Artigo de opinião: A jornada de trabalho em casa

Artigo de opinião: A jornada de trabalho em casa

Créditos: Freepik

Por Arthur Paccelli

A pandemia da covid-19 trouxe consigo uma das maiores mudanças comportamentais da história. A maior e mais eficaz recomendação das autoridades de saúde é ficar em casa, o que resultou em reviravolta na rotina de trabalho de milhões de pessoas ao redor do mundo. Basicamente, todo serviço possível passa a ser feito em casa.

Home office antes da pandeia, para muitos, era uma realidade distante. Muitos acreditavam ser impossível fazer o trabalho fora do escritório. Diante de um cenário cujo ato de sair de casa se transformou em sinônimo de correr riscos, não houve outra escapatória a não ser aderir.

Historicamente, o ambiente do lar é associado a um refúgio de tudo aquilo que nos desgasta e nos estressa no mundo externo. Ouvimos, desde sempre, que não se deve levar trabalho para casa. A “cultura” de desmembrar, radicalmente, a casa do trabalho gerou resistência e delonga na adaptação ao novo modelo.

Isto é, nosso subconsciente percebe a casa como ambiente de descanso. Logo, o foco no trabalho é afetado, não somente pela mudança do ambiente, claro, mas, também, devido ao clima de incertezas de uma pandemia. Não se pode negar que um local tranquilo propicia uma experiência de trabalho melhor.

Pessoas que moram sozinhas, geralmente, não veem problemas, e até preferem o home office. Por sua vez, aqueles que moram com a família, ou têm crianças em casa, por exemplo, encontram dificuldade de adaptação e preferem ir ao escritório. Isso se reflete na situação daqueles que não detêm espaço silencioso e calmo, separado do restante da casa, para trabalhar.

Inúmeros trabalhadores não têm sequer uma estrutura de mesa e cadeira adequadas para o exercício da função. Assim também ocorre no contexto de regiões de periferia, onde não há rede de internet de boa qualidade.

A jornada de trabalho, talvez, tenha sido a que mais sofreu alterações. Como não é mais considerado o tempo de deslocamento de casa à empresa, o trabalhador “ganhou” horas a mais. Em diversos casos, o expediente começa um pouco mais cedo, e só termina quando as demandas acabam, pois não há mais aquela pressa para ir embora.

Uma vez que o motivo de não sair de casa – nem para trabalhar – seja prevenir-se de uma doença, não há o que questionar. A verdade, contudo, é que trabalhar em casa, como tudo da vida, tem dois lados. Os prós e os contras do home office são bem correlatos: ainda que dispensar o uniforme, o dress code, e poupar o tempo do transporte possam ser agradáveis, não ter interação direta com os colegas, ou com o chefe, pode ser estressante, principalmente, em trabalhos de equipe (situação, aliás, da maioria).

Em tese, o modelo de trabalho em home office exige, acima de tudo, paciência, organização e foco. Não podemos romantizar as atuais circunstâncias, pois os desafios são diários. Em meio à atual crise socioeconômica global, é de grande valia ter um emprego. Voltaremos aos escritórios sabendo valorizar e apreciar o melhor dos dois mundos.

 

*Edição: Professor Mauricio Guilherme Silva Jr.

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