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Por Bianca Morais

21 de janeiro é comemorado o Dia Nacional do Combate à Intolerância Religiosa. A data foi escolhida em homenagem à Iyalorixá Gildásia dos Santos e Santos, também conhecida como mãe Gilda, ela era do Candomblé e morreu de infarto após ver seu terreiro destruído por fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus.

Apesar de laico, o Brasil é majoritariamente católico e as religiões que mais sofrem preconceito são as afro-brasileiras, fato diretamente ligado ao racismo cultural. A intolerância religiosa existe em todo o mundo, os Estados Unidos e países da Europa, por exemplo, discriminam o islamismo, pois o associam ao terrorismo, no Brasil isso teve início a muitos anos atrás quando os portugueses catequizaram os índios e posteriormente com os escravos.

“O Estado é laico, mas nosso governo é cristão”, disse o presidente Bolsonaro certa vez, com o slogan de campanha “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, o presidente do país exclui todos aqueles que não tem o nome “Deus” como o ser supremo de sua religião. A democracia proíbe um vínculo direto entre Estado e Religião, mas não é isso que se assiste diariamente. 

A maioria dos casos de denúncias contra intolerância religiosa parte de grupos vinculados ao Candomblé e a Umbanda que veem ataques constantes a seus terreiros de orações, e muitas das vezes essas agressões saem do terreiro e passam a ser verbais, físicas, entre outras.

A intolerância religiosa na pele

Sérgio Batista, tem 39 anos e cresceu ao lado da mãe Maria Marli, que faleceu a alguns anos atrás. Marli era cartomancista, benzedeira e fazia simpatias, trabalhos e cirurgias espirituais, pela profissão de sua mãe o rapaz constantemente sofria discriminação na escola.

Sérgio e a mãe Marli

“Chamavam minha mãe de bruxa, batedora de tambor, falavam que ela iria transformar os outros em sapos e que eu vivia em cemitério, jogavam terra de cemitério na porta de casa  e diziam que eu fedia a coveiro”, conta ele.

Criado na umbanda, religião que mistura elementos afro-brasileiros, catolicismo, lendas indígenas e o espiritismo de Allan Kardec, Sérgio foi formado em princípios conceituais de “Luz, Caridade e Amor”, do espiritismo e cultuado no orixás assim como no candomblé, e independente de toda discriminação que a religião traz ele nunca se deixou abalar.

Muito da intolerância religiosa vem na realidade de uma ignorância de milhares de pessoas  que se recusam a conhecer mais a fundo uma religião diferente da dela, por entender que a única visão de mundo possível é a sua, quando se trata de uma cultura negra é ainda pior, pois não é de hoje que existe uma negação a história desse povo. 

“As pessoas falam que macumba é ruim, mas não sabem que na verdade macumba se refere a um instrumento de percussão, falam de terreiro mas não sabem que é um local de orações”, descreve Sérgio.

Outras fés têm o hábito de generalizar as religiões de origem africanas sem buscar entendê-las. Marli por exemplo, nasceu com o dom da revelação e ao descobrir isso soube que precisaria doutrinar aquilo. 

“A medida que a gente doutrina determinados encargos ou pesos essa responsabilidade que é te dada se torna mais leve e tranquila de lidar, porque a partir do momento que você não canaliza esse dom da forma correta ele pode se tornar uma maldição na sua vida”, explica ele.

Os ensinamentos da umbanda

Foi através de muito estudo com pessoas mais velhas como anciões e benzedeiras, que Marli foi aperfeiçoando seu dom até ser uma médium conhecida. Começou como kardecista antes de ir para a umbanda. O kardecismo é basicamente o estudo do espírito em si, do conhecimento, uma linha branca, a partir do momento em que ela chegou até o ápice do seu aprendizado nessa área, ela viu que precisava de mais, porque a linha de seu dom a puxava para outra vertente.

“Na umbanda ela se descobriu, não chegou a virar mãe de santo por falta de oportunidade e sim porque não queria se dedicar àquilo como obrigação única”, esclarece Sérgio.

Marli trabalhava fazendo simpatias na linha branca, aquela que não faz a utilização de sacrifícios apenas meios naturais que vem da natureza, durante um tempo o filho a ajudou, a mãe iniciava e ele procurava o local de fazer a entrega.

“Exemplificando, alguém aparecia com um trabalho para adoçar uma pessoa, nesse tipo de simpatia minha mãe fazia a montagem, as orações e pedia licença para iniciar as atividades, nesse caso eram sete qualidades de doce e colocá-los em um cupinzeiro”, comenta ele.

Por muitos anos pessoas com dons como os de Marli eram internadas em sanatórios e afastadas do resto da sociedade, essa situação começou a mudar à medida que as entidades afro que tinham maior entendimentos chegaram ao país, mesmo assim por muito tempo foram impedidos de fato praticar suas crenças.

Terreiro não é tudo igual

Segundo Sérgio, dentro das origem religiosas afro-brasileiras existe um caminho conhecido como quimbanda, que pratica “magia negra”, rituais de sacrifícios envolvendo sangue, acontece que essa é uma linha muito diferente, por exemplo, do que ocorre dentro da umbanda e candomblé, porém por causa do preconceito outras religiões englobam tudo em um único conceito, tratando todos como iguais.

“É aí que entra toda a intolerância religiosa, porque as outras religiões enxergam todos como um, e não é, assim como evangélicos, católicos tem suas linhas o espiritismo também tem as suas. À medida que você resolve utilizar determinada linha existem responsabilidades, e o preço que é pago por aquilo ali, se você faz o mal, a pessoa que solicitou o mal vai receber o mal e o executante que fez também”, completa.

Médium do bem

Maria Marli morreu a quatro anos de um câncer no pulmão, durante sua vida ela se dedicou a ajudar as pessoas com seu dom, muitos a acusavam de charlatanismo por cobrar os serviços, porém ela não se importava com os comentários maldosos, afinal havia sido sua entidade que a orientou na cobrança, pois ela ajudava aos outros e esquecia de se ajudar.

Mesmo sendo atacada por membros de sua família que diziam não ser normal criar os filhos daquela maneira, constantemente tendo evangélicos na porta de sua casa fazendo orações e a chamando de filha do demônio, acusada de charlatanismo por clientes sem fé e tendo um marido que não lhe apoiava, Marli nunca deixou de cumprir sua missão e usar seu dom para o bem.

“Teve um período que meu pai chegava a trancar minha mãe dentro do quarto para ela não atender as pessoas, isso até determinado ponto que a entidade chegava e ou ele deixava ela atender ou a entidade não dava paz dentro de casa”, relembra Sérgio.

Apesar de tudo que passou, Marli fez sua passagem e cumpriu sua missão na terra de ajudar o próximo. Diferente da visão preconceituosa de muitos, a única coisa que a médium pregava era amor, carinho e prosperidade. 

Respeito acima de tudo

“Respeito é algo primordial, a sociedade deve ter a consciência de que é preciso respeitar a religião do próximo, se não aceitá-la é necessário ao menos respeitar. Entrar dentro do templo religioso de alguém e profanar aquilo é como se elas estivessem desrespeitando a casa de Deus, porque os fiéis daquela religião entram nesses lugares para conversar com o Deus deles, e à medida que o sujeito entra ali com o intuito de vandalizar, ele não tem respeito. As pessoas julgam aquilo que ela não conhece como um ato satânico e não funciona assim, todos as religiões tem seu lado sombrio, e não vai ser a evangelica, a catolica, a espiritual, a kardecista, ou umbandista que vai mudar isso, o que precisa mudar é o respeito”, conclui Sérgio.

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Vacinação contra a gripe Influenza em postos de Drive-Thru, no Lago Norte . Sérgio Lima/Poder360 24.02.2020

Por Daniela Reis 

E depois de tantas incertezas e discussão política, o Brasil completa um ano de vacinação contra a Covid-19 com quase 70% da população já imunizada com a segunda dose ou dose única. Enquanto no auge da pandemia o país registrava mais de duas mil mortes por dia, atualmente a média próxima é 130. 

O Brasil viveu momentos de muitos atritos, tanto que a imunização iniciou-se com atraso comparada a países como Argentina, Chile e México. Porém evoluiu de maneira surpreendente, uma vez que a população aderiu a campanha e encheu os postos de vacinação em todos os estados. 

Mesmo superando outras potências em porcentagem de imunizados e com a incrível queda de mortes e casos graves provocados pelo coronavírus, o país ainda enfrenta desafios importantes de combate à pandemia que é o surgimento da Ômicron, uma cepa fez a média móvel de casos no Brasil subir mais de 600%. 

A Ômicron

O primeiro caso confirmado dessa cepa no Brasil, aconteceu no final de novembro de 2021. Naquele momento não se podia prever a rapidez com que o vírus se proliferaria e causaria tantos novos casos. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, chegou a dizer  que a nova cepa “não é variante de desespero” e que o Brasil estaria preparado para uma nova onda de casos do novo coronavírus.

Porém, quase dois meses depois, o tsunami de infecções provocado pela nova variante registra, dia após dia, recorde no número de casos: no mundo, foram mais de 3,2 milhões em 24 horas; no Brasil, a média móvel subiu mais de 600%. 

Ao contrário do que previa o ministro, o país não conseguiu acompanhar a evolução da situação pandêmica. Com a explosão de casos do novo coronavírus, algumas capitais brasileiras já estão sofrendo com grandes filas e lotação de pacientes.

O avanço da variante está provocando falta de profissionais de saúde na linha de frente do combate aos efeitos da doença, devido aos afastamentos de profissionais. Além disso, prefeituras e secretarias de saúde lutam contra a falta de estoque de testes para a detecção dos vírus das duas doenças.

Um estudo feito pelo Instituto Todos pela Saúde (ITpS), em parceria com os laboratórios Dasa e DB Molecular, constatou que a cepa prevaleceu em 98,7% das amostras analisadas no Brasil. Os pesquisadores analisaram 8.121 amostras coletadas entre 2 e 8 de janeiro de 2022.

Desde o dia 1º de dezembro de 2021, os pesquisadores testaram um total de 58.304 amostras em 478 municípios de 24 estados e do Distrito Federal. A Ômicron foi identificada em 191 municípios de 17 estados: Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e também no Distrito Federal.

A análise demonstrou também, um aumento nos testes positivos para COVID-19. Entre a última semana de 2021 e a primeira de 2022, a positividade nos testes saltou de 13,7% para 39,5%.

Vacinação nas crianças 

Mais um avanço para conter a pandemia aconteceu no dia 05 de janeiro, quando o Ministério da Saúde incluiu as crianças de 05 a 11 anos no plano de vacinação contra a covid-19. 

Segundo a nota técnica divulgada pelo governo, a ordem de prioridade na imunização será a seguinte:

  1. crianças de 5 a 11 anos com deficiência permanente ou com comorbidades
  2. crianças indígenas e quilombolas
  3. crianças que vivem em lar com pessoas com alto risco para evolução grave de Covid-19
  4. crianças sem comorbidades, em ordem decrescente de idade: primeiro, as de 10 e 11 anos; depois, as de 8 e 9 anos; em seguida, as de 6 e 7 anos; e, por último, as crianças de 5 anos.

No entanto, estados e municípios podem decidir sobre a vacinação.

Após tantas discussões, o Ministério da Saúde orienta que os pais “procurem a recomendação prévia de um médico antes da imunização” – mas não exigirá receita médica para aplicar a vacina.

A autorização por escrito só será necessária se não houver pai, mãe ou responsável presente no momento em que a criança for vacinada.

A vacina será dada em duas doses e com 21 dias de intervalo,  assim como nos adultos, mas a dosagem, a composição e a concentração da vacina pediátrica são diferentes da dos adultos.

O frasco da vacina para crianças também terá uma cor diferente daquela aplicada em adultos, para ajudar os profissionais de saúde na hora de aplicar a vacina.

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Do clássico ao funcional, marcas apresentam coleção outono/inverno 2022 na Semana da Moda Masculina de Milão

Por Álvaro Botelho

Enquanto o Brasil espera o carnaval passar para começar o ano, Milão não perde tempo e abre a temporada de inverno masculina. As passarelas italianas são conhecidas pelo requinte, por serem clássicas e valorizarem o trabalho manufaturado. Dessa vez não foi diferente, mas com uma nova roupagem. 

Ficou visível que todo o assunto sobre se reinventar, que tanto foi pautado no começo e auge pandêmico, resultou em uma abordagem para cativar a nova geração e se adaptar para um mundo que pede pelo funcionalismo, mas que carrega muita identidade. 

A Zegna abriu Milão com uma proposta esportiva, minimalista e com ótimas combinações de cores.

Zegna – Inverno 22

 

A Fendi propõe um novo clássico, com cortes mais expressivos e pretende mudar a forma como a juventude vê a alfaiataria, além de não temer em comunicar uma imagem sexy e mais feminina para o homem atual. 

Fendi – Inverno 22

Falando em feminilidade, Prada marca as cinturas e exubera os ombros para nos inserir em uma ficção, onde o futuro e a natureza andam lado a lado com um casting repleto de celebridades experientes e atuais. Os modelos saem de uma ambientação futurista e os looks imponentes fazem todo sentido para um futuro que aprendeu com suas falhas (Destaque para os macacões de nylon prada estampados). 

Prada – Inverno 22
Prada – Inverno 22

Mas nem tudo é minimalista em Milão. O show opulento ficou por parte da dupla mais controversa da moda. Dolce&Gabbana escolheu o casal do momento para ser a grande estrela da noite, estou falando de Megan Fox e Machine Gun Kelly. O rockeiro loiro abre a passarela com um terno coberto em pedraria, deixando claro que o guarda-roupa masculino atual é carregado de muita identidade e personalidade. 

Dolce&Gabbana – Inverno 22

Milão trabalha muita sobreposição, modelagens clássicas, mas com personalidade e acima de tudo funcional. O futuro pode ser simples, amigo da natureza e não exclui o clássico, pelo contrário, celebra todos os antepassados, mas agora construído dentro daquilo que faz sentido em nossa nova realidade.

 

Edição: Keven Souza

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Por Bianca Morais 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 12 milhões de brasileiros sofrem com depressão, a população está adoecendo em quantidade e velocidade preocupantes. Janeiro é o mês dedicado a conscientização para os cuidados com a saúde mental, cuidar da mente é cuidar da vida, o ser humano é um conjunto de corpo, mente e espírito, muitas vezes acaba se cuidando apenas do corpo e se esquece de cuidar da mente, sendo que ela influencia diretamente no corpo, se a saúde mental não está boa, ela pode atingir o corpo, abaixando a imunidade, por exemplo.

Em 2014, com objetivo de conscientização da promoção e proteção da Saúde Mental,  psicólogos da cidade de Uberlândia em Minas Gerais criaram o termo “Janeiro Branco”, uma campanha brasileira que tem o propósito de dar visibilidade para o tema e fazer com que as pessoas busquem ajuda, para cuidar do psicológico.

Nos últimos dois anos, com a pandemia que ocasionou o isolamento social, muitas pessoas descobriram que “saúde mental” não é brincadeira. Sofrer em silêncio não é saudável, desabafar com os amigos é bom, mas é necessário a consciência de que um apoio profissional é muito importante. 

Em entrevista ao Jornal Contramão, a psicóloga Nicole Ornellas Nunes, psicoterapeuta com especialização em transpessoal sistêmica com ênfase em Relacionamento Abusivo e Violência Doméstica – Formada pela Acadêmia Forense em Sexologia Forense, Crimes, Psicopatologia Forense, Mediação de Conflitos e Gerenciamento de Crise responde questões sobre o Janeiro Branco e sobre saúde mental.

 

  1.       O que é o Janeiro Branco?

Janeiro branco é uma campanha voltada para a prevenção da saúde mental, visa dentro da saúde, não só a ausência de transtornos psicológicos, mas seu bem-estar e a forma como você se percebe entre as situações da vida, como você lida com seus sentimentos e emoções.

  1.       Quando essa campanha teve início?

Surgiu em 2014 por psicólogos e estudantes de psicologia em Uberlândia, Minas Gerais. No primeiro ano da campanha, as ações foram realizadas através de mini palestras, roda de conversa entre outras ações, já em 2016, tomou maior proporção com a ajuda das redes sociais e outros profissionais da saúde mental também de outros estados.

  1.       Por que a cor branca?

O Branco traz clareza, paz e tranquilidade. É uma cor que sugere libertação, que ilumina o lado espiritual e restabelece o equilíbrio interior. Por ser ausência das cores, acredita-se que como em uma “folha ou em uma tela em branco”, todas as pessoas podem ser inspiradas a escreverem ou a reescreverem as suas próprias histórias de vida, colocando cores, detalhes e alegrias.

  1.       O que você acha sobre as promessas de ano novo? Você acredita que elas possam causar frustrações?

Sou a favor, desde que todos estejam abertos para as mudanças. Mas o que vem acontecendo ultimamente são pessoas que não saem da sua “zona de conforto” e repete as mesmas ações de anos anteriores, e desta forma se torna inviável uma colheita diferente. Sim, as frustrações surgem quando coloca-se muita expectativa nos processos, e dentro das promessas para um novo ano, existe uma autocobrança enorme e uma baixa tolerância a aceitar falhas que em outras palavras são as” frustrações”. Tudo bem se você falhar!

  1.       Como psicóloga, qual sua opinião sobre a importância do Janeiro Branco?

É importante para conscientizar as pessoas de que os cuidados com a saúde mental começa de cada um,  que nossas ações ou a ausência delas, refletem na vida do outro, ter responsabilidade afetiva, empatia, são pilares fundamentais que contribuem para essa campanha.

  1.       Você percebe um aumento na procura de atendimento psicológico nos últimos anos? Se sim, ao que se deve isso?

Sim, sempre existiu um tabu dentro da psicologia, e, todos esses preconceitos foram sendo desmistificados ao longo dos anos, acredito que a internet e suas redes sociais tem muita influência para esse crescimento. Hoje qualquer ser humano tem acesso as informações e por conseguinte tirar suas dúvidas e se inteirar nos assuntos pertinentes a área, o que antes muitas vezes eram velados.

  1.       Como reconhecer que está na hora de procurar um psicólogo?

Temos uma cultura onde precisamos ter determinado “problema” para buscar ajuda, e não necessariamente. Não existe um momento exato, o trabalho de nós profissionais em teoria era para ser voltado para a prevenção, mas na prática, as pessoas procuram na UTI.

  1.       Qual o maior receio das pessoas em buscar ajuda de psicólogo? E como resolver isto?

O medo do desconhecido, por nunca ter feito, além do preconceito e crenças que existem na sociedade onde dizem que terapia é para “doido” ou terapia é um “luxo”. Só tiramos os receios e medos confrontando com verdades, pesquisem na fonte e só assim podem ter uma clareza sobre como funciona o processo.

  1.       O que se pode fazer para cuidar da saúde mental diariamente?

Ter uma saúde mental equilibrada requer muito mais de nós do que dos outros, ou seja tem muito a ver com nossos hábitos e comportamentos, diante disso, não gastar energia com aquilo que não podemos mudar, se colocar em primeiro lugar, saber dizer não, ter uma alimentação mais próximo do saudável possível, dormir bem, praticar atividade física, entre outras.

  1.     Em relação aos jovens e adolescentes, como os pais ou família podem identificar que os mesmos precisam de acompanhamento psicológico?

A fase da adolescência em si, já se torna um motivo para buscar ajuda de um profissional, principalmente por ser uma fase onde o jovem entra em conflito com sua própria identidade por ter muitas cobranças, não se ver como criança, mas também não é adulto.  Hoje em dia os pais não precisam lidar com eles sozinhos, e pedir suporte é de extrema importância para ajudar no desenvolvimento de cada um.

  1.     Como as doenças emocionais podem influenciar no cotidiano das pessoas?

Influenciam na mudança da rotina de uma forma que deixa de te trazer benefícios, se antes por exemplo, você produzia 10, e caiu para 6, é um dado a se observar, qual conflito não assimilado está sugando sua energia a esse ponto? A falta de motivação, ansiedade e estresse, libera descarga de adrenalina no corpo, e com o tempo esse excesso pode te deixar hipervigilante, ou seja, em estado de alerta sempre, e por consequência, insônias, aumento ou diminuição do apetite entre outros que com certeza desestabiliza não só o cotidiano, mas a vida.  

  1.     Qual dica você daria para que o tema saúde mental não seja lembrado apenas em janeiro, mas durante todo o ano?

É uma força tarefa, acredito que todos devem fazer sua parte nessa divulgação, tanto os profissionais sempre estarem lembrando em suas plataformas, como as políticas públicas com mais e mais campanhas nas comunidades para quem não tem acesso à internet, a própria sociedade criar esse interesse/ curiosidade para buscar e repassar por diante. A dica? Olhe para o lado, não chame a dor do outro de drama e nem “mimimi”, dessa forma vocês estariam não só lembrando, mas colocando em prática o que a campanha tem como objetivo.

  1.     Pensando na pandemia, existem algumas alternativas para manter a saúde mental durante este momento?

Existe sim, vale lembrar que não temos histórico na nossa memória de nada parecido com o que estamos vivendo hoje, portanto o desconhecido já desestabiliza, nosso cérebro tende a buscar sempre por fatos passados para repetir o comportamento seja de fuga ou enfrentamento, nesse caso ficamos paralisados e angustiados. Portanto, alguns “paliativos” ajudam como: evitar ver notícias onde disseminam o caos certificando-se da fonte, não sofrer por antecipação, ocupar a mente com cursos, leituras, assistir filmes que fujam do padrão de violência, além de manter uma alimentação saudável, meditação entre outras alternativas, vale aquilo que te traz bem-estar e que faça sentido para sua vida.

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Por Keven Souza

A Clínica Integrada de Atenção à Saúde e Nutrição da Una, localizada na região Centro-Sul de Belo Horizonte, a partir desta semana, volta a realizar consultas e está com agendamentos abertos para atendimentos gratuitos nas áreas de Ortopedia, Neurologia, Saúde da Mulher, Geriatria, Reumatologia, Cardiorrespiratório, dentre outras. O espaço retorna às atividades presenciais de forma gradativa e minuciosa este ano, após um período de recesso, com o ensejo de atuar novamente lado a lado a quem precisa de um cuidado especial ligado à saúde. 

Os atendimentos são feitos pelos estudantes da instituição sob supervisão de uma equipe de preceptores clínicos com expertise nas áreas ofertadas e podem trazer alívio de dores causadas por algum incômodo ou doença. Para participar das consultas é necessário se inscrever através de um formulário on-line, manifestando interesse em ser atendido nas áreas disponíveis. Feito o cadastro, é só aguardar o contato da clínica. 

 

Venha participar!

A Clínica Integrada é um projeto da Una que, além de ter buscar melhorar a qualidade de vida, saúde e bem-estar das pessoas, oferece ao aluno a oportunidade de ampliar o conhecimento através de um processo de ensino-aprendizagem com serviços importantes à comunidade. Posto isso, o trabalho é oferecido a todos aqueles quem precisam de antedimento clínico, dando preferencia para a população carente que não possui acesso ou condições. Entre os serviços mais buscados estão a assistência estética, farmacêutica, nutricional, psicológica e agora fisioterapêutica. 

Juliano Pinheiro, fisioterapeuta e um dos responsáveis pelo espaço, explica que a retomada dos serviços significa beneficiar todo o entorno. “A melhor notícia é estarmos no centro de BH. Isso é fantástico, pois quem não tinha o aporte financeiro ou um plano de saúde, agora pode ter acesso ao atendimento”, comenta. 

De acordo com ele, a Una prestar um serviço clínico, devidamente qualificado e gratuito, desperta uma grande espera sobre a participação das pessoas nesta volta da clínica. “A nossa expectativa é a melhor possível, pois temos uma equipe tanto de alunos quanto de preceptoria, motivada e sempre disposta a prestar o melhor atendimento dentro das bases científicas apuradas, é a melhor visão possível”, ressalta. 

Para garantir sua vaga,  acesse o site ou cadastre pelo link.

Parque Municipal Americo Renne Giannetti

Espaços vão além do lazer e contribuem para a vida cultural e a diversidade zoobotânica na cidade

Por: Alexandre Pires dos Santos, André Vitor Barros de Souza, Érica Pena Miranda, Júlia Vilaça de Jesus, Juliana Carvalho de Faria, Leonardo Garcia Gimenez, Louryhaynnyer Counny Neri Marques, Luisa de Matos Resende Couto, Natália Leocádia Fernandes do Carmo, Thayla Araújo Nunes dos Santos.

Belo Horizonte possui 76 parques e nem todos apresentam o mesmo nível de manutenção, é o que diz a pesquisa realizada pelos estudantes de jornalismo do projeto de extensão Cobertura jornalística sobre o meio ambiente em BH.  Esses parques têm para a capital e seu entorno uma importância além do lazer, pois contribuem para a preservação da fauna, flora e recursos hídricos. São espaços favoráveis aos esportes e muito demandados para a realização de diferentes tipos de eventos, bem como servem para projetos na área de educação, saúde, cultura e turismo.

Apesar da seriedade do tema da preservação ambiental, muitos desses parques não recebem a devida atenção da Prefeitura, observando-se uma manutenção desigual. Eles estão assim distribuídos entre as nove regionais da cidade – 19 na Centro-Sul, 16 na Nordeste, 14 na Pampulha, 11 na Região Oeste, cinco em Venda Nova, cinco na Região Norte, quatro no Barreiro e apenas um na Região Leste e na Região Noroeste – mas a divisão da verba destinada a esses espaços é diferente.

A Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica (FPMZB) tem a responsabilidade de gerenciar todos os parques municipais, além do Zoológico, Jardim Botânico, Aquário, quatro cemitérios municipais e os cinco Centros de Vivência Agroecológica (CEVAE) de Belo Horizonte. Seguindo a legislação municipal, a PBH estabelece por meio de leis/decretos/portarias a regulamentação de diversos serviços, como descrito na portaria FPMZB n 006 de 23 de Janeiro de 2021, que trata do orçamento previsto para o ano de 2021.

Promovendo a cultura

Ao longo de um ano, os parques recebem cerca de mil eventos, com diferentes atrações e públicos. A Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica também é responsável pela gestão e planejamento de projetos, especialmente quanto à normatização do uso dessas áreas para a realização de atividades culturais. De acordo com o site da PBH, existem ainda parcerias desenvolvidas com a iniciativa privada, instituições de ensino e outros órgãos públicos, suprindo carências da administração municipal e fortalecendo as ações.

Apenas no ano de 2018, as áreas gerenciadas pela Fundação receberam 948 eventos, que reuniram mais de 185 mil pessoas, sendo que cerca da metade desses acontecimentos tiveram finalidade social, ou seja, apresentações gratuitas como peças teatrais, exposições e shows. No entanto, de acordo com dados de 2014, publicados no site da PBH, não são igualmente distribuídos pela cidade, tendo sua concentração maior na Regional Centro-Sul, denominada a região com maior Índice de Qualidade de Vida Urbana (IQVU) do município.

Os projetos gerenciados são numerosos, abordam diversos gêneros de apresentações culturais, ampliando as oportunidades de lazer para a comunidade, mas apresentam problemas de distribuição geográfica, deixando clara a preferência pelos espaços localizados em bairros mais nobres da cidade, cujos parques, em decorrência disso, têm maior atenção da Fundação.

Parque das Mangabeiras – Divulgação

A situação requer atenção

É importante considerar que os impactos ambientais e sociais como produção de lixo, poluição sonora, engarrafamentos e dano ao patrimônio público, são vistos aos finais destes eventos. Além dessas questões, observa-se que grande parte dos parques não têm uma manutenção regular, necessitando de reformas, revitalização dos jardins, entre outros, como pode ser visto em algumas reportagens veiculadas nos últimos dois anos.

Em 2019, a Record TV Minas produziu uma matéria que informa que mais de 50 parques de Belo Horizonte estavam abandonados pelo poder público. A reportagem também acrescenta que a grande maioria das áreas verdes da cidade não eram frequentadas pelos usuários.

No mesmo ano, a Comissão de Meio Ambiente e Política Urbana, que pertence à Câmara Municipal de Belo Horizonte, apontou que a falta de segurança e o vandalismo eram evidentes no Parque Municipal Carlos de Faria Tavares, mais conhecido como Parque Vila Pinho, situado no Vale do Jatobá, na Região do Barreiro. À época, usuários do parque estiveram presentes na visita, e se queixaram da necessidade de cortar o mato alto, de podar as árvores, de contratar um vigia, de combater o consumo de drogas no local e também de reformar as estruturas esportivas. A matéria sobre a visita pode ser encontrada no site da Câmara Municipal de BH.

Ainda em 2019, uma matéria do portal Hoje Em Dia revelou que os parques de BH seriam monitorados, até o fim do ano, por mais de 300 câmeras de segurança, especialmente para combater o vandalismo e o tráfico de drogas nas 54 áreas verdes então abertas ao público na capital mineira. As inspeções ficariam sob responsabilidade de agentes da Câmara Municipal no Centro Integrado de Operações (COP-BH), que está localizado no bairro Buritis, na Região Oeste.

Parque Jacques Cousteau – Divulgação

Pesquisa elege os melhores e os piores parques de BH – conheça quais são eles

A cidade de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, foi fundada e planejada pelo engenheiro e urbanista Aarão Reis em 12 de dezembro de 1897, com o objetivo de criar a cidade do futuro, devido à ideia de progresso que se instaurou em todo o Brasil do final do século XIX ao início do século XX, com a proclamação da república em 1889. Assim, é grande a presença dos parques na cidade.

Eles são de suma importância para a preservação ambiental, e por consequência, a manutenção da vida de diversas espécies da fauna e flora. Graças a esses ambientes, é possível encontrar biomas do Cerrado, Mata Atlântica, mais de 200 espécies animais e por volta de mil espécies vegetais, além de nascentes que abastecem os córregos da Bacia do Rio São Francisco, segundo a página da Fundação de Parques e Jardins. Além das áreas de natureza, os parques possuem uma estrutura propícia para as crianças se divertirem, como playgrounds, campos de futebol, áreas de lago, pistas de skate, entre outros.

Em uma pesquisa realizada pelos alunos de jornalismo do projeto de extensão Cobertura jornalística sobre o meio ambiente em BH, orientado pela professora Magda Santiago, a desigualdade de manutenção dessas áreas pode ser confirmada. O formulário, distribuído pela rede social WhatsApp, foi respondido por 15 belo-horizontinos que costumam frequentar as áreas de preservação, que elegeram os melhores e os piores parques da capital mineira.

Parque Serra do Curral – Divulgação

Segundo os dados apurados, 26,7% dos entrevistados declararam preferir o Parque Municipal Américo Renné Giannetti, 20% o Parque das Mangabeiras e 13,3% frequentam os parques da Serra do Curral e Ecológico das Águas. Dentre as razões que levam os respondentes a optar por essas reservas em detrimento de outras, está a proximidade de casa. A pesquisa apontou que 66,7% considera a distância como principal fator na escolha.

A segurança também é uma questão determinante, e a escolha dos piores parques de BH está diretamente ligada a este aspecto. Os parques Guilherme Lage, no bairro São Paulo; Maria do Socorro Moreira, no bairro Jardim Montanhês; e do Brejinho, no bairro São Francisco, figuram entre os que menos oferecem uma estrutura adequada, cuidado e proteção. Inclusive, já foram alvo de ocupações irregulares, vandalismo e uso de drogas ilícitas em seus espaços.

Os dados levantados pelas respostas ao formulário apontam que 80,1% dos entrevistados consideram necessárias melhorias nos banheiros, na manutenção dos jardins e no aumento de lixeiras, como as principais ações para atrair a visitação e, principalmente, para contribuir na preservação do meio ambiente em BH.

Parque que foi lixão por 20 anos em BH vira tema de websérie

O Parque Jacques Cousteau, localizado no bairro Betânia, na Região Oeste de Belo Horizonte, foi tema de uma websérie lançada em janeiro de 2021. A área, que foi utilizada como um lixão durante 20 anos, desde 1971 é um espaço para ser aproveitado por turistas e belorizontinos, transformado em um ambiente acolhedor para quem o visita.

A websérie foi roteirizada, filmada, fotografada e produzida por Lilian Nunes e Chico de Paula, que disponibilizaram o acesso gratuito ao material no portal Coreto. As informações foram divulgadas em uma entrevista ao portal do jornal Hoje Em Dia.