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Meu namorado é um zumbi

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Foto Divulgação

Por Ana Paula Tinoco

Quando a adaptação para o cinema do livro de Isaac Marion, Sangue Quente (Warm Bodies) foi anunciada em 2011, ganhando o título no Brasil de Meu Namorado é um zumbi, foi possível ver fãs em fóruns torcendo o nariz para a produção, inclusive quem vos escreve essas linhas. Provavelmente, a maior causa desse desconforto tenha sido o mergulho que demos em um cenário improvável de vampiros que brilham, não bebem sangue e lobisomens desnudos e sem pelos, da grotesca adaptação da obra de Stephenie Meyer, a “Saga Crepúsculo”.

Sem data de lançamento prevista, muitos se sentiram aliviados e o que se podia ouvir era o ecoar de “talvez eles tenham desistido. ”, porém 2013 chegou e em 8 de fevereiro o filme estreou. Faltando quatro dias para o dia dos namorados, nos Estados Unidos a data é comemorada em 12 desse mesmo mês, o longa foi sucesso de bilheteria. E o que muitos acreditavam ser o início de mais um esfolamento de personagens clássicos, na verdade trouxe um frescor.

Para aqueles que não se lembram, no ano em que foi lançando, a criação de George A. Romero havia se tornado rentável novamente. Tomando conta de nossas TVs com adaptações de HQs (The Walking Dead estava em seu terceiro ano), jogos (Resident Evil: Revelations) e livrarias (Guerra Mundial Z), os zumbis, para onde quer que olhássemos, estavam lá.

O cenário é o de sempre, um mundo pós-apocalíptico em que os humanos estão quase extintos, um grupo de sobreviventes que tenta constantemente voltar para casa inteiro e com suprimentos e um líder para manter a ordem, cuidando para que os zumbis não vençam a batalha em que cérebros estão em jogo. Contando a sinopse, você pode dizer, “Mas eu já vi isso antes! ”, é aí que começa a diversão, lembra do frescor que mencionei no segundo parágrafo? Pois bem, vamos falar dele agora.

O romance/ comédia escrito e dirigido por Jonathan Levine não implora para ser levado a sério, pelo contrário, ele brinca com seu cenário inóspito a todo momento. Desde a primeira cena, quando conhecemos R (Nicholas Hoult) percebemos que o que o diretor quis foi mostrar algo diferente daquilo ao qual já estávamos habituados, afinal os zumbis apresentados no clássico “A Noite dos Mortos-Vivos” de Romero passaram por várias mudanças ao longo dos anos.

Voltando a R, ele é o personagem principal de toda a história. Narrando seu dia-a-dia, somos introduzidos ao seu cotidiano e de seus amigos, a cena inicial em que R apresenta seus vizinhos é cômica e ao mesmo tempo trágica, pois como ele mesmo diz, “Ser um morto-vivo não é tão excitante assim.”. E a medida em que vamos conhecendo seus amigos, aqueles que dividem um aeroporto com ele, e seu parceiro no crime e melhor amigo o zumbi M (Rob Corddy), em uma passagem hilária, percebemos que há muito de diferente por vir.

Sua rotina é tediosa, ele divide seus dias em trocar grunhidos com seu amigo M, ver seus colegas apodrecerem e ir e voltar da cidade quando está com fome. No entanto, ele vê sua vida mudar quando em uma dessas idas e vindas ele se depara com um grupo do qual Julia Grigio (Teresa Palmer) faz parte e após devorar o cérebro de Perry Kelvin (Dave Franco) namorado de Julia, ele se conecta e acaba a salvando de ser devorada por sua horda. O que pode até soar estranho aqui, é apenas a abertura para o que há por vir.

Foto Divulgação

A partir desse momento nos aprofundamos mais na personalidade de R, ao conhecermos sua moradia, em uma cena que mais parece um episódio da série “Acumuladores” do canal Discovery Home & Health, percebemos que ele não é um zumbi comum. E entre fugas e salvamentos vemos um romance nascer, mas à medida que ele vai sendo introduzido percebemos que ele está ali apenas para dar leveza ao filme, pois é neste momento que o longa perde um pouco a veia cômica e mergulha na realidade em que vivemos de que o medo do desconhecido é o que nos torna presos à estereótipos e de forma branda e consciente Levine dá espaço a discussão sobre como partimos de pré-conceitos para julgarmos o próximo. E que diferentes podem sim coexistir.

Enfim, o filme que veio despretensioso não causou desconforto nos mais fervorosos fãs dos comedores de cérebro. E se ainda não arriscou, o risco vale a pena, mas apenas se você possuir uma mente aberta.

No elenco de Meu Namorado é um Zumbi ainda estão o ótimo John Malkovich e Analeigh Tipton.