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Texto Patrick Ferreira
Fotografia Lorena Gabrielle


“A gente tá metendo o pé na porta e dizendo: “Estamos aqui, devemos ser respeitados e queremos ser vistos
”“. Afirma Carlandréia Ribeiro, curadora do Festival de Arte Negra de BH 2017.

O Festival de Arte negra de Belo Horizonte iniciou no último domingo (15), com um concerto da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e Coral lírico. O FAN 2017 busca exaltar o protagonismo da mulher negra na sociedade. Mais de 100 atrações vão se apresentar em diferentes locais da cidade. A plateia estava cheia e entre os espectadores, estava Carlandréia Ribeiro, que está como curadora nesta edição do Festival, atuando na coordenação das peças teatrais do FAN. Em um bate-papo natural e produtivo, Carlandréia falou um pouco sobre o festival, a força da mulher negra e as peças teatrais que participarão do Festival de Arte Negra, leia:

 Para você, o que é Arte Negra?

R: Essa pergunta é até difícil de responder por que a arte negra é tão ampla, tão grandiosa, ela não se resume ao samba, ela não se resume ao tambor. A arte negra também é “Borg and Bass” como a gente vai ver daqui a pouco, a arte negra é escultura, é arquitetura, é tecnologia, é dança, é musica, enfim, é extremamente ampla, diversificada e rica, sobretudo rica.

Porque a escolha de peças como “Vaga Carne” de Grace Passô e quais os impactos que essas peças podem trazer para o público?

R: A Grace Passô é uma criadora negra que nós temos no Brasil que vem nos trazendo uma perspectiva sobre o que seria o teatro negro. Têm muito a ideia que o teatro negro ou a arte negra se apoia somente em uma ideia de tradição; mas a Grace com a dramaturgia dela, com a atuação, pois é uma atriz fabulosa, talvez eu a considere, hoje, a melhor atriz que nós temos no Brasil. A Grace traz pra gente esse olhar contemporâneo, esse olhar que penetra as relações sociais, familiares. Ela coloca isso de uma maneira extremamente contemporânea, com um olhar agudamente crítico sobre essas relações. Então, a escolha de “Vaga Carne”, é por ser um espetáculo que ela traz pra gente uma corporeidade, inesperada. Mais inesperada ainda são as vocalizações que ela traz. Tudo isso indica que Grace Passô é uma voz contemporânea do fazer artístico afro- brasileiro.

Qual a importância da representação negra no teatro?

R: Importantíssima, pois se olhamos a mídia brasileira, a representatividade é baixíssima e quando aparece é de uma maneira mais negativa. Sempre o negro em posição de subalternidade. A mídia de modo geral, coloca os negros sempre nesses lugares subalternos. Ou é o bandido, ou é a empregada (não desmerecendo essa profissão), ou é a mulher hiper sensualizada, que é uma coisa que objetifica o corpo negro em vários aspectos. Então a gente vê Lázaro Ramos, Taís Araújo, Grace Passô, já no cinema, sendo premiada… Quando a gente vê esse tipo de representação do negro na mídia, é extremamente importante porque positiva a nossa presença e isso pra criança, pro jovem, pra aquela pessoa que ainda está se descobrindo negra, é fundamental.

 Como foi para você, participar da curadoria do Festival de Arte Negra de BH?

R: Eu já tive várias experiências no FAN. Desde que ele nasceu em 1995, como espectadora; depois fui convidada a coordenar áreas do FAN, como mercado de culturas. Ao longo desses anos todos participei como coordenadora ou como artista. Na edição de 2015, por exemplo, participei com o espetáculo “Memórias de Bitita” que conta a vida e obra da escritora negra Carolina Maria de Jesus e neste ano eu tive a grata honra, estou me sentindo muito honrada e feliz de fazer a curadoria do FAN, ao lado de mulheres muito especiais como Black Josie, Caru, com a coordenação geral de Rosália Diogo. Estou feliz de estar nesse lugar e contribuir com esse festival que é de extrema importância. Muitos se perguntam por que existe o FAN. O FAN existe porque ainda tem racismo.  A partir do momento que esse país deixar de ser um país racista, excludente; como dizia Carolina Maria de Jesus; que coloca o negro no quarto de despejo da sociedade. A partir do momento que o protagonismo negro ocupar o lugar que ele merece, um povo que veio escravizado pra esse país, mas que civilizou esse país, que trouxe sua cultura. A gente espera que chegue um momento que essa cultura seja parte do Brasil, sem precisar da reafirmação o tempo todo, o quão importantes e belos nós somos.

Quando se fala do negro no Brasil, todos já pensam em lugares específicos como a Bahia, Rio de Janeiro e na verdade, o negro está presente do norte ao sul, não é verdade?

R: Estamos presentes no país inteiro, fomos colocados à margem. Primeiro pelo processo de escravização, depois nos anos pós-abolição. Fomos invisibilizados e hoje estamos aí botando a nossa cara no sol, mostrando nosso poder e essa edição onde elegemos a mulher como centro do festival, é de extrema importância, porque primeiro a gente referenda e reverencia àquelas que vieram antes de nós, nossas matriarcas, nossas Yabás, Yalodês, àquelas que sempre foram mantenedoras dos bens materiais, mas especialmente dos bens simbólicos da população afrodescendente. Também celebrar essa mulher contemporânea, como falei da Grace que representa muito isso do ponto de vista do teatro. Hoje temos mulheres que estão buscando conhecimento em universidades, que estão lecionando, ocupando espaços que até então nos foram negados e a gente tá metendo o pé na porta e dizendo: “Estamos aqui, devemos ser respeitados e queremos ser vistos”.

O Festival de Arte Negra de Belo Horizonte acontece 15 a 22 de outubro. Música, teatro, danças, cinema, exposições e oficinas serão apresentadas em diferentes pontos de BH. Para visualizar a programação completa do festival é só acessar o site www.fanbh.com.br.

Da Redação

Lançado nesta quinta-feira (27) pelo Circuito Liberdade, o Museomix é um evento internacional que traz à tona uma reflexão sobre a construção do museu do futuro.

 

Mas afinal o que é o Museomix?

Museomix = uma comunidade + museus + 3 dias de “maratona criativa”

Originado na França em 2011, o Museomix ocorreu ao longo dos últimos anos em 8 países, passando por 43 museus diferentes, e acontecerá este ano pela primeira vez na América do Sul com uma programação que une cultura, tecnologia e inovação, aqui em Belo Horizonte. A capital mineira, por meio do Circuito Liberdade, abraçou o propósito do evento e, na noite de ontem, ocorreu o lançamento oficial no MM Gerdau – Museu das Minas e do Metal.

Michele Abreu Arroyo- Presidente do Iepha MG
“O Museomix é muito importante porque ele inaugura um estreitamento entre políticas públicas muito importantes no Estado: inovação, ciência, tecnologia junto à política cultural. Por serem linguagens que se aproximam e que devem se aproximar exatamente para fortalecer a relação entre o tempo, o que é antigo com a permanência.”,  Michele Abreu Arroyo, Presidente do Iepha – MG

O Museomix é um projeto colaborativo que tem como ação principal a realização de uma maratona criativa, que acontecerá entre os dias 10, 11 e 12 de novembro, em Belo Horizonte. Durante esta maratona, a ideia é que os participantes “invadam” os museus. A cidade, por meio de suas mais diversas comunidades (designers, artesãos, programadores, mediadores, comunicadores e artistas, amadores ou profissionais), poderá se apropriar de um acervo museológico na tentativa de construir um museu aberto, conectado e participativo. 

Professor Evaldo Ferreira Vilela
“O Museomix renova a cultura, ele coloca a posição do museu em evidência e de uma maneira belíssima porque ele traz o público para a discussão. A gente está acostumado a discutir museu entre nós e na verdade o que precisa ser feito é abrir um diálogo com a sociedade… tem que ser com a sociedade e não para a sociedade.”,  Evaldo Ferreira Vilela, Presidente e professor da Fapemig

Unindo ideias criativas e ferramentas tecnológicas, como impressoras 3D e máquinas de corte a laser, os participantes – chamados de “museomixers” – imaginam e constroem dispositivos inovadores de mediação entre acervos e visitantes. 

Público presente no lançamento do Museomix 2017, no MM Gerdau – Museu das Minas e do Metal

Durante o lançamento do Museomix, houve também a apresentação de algumas degustações tecnológicas. A equipe do MM Gerdau – Museu das Minas e do Metal apresentou o Media Guide, um aplicativo gratuito que auxilia o visitante e permite um passeio virtual pelas instalações do espaço, localizando salas e obras específicas do acervo em um ambiente virtual 3D bastante realista e preciso.

O Centro Universitário Newton Paiva apresentou também o resultado de um dos trabalhos do seu FabLab, que alinha “cultura maker” e prototipação. Os alunos do curso de Arquitetura desenvolveram uma cadeira de baixo custo para pessoas com problemas na região lombar da coluna. Esse projeto venceu a categoria “Chair Design Challenge” do concurso internacional promovido pela Stanford University, Califórnia – EUA.

Alunos da Newton Paiva apresentam projeto do Fab Lab, parceiro do Museomix 2017.

O Museomix ganha vida em Belo Horizonte, por meio do Circuito Liberdade, Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sedectes), e será realizado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (lepha – MG) e terá sua programação aberta ao público ao longo dos próximos meses. O projeto conta também com a parceria da Embaixada da França no Brasil, do BDMG Cultural, do Centro Universitário Newton Paiva e das faculdades UNA e UniBH, além de empresas e entidades.

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Reportagem realizada em parceria de Lucas D’Ambrosio do Jornal ContramãoBruna Ferreira e Leandro Barbosa, do História Incomum

Uma das comunidades atingidas pelo rompimento da barragem de Bento Rodrigues, em 2015, é a vila Crenaque, no interior de Minas Gerais. Localizada a 17 quilômetros da cidade de Resplendor, a vila está situada entre a linha férrea da Vale e às margens do Rio Doce. 
Quase dois anos após a destruição do rio, a comunidade reivindica auxílio e direitos das empresas responsáveis pelo crime ambiental. De acordo com moradores e representantes comunitários, são quase 130 pessoas que moram no local e que dependem diretamente do rio como fonte de sustento, lazer e economia.

Outro problema que dificulta o diálogo da comunidade com a Fundação Renova – empresa criada pela Samarco, Vale e BHP, responsável pela gestão e reparação dos danos causados pela lama da barragem, é a confusão de nomes entre a vila Crenaque com a aldeia indígena Krenak, que está localizada na mesma região, mas na outra margem do rio.
 
Atualmente, as empresas arcam com o pagamento de um salário mínimo e uma cesta básica para os pescadores registrados. Porém, essa compensação não seria o suficiente, tendo em vista que os danos foram causados a todos da comunidade. Antes do rompimento, a água do rio era utilizada para uso doméstico, na produção, cultivo e para o consumo. Principal fator de reclamação, os moradores alegam que não existe qualquer ajuda das empresas quanto ao abastecimento de água.
 
Atualizado às 18:29 de 26/06/2017:

Em nota, a Fundação Renova alega que a vila Crenaque não é abastecida pelo Rio Doce. Por isso, não há destinação de água para a comunidade. De acordo com a assessoria da empresa, as ações de reparações são realizadas “nos municípios das áreas de abrangência socioeconômica definidas no Termo de Transação de Ajustamento de Conduta (TTAC)”. Dentre os municípios listados, consta a cidade de Resplendor.

 

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Por Tiago Jamarino – Start – Parceiros Contramão HUB

Novas imagens de minifigures dos próximos conjuntos para Os Últimos Jedi vazaram online. Duas das figuras mostram um dos nossos principais heróis do filme e também um dos principais antagonistas.

Nós vemos Finn (John Boyega) em sua nova roupa  da Resistência. Embora ele estivesse vestindo a mesma jaqueta que originalmente pertenceu a Poe Dameron (Oscar Isaac), em vez da camiseta e das calças do Stormtrooper, ele agora está vestido com uma roupa da resistência total similar ao uniforme de Poe quando o conhecemos em o Despertar da Força. 

Foto Divulgação

Nós também examinamos mais de perto a minifigure do líder supremo Snoke (Andy Serkis). Este é um personagem que tem sido o centro das teorias de muitos fãs quanto ao fato de ele influenciar a narrativa da Força.

Foto Divulgação

Além disso, foram reveladas duas minifigures com um piloto da Primeira Ordem e uma unidade BB-9E.

Foto Divulgação

Escrito e dirigido por Rian Johnson, Star Wars: Os Últimos Jedi estrela Daisy Ridley, John Boyega, Mark Hamill, Carrie Fisher, Adam Driver, Oscar Isaac, Lupita Nyong’o, Domhnall Gleeson, Anthony Daniels, Gwendoline Christie e Andy Serkis. Introduzidos à saga Star Wars são recém-chegados Laura Dern, Kelly Marie Tran e Benicio del Toro.

 

Star Wars: Os Últimos Jedi será lançado nos cinemas em 15 de dezembro de 2017.

 

 

 

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Por Auspicioso Acapela – Coletivo Parceiro Contramão HUB

Durante alguma conversa com amigos sempre sai “já fiquei com fulano” e a frase é rebatida com “mas você já pegou todo mundo também, né?”, o que acho triste é que ninguém nunca parou para me perguntar o porquê de ter tido tantos relacionamentos ou ficantes. 

O peso de não se encaixar no padrão de beleza estabelecido, na fase da infância, vem de forma bruta e rasteira. Nos primeiros dias na escola você já sabe qual posição irá ocupar, tem a menina feia, a indiferente e a bonita. Eu era uma criança negra, orelhuda e songa, obviamente não era a “bonita”. Apesar de todo o desconforto que não entendia muito bem, encarava como só mais uma coisa estranha da vida que eu não fazia a mínima ideia do porquê. 

Quando cheguei no Ensino Fundamental existia uma pressão quase palpável para “namorar”, a questão afetiva era um status e, assim como mandam os filmes hollywoodianos, “o menino bonito fica com a menina bonita, sempre”. Ninguém quer “namorar” com a pretinha da sala, passar o recreio de mãos dadas ou algo do gênero. Então os meus amigos eram os rejeitados, a menina gorda, os negros, o cabeçudo, a que usava óculos, enfim, éramos o Clube dos Excluídos. Logo, tudo isso significava que a probabilidade de ter algum privilégio com a minha beleza foi reduzida a zero. 

Uma vez ou outra aparecia algum menino interessado, o que me fazia pular de alegria até descobrir que ele estava ali por cola, para copiar trabalhos, pegar resumo, na verdade ele só queria aproveitar. Nesses casos me sentia mal, mas não tanto quando percebi a lógica do sistema, para conseguir confiança e jeito para chegar na “menina bonita” exige treino e prática, e não existe pessoa melhor do que aquela que não está em evidência. Os garotos se aproximavam de mim por ser a “menos pior” do Clube dos Excluídos, afinal não era gorda, minha pele é de um tom mais claro comparado as outras negras, apesar do meu cabelo ser “ruim”, era escovava toda semana. Por muitas vezes preferi ser só a “inteligente” do que ser a “menos pior”. No entanto, pegava as migalhas que eram jogadas e tentava me contentar, pelo menos tinha perdido o BV¹, e é aos poucos que se conquista algo. 

O tempo passou e no Ensino Médio consegui ver como essa coisa de se doar para pessoas esporádicas que aparecem de repente na vida só gera mais solidão.  Sempre sonhei com a auto-suficiência e admitir que me sentia só era o mesmo que anunciar a minha fraqueza, coisa que não suportaria. Colecionar vários beijos na boca impulsionou um vazio que não iria compartilhar com ninguém, principalmente porque minhas amigas me viam como uma soldada que invadiu o campo inimigo e abriria uma entrada para elas também. Pensava em como dizer que o lado de lá é superficial e oco, contudo todos que beijavam eram felizes, o problema poderia está comigo. 

Com os anos aderi a Técnica do Desinteresse, ninguém poderia me rejeitar por uma coisa que eu não estava afim, o que era muito cômodo, afinal se não desejasse o “crush” da sala ele nunca poderia me menosprezar. Em contrapartida, aceitava todos os pedidos de afeto, em outras palavras, não procurava carinho porém era de quem quisesse. Acredito que veio daqui o fato de hoje não me atrair por indivíduos olimpianos, prefiro aproximar dos fora dos padrões de beleza estabelecidos. 

Tudo isso gerou uma falta de reconhecimento muito grande, todo garoto que demonstrava interesse ativava uma vozinha na minha cabeça que sussurrava “finalmente um”. Fazia planos para o futuro com aquela estúpida esperança do “agora vai” e nunca ia. Toda expectativa de um parceiro era encarada como uma cura da minha solitude, atraindo relacionamentos e amizades abusivas. Mantevi vários namoros por pensar que não seria o suficiente para outra pessoa, e quando eles terminavam, recomeçava a procura de outros lábios para tentar alcançar aquilo que me venderam como o necessário para ser feliz. O resultado de tudo isso foram várias traições e abandonos. 

As coisas pioraram quando perdi a minha virgindade, pois a energia que é trocada no sexo é muito maior. Tola como sou me entregava aos meus parceiros na tentativa de estabelecer conexão, intimidade e companheirismo que, em muitas vezes, não era recíproco. Acabava me sentindo uma bosta por ter me dedicado tanto por alguém que só que ter uma rapidinha. 

Olho para trás e vejo quantas pessoas já passaram na minha vida, obviamente levo um pouco delas comigo e nem tudo foi ruim. Tenho ótimas lembranças e sons de risadas alojadas em lugares especiais, para lembrar sempre não preciso de encaixe nenhum. Sou rodada por buscar status. Sou rodada por me sentir sozinha. Sou rodada por procurar amor. Sou rodada na tentativa inútil de me completar. Não consigo dizer exatamente o que quero, mas com certeza digo com todas as palavras o que não quero. Uso todas essas experiência como voz para gritar a minha completude. 

Hoje, aos vinte e dois anos, não dou importância para beleza e apesar de já não ser considerada a “menos pior” a palavra “gostosa” chega um pouco deturpada aos meus ouvidos. Almejei tanto ocupar o lugar de desejo que agora não consigo gostar dessa posição, quando me é dada. Estou em um relacionamento fechado que está longe da ‘perfeição’ (não quero a ideia de “perfeição” que tentam me vender), com alguém que me respeita e me ama. Tenho maturidade para conversar e me expor para meu namorado e liberdade para me expressar. 

Todas as vezes que alguém comenta como sou rodada, as memórias de todas essas rejeições e as situações submetida, que não fazem jus ao que sou, vêm a mente com um toque de tristeza. Com tanto discurso de empatia me pergunto se ela foi mais um dos privilégios que me foi negado.

¹Boca Virgem – alguém que nunca beijou na boca

Texto escrito: Ked Maria/ Texto Editado: Werterley  Cruz

      

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Foto Reprodução Internet

Por Queka Barroso – Sou muitos – Parceira Contramão HUB

Nos últimos meses, tive reencontros fervorosos com pessoas que me deram aula, seja na escola ou na faculdade. Chega a ser engraçado o quanto elas emanam conhecimento. Tudo o que é dito tem seu valor. Não digo que outras pessoas não têm o que ensinar, mas essas profissas têm a didática no sangue e transformam um simples cumprimento em dica.

Tenho várias referências na vida que não saíram das salas de aula; não das que eu frequentava, mas que são professores de outros e, nas horas vagas e/ou encontros de família, me dão o prazer dessa experiência. E tenho também os mestres-práticos, que têm a didática de nos ensinar a trabalhar, por exemplo.

Esse fascínio pode causar estranheza, mas Rubem Alves, mais uma vez, simplifica: “Ser mestre é isso: ensinar a felicidade”. Obrigada, mestre-mor! Obrigada por facilitar e clarear mais um de meus desassossegos. Estar rodeada e constantemente em conversas com líderes é simplesmente buscar a felicidade. Por isso é tão importante olhá-los, antes de mais nada, como seres humanos experientes, entender a importância de ouvi-los e saber que por isso são inseridos em nossa vida desde cedo, em nosso primeiro compromisso “pós-mamada”: a escola.

Podemos dizer então que a escola nos ensina a ser feliz. O difícil é enxergarmos essa função e sugá-la, assim, a nosso favor. Não estou dizendo que matemática me fazia feliz. Não! Mas a possibilidade e a capacidade de aprender, sim. E dali saía as primeiras conquistas, as primeiras felicidades…

Rubem Alves é um imortal. Ele está aqui neste texto, está em seus diversos “long-sellers” e está em nossa memória intelectual. E quem me garantiu isso foi o próprio. Me garantiu também o sossego de saber que não só ele, mas todos os mestres que passam por nossas vidas serão eternizados:

“Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor, assim, não morre jamais…”

Tornar um professor amigo é se abrir ao conhecimento contínuo. Libertamo-nos assim.