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Minas Gerais

Estatuetas customizadas em tamanho real de um bebê elefante, encontram-se espalhadas pela cidade.
Por Moíses Martins

Uma das maiores exposições de Arte Pública do Mundo, Elephant Parade, desembarcou recentemente na capital mineira. O projeto começou em 2006, com inspiração em Mosha, um bebê elefante de 7 meses que teve uma de suas patas dianteiras amputadas depois que pisou em uma mina terrestre, próximo à fronteira entre Tailândia e Mianmar. A Elephant Parade foi a forma encontrada para buscar recursos para cuidar da elefanta Mosha, comprar sua prótese anualmente (uma vez que o tamanho da prótese muda conforme ela cresce), além de ajudar todos os outros elefantes asiáticos que sofrem com as minas terrestres e com os maus tratos praticados por caçadores em busca de Marfim (material arrancado das presas dos elefantes).

Querubins | Foto Moisés Martins

Ao final de cada exposição, as estátuas de elefantes são leiloados e parte da quantia arrecadada é destinada à filantropia local, a projetos de preservação dos elefantes e aos artistas participantes.

O maior valor pago por uma estátua da Elephant Parade em um leilão foi de £155,000 o que equivale aproximadamente R$ 724.555. A estátua foi criada pelo artista Jack Vettriano, em 2010, na Elephant Parade London.

O ateliê de pintura oficial, bem como a exposição dos elefantes, está acontecendo no Shopping Pátio Savassi, onde ficará exposta até o dia 15 de maio. Outras peças também estão expostas em áreas livres da cidade, como Praça da Liberdade e Praça da Savassi.

 

 

Por Ked Maria

A tranquila cidade de Tiradentes parou nessa sexta feira, 19, para acompanhar a abertura da 21° Mostra de Cinema. A Cine Tenda foi montada na Praça da Rodoviária e convidou toda a cidade e os turistas para acompanhar a Banda Ramalho com pipoca e pirulito. O início do festival se deu com promessas de mais incentivo financeiro para as produções mineiras e com muitas homenagens. Babu Santana, foi a estrela da noite, levou para o palco muita representatividade e mostrou que o Chamado Realista é um apelo da sociedade traduzido nas obras cinematográficas.  

Os pais Leandro Rocha e Karla Testoni levaram a pequena Luna Testoni, no colo, para o evento que já é tradicional na cidade. A assistente social de 33 anos, reside em Tiradentes há cincos anos, ela e o marido fazem questão de participar anualmente. “Como sou de Tiradentes venho sempre desde o início, acompanhei o crescimento da Mostra de Cinema, é um dos melhores eventos que acontece na cidade.”, afirma o marceneiro de 31 anos. Segundo o casal o evento movimenta bastante a cidade por ser vários dias, o que atraí o turismo. 

Renan Távora de 19 anos, estudante de cinema, veio de Belo horizonte para prestigiar uma produção fruto de um trabalho de conclusão de curso (TCC), o curta “Super Estrela Prateada “, de Leandro Branco. “Acho que a Mostra de Tiradentes dá espaço para as pessoas que estão começando agora, diversos trabalhos de conclusão de curso estão sendo exibidos aqui.”, afirma o jovem. O universitário acredita que há espaço para todos dentro do cinema, principalmente com o tema escolhido para este ano, uma vez que, a política caminha com a arte quando ela está sendo realizada. Távora enfatiza a importância de fortalecer o cinema nacional. Já Letícia Blandina, de 19 anos, universitária, cursa cinema na capital mineira, chegou na cidade com a visão do aprendizado. “A Mostra de Cinema já é tradicional, além de ser o primeiro festival do ano, ou seja, mostra os filmes do mercado atual e exibem filmes de qualidade.”, ressalta a estudante que completa: “É enriquecedor para um aluno de cinema ter esse contato com festivais”. 

 A professora Maria Marta, de 53 anos, a aniversariante chegou a cidade com a família para passear. “É a minha primeira vez em Tiradentes, queria fazer algo diferente, e como é meu aniversário, acabamos vindos parar aqui, o que foi uma grande surpresa a Mostra.”, relata a turista ressaltando que esses eventos são de extrema importância para a cultura, que segundo ela, muitas vezes é posta de lado. A  Cine-Tenda pegou ela e o marido Flávio Neto, de 61 anos, de surpresa, “As coisas que me faz vim a cidades históricas são as igrejas e a arquitetura das casas, pois sou católico. Vimos que estava acontecendo a Mostra na cidade e resolvemos ficar.”, declara o construtor.

O jovem Rai Batista de Melo, de 25 anos, compareceu a abertura com muitas expectativas, “Eu sou uma pessoa que me interesso pela a área, faço cursos de atuação e pretendo cursar Teatro na faculdade.”. Para o Inspetor de Qualidade a Mostra de Cinema de Tiradentes é um gancho para quem gosta de cultura, cinema, teatro, além de agregar experiência. Natural de uma cidade vizinha, Dores de Campos, Rai demonstra satisfação com a escolha do homenageado, “Assim como o negro, o gay, as mulheres, estão conseguindo cada dia mais o seu espaço, que hoje ainda é pouco, mas acredito que daqui há alguns anos isso vai mudar. O importante mesmo é o respeito, não importa a cor, classe ou gênero.”. Batista acredita que Babu Santana está conquistando seu espaço e a prova disso e a homenagem desde ano.

Por Ked Maria

A pequena Tiradentes entra mais uma vez na rota dos amantes da sétima arte, a 21ª Mostra de Cinema começa nesta sexta, 19 e se estende até o dia 27 de janeiro com uma programação gratuita e bem diversificada que atende toda a família. Será uma semana de seminários, exibições de longas e curtas, lançamento de livros e DVDs, exposições, oficinas, shows e muito mais. O tema desde ano é o Chamado Realista, que reúne títulos que exprimem a demanda social do público e traz filmes que tratam sobre feminismo, violência, política, protestos, segregação e manipulação midiática, referenciando as discussões cotidianas e os noticiários.

A 21ª Mostra de Cinema Tiradentes se consolida como um importante canal de lançamento do cinema brasileiro contemporâneo, abrindo oportunidades e espaço para os iniciantes. Exibindo filmes em pré-estreias mundiais e nacionais, títulos premiados e de destaque em festivais no Brasil e no exterior. Neste ano, na Mostra Homenagem, estará Babu Santanta, ator brasileiro que ganhou destaque pelo seu trabalho na televisão brasileira e no cinema, totalizando 23 filmes entre eles Estômago e Tim Maia.

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Por: Kedria Garcia

Com tema “Vendas para o Natal”, Belo Horizonte recebeu o 1º Congresso de Confeitaria de Minas Gerais, nos dias 21 e 22 de outubro. O Confeitar Minas 2017 chegou na capital trazendo diversos workshops, palestras, receitas e gastrônomos renomados, com a intenção de oferecer uma oportunidade de aperfeiçoamento para os profissionais da área. O evento realizado no Ouro Minas Palace Hotel, teve o foco no empreendedorismo feminino com o objetivo de preparar os participantes para aproveitar as novidades e tendências do mercado, visando o destaque da concorrência, o aumento das vendas e o aperfeiçoamento, além de incentivar o negócio próprio.

A administradora de marketing e confeiteira, Danielle Neves, que é organizadora do evento, conta como foi juntar as duas paixões: o doce e a formação acadêmica. “As duas coisas estão ligadas, quando se tem o produto a necessidade é de venda e de divulgação com toda as estratégias de marketing uma coisa casa com a outra, então é bem tranquilo, além de ser uma coisa que eu sempre fiz.”, destaca.

A doceira enfatiza que o congresso veio na contramão da crise, incentivando a transformação da cozinha em uma empresa, produzindo com qualidade. “A confeitaria principalmente nesse momento de desemprego, cresceu muito, muitas pessoas que perderam seus postos de trabalho migraram para a confeitaria.”, Neves completa dizendo que é um ramo muito democrático, pois abraça todo mundo, além de ser desafiador, motivo pelo qual muitos desistem “Tem que ter paixão para ingressar na área de alimentação”.

“Não adianta falar: ’vai ser só para ganhar dinheiro’, porque isso não funciona, tem que ter amor, tem que ter paixão.” Danielle Neves, organizadora do Confeitar Minas

Encantado pelo o mundo dos doces Felipe Nogueira de 23 anos, compareceu no Confeitar Minas como expositor, em sociedade com mais dois amigos, o jovem realiza o sonho de trabalhar com bolos. “Eu sempre gostei de cozinhar, particularmente eu gosto mais de fazer a parte de dentro dos bolos, os recheios, trazendo os sabores”, revela Nogueira que alega deixar a parte da criação para os parceiros. Segundo o confeiteiro, Belo Horizonte tende a crescer no ramo dos bolos. “Um exemplo claro disso é uma cliente que disse que às vezes precisava ir para São Paulo para encontrar bolos assim, ou seja, BH está crescendo bastante é uma coisa inovadora”.

Felipe Nogueira, expositor.

O congresso atraiu diversos públicos, como no caso da gestora financeira Silvana Oliveira de 48 anos, mãe da estudante Marília Oliveira de 14 anos, que compareceu para acompanhar a filha. “Acho importante essas feiras com palestras, principalmente para os estudantes que estão iniciando nessa área, pois eles querem desenvolver.” relata Silvana. Já Marília, fã de Master Chefe Júnior diz que pretende ingressar na confeitaria, “Cozinho desde os 12 anos e acho que é bom aprender com quem sabe mais que a gente.”, conta a estudante.

Geisiane Isabel, confeiteira

Geisiane Isabel de 25 anos, confeiteira há mais de 10 anos ficou sabendo do evento pelas as redes sociais, e é uma das participantes do grupo Empreendendo no Lar Doce Lar criado por Danielle Neves. “Falta crescimento na confeitaria, nos sentido que as pessoas precisam se aventurar mais, tanto os clientes a pedirem bolos diferentes como os confeiteiros se arriscarem a fazer.”, desabafa a participante e completa alegando que apesar da demanda ser pouca a capacitação é necessária. A jovem conta que aprendeu a profissão ajudando a mãe que produzia e vendia doces no trabalho, com o tempo foi se aperfeiçoando e conquistou a independência com os bolos no pote e tudo que a confeitaria proporcionou.

 

Texto Patrick Ferreira
Fotografia Lorena Gabrielle


“A gente tá metendo o pé na porta e dizendo: “Estamos aqui, devemos ser respeitados e queremos ser vistos
”“. Afirma Carlandréia Ribeiro, curadora do Festival de Arte Negra de BH 2017.

O Festival de Arte negra de Belo Horizonte iniciou no último domingo (15), com um concerto da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e Coral lírico. O FAN 2017 busca exaltar o protagonismo da mulher negra na sociedade. Mais de 100 atrações vão se apresentar em diferentes locais da cidade. A plateia estava cheia e entre os espectadores, estava Carlandréia Ribeiro, que está como curadora nesta edição do Festival, atuando na coordenação das peças teatrais do FAN. Em um bate-papo natural e produtivo, Carlandréia falou um pouco sobre o festival, a força da mulher negra e as peças teatrais que participarão do Festival de Arte Negra, leia:

 Para você, o que é Arte Negra?

R: Essa pergunta é até difícil de responder por que a arte negra é tão ampla, tão grandiosa, ela não se resume ao samba, ela não se resume ao tambor. A arte negra também é “Borg and Bass” como a gente vai ver daqui a pouco, a arte negra é escultura, é arquitetura, é tecnologia, é dança, é musica, enfim, é extremamente ampla, diversificada e rica, sobretudo rica.

Porque a escolha de peças como “Vaga Carne” de Grace Passô e quais os impactos que essas peças podem trazer para o público?

R: A Grace Passô é uma criadora negra que nós temos no Brasil que vem nos trazendo uma perspectiva sobre o que seria o teatro negro. Têm muito a ideia que o teatro negro ou a arte negra se apoia somente em uma ideia de tradição; mas a Grace com a dramaturgia dela, com a atuação, pois é uma atriz fabulosa, talvez eu a considere, hoje, a melhor atriz que nós temos no Brasil. A Grace traz pra gente esse olhar contemporâneo, esse olhar que penetra as relações sociais, familiares. Ela coloca isso de uma maneira extremamente contemporânea, com um olhar agudamente crítico sobre essas relações. Então, a escolha de “Vaga Carne”, é por ser um espetáculo que ela traz pra gente uma corporeidade, inesperada. Mais inesperada ainda são as vocalizações que ela traz. Tudo isso indica que Grace Passô é uma voz contemporânea do fazer artístico afro- brasileiro.

Qual a importância da representação negra no teatro?

R: Importantíssima, pois se olhamos a mídia brasileira, a representatividade é baixíssima e quando aparece é de uma maneira mais negativa. Sempre o negro em posição de subalternidade. A mídia de modo geral, coloca os negros sempre nesses lugares subalternos. Ou é o bandido, ou é a empregada (não desmerecendo essa profissão), ou é a mulher hiper sensualizada, que é uma coisa que objetifica o corpo negro em vários aspectos. Então a gente vê Lázaro Ramos, Taís Araújo, Grace Passô, já no cinema, sendo premiada… Quando a gente vê esse tipo de representação do negro na mídia, é extremamente importante porque positiva a nossa presença e isso pra criança, pro jovem, pra aquela pessoa que ainda está se descobrindo negra, é fundamental.

 Como foi para você, participar da curadoria do Festival de Arte Negra de BH?

R: Eu já tive várias experiências no FAN. Desde que ele nasceu em 1995, como espectadora; depois fui convidada a coordenar áreas do FAN, como mercado de culturas. Ao longo desses anos todos participei como coordenadora ou como artista. Na edição de 2015, por exemplo, participei com o espetáculo “Memórias de Bitita” que conta a vida e obra da escritora negra Carolina Maria de Jesus e neste ano eu tive a grata honra, estou me sentindo muito honrada e feliz de fazer a curadoria do FAN, ao lado de mulheres muito especiais como Black Josie, Caru, com a coordenação geral de Rosália Diogo. Estou feliz de estar nesse lugar e contribuir com esse festival que é de extrema importância. Muitos se perguntam por que existe o FAN. O FAN existe porque ainda tem racismo.  A partir do momento que esse país deixar de ser um país racista, excludente; como dizia Carolina Maria de Jesus; que coloca o negro no quarto de despejo da sociedade. A partir do momento que o protagonismo negro ocupar o lugar que ele merece, um povo que veio escravizado pra esse país, mas que civilizou esse país, que trouxe sua cultura. A gente espera que chegue um momento que essa cultura seja parte do Brasil, sem precisar da reafirmação o tempo todo, o quão importantes e belos nós somos.

Quando se fala do negro no Brasil, todos já pensam em lugares específicos como a Bahia, Rio de Janeiro e na verdade, o negro está presente do norte ao sul, não é verdade?

R: Estamos presentes no país inteiro, fomos colocados à margem. Primeiro pelo processo de escravização, depois nos anos pós-abolição. Fomos invisibilizados e hoje estamos aí botando a nossa cara no sol, mostrando nosso poder e essa edição onde elegemos a mulher como centro do festival, é de extrema importância, porque primeiro a gente referenda e reverencia àquelas que vieram antes de nós, nossas matriarcas, nossas Yabás, Yalodês, àquelas que sempre foram mantenedoras dos bens materiais, mas especialmente dos bens simbólicos da população afrodescendente. Também celebrar essa mulher contemporânea, como falei da Grace que representa muito isso do ponto de vista do teatro. Hoje temos mulheres que estão buscando conhecimento em universidades, que estão lecionando, ocupando espaços que até então nos foram negados e a gente tá metendo o pé na porta e dizendo: “Estamos aqui, devemos ser respeitados e queremos ser vistos”.

O Festival de Arte Negra de Belo Horizonte acontece 15 a 22 de outubro. Música, teatro, danças, cinema, exposições e oficinas serão apresentadas em diferentes pontos de BH. Para visualizar a programação completa do festival é só acessar o site www.fanbh.com.br.

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Reportagem realizada em parceria de Lucas D’Ambrosio do Jornal ContramãoBruna Ferreira e Leandro Barbosa, do História Incomum

Uma das comunidades atingidas pelo rompimento da barragem de Bento Rodrigues, em 2015, é a vila Crenaque, no interior de Minas Gerais. Localizada a 17 quilômetros da cidade de Resplendor, a vila está situada entre a linha férrea da Vale e às margens do Rio Doce. 
Quase dois anos após a destruição do rio, a comunidade reivindica auxílio e direitos das empresas responsáveis pelo crime ambiental. De acordo com moradores e representantes comunitários, são quase 130 pessoas que moram no local e que dependem diretamente do rio como fonte de sustento, lazer e economia.

Outro problema que dificulta o diálogo da comunidade com a Fundação Renova – empresa criada pela Samarco, Vale e BHP, responsável pela gestão e reparação dos danos causados pela lama da barragem, é a confusão de nomes entre a vila Crenaque com a aldeia indígena Krenak, que está localizada na mesma região, mas na outra margem do rio.
 
Atualmente, as empresas arcam com o pagamento de um salário mínimo e uma cesta básica para os pescadores registrados. Porém, essa compensação não seria o suficiente, tendo em vista que os danos foram causados a todos da comunidade. Antes do rompimento, a água do rio era utilizada para uso doméstico, na produção, cultivo e para o consumo. Principal fator de reclamação, os moradores alegam que não existe qualquer ajuda das empresas quanto ao abastecimento de água.
 
Atualizado às 18:29 de 26/06/2017:

Em nota, a Fundação Renova alega que a vila Crenaque não é abastecida pelo Rio Doce. Por isso, não há destinação de água para a comunidade. De acordo com a assessoria da empresa, as ações de reparações são realizadas “nos municípios das áreas de abrangência socioeconômica definidas no Termo de Transação de Ajustamento de Conduta (TTAC)”. Dentre os municípios listados, consta a cidade de Resplendor.