça tem combustível para ir além, muito mais além do Pit Stop.

 

Por Tiago Jamarino – Start – Parceiros Contramão HUB

Depois de estrear suas capas, Entertainment Weekly continuou a lançar novas informações e entrevistas sobre Star Wars: Os Últimos Jedi, com seu último foco em Mark Hamill.

 

Para Mark Hamill, o homem por trás de Skywalker, embarcando no conjunto do nave era o mesmo que o seu homólogo cinematográfico:

 

“Estou lhe dizendo que não esperava ter a reação que tive. Eu estava lá com minha família, com [meus filhos] Nathan e Griffin e Chelsea e minha esposa Marilou, e [Lucasfilm] perguntaram se a equipe documental poderia estar lá quando voltei para a Millennium Falcon. Quero dizer, isso não foi no dia das filmagens. Eu era iria apenas usar roupas de rua e eu ia visitar o set. E eu disse: “Claro”.

 

Hamill continuou discutindo a emoção do momento:

 

“Era como visitar uma casa antiga na qual você morava quando era criança. Quero dizer, acabei de me emocionar e disse: “Preciso estar sozinho”.

 

Todos obrigaram e, em alguns momentos, Hamill estava nele sozinho, relembrando o passado:

 

“Eles recriaram tudo para todos os detalhes que eu lembro. O óleo goteja, os tubos pendurados, apenas tudo. Os dados no cockpit, “

 

Rian Johnson, o diretor de Os Últimos Jedi afirmou que a cena do Skywalker que retornou a nave foi um dos primeiros dias de filmagem com Hamill no Pinewood Studios. Johnson também revelou que o conjunto do cockpit é um espaço fechado, o que significava que todos os membros da equipe estavam observando os monitores de vídeo para ver o jogo:

 

“Deus, lembro-me tão vividamente dessa filmagem dele acendendo as luzes no cockpit Falcon. E todos nós nos olhamos um para o outro, como “Ó meu Deus”.

 

Enquanto a cena é um hurra e um retorno à forma para os fãs, no contexto do filme, Johnson disse que era uma cena profundamente enraizada na tristeza:

 

“Há muita melancolia. Você sabe, essa nave está cheia de fantasmas para Luke “.

 

Escrito e dirigido por Rian Johnson, o elenco de Star Wars: Os Últimos Jedi inclui Mark Hamill como Luke Skywalker, Carrie Fisher como General Leia Organa, Daisy Ridley como Rey, John Boyega como Finn, Adam Driver como Kylo Ren, Oscar Isaac como Poe Dameron, Lupita Nyong’o como Maz Kanata, Kelly Marie Tran como Rose Tico, Laura Dern como vice-almirante Amilyn Holdo, Gwendoline Christie como capitã Phasma, Andy Serkis como líder supremo Snoke, Domhnall Gleeson como general Armitage Hux, Benicio Del Toro como “DJ”, Joonas Suotamo como Chewbacca, Anthony Daniels como C-3PO e Jimmy Veecomo R2-D2.

 

Star Wars: Os Últimos Jedi está programado para ser lançado nos cinemas em 14 de dezembro de 2017.

 

Fonte:  Entertainment Weekly

0 141

Por Ana Paula Tinoco

Mudei meu endereço a pouco tempo e mesmo estando há uma semana no novo apartamento, demorei aproximadamente cinco dias para perceber que estava ao lado do relógio Itaú. Sim, aquele famoso relógio que tem sua morada no alto do Edifício JK. Ao concretizar a ideia de como somos alheios ao que está a nossa volta, percebi o que é perdido no meio do caminho por não darmos atenção ao nosso redor. Olhamos constantemente para o chão, olhar fixo no concreto que preenche as calçadas quando um universo inteiro se encontra bem a altura de nossos ombros.

Escolhi meu destino, desci a Rua Rio Grande do Sul em direção à Rua Goitacazes. Esquerda ou direita, pensei “há poucos dias segui a direita, o que será que a esquerda me reserva? ”. Lado escolhido comecei minha jornada e a medida em que avançava me permiti olhar para os lados, como alguém que procura um achado, um número na rua, um Fora Temer. Parei, analisei o espaço, não havia nada demais ali.

Tirei o celular do bolso, para registro, de repente senti uma mão pousar em meu ombro. Coração gelado, pernas bambas, olhei devagar para trás e para minha surpresa era um senhor de pouco mais de 1,60 de altura, boné azul, uma blusa social e uma calça bem passada. Ele me fitou nos olhos e com uma voz doce me disse: “Moça, guarda esse celular porque aqui é perigoso! ”. Se virou e ia saindo quando fui atrás dele e a surpresa que era a minha passou a pertencer a ele.

Ao agradecer o gesto e a preocupação, ele sorriu e disse olhando nos meus olhos, Luís, mas meus conhecidos me chamam de Seu Luís. Guardei o celular, vocês sabem o que dizem, “Devemos sempre escutar os mais velhos”. E retribuindo o sorriso, me apresentei e questionei se ele poderia contar sua história. Intrigado, queria saber o porquê do meu interesse, expliquei e categórico ele disse, “A moça, tem muito pra contar não.”. Sorri e disse: me conte como o senhor chegou até aqui.

“Não precisa de muito detalhe não, né? ”, indagou sorrindo. Neguei com a cabeça e falei com a voz firme: “Apenas o que o Senhor quiser contar! ”. Ele sorriu e disse, “Vamos nos sentar! ”. Rindo ele continuou, “Não sou daqui não moça, sou do interior, sou de Três Marias.”. Ele que veio para cá muito jovem, aos 18 anos, encontrou em sua cidade natal dificuldades e como muitos outros veio tentar a vida na capital, a procura de um futuro melhor.

Após alguns anos, trabalhando de servente de pedreiro, conheceu a esposa, Maria da Conceição. Não recordou a idade que ela tinha na época, mas com os olhos marejados disse que ao lado dela viveu os melhores anos de sua vida. “Ela me deu cinco filhos. Hoje são só quatro, mas tem muito orgulho da minha família”, contou emocionado. “Foram pouco mais de 30 anos, mas ela me deixou. ”, disse abatido.

A esposa, morreu há alguns anos, mas antes dessa perda, ele conta que foi ela quem o ajudou a melhorar na vida, “Eu ficava indo de um lado pra outro até que ela colocou senso na minha cabeça. De servente, virei pedreiro e tinha meus próprios serventes. Mulher ajuda o marido a se erguer”, falou orgulhoso. Sobre os filhos, ele conta que estão todos encaminhados na vida e afirma que o que ele não teve quando criança ele quis que os filhos tivessem, “Não tinha nem caderno pra estudar, era muitos irmãos”, relembrou. Ele que vem de uma família de nove filhos, narrou uma infância difícil, mas de acordo com ele muito cheia de amor.

As horas fluíram, Luís Amâncio, que preferiu ser chamado de Seu Luís, foi um achado no meio de uma tarde quente de terça feira. Bem-humorado e cauteloso brincou quando questionado sobre sua idade, “Uns 60 e poucos, moça. Pra que falar disso, né? ”. Mas, o melhor ainda estava por vir, ao pedir para tirar uma foto dele, ele sorriu e me olhou da mesma forma que me olhou quando veio me avisar sobre os perigos de andar com o celular na mão, “Moça, você é muito educada, mas não vou tirar foto não. Nesses dias de hoje, com internet, a gente nunca sabe o que podem fazer com a foto nossa! ”.

Continuei meu percurso, pelos muros da cidade vi grafites, calçadas que precisam de reparo e edifícios antigos. A diferença é que desta vez não foram os meus fones de ouvido que me fizeram perder o que está ao redor. Por todo o trajeto, a única coisa que ocupava a cabeça era a conversa com aquele senhor, passando e repassando toda o nosso papo, ficava imaginando como não consegui uma foto? E olhando de tempo em tempo para trás não sei se era minha imaginação ou Seu Luís, mas pude ver ele por todo o caminho. Me protegendo? Não sei. Tentando apurar se de fato estava sozinha? Quem poderá dizer.

O que eu posso afirmar é que devemos nos ater mais ao que acontece a poucos passos da gente, retornar um sorriso para aquela senhora ou senhor que gentilmente se aproxima de você em uma rua movimentada. Você nunca sabe as histórias que irá ouvir o bem que uma situação como essa pode causar a você. Abandone seus fones de ouvido, respire, olhe ao redor, sorria, não há nada demais e tudo que é possível quando você percebe que tudo o que tem que fazer é perceber que você não está sozinho nas ruas pelas quais você transita