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Por Auspicioso Acapela – Coletivo Parceiro Contramão HUB

Quantas vezes ela já assistiu séries médicas e já se deparou com situações de emergÊncia. A sirene da ambulância cada vez mais estridente até a chegada ao hospital, as portas se abrem, dois médicos apostos escutando a situação inicial do paciente. Em meio a isso, o coração dispara e a maca é levada rapidamente em direção a sala de cirurgia. Cenas que para ela, a espectadora, são passadas em segundos. Para, logo após, mostrar a próxima cena, podendo ser mais longa ou mais curta, minutos ou segundos. Assim, logo a eMergência é controlada, e vida que segue.

Quantas vezes ela já assistiu séries de suspense e já se deparou com situações de desespero. A personagem está sozinha, uma sombra enorme aparece sobre ela, uma corrida para qualquer lugar é iniciada, tudo que a mente e o corpo pedem é ‘não para’. De repente o blackout na tela, ouve-se apenas o digitar dos dedos. Passa-se o tempo, ao amanhecer a personagem é encontrada desacordada. Ao final, o pensamento é, o que ocorreu naquele período de blackout.

Quantas vezes ela já assistiu séries avulsas e se identificou com o contexto. Quantas vezes ela já desejou mudanças e não teve meios para isso.

Quantas vezes mais situações de

emergência 

serão necessárias para acontecer algo.

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Por: Ícaro Ambrosio, Ana Lívia Nascimento.
Atualização Henrique Faria
Fotos: Arquivo pessoal Felipe Arco

Escrevendo trechos de poesias nas lixeiras, o grafiteiro e poeta Felipe Arco cravou seu nome na história capital mineira e também como um dos artistas contemporâneos belorizontinos. Neste mês, fomos surpreendidos ao saber que o artista estava sendo processados pela Prefeitura de Belo Horizonte, por suas poesias serem expressas nas lixeiras das cidades. Entenda clicando aqui.

Na última edição do jornal impresso de Fevereiro/Março de 2017,  publicamos uma matéria sobre o grafiteiro, onde contamos um pouco sobre como ele lida com a arte.

É com a mão direita que Felipe Arco transcreve suas percepções e sentimentos para o papel, ou para a parede. Conceituado como artista contemporâneo, o jovem belohorizontino, de 25 anos, soma palavras em poesias e adentra no universo das cores para desenhar em forma de grafite.


“Sou mais uma alma em busca de viver e compreender o amor”, ele se define. Definição lógica, já que o amor é praticamente a base de toda sua construção artística. Seja na poesia, com descrições de cenários ou petições de amor entre os homens, ou no grafite, com rebeldia e alusão a liberdade, sempre que há uma brecha, o garoto abre o coração.

Ao conversar, Felipe se mostra tímido, talvez medroso e com certeza cético. Talvez a sua espontaneidade que permita tais percepções. Felipe é claro e não sente vergonha de seu jeito. De barba grande e cabelo bagunçado, suas características transparecem pelo sorriso – ele sorri com os olhos e os lábios acompanham. Chega a ser sedutor. O linguajar é livre. Felipe não se incomoda com as palavras. Apesar de um empório lírico nos textos, os seus dizeres são desprendidos de aceitação ou reputação. Gírias são presentes, opiniões também. Daí nota-se uma diferença entre o homem e o artista.

Chamaremos o homem de Felipe e o artista de Arco para ser possível distingui-los. Felipe é mais tranquilo, desgarrado e batalhador. O Arco parece ser mais exigente, maduro e didático. Na correria do dia-a-dia, os dois caminham juntos ou separados, depende da circunstância. Arco é inspiração, é referência. Felipe é guerreiro, é exemplo. Exemplo de um jovem que tinha um dom e um proposito e os queria deixar fluir. Por acreditar no Arco, Felipe lutou, venceu e tornou-se poeta. E com passar do tempo, também se fez grafiteiro.

Foi no metrô de Belo Horizonte que toda sua poesia ganhou notoriedade. Em busca de público, Arco escrevia e vendia sua poesia por apenas R$0,50. Entre um vagão e outro, o ainda garoto tentava inserir ideias e inspiração em seus leitores de momento. Ele queria ganha-los, e conseguiu.

Felipe é da rua, do povo. Gosta de pintar e ver filme. Tem admiração pelos infinitos tons da cor azul. Tem preferência pelo sabor azedo. É apaixonado por limão e por pratos que levam a fruta. Sonha marcar a história e ser feliz. Acredita que político seja todo ser que se preocupe com o bem da comunidade, bem mesmo, como a palavra vinda do grego significa. Acredita que cada ser e povo tem sua cultura e considera linda a pluralidade cultural. Diz que o ser humano devia ser mais respeitoso com as diferenças e entender o valor presente em todas as manifestações artísticas. Defende a arte.

Foi há dez anos, ainda aos treze, que Arco entendeu que seu lugar era na arte. Foi exatamente quando conheceu mais afundo da cultura Hip Hop. Mas foi nos últimos quatro anos que ele a tornou um propósito. Hoje, além de propósito, a arte é um ofício, tanto para Arco quando para Felipe.

Ele se lembra bem do dia que se deu conta do sentido da poesia. Foi quando uma criança, de aparentes três anos, segurava um de seus trabalhos e se entretinha com o papel, que por sinal estava de cabeça para baixo. De imediato, Arco pensou “até criança que não sabe ler entende poesia”. Depois veio o choque de realidade e Arco se deu conta de que o que vale não é a arrecadação. A função do artista não é entreter. É inspirar. E ele trabalhou a inspiração.

Arco comenta de inúmeros casos de pessoas que o procuraram para contar com se sentiram ao ler sua poesia. O garoto compreendeu finalmente que ele não escolheu a arte, foi a arte que o escolheu por necessidade. Como se ela o quisesse para ser uma espécie de portão entre a subjetividade e a realidade. Neste dia Arco e Felipe se misturaram e se tornaram um só – Felipe Arco. Para a transição, inspirações não faltaram. Foram muitas. As mais fortes, segundo o próprio, são Gandhi, Basquiat, Renato Russo, Leminski e Mano Brown. “Acredito que sou uma mescla desses artistas. Tem muito deles em mim”, ele diz. Forte também foi a presença do Rap em sua vida. Rima improvisada e impulsão nas palavras poderiam ter o tornado um MC, mas ele não trilhou este caminho. E desta rebeldia nasceu a paixão pelo grafite.

Novo e artista.

Felipe Arco já se considera um escritor e um grafiteiro. Comenta que escreve para desabafar e para se esvaziar. “Escrevo por necessidade, pra mudar vidas e tocar corações. Fazer a revolução em cada vida é meu maior objetivo” ele diz. Sua poesia é confusa em um ponto: a dedicatória. O poeta tem intimidade com as palavras, a impressão é que ele escreve diretamente para alguém. Que os demais leitores saibam captar! Ao ser questionado sobre a possível dedicatória, o poeta confessa que nem sempre escreve para alguém, mas na maioria das vezes sim. Ele acredita que é mais verdadeiro.

Sexo não é um tabu na obra de Felipe. Ele trata a relação com naturalidade e formosura. Em um de seus poemas, o qual ele descreve uma relação com uma mulher, o poeta torna o corpo da parceira uma verdadeira obra de arte e deixa o prazer em segundo plano.

A preocupação é com a descrição de um momento de união entre homem e mulher. “Acredito que o sexo seja algo natural do ser humano, uma ligação maravilhosa e única. Eu acho fascinante a forma que duas pessoas podem se ligar, por isso escrevo”, explica. Com estas palavras, outra vez, nota-se a afinidade pelo amor. Desta um amor carnal e dual, o qual é o tiro de largada para a vida.

Apesar de Felipe confessar que não há um critério para determinar o que escrever, é notável um encaixe semântico de rimas ao longo dos versos. Geralmente, os poemas do artista nascem de uma única palavra, de forma bem natural. “A medida que as coisas vão desempenhando, as palavras soam na minha mente e assim nasce o processo criativo”, confessa.

Tato, paladar, audição, visão e olfato, os sentidos do corpo humano, aparecem, não como sensações, mas como identidade, na obra de Felipe. O jovem dá uma brecha para o leitor absorver e sentir o ambiente de sua imaginação. Ele é certo de que tal absorção depende da concentração e sensibilidade de cada um, mas acredita neste caminho. Jogada inteligente. Oferecendo uma paisagem não vista, é causada a curiosidade no leitor e, de certo modo, o torna fiel.

O Escritor

O Felipe escritor é um cara que não aceita viver de outra coisa. Poesia é o que move o coração dele. Liberdade é o bem maior da sua vida e escrever é isso para ele. Outra característica é a humildade. Felipe é humilde, não com as palavras, mas sim com os seus ídolos. “Obrigado é o que eu diria se caso visse um deles”, confessa o rapaz. “Também diria que palavras mudam vidas, inclusive mudaram a minha” conclui. Sempre a um passo de distância do seu entrevistador, o Artista parece preservar pelo limite entre leitor e ídolo. “Acho que tanto o escritor, quanto o leitor tem uma vida particular. Saber separar vida pública se vida privada é o ideal, pois muitas vezes rola uma invasão desnecessária”, comenta.

Como todo bom artista inspirado, o nosso não deixa de escutar música brasileira. Sempre com um fone de ouvido, Felipe predilecia a escuta de suas melodias favoritas antes de escrever, durante não. Ele é disperso, perde a concentração fácil. Ainda mais se for um Rap, Raggae ou MPB, na caixa de som.

Depois de tanto sentimento meloso, a impressão que fica é que nosso personagem é apenas romântico. Mas não. Felipe é agitado também. Talvez por isso que se familiarizou com o seu segundo dom, o grafite. “O grafite me chamou atenção desde a primeira vez. Foi amor à primeira vista. Eu sabia que aquilo tinha vindo para ficar”, comenta sobre o primeiro contato com a manifestação artística.

Treino. Treino. E treino. Esse é o caminho para se tornar um bom grafiteiro. Habilidade está longe do pensamento de Felipe. Para ele, tudo é uma questão de passo-a-passo unido da inspiração. E se perguntarem ao rapaz o que é o grafite, ele não mede palavras e brilho no olhar para responder.

“Considero o Graffiti uma arte marginalizada, assim como o pixo é a voz da cidade. Uma parede colorida tem um poder transformador”, respondeu. Sua preferência é a utilização de cores diversas, mas confessa que preto e o branco tem seu valor. O homem, que se torna um garoto brincando um giz de cera, ao desenhar. A latinha de spray em sua mão é manuseada com tanta facilidade e precisão que parece até uma refeição. E, ao contrário do nosso sistema digestivo, ele come a imperfeição e defeca a perfeição. Uma parede desgastada, velha e úmida, nas mãos de Felipe se tornam uma tela. Se há ele for dado alguns minutos, uma Monaliza pode nascer. A percepção pode não ser a mesma de Da Vince, mas a pureza da obra sim. Ele é transformador.

Para ele, não há um parâmetro para concluir a coloração e a tonalidade correta. Tudo depende da obra a ser feito, da mensagem por trás desta obra e do local onde ela será feita. Felipe compara o grafite com a pintura clássica, mas teme o preconceito. “ É impossível ser traduzido, mas é um dos poucos momentos em que me sinto pleno. Apesar de estar ganhando algumas galerias, o preconceito ainda é muito grande. Principalmente com o real Graffiti”, ele diz.

Depois de ganhar o metrô, o moço ganhou a rua, e dela não quer sair mais. Ele balança a cabeça em sinal negativo e rir timidamente quando a pergunta é sobre quantas obras grafitadas ele já fez. Já há quase quatro décadas, a arte mistura ideias e revoluciona a cidade. Felipe concorda.

E apesar do preconceito da sociedade contra o grafite, o Artista não tem preconceitos contra uma prima desta arte – a pichação. Mesmo sabendo que o ato de pichar é tratado como crime, Felipe prefere não observar desta forma e dá ao pichador uma posição de libertador dos próprios monstros.

“O pixo, apesar de ser uma transgressão, não deixa de ser arte. Tem um processo criativo, tem uma mensagem por trás também. É um outro fenômeno, mas que é muito criminalizado” é o que ele pensa a respeito.

Agressivo é a melhor palavra para utilizar ao tratar o Felipe Arco grafiteiro. Diferente do Felipe poeta, no qual a melhor palavra é amoroso. A pergunta que este texto reponde é: Dá para manter dois sentimentos tão extremos acesos juntos ou realmente é necessário se dividir em dois para viver cada um deles?

Um jovem apaixonado por adrenalina. Se preocupa pouco com estética. Dá maior importância ao amor. Vive num mundo onde a importância é a mensagem por trás da realidade. Às vistas do seu público, Felipe Arco é apenas um, mas no íntimo de quem o observa com o coração, o jovem apostador é dois. Sob sua percepção de si mesmo, o Artista pode ser quantos quiser, basta sentir.

Por Débora Gomes – . as cores dela . – Parceira Contramão HUB

ouça, minha querida. não há placas em todos os lugares, dizendo o que você deve ou não fazer. algumas vezes você precisará escolher o caminho sozinha, com todos os “poréns” e “sorrisos” que isso implica. eu sei que os ventos não estão muito favoráveis, que querer desistir é uma forte opção, que invernos são épocas preciosas, em que as coisas decidem por si sós se ficam ou vão. 

mas tudo são condições.

vê-se por agosto, seu mês de maior agouro, que resolveu lhe sorrir ao ponto de te deixar esquecer – não fosse pelos feriados – em que dia estamos. veja bem: há sim uma chance de ter amor em todas as coisas. desde que se tenha, ainda, força nos olhos, certezas nos passos e delicadeza no coração. aos trancos e barrancos – sendo bem clichê – as coisas se ajeitam. porque amor, pequena, não é pra qualquer um, não. 

é preciso coragem e um retrato bonito para emoldurar quando as tempestades passarem. porque elas passam. vai por mim: já vi muito sol depois de tanta chuva e trovoada. é tudo questão de esperar… pra ver.

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Por Jeferson Cirilo – Start – Parceiros Contramão HUB

Linda Hamilton está preparada para reprisar seu papel icônico como Sarah Connor na sexta parcela da franquia O Exterminador do Futuro.

 

James Cameron – que está desenvolvendo o projeto com Tim Miller, diretor de Deadpool – fez o anúncio terça-feira à noite em um evento especial de O Exterminador do Futuro comemorando a franquia e expressou sua emoção e qual o significado que ele sente que será fazer com que Linda Hamilton volte ao mix quando a franquia faz seu retorno:

 

“Tão significativa quanto ela era para as estrelas de gênero e ação em todo o lado, então, vai fazer uma declaração enorme para ter aquele guerreiro experiente que ela se tornou retornada. Há 50 anos de idade, caras de 60 anos, matando galera, mas não há um exemplo disso para as mulheres “.

 

Arnold Schwarzenegger também foi confirmado para retornar para a sexta parcela. O filme será uma sequência direta do O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final que irá introduzir novos personagens para passar o bastão para. Miller direcionará de um roteiro escrito por David S. Goyer (Batman Begins), Charles Eglee (Dark Angel) e Josh Friedman (Terminator: The Sarah Connor Chronicles). O trio planejou uma trilogia composta de filmes que podem suportar sozinhos, ao mesmo tempo que formam um enredo geral.

 

Os detalhes da trama ainda estão em segredo, mas em um evento privado, Cameron provocou que o novo filme contará com uma jovem como personagem principal com personagens de apoio do passado e do futuro:

 

“Estamos começando a procurar uma mulher de 18 anos para ser a nova peça central da nova história. Ainda dobramos o tempo. Teremos personagens do futuro e do presente. Haverá principalmente novos personagens, mas teremos os personagens de Arnold e Linda para ancorar isso “.

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Por: Kedria Garcia

Tomar decisões nem sempre é uma tarefa fácil, especialmente quando o futuro está em jogo. Decidir ser independente não é tão simples quanto pesquisar no Google “10 passos para um arroz soltinho”. Conquistar a independência requer muito mais do que desejo de maior privacidade ou sonhos da adolescência.

Afinal o que é essa tal de independência, que tem até um dia dedicado a ela? Conversamos com três universitários que saíram de Belo Horizonte com uma certeza: o lugar reservado em uma universidade federal. Entre a liberdade e as dificuldades cotidianas os estudantes nos contam como é enfrentar a vida de um jovem adulto independente.

 

Pedro Henrique Silva Costa, 23 anos

Cursando Química Licenciatura, saiu de casa em 2015 com o sonho em uma mala e uma vaga em uma Universidade Federal. Localizada no Triângulo Mineiro, Iturama possui cerca de 40 mil habitantes, a cidade pequena foi o lar do estudante por um ano, tendo como companhia o apoio da mãe e a certeza de que a química era seu destino.

Com uma nova vida vem novos desafios, principalmente quando se está a seis horas de casa. A adaptação não foi um dos empecilhos, segundo Costa, a fome no início era o que mais incomodava. “Às vezes tinha um pacote de miojo (macarrão instantâneo) para comer por dia, mas eu não passava fome porque queria. Na época eu tinha apenas duas escolhas: eu ficava com fome, mas com um teto e uma cama para dormir. Ou ficava com o estômago cheio, mas dormindo na rua, pois o dinheiro que minha que minha mãe me enviava nunca dava para as duas coisas”, relembra o estudante que completa, “Quando arrumei uma monitoria finalmente consegui me estabilizar, comecei a receber uma ajuda de custo da universidade”.

“Acredito que independência não é se virar sozinho, não é morar longe de casa  não é dar satisfação para ninguém sobre a sua vida. Independência é seguir seu sonho independente das opiniões e das falas das pessoas.”

 

Em 2016, o jovem arrumou novamente as malas deixando Iturama para recomeçar o curso na UFV – Universidade Federal de Viçosa na Zona da Mata. Encontrou as mesmas dificuldades iniciais com o bônus de uma cobrança maior dos professores. “Passo tanto aperto para conseguir dar conta das matérias, mais o projeto de iniciação à docência, tendo em vista de que quando eu me formar não serei valorizado como professor.”, desabafa o estudante que afirma persistir por seus alunos. “Os meus futuros alunos precisam de mim, precisam da minha experiência de vida, precisam da minha ajuda, eu tenho que aguentar tudo isso: a fome, o cansaço, o estresse, por eles, por minha família, por minha mãe.”.

 

Guilherme Augusto Paixão, 21 anos

O técnico em química, deixou Belo Horizonte para cursar Química Licenciatura na UFU – Universidade Federal de Uberlândia, no Campus localizado em Ituiutaba. A vaga conquistada veio como presente no auge dos seus 18 anos. No começo de 2015, Guilherme trocou o conforto da casa dos pais por uma vida nova em uma cidade do interior. Segundo o estudante, os primeiros meses foram uma espécie de adaptação, além do financeiro outra dificuldade que encontrou foi a responsabilidade. “A questão do dinheiro no começo era tranquila porque meus pais me ajudavam e eu tinha dinheiro guardado, depois do primeiro semestre que complicou”, conta.

Paixão acredita que faz parte do amadurecimento para o adolescente o desejo de se completar a maioridade, almejando mudanças principalmente nas pressões familiares. “É como se em um passe de mágica ficássemos livre das “chatices” dos pais e temos nas mãos o poder de fazer o que quiséssemos.”, relembra o estudante que destaca a solidão, como um dos grandes desafios em sua jornada. “Com o tempo percebi que se desassociar de uma situação de dependência às vezes não é tão bom assim. O legal de se tornar independente é que trilhamos um caminho sem volta, o do autoconhecimento, o de entender os próprios limites e até onde podemos e realmente queremos ir.”, reflete o jovem.

“Às vezes independência é a última coisa que queremos, porque a gente percebe que a vida cobra muito mais que pai e mãe, percebe que ser independente é ter que se virar sozinho é se desdobrar em dois, em mil.”

Para Guilherme, futuro professor, ser independente é colocar à prova os ensinamentos recebeu em casa. “Foi e tem sido uma experiência assustadora essa ideia de morar longe dos pais. Ter que me virar para pagar contas, encher a despensa e manter as roupas limpas, mas nesse tempo “sozinho” eu conheci um “eu” que até então estava escondido sob os limites e regras da convivência em família que agora vive sob as próprias ideias.”. Concluindo a entrevista, cita a relação com a mãe como uma música de Zezé Di Camargo e Luciano, em que a dupla fala que filho cria asa e quer voar.  “Segundo minha mãe filho tem que ser criado para o mundo e não para dentro de casa”.

 

Lais Flor, 22 anos

Apesar de muitas pessoas considerarem 2016 um ano ruim, Lais Flor conquistou uma vaga na tão sonhada UFOP – Universidade Federal de Ouro Preto. Pediu demissão do emprego e encarou o desafio de cursar Museologia, há duas horas de Belo Horizonte. “Quando vim paraa Ouro Preto foi uma mudança radical na minha cabeça, sair de casa, ficar longe da minha família, ter noção de tudo isso, foi acontecendo aos poucos.”.

De acordo com a jovem, os obstáculos que mais abalou sua caminhada foram a falta de dinheiro, a saudade e o medo da estrada. Estabilizar sem uma fonte de renda fixa foi um grande desafio que mudou após conseguir uma bolsa na faculdade. Apesar da distância, Lais vem sempre quando pode para a capital. “Tenho saudades de casa, da família e dos amigos é muito difícil às vezes, mas tem uma galera aqui que fica seis meses sem ver a família, então me acho privilegiada.”, explica.

“Acredito que independência: é não depender de terceiros em nenhum aspecto, seja financeiro ou emocional. Mas acho que ninguém conseguiu isso até hoje.”

A estudante conta que a falta de segurança nas BRs é dos seus temores. “Confesso que a estrada ainda me dá medo até hoje, às vezes cochilo durante a viagem e acordo assustada com uma buzina e já penso que vou morrer.”.

A futura museóloga, afirma que a universidade é um lugar que mexeu com sua estrutura emocional e que trabalha para não se abater e manter a saúde mental devido às pressões. “Está longe de pessoas que são meu porto seguro, torna tudo mais difícil, a adaptação é gradual, não é fácil, mas um dia você se adapta.”

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Por Ked Maria

A tarde de domingo é algo que tento evitar, deveria ser uma parte feliz da semana, afinal é o dia de descanso, porém esse espaço de tempo está perto demais do recomeço da segunda-feira e longe da leveza da sexta. No decorrer dos anos desenvolvi algumas técnicas para fugir da monotonia, como sair para barezinhos com amigos ou ir ao cinema, ficar em casa no geral termina comigo comendo chocolate, maratonando série com a sensação de estar jogando a minha vida fora. Acreditem, isso não é legal.

Essa semana as coisas não saíram muito bem planejadas, meus amigos estavam sem dinheiro e o cinema lotado acabaram com o plano B. Resolvi andar pela a cidade a procura de uma boa diversão, apesar de saber que domingo é o primeiro dia da semana e as pessoas insistem em tratar como o final dos tempos, o comércio quase não funciona o que reduz bastante as possibilidades de curtir a vida. Sento no primeiro copo sujo que encontro no centro, com o sertanejo depressivo tocando no fundo e depois de pedir uma cerveja gelada vou verificar o Tinder.

A garota que deu match na semana passada respondeu ao chamado para conhecer a minha boquinha linda, por sorte ela não queria esperar. A palavra “coincidência” nunca foi gentil nos meus primeiros encontros, mas em momentos em que o “nada para fazer” reina era melhor do que continuar desperdiçando o meu look “gótica-suave” naquele bar. Angélica era o nome da felizarda, que já chegou com uma garrafa de Budweiser na mão e um vestidinho básico preto, não quero me gabar mas formamos um lindo casal.

Toda animada a moça sugeriu irmos ao parque municipal, que aparentemente era a única coisa aberta nesse ovo chamado Belo Horizonte. Com o sorriso largo e a leveza do álcool, disse sim sem me preocupar com o número de crianças que teria naquele lugar. No caminho as mãos foram dadas e a conversa fluía do feminismo aos questionamentos do jovem adulto contemporâneo, não me pergunte o que diabos são essas questões, o fato é que aquela mulher era maravilhosa e eu a beijei agradecendo o Universo por não me botar mais em uma furada com aplicativos de relacionamentos.

A recepção do antro de diversões foi dada com os gritos de felicidade das crianças e o de desespero dos pais, os brinquedos que rodam, rodam e não saem do lugar ainda proporciona algum frio na barriga. Corri para comprar um picolé com gosto de isopor e minha parceira insistiu em tirar foto com os fotógrafos lambe-lambe. Coloquei um bom e velho rock in roll e o fone de ouvido foi dividido para encarar a Roda Gigante, com a cidade aos nossos pés o sentimento de sermos infinitas, definia o momento. A cabeça no ombro dela e o sorriso de paz veio confirmar que domingo é dia de rock bebê!