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Por Débora Gomes – . as cores dela . – Parceira Contramão HUB

querido Salvador,

sempre que pensar em mim, quero que me lembre como a pessoa que mais lhe amou sem pressa. hoje, já não sei mais se lhe amo, mas gosto devagar, com a mesma ternura das manhãs preguiçosas de outono. 
“a gente esquece, mas demora”, li em um poema dia desses e me lembrei de você. porque no fundo, acho que é isso: por mais que eu disfarce, estou lhe esquecendo aos poucos. seu rosto já não me vem à memória quando tomo café às quatro e vinte e cinco da tarde. sua voz não mais substitui as traduções nos filmes de amor. já nem sequer reconheço os traços das suas mãos e nem o som que você emite ao sorrir. ou chorar.
no entanto, me cabe um vazio, que por horas acho que você preenchia. aí, por outras, acho que te inventei pra me curar da dor… 
não sei ao certo.
cê me faz falta e isso é imenso. cê me faz saudade e eu ando um pouco perdida. 
mas estou te esquecendo, não posso evitar. “a gente quer esquecer pra sempre, mas não vai ser hoje. a gente esquece e não sabe como”, me ensinou o poema. 
é uma pena, eu sei. já que por mim, a gente seguia juntos por aí, colecionando nós dois, feito um álbum de figurinhas ou bolinhas de gude.
“a gente esquece quando se distrai”. de todo jeito a gente esquece, Salvador. e por mais que demore, há de chegar a hora.

agora, é com carinho.
Alice,



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o poema é da jornalista e escritora Sabrina Abreu. 
e está completo lá no Instagram dela: @abreusabrina 
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Por Larissa Ohana – Parceira Contramão HUB

O processo interno de mudanças mexe em todos os âmbitos do contexto vivido. Você muda e, consequentemente, parecem cair várias paredes à sua volta. Essas transformações são tão intensas que tudo aparenta ser afetado, sejam suas relações (e digo todos os tipos de relação), sejam os objetivos que até então havia traçado, sejam seus interesses, visão e até seu posicionamento perante tudo isso.

Sobre as mudanças individuais, em muitos momentos, a sensação é de que veio uma onda gigante que nos arrasta para vários lados, e que chegamos até determinado “lugar” sem termos provocado aquilo tudo. Mas saiba que sim, você, mesmo que de forma inconsciente, fez escolhas que motivaram esses efeitos e, mais do que isso, esses momentos instáveis é que revelam a importância de se estar consciente. Isso porque, a consciência de que tudo que acontece em sua vida é responsabilidade sua, ameniza a possível impotência que se sente de não poder agir em relação àquilo, ou até mesmo entender que realmente esse processo faz parte e trará inúmeras possibilidade positivas para sua vida. Mudanças internas podem muitas vezes passar despercebidas e em um dado momento você se dá conta que algum comportamento que se tinha, já não existe mais. Entretanto, há também aquelas transformações que são tão profundas que você se olha e não se reconhece, aquele cabelo não faz parte mais de quem você é agora, aquelas roupas não dizem nada sobre sua personalidade e você se sente tão desconfortável que precisa tomar providências que diminuam tal incômodo. Todas elas, sejam as mais superficiais ou as mais brutas, são importantes para o desenvolvimento e evolução de quem você é. Até porque mudar de conduta e entender as situações como aprendizado, vale principalmente para que esteja preparado para as próximas transições que se vai passar ao longo do tempo.

Quanto aos relacionamentos com as pessoas, sejam elas partes da família, sejam amigos e colegas, ou relações afetivas e/ou amorosas, é possível que sua forma de lidar com essas pessoas mude em consequência de toda a mudança íntima pela qual se está passando. Assim, possivelmente, você passará a distinguir melhor as situações vividas com essas pessoas, e sentirá que está compreendendo melhor o papel de cada uma delas para o seu crescimento. Dessa forma, provavelmente algumas delas podem não mais fazer parte da sua vida, já que as características que os mantinham próximos podem parar de existir e sim, é um processo natural e necessário. Por outro lado quem fica provavelmente vai enxergar um lado seu muito mais brilhante, te admirando e buscando todos os recursos para que vocês, juntos, alimentem essa relação maravilhosa e singular.

Em relação aos objetivos e interesses, é nítido que são influenciados pelas particularidades que compõem o seu ser, sendo igualmente modificados e moldados de acordo com sua forma mais recente e vigente. Portanto o apego aqui dá lugar à abertura para novas ideias e novas rotas a serem traçadas. Mudar seu ponto de vista não caracteriza indecisão, apenas adequação, pois quando você não se adapta, acaba indo contra seus próprios desejos e cai num ciclo difícil, resumido em possível insatisfação.

Enfim, mudar é preciso. Valorize suas mudanças, lembre-se do caminho que você já percorreu e tenha claro que o processo nunca acaba, mas é possível aproveitar esses caminhos que nos levam ao encontro de obter cada vez mais satisfação pessoal.

E como diria Flora Matos: “Ainda não tenho tudo o que eu quero, mas tudo que eu tenho pretendo continuar dando o maior valor”.

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Texto Patrick Ferreira
Fotografia Lorena Gabrielle

Neste domingo (15), ocorreu o tradicional projeto “Concertos no Parque”, com a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e Coral lírico. O show que Belo Horizonte está acostumada a prestigiar teve uma levada diferente. Com regência de Silvio Viegas, a orquestra representou a ópera norte-americana “Porgy and Bess”.

A ópera conta a história de um casal negro que teve uma história de amor interrompida por Sporting, um malandro que seduz Bess após a morte de Crown, que é assassinado. A abertura do FAN uniu o útil ao agradável. Encantou o público com a música clássica, celebrando a raça negra.

Neste ano, o festival homenageia o protagonismo da mulher negra. Para a coordenadora do festival, Rosália Diogo, a edição busca evidenciar o talento da mulher negra: “A expectativa é que a gente consiga dar luz e visibilidade dentro da produção cultural; queremos amplificar os fazeres e as vozes das mulheres negras em BH e no mundo”.

Rosália Diogo | Foto: Lorena

O público esteve muito caloroso e interessado ao que via. Entre a plateia, estava a DJ que é formada em música erudita Black Josie que afirmou que arte negra é toda arte de matriz africana: “A gente misturou e modificou algumas culturas africanas com as brasileiras, isso é arte negra”. Muito empolgada, a produtora cultural Nic Omedes que estava como espectadora exaltou a organização do evento: “Estou impressionada com a organização de Rosália Diogo. É de arrepiar!”.

Dj Black Josie | Foto: Lorena

A obra “Porgy and Bess” traz uma mistura de ritmos como Gospel e Jazz com o Erudito. O diretor cênico, Fernando Bicudo acredita que a mistura de culturas fortalece a arte em todo o mundo e exemplifica: “Pablo Picasso em sua fase abstracionista, cubista, fez grandes obras depois de ter se inspirado em uma exposição de arte africana em Paris, com desenhos da cultura milenar africana”.

Fernando Bicudo | Foto: Lorena.

Em sua 9ª edição, o FAN, que celebra a mulher negra, trará a Belo Horizonte um valor que é muito para caber na palavra “arte”. Traz voz, oportunidades e conscientização social. Sem dúvidas, o festival veio para saudar o brilho forte da pérola negra e apertar o laço afro, unindo todos em um só grito de liberdade e resistência.

Foto por Henrique Faria

Por Henrique Faria

Os artistas Felipe Barbosa e Rosana Ricalde, deram novos ares para a Praça da Liberdade na semana do Dias das Crianças com a exposição Jardins Móveis. ‘Esculturas-bichos’ foram instaladas fora das paredes do Memorial Minas Gerais Vale, os artistas expandiram os jardins do museu para a praça que abriga as obras até amanhã, Dia das Crianças.

Foto por Henrique Faria

A exposição, que conta com objetos de cores chamativas e tamanhos diferenciados é um ótimo atrativo para as crianças que passam diariamente pela área.

Com a ideia de misturar arte e natureza os artistas utilizaram de animais infláveis (balões e boias), comercializados nos mercados populares para montar as esculturas. Os animais integram a paisagem da praça e chamam a atenção dos pedestres que passavam pelo local.

Foto por Henrique Faria

O público gostou da ideia de a exposição estar do lado de fora do museu. O professor de português e intérprete de libras, Bruno Amaral, 27, diz que é a ideia é sensacional, pois várias pessoas ainda possuem um bloqueio ao se tratar destes espaços. “Trazer isso para fora, é o mesmo que buscar para dentro. Liberta a imaginação e a vontade de conhecer”.

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Por Geovanna Silveira – Metrica Livre – Parceira Contramão HUB

 

Até quando pertencer

não até quando esgotar

saber usar seus pesos

e suas medidas

a fim de memorizar

quem eu sou

quem eu era

se muda

ou fica

e o que me espera

até quando não houver

dito popular

de um copo meio cheio

ou meio vazio

confio no transbordar.

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Por Ana Paula Tinoco

Sabe quando você se pega pensando “não vou assistir isso porque é só mais uma modinha? ”, eis que em uma tarde de domingo entediante você se entrega. E o necessário para que se torne uma maratona é tão sútil quanto respirar, é automático.

Breaking Bad foi criada por Vince Gilligan para o canal por assinatura AMC e sua primeira exibição foi em 2008. Bryan Cranston (Walter White), Anna Gunn (Skyler White), Aaron Paul (Jesse Pinkman), Dean Norris (Hank Schrader), RJ Mitte (Walt Jr.) e Betsy Brandt (Marie Schrade) formam o elenco principal da trama. Trama essa que tem como cenário o Estado do Novo México, Estados Unidos.

Elenco Breaking Bad – Foto Divulgação

O enredo a princípio parece mais do mesmo, Walter White (Cranston) é um professor de química frustrado, frustração essa que vem do fato de se ver lecionando para adolescentes no ensino médio e um emprego de meio período em uma lava a jato. Tudo isso após abrir mão de uma carreira bem-sucedida como químico. Na trama White é ganhador de um Nobel, nesse meio tempo ele lida com a paralisia cerebral de seu filho Walter Jr. (Mitte), a gravidez de sua esposa Skyler (Gunn) e dívidas que se acumulam.

Em meio as adversidades, White é diagnosticado com cancro no pulmão. Amedrontado e desesperado com a morte inevitável, ele embarca em uma situação perigosa e entra para o mundo do narcotráfico, situação que se acentua quando ele reencontra seu antigo aluno Jesse Pinkman (Paul) e unindo seus conhecimentos, os dois dão início à maior fábrica de Metanfetamina de que se tem conhecimento.

E é a partir desse encontro que Breaking Bad nos prende, mostrando situações adversas como no episódio “Cat’s in the Bag” da primeira temporada em que os dois tentam “desaparecer” com um corpo usando ácido e uma banheira. O progresso da trama se dá aos poucos. Nessa questão Gillian foi cauteloso em não entregar logo de cara o que viria daquela dupla improvável e de todos que o cercavam. Até mesmo a motivação de Walter, que clamava ter feito tudo aquilo por sua família, aos poucos foi sendo dosada à medida que percebíamos o quanto ele era egoísta.

Aaron Paul (Jesse Pinkman) e Bryan Cranston (Walter White) – Foto Divulgação

As interpretações são fascinantes, não é preciso dizer que Cranston está incrível no papel de White. Sua evolução é gritante, de homem apagado cheio de incertezas, ele parte para uma personalidade forte e implacável quando dá espaço ao seu alter ego Heinsenberg. E essa transição acontece de maneira tão rápida e esplendorosa, que loucura e lucidez se separam e se unem tão rápido quanto ao Flash correndo na velocidade da luz.

Por outro lado, Pinkman é inseguro. Inteligente, ele se perde em situações caóticas e desnecessárias que sempre levam White a intervir para facilitar sua falta de noção, como namorar uma menina ex usuária de drogas, sendo ele um traficante. Mas, aos poucos ele também vai conquistando seu espaço, e Paul entrega interpretações magníficas nas cenas dramáticas. E ao longo da série, seu personagem que é apenas um coadjuvante cresce de tamanha forma que podemos considera-lo também principal.

Porém, não é apenas de Cranston e Paul que a série é feita. Vale a pena destacar a atuação de Mitte, o ator que interpreta Walter Jr., ele que também possuí uma leve paralisia cerebral, se entrega ao personagem e nos permite a sentir angústia como na cena em que ele se despede do pai.

Skyler, interpretada por Gunn, é uma mulher insatisfeita com o casamento e constantemente crítica. No entanto, assim como White, sua personalidade muda quando ela descobre quem é seu marido e o que vemos nos traz um misto de angústia e raiva por ela se permitir viver em uma situação tão desesperadora.

Elenco premiação Emmy 2014

Os outros personagens que fecham esse círculo são Hank Schrader (Norris) e Marie Schrader (Betsy Brandt). Brandt está lá para que sua irmã Skyler possa crescer em cena, o que não desmerece o trabalho da atriz. Seu marido Hank, um investigador da polícia, fica por conta das cenas de tensão de uma possível descoberta da vida dupla de White, é ótima a cena em que ele o ajuda a colocar uma mala no carro e o questiona sobre o peso da mesma e diante da resposta de White que aquilo seria um milhão de dólares, ele ri.

Destaque também para os “vilões”, pode parecer uma forma de estereótipo se levarmos em consideração que todos são latinos, entretanto são eles os responsáveis pelas melhores cenas de stress. E apenas eles conseguem impor respeito quando se trata de White. O melhor deles? Gustavo Fring, também conhecido como Gus. Interpretado por Giancarlo Esposito, é ele o responsável por uma das cenas mais icônicas da TV.

Trecho da morte de Gus

Breaking Bad começou de forma tímida, sobreviveu à greve dos roteiristas e no fim mostrou a que veio, conquistou inúmeros prêmios e é considerada por muitos críticos uma das melhores já produzidas.

Também estão no elenco: 

Bob Odenkirk (Saul Goodman), Jonathan Banks (Mike Ehrmantraut), Jesse Plemons (Todd Alquist), Matt L. Jones (Badger), Raymond Cruz (Tuco Salamanca).