A inflação sobre os alimentos diante a crise econômica no Brasil

A inflação sobre os alimentos diante a crise econômica no Brasil

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Diante da crise econômica que cerca o Brasil, os preços nas prateleiras tendem a aumentar cada dia mais. O Índice de Preços ao Consumidor – Classe 1 (IPC-C1) está muito superior ao teto da meta de inflação do Banco Central, que é de 6,5%. O resultado também ficou acima da previsão dos economistas do mercado financeiro para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a chamada inflação oficial. A taxa para a baixa renda ficou acima da registrada para o conjunto da população, calculada pelo Índice de Preços ao Consumidor – Brasil (IPC-BR), que atingiu 9,73% nos últimos 12 meses.

Segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no dia 07 de Agosto, a inflação sobre alimentos e bebidas, em julho deste ano, foi de 0,65%.

As maiores altas foram no feijão-mulatinho com aumento de 8,88%, 3,53% no fubá, 3,09% no leite longa vida e 2,85% na cebola, esta que subiu menos do que em junho, quando o preço havia aumentado 23,78% – uma vez que comparando os preços de 2014 e 2015, este teve alta de 155,19%, mais do que o dobro.

No geral do ano de 2015, até Agosto, os alimentos que mais subiram de preço foram, depois da cebola: feijão-mulatinho (35,57%), batata-inglesa (24,6%), feijão carioca (22,66%) e ovos (15,52%), já o café ficou 10,52% mais caro de janeiro a julho.

Mas nem tudo teve alta, alguns alimentos caíram de preço em julho, como o tomate, que teve queda de 10,77%, mas ainda acumula alta de 41,24% em 2015. Também caiu em julho o preço do açaí (-7,51%), do feijão fradinho (-4,13%), do feijão preto (-4,04%) e da cenoura (-3,37%).

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Em entrevista com José Jorge de Oliveira, 61 anos, aposentado pelo Correios há 5 anos, a inflação tem tornado sua vida mais complicada, já que seu salário não acompanha o aumento dos preços e nem mesmo o aumento de outros salários, como o salário mínimo. “Quando trabalhava, na época de Fernando Collor, ainda dava para segurar as pontas, hoje tudo está bem mais caro e o salário só tem diminuído… Claro que o ajuste fiscal pode ser algo passageiro, o Brasil passou por outras crises e conseguiu sair delas, mas estamos vivendo um momento de apreensão.”

“Não é apenas o governo que tem cortado dinheiro de seus principais programas, a população está tendo que lidar com os cortes na hora de fazer compras, por exemplo,” complementou José Jorge. O aposentado, que trabalha atualmente em uma ONG como voluntário administrativo desde 2010, confirma também que o alto preço e a instabilidade deles tem prejudicado seu trabalho. “Todo início de mês tenho que repassar o dinheiro para pagar as contas e também para o pessoal que trabalha na cozinha. O que tem nos ajudado são as doações que estamos recebendo de alguns mercados, já que a luz e a água aumentaram o dobro do que pagávamos aqui”.

Segundo Mirian Leitão, durante uma matéria sobre a inflação nos alimentos para o jornal Bom Dia Brasil, da Rede Globo, “a previsão dos economistas para o ano que vem é otimista: a inflação vai cair bastante – do nível de 9%, 9,5% para 5%, 5,5%. Essa é a previsão da maioria dos analistas, economistas, gente do mercado. Mas quando perguntamos como, ninguém sabe muito bem.

Eles dizem o seguinte: ‘o aumento de energia deste ano não vai se repetir na mesma intensidade no ano que vem. Então isso tira uma parte grande da inflação desse ano. O risco é a indexação. Quando a inflação fica muito alta, a tendência das pessoas ou das empresas é tentar correr atrás desse número antigo, ou seja, a indexação’”.

Diante da alta dos preços dos alimentos, o nutricionista Aurélio Tofani nos deu dicas de como ter uma alimentação saudável gastando pouco. Ouça o podcast a baixo:

Por: Julia Guimarães, Sthefany Toso e Victor Barboza

Infográfico: Marina Rezende

 

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2 COMMENTS

  1. Parabéns pela iniciativa. Primeira vez que vejo uma matéria de economia no jornal. Rolou uma confusão com os dados no início do texto, como não citam o valor da queda do tomate exibido no gráfico, por exemplo, na primeira parte, como com alguns outros alimentos. E faltou colocar uma legenda no gráfico falando de qual período específico são os dados (no texto citam agosto/2015, julho/2015, últimos 12 meses e comparativo 2014-2015).

    No mais, parabéns pela iniciativa da pauta ficou bem bom! :)

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