Jornal Contramão

Por: Henrique Faria Marques

O prefeito Alexandre Kalil implementou uma lei que proíbe a atuação dos Camelôs no Centro de Belo Horizonte e prometeu a eles Box em Shopping Popular da cidade, porém de acordo com eles, este fato não ocorrerá imediatamente.

A lei Nº 3841, de 17 de Agosto de 1984 diz:

Art. 1º A exploração de bancas de camelôs em logradouros públicos condiciona-se à autorização prévia da Prefeitura e será concedida em caráter precário, pessoal e intransferível, com vigência de um ano admitida a renovação.

Parágrafo Único. Para se conceder a licença deverá ser efetuado o pagamento de taxa anual, de acordo com a legislação vigente.

Ouça abaixo o que eles tem a dizer sobre isso.

Por Ana Paula Tinoco

Na segunda noite da 12ª Mostra de Cinema de Ouro Preto a noite foi embalada pelo bom e velho som da música popular brasileira. Com o tema Marginália, bandas de gêneros variados que iam do rock ao samba fizeram uma bela homenagem a MPB.

A banda ouro-pretana Seu Juvenal abriu a leva de apresentações com um show inédito “Maldito Rock” criado especialmente para o evento. Os amigos que fazem um som autoral e estão juntos desde 1997 e em seu terceiro disco intitulado “Rock Errado” são bem conhecidos no cenário musical da cidade: “O som deles é demais. Essa mistura que eles estão fazendo traz um som diversificado. É bem bacana”, comenta Clarisse Maia, aluna da UFOP.

Sobre essa mistura Renato Zaca, baterista da banda, deixa claro que quando o som é bom a mistura é bem vinda: “É muito interessante porque além de levar a música deles, dos malditos, para o público de Rock, a gente leva o rock para o público da MPB. Tá sendo divertido fazer essa ponte entre dois estilos que são tão próximos e não necessita de ter essa distância imaginária. Desde que seja uma arte verdadeira é maravilhoso”.

Sobre a Mostra os integrantes da banda mostraram excitação e prometem aproveitar as noites do evento, “A experiência tá sendo ótima, eu conheço de outras edições, mas essa foi à estreia do nosso show. Então vamos aproveitar do melhor jeito possível”, ressaltou o vocalista da banda Bruno Bastos.

A Seu Juvenal ainda conta com a participação de Edson Zaca na Guitarra e Tito no baixo.

Feito por:  Henrique Faria

No Brasil, o Cinema Nacional é comemorado no dia 19 de junho, data que homenageia o ítalo-brasileiro Afonso Segreto, o primeiro cinegrafista brasileiro que registrou imagens do nosso território em 1898, virando a seguir o filme: “Uma vista da Baía de Guanabara”. Desde então a sétima arte vem fazendo e sendo história no nosso país e para entendermos um pouco mais sobre a importância deste dia, o Jornal Contramão conversou com produtor, crítico e professor de cinema Ataídes Braga.

 

Jornal Contramão: Qual a importância do Dia do Cinema Nacional?

Ataides: Tem a importância, não necessariamente de uma data comemorativa, mas sim histórica, como uma espécie de certidão de nascimento e a partir daí vira uma necessidade de afirmação de todas as lutas desenvolvidas contra a hegemonia de cinematografias externas que em diversos momentos nos deixaram em uma posição de inferioridade e opressão.

Jornal Contramão: Estamos na Época de Ouro do Cinema Nacional?

Ataides: Sim e não, o cinema brasileiro é muito complexo, diversificado, do ponto de vista mercadológico, temos uma certa produção, majoritariamente comédias, que estão muito bem de bilheterias, mas existem muitos outros filmes que nem se quer são ou serão lançados.

Jornal Contramão: Quais as dificuldades de se fazer um filme independente hoje no Brasil?

Ataides: A ausência de uma política pública específica; falta de controle do mercado exibidor. Controlado ainda  hoje,  pela majors americanas; dificuldade, mesmo quando feitos, não conseguem distribuição e exibição, quase todas voltadas para filmes de mercado.

Jornal Contramão: Vemos cada dia mais faculdades abrindo o curso de CINEMA, quais seriam os benefícios e malefícios disso?

Ataides: A formação teórica e prática é fundamental, mas nem sempre essas faculdades tem professores capacitados e quando os tem, não tem a liberdade criativa para desenvolverem projetos que possam pensar o cinema. Eles só reproduzem o mesmo tipo de filmes e possibilidades que já estão saturados por aí.

 

Lasar Segall - Vilna, Lituânia 1891 - São Paulo, Brasil, 1957 (Foto por Henrique Faria)

Por: Henrique Faria

A exposição “Entre nós”, que aborda, em linhas gerais, o retrato da figura humana, passando por várias culturas diferentes e assim também por diversos tipos de artes, está fazendo sucesso dentro do Circuito Cultural de Belo Horizonte. Nos finais de semana a fila de espera está ultrapassando as portas de entrada do Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB. A mostra que já supera os visitantes da mesma exposição feita no estado do Rio de Janeiro (realizada pelo mesmo Centro Cultural), sendo assim, analisa-se que a cidade continua interessada em diversos modos da cultura, fugindo do padrão de bares e do clube da esquina.

A Educadora Agnes Antunes (23), do CCBB, explica esta diversificação entre artes e artefatos. No início da exposição, pode-se encontrar os Ibejis, que são artefatos criados na religião do Candomblé, a definição das estátuas está ligado ao nascimento de gêmeos que, normalmente são pares ou trios, significando os filhos desta mãe, porém só são feitas quando um dos dois morrem.

Nas próximas salas, é visto diferentes tipos de pinturas e fotografias, que retratam, em sua maioria, europeus – Duques e membros da burguesia. Também é encontrado obras que referem a negros e índios, assim como materiais utilizados para criação das obras.

O Engenheiro Civil, Antônio Costa Filho, de 60 anos, veio do Mato Grosso, onde reside, para ver a exposição e afirma que nesta mostra de arte, teve a oportunidade de ver obras que só imaginava ver pela nos livros de história e pela Televisão, abaixo ele aprecia uma das obras expostas.

(Foto por Henrique Faria)

Os coordenadores da exposição, parecem não ter se preocupado com o peso dos artistas e colocou as obras em ordem de sua preferência, pois não é visto as pinturas de Van Gogh e Édouard Manet com salas separadas ou em evidência, mas sim, sendo bem distribuídas entre as outras obras menos conhecidas.

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Informações da Exposição:

Disponível entre os dias 26/04 E 26/06.
Horário de Funcionamento: de 09h às 21h
Endereço: Praça da Liberdade, 450 – Funcionários, Belo Horizonte
Entrada Franca.

Fotografia: Lucas D'Ambrosio

Banda mineira, Pink Floyd Reunion apresenta espetáculo conceitual para o público de Belo Horizonte.

Reportagem: Lucas D’Ambrosio

As noites de Belo Horizonte são conhecidas, entre outras atrações, pela sua cena musical. Diferentes bandas se apresentam periodicamente pelos pub’s e casas especializadas, trazendo trabalhos autorais ou obras já consagradas. Um dos grupos que se destacam nesse cenário é o Pink Floyd Reunion.

Nos dias 10, 11 e 12 de março (sexta, sábado e domingo), a banda apresenta o espetáculo “The Wall, o filme”. O palco será o Cine Theatro Brasil Vallourec, na Praça Sete, região central de Belo Horizonte.

A Reunião

Criada em 2003 por um grupo de amigos, ela se consolidou na noite belo-horizontina pela fiel reprodução do trabalho criado pelo Pink Floyd. Outro ponto de destaque, são as apresentações conceituais, que misturam a música com reproduções e experiências audiovisuais, presentes em parte do repertório de shows da banda mineira.

Para os ensaios, um estúdio de garagem é o local para a reunião dos sete integrantes da banda: Marcelo Canaan, Fernando Grossi, Raphael Rocha, Fernando Nigro, Raquel Carneiro, Marcelo Dias e Thiago Barbosa. Entre uma pausa e outra para ajustes de instrumentos, um café e água servida em filtro de barro, alguns instrumentos aguardavam as mãos dos músicos para iniciarem os trabalhos.

Em um quarto de garagem, na cidade de Belo Horizonte, acordes, notas, cantos e ajustes abrigam o Pink Floyd Reunion. Fernando Nigro é quem conduz a bateria da banda.  Fotografia: Lucas D’Ambrosio
Entre um ajuste e outro, leva tempo até organizar todos os instrumentos. No meio de cabos, teclados e contrabaixo, os integrantes Thiago Barbosa, Raphael Rocha e Marcelo Dias se preparam para mais uma maratona de ensaios. Fotografia: Lucas D’Ambrosio
O processo de imersão da banda para a realização do espetáculo já dura três meses. Ensaios, encontros, reuniões e acertos finais se fazem necessários para que a identidade na fidelidade de execução possa ser mantida. Na foto, os fundadores da banda, Fernando Grossi e Marcelo Canaan. Fotografia: Lucas D’Ambrosio

Dentre incontáveis cabos distribuídos pelo chão, 14 instrumentos de corda, uma bateria e três teclados, os ajustes são realizados pelos integrantes da banda, que preparavam os equipamentos para o início do ensaio. Os pés nas pedaleiras sincronizavam os últimos ajustes para o seu início. O repertório? A trilha sonora do filme “The Wall”, inspirado no disco de mesmo nome (lançado em 1979), da banda britânica. Para o espetáculo, a banda terá a companhia de um coral e orquestra, comandados pelo maestro Rodrigo Garcia.

Veja a entrevista completa com Marcelo Canaan. O Produtor executivo, guitarrista e vocalista do Pink Floyd Reunion conta mais sobre o espetáculo “The Wall”: 

Arte e Fotografia: Lucas D'Ambrosio

Inviabilidade geológica e financeira são debatidas por especialistas.

Reportagem: Lucas D’Ambrosio

Afinal, Belo Horizonte pode receber linhas de metrô subterrâneas? Essa é uma questão que permeia entre os moradores da cidade. O ideal de ampliação das linhas metroviárias da capital ainda esbarra na dúvida e na incerteza nas condições geológicas da cidade para receber esse tipo de instalação.

Por muito tempo, acreditava-se que BH não possuía condições geológicas para linhas subterrâneas, o que foi combatido pelo especialista Edézio Teixeira de Carvalho, ainda em 1995, com a apresentação dos resultados de um estudo entregue à prefeitura da cidade, naquele ano (veja aqui).

Mapa com representação gráfica do Quadrilátero Ferrífero, no Estado de Minas Gerais. A união das serras do Curral, do Rola-Moça, da Piedade, do Caraça, de Ouro Branco e Itatiaia formam um quadrado que justifica o nome da região. A cidade de Belo Horizonte está localizada no extremo norte do mapa, às margens da Serra do Curral. Fonte: www.visiteminas.com/quadrilatero-ferrifero/.

De acordo com ele, “O terreno de BH é mais do que propício para a instalação do metrô. O conjunto de formação geológica permite a construção de linhas subterrâneas na cidade”. Dos dados levantados pelo especialista, de 70% a 80% do território destinado para o local de instalação, possuem condições favoráveis para isso.

A cidade de Gnaisse

Belo Horizonte está localizada em uma região conhecida como Quadrilátero Ferrífero, ao norte da Serra do Curral. A cidade está construída sobre o embasamento cristalino denominado Complexo Belo Horizonte, que é composto pela rocha gnaisse. A fama da região se deve pela quantidade de ferro que por aqui é produzida. Segundo pesquisa realizada no ano de 2014, pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), mais de 160 milhões de toneladas do minério são extraídas anualmente por aqui.

A pequena amostra de gnaisse que constitui o embasamento de BH. “Uma camada pode possuir quilômetros de espessura. São blocos que possuem condições para uma perfuração com dimensões viáveis à instalação de linhas de metrô, por exemplo”, afirma a geóloga Andréa Ferreira. Fotografia: Lucas D’Ambrosio.

Pode-se dizer que o gnaisse é a base que sustenta toda a região em que o quadrilátero está localizado. Porém, além dos complexos formados, como o embasamento, existem situações em que ele alcança a superfície. Ela explica que, nesses casos, “Quando está exposto ou aflorado, ele pode acabar sofrendo alterações ou intempéries como qualquer outra rocha que esteja à mercê das reações externas do solo”, comenta. É, por exemplo, o caso do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro.

 

Assim como a famosa Pedra Azul, na divisa de Minas Gerais com o Espírito Santo, o Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro (foto), é um exemplo de afloramento da rocha Gnaisse. Nesses casos, esse tipo de estrutura geológica, que serve como embasamento das camadas subterrâneas que normalmente estão no subsolo, ultrapassam a superfície sofrendo alterações do tempo e de intempéries. Fotografia: Gustavo Heringer.

Túneis subterrâneos

O que ambos os especialistas concordam é a possibilidade e condições da perfuração do embasamento de BH para a construção de túneis subterrâneos. Para Andréa Ferreira, o fato do gnaisse ser uma rocha compacta é a razão que sustenta sua opinião, “Ela fica estável quando se faz túneis”.

O embasamento é uma camada que pode possuir quilômetros de espessura. São blocos que possuem condições para uma perfuração com dimensões que possam atender a instalação de linhas de metrô, por exemplo. “Não é uma rocha que irá se desfazer. Porém, se o local de perfuração estiver fraturado (quando a rocha está quebrada), não é possível realizar a perfuração naquele determinado lugar”, explica.

A geóloga Andréa Ferreira abre as portas do acervo existente no Museu das Minas e do Metal – MM Gerdau. Ele possui um acervo próprio com amostras de diferentes tipos de rochas. Dentre elas, exemplares do gnaisse. Fotografia: Lucas D’Ambrosio.

Isso justifica a realização das análises geotécnicas, como os que ocorreram com as prospecções feitas em fevereiro de 2012. Este estudo avalia as condições de compactação da rocha. “Se o gnaisse estiver sem faturamento, ele é perfeito para esse tipo de perfuração. O buraco realizado para o túnel irá se sustentar por si só, excluindo a necessidade, inclusive, de escoramento”, conclui.

Para o engenheiro geólogo Edézio Carvalho, outro ponto deve ser levado em consideração é o elevado custo da operação que, para ele, é normalmente superestimado. Ele explica que o gnaisse, quando retirado do solo, pode ser reutilizado para a produção de brita, “Além de solucionar duas questões, uso dos resíduos e solução para o ‘bota-fora’ reduziria, inclusive, os impactos ambientais de uma possível perfuração e extração desses resíduos do solo da região metropolitana de BH”.

Ele defende que outras questões poderiam ser revistas para viabilizar o custo de operação dessa instalação como, por exemplo, “A descontinuidade das obras, impondo repetidas mobilizações e desmobilizações. O atraso tecnológico, a falta de concorrência, a falta de escala e melhores critérios de apropriação de custos”, finaliza.

Reportagens Anteriores:

BH continua na espera pela ampliação do metrô

Os metrôs da CBTU

Estudo aponta condições para linhas subterrâneas em BH