Entrevista

Resultado de pesquisa técnica realizada em 1995 demonstra as possibilidades de uso do solo urbano na cidade para novas linhas do metrô.

Membros do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Ministério da Ciência e da Tecnologia (PADCT) realizaram um estudo sobre as condições geológicas da cidade de Belo Horizonte. Criado e desenvolvido para determinar as condições do subsolo da cidade, o documento foi entregue para o então prefeito de Belo Horizonte, Patrus Ananias.

Produzido através da parceria entre a prefeitura de BH e a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (FUNDEP) e do Departamento de Geologia do Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o estudo foi o resultado de análises técnicas em geotecnia, hidrogeologia, geologia básica e projetos de intervenção urbanística.

Desde então, ao longo de 22 anos e 4 prefeitos que passaram pela gestão municipal da cidade (Patrus Ananias, Célio de Castro, Fernando Pimentel e Márcio Lacerda), nada foi feito em relação às obras de ampliação subterrâneas do metrô de BH. Ao longo dos últimos anos, o que se viu, foram frustradas tentativas de criar planos para dar continuidade à reforma que, de alguma forma, foram esquecidas ao longo do tempo.

É o caso das perfurações ocorridas em 2012: máquinas, tapumes e trabalhadores realizaram prospecções em pontos estratégicos da cidade para avaliar as condições de comportamento do solo. À época, a empresa Progeo Engenharia foi a responsável pelas obras, ao lado da Metrominas, empresa criada em 1997 para gerir o metrô e vinculada à Secretaria de Estado de Transoportes e Obras Públicas do estado de Minas Gerais (SETOP-MG).

Faltam obras na sobra de gestão

Um dos membros do programa que participou da elaboração do estudo é o engenheiro geólogo, Edézio Teixeira de Carvalho, 70 anos. Ele se recorda de alguns detalhes que foram entregues, na época. “Em 1995 fizemos o trabalho que importou na realização do mapeamento geológico, o mapeamento de problemas geotécnicos e ambientais da cidade. Até hoje a prefeitura utiliza algumas referências desse estudo para o uso e ocupação do solo ou para realização de novos projetos”, explica.

Dentre os projetos mencionados por Carvalho, existe a ampliação do metrô. Ele afirma que BH possui todas as condições geológicas necessárias para receber as linhas subterrâneas. “Já sabíamos dessa condição há mais de vinte anos (com a realização do estudo) ”. Para ele, o problema de algumas cidades no Brasil é que, ao contrário de outros lugares no mundo, que constroem o metrô de forma continua ao longo dos anos, por aqui, as obras acontecem por gestões (políticas). “Enquanto um mandato não tem verba prevista, as obras ficam paralisadas. Isso é muito grave”, opina.

O engenheiro-geólogo, Edézio Teixeira de Carvalho apresenta alguns dos relatórios que desenvolveu ao longo da sua carreira: “As Veias Abertas do Solo Brasileiro e o Meio de Fechá-las” e “Iniciação de um Geodependente – A Hora de tomar os Cordéis”. Ele é um dos responsáveis por elaborar o estudo do solo de Belo Horizonte, em 1995 e entregue à prefeitura da cidade. Fotografia: Lucas D’Ambrosio.

Na cidade de Lisboa, por exemplo, ao longo das décadas de 1950 e 2010 foram realizadas obras de ampliação na linha do metrô que atualmente possui 44,2 Km. Porém, não é preciso atravessar o oceano para comparar o atraso que permeia o metrô belo-horizontino, que hoje, é administrado pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). Na cidade de Recife (PE), seu metrô também é gerido pela mesa companhia. Por lá, os trilhos conseguiram progredir. Enquanto o metrô mineiro possui uma linha, com 19 estações e consegue atender uma demanda diária de 210 mil passageiros, na capital pernambucana, o metrô possui três linhas subdividas em seis, com 29 estações e transporta diariamente uma média da 400 mil passageiros.

Linhas transversais: uma solução?

Nos últimos anos, algumas sugestões foram levantadas para a melhoria do transporte urbano de BH, dentre elas a possibilidade de instalar os monotrilhos pela cidade. Para Carvalho, essa não seria a melhor alternativa. “Não sou o engenheiro construtor do metrô. Sou o geólogo preocupado com as condições da sua instalação. Porém, acredito que o monotrilho não será eficiente, por BH não ser uma cidade plana. Fazer um trajeto ondulado é muito mais complicado do que fazer linhas sub-horizontais”, afirma.

Mapa da cidade de Belo Horizonte, constante dos estudos apresentados à prefeitura de BH em 1995 com as hipotéticas linhas transversais de metrô. A sugestão: linhas que possam alimentar e ser alimentada pelas vias radiais que existem atualmente na superfície da cidade.

 

Para ele, o que resta é uma sugestão: linhas subterrâneas de metrô que sejam transversais às vias superficiais. “BH possui um sistema radial de vias. Este tipo de sistema pede um metrô que irá abastecer ou ser abastecido por elas. Não faz sentido um metrô percorrer de forma paralela uma avenida”. Sobre as expectativas de ver as obras concluídas algum dia, Carvalho finaliza com um sorriso: “Não verei o metrô de Belo Horizonte ampliado. Não tenho perspectivas de ver essa construção pronta”.

Reportagens anteriores:

BH continua na espera pela ampliação do metrô

Os metrôs da CBTU

Fotografias e Reportagem: Lucas D’Ambrosio

5 anos de mais um capítulo da história de esquecimento do metrô de Belo Horizonte.

Quem transitava pelas ruas de Belo Horizonte no dia 7 de fevereiro de 2012, em pontos como a Praça Sete, irá se lembrar daquele dia. Logo ali, na esquina da rua Carijós com a avenida Amazonas, no coração da cidade, um conjunto de tapumes, maquinários e operários realizavam perfurações para análise da viabilidade geológica do solo. Uma placa afixada revelava o propósito da operação: “O Metrô é a Solução”.

Cinco anos depois, o que restou foi a desilusão da população belo-horizontina. Lá se vão mais de 30 anos desde a inauguração da única linha metroviária da cidade. De 1986 até hoje, planos para reformá-la pairam no imaginário esquecido da capital mineira. Gestão após gestão, promessas não cumpridas, corte de orçamento, jogo de empurra entre prefeitura, empresas administradoras e Governo Federal, criam desculpas que impedem a tão sonhada ampliação do metrô de BH.

Linhas de metrô em Belo Horizonte. Fotografia: Lucas D’Ambrosio

Durante dois anos, a diarista Wanderleia Maria da Silva, 46, utilizou o metrô para trabalhar. No seu trajeto, ela também utilizava uma linha de ônibus para ir da estação em que descia até o bairro do seu trabalho. “Entre metrô e ônibus, prefiro o metrô. É muito melhor, não tem trânsito e é mais rápido”, comenta.

Sobre as obras que ocorreram em 2012, ela se lembra com pesar das promessas não cumpridas pelo então prefeito, Márcio Lacerda. Nas vésperas do pleito eleitoral que o reelegeram, as obras se tornaram uma lembrança para a população. “Lembro que fizeram umas perfurações pela cidade, ali na Afonso Pena. A gente via todos os dias aquele tanto de gente trabalhando, furando o solo. Isso cria uma confiança de que o metrô seria ampliado e até agora, nada. Ninguém fala mais nada sobre isso”, lamenta.

Apesar de ainda ter esperanças da conclusão da ampliação do metrô, ela acredita que não verá as obras prontas. “Entra político, sai político e eles não dão esperança, não dão continuidade em buscar realizar essa obra. Se um começou, o outro deveria dar continuidade. Seria bom para a gente, que precisa desse tipo de transporte, todos os dias para poder trabalhar”, conclui.

A linha solitária

As obras do metrô foram iniciadas no ano de 1981. Cinco anos depois, as operações comerciais foram iniciadas e, na época, englobavam seis estações ao longo da cidade (Eldorado – Lagoinha). O trecho inicial de 10,8 Km iniciou com três trens disponíveis para a população. Entre o final dos anos 1980 até o começo dos anos 2000, a atual linha do metrô foi integrada com outras estações, inclusive de ônibus, e hoje funciona em 19 locais ao longo de 28,2 Km. Diariamente, cerca de 210 mil passageiros são atendidos. O último investimento, realizado em 2015, se deu com a aquisição de 10 novos trens, o que representou um aumento de 40% na frota, que aumentou para 35 unidades, ao custo R$171,9 milhões.

Fotografia e Reportagem: Lucas D’Ambrosio

No mês de janeiro é comemorado o Dia do Farmacêutico. Para celebrar essa profissão que desempenha um papel fundamental na saúde da sociedade, o Jornal Contramão percorreu farmácias do centro de Belo Horizonte e conversou com a farmacêutica Isabelle Figueiredo Marques, 30, que há sete anos atua na área. Em em nosso bate papo, ela conta sobre o trabalho desempenhado pelo profissional da área.

Contramão: Como é a atuação do Farmacêutico que trabalha nas drogarias?

Isabelle Marques: Ela se baseia na orientação do paciente quando ele chega no balcão de uma drogaria ou farmácia. Estamos sempre ao lado do balconista, que está realizando o atendimento. Nosso papel é verificar as receitas, ver se as doses dos medicamentos estão adequadas, se a patologia (doença) está descrita, se a idade coincide com o paciente, se o remédio é adequado para ele ou para quem irá efetuar o consumo. Também verificamos se ele tem noção da sua correta utilização ou se utiliza outros medicamentos que possam ter contraindicação. Se não houver qualquer tipo desses quesitos, a dispensação (liberação do medicamento para o paciente) é realizada. Se ele tiver qualquer dúvida sobre o medicamento, resolvemos todas elas na hora. Efetuamos um visto dessa receita para ele estar ciente da dispensação. Liberamos esse paciente com o medicamento e com todas as informações necessárias para a sua adequada utilização.

Contramão: Como é realizada a capacitação do Farmacêutico?

Isabelle Marques: A maioria das faculdades capacitam os alunos que serão farmacêuticos. Além da faculdade, as empresas de grande porte também oferecem uma capacitação profissional para que a dispensação seja adequada. Quando o farmacêutico sai da faculdade, ele ainda não tem toda a informação prática necessária para atuar no mercado. É comum que as chamadas “farmácias de bairro” ainda peque na capacitação do profissional. Ele deve buscar, durante sua carreira, o maior número de informações para poder se capacitar cada vez mais. Temos a obrigação de ajudar com resolução de dúvidas e informações sobre patologias e formas adequadas na utilização dos medicamentos.

Contramão: Quais são as diferenças entre a farmácia de manipulação e as drogarias comuns?

Isabelle Marques: As farmácias de manipulação trabalham com a matéria-prima básica dos medicamentos e irão produzir conforme as necessidades de cada um dos pacientes. Por exemplo, se eu preciso de uma fluoxetina de 10 mg, mas minha mãe precisa de 22,5 mg, será na farmácia de manipulação que este medicamento será produzido. Nela, os profissionais irão manipular aquela quantidade específica que a pessoa precisa. Além disso, as drogarias vendem um número menor de medicamentos e possuem um menor número de opções de produtos controlados, em relação às farmácias de manipulação.

Contramão: Você acredita que os medicamentos produzidos no brasil são seguros?

Isabelle Marques: Definitivamente, não. Existem estudos fora do país que são muito superiores para pesquisarem esses medicamentos. Lá fora, vários remédios já foram suspensos e aqui no Brasil ainda existem alguns que continuam circulando. Por mais que exista uma instrução e uma orientação do farmacêutico, esses medicamentos ainda estão no mercado e as pessoas continuam consumindo cada um deles. (Nos Estados Unidos a pílula Diane 35 e a dipirona, comumente consumidas no Brasil, estão proibidas desde 2015).

Contramão: Quais os riscos da automedicação?

Isabelle Marques: Nosso papel é oferecer a medicação de forma responsável, em que os farmacêuticos serão instruídos para realizar orientações à população sobre os remédios referentes à cada patologia. Infelizmente a saúde pública no país é muito escassa. As pessoas que não tem acesso ao SUS ou à planos de saúde privados, recorrem às farmácias buscando soluções para as suas patologias. Tentamos ajudar dentro dos limites que existem na nossa atuação, oferecendo por exemplo, medicamentos que não precisam de prescrição. Tentamos trabalhar da melhor forma possível para ajudar o paciente. Mas é importante lembrar que o médico é o responsável pelo diagnóstico do paciente, enquanto que os farmacêuticos são os responsáveis por oferecer meios para o tratamento mais adequado à cada caso.

Contramão: Como é o controle de qualidade dos remédios produzidos no Brasil?

Isabelle Marques: Existem três tipos de medicamentos: referência, genéricos e similares. Este último já possui maior qualidade devido a uma lei que saiu em 2015 e exige que ele tenha o mesmo padrão de qualidade dos que são referências. Aqueles que passaram e foram aprovados por testes de bioequivalência e biodisponibilidade, possuem eficácia similar aos ditos de referência. Agora, esse tipo de medicamento (similar) são intercambiáveis. A lei provou que se você tiver uma prescrição de medicamento referência e não tiver condição de pagar por ele, se existir no mercado um similar autorizado pelo teste da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), ele pode ser trocado pelo outro. Nesses casos, fazemos a dispensação do medicamento similar. Isso prova que quando o paciente toma o medicamento, sua utilização terá efeito e sua qualidade será próxima ao referencial. Eles são praticamente iguais, senão a vigilância não autoriza a troca.

Contramão: Qual o recado que você passa como farmacêutica:

Isabelle Marques: Estamos aqui para ajudar a população. não queremos o consumo inconsciente dos medicamentos. É comprovado que a automedicação pode causar outras patologias, muitos casos de intoxicação e muitas vezes por medicamentos banais. Tá na dúvida, procure o farmacêutico. Existem várias farmácias no país inteiro e lugares que tem sua responsabilidade e sabem valorizar o papel do farmacêutico. As pessoas devem começar a enxergar com bons olhos o trabalho que realizamos. Os pacientes têm medo de conversar com seus médicos. É aconselhável que as pessoas procurem pelo nosso trabalho com antecedência, para tentarmos promover a melhor solução possível às suas patologias. Nosso papel é esse, promover a saúde e orientar, da melhor forma possível, os pacientes que nos procuram. Evitar que eles se desgastam com a compra equivocada de medicamentos.

Reportagem: Lucas D`Ambrosio

Arte: Isabela Castro e Laís Brina

Foto Luander Lennon

Em sua estreia na Campanha de popularização Teatro e Dança, Nelio Souto chega em grande estilo. Como produtor e ator, ele enriquece o quadro de espetáculos do evento trazendo duas peças, uma adulta “As Casadas Solteiras” e uma infantil “Um Chorinho para Dona Baratinha”. E, nesse clima de cultura e arte, o Jornal Contramão conversou com o produtor e ator para conhecer melhor o processo por trás da produção.

Contramão: Como foi a preparação para a Campanha?

Nelio Souto: O espetáculo a princípio não tinha pretensão de entrar na campanha, mas o resultado ficou bom então tomamos essa decisão. Cumprimos uma temporada de quatro semanas ano passado e hoje chegamos então a esse que é um dos maiores, senão o maior em termo de público, evento ligado ao teatro do país.

Contramão: Sobre as peças, como foi desenvolve-las e como é vê-las em execução?

Nelio Souto: O processo de montagem é muito interessante, enriquecedor. Desde a escolha do texto, as primeiras leituras, os estudos, a divisão dos personagens. Tudo muito rico. Ensaiamos por três meses com dois encontros semanais, e essa folga de agenda permitiu ir acompanhando o processo e notando seu desenvolvimento a cada semana, a cada elemento que é acrescentado ao processo de criação, até que o produto final esteja pronto para ser apresentado ao público. Ver hoje esse espetáculo concluído, traduzido para libras e ainda com audiodescrição é muito gratificante. É ver um trabalho o qual você se empenhou, se dedicou… e de repente ele está pronto e passa a ter uma espécie de vida própria, como se não dependesse mais de você e agora fosse do público. É muito prazeroso para o ator saber que seu trabalho, que seu espetáculo está chegando às pessoas, tocando, comovendo, passando uma mensagem…

Contramão: O que podemos esperar do espetáculo desenvolvido por sua equipe?

Nelio Souto:  É um espetáculo clássico, escrito em 1845, uma comédia de época. Não é um besteirol, mas uma comédia que apresenta o humor nos detalhes, na crítica social de uma época, dos costumes e comportamentos da época. A diretora manteve o texto praticamente na íntegra o que dá ainda mais sabor ao espetáculo com relação à narrativa e às escolhas do autor. Acho que o público irá encontrar uma comédia engraçada e inteligente ao mesmo tempo e terá a oportunidade de reler no palco um autor clássico da nossa literatura.

Contramão: A resposta do público, como eles tem reagido? Mais pessoas estão indo ao teatro?

Nelio Souto: Pelo fato de o espetáculo não ter um apelo popular no ponto de vista de gênero, por ser considerado uma comédia mais, como costumam dizer, cabeça, o espetáculo acaba tendo um público mais curioso, de pessoas em busca de uma história, de um teatro menos óbvio, digamos. E também de um público que conhece o texto, o autor e vai ao teatro atraído pela beleza do contexto literário e teatral da montagem. Acho que é uma oportunidade para as pessoas diversificarem um pouco o que assistem. O teatro tem uma infinidade de possibilidades, narrativas, formatos… é importante que o público passe por várias possibilidades… senão ficamos sempre na comédia rasgada, no besteirol, elegendo apenas esse formato como teatro, o que não é uma verdade diante dos vários gêneros e estilos possíveis a uma montagem. Então acho que nosso espetáculo é um convite a visitar uma possibilidade de comédia que foge um pouco dos estereótipos atuais.

Contramão:  E para o ano que vem, já possui planos?

Nelio Souto: Esse ano circulo com um outro espetáculo… um infantil que inclusive também está na campanha, que é “Um chorinho para Dona Baratinha”, com um texto super legal que homenageia chorinhos clássicos de Ernesto Nazareth e Chiquinha Gonzaga. E também começamos a preparação para um novo espetáculo a partir de março. No mais é isso. Então fica aí o convite para nos assistirem e principalmente para nos ajudar a divulgar as sessões com libras e com audiodescrição.

Serviços:
As casadas solteiras, com direção de Rosanne von Sperling
De 25/01 à 05/02, quarta a sábado às 20h30 e domingo às 19h, no Teatro Santo Agostinho
Um chorinho para Dona Baratinha (Musical Infantil)
De 28/01 a 05/02, às 16h no Teatro Santo Agostinho
Para outras informações: (31) 3582-6665.
Ingressos nos postos Sinparc e através do site www.vaaoteatromg.com.br
Por Ana Paula Tinoco

 

Autorretrato da fotógrafa Vivian Maier - Fotografia - Isis Medeiros

As produtoras de imagem de todo o Brasil estão reunidas e promovem um encontro simultâneo nesta semana. A primeira convocatória será realizada para discutir a criação da Associação Brasileira das Mulheres da Imagem que abrangerá 13 cidades do país, entre elas, Belo Horizonte. Por aqui, o encontro ocorre na sede do Sindicato dos Jornalistas (SJPMG), a partir das 19h30 na sexta-feira, 13.

Aberto às mulheres que utilizam a imagem como ferramenta de criação, seja amadora ou profissional, a proposta é reunir e criar uma interação entre elas – que trabalham com fotografia, produção de vídeos, designers e outras abordagens imagéticas. De acordo com os organizadores do evento, a proposta é criar um espaço aberto para discussões que possa englobar as demandas e ideias comuns e que consiga proporcionar um modelo de associação para atendê-las.

Para uma das idealizadoras da associação, a fotógrafa Marizilda Cruppe, ainda não existe estatísticas sobre quantas mulheres estão dedicadas a este trabalho. “Não sabemos por quais cantos deste imenso país estamos com os pés fincados. Muitas vezes, somos invisíveis até para nós mesmas”, explica Cruppe que destaca ainda, a importância de combater as inúmeras dificuldades enfrentadas pelas mulheres “São tantas as formas de crime, agressão, assédio e intimidação que atingem as mulheres de todas as categorias profissionais e classes sociais, seja no mercado de trabalho ou na própria família, que não vemos outro caminho a não ser nos unirmos para criarmos uma grande teia”, ressalta.

Mulheres da Imagem fora do eixo

Além das tradicionais cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, os encontros também serão realizados em outras 10 cidades, dentre elas São Luís (MA). Por lá, a jovem Julyane Galvão de 26, representa uma das “mulheres da imagem” espalhadas pelo país.

Trabalhando há seis anos com a fotografia, Galvão conta que tudo começou quando comprou sua primeira câmera compacta. “Por gostar de ser fotografada, logo senti a necessidade de ficar por trás das câmeras”, conta.

Bumba-Meu-Boi de Eliezio. São João do Maranhão, 2016. Fotografia: Julyane Galvão.

Ato Contra o Aumento de Passagem no Transporte Público Ludovicense, 2015. Fotografia: Julyane Galvão.

Ao longo desses anos, ela e outros fotógrafos da região desenvolvem ações e trabalhos voltados à valorização da cultura e do povo Maranhense. Agora, uma nova oportunidade surgiu para o alcance das lentes da jovem, que demonstra a capacidade das mulheres no ofício fotográfico. “A oportunidade de nos unirmos é o principal motivo para esta soma. Poder compartilhar informações e aprender com pessoas com mais experiência me deixam ainda mais motivada”, ressalta.

Para ela, poder mostrar o seu trabalho e participar dessa iniciativa é superar a barreira territorial e dos preconceitos que ainda existem. “Acredito que abrirão portas para que acreditem que não só as mulheres, mas sim todo mundo pode fazer acontecer e ocupar locais com diversas artes que cada um de nós carrega dentro de si. Aos poucos, mostramos o potencial que carregamos nos braços, no espaço e principalmente no olhar”, conclui.

Belo Horizonte

Em BH, o encontro “Mulheres da Imagem” será realizado com o intuito de aproximar o maior número de mulheres que possam dialogar sobre questões relativas a área de atuação na cidade e no estado mineiro. A programação conta com rodas de conversa, varal de trocas de fotografias e uma projeção de imagens.

Uma das organizadoras do evento na Capital das Gerais é a fotógrafa Isis Medeiros, 27, que explica um dos motivadores da iniciativa. “É porque sentimos cotidianamente que nós não temos o mesmo reconhecimento e valorização nas nossas profissões. Comparando com os homens, ainda não temos os mesmos espaços nas galerias, museus e nem nas redações dos grandes jornais, revistas e TV. Sem contar assédios e violências que sofremos em diversas situações”, desabafa.

Representação de Tuira Kayapo. Projeto “Mulheres Cabulosas da História”. Fotografia: Isis Medeiros.

Após perceber a necessidade de ver algo acontecendo entre as mulheres que trabalham na área, ao lado de outras pessoas surgiu a proposta de criar uma situação mais organizada. “Quando eu vi que nacionalmente outras também estavam se juntando com o mesmo objetivo, eu me senti ainda mais fortalecida para seguir em frente com a ideia que já não era só minha, mas de um levante convencidas da necessidade de nos unirmos por um bem comum”, finaliza.

Reportagem: Lucas D’Ambrosio

O livreiro Oseias Ferraz, ao lado das estantes de livros que preenchem os sebos do edifício Maletta, no centro de Belo Horizonte.

Com a chegada do final do ano, o recesso oferece tempo para muita gente. Nada melhor do que passar este período aproveitando uma boa leitura. Apesar do mundo se resolver virtualmente, os bons e velhos livros de papel (sim, eles ainda existem) são ótimas opções para ocupar o ócio. Em Belo Horizonte, existem lugares que, muitas vezes escondidos, guardam verdadeiros tesouros em meio à estantes e prateleiras.

O edifício Arcângelo Maletta, ou apenas Maletta, é lugar de encontros do cotidiano belo-horizontino. Ponto residencial e comercial da região central da cidade, além dos tradicionais bares, ele também abriga uma diversidade de sebos e livrarias. É possível se perder em meio à quantidade imensurável de títulos que estão expostos nas mais de 20 lojas do segmento, que existem no local.

É possível encontrar algo interessante nessa infinidade literária que existe ali. O livreiro Oseias Ferraz é um dos “guias” desses labirintos de livros. Há 17 anos atuando no mercado, é proprietário de um dos mais tradicionais sebos do lugar: o Crisálida. Em meio a tantos títulos, ainda assim, é possível encontrar certos exemplares dignos da atenção dos leitores. O primeiro livro indicado por ele é, Mortes Imaginárias, “Se trata de perfis imaginários de autores do século dezesseis e século vinte. É um relato de como seriam as últimas palavras desses autores”, indicando a obra.

Direcionando o olhar para as prateleiras que estavam à sua frente, o livreiro se recorda de outro título, A Alma Encantadora das Ruas, de João do Rio. Clássico do curso de jornalismo, Ferraz destaca o trabalho realizado pelo autor, “Apesar do tempo em que foi escrito, é uma leitura simples. Ele faz uma análise das ruas e dos marginais que nela vivem. Desde os mendigos, até os profissionais que estão em extinção, como os estivadores”, comenta. Por fim, sua última indicação é o livro de contos A Estrutura da Bolha de Sabão. A obra, de autoria da brasileira Lygia Fagundes Telles foi publicado em 1978 e reúne contos diversos “É outro que vale a pena indicar para a leitura”, finaliza.

Reportagem e Fotografia: Lucas D’Ambrosio