#CRÔNICA: Retrospectiva 2016, versão Tinder

#CRÔNICA: Retrospectiva 2016, versão Tinder

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Por Ked Maria

O término nos faz tomar atitudes desesperadas e imediatistas, a tecnologia nestas horas não nos ajuda em nada, e a internet só serve para propagar mais ideias absurdas. Depois de quase dois anos de relacionamento sério, parceiro apresentado aos pais, aquela coisa de almoço em família no domingo, o maldito resolveu formar uma sociedade comigo, ele entrou com o pé e eu com a bunda. Depois da famosa conversa de “o problema não é com você, sou eu” acabou o meu namoro com o meu melhor amigo. Poxa, nós transavámos, sempre estávamos beijando a boca de uma amiga em comum, era tudo que todo mundo quer, não? Chorei por meia hora, fiz textão no Facebook, não entrava na minha cabeça que os 13 anos do PT acabaram juntos com a minha vida amorosa. Nem preciso falar que a minha publicação foi mais ignorada que as Paraolímpiadas. Não, as Paraolímpiadas teve a Cleo Pires para levantar o visibilidade, o meu texto só foi desprezado sem dó e nem piedade.

Estava me sentindo a Dilma, traída pela nação, mas diferente dela eu mandei o “ex” à merda. Fui “impitimada” do cargo de poder que exercia na vida daquele homem, devia aceitar que uma nova Temer tomaria meu lugar, na verdade estava mais pra Marcela, pois a substituta é loira. Entrei para a academia na ideia de ficar A GOSTOSA DO VERÃO 2017 e, em menos de dois meses, estava igual à seleção brasileira depois do famigerado 7×1, ou seja, sem dinheiro, dolorida e pensando que lutar contra padrões de beleza era bem mais fácil e menos trabalhoso.

Continuando a minha saga, descobri que as redes sociais são uma desgraça na vida dos usuários. O Falecido (vou chamar assim o “ex”), vivia postando fotos com a sua “Marcela Temer” usando uma blusa de Game of Thrones, nestes dias eu já me sentia o próprio Jonh Snow esfaqueado na neve. Irritada, lancei o desafio para o Universo: “Já acabou, Jéssica?”. Cheguei em casa, coloquei a melhor roupa, os brincos banhado a ouro comprados na Oiapoque e tirei as melhores 6 fotos para colocar no meu perfil do Tinder. Iria mostrar quem era a Beyoncé no Grammy.

 

Sim, eu baixei o Tinder.

 

Para quem não conhece, o Tinder é um aplicativo que serve para elevar a auto estima das pessoas. O usuário escolhe até 6 fotos, cria um pequeno texto se apresentando e, automaticamente, você está em uma vitrine. As pessoas ao seu redor com seus respectivos celulares visitam seu perfil e avaliam, se houver interesse ela pode te dar um “match”, e se for recíproco, você o devolve. Há um sistema de bate papo, onde a sedução acontece, a auto estima entra nesta história toda quando você recebe vários “matchs” e se sente a Anitta cantando músicas de como ela é demais. Depois de algumas doses de empoderamento você personifica a Grávida de Taubaté e deixa a conversa fluir. Dica para a vida, abra seu aplicativo em locais diferentes dos que o Falecido frequenta, a possibilidade de encontrar um amigo do boy é grande e ele não vai pensar duas vezes antes de virar delator e ir fazer fofoca.

Na primeira conversa no Tinder me senti o Aécio Neves tentando convencer alguém de que ele é honesto. Não sabia lidar, ou seja, não rolou. Na segunda descolei um encontro, afinal eu não era a Fátima Bernardes, mas também estava solteira. Foi um fracasso, esqueci o nome do jovem, ele beijava mal e tinha cheiro de azeitona. Cheguei em casa mais frustrada que o segundo turno das eleições belorizontinas, Kalil e João Leite.

Talvez a abordagem estivesse errada, fui tentar melhorar a minha vida amorosa com um conhecido. Terminou nós dois da cama, ele super cansado, suado e eu lá, mais decepcionada que a Lava Jato.

Resolvi, vou ser piranha, é, vadia mesmo, daquelas que não querem nada com ninguém. Voltei pro Tinder. Encontro um amigo do falecido dando sopa, não perdi tempo e fiz que nem a Netflix, dominei geral. Sai com esse moço e transformei o quarto no Haiti, passei que nem o furacão Matthew, destroçando tudo. O jovem era bem aperfeiçoado, mas eu tinha decidido entrar no mundo da libertinagem. Próximo “match”: design, desenhista, um bigode imitando o Salvador Dalí (ganhou 20 pontos comigo), óculos (soma mais 10), e um convite para ir ao cinema ver um filme. O moço falava um pouco mais que o Leonardo DiCaprio no filme O Regresso, ainda assim fui parar em um bar depois da sessão. A conversa rendeu, passou de feminismo à Marvel em um piscar de olhos, foi tão emocionante que derramei meu copo de chopp nele. Depois dele, resolvi desinstalar o Tinder.

O projeto Piranhona 2016: Esse Ano Ainda Vai, ficou de lado com a chegada do final do semestre.

Minha irmã mais velha e grávida voltou a morar comigo e a grana já estava no fim, ou seja, estava mais perdida que a Dory do Nemo e mais triste que a morte de Carrie Fisher. Já no fundo do poço o Último Match resolve investir pesado. Quando digo pesado estou me referindo à uma viagem maravilhosa, sensacional e romântica para Cabo Frio com suas primas e seus respectivos namorados. Se você pegou a ironia, descarta que foi bem legal. O único ruim foi voltar para Belo Horizonte e encontrar a passagem do ônibus a R$ 4,05 e o Kalil como prefeito.

Entrei em 2017 leve e com um pedido de namoro que demorei mais que a votação da Reforma do Ensino Médio para responder. Ocupei o coração do Último Match, afinal o lema é ocupar e resistir. O Carnaval, trouxe a minha sobrinha que ainda na barriga já sabe que não vai se aposentar.

Depois dessa longa saga à procura de esquecimento, cresci e já consigo me reconhecer de novo. Ainda não posso dizer que me sinto a Viola Davis no Oscar, mas sigo mais agarrada aos meus ideais e às pessoas que se mostraram necessárias durante esse percurso.

Essa é a parte da “Moral da História”, que é a seguinte: baixem o Tinder, talvez se a Dilma tivesse dado “match” no Temer o rumo teria sido diferente.

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