Entretenimento

Por Bruna Valentim

Greta Gerwig é uma atriz de respeito. Musa do cenário indie, ela é referência quando se trata de filmes alternativos com histórias tão reais que chegam a ser palpáveis. Ela fala sobre o mundo feminino de forma tão pura como apenas outra mulher seria capaz de retratar. Greta é o tipo de atriz que enquanto a assistimos parece que estamos vendo uma amiga de longa data no seu próprio reality show. Como diretora felizmente Gerwig também não decepciona em seu longa de estreia.

Com cinco indicações ao Oscar,a de melhor filme, melhor roteiro original, melhor atriz, melhor atriz coadjuvante e melhor direção (Gerwig quebra recordes sendo a quinta mulher indicada na categoria em 90 anos de premiação), o filme acompanha uma adolescente interiorana e sua complicada relação com sua família enquanto busca se encontrar e seguir seus sonhos em meio a decisões erradas e atitudes inconsequentes típicas da idade.

Christine, que se autotitula Lady Bird, é uma garota de 17 anos que odeia sua cidade natal, Sacramento, sonha em viver da arte em alguma grande metrópole e se acha diferente, portanto melhor, que outras pessoas. Saoirse Ronan que da vida a personagem, com apenas 23 anos, adquiriu uma terceira indicação ao Oscar, dessa vez como melhor atriz e com muita chance de levar a estatueta para casa. Por vezes engraçada, por vezes impetuosa, por vezes simplesmente chata, mas sempre interessante, Lady Bird têm camadas e faz com que sintamos empatia e amor pela personagem, mesmo com atitudes adversas que poderia despertar uma antipatia no telespectador, mas o carisma de Ronan faz apenas com que torçamos pela adolescente de cabelo rosa em sua jornada em busca de felicidade e amor.

Os relacionamentos amorosos de Lady Bird no filme, diferentemente do que acontece na maioria dos filmes adolescentes, são romances reais es situações absolutamente plausíveis para jovens adultos. Os atores escolhidos para interpretar seus namorados, Lucas Hedges e Timothée Chalamet, mesmo que não sejam o foco principal uma indicação ao Oscar no currículo. As pessoas provavelmente se identificarão com Lady Bird e terão uma sensação do que é ser uma adolescente descobrindo o amor, a paixão, o sexo. Os primeiros momentos em um relacionamento, a primeira vez, o término, são situações que a direção do filme mostra sem firulas, sem uma áurea cor de rosa, mostra do jeito que é. Greta foi sincera sobre tudo e essa é sem duvidas sua maior qualidade como diretora. A forma como a personagem principal lida com seus interesses amorosos e seus altos e baixos é independente, honesta e nada soa falso ou melodramático, algo corriqueiro em longa metragens do gênero.

A relação da protagonista com sua mãe é o ponto mais alto do filme, não é algo perfeito como a relação mãe e filha do aclamado seriado Gilmore Girs, é algo mais cru, mas também verdadeiro. As brigas entre as personagens e a maneira como fazem as pazes é duro, é puro, é a oposição de duas personalidades fortes que se contrastam, mas acima de tudo se complementam de um jeito muito bonito. Atenção para a cena do aeroporto, lenços serão necessários.

Lauren Metcalf, mãe de Lady Bird, está em estado de graça no filme. Demonstra a exaustão da rotina dobrada para conseguir alimentar a família, o amor e a frustração que sente pela filha ao não conseguir realizar seus sonhos e ao tentar sempre tirar a garota das nuvens, mostrando a realidade que a jovem não que enxergar. A indicação ao Oscar como melhor atriz coadjuvante é mais que merecida.

A trilha sonora carrega sucessos do ínicio dos anos 2000, uma vez que o filme se passa em 2002, então vemos Bones Thugs-N-Harmony e Justin Timberlake com seu coração partido embalando as aventuras de Lady Bird pela simpática sacramento.

O filme é sucesso absoluto e é uma concordância dos críticos e da audiência. Parte disso certamente se deve a perfeição da construção da personalidade de Lady Bird, ela é segura quase o tempo todo, ela tem certezas sobre quem é e sobre o que quer. Ela vive com intensidade e verdade ao mesmo tempo em que sente medo, reconhece quando erra, pede perdão e perdoa. Ela é humana, assim como todos os personagens do filme e sua perfeição se encontra aí, no fato de que essa estória em devidas proporções poderia ser sobre você ou sobre mim. O filme contém traços biográficos de Gerwig, e é uma carta de amor a Sacramento e uma homenagem as mães, as filhas, ao poder feminino, as relações familiares e a quem se é de verdade.

Por Tiago Jamarino – Start – Parceiros Contramão HUB

 

Guillermo del Toro apresenta filme em cima de tema clássico, mas com uma trama original e com pitadas de sci-fi

 

A Forma da Água é o mais novo trabalho do cineasta mexicano Guilhermo del Toro, podendo se afirmar como uma bela história de amor, com bastante pitadas de ficção cientifica. Se analisarmos bem, este filme soaria bem com uma boa redenção para o cineasta. Aos fãs de Del Toro, assim como eu, tivemos uma amarga decepção com A Colina Escarlate (2015). Sempre esperamos mais de Del Toro, o diretor provou mais que nunca ser capas de nos impressionar com seu espetáculo visual e técnico. Quem não se espantou com a qualidade visual do fantástico mundo de Hellboy, com o surrealismo do mundo encantado que permeava o Fauno. Se a (duas) coisas no diretor que sempre andavam de mãos dadas, era, seu designer de produção e sua boa noção em se contar uma história, seja ela simples ou complexa. Nesse rumo que seu mais novo filme segue, um tema clássico como o amor, mas contada de uma forma bem simples e com elementos fantásticos.

Década de 60. Em meio aos grandes conflitos políticos e transformações sociais dos Estados Unidos da Guerra Fria, a muda Elisa (Sally Hawkins), zeladora em um laboratório experimental secreto do governo, se afeiçoa a uma criatura fantástica mantida presa e maltratada no local. Para executar um arriscado e apaixonado resgate ela recorre ao melhor amigo Giles (Richard Jenkins) e à colega de turno Zelda (Octavia Spencer).

Como de costume em obras de Del Toro este filme também se inicia com um voice-over, já causando no espectador o desconforto em saber se tal história é verídica ou um conto de fadas. Assim como no Labirintodo Fauno temos essa narrativa em off esmiuçando o conto, logo já vemos o potencial técnico do diretor, que faz sua câmera transitar em pequenos planos sequencias com pitadas de cortes bem escondidos. A apresentação da personagem principal já gera outro desconforto, Eliza é uma clássica princesa da Disney, a profissional da limpeza, desfavorecida socialmente, com uma vida pacata aguardando o elemento fantástico mudar sua vida. A genialidade do roteiro em usar esses elementos, é fantástico, até chegar ao final do filme muitos irão supor se Eliza é meramente uma personagem inventada por quem está contando a história.

A direção fica a cargo de Guilhermo del Toro, dos mais notórios filmes do cineasta temos, O Labirinto do Fauno (2006), Hellboy (2004), Blade 2 (2002) e Círculo de Fogo (2013). Como já mencionado acima, Del Toroé um diretor que mistura fantasia, ficção cientifica com temas clássicos, presenteando seus espectadores como belas criaturas e mundos magnificados. A cinematografia usa bem tons de verdes e cores bem escuras para dar um senso de perigo, angustia e tristeza, elementos claros de uma ficção científica com monstros. O designer de produção é a marca registrada de Del Toro, toda ambientação dos anos 60 está bem detalhado aqui. Apesar de em muitos momentos o filme ser bem escuro a uma iluminação pontual em cenas que precisam ser destacadas, algumas cenas que são espetaculares. As cenas que são feitas debaixo d’água mostram todo o potencial de uma fotografia que parece ser pintada a mão, fotografia ao qual somada com o excelente trabalho da trilha sonora, fazem com que o filme se pareça uma graphic novel digna de aplausos. Até o designer da criatura é meramente incrível, com uma roupa e uma maquiagem que demonstra uma sensação de realidade. 

O roteiro assinado por Del Toro e Vanessa Taylor tem uma difícil missão, fazer uma história de amor dar liga. Assim como a clássica história infantil, A Bela e a Fera, temos um potencial romance entre uma mulher e uma criatura. Mas não apenas isso, a várias pequenas histórias de pano de fundo acontecendo, o dia-a-dia de funcionários que trabalham na instalação do governo, o pano de fundo histórico da Guerra Fria e o tempo necessário para desenvolver alguns personagens, principalmente a interação com a criatura. O grande problema da narrativa é que o filme é bem previsível, em momento algum, o filme irá surpreender, toda sua condução vai ser entendido pelo espectador. A Forma da Água é um trabalho mais maduro do diretor, pegando o conceito básico de uma clássica história de amor nos introduzindo no fantástico, deixando uma trama mais séria e que em alguns momentos se torna assustadora, mediante a conduta de alguns dos seus personagens.

O elenco é muito bem escalado, tendo uma protagonista digna de todas as suas indicações a prêmios de cinema. Sally Hawkins faz o papel de uma mulher muda, a atriz dá um show à parte, sua personagem precisa se comunicar sem falar e isso é bem transmitido pela sua expressividade. Eliza é uma personagem doce, se preocupa com as pessoas, decidida quando quer e seu olhar transmite tudo em cena. A interação de Eliza com a criatura vivida por Doug Jones, que está habituado em fazer estes papeis, ambos precisam se comunicar sem falar, algo que soa realmente difícil, mas ambos se expressam com linguagens de sinais e muita linguagem corporal. O Michael Shannon com sua fisicalidade intimidadora é bem o personagem a ser odiado pelo espectador, desde o início do filme o roteiro já define bem isso, mas graças ao belo trabalho do ator seu personagem não ficou clichê. A Octavia Spencer está bem, mesmo tendo pouco o que fazer, em alguns momentos do filme ela é a voz de Eliza. O Michael Stuhlbarg bem como sempre nós oferecendo mais histórias de pano de fundo.

A Forma da Água, não alcança o patamar de obra-prima, contendo vários momentos em que o roteiro começa a usar artífices bem convenientes para fazer sua trama andar. Faltou a dupla de roteiristas um esmero a mais para dar desfechos mais sérios e fazer sua trama ser perfeita. Mas tirando todas essas ressalvas, A Forma da Água é uma linda história de amor, com elementos cinematográficos fantásticos, uma trilha sonora linda e mais uma criação de universo fantasioso maravilhoso.

 

4-Ótimo

 

 

 

FICHA TÉCNICA

 

A Forma da Água (The Shape of Water) — EUA, 2017
Direção:
 Guillermo del Toro
Roteiro: Guillermo del Toro, Vanessa Taylor
Elenco: Sally Hawkins, Michael Shannon, Richard Jenkins,  Octavia Spencer, Michael Stuhlbarg,  Doug Jones, David Hewlett, Nick Searcy
Duração: 119 min.

Por Ked Maria

Existem várias maneiras de contar uma história, podem ser através de causos, poesias, prosas e textos, porém, quando a narrativa se une com os desenhos para transmitir uma mensagem, as coisas ficam mais divertidas, fluidas e às vezes até mais leves. As histórias em quadrinhos ou as HQs fazem parte da vida de muitos brasileiros, na volta para a casa dentro do ônibus ou do metrô, é comum encontrar algum leitor ávido por aventura imerso nas páginas desenhadas.

Wendrick Ribeiro de 23 anos, consome HQs e diz que a produção nacional é muito boa, porém falta um ar de comercialização. No cenário brasileiro as revistas em quadrinhos se restringem a publicações independentes, talvez com investimento das editoras ou instituições de mercado intensifique o que traria um aumento exponencial nas publicações. Sobre o conteúdo o publicitário ressalta que os quadrinistas buscam inspirações estrangeiras o que acaba seguindo um padrão norte-americano. Para ele, os quadrinhos estão caminhando para a democratização, “Os quadrinhos atualmente ganharam uma impulsão com a internet, porém essa impulsão fez com que alguns grupos que não tem acesso ou que não tem contato de forma complexa com a internet em sua totalidade, não conseguem serem absorvido.”

 

“Ainda não é tão democrático para quem produz, afinal os quadrinhos
que estão em evidência tem um público muito pequeno que é
de uma faixa com o poder aquisitivo um pouco maior.” Wendrick Ribeiro

 

 

As histórias em quadrinhos entraram na vida do quadrinista Luan Zuchi, ainda na infância, com a coleção da revista Tex”. “Esse encontro com o universo dos quadrinhos me fez perceber que a ilustração poderia servir para contar histórias, causar sentimentos, tocar o outro com uma boa narrativa.”, explica o desenhista  de 22 anos, que lembra: “O interesse pelas HQs veio aos sete anos, com cópias de desenhos por observação e com as tentativas de ampliar essas cópias”. O foco sempre foi desenhar quadrinhos, destaca o jovem que entrou em uma faculdade de design na busca de uma base teórica. Hoje Zuchi tem 10 histórias publicadas sobre diversos temas e seu último projeto é a HQ Kong Comics, onde o autor promete disponibilizar seus quadrinhos para a leitura digital. “Todos esses projetos foram publicados de modo independente, ou seja, eu mesmo bancando a impressão, naqueles que fui responsável por roteiro e arte também fiz o projeto gráfico e cuidei, literalmente, de todas as etapas, da ideia à venda. ”, afirma Luan.

 

“Essa fusão de imagem e texto é instigante para quem lê e traz
o indivíduo para dentro da narrativa, já que é na cabeça do leitor
que a ação sugerida nos desenhos se desenrola.” Luan Zuchi

 

A vontade de tocar o próximo, causar alguma reflexão ou risos, são algumas das razões que motivam o ilustrador, já as ideias para os roteiros variam em cada edição, como sentimentos, situações inusitadas ou até mesmo um ponto vista sobre a vida em sociedade. “Acredito que o dever de um autor é filtrar o mundo ao seu redor e entregar ao leitor o seu ponto sobre aquilo e, se tudo der certo, gerar uma reação em quem consome.”, explica Zuchi e acrescenta que os quadrinhos fazem parte da cultura assim como o cinema, o teatro ou até mesmo os livros, mas ressalta que as características de cada país afetam o conteúdo das HQs. No Brasil, por exemplo as histórias em quadrinhos são associadas ao público infantil, porém para Luan as revistinhas são suporte para contar uma história e nada impede que um adulto se envolva em uma narrativa voltada para a criançada. “Tenho percebido é que temos uma grande oportunidade, de criar quadrinhos que se conectem com as pessoas pelos seus interesses na narrativa, devido à produção diversificada que temos atualmente, de criar quadrinhos para quem ainda não consome quadrinhos seja de super heróis, infantis ou material importado e traduzido por aqui.”.

 

Dificuldades dentro das HQs

Sobre as dificuldades nas produções independentes Luan Zuchi diz que não é na produção que se encontra muitos obstáculos, mas sim na distribuição. O autor alega que a fonte de capital vem com eventos ou financiamento coletivo. Na primeira opção se tem custos como aluguel do espaço, deslocamento, hospedagem, o que impacta diretamente no lucro das vendas, já na segunda opção há um investimento muito grande de tempo e de energia que poderia ser melhor aproveitado no desenvolvimento das histórias.

Outro assunto que instiga o ilustrador é a democratização das HQs, o que foi tema de um dos vídeos postados em seu canal no YouTube. Segundo o quadrinista as histórias em quadrinhos eram vistas como cultura de massa, estavam nos jornais, nas bancas, no mercadinho ou nos postos de gasolina, eram para serem lidas a qualquer momento, por qualquer pessoa. Os quadrinhos de certa forma começaram a se afundar no elitismo das livrarias, nas capas duras e ilustradas, papel bom e preço alto. “As editoras focam no público que já consome quadrinhos e que exige edições luxuosas. Enquanto esse público, que começou a ler na banca, na rodoviária, em edições baratas, se vislumbra com a qualidade gráfica atual e aceita pagar o preço, o novo leitor em potencial acredita que não se publica mais histórias em quadrinhos, simplesmente por que elas foram retiradas do seu campo de visão.”, externa o desenhista e alega que o caminho para reverter esse fenômeno talvez seja produzir narrativas que atraem o público que ainda não lê quadrinhos, uma vez que, todos são leitores potenciais.

“O mundo inteiro está mudando e se adaptando a
esse novo capitalismo tecnológico, os quadrinhos
também estão passando por isso.” Luan Zuchi

 

Para ele há outros vetores que implicam diretamente como as editoras, distribuidoras, lojistas e consumidores, contudo Luan Zuchi acredita que as HQs possuem capacidades incríveis. “Exatamente por essa efervescência que estamos vendo nos últimos anos, com eventos e novos autores surgindo e conseguindo produzir por aqui mesmo, conquistando seu público e mantendo um contato próximo com ele por meio das redes sociais.”.

Julio Almeida de 24 anos, publicou seu primeiro quadrinho na Comic Con Experience de 2017, a revista em quadrinhos se chama “Gie, The Gift”, onde narra a história de uma bruxinha e um desafio para acertar um feitiço. “Nesta história em especial tudo aconteceu muito rápido e não teve uma etapa prévia de preparação e concepts, eu só sentei e fui produzindo uma página atrás da outra. Por trás dessa trama principal eu quis criar uma metáfora sobre amor e afetividade, o que foi bem intuitivo e fluido.”, conta o ilustrador que atualmente trabalha no quadrinho “Nico e Alf”, previsto para este ano, e diz que desta vez anda respeitando melhor as etapas e preparando tudo com mais calma.

 

Inspirar os leitores é uma das motivações de Almeida, o autor propõe reflexões em suas narrativas de uma forma que sejam honestas e que encoraja o consumidor. “Enquanto artista eu me sinto no dever de produzir algo que encante visualmente e que guie esse vislumbre do leitor para uma reflexão sobre algo que seja real no modo como a sociedade funciona ou funcionou algum dia de forma que ele se identifique em algum grau com o que está sendo contado e que essa experiência seja levada para fora da leitura do quadrinho.”, explica o jovem e acrescenta que os quadrinhos instiga a curiosidade, as percepções visuais, a imaginação, fortalece vínculos com personagens e tipos de personalidade.

Para o quadrinista as HQs no Brasil eram dominadas pela produção estrangeira, há uma ou duas décadas atrás dificilmente um título nacional ganhava destaque ou era nacionalmente conhecido se não fosse algum título do estúdio Mauricio de Souza Produções. O que está mudando, o consumo de quadrinhos nacionais cresceu bastante e vem inspirando o surgimento de novos e bons autores. “Eu acredito que estamos nos encaminhando (muito bem) para que as histórias em quadrinhos estejam enraizadas como cultura nossa mesmo, com estilo próprio, sem influências a quadrinhos americanos, europeus ou japoneses.”, afirma Julio e alega que o cenário nacional vem criando personalidade própria.

O quadrinho é sempre muito mais sobre a experiência
por trás
do desenho do que o visual em si, e essas experiências
não podem ser definidas por idade.” Julio Almeida

Dentro das principais dificuldades que o quadrinista enfrenta é a publicação e distribuição, mesmo com o mercado em crescimento há poucas editoras interessadas nesse tipo de mídia. “A principal ferramenta de publicação de quadrinhos nacionais hoje é o financiamento coletivo em plataformas como Catarse, Vaquinha, Benfeitoria, KickStarter.”, afirma ilustrador que completa dizendo que prejudica um pouco a qualidade do material impresso, uma vez que, se trabalha com orçamentos muito apertados.

Sobre a divisão entre o público infantil e o adulto, Almeida diz que o quadrinho é muito rico e diverso, existem cada vez mais títulos com mensagens poderosas. “Eu acredito que essa definição hoje só existe na questão de “classificação indicativa”, pois realmente existem títulos com conteúdo que não são apropriados para o público infantil. Mas, fora esses casos específicos, no geral é uma grande besteira essas divisões.”.

Por Tiago Jamarino – Start – Parceiros Contramão HUB

Apesar de haver uma clara divisão entre os fãs de Star Wars: Os Últimos Jedi é o filme Sci-Fi mais bem-avaliado de 2017 de acordo com o agregador de revisão Rotten Tomatoes.

 

Rotten Tomatoes classifica todos os filmes de 2017 com base em seu respectivo índice ajustado, que usa uma fórmula que está ciente da disparidade do número de revisões para cada filme.

 

Com uma pontuação ajustada de 106,601%, Star Wars: Os Últimos Jedi superou Planeta dos Macacos: A GuerraBlade Runner 2049, Okja e Marjorie Prime.

 

Embora os críticos tenham adorado Os Últimos Jedi, muitos membros da audiência ficaram menos satisfeitos quando deixaram o cinema, citando problemas com o ritmo do filme, escolhas narrativas e execução – que eram ironicamente todas as coisas que os críticos adoravam.

 

Com todas as coisas ditas e feitas, Star Wars: Os Últimos Jedi está atualmente a caminho de ganhar 1,3 bilhão na bilheteria, tornando-se o filme mais bem sucedido em termos financeiros de 2017.

 

Escrito e dirigido por Rian Johnson, o elenco de Star Wars: Os Últimos Jedi inclui Mark Hamill como Luke Skywalker, Carrie Fisher como General Leia Organa, Daisy Ridley como Rey, John Boyega como Finn, Adam Driver como Kylo Ren, Oscar Isaac como Poe Dameron, Lupita Nyong’o como Maz Kanata, Kelly Marie Tran como Rose Tico, Laura Dern como vice-almirante Amilyn Holdo, Gwendoline Christie como capitã Phasma, Andy Serkis como líder supremo Snoke, Domhnall Gleeson como general Armitage Hux, Benicio Del Toro como “DJ”, Joonas Suotamo como Chewbacca, Anthony Daniels como C-3PO e Jimmy Veecomo R2-D2.

 

Star Wars: Os Últimos Jedi  já está em exibições nos cinemas.

 

Fonte: Rotten Tomattoes

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Por Bruna Valentim

Corra ou Get Out! no título original está concorrendo ao Oscar 2018 em quatro merecidas categorias, como melhor filme, melhor roteiro original, melhor ator para Daniel Kaluuya (Black Mirror) e melhor diretor para Jordan Peele (Key and Peele).

 

O filme conta a história de Rose (Alisson Williams – GIRLS) e Chris (Daniel Kaluuya), um jovem casal interracial que está prestes a embarcar em uma mini viagem de fim de semana, para que Chris conheça a família de sua namorada branca. Aparentemente uma família comum e democrata, todos são muito receptivos com o fotográfo e tudo vai bem até que aos poucos o mesmo começa a ter desconfiar da boa índole da família.

 

Corra é um filme de terror. Sabemos que algo está errado, mas não fazemos ideia de o que. Conforme o desenrolar dos acontecimentos, a aparente perfeição da família vai gerando dúvidas  acompanhamos a jornada de Chris em tentar descobrir o que está fora do lugar, tentando encaixar pistas a todo o segundo. É preciso estar atento, o filme nos joga dicas sutis em vários instantes.

 

Daniel Kaluuya está perfeito. Chris não é um personagem negro estereotipado, como acontece na maioria dos filmes em Hollywood, onde atores negros geralmente são colocados na posição do cara engraçado, o primeiro a morrer, o melhor amigo. Kaluuya se demonstra a vontade no papel do cada vez mais desconfortável e desconfiado Chris. O personagem é esperto e muito carismático faz com que torçamos por ele o tempo todo. Alisson Willians, que brilhou em Girls, com sua metódica e chata Marnie, entrega uma Rose, que transmite certa doçura, um senso de justiça misturado com timidez e em nada lembra a personagem que a colocou nos holofotes. O policial e melhor amigo do protagonista, interpretado com graça por Lil Rel Howery, é o alívio cômico do filme e uma peça chave ao ajudar Chris a juntar as peças do quebra cabeça. Catherine Keener e Bradley Whitford, pais de Rose também cumprem bem o papel do trama.

 

Jordan Peele teve dificuldade ao fazer o longa sair do papel, uma vez que nenhuma grande produtora demonstrava interesse na ideia, então o diretor juntou sozinho 4,5 milhões de dólares e produziu o filme de maneira independente, o retorno das bilheterias foi de 254 milhões de doláres. No Oscar Peele faz história, é o quinto diretor negro a concorrer pela melhor direção em 90 anos de premiações da academia,  o primeiro homem negro e o primeiro diretor estreante indicado a “tríplice coroa” de Melhor Roteiro Original, Melhor Direção e Melhor Filme (como produtor).

 

Mas por mais que os atores sejam excelentes, o verdadeiro protagonista de Corra! é o racismo. É um filme perturbador, pesado, incômodo, desconfortável, mas altamente necessário. É o tipo de filme que gera empatia com o personagem principal e identificação. É uma obra que pessoas negras estavam ansiando por ver nas telonas e as pessoas brancas não tinham noção do quanto precisavam assistir. É um tapa na cara com uma sensação reconfortante de vitória ao final.

 

Corra é impecável do início ao fim, tem um elenco talentoso e engajado com o projeto e uma direção acertada por trás que mostra o racismo de uma maneira que é necessário tê-lo vivido para fazer. A propriedade de Peele ao abordar o tema foi fundamental para o resultado extremamente maravilhoso  da produção. As cenas finais do filme certamente estão entre as melhores da história do gênero. Se eu pudesse dar um conselho a você que pretende assistir ao filme seria, fique onde estiver, durante os 144 minutos do filme e não corra! Valerá a pena.

Por: Ked Maria

O curta-metragem “Metamorfose” será exibido na Mostrinha dentro da programação da 21ª Mostra de Cinema de Tiradentes. A animação conta a história de uma menina que em busca da aceitação e felicidade, modifica-se espelhando nas pessoas ao seu redor. O Jornal Contramão conversou com a diretora belo-horizontina, Jane Carmen, de 23 anos.

Jornal Contramão: Qual foi seu primeiro contato com cinema?

Jane: Não me lembro do meu primeiro contato com o cinema, mas me lembro do meu primeiro contato com o ofício da animação. Foi no ensino médio/técnico, durante uma aula de fotografia em que deveríamos fazer um trabalho de animação stop motion. A partir desse momento, me apaixonei e parei, pela primeira vez, para pensar que aquilo poderia ser uma carreira. Existia alguém que fazia os desenhos animados. E se eu gostava tanto de desenhar e assistir a desenhos, por que não fazer dessa a minha profissão?

JC: Qual é o estilo de filme preferido? Porque?

Jane: Não tenho um estilo de filme preferido, mas prefiro os narrativos. Acho que qualquer estilo é válido desde que o filme siga bem a sua proposta, tenha uma história envolvente e imagens cativantes.

JC: Como foi o processo de produção do filme/curta?

Jane: Foi um pouco complicado. Como é um filme de graduação, que deveríamos fazer para obter o diploma em Cinema de Animação e Artes Digitais, tivemos a ajuda dos professores em alguns momentos. Mas foi o meu primeiro filme como diretora, o segundo filme de que participei e também o primeiro ou segundo filme de boa parte da equipe. Então é claro que erramos muito. Ainda tem a complicação de que a animação é um processo muito trabalhoso, que demanda muita dedicação e tempo, e tínhamos que conciliar a produção com outras disciplinas, estágios, monografia, etc.

JC: Qual é a dificuldade que o audiovisual enfrenta no Brasil?

Jane: Eu não posso falar tanto como pessoa que está inserida no mercado, porque acabei de me formar. Mas o que tenho visto é que são várias as dificuldades, principalmente se considerarmos as produções independentes. Há problemas que vão desde a captação de recursos até a distribuição.

JC: Qual é o espaço que a animação ocupa no cinema brasileiro?

Jane: Um espaço restrito e que normalmente é voltado para o público infantil. No Brasil, animação ainda é vista pelo espectador como “coisa de criança”. É raro um filme de animação conseguir espaço em mostras de cinema que não sejam absolutamente voltadas para a técnica. A animação brasileira tem crescido muito nos últimos anos, mas ainda assim os curtas ficam restritos a festivais específicos e quem se aventura a fazer um longa sofre bastante com a falta de recursos, porque a animação é uma técnica muito cara. Se for um longa voltado ao público adulto, a situação piora ainda mais pois dificilmente ele irá para os cinemas convencionais. Estamos em uma situação em que as animações feitas para o cinema só ganham visibilidade ao serem indicadas ou saírem vencedoras de prêmios internacionais.

JC: “Metamorfose” já participou de outras mostras/festivais? Quais?

Jane: Já sim, participamos do Festival Animacine, no agreste, do Prime The Animation 5! na Espanha e do Cine Faro, na Itália.

JC: Quais são suas expectativas para a Mostra de Tiradentes?

Jane: Espero que seja um festival que proporcione discussões sobre o fazer cinema hoje no Brasil e mostre, mais uma vez, por meio de sua curadoria, a qualidade das produções nacionais.