Contramão HUB

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Por Larissa Ohana

Em geral é esperado de nós que gostemos muito mais dos outros. Fala-se em empatia, em amor ao próximo e sobre cuidar dos outros. Isso tudo só vale a pena quando vem de dentro, quando o sentimento de fazer bem a si mesmo é tão natural que mal se percebe a real proporção que aquilo atinge ao mundo exterior, contagiando todas as relações que se tem.

Se amar parece tão utópico. De fato é, pensando no sentido de que é preciso sustentar muitas de suas próprias decisões em meio à opinião de tantas pessoas, inclusive muitas que te amam e discordam do seu olhar em relação à vida e à você. É, é difícil sim, mas já ouviu falar em desafio?

Parece que se amar é um fardo. Mas eu te digo, não é! Não é, porque você se sente tão vivo que nem as mortes internas que vivemos diariamente nos afeta. Não é, porque você exercita o “olhar em seus próprios olhos” e enxergar muito mais do que suas características físicas, aprofundando até ver o próprio brilho que ali existe. Não é, porque você para de reclamar do que não tem e passa a valorizar as mínimas conquistas que te fizeram chegar até ali. Sabe porque não é? Porque mesmo triste, a plenitude que toma conta do seu corpo te faz respirar fundo e, perceber os detalhes de tudo com clareza e admiração. A verdade é que não é, porque você sorri tanto (estando sozinho inclusive), que vira simplesmente um hábito fazer coisas para você e com você.

É que a gente sempre se gostou, mas algumas fases da vida fazem isso parecer se esvair, parece que a delícia de “se achar” (ou ter certeza mesmo, e tenha!) passa, ficando bem mais simples perceber com mais frequência as qualidades alheias.

O caminho inicialmente é trabalhoso sim e pode até parecer algo inútil, afinal há quem nunca tenha experimentando a sensação de ter uma auto estima forte. Mas mesmo duvidando, mesmo sem ter certeza, faça o que for em prol dos seus desejos mais loucos (loucos pra quem?), porque esses desejos são só seus, só você sabe o porque deseja aquilo. No fim, você acaba tomando gosto pelas realizações que isso te proporciona, uma vez que traz uma sensação inexplicável de preenchimento. Preenchimento esse que nem mesmo a pessoa mais incrível do mundo vai poder te garantir.

Imagina então, que loucura acordar todos os dias sem ter que esperar nada dos outros porque você mesmo já completa todas as suas expectativas? Não é loucura, é segurança.

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Foto: Rafael Minkkinen

Por Bianca Rolff – Gauche – Parceira Contramão HUB

A luz finalmente entrou pela fresta no teto, e ela soube que mais um dia se iniciava. Com dificuldade, abriu os olhos grudados pelo choro da noite e sentiu o ardor da luminosidade, aquela mesma luz que outrora fazia de seus olhos os mais bonitos do Reino. Foi-se o tempo em que ela se banhava no amarelo solar, entranhando no corpo a força do astro rei e fazendo de si uma discípula devota e extremamente fiel. Nada mais era como antes, e ela agora lamentava cada momento em que sentia o iluminar do sol vindo de fora daquela masmorra.

Tentou se ajeitar melhor, mas o movimento a fez perder o equilíbrio e cair sobre o ombro esquerdo. O choque de dor passou pelo seu corpo como um raio numa tempestade de verão, e ela mordeu os lábios para não gritar. Seus braços, há tanto tempo presos às costas já não mais lhe serviam para alguma coisa, e ela mais uma vez deixou o tempo passar.

Não soube ao certo por quanto tempo permanecera deitada, mas o corpo aos poucos foi sendo tomado por um formigamento característico e ela soube que estava para acontecer.

Com uma dor lacinante, ela viu vários pontos se abrindo em seus braços, gotejando sua pele de vermelho. Em segundos que lhe pareceram a eternidade, eles estavam ali, retribuindo-lhe o olhar.

Espinhos.

Com a respiração ofegante, ela buscou se levantar, ao menos sentar-se de um jeito menos torto e desconfortável, uma busca por conforto que não chegava a existir, de fato. Olhou novamente para aqueles pequenos pontos pretos afiados em seus braços e, contrariando o que costumava fazer, chorou ainda durante o dia.

Diriam, muito tempo depois, que aquele choro fora ouvido em vários lugares do Reino e que havia trazido consigo uma nova era. Mas ela de nada soube e apenas deixou que as lágrimas caíssem em seu colo como gotas de chuva. Sabia que seu estado não era dos melhores, e depois de muito tempo sem pensar na realidade que a confrontava, ela deixou que os pensamentos tomassem conta de si.

Prenderam-na por ter espinhos. Por ser, dentre todas as moças do Reino, aquela com capacidade própria de defesa. Tentaram podá-la, “cortar o mal pela raiz”, mas de nada adiantou. A cada poda, mais espinhos nasciam, mais fortes ficavam e ela, ainda que feliz com a própria resistência, via-se em agonia pelo crescimento de espinhos maiores do que tinha sido ensinada a suportar.

Fechou os olhos e inspirou o ar frio e embolorado da masmorra. Sentiu uma gota fria de lágrima cair sobre seu pé descalço. Olhou para aquilo com curiosidade, vendo o pequeno ponto de água escorrer por entre seus dedos e cair no chão de terra batida. Fixou o olhar ali, quase se esquecendo do frio que a rodeava, do silêncio que a preenchia, do mundo que ela não mais via.
Então, esticou os braços o máximo que pôde para o lado e puxou de sua coxa um espinho remanescente da primeira leva. O único espinho restante dos originais e que por algum motivo passara despercebido nas podas pelas quais a submeteram. Numa coreografia dolorida e cheia de esperança, ela o jogou sobre o chão e o cobriu com o máximo de terra que conseguiu. Ao ver o resultado, chorou mais e mais, banhando o solo como nos tempos de colheita mais prósperos.

Sorrindo, deitou-se para um sono profundo, à espera do futuro que não mais lhe pertencia.

Sabe-se que naquele local, contrariando todas as espectativas, floresceu a mais bela flor do Reino, uma flor de cor amarela como o sol. Sabe-se também, como toda lenda que se preze, que o paradeiro da jovem que ali se mantinha nunca fora descoberto. Entretanto, nenhuma mulher jamais fora colocada em tal situação dali em diante, e diziam as línguas que o real motivo era não terem certeza se poderiam mantê-las, de fato, em cativeiro.

Por Start

E muito bem ouvintes do meu Brasil, o Super Amigos estão de volta e aproveitando o clima carnavalesco o episodio de hoje será polemico, traremos verdades, historias da vida e do cotidiano universal movidos a álcool. Sim, iremos contar sobre nossas empreitadas com a cachaça,  com um papo politicamente incorreto e cheio de causos. Cu de babado não tem dono é uma historia do passado e não condiz mais com a realidade de alguns membros, sendo assim, aproveitem mais um cast insano e bebam com responsabilidade.

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Participantes:

Tiago Jamarino

Davi Abner

Gabriel Natã

Glaudson Junior

Iure o Crow

Lucas Henrique

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Por Samuel Aguiar – Poligrafias – Parceiros Contramão HUB

A vida é uma constante ilusão de continuidade. Acreditamos em tudo que vira hábito, temos fé em tudo que parece não mudar. A noite precede o dia, beber água mata a sede, dormir anula o sono. É tudo muito certo, até deixar de ser. E se, um dia, o sinal amarelar antes de ficar verde? E se, do nada, a chuva trouxer calor? E se, sem razão alguma, tocássemos nossas vidas no modo aleatório?

Não gosto de emendar canções, não gosto de saber a música que vem em seguida. Curto a volatilidade de uma playlist mal estruturada, curto a surpresa e o impulso do “pula essa”. Gosto da realidade inenarrável das incertezas e da máxima da probabilidade. Se existe uma chance, mesmo que mínima, ao tentarmos infinitas vezes, encontraremos infinitas situações em que ela se concretiza. A obviedade surpreende.

Surpreende porque temos a habilidade de pensar teoricamente. Na real, nem sei se o infinito existe. Dá pra imaginar, dá pra entender, dá pra usar. Somos bons em fugir de tudo que é instável, somos ótimos criadores de alicerces. No infinito é muito fácil, não usamos “e se…”, usamos “e quando…”. Temos certezas tão inquestionavelmente lógicas que me pergunto se somos tão racionais assim.

Pensamos na vida como quem faz contas matemáticas, usamos toda a nossa suposta inteligência para inventar máximas curiosíssimas, mas que não me parecem nada práticas. Pensamos no dia a dia como se precisássemos estar prontos pro que vier em seguida, mas não dá pra prever.

O passado a gente não muda, e é por isso que os condicionais só devem ser usados para imaginar o futuro. Não sei o que faria se o sinal ficasse verde depois de amarelo e nem se sairia de casa num dia quente de chuva. A minha rotina toca no aleatório, e é por isso que invisto uns bons trinta segundos em decidir se a música vai até o final ou se “pulo mais essa”.

A vida é bem mais divertida assim. E se tudo fosse uma constante continuidade?

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Por Débora Gomes – . as cores dela . – Parceira Contramão HUB

 


queria eu, escrever bonito, uma coisa qualquer que cê pudesse ler. que tivesse passarim na janela, rima de jardim, perfume de roseira, cor de girassol. que te fizesse sentir daí, d’onde cê tá e que eu nem sei, uma vontade danada de ler minhas palavras, ficar vidrado nelas, se apaixonar lentamente pelo sentimento que elas brotariam n’ocê. que te desse, ainda, uma vontade de me dizer de volta, de me mandar um bilhetinho, de se ver que nem as constelações todas, que desenho só procê.

mas eu (vê só, que besteira!), quando dano a escrever procê, só sei dizer dessas coisas de amor e que cê nunca vai ler, eu bem sei. enfeito tudo de cor e purpurina, encho o verso de rodeios pra ficar bonito, uso entrelinhas e quase esbarro em desejos que cê jamais entenderia. por isso fico aqui: cabisbaixa, nuns dias meio turvos sem notícias suas, num descaminho doído que nem caco de vidro na sola de pé descalço.

meu sonho mesmo era que cê lesse alguma coisa que eu escrevi… fosse escrito procê ou jogado no vento, de raras vezes que a escrita muda de tom. e se apaixonasse por um versinho só, que cai sempre de ter bem mais do meu coração, do que eu mesma posso ser. se acontecesse isso, d’ocê me gostar primeiro pelas palavras e só depois pelos olhos, mesmo que cê fosse embora, de cá eu saberia que cê iria levando a melhor parte que é de mim…

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Por Tiago Jamarino – Start – Parceiro Contramão HUB

 

DC forneceu ao ComicBook.com uma prévia exclusiva de The Brave e the Bold: Batman e Wonder Woman # 1 do escritor / artista Liam Sharp.

A série representa a única combinação de “trindade” de heróis de DC que ainda não tiveram um título mensal autônomo, com dois títulos Superman / Batman diferentes e uma Superman / Mulher-Maravilha em curso, fazendo o caminho para as lojas desde a virada do século .

“Quando o assassinato de um deus celta leva a uma guerra entre o povo das fadas e uma possível quebra entre os mundos, a Mulher-Maravilha deve encontrar o assassino e manter a paz enquanto Batman investiga ocorrências estranhas em Gotham City. Diana deve se dirigir ao maior detetive do mundo para que a ajude, e os dois heróis aprendem rapidamente que seus casos podem estar conectados.”

Você pode ver as páginas na galeria de imagens anexa e o texto de solicitação oficial abaixo.

Não perca o início de uma nova minissérie de seis números escrita e ilustrada por Liam Sharp (Mulher-Maravilha)! Quando o assassinato de um Deus celta leva a uma guerra entre o povo das fadas e uma possível violação entre os mundos, Mulher-Maravilha deve encontrar o assassino e manter a paz enquanto Batmaninvestiga ocorrências estranhas na cidade de Gotham. Como Diana deve se dirigir para o maior detetive do mundo para ajudar, os dois heróis aprendem rapidamente que seus casos podem estar conectados.

 

Fonte: Comicbook.com