Por Auspicioso Acapela – Coletivo Parceiro Contramão HUB

A menina que, quando pequena sentava na primeira fila para copiar tudo que o professor falava na escola, ainda existe. A menina que, prefere sentar na frente para copiar tudo que o professor fala na faculdade, existe. A menina que, se conseguisse anotar tudo que fez hoje no trabalho para manter a cabeça organizada, seria mais feliz.

A menina que, quando pequena falava pouco durante às aulas, ainda existe. A menina que, pede desculpas para o professor ao falar um pouco a mais durante às aulas, existe. A menina que, fica em silêncio no trabalho, ouvindo apenas o TeC-TeC do teclado.

A menina que, quando pequena passava o recreio sentada conversando com o porteiro, ainda existe. A menina que, passa o intervalo comendo e conversando, existe. A menina que, a qualquer brecha no tempo, já pega um pouco de café para ser seu acompanhante.

A menina que, quando pequena pouco socializava com os colegas de classe, ainda existe. A menina que ainda pouco socializa, mas tem pessoas muito especiais em sua vida, existe. A menina que conversa com todos no trabalho.

A menina que, quando pequena nunca foi vista pelos meninos da escola, ainda existe. A menina que, acha que não é vista pelos meninos da faculdade, existe. A menina que, é vista por seu esforço no trabalho.

A menina que, quando pequena nunca foi beijada na escola, ainda existe. A menina que foi beijada por poucas vezes, existe. A menina que recebe muito carinho pelos colegas de trabalho.

 

A menina que, quando pequena custava manter a média das notas na escola, ainda existe. A menina que gosta tirar as melhores notas na faculdade, existe. A menina que, gira mundos e fundos para atender as demandas do trabalho, da melhor forma possível.

A menina que, quando pequena ao ficar mais velha gostaria de ter o futuro desenhado, ainda existe. A menina que ainda hoje gostaria de ter o futuro desenhado, existe. A menina que quer apenas colorir a sua história.

Penso em quantas pessoas existem e passam a existir a partir dos momentos que acontecem. Se somos um em vários, ou vários em apenas um. Se somos um conjunto de experiências, ou apenas uma experiência define quem somos. E se apenas uma nos define, por que não priorizamos a felicidade, então? Ou se somos um conjunto de momentos, por que não escolhemos os momentos felizes?

Texto escrito: Melina Cattoni

                                                                                                                                               

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