Sexo para quem quer

Sexo para quem quer

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Por Ana Paula Tinoco

Na década de 1950, o feminismo abriu portas para novas discussões e uma delas foi a liberação sexual e a construção da identidade feminina, pauta que foi possível após o lançamento do livro “O Segundo Sexo”, de Simone Beauvoir. O livro, que foi publicado originalmente em 1949, traz em suas páginas um estudo que leva o mito da “natureza feminina” a cair por terra A obra que dividiu opiniões e gerou polêmicas há quase 70 anos pode ser considerada atual quando levamos em consideração como a sexualidade da mulher ainda está envolta a muitos tabus.

A Psicóloga Tatiane Tinoco de Santana enfatiza que a ignorância, preconceito e intolerância da sociedade é o que leva o prazer sexual feminino a ser tratado como algo ruim. Males que atribuídos a falta de informação e diálogo leva mulheres de todas as idades a se perderem em relações sexuais não satisfatórias. “As pessoas precisam admitir que gostam e necessitam de sexo.  Ainda é feio para a mulher admitir que sente tesão, prazer, tem orgasmos, conhecer o próprio corpo; o sexo ainda é visto como pecado, impuro. ”, enfatiza.

Segundo Santana por ser uma parte importante na vida da maioria das pessoas, o sexo praticado entre aqueles quem possuem relacionamentos de longas datas ou não, deve ser construído em cima do diálogo, “quando tem liberdade para conversar sobre o assunto, tudo fica mais fácil, o sexo tende a ficar melhor. ”, a psicóloga ressalta que a falta de interesse do parceiro ou parceira podem atrapalhar a busca por algo mais satisfatório, “Muitas mulheres enfrentam problemas e dificuldades para falar sobre o assunto com seus parceiros/parceiras. ”, finaliza.

Entretanto, quando se trata de casais com longos relacionamentos, Santana esclarece que a maioria das mulheres se queixa por não haver cumplicidade e companheirismo em suas relações o que dificulta o diálogo. Mas, quando essa barreira é derrubada as relações amadurecem e o sexo se transforma em troca como é relatado pela esteticista de 24 anos Caroline* que está em um relacionamento há 7 anos e vai mais além ao dizer que a cumplicidade deve ser presente em todos os âmbitos da vida, “Acho que seu parceiro tem que saber de tudo que você sente ou se não sente para buscar uma melhora para os dois”.

Santana elucida que em muitos casos “os companheiros são mais fechados, pensam mais no próprio prazer. Alguns ainda são agressivos, não tem conversa”. A profissional salienta ainda que é preciso o contato, o cuidado um com o outro, algo que só surgirá através do diálogo, da disponibilidade do casal e aceitação que se torna possível minimizar essas dificuldades.

Como é o caso da instrutora de academia Silvana Silva de 46 anos, que compartilha suas duas experiências, descobertas, de maior significação, “A primeira vez foi com um parceiro, não estava preparada. Foi acontecendo, tipo por impulso do momento. Na segunda experiência foi a verdadeira descoberta, com uma parceira. Aí sim foi o que queria viver e sentir. Com total cumplicidade! ”. E deixa claro que a falta dessa parceria atrapalha e que a amizade e conversa são essenciais, “É muito mais do que o momento, um impulso, uma necessidade. ”, afirma.

 

*  A entrevistada não quis revelar seu nome.

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