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Por Keven Souza

Há uma grande questão no Brasil que é o impacto da violência na vida de pessoas que utilizam o transporte público. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), até setembro de 2019, uma pessoa foi assaltada dentro do ônibus a cada 33 minutos na capital carioca. 

E o nosso TBT de hoje é de um caso desse tipo de violência que aconteceu há vinte anos e foi manchete em todo Brasil e também no cenário internacional. O famoso e trágico sequestro do ônibus 174, na cidade do Rio de Janeiro. 

Na tarde do dia 12 de junho de 2000, o jovem Sandro Barbosa do Nascimento protagonizou o sequestro de dez reféns na linha 174, rota para Gávea-Central. O indivíduo, que usava roupas simples, embarcou no bairro Jardim Botânico com a finalidade de efetuar um assalto

Às 14h20min, com ação motivada por sinal de um dos passageiros, uma patrulha da Polícia Militar interceptou o veículo e a partir daquela operação o pânico já havia se instalado. Sem ter para onde fugir, Sandro fez passageiras de reféns, com o intuito de chamar a atenção da mídia e negociar a preservação da sua vida junto aos policiais. 

O sequestrador que naquela altura  estava sob vários holofotes da mídia e com transmissões ao vivo pela televisão, utilizou a estudante Janaína Lopes Neves, 23 anos, como porta-voz e escudo dentro do coletivo.  Ali apontou a arma na cabeça da vítima e a fez escrever nas janelas, com batom, frases como: “Ele vai matar geral às seis horas” e “ele tem pacto com o diabo”. 

Após horas de tensão dentro do veículo, aproximadamente às seis da tarde, o assaltante decidiu sair do ônibus usando a professora Geísa Firmo Gonçalves como escudo. Ao descer, um policial do Grupamento de intervenção tática, obteve uma ação precipitada, que almejou pará-lo com uma submetralhadora, acabou errando o tiro e acertou a refém de raspão no queixo. Tendo em vista a confusão, a moça de 20 anos levou outros 3 disparos nas costas promovidos por Sandro, e acabou falecendo.

Resultado do sequestro

A situação ao todo durou cerca de cinco horas consecutivas, e Sandro por sua vez foi morto por asfixia mecânica, quando cinco policiais militares tentaram imobilizá-lo no camburão que seguia rumo ao Hospital Souza Aguiar. Após alegações de que sua morte foi ocasional por parte da familia, os policiais responsáveis pelo óbito de Sandro foram levados a julgamento por assassinato e foram declarados inocentes. 

O caso do ônibus 174, desencadeou uma série de ações, iniciativas, eventos e mobilizações por partes civis e da população carioca. A sociedade, na época, se mobilizou em algumas passeatas, uma delas realizada pela organização não-governamental (ONG) Viva Rio, que promoveu um calendário de manifestações a partir do slogan “Basta! Eu quero paz!”.

É notável o esforço da prefeitura do Rio de Janeiro, na troca da linha, visto que no ano seguinte (2001), a linha 174 mudou de número para 158 e no ano de 2016, para Troncal 5. O objetivo talvez seja fazer com que a linha inicial do coletivo não desencadeasse, na sociedade, lembranças daquele episódio violento que foi o sequestro do ônibus 174.

Conheça a história de Igor Raboni que saiu praticamente do zero e conseguiu realizar o sonho de montar o próprio negócio, com investimento inicial de R$172https://www.youtube.com/aoraboni

*Por Flávio Figueiredo, Patrick Ferreira eTales Ciel

Em 2014, Igor Raboni iniciou a construção de um sonho, lavando carros. Desde sempre apaixonado pela estética, sempre fez mais do que lavar e passar um “pretinho” no pneu. Aproveitando a popularização do YouTube, em parceiria com a esposa Maria Luiza criou seu canal Ao Raboni em 2018, com a proposta de trazer o universo da estética automotiva além do que se vê. No canal eles comentam desde custos até como desinfetar o veículo para beneficiar a  saúde dos passageiros. Em 6 meses, o canal já havia atingido a marca dos cem mil inscritos. Hoje, são mais de 680 mil inscritos no Youtube e no Instagram, eles já reúnem mais de 200 mil seguidores.

O empresário é de Belo Horizonte e conseguiu realizar o sonho de montar o próprio negócio saindo praticamente do zero. As portas se abriram quando Raboni resolveu pegar mangueira e balde para começar a lavar carros, juntou vontade e mais R$ 172,00 em um negócio desacreditado até pelos mais próximos. Igor conta que após a sua decisão de empreender, até a sua família se posicionou contra. Nesse bate-papo, vamos conversar com esse jovem que está revolucionado o mercado automotivo mineiro e faturando o seu primeiro milhão em meio a pandemia.

Igor Raboni e a esposa Maria Luiza
  • Como aconteceu essa mudança de lava-jato para estúdio de estética automotiva?

No começo do meu negócio, investi apenas R$ 172, na porta de casa, com muita determinação e com ajuda da minha esposa, Maria, que me ajudava na captação de novos clientes, bem como no atendimento, o lava-jato foi crescendo com a utilização da internet, principalmente com o nosso canal no YouTube, que hoje possui mais de 600 mil inscritos, que abriu caminho para divulgação e expansão do negócio que virou um estúdio de sucesso.

 

  • Em decorrência da pandemia, várias cidades tiveram lockdowns. De que forma o seu negócio se adaptou a esse desafio?

Foi um momento de levar conscientização para os nossos clientes de como poderíamos trazer soluções pra vida deles no combate ao vírus. Fizemos, inclusive, uma ação de um dia inteiro com tratamento de ozônio gratuito no carro deles, essa estratégia impactou muito, mas com os clientes o desafio foi menor pelo fato de sempre reforçarmos em nossas redes sociais a importância do cuidado e higiene do carro.

 

  • O seu estúdio tem uma pegada bem diferente dos demais, provavelmente isso contribuiu para que vocês alcançassem o lucro de R$1,7 milhão em plena pandemia. Além da temática automotiva, o que mais você oferece no espaço?

Com o crescimento do negócio, sempre almejei oferecer serviços diferenciados para os meus clientes, tendo isso em vista, criamos barbearia, lanchonete, e uma plataforma de cursos online e presenciais, gerando capacitação acessível e mão de obra para o mercado de trabalho, tudo no mesmo complexo. A nossa ideia é oferecer um grande espaço de convivência, enquanto o cliente espera o seu carro ficar pronto.

 

  • O que você fez para se reinventar em meio a pandemia e crescer o seu negócio?

Nessa pandemia o crescimento foi de aproximadamente 314%, isso devido a agilidade da nossa empresa ao criar as estratégias para o período, e por antes da pandemia já termos estruturado um curso online, que tinha como respaldo nossa própria empresa como case de sucesso da eficiência do método que ensinávamos, isso unido ao fato de várias pessoas perderem seus empregos, resolveram investir naquilo que amam, e esse fato nos fez ter um crescimento exponencial, com mais de mil alunos formados.

 

  • Como você avalia ver o capital de R$ 172,00 investido se multiplicar em 10 mil vezes ao longo de seis anos de trabalho intenso?

Esse sucesso pra gente significa muito mais que os números de um faturamento, é uma quebra de tabu, pra gente que veio de família simples, ver que há 6 anos começávamos com 170 reais. Nosso propósito sempre foi pessoas, transformar e impactar a vida delas de alguma forma, o dinheiro é uma das várias consequências positivas de executar um projeto de forma bem-feita. Por isso sempre dizemos a todos, tenha um propósito que vai além do dinheiro e dos boletos, é esse propósito que te fará levantar da cama nos seus piores dias.

 

  • O que você espera para o futuro?

Com certeza em crescer, após essa pandemia, já temos em mente uma ideia de criar franquias do nosso empreendimento em várias cidades do país. Quero fazer muito mais do que se imagina com R$ 172,00 reais.

 

  • E qual o conselho você daria para quem está começando agora o seu próprio negócio?

Sempre digo que o segredo não é o negócio, e sim a estratégia. Não é o que se faz, e sim como se faz. Todos nós precisamos aprender a fazer de um jeito diferente e assim encantar nossos clientes de um jeito diferente.

 

Mais detalhes da história de Igor Raboni nas redes sociais:

Instagram: https://www.instagram.com/aoraboni/

YouTube: https://www.youtube.com/aoraboni

 

**Edição: Daniela Reis

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Desfile LAB no SPFW - Fotos retiradas do site Lillian Pacce

Por Fernanda Moreira

Não é de hoje que a humanidade evolui em relação aos discursos em prol da igualdade. Movimentos como a luta pela equidade racial, o feminismo e os debates sobre gênero começam a se destacar não só nas mídias contemporâneas, como, também, ocupam espaços antes inexistentes nos meios de comunicação mais convencionais. Apesar do que podemos chamar de progresso, em meio a todos esses movimentos que ganharam destaque, com muita luta, ao longo dos anos, um ainda recebe atenção limitada: o combate à gordofobia.

Levando em consideração a força e a responsabilidade da indústria da moda sobre essa temática, seja pela produção em massa de peças e estilos, seja pelo poder de imagem que carrega – por meio de desfiles, ensaios, outdoors etc. –, é fácil enxergar o papel que tal indústria precisa desenvolver nessa luta. Será, porém, que ela preenche bem as lacunas do preconceito?

Em 2016, foi realizado o primeiro desfile com modelos Plus Size no São Paulo Fashion Week (SPFW). A LAB, marca do rapper brasileiro Emicida, que se destaca na luta pela busca de igualdade, foi quem tornou isso possível, com a aparição de três modelos com manequins +56, em parceria com o coletivo de moda “África Plus Size Brasil”.

Desfile LAB no SPFW – Fotos retiradas do site Lillian Pacce

Quando me deparo com uma narrativa real como essa, fico muito esperançosa de que, a cada dia, estejamos mais perto de uma moda plural e sem preconceitos. Mas alguns anos depois, em 2020, uma cena lastimável na luta contra a gordofobia demonstra que só um – SPFW mais inclusivo – não é o suficiente para dizimar o preconceito incorporado nesse mercado.

Dessa vez, a manifestação de ódio, que ainda assombra corpos gordos, data de janeiro de 2020, no Grammy Awards. A modelo Tess Holliday escolheu uma peça assinada pela estilista Lirika Matoshi, para abrilhantar o tapete vermelho dessa grande premiação. Tratava-se de lindo vestido longo, estampado por morangos, que remetia a um estilo bem folk. Ela chega a dizer, em sua conta do Instagram, que nunca se sentiu tão bonita quanto naquele dia. Não demorou muito, contudo, para que Holliday virasse uma grande “piada”. O motivo era, uma vez mais, a manifestação de que corpos gordos não foram feitos para se vestir da forma como gostariam.

Tess Holiday para Lirika Matoshi no Grammy Awards – Jon Kopaloff FilmMagic

Em agosto do mesmo ano, em meio às últimas tendências do Tiktok, a hashtag #strawbaerrydress chegou a mais de 13 milhões de visualizações. Isso porque o mesmo vestido usado por Tess, na premiação de meses atrás, entrou na onda dos corpos padrões e obteve grande alcance positivo nas mídias digitais. Dessa vez, ela se manifestou e deixou uma reflexão: “Adoro como esse vestido me fez entrar para a lista das ‘mais malvestidas’ quando o vesti em janeiro, no Grammy. Mas agora, porque um monte de pessoas magras o está usando no TikTok, todo mundo está”, comenta a modelo.

Esse cenário me fez pensar se a inclusão que a moda plus size propõe, de fato, acontece. Gostaria que esse processo fosse mais real, mas, depois de tantos anos enfrentando manifestações de ódio em ambientes online ou offline, e observando que a contribuição dessa indústria ainda é mínima diante da caminhada que temos pela frente, ainda me pergunto se a aceitação da pluralidade de manequins – desde sempre ridicularizada – é algo que realmente interesse a esse mercado. Porque, aparentemente, além de ridicularizados, são taxados como insuficientes para lançar e/ou sustentar quaisquer tendências e estilos.

Até quando a indústria da moda terceirizará a responsabilidade social e não assumirá seu papel de atender e respeitar todos os corpos, independentemente da condição de cada um? E, sobretudo, até quando compreenderá que esse discurso atemporal precisa e merece ser ouvido e destacado pelas grandes marcas e personalidades do meio, para que a inclusão aconteça, efetivamente, em todos os polos e contextos da sociedade?

 

*Edição: Professor Mauricio Guilherme Silva Jr. e Daniela Reis 

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Por Bianca Morais 

A Una Pouso Alegre está sempre em busca de promover Projetos de Extensão que acrescentem benefícios, não apenas aos alunos, mas a toda a população local. A unidade já foi destaque aqui no Jornal Contramão com o Projeto Cidadania, que atende pessoas em situação de vulnerabilidade e leva a eles acesso ao conhecimento da democracia.

Pensando nessas boas práticas, apresentamos hoje ações desenvolvidas pelos alunos de Arquitetura e Urbanismo, Engenharia Civil e Nutrição, esses cursos que crescem a cada dia mais na instituição, se uniram em um trabalho e mostraram a importância da interdisciplinaridade no aprendizado.

A unidade tem tanto destaque na área de seus projetos, que já foram reconhecidos e premiados nacionalmente e a cada dia vêm desenvolvendo novos. 

Conheça agora mais sobre eles em mais uma matéria em comemoração aos 60 anos da Una.

Reconhecimento da memória local

No segundo semestre de 2020, o Centro Universitário Una de Pouso Alegre, promoveu o projeto de extensão Memória e Patrimônio da Cidade. Realizado em parceria entre os cursos de Arquitetura e Urbanismo, Engenharia Civil e Nutrição, com o apoio do Conselho de Políticas Culturais e Patrimoniais do município. O programa levantou a importância da preservação da memória e do patrimônio nas cidades, os alunos encararam a temática e através do ensino e da pesquisa se aprofundaram na educação patrimonial, que é parte da preservação da história do lugar em que vivem. 

Coordenado pelo Professor Gustavo Reis Machado, com apoio dos professores Amon Lasmar, Carlos Pereira do curso de Arquitetura e Urbanismo e Engenharia Civil; e as professoras Patrícia Fonseca e Sara Fiorini do curso de Nutrição, o projeto nasceu com o principal objetivo de promover a preservação do patrimônio arquitetônico e culinário da cidade. Ele atendeu a uma demanda da comunidade de difundir através da educação, o reconhecimento da cultura da região e garantir que as atuais e futuras gerações possam conhecer a origem de onde vivem, suas crenças, comidas, arquitetura, design e história.

O projeto teve quatro eixos de desenvolvimento correspondentes aos cursos que o abrangeram, sendo eles:

  • Análise das Patologias dos Edifícios Tombados: nessa etapa do projeto produziram-se mapas de danos patológicos nas edificações e envolveu os alunos de Engenharia Civil e Arquitetura e Urbanismo;
  • Levantamento Fotométrico de Objetos Móveis tombados (imagens sacras) do Santuário do Imaculado Coração de Maria: executado também pelos alunos de Arquitetura e Urbanismo, elaboraram-se modelos 3D para compor inventários;
  • Criação de roteiros culturais pelo centro: através de mapas e rotas turísticas do centro de Pouso Alegre, os alunos de Arquitetura e Urbanismo produziram os roteiros;
  • Registro da Cozinha Mineira Regional: os alunos do curso de nutrição produziram vídeos com os modos de fazer da cozinha regional e valorização dos itens da cozinha.

Os quatro eixos do projeto foram desenvolvidos com oficinas de produção do material, que envolveu docentes, discentes, técnicos e também a população local. A comunidade nesse projeto é envolvida na figura do Conselho de Políticas Culturais e Patrimônio do Município, e os alunos, selecionados através de um edital, tendo na metodologia embasamento teórico e prático nas oficinas, mantiveram contato estreito com os membros do conselho, da superintendência de cultural e do Museo Municipal Tuany Toledo.

A mesa de abertura do Memória e Patrimônio da Cidade apresentou o projeto aos alunos e ressaltou a importância no processo de preservação e conservação, o evento contou com convidados especiais de cada área envolvida no projeto, entre eles, Clarice Líbano, professora e diretora de Promoção do Instituto de Patrimônio Histórico e Cultural de Minas Gerais – Iepha/MG; Edson Puiati, Chef e professor; Luana Maris, professora e engenheira civil; e Elaine Luísa de Faria, conselheira e membro titular do Conselho de Políticas Culturais e Patrimoniais de Pouso Alegre. Apresentaram-se projetos de referência no tema da educação patrimonial e como diversas áreas podem trabalhar juntas e a importância dessa união.

Gabriela Paula Freitas da Costa é aluna da faculdade e junto com seu grupo participou do projeto e garante que ele agregou muito em sua vida e trouxe lições valiosas. “Meu grupo começou desenvolvendo um trabalho super simples mas com muita persistência, fomos lapidando o projeto e aprendendo juntos. Tudo aquilo que se insiste, se aprimora, colhe-se bons frutos. Foi incrível acompanhar a nossa evolução e não somente a nossa, mas a de todos os nossos colegas que fizeram excelentes trabalhos”.

A jovem é moradora de uma cidade próxima a Pouso Alegre e desde sempre viu o local como referência, frequentemente a garota ia para lá mas não tinha conhecimento de todos os patrimônios arquitetônicos que ela tinha e apenas com o desenvolvimento do projeto que passou a conhecê-los. “Foi realmente muito engrandecedor e trouxe uma nova perspectiva sobre a cidade. Projetos de extensão são excelentes maneiras de inserir os alunos na comunidade de maneira espontânea e leve, foi um trabalho lindo que eu enquanto aluna e moradora da região, adorei desenvolver”, comenta.

Juliana Cortez é coordenadora do curso de Engenharia Civil da Una Pouso Alegre e vê com bons olhos esse projeto em relação ao retorno para os alunos. “Foi muito positivo e gratificante. Com os feedback foi possível verificar que a metodologia utilizada alcançou o seu objetivo. Além da produção de um material com excelente qualidade, os alunos se envolveram e engajaram no projeto”, diz ela.

Cursos premiados nacionalmente

Quando se trata de projetos bem sucedidos na unidade, Juliana Cortez, também esteve presente na conquista do Prêmio Ozires Silva pelos alunos do curso de Engenharia Civil. Em sua 13ª edição, o prêmio promovido pelo ISAE Escola de Negócios, que é considerado um dos principais de sustentabilidade do Brasil e reconhece ideias que colaboram com ações mais conscientes, sustentáveis e, consequentemente, para que as pessoas vivam em um mundo melhor, foi conquistado pelos alunos.

Marcos Henrique Sabino, Wellington Augusto Ferreira Caetano e Bruno Rocha Venâncio, foram responsáveis pelo projeto “Construção de Casas Emergenciais com Blocos Celulares” que visa o atendimento de diversas famílias após desastres, como o de Brumadinho, em 25 de Janeiro de 2019, que ocasionou a fatalidade de mais de 250 vítimas. Os estudantes concorreram na categoria Graduação e tiveram, ainda no processo de desenvolvimento, o apoio dos alunos Diego Lopes, Rafael Jonas Aparecido e Raik Dias de Aguiar, junto a coordenação da professora Juliana Cortez e acompanhamento dos professores Drica Nunes e Wantuir Teixeira.

Wellington Augusto, um dos alunos vencedores do prêmio, confessa que para ele receber uma premiação com o nome de um dos maiores engenheiros do país, em suas palavras, “ícone da engenharia” e responsável pela fundação da Embraer, é uma grande honra e o motivou ainda mais a buscar a excelência na área da engenharia. “Além de acrescentar um peso ao currículo, em especial na área acadêmica, receber o prêmio foi uma responsabilidade, motivou minha equipe e eu a buscarmos a cada dia mais excelência nos projetos e estar sempre nos qualificando para sermos engenheiros melhores e podermos revolucionar o país através da engenharia” disse o estudante.

“Esse prêmio veio de um desafio lançado em uma disciplina na qual os alunos são os principais agentes no processo de aprendizagem. Isso mostra como eles são capazes”, comenta a orientadora Juliana. 

“Os alunos conseguiram unir numa multidisciplinaridade o que aprenderam em sala de aula, na prática e puderam utilizar isso de maneira útil, numa realidade caótica quando em campo puderam constatar a dimensão do desastre de Brumadinho”, destaca a professora Drica.

Reconhecendo o Risco

E os projetos da unidade Pouso Alegre não param por aí. Com o bom resultado tido no Memória e Patrimônio, eles já deram início a outro. O Reconhecendo o Risco, está sendo coordenado pela professora Carolina Galhardo e o professor Daniel Casalechi, e se encontra na fase de coleta de dados através de um questionário elaborado pelos alunos. 

Esse documento possui perguntas gerais a respeito das enchentes e inundações ocorridas no município e sobre o que o cidadão conhece acerca de planejamento urbano, plano diretor e defesa civil, além disso, investiga se as pessoas saberiam como se comportar diante de um desastre e se já receberam algum treinamento ou informação a respeito. A partir da análise das respostas coletadas, os alunos irão gerar informações para a elaboração de uma cartilha que será divulgada em redes sociais com o apoio da Defesa Civil de Pouso Alegre.

Esse novo projeto partiu, principalmente, da necessidade de um tipo de matéria mais direcionado para esses desastres na grade curricular. Até o momento, foram realizadas palestras e aulas acerca do assunto com o intuito de introduzir o tema e apresentar conceitos e estudos aos alunos.

“Não só em Pouso Alegre, mas em todo nosso país, possuímos amplo histórico de desastres como enchentes, inundações, alagamentos e deslizamentos. Sabendo-se que o conhecimento é uma ferramenta de extrema importância quando pensamos em prevenção, resposta e gestão do desastre, trazer à luz informações  claras e concisas para a população foi o que motivou a criação do projeto”, ressalta Juliana.

A cartilha contará com informações como quais são os principais órgãos responsáveis pelas ações tomadas em ocorrências de desastres, a relação dos desastres com o planejamento urbano, ações estruturais já efetuadas a fim de se sanar as inundações, entre outros.

O projeto já teve a honra de receber o professor Dr. Osvaldo de Moraes, atual diretor do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Adriano Mota, doutorando e desenvolvedor do estudo acerca do tema nesta mesma instituição e Duarte Júnior, ex Prefeito da cidade de Mariana, que estava no comando da prefeitura quando houve o rompimento das barragens e culminou em um dos maiores desastres ambientais já ocorridos no país.

“As palestras abordaram os assuntos em seus mais mínimos detalhes, muito se discutiu sobre o papel do arquiteto nesta dinâmica e o quão desafiador é colocar em prática soluções relativas ao planejamento urbano que interferem diretamente na ocorrência de alguns desastres. Os alunos demonstraram bastante entusiasmo nas palestras, que trouxeram à tona temas que não fazem parte do cotidiano da graduação”, concluiu a coordenadora.

Michel Rodrigues da Silva, é aluno de arquitetura e urbanismo e é um dos participantes do projeto Reconhecendo o Risco. Para o estudante, entender o conceito e como funciona essa questão dos desastres naturais e seus riscos é muito importante para quem está em um curso como a arquitetura. “Estou no terceiro período, e por isso não tinha muita informação sobre o assunto, confesso que era bem leigo antes de começar a me interessar por arquitetura e urbanismo, então vendo tudo isso acabo aprendendo mais como funciona as projeções de desastres, como pode ser evitado e como a população está carente desse tipo de informação”, comenta

Para informar é preciso conhecer, trabalhar conceitos básicos e fazer um panorama geral sobre determinados assuntos. Ao pensar nisso, a Una Pouso Alegre está sempre investindo em diferentes projetos de extensão, para além de ajudar a comunidade local ao prestar diferentes serviços, enriquecem aquele aluno para no futuro se tornar um profissional de excelência. 

Por Bianca Morais

“Forever young, I wanna be, forever young. Do you really wanna live forever?”

Essa música foi lançada lá nos anos 80 e ainda é muito reproduzida por vários artistas, sua tradução diz: “Eternamente jovem, eu quero ser eternamente jovem. Você realmente quer viver eternamente?”

Escutei a música esses dias e ela me remeteu a algumas notícias que li ultimamente em alguns jornais, de que pela primeira vez desde que começou a pandemia do coronavirus, os jovens são a maioria dos internados nas UTIs do Brasil. Assustador, e o que mais me chamou atenção é que essas reportagens mostravam um perfil de jovem que se acha imbatível, que não vai pegar a doença nunca, afinal, eles ainda são muito novos para morrer, ainda têm muito o que viver.

A inconsequência desses rapazes e moças que por acreditarem serem eternos e nada pode os atingir, levam eles constantemente a desobedecerem as medidas de isolamento social e saírem para bares, festas clandestinas, aglomerações e pessoas sem máscara. Muitos deles ainda acham bonito expor essa realidade no Instagram, na minha rede social, por exemplo, vejo constantemente postagens e stories dessa galera que não tem medo do Covid, se sbaldando em festas.

Se para mim tais imagens já incomodam tanto, imagine para aqueles médicos da linha de frente  que colocam diariamente em risco trabalhando em hospitais infestados Covid e quando saem de seus plantões e se deparam com ruas e bares lotados de pessoas inconsequentes. 

Do you really wanna live forever? (você realmente quer viver para sempre)? Isso é o que eu tenho vontade de responder nos stories dessas pessoas, porque parece que não. Será que se eles não se importam com a própria vida, pelo menos não se preocupam com os pais, os avós? Mas agora os avós já foram vacinados, então eles não precisam se afligir mais.

Egoísmo ou super poderes? Não pensar no outro ou simplesmente se achar um máximo que não pega a doença? “Somos jovens, temos que viver intensamente, estamos perdendo nossas vidas para um vírus, não quero envelhecer nessa pandemia”. Realmente, vocês estão perdendo suas vidas para esse vírus, pela primeira vez vocês estão morrendo de fato. 

Não sou Deus para julgar, longe de mim, mas a realidade é que a cada final de semana, feriado ou data comemorativa  a galera se aglomera, vacila e depois paga as consequências. 

Conclusão, não são apenas os jovens que saem prejudicados, mas toda a sociedade. Acompanhem o raciocínio: o perfil da Covid-19 mudou, a população idosa está finalmente sendo vacinada, no entanto, os jovens agora têm sofrido complicações mais preocupantes, chegam aos hospitais em condições muito ruins e ficam muito mais tempo internados em uma batalha gigantesca pela vida. Esses jovens lotam os leitos de UTI, e dessa forma não sobram vagas para novos pacientes, o que tem aumentado e muito o número de mortos por dia no país. 

A cada dia um novo recorde de mortos, uma nova cepa do vírus. Não tem leito para todo mundo, se chega um jovem sem comodidade e um idoso ao hospital a procura de um leito, para quem vocês acham que ele vai? Para os forever young com mais chances de sobreviver ou para o idoso com diabetes, hipertensão e asma?

Reflexão forte, texto pesado, mas não vou me desculpar. Sei que tem muitos desses jovens saem de casa não para farrear, mas para trabalhar, são eles que levam sustento ao lar. Com o fim do auxílio emergencial no final do ano passado e com a nova “merreca” do novo, muitos cidadãos foram obrigados a voltar a trabalhar e enfrentar ônibus lotados. Se eles são obrigados a sair de casa e se aglomerar contra sua vontade, por que não podem curtir o final de semana numa festinha?

Cada um faz o que quer da sua vida, o vírus mortal está no ar, ele circula, sofre mutações, e tem se tornado mais perigoso e letal. A pandemia não vai durar para sempre, mais cedo ou mais tarde, tudo indica que mais tarde, ela vai acabar. A sua juventude pode durar para sempre, isso se você estiver vivo para aproveitá-la. Pense em você, pense no próximo, use máscara, evite aglomerações, se cuide. Em breve sairemos dessa, mas é preciso pensar consciente agora. 

 

 

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Foto: Divulgação

Por Patrick Ferreira

O conteúdo de hoje é para você que é fã de música, que tem um ídolo que ama. Podendo ter nascido ali depois de 1995, ser roqueiro, ou não. Não é regra, mas só de ser um amante musical, esse conteúdo é para ti. No conteúdo de hoje vamos mostrar que é possível amar seu ídolo, seu gênero musical, sem diminuir, xingar outras artista, o gênero musical apreciado por outros. Sim! É possível. Ao seguir essas ideias, você ainda pode evitar a fadiga, deixar de brigar em comentários no Instagram e fazer crescer a cultura nacional de forma plena. Você vai ser o orgulho do Mario Frias (contém um caminhão de ironia). Pegou tudo? É muita informação né? Mas não se preocupe, vou detalhar tudo certinho. Deixa comigo!

A começar pelo nome mais famoso do Pop nacional: Anitta. A artista usa os “feats” como frequente ferramenta de engajamento em sua carreira, e, volta e meia, se envolve em conflitos com seus parceiros. Cada vez que isso acontece, os fãs da cantora, que são muitos, perseguem, de forma irritante a pessoa que se desentendeu com ela.

Podemos citar o exemplo de Pabllo Vittar, com a polêmica de que a drag devia 70 mil dólares para Anitta, devido aos custos do clipe do hit “Sua Cara”, lançado em 2017. Sem saber a veracidade do boato, fãs cancelaram Pabllo, acusando-a de calote e tentando atrapalhar o sucesso da artista em qualquer lançamento após esse episódio.

Outro ponto, é em relação a qualquer notícia de algum artista onde Anitta não está envolvida, e alguns fãs tentam menosprezar o feito do músico em questão. Eles comentam na internet: “que relevância tem esse prêmio x?”, “Anitta não precisa disso, ela tem aquilo…”, “Joelma ainda existe?…” dentre outras coisas de revirar os olhos. A cantora não se esforça em nada para pedir trégua aos fãs, a exemplo de uma polêmica que a envolvia, e fez Ludmilla receber inúmeras ofensas racistas, a ponto de desativar suas redes sociais. Anitta só se posicionou timidamente depois de ser cobrada por alguns internautas.

Agora, os roqueiros. O Brasil é um país continental, povoado por diferentes culturas e se vocês não querem diversidade, lamentamos. Sem generalizar, mas para muitos, a música se resume ao rock e o resto, lixo cultural. Não somos obrigados a ser fãs de tudo, nem de Led Zeppelin ou Barões da Pisadinha, muito menos de Nina Simone ou Daniela Mercury. Mas assim como um guitarra e bateria, o outro tem agogô e timbau. E se tem instrumento musical envolvido e sons unidos formando uma harmonia, tudo se torna música. Mesmo que para você seja ruim. Não adianta chorar, filhinhos.

Só mais um ponto sobre o qual, quase me esqueci de falar: números. Raciocine comigo? Tim Maia faleceu em 1998. Renato Russo, em 1996. Cazuza, em 1990. Sabe qual o número de streammings tiveram em seus lançamentos em vida? Zero. A era da música digital se popularizou na segunda metade dos anos 2000. Por isso, eles são inferiores a artistas que nasceram após 1990? Eles têm culpa de terem inventado o Spotify depois? Da Lud, da Iza, do Luan Santana terem nascido depois deles? Por décadas são lembrados, mesmo depois de falecidos, mas qual foi a música que bombou no fevereiro, sem carnaval mesmo? Aquela que teve milhões de views… Nem me lembro mais.

Diminuí o mérito do hit de fevereiro sem carnaval, né? É assim que quem curte o hit de 1 mês, ou o artista eternizado se sente ao ser diminuído. Portanto, menines, meu conselho para vocês hoje é: cada um no seu quadrado! A propósito… Lembram-se desse hit?

 

*Edição: Professor Mauricio Guilherme Silva Jr. e Daniela Reis