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Futebol Feminino

Problemas com arbitragem geram revoltas em jogadores e torcida

Equipe de Reportagem: Danielle Gontijo, Izabela Avelar, Nathalia Galvani e Patrick Ferreira

Fotos: Marcelo Duarte

O ar ficou avermelhado no segundo final de semana da Taça das Favelas. A temperatura subiu e não só nos graus centígrados no sábado (14) da segunda rodada do torneio. As jogadoras surraram o campo de futebol e não deixaram a poeira baixar durante toda partida na busca pelo resultado para permanecer na disputa.

O embate foi acirrado entre as equipes Alto Vera Cruz e Vila Pinho que fizeram a primeira partida de sábado. As meninas do Alto Vera Cruz saíram vitoriosas da partida, que foi disputada pau a pau pelas atletas. A decisão veio de um pênalti, deixando placar de um 1 a 0 para o Alto Vera Cruz.

O público presenciou lances bonitos, mas o tempo fechou em momentos decisivos em que a arbitragem entrou em conflito com as equipes. Cobranças de faltas feitas ao juiz geraram revolta nas jogadoras e foi seguida de troca de ofensas entre a arbitragem e as equipes. “Saímos de casa cedo para correr atrás de um sonho e, no final do jogo, quem ganha é o juiz? ” questionou a atacante da Vila Pinho, Cintia Cristina. Apesar de as jogadoras terem se sentido ofendidas pelo juiz, elas não registraram queixa.

O incidente foi veementemente rechaçado pela Central Única das Favelas (Cufa), organizadora da taça. Em nota, o presidente Francislei Henrique afirma que “a Cufa manifesta seu repúdio a qualquer ato de discriminação, preconceito e injúria, praticados sobre qualquer forma ou circunstância. ” O presidente ainda afirmou que não poderia tomar medidas cabíveis em face de as jogadoras não terem feito uma ocorrência oficial.

No entanto, ressaltou que “como há relatos de pessoas distintas sobre o fato e sobre a atitude verbal desrespeitosa do juiz a uma das jogadoras, não devemos e não iremos desconsiderar as manifestações de indignação que chegaram até a organização do evento. ” A Cufa solicitou à Federação Mineira de Futebol que o árbitro seja afastado dos quadros da Taça das Favelas.

O clima retomou à normalidade nas partidas da tarde de sábado. As goleadas da vez ficaram por conta do time masculino Vila Corumbiara que venceu por 5 a 0 a Favela do Índio. Placar elásticos como esse se repetiu ao longo do torneio até o momento. Entre as partidas de sábado, as meninas do Minas Caixa balançaram as redes cinco vezes enquanto o Jardim Leblon só conseguiu êxito na finalização uma vez, ficando o placar de 5 a 1. A equipe do Minas Caixa segue invicta.

“Se vocês saírem daqui sabendo que fizeram o melhor está ótimo para mim”, afirmou o Técnico Matheus Henrique do time Ventosa. A motivação resultou na vitória por 1 a 0 sobre o Paulo VI. Porém, a partida foi suspensa por problemas técnicos. A organização do evento analisa a possibilidade de realização de outra partida entre as equipes.

 

 

 

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Da redação.

Fotos: Moises Martins
Equipe de reportagem: Elouise Marcelino, Fabiana Meireles, Janine Christie Sant’Ana e Lorrany Moreira 

Que as mulheres vêm conquistando espaços que, até então, eram dominados pelos homens, todos já sabem. Mas a novidade aqui é que elas foram as primeiras a balançar as redes no templo sagrado do futebol, no início da segunda edição da Taça das Favelas, em Minas Gerais, no último sábado. As seleções femininas Minas Caixa e Aglomerado da Serra fizeram a abertura dos jogos, que reúnem 32 equipes nas modalidades masculina e feminina, durante os finais de semana do mês de abril.

Nos minutos iniciais da partida de abertura, o primeiro gol do campeonato foi de Nayara Rosa de 19 anos, do Minas Caixa. A atleta entra para a história desta edição do campeonato por inaugurar o placar da competição e por ser responsável por alavancar seu time rumo à vitória de 2X1 contra seu adversário. A partida foi acompanhada com entusiasmo por moradores, jogadores e olheiros, no pequeno campo de futebol, no bairro Vale do Jatobá, na região do Barreiro. 

Um pouco mais tarde, com as equipes masculinas no gramado, a empolgação e esforço dos atletas mantiveram o interesse e o apelo emocional do público. Uma goleada protagonizada por uma trinca de jogadores e, também, a informação de um possível gol contra, estimulou o time a buscar a vitória. Ao final, Vila Tiradentes tremeu as redes cinco vezes. 

O dia que começou tranquilo, no decorrer dos apitos, bandeiradas, faltas e muitos passes de bola, logo foi tomado pela força dos cantos e gritos de guerra. E, embora exista uma máxima que diz que futebol e religião não se discutem, antes de cada partida, uma roda de orações entre os jogadores reforçou, no primeiro dia do torneio, um costume já consagrado entre os clubes da região. Ao final do dia, um clima de festa predominou entre times, torcedores e moradores da bairro. A Taça das Favelas é realizada pela Central Única das Favelas e, além da competição, é também vitrine para novos talentos e lazer para os apaixonados por futebol.