. a gente esquece .

. [do livro de cartas] a gente esquece .

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Por Débora Gomes – . as cores dela . – Parceira Contramão HUB

querido Salvador,

sempre que pensar em mim, quero que me lembre como a pessoa que mais lhe amou sem pressa. hoje, já não sei mais se lhe amo, mas gosto devagar, com a mesma ternura das manhãs preguiçosas de outono. 
“a gente esquece, mas demora”, li em um poema dia desses e me lembrei de você. porque no fundo, acho que é isso: por mais que eu disfarce, estou lhe esquecendo aos poucos. seu rosto já não me vem à memória quando tomo café às quatro e vinte e cinco da tarde. sua voz não mais substitui as traduções nos filmes de amor. já nem sequer reconheço os traços das suas mãos e nem o som que você emite ao sorrir. ou chorar.
no entanto, me cabe um vazio, que por horas acho que você preenchia. aí, por outras, acho que te inventei pra me curar da dor… 
não sei ao certo.
cê me faz falta e isso é imenso. cê me faz saudade e eu ando um pouco perdida. 
mas estou te esquecendo, não posso evitar. “a gente quer esquecer pra sempre, mas não vai ser hoje. a gente esquece e não sabe como”, me ensinou o poema. 
é uma pena, eu sei. já que por mim, a gente seguia juntos por aí, colecionando nós dois, feito um álbum de figurinhas ou bolinhas de gude.
“a gente esquece quando se distrai”. de todo jeito a gente esquece, Salvador. e por mais que demore, há de chegar a hora.

agora, é com carinho.
Alice,



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o poema é da jornalista e escritora Sabrina Abreu. 
e está completo lá no Instagram dela: @abreusabrina 
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