#CRÔNICA: AMOR ou PAIXONITE?

#CRÔNICA: AMOR ou PAIXONITE?

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Arte retirada do site Gartic

Por Pablo Abranches

Paixão: palavra que nos remete a sensações ardentes, mas ao mesmo tempo tão volúveis. É a perturbação, é movimento desordenado, é predileção. Mas então o que viria a ser paixonite? Sim. Paixonite, que vem de paixão, porém com o sufixo ITE. Seria uma doença, uma inflamação que nos acomete do nada? Tem tratamento? Como curar um sentimento?

Agora o amor. O amor é substantivo masculino. Ah, mas os homens, eles amam mais? Nós amamos mais? Homens e homens, mulheres e mulheres, homens e mulheres. Na montanha-russa da diversidade e das relações como definir tamanha sensação que por vezes só descobrimos que sentimos depois que acaba. Vai aí uma pequena situação:

Julho, mês de férias: uma puxada pelo braço e um piscar de olhos. O interesse foi demonstrado. Três dias de buscas nas redes sociais. Até que a mensagem finalmente chegou da parte dele. Aí, você pensa: o interesse é recíproco. Naquele momento a euforia toma conta. É a etapa do conhecer. Será amor, paixão ou paixonite? Melhor não tentar entender.

Semanas seguintes de puro deleite, de puro desfrutar a dois e com os amigos. Bebedeira e noites dormindo de conchinha. Está aberta a fase do desenvolvendo da paixonite. Só não da parte de quem. Muita adrenalina, dopamina, serotonina, endorfina, muita INA nos neurônios. E o perigo está aí. São drogas que te dominam de forma natural. Mas os efeitos podem ser graves. Grave para que realmente se envolveu. Haja sequelas!

Começa a outra fase. Comemora-se dois meses de convivência. Para quem é amor, se lembra da data.  Para quem não sabe definir o que sente só vem a indiferença. “Ah, preciso estudar, faculdade me toma todo o tempo todo, impossível falar até pelo WhatsApp, meu trabalho consumindo as energias, eu faço o que eu quero. Ufa! Apenas desculpas! Mas quando é amor, tudo se ajeita. Mas a verdade é uma só, seja a paixonite ou o amor, ambos devem estar na mesma frequência. Sim, a frequência tal química do amor?

Aceitar o outro como ele é, apesar do clichê, é a prova viva do amor. Aliás, amor é amar até na inutilidade do outro. Como diria um famoso padre que desperta paixões, é colocar ao sol, mas também é quem te tire dele. Ame-o. Não ame quem se livra de você para se livrar de um peso na rotina. Isso é não é paixonite, muito menos amor, é no mínimo egoísmo.

Amar é tentar mais uma vez. É esconder o orgulho e tentar esclarecer. Egoísmo nem dói depois. Só se lamenta. Nem explicação se tem. Mas uma coisa é certa: a experiência fica e com ela a vontade de tentar outra vez. Vai que outra paixonite vire amor? Vai que outro amor vire paixonite? Fato é que quando dois afetos se afetam, mesmo num momento de tantas incertezas relacionais, o afeto vira paixão, a paixão vira amor. Quanto a paixonite? Este é só um neologismo para definir aquilo que não se define. Talvez, um tipo de amor!

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