Literatura

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Por Débora Gomes – . as cores dela . – Parceira Contramão HUB

Hoje eu queria postar aqui um texto bem bonito. Pra que você, logo ao ler a primeira frase, fosse tomado por encanto e contentamento. Pra que seus dias se enchessem de poesia, seus passos caminhassem com esperança, seu coração palpitasse alegria até não caber mais dentro do peito. Pra que você tivesse esperança, acreditasse em seus sonhos e resgatasse as metas não cumpridas em 2015 para começar a nova lista de 2016. 

Um texto tão bonito que te faria levantar dessa cadeira para correr à beira mar ou caminhar na praça mais próxima de onde você está agora, sem pressa, sem preocupação. E que aí, o ar entrando pelos seus pulmões fizesse com que você se sentisse mais vivo do que antes, mais disposto do que ontem, mais feliz do que já foi. E então você teria vontade de sorrir. E sorriria! Pro porteiro, pro vizinho, pra senhora esperando o ônibus passar na volta pra casa. 

Queria escrever um texto que te fizesse viajar pra onde nunca foi, carregando na mala só o necessário. Ou te fizesse ter vontade de revisitar aquele lugar que está quase perdido na memória. E escrevesse uma carta para o seu melhor amigo de infância. E ligasse para os seus pais pedindo desculpas pela briga da semana passada. E fizesse as pazes com aquele amor que não terminou bem. E que você se perdoasse… por todas as mágoas que causou, principalmente a si mesmo.

Um texto tão bonito que te faria crer de novo no amor. Como você nunca acreditou antes. E então você olharia pro mundo com mais ternura, abraçaria mais apertado, acarinharia com mais afeto, plantaria mais girassóis e não teria tanto medo de ser feliz. Porque descobriria que felicidade machuca sim, mas carrega tanto contentamento por dentro, que logo teria cicatrizadas as feridas. E são essas cicatrizes que ensinariam você que cada tombo é a força maior pra se levantar mais forte.

Hoje, se conseguisse, queria escrever o texto mais bonito que seu coração já ouviu, só pra afagar sua alma e acalmar suas desilusões. No entanto, tudo o que posso fazer é desejar que você viva. Com leveza, com simplicidade, em paz. Que você tenha sonhos, mesmo que não se realizem. Que você tenha alegria, mesmo que ela se esbarre vez ou outra na tristeza. Que você, que leu esse texto grande até o finalzinho, sinta uma pontinha de amor brotando no coração. E que ela cresça, cresça, cresça tanto, até virar uma árvore de sombra fresca de descanso pros que se achegarem à você.

É o que lhe desejo… 

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Por Auspicioso Acapela – Coletivo Parceiro Contramão HUB

Normalmente a vejo nos parques e praças, mas também vejo nas ruas da cidade. Seja para se divertir ou como veículo de entrega, qual bairro não tem aquele morador que faz pães e bolos caseiros, que lá pelas 17hrs da tarde já começamos a sentir aquele cheiro maravilhoso e, logo em seguida, ouve o sino da bicicleta no início da rua batendo de porta em porta. 

Virar a esquerda, a direita. Seguir reto, parar. Acelerar e frear. Retornar,

saltar, empinar. Tudo isso para conhecer o mundo e se conhecer, sentir em curtas e largas frações, todos os sentimentos de uma vez, diversas e diversas vezes. Talvez o segredo de tudo seja como guiar uma bicicleta.

Texto rimado por: Melina Cattoni

Fotografia: Guilherme Martins

Texto e foto editados: Werterley Cruz

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Por Giovanna Silveira – Metrica Livre – Parceira Contramão HUB

Ela ficaria lá por horas, se deixassem. Sentada na cadeira de canto da cozinha, contando aos netos ou para quem passasse por ali as infindáveis histórias de quando ainda morava no interior, e vivia como a ovelha mais desgarrada que se pode imaginar de um rebanho. E com saliva de orgulho renascido, ela então narra a memória mais vívida que ainda centelhava a cabeça. E começava:

 – Eu já contei pra vocês da vez em que eu fugi do colégio e nunca mais voltei?

– Já Vó, foi aquela vez qu..

– Pois então, foi assim: Eu tava lá na aula de matemática do 3° ano do colegial, naquela época se passasse pro 4° ano já poderia fazer um magistério sabiam? Érr, então, uma certa vez minha professora viu que estava conversando demais e trocando bilhetes com minhas colegas, e foi aí que ela fez a ameaça e gritou pra sala toda ouvir: “LUZIA!! Amanhã quero você aqui na frente da turma, recitando a tabuada toda! Não quero saber de chororô. Se não vier vai reprovar!” – Eu fiquei vermelha até o último fio de cabelo… E no meio da aula comecei a maquinar como eu ia fazer pra me livrar de recitar a tabuada na frente de todos os meus colegas. Até que eu pensei… ah! Seria tão ruim assim reprovar? Pff, nem liguei. Só sei que pensei no dia seguinte em vestir meu uniforme, e ao invés de seguir o percurso pra escola, segui pro canavial de papai. Já que eu teria que passar umas horas fora, que fosse trabalhando, não é? E assim eu fiz… uma, duas, três semanas trabalhando no campo. E eu gostava bem viu! Até trouxe minha irmã, que já não estava mais gostando das aulas, e ela se juntou ao meu esquema de trabalho voluntário na fazenda de papai.

E tudo estava indo bem, até o dia que a casa caiu pra nós duas –

Sempre quando chegava a esse clímax da história, ela sorria de uma forma indescritível;

– Meu pai foi para a beira da estrada esperar que a gente voltasse da escola, com o grupo de meninas que sempre nos acompanhavam… até que ele notou que nós não estávamos lá, e chamou a atenção delas: “Cadê Luzia? Efigênia? Não voltou com vocês não?” – E a partir daí só sei que elas contaram a verdade nua e crua, nós fugimos da escola por causa da matemática.

Eu morria de medo de papai, ele fazia o porte bravo e ditador, que só de olhar você já sabia que estava em apuro… então ele veio, bufando de volta para a casa contar para minha mãe a novidade e convocar meus irmãos a procurar as irmãs noviças pela cidade. Foi aí, que como já era hora, voltamos pra casa de uniformes e mochilas como se nada tivesse acontecido e nos deparamos com a cena, o circo pegando fogo e já não tinha mais jeito, contamos tudo.

– É engraçado lembrar, que depois de tanto esbravejar, quando papai soube que eu e Efigênia matamos aula para trabalhar no canavial, ele abriu um sorriso maior que o rosto…

A essa altura ela gargalhava!

– Papai era terrível, Deus o perdoe…

 Sua feição muda para uma nostalgia quase palpável

– Eu fugi da matemática, fugi da vergonha. Não me arrependo não, pelo menos nunca esqueci a tabuada!

Era impossível não ouvir. Era impossível não emprestar os ouvidos a cada detalhe minucioso e manjado da história de fuga mais engraçada e astuta já tida em tempos. E tão somente ela sabia como contar suas histórias… reforçar um detalhe, esconder outro, só para fazer parecer um interesse súbito dos ouvintes a cada vez que contava. Feliz de quem, assim como eu, ouviu os contos vivos de Luzia.

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Em memória da luz mais bonita que já brilhou sobre mim, Luzia.

Por Davi Abner – Start – Parceiros Contramão HUB

Jaime-1

Após o episódio dramático de domingo (6) passado de Game of Thrones, a estrela Nikolaj Coster-Waldau, que interpreta Jaime Lannister, sentou-se com EW para discutir o destino de seus personagens.

 

Primeiro, Coster-Waldau falou sobre aquela grande batalha e o que era ver os homens de seu personagem queimados vivos. Ele disse:

 

“Mesmo que Daenerys seja o herói e os Lannisters sejam os vilões, ser queimado vivo não é ótimo. É uma coisa terrível quando este lança-chamas monstruoso vem e incinera milhares e milhares de homens que estão apenas fazendo seu trabalho “.

 

No final da batalha, vemos Jaime indo em direção a Daenerys em uma tentativa final de destruir a Mãe dos Dragões. Sabemos que ele é salvo de uma certa incineração no último momento quando ele é jogado na água, mas Coster-Waldau observou que a direção do roteiro dizia: “Um dos nossos principais personagens está prestes a morrer …” Coster-Landau deu uma visão no que seu personagem poderia ter pensado naquele momento, ele decidiu correr o tempo para terminar a batalha. Ele disse:

 

“Jaime é tão idiota que ele pensa por um segundo:” Se eu posso fazer isso, posso ganhar tudo em uma Ave Maria “.

 

Enquanto Coster-Waldau não mencionou se Jaime vai sobreviver, ele notou que ele não vê um futuro brilhante para o personagem. Ele notou:

 

“Não vai acabar bem com Jaime Lannister, não consigo imaginar”.

 

A série conta com Peter Dinklage como Tyrion Lannister, Nikolaj Coster-Waldau como Jaime Lannister, Lena Headey como Cersei Lannister, Kit Harington como Jon Snow, Emilia Clarke como Daenerys Targaryen, Aidan Gillen como Petyr Baelish, Liam Cunningham como Ser Davos Seaworth, Carice van Houten como Melisandre, Rory McCann como Sandor “O Cão” Clegane, Maisie Williams como Arya Stark, Conleth Hill como Varys, Alfie Allen como Theon Greyjoy, John Bradley como Samwell Tarly, Gwendoline Christie como Brienne de Tarth, Kristofer Hivju como Tormund Giantsbane, Isaac Hempstead Wrightcomo Bran Stark, Jerome Flynn como Bronn, Iain Glen como Jorah Mormont, Hannah Murray como Gilly.

 

Game of Thrones continua no próximo domingo às  22:00 horas na HBO.

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 Por Auspicioso Acapela – Coletivo Parceiro Contramão HUB

Você não deveria nem piscar
Inclusive, sua piscadela deveria ser pecado
Como ousa esconder por uma fração de segundos
o caramelo, doce, suave, que seus olhos possuem?
Porque o tom do castanho que tem na íris 
é tonalidade de amor e não de olhares desprendidos.

O par de olhos mais bonitos que já pousou em mim
Que já percorreu todo o caminho do meu corpo nu
Que se aventurou nas estradas, das entranhas da minha alma
Que faz os pelos da nuca arrepiarem quando fixa seu olhar no meu
O par que me beijou sendo muitos sentidos e apenas um ser

Você não deve piscar
Nem de brincadeira
Nem por desfeita
Nem por se encontrar entre minhas pernas
Por saborear-me
Por me ver em baixo enquanto seu corpo treme 
pedindo mais a minha boca 
Nem quando a última coisa que resta 
é fechar os olhos e esperar o prazer percorrer o corpo.

Não pisque
Não quero me perder
Perdendo-te 
de vista.

Poema escrito: Ked Maria
                                                                                                                                       Poema editado: Werterley Cruz
Desenho: Hamilton do ARTMANHA (https://goo.gl/BJY4pM)

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Por Ked Maria

Na semana passada quando o trabalho já estava no quadro e minha cabeça tentava organizar meus próximos dias, todos da sala contavam que o meu trabalho seria o melhor de todos. O professor com aqueles olhos de quem sempre espera algo caiu sobre mim como uma chuva torrencial. O trabalho consistia em escrever uma narrativa sobre como são os meus dias, para a maioria é bem fácil, afinal falar de algo que se vive é fácil comparado aos outros trabalhos que envolvem pesquisa e apuração.

Cheguei no laboratório convicta do que iria escrever, seria a melhor narrativa de toda a minha vida. Daria um toque de humor no convívio com minha família, uma vez que, minha casa é bastante barulhenta e cheia de energias boas. Uma pitada de seriedade no trajeto casa-faculdade, descrevendo as viagens de ônibus, incluindo os pensamentos da espera até as epifanias na janela. Iria concluir com os estudos, fazendo um paralelo com uma viagem que fiz nas férias. Isso com certeza me garantiria a nota total e uma afrouxada da corda no meu pescoço chamada semestre.

Sentei na minha cadeira preferida, em frente ao melhor computador do laboratório. Liguei com o friozinho da barriga queimando, sempre fico nervosa quando alguém espera algo de mim. Quase no automático, entro na minha conta do Google Drive, crio um novo arquivo de texto e me deparo com uma folha branca, meu maior inimigo. Sofro por antecipação quase sempre, por coisa boba ou por não saber me conter, porém, essa folha branca me encarando e o tic tac do relógio fazem meu coração acelerar e sinto o suor escorrendo.

Tento afastar esses pensamentos negativos e vou tentar escrever, estou aqui para isso e será isso que farei. Coloco minhas mãos no teclado e logo me dou conta: não sei escrever. Respiro. Não é possível não saber escrever. Olho para aquelas letras brancas com o fundo preto e o desespero toma conta. Olho ao redor para ter certeza que ninguém ali percebeu o que está acontecendo. Olho novamente para o teclado, aqueles símbolos não fazem sentido algum. É como se fosse uma criança tendo o primeiro contato com o alfabeto, porém eu já tenho vinte e dois anos e já estou na faculdade. Com o coração na boca, sinto olhares e penso que as pessoas ao redor sabem como eu sou burra e não sei escrever, ou talvez isso seja da minha cabeça. Calma, tenho que tentar resolver isso com calma.

Quem não sabe escrever, porra?

Eu fiz o fundamental? Fiz.

Eu fiz o ensino médio? Fiz.

Eu fiz provas para entrar em uma universidade? Fiz.

Eu fiz redações? Fiz.

Então como diabos eu não sei escrever?

Começo a roer unha, arrancar a pelezinha do dedo, rodo o pescoço e digo bem tranquila em meus pensamentos: “Você só está ansiosa”. O estômago parece acordar e entrar em pânico, revira e revira. Os ombros começam a tentar ajudar e pesam, pesam muito. Os batimentos estão cada vez mais rápidos, as mãos estão geladas e suadas, os olhos enchem de água e a única coisa que quero é ir embora deitar em minha cama.

Preciso entregar hoje esse trabalho, pedir para adiar seria idiotice. Imagino-me justificando, falando que não posso entregar na data prevista pois não sei escrever. Todos iriam rir de mim, além do mais, o professor jamais aceitaria isso. Na verdade preciso ir embora. O laboratório está ficando cada vez mais abafado mesmo com o ar condicionado no 17°C, estou ficando sem ar.

Pego o celular, coloco os fones de ouvido e solto um suspiro de alívio ao lembrar que minha senha para desbloquear o celular é um desenho, aperto o símbolo de “play”. Fecho os olhos, deito de forma que minha nuca se apoia no encosto da cadeira, aumento até o último volume e deixo a música me levar. Aos poucos meus ombros relaxam, o coração vai entrando no ritmo e minha cabeça só consegue pensar naquele trabalho pronto. Depois de 10 minutos escutando músicas aleatórias da minha playlist já consigo encarar aquela tela. Pouso meus dedos sobre o teclado e em sintonia com a música eles seguem tocando cada tecla, as palavras fluem de acordo com meus pensamentos.

Tenho certeza que não foi o melhor trabalho que já entreguei em toda a minha vida, mas fico tranquila por saber que ninguém saberá dessa minha crise com a página em branco.