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Por Ana Paula Tinoco

Orientação sexual, aparência física, gênero e etnia, apesar de estarmos em 2017, ainda são pontos fortes no que tange adolescentes e crianças quando o assunto é bullying. De acordo com pesquisa realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) no ano passado, 100 mil crianças divididas entre 18 países são vitimadas por outros jovens em escolas e ruas. No Brasil, a porcentagem gira em torno dos 43%, número que se aproxima de nossos vizinhos de América: Argentina (47,8%), Chile (33,2%), Colômbia (43,5%), Uruguai (36,7%).

Dados liberados pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) são ainda mais alarmantes, em 2015 um estudo apontou que uma criança a cada 10 sofre constante violência física, psicológica ou ambas em escolas de todo o Brasil. Para Aline Ottoni Moura Nunes de Lima, psicóloga, professora e coordenadora do curso de psicologia, o primeiro passo é reconhecer o problema e admitir que isso acontece em ambiente escolar: “É fundamental encararmos de frente que as situações de violência vivenciadas cotidianamente em nosso país acontecem também dentro das escolas, ou seja, a primeira ação é efetivarmos políticas públicas de enfrentamento à violência no Brasil. ”, explica.

Contudo, apenas reconhecer o problema não é o bastante. É preciso capacitar professores para que os mesmos possam lidar com o problema de forma clara e objetiva. Segundo Lima o corpo docente da instituição assessorados por uma equipe multidisciplinar (psicólogas, assistentes sociais, pedagogas e outras profissionais) terão maior êxito ao desenvolverem estratégias junto ao próprio corpo discente para que assim se possa superar os ataques cotidianos, “O melhor intermédio é o diálogo. ”, arremata.

É preciso que se tome medidas preventivas e assim colocar fim em situações de constrangimento que podem deixar sequelas permanentes em quem sofre esse tipo de ataque. E isso se prova com o relatório que embasou a pesquisa da ONU, “O bullying é uma experiência danosa, apesar de evitável, para muitas crianças no mundo. Não importa como seja definida, as pesquisas internacionais recentes com crianças relatam uma taxa entre 29% e 46% de crianças alvo de bullying nos países estudados”, afirmou o responsável.

Relatos, que trazem em suas linhas a tristeza das vítimas, são constantes em blogs, páginas especializadas provando que esse tipo de violência, principalmente a psicológica, pode deixar sequelas e moldar a personalidade de quem se encontra no olho do furacão. É o que relata Heloísa*, estudante de 20 anos que tímida e retraída, atribui ao que sofreu o fato de ser uma pessoa ansiosa e com dificuldade de socializar, “Hoje eu sou uma pessoa completamente complexada, não consigo fazer coisas simples sem muito esforço. Cheguei a fazer uma intervenção cirúrgica para me adequar e não vou mentir falando que fiz por saúde física, foi por estética e por medo de nunca encontrar meu espaço na sociedade e ainda não encontrei.”.

Ainda segundo o relatório da ONU, a história de Heloísa* é algo real e preocupante, “Quando as crianças são afetadas pelo bullying, elas não conseguem tirar vantagens das oportunidades de desenvolvimento aberta a elas nas comunidades e escolas nas quais vivem”, afirma.

Como saber se meu filho ou filha sofre bullying?

Aline Ottoni Moura Nunes de Lima, psicóloga, professora e coordenadora do curso de psicologia explica que há sinais, mudanças na personalidade da criança ou adolescente que podem ser notados, como baixa autoestima, queda no rendimento escolar, resistência ou recusa em frequentar o ambiente escolar, choro frequente, isolamento. E completa, “Os pais ao se ocuparem dos filhos e das filhas tem condições de identificar mudanças no comportamento e buscar a escola e os serviços de saúde para superação do estado de sofrimento.”.

Brigas e agressões sistemáticas:

É preciso entender o que é bullying e como ele se difere de brigas comuns entre adolescentes. Elas que estão relacionadas diretamente à conflitos se distanciam das agressões sistemáticas, já que estas estão ligadas diretamente à intimidação, “Uma pessoa ou grupo colocam a outra pessoa numa situação de inferioridade tal que a deixam sem condições de defender-se. Enquanto as brigas fazem parte da constituição psíquica dos indivíduos e dos grupos as agressões sistemáticas causam dor, angústia e tem a intenção de discriminar e/ou excluir a pessoa do grupo social. ”, esclarece Aline Lima.

* A estudante não quis revelar seu nome.

*Arte Patrick Cassimiro/ Nova Escola

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Por Ana Paula Tinoco

Na década de 1950, o feminismo abriu portas para novas discussões e uma delas foi a liberação sexual e a construção da identidade feminina, pauta que foi possível após o lançamento do livro “O Segundo Sexo”, de Simone Beauvoir. O livro, que foi publicado originalmente em 1949, traz em suas páginas um estudo que leva o mito da “natureza feminina” a cair por terra A obra que dividiu opiniões e gerou polêmicas há quase 70 anos pode ser considerada atual quando levamos em consideração como a sexualidade da mulher ainda está envolta a muitos tabus.

A Psicóloga Tatiane Tinoco de Santana enfatiza que a ignorância, preconceito e intolerância da sociedade é o que leva o prazer sexual feminino a ser tratado como algo ruim. Males que atribuídos a falta de informação e diálogo leva mulheres de todas as idades a se perderem em relações sexuais não satisfatórias. “As pessoas precisam admitir que gostam e necessitam de sexo.  Ainda é feio para a mulher admitir que sente tesão, prazer, tem orgasmos, conhecer o próprio corpo; o sexo ainda é visto como pecado, impuro. ”, enfatiza.

Segundo Santana por ser uma parte importante na vida da maioria das pessoas, o sexo praticado entre aqueles quem possuem relacionamentos de longas datas ou não, deve ser construído em cima do diálogo, “quando tem liberdade para conversar sobre o assunto, tudo fica mais fácil, o sexo tende a ficar melhor. ”, a psicóloga ressalta que a falta de interesse do parceiro ou parceira podem atrapalhar a busca por algo mais satisfatório, “Muitas mulheres enfrentam problemas e dificuldades para falar sobre o assunto com seus parceiros/parceiras. ”, finaliza.

Entretanto, quando se trata de casais com longos relacionamentos, Santana esclarece que a maioria das mulheres se queixa por não haver cumplicidade e companheirismo em suas relações o que dificulta o diálogo. Mas, quando essa barreira é derrubada as relações amadurecem e o sexo se transforma em troca como é relatado pela esteticista de 24 anos Caroline* que está em um relacionamento há 7 anos e vai mais além ao dizer que a cumplicidade deve ser presente em todos os âmbitos da vida, “Acho que seu parceiro tem que saber de tudo que você sente ou se não sente para buscar uma melhora para os dois”.

Santana elucida que em muitos casos “os companheiros são mais fechados, pensam mais no próprio prazer. Alguns ainda são agressivos, não tem conversa”. A profissional salienta ainda que é preciso o contato, o cuidado um com o outro, algo que só surgirá através do diálogo, da disponibilidade do casal e aceitação que se torna possível minimizar essas dificuldades.

Como é o caso da instrutora de academia Silvana Silva de 46 anos, que compartilha suas duas experiências, descobertas, de maior significação, “A primeira vez foi com um parceiro, não estava preparada. Foi acontecendo, tipo por impulso do momento. Na segunda experiência foi a verdadeira descoberta, com uma parceira. Aí sim foi o que queria viver e sentir. Com total cumplicidade! ”. E deixa claro que a falta dessa parceria atrapalha e que a amizade e conversa são essenciais, “É muito mais do que o momento, um impulso, uma necessidade. ”, afirma.

 

*  A entrevistada não quis revelar seu nome.

Por Hellen Santos

A saúde vai além de só pensar em se cuidar. Uma boa saúde é a combinação de estabilidade física, cerebral e biológico. O conjunto de exercícios físicos e uma alimentação saudável, cortando o consumo de gordura e aumentando ao consumo de água e também um momento de descanso e muito lazer.

No Brasil foi decretado o dia 05 de agosto como o dia Nacional da saúde para homenagear o médico Oswaldo Cruz pelo seu trabalho pela erradicação de perigosas epidemias (exemplos como febre-amarela e varíola) que angustiava o Brasil, no final do século XIX e início do século XX. A data tem como objetivo promover a informação para população sobre a importância da educação sanitária. Esta data visa despertar valores relacionados a saúde, cuja definição vai muito além da ausência de doenças, pois está diretamente relacionada a presenta de uma autêntica qualidade de vida no cotidiano da população, que abranja sentidos mentais.

Em mais um dia Nacional da Saúde, ainda percebemos pouco avanço na saúde. Em nosso país vivemos um momento delicado quando se trata da saúde pública. Para a enfermeira Rogéria Celestino de 48 anos e com mais de 29 anos de carreira na saúde pública o que falta para melhoria da saúde pública é Ética dos gestores e comprometimento real com as necessidades da população.

Segundo a enfermeira, para a melhoria das condições de trabalho na rede pública precisaria de melhores áreas físicas, qualidade e quantidade de materiais, melhor remuneração e melhores condições de trabalho. “Falta também um setor de Recursos Humanos no suporte dos profissionais. Se a remuneração fosse boa diminuiria as cargas horárias e com isso os profissionais ficariam em apenas um emprego consequentemente a qualidade da assistência aos pacientes melhoraria, infelizmente o profissional da saúde não é valorizado”, diz Celestino.

Gustavo Henrique Machado Miranda de 28 anos, Assistente Administrativo na Prefeitura de Belo Horizonte, desde 2005 diz que a falta qualificação dos gestores prejudica o rendimento, “Muitos que lideram não possuem o conhecimento necessário. Praticamente para ser um gestor da saúde precisa ter só curso superior e ser concursado, eles esquecem da necessidade de conhecimentos administrativos públicos”.

Miranda destaca ainda que o que precisa melhorar na saúde é a transparência. “Ouvimos muito que o governo disponibiliza vários valores para a saúde pública e o que observamos aqui de dentro é a péssima aplicação desse dinheiro, por exemplo: necessita de um material para as unidades; não existe uma pesquisa mais qualificada e a compra é feita sempre de um determinado grupo que tenha algum interesse político e quanto compra esse material é escasso, isso sem contar nos desvios”.

 

O acumulo de atividades é uma das preocupações de Miranda que revela o favoritismo de um profissional. “A gestão sobrecarrega um profissional que desempenha melhor as atividades do setor, esquecendo de outras pessoas que também trabalham no local. Grande parte dos servidores públicos trabalham sem compromisso, apenas com intuito de receber o salário no fim do mês, sem se preocupar que prestação de serviço é para população e nós somos a população”.

Indignado Miranda desabafa: Quem realmente trabalha é apenas um “peão” do sistema e não tem mérito nem valor. “Os profissionais que possuem apoio político, esse já é extremamente valorizado, até por não fazer nada e as vezes nem trabalhar diretamente com a saúde”.

 

Condições de Trabalho

 

Muitas unidades não possuem o básico para que o profissional na saúde possa exercer o seu trabalho, é uma questão que sempre é levantada, mas sempre resolvem da mesma forma, dizendo que há verba.

Pesquisas realizadas pela Datafolha, destaca que 90% dos brasileiros estão insatisfeitos com o Sistema Único de Saúde (SUS). As reclamações vão de ausências de profissionais, demora no atendimento e em marcação de exames, até higiene sanitária dos hospitais públicos na opinião dos usuários. Já a dos profissionais é a ausência de pagamentos em dia. O Brasil tem muito a evoluir e um dos pontos a mudar e a valorização dos profissionais da saúde.

O cuidado com a saúde é um hábito que todos devem ter. É importante lembrar de nossa saúde todos os dias. Priorize sua saúde, pense em menos em trabalho e mais em sua saúde, sem ela não somos nada!

Com a proximidade do carnaval, que já começou oficialmente dia 11 de fevereiro em Belo Horizonte, os foliões, especificamente o público feminino, vem manifestando um descontentamento típico das festas de rua: banheiro químico. Além do desconforto e falta de praticidade, as mulheres alegam o perigo que a falta de higiene das cabines oferece a saúde. Como alternativa contra estas questões, um produto que está no mercado vem ganhando visibilidade: o dispositivo urinário feminino descartável, que permite que a mulher faça xixi em pé.

Em grupos de venda destinado ao público feminino, o acessório vem sendo procurado:

 

 

O Contramão entrou em contato com a empresa de BH, Proteja Mulher, que está no mercado há dois anos e desenvolveu um dispositivo descartável. O Rafael, Gerente de Marketing do empreendimento, conta que a ideia surgiu durante uma dificuldade vivida pela esposa do idealizador do produto, “Uma dificuldade simples, porém, que necessitaria de uma solução rápida, ecológica, barata e que ninguém até o momento havia atinado para isso. A partir daí criamos vários protótipos e realizamos vários testes até definir o formato ideal”.

Engana-se quem pensa que fazer “xixi em pé” é um tabu para as mulheres, Rafael explica que o produto vem sendo muito bem recebido no meio feminino, “Temos um feedback muito positivo, tanto da ideia, da funcionalidade e eficácia, quanto da praticidade no uso, manuseio e armazenamento”, enfatiza o gerente afirmando que o produto tem sido bastante indicado também por obstetras.

A funcionalidade e eficácia do produto vai muito além da praticidade, a ideia é fazer com que a mulher não se exponha a algum risco de contrair doenças e infecções ao encostar em várias áreas de um banheiro público. Isto é, não somente ao assentar, mas também ao dar descarga, pegar na maçaneta, levantar ou abaixar a tampa do vaso sanitário e várias outras possibilidades.

Outro ponto ressaltado pelo gerente de marketing é da utilização por gestantes, pessoas com dificuldades fisioterápicas, utilização por laboratórios quando em exames de urina e, claro, não precisar fazer malabarismos para fazer um simples xixi.

As compras podem ser feitas online pelo site contato@protejamulher.com.br, ou pelo telefone: 994676790. Algumas farmácias de BH já vendem o produto e, em breve, a empresa listará lojas que fornecem o dispositivo. Acompanhe pela página do FACEBOOK.
Por: Bruna Dias

 

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Teste rápido de HIV, Hepatite B e C e Sífilis - Foto:Cristine Rochol / PMPA

O novo Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) será oficialmente inaugurado próximo ao carnaval, mas, já está funcionando. Destinado para diagnóstico e prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), é possível realizar gratuitamente os exames para Hepatite B e C, Sífilis e HIV. O CTA fica localizado no 5º andar dos Centros de Saúde – Centro-Sul da Rua dos Carijós, 508, no centro da capital mineira.

O atendimento no CTA é totalmente sigiloso e tem como objetivo diagnosticar e aconselhar as pessoas sobre as dsts, independente do resultado do exame. Os testes demoram, em média, 45 minutos. Os exames são simples, basta um furo no dedo para coletar uma amostra de sangue para o diagnóstico de Hepatite B e C, Sífilis e HIV. O teste é seguro.

Segundo a coordenadora e farmacêutica do CTA, Rosangela Nascimento, as pessoas com resultados positivos são encaminhadas a um infectologista ou para suceder a exames complementares. “Daqui a pessoa é encaminhada para os serviços de referência. Às vezes, ela vai para a fila do serviço especializado, mas, é orientada até sair a consulta”, explica.

O número de DSTs aumentou nos últimos anos por falta da utilização de camisinha. Em 2016, o estado de Minas Gerais registrou 8027 casos de sífilis. Já em 2015, Boletim Epidemiológico Mineiro (BEM) informa que desde 2010 o número de casos de HIV crescem 10% ao ano. O diagnóstico antes da evolução de um vírus, pode proporcionar uma vida saudável mesmo com uma de qualquer doença.

O CTA começou a funcionar no dia 29 de dezembro e de acordo com Nascimento, como ainda não foi inaugurado, a procura está sendo mais baixa que os outros centros de testagem.  Porém, mesmo que o movimento esteja sendo baixo,ela diz que do dia 29 de dezembro até 17 de janeiro já atenderam quase 200 pessoas.

O horário de atendimento para coletagem é de 08 horas às 12 horas e de 13 horas às 16 horas, mas o CTA fica aberto até as 17 horas.

Texto: Amanda Eduarda

No mês de janeiro é comemorado o Dia do Farmacêutico. Para celebrar essa profissão que desempenha um papel fundamental na saúde da sociedade, o Jornal Contramão percorreu farmácias do centro de Belo Horizonte e conversou com a farmacêutica Isabelle Figueiredo Marques, 30, que há sete anos atua na área. Em em nosso bate papo, ela conta sobre o trabalho desempenhado pelo profissional da área.

Contramão: Como é a atuação do Farmacêutico que trabalha nas drogarias?

Isabelle Marques: Ela se baseia na orientação do paciente quando ele chega no balcão de uma drogaria ou farmácia. Estamos sempre ao lado do balconista, que está realizando o atendimento. Nosso papel é verificar as receitas, ver se as doses dos medicamentos estão adequadas, se a patologia (doença) está descrita, se a idade coincide com o paciente, se o remédio é adequado para ele ou para quem irá efetuar o consumo. Também verificamos se ele tem noção da sua correta utilização ou se utiliza outros medicamentos que possam ter contraindicação. Se não houver qualquer tipo desses quesitos, a dispensação (liberação do medicamento para o paciente) é realizada. Se ele tiver qualquer dúvida sobre o medicamento, resolvemos todas elas na hora. Efetuamos um visto dessa receita para ele estar ciente da dispensação. Liberamos esse paciente com o medicamento e com todas as informações necessárias para a sua adequada utilização.

Contramão: Como é realizada a capacitação do Farmacêutico?

Isabelle Marques: A maioria das faculdades capacitam os alunos que serão farmacêuticos. Além da faculdade, as empresas de grande porte também oferecem uma capacitação profissional para que a dispensação seja adequada. Quando o farmacêutico sai da faculdade, ele ainda não tem toda a informação prática necessária para atuar no mercado. É comum que as chamadas “farmácias de bairro” ainda peque na capacitação do profissional. Ele deve buscar, durante sua carreira, o maior número de informações para poder se capacitar cada vez mais. Temos a obrigação de ajudar com resolução de dúvidas e informações sobre patologias e formas adequadas na utilização dos medicamentos.

Contramão: Quais são as diferenças entre a farmácia de manipulação e as drogarias comuns?

Isabelle Marques: As farmácias de manipulação trabalham com a matéria-prima básica dos medicamentos e irão produzir conforme as necessidades de cada um dos pacientes. Por exemplo, se eu preciso de uma fluoxetina de 10 mg, mas minha mãe precisa de 22,5 mg, será na farmácia de manipulação que este medicamento será produzido. Nela, os profissionais irão manipular aquela quantidade específica que a pessoa precisa. Além disso, as drogarias vendem um número menor de medicamentos e possuem um menor número de opções de produtos controlados, em relação às farmácias de manipulação.

Contramão: Você acredita que os medicamentos produzidos no brasil são seguros?

Isabelle Marques: Definitivamente, não. Existem estudos fora do país que são muito superiores para pesquisarem esses medicamentos. Lá fora, vários remédios já foram suspensos e aqui no Brasil ainda existem alguns que continuam circulando. Por mais que exista uma instrução e uma orientação do farmacêutico, esses medicamentos ainda estão no mercado e as pessoas continuam consumindo cada um deles. (Nos Estados Unidos a pílula Diane 35 e a dipirona, comumente consumidas no Brasil, estão proibidas desde 2015).

Contramão: Quais os riscos da automedicação?

Isabelle Marques: Nosso papel é oferecer a medicação de forma responsável, em que os farmacêuticos serão instruídos para realizar orientações à população sobre os remédios referentes à cada patologia. Infelizmente a saúde pública no país é muito escassa. As pessoas que não tem acesso ao SUS ou à planos de saúde privados, recorrem às farmácias buscando soluções para as suas patologias. Tentamos ajudar dentro dos limites que existem na nossa atuação, oferecendo por exemplo, medicamentos que não precisam de prescrição. Tentamos trabalhar da melhor forma possível para ajudar o paciente. Mas é importante lembrar que o médico é o responsável pelo diagnóstico do paciente, enquanto que os farmacêuticos são os responsáveis por oferecer meios para o tratamento mais adequado à cada caso.

Contramão: Como é o controle de qualidade dos remédios produzidos no Brasil?

Isabelle Marques: Existem três tipos de medicamentos: referência, genéricos e similares. Este último já possui maior qualidade devido a uma lei que saiu em 2015 e exige que ele tenha o mesmo padrão de qualidade dos que são referências. Aqueles que passaram e foram aprovados por testes de bioequivalência e biodisponibilidade, possuem eficácia similar aos ditos de referência. Agora, esse tipo de medicamento (similar) são intercambiáveis. A lei provou que se você tiver uma prescrição de medicamento referência e não tiver condição de pagar por ele, se existir no mercado um similar autorizado pelo teste da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), ele pode ser trocado pelo outro. Nesses casos, fazemos a dispensação do medicamento similar. Isso prova que quando o paciente toma o medicamento, sua utilização terá efeito e sua qualidade será próxima ao referencial. Eles são praticamente iguais, senão a vigilância não autoriza a troca.

Contramão: Qual o recado que você passa como farmacêutica:

Isabelle Marques: Estamos aqui para ajudar a população. não queremos o consumo inconsciente dos medicamentos. É comprovado que a automedicação pode causar outras patologias, muitos casos de intoxicação e muitas vezes por medicamentos banais. Tá na dúvida, procure o farmacêutico. Existem várias farmácias no país inteiro e lugares que tem sua responsabilidade e sabem valorizar o papel do farmacêutico. As pessoas devem começar a enxergar com bons olhos o trabalho que realizamos. Os pacientes têm medo de conversar com seus médicos. É aconselhável que as pessoas procurem pelo nosso trabalho com antecedência, para tentarmos promover a melhor solução possível às suas patologias. Nosso papel é esse, promover a saúde e orientar, da melhor forma possível, os pacientes que nos procuram. Evitar que eles se desgastam com a compra equivocada de medicamentos.

Reportagem: Lucas D`Ambrosio

Arte: Isabela Castro e Laís Brina