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Texto Patrick Ferreira
Fotografia Lorena Gabrielle

Neste domingo (15), ocorreu o tradicional projeto “Concertos no Parque”, com a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e Coral lírico. O show que Belo Horizonte está acostumada a prestigiar teve uma levada diferente. Com regência de Silvio Viegas, a orquestra representou a ópera norte-americana “Porgy and Bess”.

A ópera conta a história de um casal negro que teve uma história de amor interrompida por Sporting, um malandro que seduz Bess após a morte de Crown, que é assassinado. A abertura do FAN uniu o útil ao agradável. Encantou o público com a música clássica, celebrando a raça negra.

Neste ano, o festival homenageia o protagonismo da mulher negra. Para a coordenadora do festival, Rosália Diogo, a edição busca evidenciar o talento da mulher negra: “A expectativa é que a gente consiga dar luz e visibilidade dentro da produção cultural; queremos amplificar os fazeres e as vozes das mulheres negras em BH e no mundo”.

Rosália Diogo | Foto: Lorena

O público esteve muito caloroso e interessado ao que via. Entre a plateia, estava a DJ que é formada em música erudita Black Josie que afirmou que arte negra é toda arte de matriz africana: “A gente misturou e modificou algumas culturas africanas com as brasileiras, isso é arte negra”. Muito empolgada, a produtora cultural Nic Omedes que estava como espectadora exaltou a organização do evento: “Estou impressionada com a organização de Rosália Diogo. É de arrepiar!”.

Dj Black Josie | Foto: Lorena

A obra “Porgy and Bess” traz uma mistura de ritmos como Gospel e Jazz com o Erudito. O diretor cênico, Fernando Bicudo acredita que a mistura de culturas fortalece a arte em todo o mundo e exemplifica: “Pablo Picasso em sua fase abstracionista, cubista, fez grandes obras depois de ter se inspirado em uma exposição de arte africana em Paris, com desenhos da cultura milenar africana”.

Fernando Bicudo | Foto: Lorena.

Em sua 9ª edição, o FAN, que celebra a mulher negra, trará a Belo Horizonte um valor que é muito para caber na palavra “arte”. Traz voz, oportunidades e conscientização social. Sem dúvidas, o festival veio para saudar o brilho forte da pérola negra e apertar o laço afro, unindo todos em um só grito de liberdade e resistência.

Foto por Henrique Faria

Por Henrique Faria

Os artistas Felipe Barbosa e Rosana Ricalde, deram novos ares para a Praça da Liberdade na semana do Dias das Crianças com a exposição Jardins Móveis. ‘Esculturas-bichos’ foram instaladas fora das paredes do Memorial Minas Gerais Vale, os artistas expandiram os jardins do museu para a praça que abriga as obras até amanhã, Dia das Crianças.

Foto por Henrique Faria

A exposição, que conta com objetos de cores chamativas e tamanhos diferenciados é um ótimo atrativo para as crianças que passam diariamente pela área.

Com a ideia de misturar arte e natureza os artistas utilizaram de animais infláveis (balões e boias), comercializados nos mercados populares para montar as esculturas. Os animais integram a paisagem da praça e chamam a atenção dos pedestres que passavam pelo local.

Foto por Henrique Faria

O público gostou da ideia de a exposição estar do lado de fora do museu. O professor de português e intérprete de libras, Bruno Amaral, 27, diz que é a ideia é sensacional, pois várias pessoas ainda possuem um bloqueio ao se tratar destes espaços. “Trazer isso para fora, é o mesmo que buscar para dentro. Liberta a imaginação e a vontade de conhecer”.

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Por Geovanna Silveira – Metrica Livre – Parceira Contramão HUB

 

Até quando pertencer

não até quando esgotar

saber usar seus pesos

e suas medidas

a fim de memorizar

quem eu sou

quem eu era

se muda

ou fica

e o que me espera

até quando não houver

dito popular

de um copo meio cheio

ou meio vazio

confio no transbordar.

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Por Ana Paula Tinoco

Sabe quando você se pega pensando “não vou assistir isso porque é só mais uma modinha? ”, eis que em uma tarde de domingo entediante você se entrega. E o necessário para que se torne uma maratona é tão sútil quanto respirar, é automático.

Breaking Bad foi criada por Vince Gilligan para o canal por assinatura AMC e sua primeira exibição foi em 2008. Bryan Cranston (Walter White), Anna Gunn (Skyler White), Aaron Paul (Jesse Pinkman), Dean Norris (Hank Schrader), RJ Mitte (Walt Jr.) e Betsy Brandt (Marie Schrade) formam o elenco principal da trama. Trama essa que tem como cenário o Estado do Novo México, Estados Unidos.

Elenco Breaking Bad – Foto Divulgação

O enredo a princípio parece mais do mesmo, Walter White (Cranston) é um professor de química frustrado, frustração essa que vem do fato de se ver lecionando para adolescentes no ensino médio e um emprego de meio período em uma lava a jato. Tudo isso após abrir mão de uma carreira bem-sucedida como químico. Na trama White é ganhador de um Nobel, nesse meio tempo ele lida com a paralisia cerebral de seu filho Walter Jr. (Mitte), a gravidez de sua esposa Skyler (Gunn) e dívidas que se acumulam.

Em meio as adversidades, White é diagnosticado com cancro no pulmão. Amedrontado e desesperado com a morte inevitável, ele embarca em uma situação perigosa e entra para o mundo do narcotráfico, situação que se acentua quando ele reencontra seu antigo aluno Jesse Pinkman (Paul) e unindo seus conhecimentos, os dois dão início à maior fábrica de Metanfetamina de que se tem conhecimento.

E é a partir desse encontro que Breaking Bad nos prende, mostrando situações adversas como no episódio “Cat’s in the Bag” da primeira temporada em que os dois tentam “desaparecer” com um corpo usando ácido e uma banheira. O progresso da trama se dá aos poucos. Nessa questão Gillian foi cauteloso em não entregar logo de cara o que viria daquela dupla improvável e de todos que o cercavam. Até mesmo a motivação de Walter, que clamava ter feito tudo aquilo por sua família, aos poucos foi sendo dosada à medida que percebíamos o quanto ele era egoísta.

Aaron Paul (Jesse Pinkman) e Bryan Cranston (Walter White) – Foto Divulgação

As interpretações são fascinantes, não é preciso dizer que Cranston está incrível no papel de White. Sua evolução é gritante, de homem apagado cheio de incertezas, ele parte para uma personalidade forte e implacável quando dá espaço ao seu alter ego Heinsenberg. E essa transição acontece de maneira tão rápida e esplendorosa, que loucura e lucidez se separam e se unem tão rápido quanto ao Flash correndo na velocidade da luz.

Por outro lado, Pinkman é inseguro. Inteligente, ele se perde em situações caóticas e desnecessárias que sempre levam White a intervir para facilitar sua falta de noção, como namorar uma menina ex usuária de drogas, sendo ele um traficante. Mas, aos poucos ele também vai conquistando seu espaço, e Paul entrega interpretações magníficas nas cenas dramáticas. E ao longo da série, seu personagem que é apenas um coadjuvante cresce de tamanha forma que podemos considera-lo também principal.

Porém, não é apenas de Cranston e Paul que a série é feita. Vale a pena destacar a atuação de Mitte, o ator que interpreta Walter Jr., ele que também possuí uma leve paralisia cerebral, se entrega ao personagem e nos permite a sentir angústia como na cena em que ele se despede do pai.

Skyler, interpretada por Gunn, é uma mulher insatisfeita com o casamento e constantemente crítica. No entanto, assim como White, sua personalidade muda quando ela descobre quem é seu marido e o que vemos nos traz um misto de angústia e raiva por ela se permitir viver em uma situação tão desesperadora.

Elenco premiação Emmy 2014

Os outros personagens que fecham esse círculo são Hank Schrader (Norris) e Marie Schrader (Betsy Brandt). Brandt está lá para que sua irmã Skyler possa crescer em cena, o que não desmerece o trabalho da atriz. Seu marido Hank, um investigador da polícia, fica por conta das cenas de tensão de uma possível descoberta da vida dupla de White, é ótima a cena em que ele o ajuda a colocar uma mala no carro e o questiona sobre o peso da mesma e diante da resposta de White que aquilo seria um milhão de dólares, ele ri.

Destaque também para os “vilões”, pode parecer uma forma de estereótipo se levarmos em consideração que todos são latinos, entretanto são eles os responsáveis pelas melhores cenas de stress. E apenas eles conseguem impor respeito quando se trata de White. O melhor deles? Gustavo Fring, também conhecido como Gus. Interpretado por Giancarlo Esposito, é ele o responsável por uma das cenas mais icônicas da TV.

Trecho da morte de Gus

Breaking Bad começou de forma tímida, sobreviveu à greve dos roteiristas e no fim mostrou a que veio, conquistou inúmeros prêmios e é considerada por muitos críticos uma das melhores já produzidas.

Também estão no elenco: 

Bob Odenkirk (Saul Goodman), Jonathan Banks (Mike Ehrmantraut), Jesse Plemons (Todd Alquist), Matt L. Jones (Badger), Raymond Cruz (Tuco Salamanca).

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Por Débora Gomes – . as cores dela . – Parceira Contramão HUB

Minha pequena Alice,

soube, pelo teu silêncio, que a solidão voltou a lhe fazer companhia. e é por isso que lhe escrevo: pra pedir que tenha calma. e que entenda que é preciso muito cuidado nesse caminho de desalinhavar tantos nós. 

eu sei que setembro foi um mês de difíceis esperas e de pouco chão. e sei também que esse vazio que por hora te preenche, tem mais a ver com suas escolhas do que com o seu destino em si. entenda, minha querida, que nem sempre vai ser tão fácil e nem sempre tão difícil: às vezes coração da gente pede uma trégua. e é no equilíbrio desses dias mais sombrios, que ele vai entender a beleza de ser um pouco só.

daqui a pouco já é outro dia. e quando a gente abraça a solidão com um pouco mais de calma, ela perde toda sua grandeza e se transforma naquela palavra simples, que te canto desde pequenina: 

“encontra na sua solitude,
a paz que dança no seu coração”

por isso, querida, nesses últimos dias antes do seu ano acabar, trate de tirar esse peso que carregas nos ombros. e volte a sorrir, a escrever, a dançar. que ainda tem muito encontro dentro do seu passo e muito amor pra em ti envelhecer. 

guarda teus anseios nas estrelas e cumpre teu caminho em ser do amor. ainda há muito o que aprender, antes do fim da tua estrada.

com amor,
Bisa.

ps.: sei que a primavera te traz mais espinhos que rosas, mas aprende a perdoar. 
e cura essa desavença com água salgada, manjericão e alecrim.
tem suspiro na gaveta, te esperando voltar. 

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Por Larissa Ohana 

O relacionamento romantizado morre quando a realidade te chama. Quando o amor do outro acaba. Quando o seu amor acaba. Será que acaba?

A finitude das coisas se encontra no entendimento de que o tempo, ah! Ele não existe. Portanto tudo acontece de forma relativa. Algo não precisa chegar ao fim para acabar. Principalmente quando a força para manter aquilo chega a ser maior que o próprio desejo.

Por falar em desejo, é preciso desejar ser feliz plenamente consigo antes de submeter-se à situações que levam à perdas íntimas irreparáveis. Isso faz com que percamos de vista o limite de nossa capacidade crítica, causando estragos emocionais que poderiam ser evitados quando o amor é enxergado como apenas amor, e não como a resolução e base de tudo (ou nada).

O amor é um sentimento expansivo, quando estimulado, pois pode se alastrar sem medir proporções, ou até ser tão tímido a ponto de ser confundido com insensibilidade.

Vale pensar que relacionar-se é fundamentado na troca. Toda troca necessita de duas energias fluindo. Quando uma energia para de ser alimentada, não significa que o amor se esgotou, demonstra apenas que a fonte (o corpo), não deseja investir mais como era anteriormente. É nesse hora que entra a compreensão de que cada um é de uma maneira específica, e mudar de direção durante o caminho faz parte do crescimento, pois este leva cada vez mais à ampliação do olhar e visualização de novas perspectivas.

Bom, quanto à viver um amor sem romantizá-lo, é válido presenciar sempre o momento presente, sem idealizar o futuro e sem se apegar ao que passou. Afinal, a concretização das coisas é natural e o controle delas não faz parte do nosso alcance. Já a felicidade sim, essa é responsabilidade individual, fazendo parte das escolhas feitas diariamente, incluindo parar de viver sonhando e sonhar vivenciando.