Futebol

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Respeito dentro e fora do campo dá a tônica das partidas, mesmo quando acirradas

Equipe de Reportagem: Guilherme da Silva, Luíza Ferreira, Izabela Avelar e Vitor Castro.

Foto: Arthur Lima e Marcelo Duarte

Jogos disputados e muito empenho em campo marcaram o segundo final de semana da Taça das Favelas. No entanto, apesar da rivalidade no campo, o espírito esportivo prevaleceu no domingo (15) da segunda rodada. A boa relação e o clima descontraído começa quando os jogadores descem dos ônibus.

O assunto não é só futebol, passa por uma relação de amizade entre os atletas. É momento de falar do dia dia, das novidades e desafios.  “Olha, o tanto de jovem que está ali brincando e se divertindo. Era para estarem fazendo muitas coisas erradas, mas estão jogando bola. E isso é bom,” diz o jogador Santa Cruz Futebol Clube Gladson Santos, de 16 anos, que acompanhou o torneio na torcida.

A abertura dos jogos de domingo não poderia oferecer menos, com equipes competitivas, porém, respeitosas entre si. O dia iniciou com goleada do time Mariano de Abreu por 4 a 0 sobre o conjunto Taquaril. E foi dada a largada para mais uma etapa do campeonato.

Em sua primeira participação nesta edição do Taça das Favelas, a equipe do Vila Pinho teve  ótimo desempenho. No segundo jogo, carrega a vitória com dois gols sobre o Complexo Minas Caixa. Após o jogo, o técnico da equipe estreante, Thiago Junior, comemorou o resultado. Porém, não deixou de chamar a atenção dos jogadores que se exaltaram durante a partida. Em consequência da indisciplina o camisa 7 da equipe vencedora foi expulso.

No primeiro jogo da tarde de domingo, antes da partida começar, a oração do time da Vila mudou. O Pai Nosso foi trocado por uma prece de agradecimento: “obrigado Senhor, obrigado Senhor”, repetida com fervor. Os jogadores da Vila mal poderiam imaginar que venceriam por 1 a 0 sobre o Conjunto Granja de Freitas. O jogo começou calmo, com as equipes concentradas, cobranças de falta e até aplicação de cartões amarelos.

A vontade dos jogadores de fazer bonito dentro e fora de campo é inegável. A chance de ter um futuro melhor por meio do esporte é agarrada, com perdão ao trocadilho, pelos jogadores. No caldeirão de sentimentos, destacam-se alegria, animação, nervosismo e paixão. A união e o comportamento dos jogadores nessa competição são notáveis. Apesar de todas as dificuldades, eles tentam mostrar que tem sonhos e esperanças de uma vida melhor dentro do esporte.

Problemas com arbitragem geram revoltas em jogadores e torcida

Equipe de Reportagem: Danielle Gontijo, Izabela Avelar, Nathalia Galvani e Patrick Ferreira

Fotos: Marcelo Duarte

O ar ficou avermelhado no segundo final de semana da Taça das Favelas. A temperatura subiu e não só nos graus centígrados no sábado (14) da segunda rodada do torneio. As jogadoras surraram o campo de futebol e não deixaram a poeira baixar durante toda partida na busca pelo resultado para permanecer na disputa.

O embate foi acirrado entre as equipes Alto Vera Cruz e Vila Pinho que fizeram a primeira partida de sábado. As meninas do Alto Vera Cruz saíram vitoriosas da partida, que foi disputada pau a pau pelas atletas. A decisão veio de um pênalti, deixando placar de um 1 a 0 para o Alto Vera Cruz.

O público presenciou lances bonitos, mas o tempo fechou em momentos decisivos em que a arbitragem entrou em conflito com as equipes. Cobranças de faltas feitas ao juiz geraram revolta nas jogadoras e foi seguida de troca de ofensas entre a arbitragem e as equipes. “Saímos de casa cedo para correr atrás de um sonho e, no final do jogo, quem ganha é o juiz? ” questionou a atacante da Vila Pinho, Cintia Cristina. Apesar de as jogadoras terem se sentido ofendidas pelo juiz, elas não registraram queixa.

O incidente foi veementemente rechaçado pela Central Única das Favelas (Cufa), organizadora da taça. Em nota, o presidente Francislei Henrique afirma que “a Cufa manifesta seu repúdio a qualquer ato de discriminação, preconceito e injúria, praticados sobre qualquer forma ou circunstância. ” O presidente ainda afirmou que não poderia tomar medidas cabíveis em face de as jogadoras não terem feito uma ocorrência oficial.

No entanto, ressaltou que “como há relatos de pessoas distintas sobre o fato e sobre a atitude verbal desrespeitosa do juiz a uma das jogadoras, não devemos e não iremos desconsiderar as manifestações de indignação que chegaram até a organização do evento. ” A Cufa solicitou à Federação Mineira de Futebol que o árbitro seja afastado dos quadros da Taça das Favelas.

O clima retomou à normalidade nas partidas da tarde de sábado. As goleadas da vez ficaram por conta do time masculino Vila Corumbiara que venceu por 5 a 0 a Favela do Índio. Placar elásticos como esse se repetiu ao longo do torneio até o momento. Entre as partidas de sábado, as meninas do Minas Caixa balançaram as redes cinco vezes enquanto o Jardim Leblon só conseguiu êxito na finalização uma vez, ficando o placar de 5 a 1. A equipe do Minas Caixa segue invicta.

“Se vocês saírem daqui sabendo que fizeram o melhor está ótimo para mim”, afirmou o Técnico Matheus Henrique do time Ventosa. A motivação resultou na vitória por 1 a 0 sobre o Paulo VI. Porém, a partida foi suspensa por problemas técnicos. A organização do evento analisa a possibilidade de realização de outra partida entre as equipes.

 

 

 

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Campo alagado não impede o balançar das redes no primeiro final de semana do torneio no Vale do Jatobá

Por: Helen Oliveira

Fotografia: Moises Martins, Henrique Campelo

 

Faça chuva ou faça sol, já sabemos que domingo sem futebol não combina e, o que não faltou no segundo dia do Taça das Favelas foi bola em campo.  Os jogadores foram recepcionados pelos moradores do bairro que jogavam uma “Pelada”, sem juiz ou apito, apenas passes, marcação e o balançar das redes.   

Jovens de 24 comunidades de Belo Horizonte levantaram poeira do estádio de terra batida, que se tornou cenário de espetáculo do futebol amador. A estreia do time Paulo VI no torneio foi com direito à goleada de 5 a 0 sobre o Taquaril. Com esse resultado, o técnico do time Rubens Santos emocionado declarou: “hoje não quero nem dormir para continuar sonhando de olhos abertos”. Sem conter as lágrimas, o treinador não poupa esforços para agradecer e elogiar a equipe, como estreantes deixaram marca registrada. O recado foi dado: “viemos para levar a taça” afirmou.

 

As partidas seguiram durante a manhã até que a chuva chegou, inesperada. No campo Conjunto Santa Maria e Morro das Pedras. Transcorrendo tranquilo, o jogo mudou com o campo inundado. Mas, não seria uma chuvinha a pôr fim à esperança de vitória dos competidores. Mais que driblar os adversários, os jogadores também se esquivavam das poças d’água que se formaram.  A vitória ficou com o Morro das Pedras por 2 a 0 sobre o Conjunto Santa Maria, ambos da região Leste de Belo Horizonte.   

“Em torneios como este são escolhidos dois ou três jogadores com talento para participarem de testes em clubes de futebol profissional”, afirma o olheiro técnico Gilmar Francisco.  No entanto, a qualidade dos jogadores surpreendeu Gilmar, que não esperava encontrar em apenas um dos jogos três revelações.

André Luiz, Isaque Dias e Gabriel Felipe deram show de bola em campo representando o mesmo time vindo da  Ventosa. O desempenho dos rapazes se refletiu no placar de 4 a 0 sobre o Granja de Freitas. Como o evento segue nos finais de semana de abril, outros talentos podem ainda ser encontrados.

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Da redação.

Fotos: Moises Martins
Equipe de reportagem: Elouise Marcelino, Fabiana Meireles, Janine Christie Sant’Ana e Lorrany Moreira 

Que as mulheres vêm conquistando espaços que, até então, eram dominados pelos homens, todos já sabem. Mas a novidade aqui é que elas foram as primeiras a balançar as redes no templo sagrado do futebol, no início da segunda edição da Taça das Favelas, em Minas Gerais, no último sábado. As seleções femininas Minas Caixa e Aglomerado da Serra fizeram a abertura dos jogos, que reúnem 32 equipes nas modalidades masculina e feminina, durante os finais de semana do mês de abril.

Nos minutos iniciais da partida de abertura, o primeiro gol do campeonato foi de Nayara Rosa de 19 anos, do Minas Caixa. A atleta entra para a história desta edição do campeonato por inaugurar o placar da competição e por ser responsável por alavancar seu time rumo à vitória de 2X1 contra seu adversário. A partida foi acompanhada com entusiasmo por moradores, jogadores e olheiros, no pequeno campo de futebol, no bairro Vale do Jatobá, na região do Barreiro. 

Um pouco mais tarde, com as equipes masculinas no gramado, a empolgação e esforço dos atletas mantiveram o interesse e o apelo emocional do público. Uma goleada protagonizada por uma trinca de jogadores e, também, a informação de um possível gol contra, estimulou o time a buscar a vitória. Ao final, Vila Tiradentes tremeu as redes cinco vezes. 

O dia que começou tranquilo, no decorrer dos apitos, bandeiradas, faltas e muitos passes de bola, logo foi tomado pela força dos cantos e gritos de guerra. E, embora exista uma máxima que diz que futebol e religião não se discutem, antes de cada partida, uma roda de orações entre os jogadores reforçou, no primeiro dia do torneio, um costume já consagrado entre os clubes da região. Ao final do dia, um clima de festa predominou entre times, torcedores e moradores da bairro. A Taça das Favelas é realizada pela Central Única das Favelas e, além da competição, é também vitrine para novos talentos e lazer para os apaixonados por futebol. 

 

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Foto: Acervo Infraero

Um artista que usava os pés como pincel e com um talento inigualável. Ainda criança, Eduardo Gonçalves de Andrade virou Tostão e encantava quem o acompanhava. Deu os primeiros passos na carreira como profissional no glorioso América, e aos poucos o franzino de 1,72 começou a alçar voos mais altos.

Em épocas de chuteiras pretas, salários nada exorbitantes e puro amor à camisa, Tostão conseguiu se destacar como protagonista, em uma safra onde não tinha espaço para os coadjuvantes. No Cruzeiro foi soberano sendo o maior de todos, encantando até os mais cépticos e distantes do futebol. Já vestindo a amarelinha, conquistou e encantou o mundo ao lado de um verdadeiro esquadrão que contava com Gérson, Rivelino, Jairzinho e o inigualável Édson Arantes do Nascimento, ou simplesmente Pelé para os mais íntimos.

Gênio dentro e fora de campo, recentemente Tostão completou 70 anos. Seja como armador, ponta-de-lança ou centroavante, era um jogador completo na acepção da palavra e mostrava uma elegância inigualável com a bola no pé. Com sua aposentadoria precoce, aos 26 anos, devido a um deslocamento de retina, o futebol brasileiro perdeu um grande craque dentro das quatro linhas, porém ganhou um excelente cronista esportivo. Algo que era natural, devido ao vasto intelecto e conhecimento esportivo adquirido durante uma década de carreira.

Após esse relato, alguns podem me perguntar: você o viu jogar? Realmente não tive essa felicidade, porém o amor pelo futebol e a paixão pela história e pelo talento demonstrado por esse gênio dentro das quatro linhas, me impulsionaram a escrever esse texto. Enfim, feliz de quem o viu.

Por Mateus Liberato

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Foto reprodução

Na madrugada desta terça (29) veio ao conhecimento de todos os amantes do futebol, uma notícia que ninguém espera receber antes de sair de casa. Quando nos preparávamos para mais uma semana quente de bola rolando veio a bomba: O acidente envolvendo o avião que transportava o time da Chapecoense para Medelín. Lá, o clube catarinense iria disputar o primeiro jogo da final da Copa Sul-americana contra o Atlético Nacional.

No vôo, havia 81 pessoas, nove tripulantes e 72 passageiros. Dentre eles, jogadores, comissão técnica, dirigentes e jornalistas. Os únicos sobreviventes do vôo foram os jogadores Alan Ruschel (lateral esquerdo da Chape), Neto (zagueiro) e Jakson Follmann (goleiro reserva); a aeromoça Ximena Suárez, o mecânico Edwin Tumiri e o jornalista Rafael Henzel.

Foi um golpe duro, nesses momentos em que as pessoas normalmente param e percebem não só como a vida é muito frágil, mas também como as pessoas que mais amamos podem não estar mais conosco de um dia para o outro. Acima de tudo eram vidas, e isso não tem valor mensurável.

As pessoas que mais se comoveram foram àquelas ligadas ao esporte. Rapidamente foram surgindo nas redes sócias movimentos e mensagens de apoio e solidariedade às famílias e os envolvidos no acidente. Os clubes brasileiros alteraram sua imagem de perfil para o escudo da Chapecoense em preto em branco em forma de luto. A rashtag #ForçaChape foi trending topics mundial no Twitter, com mais de 195mil Tweets.

Principalmente os torcedores, fizeram com que a internet se tornasse um mar de homenagens às vitimas. Em Liverpool, a torcida local cantou sua música mais famosa ‘You will never walk alone (Vocês nunca estarão sozinhos, em tradução livre) antes do minuto de silêncio. Na Suíça, a torcida do Copenhague ergueu uma faixa em português escrita: “estamos todos juntos com você, Chapecoense”. Na Colômbia, a torcida do Atlético Nacional que faria a final com a equipe brasileira se reuniu em seu estádio na hora marcada para a partida e cantaram uma música criada para a ocasião: “Que escutem em todo continente, sempre recordaremos da campeã Chapecoense”.

Mas além da dor e comoção pela perda de vidas, houve também uma preocupação de muitos amantes e profissionais do esporte com relação ao futuro do clube catarinense. Mas a preocupação sobre a continuidade das atividades do alviverde catarinense não duraram tanto. A CBF decretou luto oficial de sete dias e remarcou todas as partidas do futebol brasileiro. Os clubes brasileiros rapidamente se mobilizaram e no começo da tarde foi publicada uma nota oficial nos sites de vários deles se disponibilizando a emprestar jogadores para a Chapecoense a custo zero. Também solicitam a entidade máxima do futebol brasileiro, que conceda isenção de rebaixamento á Chape por três anos.

Fora do país, houveram outras ajudas oferecidas. O Benfica, de Lisboa, por meio do site oficial se dispôs a dar apoio na criação de condições para minimizar as perdas no acidente. No Paraguai, o Libertad emitiu nota disponibilizando todo o time titular para qualquer evento esportivo. O Atlético Nacional de Medelín, também em nota, sugeriu a Confederação Sul-americana de Futebol (Conmebol), que entreguem o título da Copa à Chapecoense em homenagem póstuma às vítimas e assim, o dinheiro do prêmio também fique com o time de Santa Catarina.

Além de apoio pelas redes, torcidas de diversos times brasileiros estão se mobilizando para ajudar também de forma financeira. Um torcedor do Grêmio que mora em Curitiba sugeriu no Facebook que torcedores se associem ao clube alviverde de Chapecó. Até as 18h00, a publicação já passava de 1600 compartilhamentos. Essa e outras campanhas estão surgindo na rede com iniciativa dos próprios torcedores de outros clubes que desejam ajudar para que o clube possa se reerguer depois de tal tragédia. Há também diversas mensagens incentivando a compra da camisa oficial do clube em forma de ajuda, mas até o momento do fechamento deste texto, nenhuma campanha foi oficializada.

O time de Chapecó já vinha conquistando a simpatia de torcedores de todo o país pelo exemplo de boa gestão e bons resultados em campo. Vale lembrar que é um clube com orçamento muito menor que os principais clubes do país e, em seis anos, saiu da quarta divisão do futebol nacional e alcançou a Série A, sem nenhum rebaixamento.

A Chapecoense fez uma campanha histórica, primeira final de torneio internacional, uma história com capítulos extremamente emocionantes e contornos épicos e que infelizmente não teve um final feliz. O time que vinha sendo comparada com o campeão inglês Leicester (que foi zebra e campeão) agora é comparado aos Mamonas Assassinas, que no auge da carreira, também nos deixaram em um avião rumo aos céus.

A parte mais importante para os fãs do futebol foi descobrir e testemunhar, mais uma vez, que o mundo da bola ainda respira, por mais que tenha perdido um pedaço. E que, mais do que nunca, não se trata apenas de um jogo.

#ForçaChape

Por Pedro Rodrigues