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Filme “Benzinho”/Foto: Divulgação

Por Gabriel Santiago*
(Aluno do 2º período do curso de Cinema e Audiovisual do Centro Universitário UNA)

A realidade é que jovens têm saído da casa de seus responsáveis cada vez mais cedo e, com isso, deixam um dilema que vai além das questões emocionais. O ponto de vista materno ao lidar com a famigerada “síndrome do ninho vazio” é uma premissa bastante empática de se assistir. É bonito, poético e poderoso como o filme é aberto para todo tipo de público já que há uma enorme variedade de obstáculos que podem fazer o espectador mergulhar ainda mais fundo no universo de “Benzinho”.

A trama gira, principalmente, em torno de Irene e seu conflito emocional com a partida do filho mais velho, Fernando, para Alemanha. Porém não é só Irene que está vivenciando esta mudança, todos ao redor são atingidos e transbordam emoções das mais variadas que, quando manifestadas, são expressadas principalmente através de projeções, signos linguísticos e sutilezas. Tanto Irene quanto o pai de Fernando, Klaus, direcionam em conjunto a trama, projetando suas emoções ambíguas sobre a partida do filho e, consequentemente, adiando o que toda desilusão exige: o luto. É nítido que a mudança do filho é mais significante na vida dos pais e por isso que, constantemente, ambos se vêem em situações de conflito com seus sentimentos de zelo com os de apoiá-lo em seguir seus sonhos enquanto jogador.

No rudimento do filme somos apresentados à Irene tentando abrir uma fechadura utilizando inúmeras chaves e até mesmo uma faca para obter sucesso. Posteriormente, somos apresentados a Klaus e em seguida vemos o personagem fechando o lado de dentro da porta com martelo e pregos. Essa incompatibilidade de gestos, brandos, porém relevantes, nos faz entender como cada um deles lidará com seus sentimentos ao longo do filme — além do admirável trabalho exercido pela direção de arte e pela fotografia, que reforçam ainda mais as divergências das personalidades de cada um através de cores que se opõe.

Irene é enérgica, emotiva, quente — como as cores que estão nela e ao seu redor. Klaus se opõe a maioria desses comportamentos; ele é calmo, racional, frio — também repleto de cores desta temperatura ao seu redor. Os filhos misturam ambas as temperaturas e, acompanhado de uma magnífica direção de atores, são capazes de dar uma profunda e natural representação de um amor fraternal entre eles.

Apesar da notícia de Fernando ser o conflito capaz de mover boa parte da história, quando os pais se envolvem em uma forma de auto-engano para se desviarem dos pensamentos desagradáveis que este conflito trás, mesmo que momentâneo, também é um fator de peso para a trama e para o relacionamento dos personagens como indivíduos.

Os personagens projetam suas angústias a algo ou alguém como mecanismo de defesa para se livrarem dessas aflições que, na atmosfera de Benzinho, são claros desde o início.

O filme consegue apresentar uma forma dilatada desses mecanismos em Irene; seus impulsos de limpeza, preocupações intensas e até mesmo quando joga tudo para o alto e dança ao som de “Esôfago”, retratam essa dilatação. Irene chega a cantar para Fernando ao encontrá-lo: “Eu não posso te deixar, te deixar, querida minha”. É nítido a mensagem passada através da música, a forma que Irene usa para parafrasear seus sentimentos sobre a partida do filho, a forma que ela se ausenta das preocupações por um breve momento e repete, inúmeras vezes, o refrão da música para o filho, como se gritasse aquilo todos os dias para si mesma de maneira interna enquanto olha para o Fernando no dia a dia. Apesar de ter uma ascensão dramática absurda nessa cena, que começa com um tom cômico, Irene continua usando dos mecanismos e evitando o confronto direto com todas as emoções que ela considera desagradáveis. Ela prefere repentinamente iniciar uma faxina, canalizar toda a confusão desses sentimentos em assuntos banais e os transformá-los em situações extremamente problemáticas, entre outras calorosas tempestades. Essa auto-enganação que Irene faz consigo mesma é compreensível, mas extremamente nociva para uma saúde mental adequada. Ela não fala de seus sentimentos de forma aberta e dessa forma não dá o espaço para a melancolia necessária.

 

Foto: Divulgação do filme “Benzinho”

Na despedida de Fernando, Irene ainda exerce um rígido controle sobre suas emoções enquanto o filho vai embora. A surpresa de que Irene está usando uma blusa do filho (que só é revelada após a partida do mesmo) é condizente com as atitudes acumulativas que a personagem já havia demonstrado antes. Irene não está apenas vestindo a blusa de handball de Fernando, ela se veste com as sensações de Fernando, ela se veste com o cheiro, com o tato, com todos os sentidos que lhe emocionam e lhe fazem lembrar de como tudo começou. Enquanto assiste à marcha de Rodrigo, seu segundo filho, Irene cai em lágrimas, libertando toda a angústia que vinha culminando durante a trama. É aliviante e libertador vê-la dar o devido espaço para suas angústias; todavia esta submissão logo tem um fim. Irene se recompõe antes que os outros filhos a vejam para continuar sustentando a imagem de uma mãe capaz de guiar toda a família sem “fraquejar”, isto é, demonstrar suas tristezas.

Com Klaus é possível enxergarmos certos aspectos de uma masculinidade tóxica que permeia não só ele, mas os demais personagens ao seu redor.

A imagem da figura masculina (contextualizada de forma paterna) que não fala dos seus sentimentos, que não chora porque certamente cresceu ouvindo coisas do tipo “homem não chora”, refletiram na figura do Klaus que é apresentado no filme. Mesmo não sendo um exemplo de projeção como Irene, Klaus aprendeu a não sucumbir às suas angústias e pouco projeta suas aflições, mas, assim como a esposa, há um momento que não é possível controlar toda a emoção reprimida, fazendo o que, para mim, é a cena mais tocante de todo o filme.

Klaus ao longo do filme busca uma nova fonte de renda para família; as vendas em sua livraria não vão tão bem quanto gostaria e, ele vê uma nova oportunidade em um novo comércio. Tudo estava de acordo, como ele mesmo dizia à Irene, porém de um dia para o outro os planos de Klaus vão por água abaixo e ele se vê desolado. Sozinho na kombi, Irene chega e o questiona, Klaus lamenta sem explicar o que aconteceu, ele lamenta constantemente por ter fracassado e, com dificuldade, Irene tenta abrir a fechadura que são as emoções do marido e descobre o ocorrido. Isolado na kombi, fora de casa, longe dos filhos, acompanhado apenas da esposa, ele chora por não conseguir a tão sonhada garantia financeira para a família, Klaus chora por se preocupar com o filho mais velho que em poucos dias viajaria para Alemanha e por ainda não saber como lidar com as questões financeiras que o assombram. Klaus chora longe dos filhos para que, após aquele momento, assim como Irene, ele possa voltar para casa como se nada tivesse acontecido e continuar mantendo a figura do pai invencível que, para ele, seria desestabilizada se seus filhos o vissem naquela situação.

É nítido o trabalho que os pais exercem para se manter como pilares emocionais. Seres inabaláveis, com uma aura quase divina capazes de, visto de um ponto de vista dos filhos, realizar ações impossíveis; como agilizar uma documentação no cartório.

O filme apesar de ter o conflito centrado em torno de Irene a mudança do filho, vai além disso. Apesar de trabalhar com uma jornada dramática dos personagens, o filme não dá a entender que esse comportamento não se repetirá; mas pelo contrário. Tanto Irene quanto Klaus se recompõem e reprimem sua tristeza ao terem contato com algo relacionado aos filhos e, dessa forma, nos induzem a acreditar que a jornada que tanto desgastou os personagens irá acontecer novamente, porém com novas intensidades.

Analisar desse ponto de fato dá uma visão pessimista do aprendizado que esse conflito trouxe, mas ao mesmo tempo não temos outros indícios de que Irene irá entender que seus filhos não estão sob seu total controle, que Klaus irá conversar sobre seus medos e tristezas ou que até mesmo os filhos aprenderão algo com isso.

Benzinho é uma obra rica em sutilezas capazes de darem profundidade à trama e seus personagens. O filme não depende exclusivamente dos signos para se sustentar, mas cada um deles, sem exceção, é rico e verdadeiramente sensível para qualquer espectador.

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Embora a Lei de Diretrizes e Bases da Educação assegurem o direito à escola para as pessoas com deficiência, pais e professores enfrentam desafios para fazê-la com excelência

Por Patrick Ferreira

O ensino inclusivo está presente em diversas modalidades, sendo pouco conhecido por parte da população. Ainda é preciso promover o acesso à educação de pessoas com deficiência. Embora haja leis como o Artigo 205 da Constituição Federal em que diz que a educação é um direito de todos, incluindo as pessoas com deficiência, as famílias e professores enfrentam desafios diários de capacitação, com o objetivo de promover um melhor aprendizado para os alunos.

Desenho feito por um aluno da rede municipal de ensino de Belo Horizonte

 

Os desafios esses que acompanham a rotina do garoto Vitor Eloi, de 10 anos, que possui síndrome de Down e deficiência múltipla, e de sua mãe, Celi Torres da Silva, ao buscarem a rede estadual de ensino. No início, Vitor alternava de humor constantemente e isso fez com que a convivência na escola fosse uma habilidade a ser trabalhada.

O garoto, que entrou na escola aos 3 anos, encontrou o apoio da instituição. Ele foi acompanhado por uma monitora que tinha dedicação exclusiva em seu processo de aprendizagem e socialização. Esse suporte encontrado foi fundamental para o desenvolvimento de Vitor, como conta sua mãe.

“Eu sempre tive muita sorte, as pessoas são carinhosas com meu filho. E na escola, não foi diferente. A monitora e ele eram apaixonados e ele se sentia muito bem. No primeiro ano, ele desenvolveu bastante, mas depois começou a ficar excessivamente agressivo e batia em qualquer pessoa. Os amiguinhos, que sempre foram queridos, tiveram que se afastar”, conta Celi.

Após tomar medicamento, ele passou a controlar melhor as suas emoções. Levou um tempo até que o médico conseguisse chegar na dosagem correta do remédio. Celi lutou para que Vitor ficasse na escola um tempo além do período normal e conseguiu isso através da justiça. Com isso, ele amadureceu, aprendeu os horários e atividades de rotina. Ao mudar de turno, ele fez novos amigos e se adaptou à nova turma. Porém, com o tempo, começou a se sentir amedrontado na escola, como relata a mãe.

Novamente, Vitor começou a ficar nervoso e regrediu no uso de medicamento. “Faltava um mês para o ano terminar e não o levei mais para a escola. Apesar dos acontecimentos, tenho total consciência de que as dificuldades eram imensas e lidar com ele era complicado. A escola deu o seu melhor e tentava me ajudar e proteger ele de todas as formas”, explica Celi.

Direito à inclusão

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Básica (LDB) assegura que às pessoas com deficiência que escolas têm o dever de recebe-los no ensino regular. Para o professor Michael Lucas Sousa da Silva, da escola Estadual Santos Anjos, graduado em Pedagogia e pós-graduado na em Educação Especial com ênfase em Comunicação Alternativa, a inserção de pessoas com deficiência no ensino regular é uma forma de desenvolver habilidades e colocar o aluno inserido na sociedade.

“A educação inclusiva alia a educação regular com a especial, os alunos com alguma deficiência são matriculados em escolas regulares, e conta com professores e serviços especializados como Sala de Recursos e Professores de Apoio ou Monitores que os auxiliam em sala”, comenta.

Através da Sala de Recursos Multifuncionais, o aluno recebe um ensino adaptado à sua peculiaridade fazendo com que o aprendizado seja mais proveitoso. Alunos com alguma deficiência motora, por exemplo, irão trabalhar com jogos que possam exercitar essa capacidade para uma melhor desenvoltura. O ensino se desprende do método tradicional como é colocado para alunos sem deficiências.

Ainda de acordo com o professor, é preciso adequar os métodos de ensino a cada especificidade do aluno. “Na educação inclusiva, a metodologia abordada estará ligada à algumas características, cada método de ensino é adequado a cada tipo de aluno. Nesta seleção, deve ser levado em conta o tipo de deficiência ou transtorno, a faixa etária e os comprometimentos sensoriais e sociais do indivíduo”, esclarece Silva.

Trabalho com materiais recicláveis para treinar coordenação motora e raciocínio lógico. Foto: Arquivo pessoal/Michael Lucas Sousa da Silva

 

O educador afirma que os alunos devem se sentir motivados a estudarem, podendo também se desprender do convencional. “Os alunos devem ser estimulados a aprender, o professor deve usar uma linguagem direta, clara e objetiva, usar softwares educativos entre outras técnicas para que esse aluno possa se desenvolver”, sugere.

Para esses alunos há o aprendizado em sala de aula regular, com a presença do professor de apoio. O aluno é colocado em sala de aula tradicional e para não ter o seu aprendizado prejudicado por não ter o mesmo desenvolvimento dos alunos sem deficiência, possui ao seu lado, um profissional que auxilia na realização das atividades, incluindo de fato este aluno no ambiente escolar.

Algumas deficiências podem ser percebidas facilmente, mas outras como as intelectuais precisam de um olhar mais atento para serem trabalhadas, como conta o professor:

“Algumas síndromes e deficiências são perceptíveis, pois, possuem características próprias, como é o caso da síndrome de Down ou a deficiência física. O que não acontece com alunos com TDH, com deficiência intelectual leve, baixa visão entre outras, sendo essas identificadas muitas vezes pelo professor, que repassa aos pais e os orientam a buscar esclarecimentos clínicos junto a uma equipe médica ”, explica.

Um assunto que sempre é abordado quando a questão é diversidade é o preconceito. Mas quanto a isso, Michael diz que nas escolas que atuou, o bullyng não existia: “O bullyng acontece com todos os indivíduos com ou sem deficiências, mas não o percebo pelo menos nas escolas onde atuei, ele não acontece, o que vejo é um acolhimento dos alunos e respeito as suas particularidades. ”

O educador afirma que os alunos devem se sentir motivados a estudarem, podendo também se desprender do convencional. “Os alunos devem ser estimulados a aprender, o professor deve usar uma linguagem direta, clara e objetiva, usar softwares educativos entre outras técnicas para que esse aluno possa se desenvolver ”.

Michael pontua que Educação Especial e Inclusiva tem suas distinções. “A educação especial se atém apenas a um público específico. São alunos com deficiência, superdotação/altas habilidades, transtornos globais de desenvolvimento e  se utiliza de ferramentas didáticas para atender as limitações seja ela física ou cognitiva. A educação inclusiva alia a educação regular com a especial, os alunos com alguma deficiência são matriculados em escolas regulares, e conta com professores e serviços especializados como Sala de Recursos e Professores de Apoio ou Monitores que os auxiliam em sala”, conclui.

 

 

 

 

 

 

Objetivo do Setembro Verde é sensibilizar a população e mostrar o potencial das pessoas com deficiência, levando em consideração as especificidades de cada um

Por Patrick Ferreira

Fotos Divulgação/Projeto Superar

A capital mineira receberá durante todo o mês de setembro uma programação ampla e diversa que atenderá pessoas com deficiência. A Prefeitura Municipal de Belo Horizonte (PBH), por meio da Secretaria de Assistência Social, Segurança Alimentar e Cidadania, promoverá uma série de ações com o objetivo de colocar em foco a acessibilidade. Entre outras atividades, o evento contará com práticas esportivas, oficinas de artes e rodas de conversa. Ao todo, 16 projetos serão apresentados ao longo do mês. A iniciativa faz parte do Setembro Verde, mês dedicado a visibilidade das pessoas com deficiência.

Na série de reportagens “Desafios e possibilidades de inclusão”, o jornal Contramão traz uma entrevista com o diretor do Núcleo de Pessoas com Deficiência, da Prefeitura de Belo Horizonte, Luiz Vilani. Leia a seguir!

Jornal Contramão: Como foi o processo de idealização do evento?

Luiz Vilani: A Prefeitura de Belo Horizonte realiza desde 1995 a Semana da Pessoa com Deficiência, como um importante marco de promoção dos direitos das pessoas com deficiência em nosso município. Ao longo desse período, a semana demarcou as mais diversas reivindicações em setores estratégicos do exercício cidadão, buscando sensibilizar e conscientizar a sociedade sobre seus direitos e sobre as necessidades de promoção de ações e mudanças de atitudes que pudessem garantir às pessoas com deficiência o pleno exercício de sua cidadania em igualdade de condições com as demais pessoas. O Setembro Verde foi idealizado como uma estratégia de fortalecimento das ações realizadas, buscando-se trazer maior visibilidade e envolver, cada vez mais, as pessoas com deficiência como protagonistas na elaboração e execução de toda a programação. A proposta do mês de setembro é fazer ações com as pessoas com deficiência, e não para elas, visto que o objetivo maior é a sensibilização de toda a população, ou seja, mostrar para todos o potencial de cada segmento da deficiência, bem como elucidar para a sociedade as transformações necessárias para concretizarmos o ideal de uma cidade inclusiva. A este respeito, definiu-se a simbolização por meio da cor verde em alusão ao Dia da Árvore, mas também reconhecendo a cor azul, representada por detalhes das folhas azuis na logomarca alusiva ao Mês da Pessoa com Deficiência, buscando-se destacar o movimento de luta das pessoas surdas em função do Dia Nacional do Surdo, dia 26 de setembro, que é simbolizado pelo azul, mesma cor associada ao movimento de conscientização sobre o Transtorno do Espectro do Autismo.

JC: Na programação temos eventos de educação. Vocês acreditam que as redes pública e privada de ensino conseguem atender de modo satisfatório as pessoas com deficiência?

Luiz Vilani: A educação inclusiva é um movimento internacional sem precedentes. O fato da legislação hoje garantir o acesso de todos à escola, é fruto de muita luta e pesquisas internacionais. O convívio direto das diversidades, implica por si só numa transformação social. Muitas pessoas, em sua trajetória escolar, não teve a oportunidade, para não dizer o privilégio, de conviver com as diferenças e aprender mais sobre as potencialidades das pessoas com deficiência. Essa realidade impôs à sociedade diversas barreiras, pois não se pensava a cidade para todos. Se tivéssemos convivido com pessoas com deficiência em nossa formação, com certeza diversas gerações de engenheiros e arquitetos que hoje planejam as cidades de todo o mundo, estariam atentos para não criar novas barreiras. Isso vale para qualquer que seja a formação profissional, pois saberíamos adotar as medidas necessárias para eliminar barreiras e promover o acesso a todos os bens e serviços numa perspectiva de atender aos preceitos do Desenho Universal, ou seja, para todos! Logo, reconhecemos significativos avanços, mas ainda temos grandes desafios pela frente, as experiências pedagógicas ainda são consideravelmente recentes e temos muito a aprimorar, bem como ainda temos necessidades de qualificar as escolas com a devida acessibilidade e tecnologias assistivas que permitam cada vez mais a plena inclusão de todos.

JC: Sobre o dia escolar paralímpico, os alunos participantes recebem alguma orientação nas escolas ou em alguma instituição para estes esportes? De que maneira é feita a inclusão através do esporte?

Luiz Vilani: O Dia Escolar Paralímpico é uma iniciativa da Prefeitura de Belo Horizonte, por meio do Programa Superar da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer, juntamente com o Centro de Estudos em Psicobiologia e Exercício (CEPE) da EEFFTO/UFMG, que atenderá 200 pessoas com deficiência, 50 alunos de cursos de Educação Física e 30 profissionais do Programa Superar, as possibilidades metodológicas de alunos com deficiência participarem efetivamente de atividades, bem como de terem experiências com modalidades paralímpicas. O esporte paralímpico, e as diversas modalidades paradesportivas são conteúdo da nossa história cultural de movimentos e, portanto, devem ser abordados para todos. Realizado no dia 22/09 — Dia do Atleta Paralímpico, a programação do Setembro Verde traz, paralelamente nesse mesmo dia uma atividade promovida pelo Comitê Paralímpico Brasileiro em parceria com a PUC Minas, o Festival Paralímpico Escolar.

JC: Belo Horizonte possui capacitação de profissionais como, por exemplo, Libras, Braille e outras formas de acessibilidade, para melhor atender surdos-mudos?

Luiz Vilani: Diversas entidades parceiras do Setembro Verde, como a Confederação Brasileira dos Surdos — CBS, a Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos — FENEIS e Associação dos Surdos de Minas Gerais — ASMIG promovem cursos de Libras em nossa cidade. Entretanto, as demandas dos serviços públicos têm se tornado mais frequentes e intensas, a este respeito, a Subsecretaria de Gestão de Pessoas da Prefeitura acabou de realizar um processo seletivo interno para seleção de profissionais habilitados para realizar cursos de Libras para os servidores. Sabemos que o domínio de uma segunda língua não é algo simples e fácil, e requer empenho e dedicação dos servidores, sendo necessário conhecermos melhor as demandas, os recursos disponíveis e boas práticas que vem sendo promovidas por determinados setores da prefeitura, para que possamos elaborar um planejamento específico a este respeito. Nesse sentido, a Roda de Conversa sobre Acessibilidade Comunicacional que será realizada no dia 05/09 de 14:00 às 18:00 no Museu Abílio Barreto, tem justamente esse intuito. Especificamente sobre o Braille, a Secretaria Municipal de Educação dispõe de estruturas específicas para o ensino do Braille em salas de Atendimento Educacional Especializado. Além do mais, o Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual (CAP-BH) oferece transcrição em braille, capacitação para uso de computadores, softwares apropriados e produção de materiais.

JC: Para vocês, qual o legado o Setembro Verde pretende deixar para Belo Horizonte?

Luiz Vilani: O maior legado será a sociedade incorporar os princípios e propósitos trabalhados neste mês para somar esforços nas adequações necessárias para promovermos uma sociedade inclusiva. Intensificamos as ações no mês de setembro, para sensibilizar e conscientizar cada vez mais a população sobre a temática, mas esperamos que cada iniciativa possa se tornar rotina de toda a cidade ao longo de todos os dias.

Clique aqui e veja a programação completa do Setembro Verde! 

Leia também a primeira matéria da série especial “Desafios e possibilidades de inclusão”, por Patrick Ferreira!

Inclusão e acessibilidade

 

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Uma série de atividades, com foco na inclusão e acessibilidade de pessoas com deficiência, serão promovidas na capital mineira em todo mês de setembro

Por Patrick Ferreira

Entre as ações propostas pelo Setembro Verde, a prática esportiva tem por objetivo colocar em evidência as potencialidades de pessoas com deficiência. Foto: Divulgação/Projeto Superar

O dia 21 de setembro é o Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência. O desafio que ainda permanece é o reconhecimento dos direitos dessa parcela da população e a inclusão social. Durante esta semana, os repórteres Patrick Ferreira e Moisés Martins irão trazer, na série de reportagens “Desafios e possibilidades de inclusão”, um debate profundo sobre as políticas públicas voltadas para as pessoas com deficiência e os obstáculos enfrentados por essas pessoas diante uma sociedade ainda pouco inclusiva.

De acordo com o último Censo Demográfico, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), datado de 2010, 45,6 milhões de pessoas tinham algum tipo de deficiência, o que representava, na época, 24% dos brasileiros. Atento às necessidades das pessoas com deficiência, o poder público vem promovendo, a passos curtos, o debate em torno deste tema que é urgente.

O Setembro Verde, uma iniciativa da Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social, Segurança Alimentar e Cidadania, vem ao encontro desta luta. Durante todo o mês, a capital mineira receberá uma programação especial tendo em vista a acessibilidade de pessoas com deficiência. A intenção é suscitar o debate de diversos assuntos acerca da inclusão. O evento, entre outras atividades, irá promover eventos esportivos, educacionais, culturais e de reflexão, adaptadas para cada especificidade, e promete movimentar a cidade.

A cor verde, segundo conta Luiz Vilani, diretor de Políticas para as Pessoas com Deficiência (DPPD), da Subsecretaria de Direito e Cidadania, foi escolhida em alusão a árvore. “O dia 21 de setembro, Dia da Árvore, foi escolhido para representar analogamente o nascimento das reivindicações de cidadania com a esperança de brotar novos sonhos, florescer e frutificar ações que consolidasse as premissas da inclusão da pessoa com deficiência”, diz.

Capacitação

Ao abordar diversos tipos de deficiências, o evento trará na programação uma roda de conversa sobre acessibilidade comunicacional. A discussão irá colocar em foco os desafios da capacitação. É preciso pensar em como essa população é atendida em suas necessidades. A inclusão só será efetiva a partir da capacitação de profissionais para lidarem com os desafios da comunicação e acolhimento. A Prefeitura de Belo Horizonte, nesse sentido, tem atuado na formação dos servidores. Esses profissionais vêm sendo capacitados para atenderem pessoas que se comunicam através da linguagem de sinais, Libras (Língua Brasileira de Sinais).

“As demandas dos serviços públicos têm se tornado mais frequentes e intensas, a este respeito, a Subsecretaria de Gestão de Pessoas da Prefeitura acabou de realizar um processo seletivo interno para seleção de profissionais habilitados para realizar cursos de Libras para os servidores”, exemplifica Vilani.

Inclusão nas artes e esportes

Haverá também, dentro da programação, uma roda de capoeira promovida pelo Instituto Viva Down, no Parque Ecológico e Cultural Professor Marcos Mazzoni, no bairro Cidade Nova, no dia 19 de setembro. A capoeira é uma expressão cultural que mistura luta e dança. Aliás, a dança, juntamente ao teatro, estará presente na atividade corporal que expressa a subjetividade do sujeito com deficiência intelectual e múltipla, no Programa Espaço da Cidadania, no dia 21.

No dia 22 de setembro, um evento no Centro de Referência Esportiva para Pessoas com Deficiência, o Superar, e outro no Complexo Esportivo PUC Minas, colocará o esporte no centro das atenções, e irá integrar atletas e alunos de educação física, como conta Luiz Vilani. “A atividade atenderá 200 pessoas com deficiência, 50 alunos de cursos de educação física e 30 profissionais do Programa Superar. A ideia é apresentar as possibilidades metodológicas de alunos com deficiência, capazes de participarem efetivamente de atividades, bem como de terem experiências com modalidades paralímpicas”, defende.

No fim do mês, a programação se encerra em clima de celebração. O Setembro Verde fecha com chave de ouro, durante o evento BH é da gente, na Savassi, no dia 30 de setembro. Neste dia, haverá rua de lazer com muitos festejos na região. Ao todo, 16 projetos serão apresentados ao longo do mês em Belo Horizonte.

SERVIÇO

Veja abaixo a programação completa do Setembro Verde, que se estende até o dia 30 de setembro:

1 de setembro, sábado
II Cliníca de Tênis de Mesa Paralímpico
Horário: 9h às 13h
Local: Federação Mineira de Tênis de Mesa Olímpico e Paralímpico
Endereço: Av. Contorno, 2655 — Santa Efigênia

4 de setembro, terça-feira
Festival de Dança Superando Barreiras
Horário: 19h às 20h30
Local: Teatro Marília
Endereço: Av. Prof. Alfredo Balena, 586 — Santa Efigênia
Mediante inscrições

5 de setembro, quarta-feira
Roda de conversa sobre acessibilidade comunicacional
Língua Brasileira de Sinais — LIBRAS
Horário: 14h às 18h
Local: Museu Histórico Abílio Barreto
Endereço: Av. Prudente de Morais, 202 — Cidade Jardim

15 de setembro, sábado
Roda de capoeira — Instituto Viva Down
Horário: 10h
Local: Parque Ecológico e Cultural Professor Marcos Mazzoni
Endereço: Rua Deputado Bernardino de Sena Figueiredo, 1.022 — Cidade Nova

19 de setembro, quarta-feira
Roda de capoeira, dança e música
Horário: 13h30 às 15h
Local: E. M. Frei Leopoldo
Endereço: Rua Clóvis Cyrilo Limonge, 141 — Havaí

20 de setembro, quinta-feira
Roda de conversa
Tema: Lei Brasileira de Inclusão
Horário: 9 às 12h
Local: Secretaria Municipal de Assistência Social, Segurança Alimentar e Cidadania
Endereço: Rua Tupis, 149 , Auditório do 9ºandar — Centro

21 de setembro, sexta
Sessão comentada — “O Resto é Silêncio”
Sinopse: “O Resto é Silêncio” (2015) é filmado todo em língua de Libras e os atores são todos surdos. O diretor Mabel Lopes faz uso intenso do silêncio e das sensações de uma pessoa com deficiência auditiva como as transições entre som e silêncio que muitos sentem.
Horário: 14h às 16h30
Local: Centro Cultural Lindéia Regina
Endereço: Rua Aristolino Basílio de Oliveira, 445 — Regina
Atividade sujeita à lotação

21 de setembro, sexta
Dança e teatro do ‘Dia a Dia Educação Especializada’ — “Em toda parte, expressão”
Atividade corporal que expressa a subjetividade do sujeito com deficiência intelectual e múltipla.
Horário: 15h às 16h
Local: Programa Espaço da Cidadania / Feira de Artesanato do PEC
Endereço: Av. Bernardo Monteiro, entre Av. Brasil e Rua Timbiras — Funcionários

22 de setembro, sábado
Dia escolar paralímpico
Participação de alunos e atletas de natação, bocha paralímpica e tênis de mesa
Horário: 8h às 12h
Local: Centro de Referência Esportiva para Pessoas com Deficiência — Superar
Endereço: Av. Nossa Senhora de Fátima, 2283 — Carlos Prates

22 de setembro, sábado
Festival do Atleta Paralímpico
Horário: 8h30 às 12h
Local: Complexo Esportivo PUC Minas
Endereço: Rua Dom José Gaspar, 500, prédio 65, sala 403 — Coração Eucarístico
Informações: festivalparalimpiconapuc@gmail.com

26 de setembro, quarta-feira
Ciclo de Fomento: Gestão das Organizações da Sociedade Civil e defesa dos direitos das pessoas com deficiência
Horário: 14h às 17h
Local: Auditório da Associação do Ministério Público de Minas Gerais
Endereço: Rua Timbiras, 2.928 — Barro Preto
Inscrições: ciclodefomento@cemais.org.br ou (31) 2535–0028

27 de setembro, quinta-feira
Seminário: arte-terapia
Formação para professores
Horário: 8h às 17h
Local: Complexo Esportivo PUC Minas
Endereço: Rua Dom José Gaspar, 500, prédio 65, sala 101 — Coração Eucarístico
Mediante inscrições

27 de setembro, quinta-feira
Seminário: Tecnologias Assistivas
Estatuto da Pessoa com Deficiência e Estatuto da Pessoa Idosa
Horário: 13h às 18h
Local: Sede da Prefeitura de Belo Horizonte
Endereço: Av. Afonso Pena 1212, auditório JK — Centro
Mediante inscrições.

28 de setembro, sexta-feira
Música em Dia do ‘Dia a Dia Educação Especializada’
Apresentação musical de jovens e adultos com deficiência intelectual e múltipla
Horário: 15h às 16h
Local: Programa Espaço da Cidadania / Feira de Artesanato do PEC
Endereço: Av. Bernardo Monteiro, entre Av. Brasil e Rua Timbiras — Funcionários

29 de setembro, sábado
Seminário: Educação de Jovens e Adultos com deficiência intelectual e múltipla
Horário: 9h às 13h
Local: Secretaria Municipal de Assistência Social, Segurança Alimentar e Cidadania
Endereço: Rua Tupis, 149 , Auditório do 9ºandar — Centro
Mediante inscrições.

30 de setembro, domingo
BH é da Gente — Ação pela inclusão
Encerramento da programação
Rua de lazer, atividades físicas, apresentações artísticas, culturais, paradesportivas, exposição de serviços e Políticas Públicas para as pessoas com deficiência, festival de dança do Programa Superar etc.
Horário: 9h às 13h
Endereço: Av. Getúlio Vargas, esquina com Av. Cristóvão Colombo — Savassi

 

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Por: Helen Oliveira

A imagem dos avós  na cadeira de balanço a espera dos netos perdeu-se no tempo. O time da terceira idade está, cada vez mais, ativo. Eles trabalham, saem para encontrar os amigos, dançam, divertem-se e conseguem compartilhar momentos com a família. Administram o tempo de forma a aproveitar todas as oportunidades oferecidas pela vida. No Dia Nacional dos avós, o Contramão  conversou com dois deles, José Teixeira Alves, de 63 anos, e Ivany Alves Leite, de 66, que se mantêm em atividade.

De acordo com dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), divulgados pelo Ministério do Trabalho, o número de pessoas entre 50 e 64 anos, no mercado formal de trabalho, cresceu quase 30% entre 2010 e 2015. É o caso de José Teixeira Alves, mais conhecido como Zezinho. Avô de oito netos, o senhor faz dupla jornada: cuida da família em casa e da família que criou no ambiente de trabalho.

O idoso trabalha como auxiliar de manutenção, há 14 anos. Apesar de ter idade para se aposentar e ter dificuldades de locomoção, Zezinho não tem intenção de parar de trabalhar. Ele costuma percorrer longo trajeto de casa ao trabalho,  “São três ônibus para ir e três para voltar. Não é fácil, mas quero continuar trabalhando, enquanto tiver vida e saúde”, ressalta.

José assumiu o papel de conselheiro, atendendo às pessoas que o procuram para desabafos e conselhos, confiantes na vivência e maturidade dele. Em casa, os filhos e netos de Zezinho “tem que andar na linha”.  Ele não dá colher de chá, mas, sempre que necessário, está disposto a estender a mão.

“Como o tempo é curto, não consigo estar 100% com os netos, mas, no final de semana, a minha casa fica cheia. Nas férias, eles passam comigo e minha esposa. Procuro levá-los em passeios e viagens para ficar perto”, finaliza o avô.

Ivany Alves Leite é avó moderna. Com nove netos, ela não deixa transparecer a idade que tem. Cuida muito bem da saúde para manter-se, a cada dia, mais jovem. Nunca dispensa batom para realçar a beleza.

Para a senhora a idade chegou, mas ela se mantém com vigora. Ela foge dos padrões de avó que faz tricô. Garante que os netos se mantêm bem próximos por ela ser assim. É vista como amiga. Ivany sempre foi dona de casa e passou anos cuidando da casa e família. Agora é o momento de aproveitar os dias “de folga”. A dona de casa levanta todos os dias bem cedo para fazer caminhada, “manter a forma e saúde é primordial”. Realiza consultas periódicas para saber suas necessidades e limites.

A avó é exemplo para as amigas que procuram mudar o modo de vida. Sempre muito alegre, a senhora aconselha a todas a viverem como se sentem bem. “A idade chegou apenas no corpo. A cabeça tem que ficar jovem. Meus netos precisam de mim e eu deles, e é dessa forma que me mantenho próxima a eles”, conclui.

Por Melina Cattoni e Ana Luísa Arrunátegui
Fotografia: Ana Luísa Arrunátegui

 

No ano que se comemora 80 anos de tombamento cultural, a histórica cidade de Ouro Preto recebeu a 13ª edição da Mostra de Cinema. O evento que dedica e apresenta a sétima arte como patrimônio, escolheu para sede a charmosa cidade que já foi cenário de muitas produções cinematográficas. A proposta da Mostra junto à cidade faz todos os envolvidos pensarem sobre a história do cinema e do audiovisual de maneira especial. Questionamentos importantes sobre preservação e patrimônio são colocados em diálogo durante o período.

A 13ª Cine OP aproveita da conscientização da cidade e encerra o evento com a certeza que diversas temáticas foram discutidas com todos os públicos. A Universo Produção se despede e segue em frente com a 12ª edição da CineBH.