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John Wick

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Por Ana Paula Tinoco

Keanu Reeves é um ator que divide opiniões quanto o quesito é sua atuação, apesar disso não se pode negar que ele é dono de uma carreira consagrada. Como qualquer outro profissional da sétima arte, Reeves possuí grandes sucessos em sua carreira quase que na mesma proporção que amarga alguns títulos ruins estralados por ele.

Reeves que começou muito jovem, aos 21 anos, ganhou notoriedade com os longas de ação “Velocidade Máxima”, “Caçadores de Emoção” e a Trilogia “Matrix”, passeando às vezes por dramas que foram igualmente importantes para que se tornasse conhecido, salvo os belíssimos “Drácula de Bram Stoker”, “Advogado do Diabo” e “Doce Novembro”, ele passou por um tempo no que podemos chamar de anonimato.

 

Porém, em 2014 vimos isso mudar quando o diretor estreante Chad Stahelski, que fora dublê de Reeves em Matrix, trouxe para as grandes telas “John Wick”. O filme como um bom longa-metragem de ação que é bebe da fonte de grandes sucessos do gênero. São claras as homenagens de títulos como “O Profissional”, “Desejo de Matar” e “Mad Max”. E, talvez proposital, o nome dado ao filme aqui em terras tupiniquins marca literalmente o retorno do astro às grandes produções: “De Volta ao Jogo”.

Sem mais delongas, De Volta ao Jogo é o que os amantes de filmes de ação esperam, muito tiro, pancadaria e um protagonista que apesar de não seguir às regras da sociedade nos cativa pelo o que motiva, sua vingança (O Profissional). Após perder sua esposa, Wick se vê perdido e sem esperança até que em um último ato de amor sua mulher o presenteia com um cãozinho acompanhado de um aviso: “Encontre o amor e não estou falando do carro”.

Neste momento começamos a criar uma simpatia pelo personagem quando percebemos, sem muito conhecer sua história, que sim, ele é um homem que se permite um certo grau de vulnerabilidade pertencente a todos nós simples mortais. A sacada interessante de Stahelski é que essa apresentação de um homem comum em luto pela morte do amor de sua vida não se estende. E com uma simples ida a um posto de gasolina a reviravolta apresenta de fato quem ele é.

Mergulhamos então no mundo dos assassinos de aluguel, que apesar de deixar algumas pontas soltas sobre sua origem, se apresenta como uma máfia bem organizada. Eles possuem seus próprios serviços, moedas e um hotel com suas próprias regras. Tudo entregue com o glamour que é de se esperar de uma sociedade secreta.

E é em meio a essa descoberta do público que Wick inicia sua caçada mortal (Desejo de Matar) e cheia de perseguições e frenesi (Mad Max). Reeves traz à tona take a take quem foi John Wick e com propriedade nos entrega um homem forte, comprometido, determinado e capaz de tudo para alcançar seu objetivo, algo que é dito constantemente durante a trama, vingar aquilo que lhe foi tirado quando tudo o que ele queria era paz.

As cenas de ação são um espetáculo à parte, recheadas de lutas, Reeves nos remete ao bom e velho Neo, a narrativa não se perde em meio a tiroteios, e apesar do enredo comum, o filme nos prende, chegar ao final dessa jornada é o que nos excita.  E deixando de lado os momentos por vezes mirabolantes, as formas variadas como Wick vai derrubando um a um quem quer que entre no seu caminho dão um alívio e um respiro à história, mas nada que se compare as balas curvas de “O Procurado”, escuto um amém.

O elenco que o acompanha não deixa a desejar e ajuda na construção e volta da antiga persona de John Wick. Destaque para Willem Defoe (A Grande Muralha) e Ian McShane (Piratas do Caribe – Navegando em águas perigosas) que estão sempre impecáveis em cena.  John Leguizamo (A Era do Gelo), Alfie Owen-Allen (Game of Thrones), Dean Winters (Oz) e Adrianne Palicki (Agentes da S.H.I.L.D.) também constroem o corpo dessa espiral que é o submundo dos assassinos de aluguel.

 

Este ano o capítulo e de John Wick foi lançado sob a alcunha de  Um novo dia para matar. A previsão para o lançamento do Capítulo 3 é em 2019 nos Estados Unidos.