Cotidiano

por Moisés Martins (aluno do 3° período de Jornalismo Multimídia)

O tema da primeira mesa foi “Resistências Cotidianas”, inspirado pelo Dia Internacional da Mulher, celebrado no último dia 8 de março. O Mulheres Comunicam tratou em toda discussão, as condições das mulheres na contemporaneidade.

As convidadas da primeira mesa; Polly do Amaral, Larissa Metzker, Gilmara Silva Souza, Cristina Tolentino, trataram de temas importantes e atuais, como o papel da mulher na sociedade moderna, machismo, feminismo entre outros.

A noite foi marcada por frases fortes, lágrimas, indignações e pequenas manifestações contra a morte da Vereadora Marielle Franco assassinada a tiros no Rio de Janeiro, no último dia 14.

Gilmara Souza começou o seu discurso sem palavras e disse que: “No silêncio e no sorriso tem muita coisa”. Disse também que: “Tem humanos que podem existir tem humanos que não, Marielle não podia”

Outra frase Marcante foi da Jornalista Larissa Metzker que disse “A gente precisa romper, tentar intervir nessa política”. A noite não parou por aí, a segunda mesa falou sobre “Desafios no Trabalho”, onde as convidadas falaram sobre empreendedorismo feminino no trabalho.

Ao entrevistar uma convidada que participou do encontro, a Pedagoga formada pela UFMG Kenia Araújo, disse que a temática lhe interessou bastante, e que um ponto positivo do encontro foi levar os presentes a reflexão sobre o lugar que cada um ocupa no mundo, considerando o outro como sujeito que também tem direitos.

Aberto ao público, o Ciclo de Debates e Mostra de Cinema ocorrerão no Campus Liberdade e no Anexo I (prédio do ICBEU), entre os dias 14 e 24 de março de 2018.

 

Imagem: Reprodução

Por Bruna Valentim

Marielle Francisco da Silva aos 36 anos foi a quinta vereadora mais votada na cidade do Rio de Janeiro na última eleição e tinha alcançado um lugar de fala onde era referência para milhares de mulheres com as mesmas lutas, vivências e ideais. Marielle era mulher negra, bissexual e periférica se fazendo presente em locais comumente negados a seus semelhantes. Se formou em sociologia pela PUC-RIO e defendia as minorias, os direitos humanos e não temia falar o que pensava ou lutar por justiça. Tinha fé em um mundo melhor e foco para fazer acontecer, em pouco mais de um ano integrando a câmara dos vereadores apresentou mais de 20 projetos de leis, que tinha como foco alcançar melhorias para as minorias supracitadas, e teve dois aprovados.

Na última quarta-feira, dia 14, porém, a vereadora teve sua vida interrompida de forma cruel ao ser alvejada com diversos tiros enquanto voltava para a casa, após sua participação no debate “Jovens Negras Movendo as Estruturas”, organizado pelo seu partido PSOL, realizado no espaço Casa das Pretas no bairro da Lapa na capital do Rio de Janeiro. No momento de seu assassinato, a vereadora estava acompanhada de seu motorista, Anderson Pedro Gomes de 39 anos e sua assessora, a única sobrevivente do ataque.

Enquanto Franco era alvo, Gomes, seu motorista, foi vítima do acaso. O condutor do veículo estava em sua última semana como funcionário de Marielle, com quem vinha trabalhando nos últimos dois meses cobrindo a licença de um amigo. Em breve Anderson iria começar um período de teste para mecânico de uma empresa de aviação e demonstrava empolgação pela nova carreira que almejava trilhar. Gomes acabou sendo atingido por 3 balas e não resistiu aos ferimentos, deixando assim a esposa Agatha e um filho, o pequeno Artur.

 Nos últimos dias a internet também tem sido tomada por homenagens a Marielle. Personalidades como Bruno Gagliasso e MV BILL, passando pelo colega de partido e amigo íntimo da vereadora, Marcelo Freixo, chegando a cantora americana Lauren Jauregui e a top model britânica Naomi Campbell, milhares de pessoas tem prestado suas condolências diante do ato de barbárie que vitimou Marielle e Anderson. No último domingo, em passagem pelo Brasil com a turnê “Witness” a cantora americana Katy Perry chamou ao palco a família de Marielle prestando uma emocionada homenagem a socióloga após cantar Unconditionally.

No exterior, países como Estados Unidos, Argentina, Inglaterra, Colômbia, Portugal e França ao também tiveram atos Convocados pelas comunidades brasileiras que moram no exterior, movimento negro e organizações de mulheres.

Por aqui, a indignação, a raiva, a tristeza e o luto fizeram milhares de brasileiros irem às ruas nos últimos dias pedindo justiça para Marielle, Anderson e tantas outras vidas tiradas sem o menor pudor e de maneira tão cruel. O povo clama por justiça com um desespero agudo, uma urgência de paz, uma sede por melhorias. As causas por qual Franco tanto lutava, hoje lutam bravamente por ela. Quem quer que esteja por trás de sua morte pode ter tido o objetivo de silencia-la, mas o senso de justiça do Brasil tem gritado cada vez mais alto desde o último dia 15. O país tem feito coro ao dizer que vidas negras importam e o legado de Marielle ainda vive.

Em Belo Horizonte, ocorreu na última quinta-feira na Praça da Estação, em Belo Horizonte, um ato contra o genocídio negro e em homenagem a Marielle e Anderson. O protesto contava com artistas, ativistas, estudantes e pessoas dos mais diversos movimentos sociais. Os servidores estaduais da Educação Integrantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) também participavam da mobilização.

Durante o ato que durou aproximadamente quatro horas pessoas de múltiplos grupos sociais fizeram discursos nos microfones com palavras de luto, pesar e resistência.  A estudante de jornalismo Laura Gomes de 19 anos, se emocionou ao ouvir declarações emocionadas das pessoas presentes “Foi como se fosse uma parte minha tivesse ido embora com ela. Com a morte dela eu senti medo, perdi alguém que era como eu e que tinha voz, que falava por mim, que me representava. Tenho sentido medo, repressão. Chorei aqui porque apesar de todos os sentimentos ruins eu senti que não estava sozinha. Eu sei que se eu cair vai ter uma irmã me ajudando a levantar. Hoje eu percebi que sentir medo vai ajudar na nossa vontade de lutar”.

A atriz Elisa Lucinda, que está em Belo Horizonte com o espetáculo L, abandonou os ensaios de sua peça para prestar uma homenagem a amiga de longa data Marielle “Vim prestar a minha homenagem a luta que era dela e que agora é nossa. Acredito que a união da esquerda é a nossa única possibilidade, que é no coletivo que a gente vai fazer a mudança no Brasil. Hoje eu estou em choque, estou de luto, estou com medo, mas por outro lado vemos o que essa moça tão jovem já fez, o impacto que a morte dela causou, essa manifestação mostra o quanto ela nos representava e isso não tem como ninguém destruir.” Questionada se acha que agora haverá um outro olhar das autoridades no Brasil para a questão do genocídio do povo negro, ela é sucinta “Bom, eu acho que agora não dá mais para disfarçar, o mundo inteiro, sabe que a gente mata negro. A todo momento minha esperança é posta à prova, mas eu sou danada, eu tenho muita reserva de esperança e acredito que a gente pode virar esse jogo”.

    Aos 71 anos, a pediatra aposentada, Mirtes Beirão também compareceu ao ato e relatou que não tinha como deixar de estar presente “Antigamente eu nunca poderia imaginar que hoje eu estaria aqui presente para lutar por causas como essa, mas é necessário. Estive nas ruas na época da ditadura e embora os motivos sejam diferentes eu sinto que preciso estar aqui. Marielle representava várias coisas que acredito e é por ela e pelo jovem negro, pelo pobre, que vamos continuar”.

O ato que teve início na Praça da Estação seguiu em passeata de forma pacífica e com a supervisão da polícia militar até a Praça Sete com cartazes, rostos pintados muita emoção e clamores. Em dado momento o bloco musical Maracatu deu início a um canto logo interrompido com protestos dos populares presentes afirmando que o movimento não era bloco de carnaval. Aproximadamente às 20:30 horas o trânsito na região já havia sido liberado pela BH trans.

Na próxima quarta-feira, dia 21/03, um novo movimento está sendo organizado por diversos coletivos sociais de Belo Horizonte, o Ato Preto: Nossa Luta Ninguém (a)tira!, novamente contará com o povo na ruas pedindo por dignidade, pelo direito à cidade, pela população negra. O evento acontecerá na Praça Sete de Setembro no centro de Belo Horizonte. A data escolhida é o dia internacional na luta contra discriminação racial, causa que Marielle tanto lutava.

Afinal o que temos visto após a morte de Marielle é uma comoção pouco vista por aqui. Podemos chamar de reciprocidade, podemos chamar de retorno. Ela moveu montanhas, quebrou paradigmas e sempre fez muito por aqueles que atravessaram seu caminho. Em resumo, a solidariedade que vêm recebendo nada mais é do que o amor que ela tinha pelo próximo voltando para ela. Marielle se foi deixando uma esposa, uma filha, muitos sonhos, mas seu legado se manterá presente, hoje e sempre.

  ATENÇÃO

Acusações questionando a integridade da vereadora estão sendo constantemente propagadas na última semana em diversas redes sociais. Como veículo de informação, o Jornal Contramão se sente no direito de informar que publicar e compartilhar conteúdos contendo inverdades e informações sem precedências legitimadas constitui em crime contra a honra de Franco. Dizer que a vereadora “foi eleita pelo Comando Vermelho” é imputação de fato falso e criminoso. O art. 138, #2o do Código Penal tipifica a calúnia contra os mortos. Os familiares podem demandar criminalmente e civilmente. Caberá aos autores das publicações provar o que afirmam. Uma equipe jurídica está a postos rastreando o compartilhamento dessas notícias falsas para tomar medidas jurídicas cabíveis.

 

Imagem: Rúbia Cely

Por Bruna Valentim

Colaboração Daniel Nolasco 

No Dia Internacional da Mulher, celebrado no dia 08 de março, movimentos sociais da capital mineira se reuniram nos entornos da Praça Sete para uma passeata em prol dos direitos humanos e melhorias sociais. Com camisetas com dizeres feministas, caras pintadas, cartazes e panfletos mulheres de diversas partes da cidade e do estado, de diferentes idades e classes sociais se uniram com o objetivo de celebrar o que é ser mulher.

 

A “Marcha das Mulheres”, teve início na Praça da Assembleia, no bairro Santo Agostinho, na Região Centro-Sul da capital, e seguiu até a Praça Sete. O protesto reuniu os grupos como, o Movimento dos Atingidos por Barragem, Tranvest, Funcionárias Públicas, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Linhas do Horizonte.

 

Por volta das 15 horas, duas jovens se aproximaram da nossa equipe entregando panfletos do Movimento Popular da Mulher (MPM) e da União Brasileira de Mulheres (UBM) com dizeres onde falava sobre os problemas enfrentados por mulheres no dia a dia, mas também continha dizeres otimistas ao ressaltar as conquistas alcançadas nos últimos tempos. Entre as manifestantes estava Julie Deathreage, de 19 anos, que prefere não se classificar em uma vertente radical ou liberal, prefere acreditar em uma luta conjunta por equidade “Acho que neste momento a visão do outro sobre a minha luta pode ser muito variável, dependendo do lugar em que a pessoa se encontra socialmente e politicamente”.

A estudante conta que a veia ativista vem de berço, traço que herdou da mãe solteira e feminista. Deathreage lembra que foi aos 15 anos que começou a levantar bandeiras e participar ativamente da causa. “Desde das eleições de 2014, me vejo dentro do movimento, foi quando conheci entidades feministas e tive consciência do lugar da mulher no nosso país, que é um lugar de pouca voz, pouca representatividade, principalmente dentro da política. Em 2016 me filiei à União Brasileira de Mulheres e conheci mulheres de variados estados, classes econômicas, diferentes idades e de diferentes papéis na sociedade. Me encontrei dentro da UBM, que é uma entidade que luta pela emancipação feminina desde 1988. Encontrei voz, apoio e histórias de mulheres incríveis.” compartilha.

Ceuza Matos Marques, é ex-professora de biologia da rede pública, tem 80 anos, mas protesta ao ser chamada de senhora. Feminista ferrenha é se diz a favor de toda e qualquer minoria. Ela conta que frequentemente vai às ruas em prol do direito do trabalhador, da democracia, do direito do cidadão. É extremamente clara em relação seu posicionamento político, é defensora fervorosa do partido trabalhista, e faz e ensina bordados com dizeres em apoio a ao PT, Lula e atende a qualquer pedido dos clientes que estejam de acordo com seus ideais. Quando perguntada sobre o que a tornou feminista, ela sorri e diz que começou pensando na influência que a religião exercia sobre as mulheres enquanto era jovem “Me perguntei, o que é pecado? É usar uma roupa de banho de duas peças? É usar uma calça? Não, pecado é fazer mal aos outros é trair, é roubar, é enganar o outro. Não me denominava feminista, mas não achava que homem era melhor, eu sempre fui contra esse meio de pensamento, quando mulheres andam a cavalo de sainha sem abrir as pernas, sentadas de lado, eu montava de calça jeans. Minha filha sempre disse que eu fui revolucionária. A gente vai se descobrindo na luta, vivendo, sou pelas mulheres como sou pela liberdade religiosa, como sou pelo negro.”, explica.

Ao ver mais mulheres se aproximando, a aposentada falou com brilho nos olhos sobre a importância de eventos como aquele “A importância da manifestação é que na rua a gente ouve as pessoas, é uma forma de reagir, de resistir. A gente aprende política nesses locais, sim, nós temos o parlamento, os políticos, os vereadores, os deputados, mas é diferente, nas ruas a gente se fortalece”, Finaliza.

Enquanto conversávamos com Ceuza, um rapaz que ouvia atentamente os relatos da aposentada se aproximou. Alexandre Israel, vulgo Alex, como gosta de ser chamado, tem 35 anos, trabalha com obras de acabamento e está sempre presente no meio do movimento feminista, prática que herdou da mãe já falecida. “Há 15 anos o movimento não estava como está hoje e ela sempre se impôs, não levantava uma bandeira, mas ela me ensinou o certo no cotidiano, no dia a dia, quando dialogava com outras mulheres que eram oprimidas no lar.  Foi uma coisa para mim que veio de casa. Hoje meu ciclo de amizade é basicamente formado por mulheres e homossexuais então fui entendendo cada vez mais as minorias. Acredito que a cultura é machista, antigamente eu mesmo já fiz comentários sem perceber, então meus amigos foram me mostrando certas coisas erradas, por exemplo em uma batalha de rap disse para ofender outro competidor que ele tava rimava como uma ‘mulherzinha’ e uma amiga chegou pra mim e disse ‘isso é ruim por que? Mulher não sabe rimar? Isso tá errado’ e bateu um clique em mim, então nessas pequenas coisas do cotidiano, fui fazendo essas reflexões. Percebo também que muitas vezes homens não dão ouvido as mulheres e quando eu faço o mesmo discurso de uma mulher eles ouvem”.

A ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, também esteve presente no protesto e fez um sincero discurso contra o assédio e a opressão em meio a aplausos das mulheres presentes, mostrando que a união faz a força. Mulheres de diferentes vertentes do feminismo, como o feminismo negro e o liberal também estiveram presente na marcha e também fizeram declarações, mas ao mesmo tempo motivadoras nos megafones. Temas como Mulheres no Poder, Violência Sexual, Feminicídio e Violência Obstétrica também estiveram em pauta durante a passeata.

Por Start

E muito bem ouvintes do meu Brasil, o Super Amigos estão de volta e aproveitando o clima carnavalesco o episodio de hoje será polemico, traremos verdades, historias da vida e do cotidiano universal movidos a álcool. Sim, iremos contar sobre nossas empreitadas com a cachaça,  com um papo politicamente incorreto e cheio de causos. Cu de babado não tem dono é uma historia do passado e não condiz mais com a realidade de alguns membros, sendo assim, aproveitem mais um cast insano e bebam com responsabilidade.

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Participantes:

Tiago Jamarino

Davi Abner

Gabriel Natã

Glaudson Junior

Iure o Crow

Lucas Henrique

Por Bruna Valentim

Greta Gerwig é uma atriz de respeito. Musa do cenário indie, ela é referência quando se trata de filmes alternativos com histórias tão reais que chegam a ser palpáveis. Ela fala sobre o mundo feminino de forma tão pura como apenas outra mulher seria capaz de retratar. Greta é o tipo de atriz que enquanto a assistimos parece que estamos vendo uma amiga de longa data no seu próprio reality show. Como diretora felizmente Gerwig também não decepciona em seu longa de estreia.

Com cinco indicações ao Oscar,a de melhor filme, melhor roteiro original, melhor atriz, melhor atriz coadjuvante e melhor direção (Gerwig quebra recordes sendo a quinta mulher indicada na categoria em 90 anos de premiação), o filme acompanha uma adolescente interiorana e sua complicada relação com sua família enquanto busca se encontrar e seguir seus sonhos em meio a decisões erradas e atitudes inconsequentes típicas da idade.

Christine, que se autotitula Lady Bird, é uma garota de 17 anos que odeia sua cidade natal, Sacramento, sonha em viver da arte em alguma grande metrópole e se acha diferente, portanto melhor, que outras pessoas. Saoirse Ronan que da vida a personagem, com apenas 23 anos, adquiriu uma terceira indicação ao Oscar, dessa vez como melhor atriz e com muita chance de levar a estatueta para casa. Por vezes engraçada, por vezes impetuosa, por vezes simplesmente chata, mas sempre interessante, Lady Bird têm camadas e faz com que sintamos empatia e amor pela personagem, mesmo com atitudes adversas que poderia despertar uma antipatia no telespectador, mas o carisma de Ronan faz apenas com que torçamos pela adolescente de cabelo rosa em sua jornada em busca de felicidade e amor.

Os relacionamentos amorosos de Lady Bird no filme, diferentemente do que acontece na maioria dos filmes adolescentes, são romances reais es situações absolutamente plausíveis para jovens adultos. Os atores escolhidos para interpretar seus namorados, Lucas Hedges e Timothée Chalamet, mesmo que não sejam o foco principal uma indicação ao Oscar no currículo. As pessoas provavelmente se identificarão com Lady Bird e terão uma sensação do que é ser uma adolescente descobrindo o amor, a paixão, o sexo. Os primeiros momentos em um relacionamento, a primeira vez, o término, são situações que a direção do filme mostra sem firulas, sem uma áurea cor de rosa, mostra do jeito que é. Greta foi sincera sobre tudo e essa é sem duvidas sua maior qualidade como diretora. A forma como a personagem principal lida com seus interesses amorosos e seus altos e baixos é independente, honesta e nada soa falso ou melodramático, algo corriqueiro em longa metragens do gênero.

A relação da protagonista com sua mãe é o ponto mais alto do filme, não é algo perfeito como a relação mãe e filha do aclamado seriado Gilmore Girs, é algo mais cru, mas também verdadeiro. As brigas entre as personagens e a maneira como fazem as pazes é duro, é puro, é a oposição de duas personalidades fortes que se contrastam, mas acima de tudo se complementam de um jeito muito bonito. Atenção para a cena do aeroporto, lenços serão necessários.

Lauren Metcalf, mãe de Lady Bird, está em estado de graça no filme. Demonstra a exaustão da rotina dobrada para conseguir alimentar a família, o amor e a frustração que sente pela filha ao não conseguir realizar seus sonhos e ao tentar sempre tirar a garota das nuvens, mostrando a realidade que a jovem não que enxergar. A indicação ao Oscar como melhor atriz coadjuvante é mais que merecida.

A trilha sonora carrega sucessos do ínicio dos anos 2000, uma vez que o filme se passa em 2002, então vemos Bones Thugs-N-Harmony e Justin Timberlake com seu coração partido embalando as aventuras de Lady Bird pela simpática sacramento.

O filme é sucesso absoluto e é uma concordância dos críticos e da audiência. Parte disso certamente se deve a perfeição da construção da personalidade de Lady Bird, ela é segura quase o tempo todo, ela tem certezas sobre quem é e sobre o que quer. Ela vive com intensidade e verdade ao mesmo tempo em que sente medo, reconhece quando erra, pede perdão e perdoa. Ela é humana, assim como todos os personagens do filme e sua perfeição se encontra aí, no fato de que essa estória em devidas proporções poderia ser sobre você ou sobre mim. O filme contém traços biográficos de Gerwig, e é uma carta de amor a Sacramento e uma homenagem as mães, as filhas, ao poder feminino, as relações familiares e a quem se é de verdade.