Entretenimento

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Foto Divulgação

Por Ana Paula Tinoco

Quando a adaptação para o cinema do livro de Isaac Marion, Sangue Quente (Warm Bodies) foi anunciada em 2011, ganhando o título no Brasil de Meu Namorado é um zumbi, foi possível ver fãs em fóruns torcendo o nariz para a produção, inclusive quem vos escreve essas linhas. Provavelmente, a maior causa desse desconforto tenha sido o mergulho que demos em um cenário improvável de vampiros que brilham, não bebem sangue e lobisomens desnudos e sem pelos, da grotesca adaptação da obra de Stephenie Meyer, a “Saga Crepúsculo”.

Sem data de lançamento prevista, muitos se sentiram aliviados e o que se podia ouvir era o ecoar de “talvez eles tenham desistido. ”, porém 2013 chegou e em 8 de fevereiro o filme estreou. Faltando quatro dias para o dia dos namorados, nos Estados Unidos a data é comemorada em 12 desse mesmo mês, o longa foi sucesso de bilheteria. E o que muitos acreditavam ser o início de mais um esfolamento de personagens clássicos, na verdade trouxe um frescor.

Para aqueles que não se lembram, no ano em que foi lançando, a criação de George A. Romero havia se tornado rentável novamente. Tomando conta de nossas TVs com adaptações de HQs (The Walking Dead estava em seu terceiro ano), jogos (Resident Evil: Revelations) e livrarias (Guerra Mundial Z), os zumbis, para onde quer que olhássemos, estavam lá.

O cenário é o de sempre, um mundo pós-apocalíptico em que os humanos estão quase extintos, um grupo de sobreviventes que tenta constantemente voltar para casa inteiro e com suprimentos e um líder para manter a ordem, cuidando para que os zumbis não vençam a batalha em que cérebros estão em jogo. Contando a sinopse, você pode dizer, “Mas eu já vi isso antes! ”, é aí que começa a diversão, lembra do frescor que mencionei no segundo parágrafo? Pois bem, vamos falar dele agora.

O romance/ comédia escrito e dirigido por Jonathan Levine não implora para ser levado a sério, pelo contrário, ele brinca com seu cenário inóspito a todo momento. Desde a primeira cena, quando conhecemos R (Nicholas Hoult) percebemos que o que o diretor quis foi mostrar algo diferente daquilo ao qual já estávamos habituados, afinal os zumbis apresentados no clássico “A Noite dos Mortos-Vivos” de Romero passaram por várias mudanças ao longo dos anos.

Voltando a R, ele é o personagem principal de toda a história. Narrando seu dia-a-dia, somos introduzidos ao seu cotidiano e de seus amigos, a cena inicial em que R apresenta seus vizinhos é cômica e ao mesmo tempo trágica, pois como ele mesmo diz, “Ser um morto-vivo não é tão excitante assim.”. E a medida em que vamos conhecendo seus amigos, aqueles que dividem um aeroporto com ele, e seu parceiro no crime e melhor amigo o zumbi M (Rob Corddy), em uma passagem hilária, percebemos que há muito de diferente por vir.

Sua rotina é tediosa, ele divide seus dias em trocar grunhidos com seu amigo M, ver seus colegas apodrecerem e ir e voltar da cidade quando está com fome. No entanto, ele vê sua vida mudar quando em uma dessas idas e vindas ele se depara com um grupo do qual Julia Grigio (Teresa Palmer) faz parte e após devorar o cérebro de Perry Kelvin (Dave Franco) namorado de Julia, ele se conecta e acaba a salvando de ser devorada por sua horda. O que pode até soar estranho aqui, é apenas a abertura para o que há por vir.

Foto Divulgação

A partir desse momento nos aprofundamos mais na personalidade de R, ao conhecermos sua moradia, em uma cena que mais parece um episódio da série “Acumuladores” do canal Discovery Home & Health, percebemos que ele não é um zumbi comum. E entre fugas e salvamentos vemos um romance nascer, mas à medida que ele vai sendo introduzido percebemos que ele está ali apenas para dar leveza ao filme, pois é neste momento que o longa perde um pouco a veia cômica e mergulha na realidade em que vivemos de que o medo do desconhecido é o que nos torna presos à estereótipos e de forma branda e consciente Levine dá espaço a discussão sobre como partimos de pré-conceitos para julgarmos o próximo. E que diferentes podem sim coexistir.

Enfim, o filme que veio despretensioso não causou desconforto nos mais fervorosos fãs dos comedores de cérebro. E se ainda não arriscou, o risco vale a pena, mas apenas se você possuir uma mente aberta.

No elenco de Meu Namorado é um Zumbi ainda estão o ótimo John Malkovich e Analeigh Tipton.

Por Tiago Jamarino – Start – Parceiro Contramão HUB

E enquanto você provavelmente assistiu esse trailer uma centena de vezes até agora, há algumas revelações inteligentes, sugestões e ligações que você pode ter perdido.

 

O mais novo vislumbre de Star Wars: Os Últimos Jedi ofereceu uma série de novas informações, provocando mais fãs de cachorros épicos, tiroteios e duelos que esperam ver em uma produção da Lucasfilm. Confira abaixo algumas dessas coisas que talvez você não tenha visto no trailer.

 

Paralelo com Anakin Skywalker

 

A saga Star Wars utiliza muitos motivos recorrentes. Uma das instâncias mais diretas da saga que vem em círculo é as tentativas descaradas de Kylo Ren de viver de acordo com o legado de seu avô.

 

E, embora Darth Vader eventualmente voltou para o lado da luz e terminou o reinado brutal do Imperadorcom seu ato de morte, Ren provavelmente se refere a isso como um “lapso momentâneo de julgamento.”

 

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O Despertar da Força deixou bem claro que quer cumprir a missão de Darth Vader para erradicar a resistência a um regime totalitário e “acabar com o que [ele] começou”. E esses desejos se refletem em algumas imagens muito distintas do novo filme.

 

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Uma cena que parece mostrar Kylo Ren e um esquadrão de soldados da Primeira Ordem invadindo a base da Resistência em Crait é muito semelhante à cena em que Darth Vader e Clone Troopers invadem o Templo Jedi em Corouscant depois que a Ordem 66 foi executada em Star Wars: A Vingança dos Sith.

 

 

Shuttle de Kylo Ren

 

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Claro, sabemos que o líder dos Cavaleiros de Ren obtém um novo modelo TIE Fighter no novo filme, conhecido como TIE Silencer. Mas e sua antigo nave?

 

 

Mas um das primeiras cenas no trailer mostra que não é o caso, com a nave levando a carga no Craitencostado por um quadro dos novos Walkers de assalto pesado.

 

Embora continue a ser visto se o nave vai desempenhar um papel importante no novo filme, mas pode ser seguro assumir, então, com ele aparecendo no trailer e no novo cartaz. Essas são as alas inconfundíveis da nave de Kylo Ren.

 

Mas, Kylo talvez nem estivesse nesse nave para a cena – poderia ser reservado para qualquer oficial superior como o General Hux. De qualquer forma, pelo menos está no filme.

 

Crait Digging

 

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Nós sabíamos que havia algum significado histórico para esta nova localização em Star Wars: Os Últimos Jedi,como evidenciado pela menção de Crait no guia visual para Rogue One: A Star Wars Story, e o anúncio subseqüente de ma HQ da Marvel.

 

Mas a cena da Milênio Falcon sendo perseguido TIE Fighters através de cavernas, enquanto a estalagmita vermelha em protuberância faz com que seja bem claro que este será o caso.

 

À medida que os mergulhos Falcon tecem através da caverna em perseguição, parece que o equipamento de mineração prolifera na área.

 

Não temos certeza do que exatamente está sendo minado no Crait e por que foi valioso o suficiente para ajudar a financiar os esforços de guerra da Rebelião contra o Império, provavelmente aprenderemos mais sobre o recurso que ele fornece quando Star Wars: Os Últimos Jedi estreia nos cinemas.

 

Novas Criaturas 

 

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Algumas pessoas estão chamando-os de lobos de neve ou raposa de gelo ou algo semelhante, mas vamos fazer algo reto: Crait não é um planeta de gelo! Então o lobo da neve não faz sentido!

 

Coyote de cristal, no entanto … agora estamos chegando a algum lugar.

 

Essas novas criaturas parecidas com um cachorro pareciam aparecer em um piscar de olhos – e você perdeu – a cena do novo filme, durante o qual parece que um pacote de animais está indo para dentro de uma grande porta do hangar quando está sendo fechado.

 

Talvez os coyotes de cristal (se esse nome não for cânone, deve ser) pode sentir a destruição iminente de invadir as forças de Primeira Ordem, e está procurando fugir antes que tudo vá para o inferno.

 

É bom que Star Wars: Os Últimos Jedi inclua alguns alienígenas diferentes e não apenas confiar nos Porgs.

 

Rey vs. Snoke

 

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Este é um pouco assustador, provocando alguns desenvolvimentos terríveis para Rey antes do fim do filme.

 

A cena rápida de Snoke com o braço esticado em direção à câmera, acenando para alguém para cumprir seu destino, é seguido rapidamente por uma cena de Rey dobrado para trás e gritando de agonia.
A cena parece ter lugar na sala do trono de Snoke, com os muros vermelhos carmesins e seus momentos da Guarda Pretoriana apenas fora de foco. O raio aparece no fundo, fora de foco e quase indistinguível, senão por suas roupas de ouro ornamentadas.

 

Embora o Rey finalmente possa enfrentar o vilão responsável por todas essas tentações de assassinato que foram horríveis, parece que existe a possibilidade de que ela não possa sobreviver ao encontro.

 

Distração 

 

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Os trailers da Star Wars são notoriamente secretos sobre os detalhes específicos do enredo nos filmes, e este não parece estar tolerando essa tendência.

 

O trailer de Star Wars: Os Últimos Jedi foi editado tão bem que pareceu que as mesmas cenas forma todas juntos.

 

Uma cena específica mostra a Rey dizer a alguém que ela precisa de ajuda para encontrar seu lugar na galáxia, e o trailer termina com Kylo Ren oferecendo sua própria mão.

 

Mas se você olhar de perto, isso pode ser apenas um engano feito nos arredores. Claro, a iluminação nos dois clipes parece muito semelhante, mas se você olhar de perto, você pode ver que a configuração da Rey é bastante básica com poucos efeitos.

 

Escrito e dirigido por Rian Johnson, o elenco de Star Wars: Os Últimos Jedi inclui Mark Hamill como Luke Skywalker, Carrie Fisher como General Leia Organa, Daisy Ridley como Rey, John Boyega como Finn, Adam Driver como Kylo Ren, Oscar Isaac como Poe Dameron, Lupita Nyong’o como Maz Kanata, Kelly Marie Tran como Rose Tico, Laura Dern como vice-almirante Amilyn Holdo, Gwendoline Christie como Capitã Phasma, Andy Serkis como líder supremo Snoke, Domhnall Gleeson como general Armitage Hux, Benicio Del Toro como “DJ”, Joonas Suotamo como Chewbacca, Anthony Daniels como C-3PO e Jimmy Veecomo R2-D2.

 

Star Wars: Os Últimos Jedi está programado para ser lançado nos cinemas em 15 de dezembro de 2017.

 

Fonte : Comicbook.com

Leia também: 5 Momentos marcantes do trailer de ‘Star Wars: Os Últimos Jedi’ / Confira de perto o visual de Snoke em ‘Star Wars: Os Últimos Jedi’

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Por Tiago Jamarino – Start – Parceiros Contramão HUB

 

*** AVISO ESTE REVIEW CONTÉM SPOILERS ***

 

 

Nesta HQ temos a guerra violenta entre Coringa Charada, finamente chega ao fim quando o plano mestre de Charada é revelado. Mas tudo está atrasado, já que o Coringa realmente recebe a última risada. E com o final da história contada, Bruce Wayne finalmente revela a Selina Kyle seu segredo mais sombrio, seu maior fracasso como Batman. É um momento chocante que mudará para sempre a dinâmica para todos eles.

 

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Vou resumir rapidamente o que estava acontecendo nesta saga do Batman chamada, A Guerra das Piadas e Charadas. Tudo tem início na edição número 24 de Batman, pelo novo selo da DC Comics, Rebirth (no Brasil Renascimento), Batman pede a Mulher-Gato em casamento, mas temerosamente Selina Kyle hesita em dizer sim. Mulher-Gato como uma anti-heroína bastante clássica, se julga indigna de aceitar o pedido de Bruce Wayne. Bruce então começa a contar sobre sua vida como cruzado mascarado, e decide contar para Selinacomo ele não era tão santo assim, que em seu passado como Batman, ele quase quebrou sua regra primordial. Temos início então a famosa saga,“ A Guerra das Piadas e Charadas”, escrita por Tom King e com arte de Mikel Janin. Essa guerra foi travada por Coringa e Charada, que dividiram os vilões em uma sangrenta guerra pelas ruas de Gotham, ao estilo Gangues de Nova York.

 

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A HQ tem um início muito peculiar, pois, quem acompanhou está saga desde o começo de suas 6 edições,pode perceber que Coringa não deu nenhuma risada, uma ótima sacada de King, que trouxe uma dinâmica mais psicótica para o Palhaço do Crime, em alguns momentos me lembrava muito ao Coringa de Heath Ledger. Ao longo das edições anteriores vemos uma sangrenta luta pelo poder de ambas as partes, tanto a gangue do Coringa, quanto a gangue do (Charada), estavam trazendo o caos a Gotham. Batman meio que escolhe um lado para poder parar a guerra, sua escolha fica entre o menos psicopata, que é o (Charada). Mas como em todo clichê de história o que acontece? O vilão sempre vai te trair no frigir dos ovos, mas o que torna está saga interessante é justamente o resultado, Batman perdendo o controle.

 

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O desfecho é sensacional por tudo construído até então, temos uma saga onde se situa em um ambiente urbano, e nada de invasões galácticas, tudo é pé no chão. Com uma estrutura narrativa simples e bem coesa, e com uma boa intenção em contar uma história. Para o mito do Batman, ver este tipo de situação é nova, com essa saturação de mistificar a figura do Homem Morcego, foi bom ter uma história de tropeço, mesmo que o desfecho seja satisfatório para amantes de um romance. O saldo para Tom King com este novo arco é bastante positivo, pois, a trajetória do Batman em Rebirth estava cheio de altos e baixos, principalmente nas sagas dos irmãos Ghotam e Eu Sou Bane, nem vou me ater ao arco Eu Sou Suicida, seguindo a nova onda deEsquadrão Suicida. A Guerra das Piadas e Charadas, mostra bem como seria uma guerra urbana, onde duas forças poderosas se colidem, mas o mais importante em guerrilha urbana é mostrar justamente o lado que sempre sofre, que justamente somos nós a população.

 

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ARTE

 

A arte da saga é totalmente impecável,  mas principalmente nesta edição de número 32 é caprichada, com uma mescla de ritmo que vai se ditando conformes as emoções; desde sua abertura, com uma pagina ilustrada com as  vítimas que morreram ao longo da saga (deixando claro que são meramente ilustrativas). Ao longo da saga quando o ambiente contém o Batman, tudo é acinzentado, e quando temos os bandidos, este clima permanece, mas o mais legal de tudo é que as cores são errantes. Sem mencionar que a anatomia dos desenhos de Mikel Janin são muito bem realistas.

 

A coloração como mencionada acima reage com as emoções, e principalmente pelo jeito dos personagens, um caso bom é com Bruce e Selina. Essas cenas, banhadas em azul profundo e sombras escuras, realmente trazem a intimidade do que está acontecendo entre os dois.

 

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A Guerra das Piadas e Charadas, portanto, é um excelente desfecho para uma boa saga, com elementos coesos e uma história bem palatável. Como edição, Batman número 32, fecha com chave de ouro e coloca King na boa galeria de escritores do Homem Morcego. Com um excelente roteiro e uma arte que seguras as pontas. King mostra que podemos ter uma boa história se ela for pé no chão, sem loucuras milenares ou sagas intergalácticas.

 

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Batman #32
“The War Of Jokes and Riddles” Conclusion
Written by: Tom King
Art by: Mikel Janin
Inks by: Mikel Janin
Colors by: June Chung
Lettered by: Clayton Cowles

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Por Ana Paula Tinoco

A diversidade desembarca em Belo Horizonte (MG) com o Festival TransArte. Entre os dias 4 e 12 de outubro, produtores, artistas e público, pretendem dialogar e explorar temas relacionados a identidade de gênero e sexualidade com espetáculos teatrais, performances, exposições, shows, bate papos e oficinas.

O projeto TransArte que nasceu no coração da Lapa, no Rio de Janeiro (RJ) em 2008, pelas mãos de travestis e transexuais, antes chamados de “Damas em Cena” cresceu e transformou-se em Festival em 2014, com apoio de várias instituições como Sesi Cultural (Rj), Instituto do Ator e Universidade Veida de Almeida. O TransArte busca através da arte, da música e das performances colocar em prática a discussão sobre valores como: o respeito às diferenças, a não-violência, o acesso aos bens culturais, a igualdade de direitos e a liberdade de expressão.

Em sua segunda edição, o festival traz para a capital mineira, cerca de 50 produções com mais de 100 artistas. O produtor e fundador e mestre de artes, Douglas Resende entende que existe uma diversidade de eventos com a temática da identidade de gênero e sexualidade e ressalta que o grupo é resguardado com “seriedade, respeito e comprometimento por todos os seus apoiadores”.

Para ele, é o amor pela arte é o que faz com que ele e outros artistas sigam com o projeto. “Esses são os primeiros guerreiros, os resistentes, os que veem na arte a possibilidade de mudança para uma vida melhor. São nossos primeiros apoiadores.”.

Ministério da Cultura e a Funarte também compraram e abraçaram a ideia do coletivo, sendo eles, os apoiadores institucionais. “Eles compraram a ideia devido a relevância e excelência da iniciativa”, destaca Resende que completa orgulhoso: “O projeto obteve a pontuação máxima na licitação.”.

A diversidade de artistas

A seleção dos artistas passa por uma curadoria que busca a multiplicidade existente em diferentes grupos. “O processo tenta abarcar uma pluralidade de vozes, garantindo um diálogo mais consistente e uma troca produtiva.”, explica o produtor Douglas Resende que garante, “A escolha também sempre considera o que as pessoas querem falar, o que elas querem dizer”.

 

De acordo com a também produtora, Dandara Vital, um evento desse porte tem uma grande relevância para a sociedade pois ele também foca na capacitação de pessoas trans e travestis, mostrando que o nosso lugar é onde a gente quer estar: “Acredito na arte como forma de transformação, temos a possibilidade de atingir pessoas, e assim poder incentivar a não desistir, a resistir.”.

 

Público e expectativa

 

Quando questionados sobre o que o público pode esperar, Douglas Resende revela seu desejo de que a inclusão com o TransArte alcance não só os artistas, mas também os visitantes das oficinas, bate-papos e shows. “Espero que se divirtam, que façam amizades, que conheçam pessoas novas, façam trocas. Espero também que diferentes públicos compareçam ao evento, já que ele preza a diversidade e, portanto, o respeito às diferenças como caminho para uma sociedade mais justa e mais inclusiva.”, finaliza.

 

Drag-se

 

Entre vários grupos e artistas que irão participar da segunda edição do TransArte um deles é a Drag-se, criado em 2014 como “um convite a liberdade”. Segundo Bia Medeiros, uma das fundadoras da marca, o movimento Drag-se celebra a diversidade através da arte, cultura e entretenimento.

Antropóloga e documentarista, Bia Medeiros compartilha a sua experiência e revela como será a participação do grupo no evento. “A Drag-se foi o nosso primeiro projeto voltado para a criação na internet e o YouTube veio como uma das melhores ferramentas para nos consolidar como um canal de referência na arte Drag brasileira.”. De acordo com uma das fundadoras, o Drag-se participa do TransArte em duas etapas: “A primeira será no simpósio na mesa ‘Encontro de YouTubers’ que a Drag-se vai dividir a mesa com o youtuber Lucca Najar do canal Lucca Najar e em um debate sobre internet, ativismo, como a causa LGBTQIA pode ser beneficiada pelo ativismo online. Já a segunda participação será em novembro, em que participaremos como jurados do concurso Transarte Drag-se, lá o público poderá conhecer Marco Aurélio, nosso produtor, Betina Polaroid, nossa drag fotógrafa e Ravena Creole, a drag do povo.”.

 

Serviço:

A programação completa com locais, horários e datas aqui: TransArte.

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Por Vitor Nascimento

Um grupo de cientistas descobre a existência de fantasmas, e com a união de seus conhecimentos elas se preparam para estudar e capturar os monstros. Ao começar a jornada, uma ameaça improvável nasce. Esta é a sinopse, sem entregar nada. Os produtores da Sony e o diretor Paul Faig com o intuito de ajudar a indústria a acabar com os estereótipos e o machismo no cinema, contam com as personagens Abby Yates (Melissa McCarthy), Erin Gilbert (Kristen Wiig), Patty Tolan (Leslie Jones) e engraçada Jillian Holtzmann (Kate McKinnon) como às novas heroínas de Nova Iorque.

Eles só escorregam ao colocar a personagem negra, da Leslie Jones, como a especialista de rua e motorista da equipe (isso ocorre nos filmes originais), mas isso é só um detalhe que não estraga a experiência. A proposta que vende o filme é fazer um reboot com protagonistas femininas, explorando mais o relacionamento do grupo, aproveitando também a adição de novos apetrechos e ajudando a melhorar os equipamentos que já existiam no universo dos caça-fantasmas. Menores e mais funcionais a mochila de prótons e a armadilha de fantasmas não tiveram grandes participações no novo longa-metragem. Os homens neste filme não passam de pontas que não funcionam sem o poder das heroínas. O personagem Kevin, por exemplo, é secretário das caça-fantasmas (Chris Hemsworth, Thor) e é retratado como um idiota que não consegue nem atender um telefone.

Essa é a resposta da produção quando o primeiro trailer saiu, e houve uma enxurrada de críticas por parte dos homens, com comentários machistas no Youtube e o recorde de deslike, por ter simplesmente mulheres como protagonistas. O filme vende o tempo todo os efeitos fantasmagóricos bem produzidos, a interação e a inteligência das personagens, que, sem muito esforço, conseguem fazer um bom trabalho, que consiste em entender as atividades paranormais pela cidade. Os diálogos entre as protagonistas passam facilmente pelo teste de Bechdel (o teste pergunta/questiona se uma obra possui pelo menos duas mulheres que conversam entre si sobre algo que não seja um homem).

 

A trilha sonora traz de volta a música tema e uma nova versão pop feita pelo Fall Out Boy, que não consegue ter o mesmo impacto que a música original do Ray Park Jr. Já a trilha sonora orquestrada consegue fazer com o que os filmes atualmente não conseguem, colocar emoção nas ações das personagens, sem parecer genérico, criando uma identidade. Para as pessoas receosas quando o assunto é reboot, ‘As caça-fantasmas’ faz jus a toda mitologia estabelecida nos filmes dos anos 80, bem mais humorado e colorido, cada uma tem o seu momento de brilhar. Com vários easter-egg, o filme faz uma bela homenagem aos atores da velha franquia, e estabelece o seu próprio universo alternativo.

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Por: Kedria Garcia

As revistas em quadrinhos têm sua origem nas charges e nos cartuns, que se baseiam no humor ou na crítica. A palavra Comics é uma expressão inglesa que pode ser traduzido ao pé da letra como “cômico”. O papel do negro dentro deste universo se apresentou inicialmente bastante limitado em personagens jocosos e/ou coadjuvantes. Ainda assim a presença negra esteve presente desde o início, ao longo da história a discriminação e o preconceito foram se embrenhando no meio, emergindo em narrativas que colocavam o negro com inteligência limitada.

A primeira mudança veio quando Orrin C. Evans, jornalista negro norte-americano, reuniu artistas para lançar a All-Negro Comics, primeira HQ – História em Quadrinhos, produzida por afro-americanos. O protagonismo negro veio à tona com os movimentos que exigiam direitos civis, juntamente com a luta e resistência de líderes como Luther King e Malcom X, e os movimentos sociais como os Panteras Negras e os Black Powers. Vendo um terreno fértil as editoras lançaram revistas relacionadas ao tema criando super-heróis negros e com notoriedade.

                                                               Black Lives Matter têm origem nos movimentos raciais dos Estados Unidos, com o lema Vidas Negras Importam é direcionado
ao combate à violência contra negros. A hashtag #BlackLiveMatter
surgiu nas redes sociais em 2013, após o segurança George Zimmerman
ser absolvido do crime que resultou na morte do adolescente afro-americano
Trayvon Martin
morto por um tiro no peito disparado pelo vigilante.
A insatisfação saiu do virtual e se espalhou em diversas manifestações,
trazendo o tabu do racismo para uma conversa séria e franca.

 

Black Lives Super Matter Collab

O projeto Black Lives Super Matter Collab com curadoria de Wendrick Ribeiro, reuniu 80 ilustradores voluntários para ilustrar personagens negros no universo nerd.  “O desejo de promover o projeto veio da importância da resistência no universo nerd e como ele pode ser o canal para criar um diálogo com o público consumidor de cultura pop.” Relata o idealizador, que complementa dizendo que há um alerta para o discurso da diversidade e a representatividade na mídia.

As divulgações dessas artes começaram no dia 18 de setembro nas redes sociais, em menos de duas semanas a fanpage no Facebook recebeu quase 800 seguidores e avaliações positivas dos usuários. Além das postagens favoráveis de blogs e veículos da área dos quadrinhos.