Literatura

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Por Giovanna Silveira – Métrica Livre – Parceira Contramão HUB

 

Quero ser dona logo.

Dona antiga, vivida, vencida

Dona respeitada, feita e ferida

Arrependida das más decisões mas

certa de vida

Dona do próprio tempo e do próprio gasto

Dona do amor e do marasmo

Talvez quem sabe

Dona de um espaço

Espero ser dona logo.

Não pra contar a mesma história de monólogo

Dona de mim, do eu lírico, ópio

Quero ser dona do meu real ilusório.

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Por Débora Gomes – . as cores dela . – Parceira Contramão HUB

Já era tarde quando cê me pediu que lhe explicasse, em palavras miúdas, o que era o amor. Lembra?! Eu fiquei assim meio sem graça (como sempre fico quando cê chega) e tive um medo danado de te decepcionar, dando uma resposta em que cê não acreditasse ou que não te fizesse sentir.

No rádio, o acordeon tocava uma velha canção que parecia ter saído das suas tardes de sol em Lisboa. Aí eu criei coragem pra te dizer que, pra mim, o amor era tudo aquilo: olhar por dentro devagar, encontrar o coração tranquilo, florescer tudo em volta e amanhecer sempre com esperança.

A gente perdeu o jeito de olhar as coisas devagar. Porque tudo fora da gente pede tanta pressa, enquanto o ponteiro do nosso relógio conta segundo por segundo, pra que a gente não desista de seguir. Vê? Tem amor nisso também. Tem amor na forma como a gente lida com o tempo, tem amor na forma do tempo entender nossa simplicidade.

Não é preciso ir tão longe, nem encontrar palavras grandiosas demais. O amor é essa delicadeza que toma a gente enquanto sorrimos ao pisar folhas secas no caminho de casa. É ver beleza na lua cheia apontando no horizonte ou encontrar desenhos nas nuvens de uma manhã azul. É olhar o outro com ternura. É abraçar os próprios medos com carinho. É esquecer o julgamento e acolher as imperfeições com silêncios. É transformar os vazios em doce melodia. É rir porque cê sorriu e isso, por si só, já é capaz de encher de amor a rua inteira.

Eu sei que já foi mais fácil viver. Mas não posso deixar de pensar em Guimarães Rosa, quando escreveu que “tudo que a vida quer da gente é coragem”. E precisa ter amor também. Pra olhar pra esses dias mais distantes, sem perder aquele encanto de viver, sempre presente nos começos.

Então, toda vez que cê pensar no amor, queria que se lembrasse de que ele vem de dentro, e pode se transformar em todas as coisas bonitas ao seu redor. Lembra de mim também. E das brevidades do nosso tempo…

Com amor,

 

Conheça também o coletivo We Love

Por: Kedria Garcia Evangelista

Fanfics são narrativas produzidas por fãs, onde o autor brinca com os personagens de uma obra já existente ou tenta reescrever a história de artistas. As inspirações vêm de várias vertentes: livros, filmes, games, figuras públicas, etc. Originada da abreviação da expressão fan fiction, que traduzindo ao pé da letra significa “ficção de fãs”, os autores se apoderam de uma parte da história original ou dos personagens e a/os recria(m), originando histórias paralelas.

Essas narrativas são difundidas na internet, geralmente em sites específicos. A maior parte do público que consomem esse material são adolescentes, majoritariamente feminina, o que não impede a participação de outros públicos, como conta Alan Rodrigo Silva de 30 anos, Designer de Jogos. “Era bem interessante, ocupava muito o meu tempo, agora não tenho tanto tempo assim para dedicar a leitura.”, complementa afirmando que existem ótimas fanfics bem escritas, em termos de técnicas e formas narrativas, tão boas quanto as que já foram ou estão sendo publicadas por vias editoriais tradicionais.

O primeiro contato de Letícia Diassis de 16 anos com esse universo, foi aos 10 anos em uma plataforma de escritores e leitores. “Escrevo e leio fanfics hoje em dia, apesar de estar quase sempre atrasada em relação à elas por conta do tempo pros estudos.”, a jovem participa de fóruns que debatem o assunto e acredita que as redes sociais são potencializadores para a divulgação, facilitando o acesso à elas. Para Natália Paixão, Divulgadora Científica de 23 anos, as redes sociais têm sua parcela negativa nesse ramo. “Tudo que difunde tem potencial de banalização, e em cima de algo livre isso ainda é maior, mas um dos fundamentos de trabalhos transformativos é justamente o acesso facilitado e acredito que as redes sociais funcionam mais como um meio de troca e abertura o que potencializa estes trabalhos.”

Um dos motivos de discussões sobre esse segmento é sua classificação como literatura. Entende-se que o conceito de literatura sofreu diversas alterações no seu conceito durante o passar dos anos, ainda assim é considerada uma “arte dos textos”. Alan acredita que as fanfics não deixam de serem menos literárias por utilizar a linguagem informal, “As fanfics de maior sucesso ainda são severamente criticadas pelo círculo literário, até entendo que a popularidade da linguagem menos erudita seduz bastante uma parcela considerável de leitores para reter receitas.”, justifica. Outra questão levantada é a edição e revisão, questionando a qualidade dessas narrativas, como aponta Natália Paixão. “Como tudo que é livre e de fácil acesso temos uma quantidade absurda de material, nem todo ele é bom, mas existem trabalhos que mereciam publicações formais e reconhecimento.”, conclui esclarecendo que existem escritoras que aprimoram o trabalho a partir dos feedbacks recebido pelos fãs.

Por se tratar de obras e/ou personagens que possuem direitos autorais, surge controvérsias a respeito desse nicho. A ideia inicial não é plagiar e sim dá outros caminhos a criação original, ou seja, não se visa lucros na produção das fanfics, além da enorme quantidade de publicações em sites e comunidades na internet, o que dificulta o processo jurídico. Por ser uma produção feita pelos fãs, as empresas aproveitam essa vertente como uma forma de publicidade. “O valor da fanfic é o seu papel como obra de transformação, fanfics são resultado de uma avaliação crítica das obras que admiramos e uma forma de empoderamento onde tornamos estes trabalho algo nosso.”, segundo Paixão.

 

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Por Auspicioso Acapela – Coletivo Parceiro Contramão HUB

_ Oi!

_ O que aconteceu?

_ Nada.

_ Como assim nada? São 3:40 da manhã!

_ O problema está aí.

_ Como assim? Do que você está falando?

_ Nada acontece, há tempos nada acontece.

_ Não estou entendendo, ontem mesmo você falou que “fez acontecer”.

_ O que eu fiz não teve consequências, logo, nada aconteceu.

_ Já tentou pegar um ônibus e seguir até o final dele, pra vê o que acontece?

_ A questão é que estou cansada de tentar, eu não consigo sozinha. Estava pensando em fazer aquela besteira.

_ Ainda é cedo! Tenta fazer outras besteiras. Podemos, sei lá viajar amanhã, o que acha?

_ Já pensei em várias outras coisas mas essa besteira não saí da minha cabeça. Não chora, vai ser melhor pra todo mundo.

_ Você não entende, eu quero você aqui!

_ Mesmo infeliz?

_ Seria muito egoísmo?

_ Sim.

_ E o que você quer fazer não? Seria pior, seria falta de gratidão, fiquei ao teu lado esse tempo todo.

_ Besteiras são egoístas, é o único momento em que pensamos só em nós mesmos.

_ Mas você é tão nova.

_ Imagina continuar até a velhice com nada acontecendo?

_ Se você já está decidida, porque me ligou?

_ Acho que queria ouvir sua voz.

_ E a Roberta?

_ Está dormindo!
_ Vai ser amanhã pela manhã?

_ Sim! Estou com medo, mas se não for agora, quando será?

_ A Roberta precisa de uma mãe!
_ Vou continuar sendo mãe dela.

_ Você sabe que você não terá mais tempo, que vai ter que deixá-la em uma creche com outras pessoas cuidando, não sabe?

_ É um preço a se pagar. Sei que não terei tempo para ajudar na sua educação e que provavelmente outras pessoas ensinaram tudo que batalhei para protegê-la.

_ Então, por que você irá fazer isso?

_ Porque não se pode viver de sonhos.

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Foto Reprodução Internet

Por Débora Gomes – . as cores dela . – Parceira Contramão HUB

enquanto eu não te esqueço, eu planto lavandas no jardim pra que façam companhia pros meus girassóis no próximo outono. e também pra que me passe o tempo sem que eu perceba, o entanto em que espero.

enquanto não esqueço, ‘j’apprends à parler français’, tomo chá antes de dormir, escrevo poemas quando amanhece, desenho às terças-feiras, e faço ioga às quintas pra equilibrar os chakras.

enquanto não te esqueço, eu acordo cedo aos domingos, só pra ter mais tempo pra esquecer. e frequento poucos bares, saio pouco pelas ruas, quase não atendo ao telefone, omito notícias pra ninguém me encontrar.

enquanto não esqueço, parei de colecionar cartões postais, cadernos de anotações e canções em tom maior. parei de sorrir em público também. e de escrever sobre você a cada esquina.

enquanto não te esqueço, penso em ir embora uma porção de vezes: pro sul, pro Amapá, pra Paris. qualquer lugar em que fosse mais fácil esquecer e pra onde você não pudesse chegar, nem em pensamento..

enquanto não esqueço, descubro que você nunca se lembrou. leio poemas que dizem que o amor, assim como os retratos deixados no fundo da gaveta, desbota e amarela.

guardo você no coração. tranco e jogo fora as sete chaves. dessa vez cê não sai. e eu te esqueço, antes do último pôr de sol…

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Por Auspicioso Acapela – Coletivo Contramão HUB

Sabe, escrever é uma arte muito complicada. Às vezes, a ideia não flui de jeito nenhum e, em outras, com poucas palavras a ideia já está ali. Ela pensa nas pessoas que trabalham e criam o hábito de escrever todos os dias, é um ótimo aprendizado. Sinceramente, ela está criando este hábito, se está difícil, muito. Para que o leitor se aventure por entre aquelas linhas, é necessário que ao escrever, ela também mergulhe naquelas palavras. Se ao escrever, ela está dispersa ou mesmo está escrevendo por escrever, não existe texto, linha ou mesmo uma ideia.

Sabe aquela sensação de querer saber sobre a história, mas não quer que chegue ao final? É a mesma sensação ao escrever, ela quer contar a história e ao mesmo tempo, não quer que acabe, pois para ela aquela história ainda não ponto final. Poucos gostam daqueles finais abertos, ou mesmo quando termina de maneira inacreditável e aquele “mas” fica preso em sua garganta.

Mas a maior importância ao escrever aquele momento é saber que a partir disso, um universo está sendo criado e em cada olhar de cada leitura, muitos outras emoções e personagens serão inseridos constantemente. 

Texto escrito: Melina Cattoni

 

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