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*Por Bianca Morais ,

E hoje é dia de música!!! Sim, vamos dar continuidade ao Almanaque de Bandas Independentes. Na publicação de hoje, destaque para a banda Devise.

DEVISE

Mote:

Substantivo masculino.

[Literatura] Estrofe que, localizada no início de uma composição poética, é utilizada como razão da obra, desenvolvendo o tema do poema.

Ok, mas por que eu estou explicando isso?

Porque em francês a palavra Mote é traduzida como Devise. E é dessa banda que vamos falar agora.

Não, eles não são franceses, muito menos falam francês. Mas o vocalista, Luís Couto, na procura de um nome para a banda, para além de um significado, procurava por algum nome forte que soasse legal e marcasse a imagem da banda. Começou então a pesquisar qualquer coisa que viesse à cabeça e traduzia para outras línguas para ver se soava interessante em português.

Estudando um pouco a estrutura de poesia, acabou lendo sobre o mote, o tema central da poesia, a essência de tudo.

Pensou então “bacana, mas Mote é um péssimo nome para uma banda.”.

Jogou em um dicionário e em francês deu Devise.

Pronto, é isso.

Apesar de no final ter um significado marcante, não foi esse o principal objetivo.

A banda nasceu em 2012 na cidade de São João Del Rei, onde o Luís e o Bruno Vieira (Mike, guitarrista) cursavam administração na UFSJ (o Mike era calouro do Luís). O Luís já conhecia o Daniel Mascarenhas (D2, baterista) lá de Bom Despacho, cidade natal dos dois, onde tocavam covers. O Bruno Bontempo (baixista) foi o último a entrar, substituindo o Coruja que ficou um ano na banda, pois havia substituído o Rafael Carvalho, que virou médico em 2016 e saiu da banda.

O Luís e o D2 tinham uma banda cover, o Luís possuía algumas músicas engavetadas e pensou em colocá-las para jogo. Ele já fazia parte de uma banda autoral, a Churrus, (escutem Oldfield Park da Churrus, também nas plataformas digitais), mas sentia que os estilos não combinavam muito e resolveu começar um novo projeto.

Luís chamou seu calouro Mike para gravar algumas dessas músicas e foi instantâneo, a banda precisava de um guitarrista como ele. Na época foram gravando três ou quatro músicas, guitarra e voz, e foi quando decidiram começar a ensaiar com a banda toda. O Rafa e o Daniel iam para São João Del Rei e a banda começava nascer ali.

O primeiro EP saiu no mesmo ano. Houve o lançamento e começaram a fazer shows, principalmente em Belo Horizonte, Bom Despacho e São João Del Rei, as cidades com as quais tinham um vínculo pessoal. O repertório no início era mesclado com alguns covers, mas apenas para preencher o setlist, já que o EP contava com 5 faixas. Como uma boa banda independente no começo, por mais que tocassem cover, a Devise sempre procurou dar o seu estilo para essas músicas.

Durante o ano de 2013, a banda ficou um pouco parada voltando apenas no final quando começaram a gravar o álbum Lume. Em 2014, houve o lançamento do disco e desde então não pararam mais. Posteriormente, em 2017, veio o Petricor e diversos singles.

Informações úteis para você continuar lendo sobre a Devise: o apelido do Daniel é D2 por causa da época do colégio. Na sua turma tinham três alunos com o nome de Daniel e ele era o segundo (não tem nada a ver com o Marcelo D2).

O Bruno Vieira é o Mike. Quando era mais jovem, era branquinho, magrinho e o cabelo grande levou os amigos a chamá-lo de Mick Jagger ou Michael Jackson, então a junção desses apelidos deu origem ao Mike.

Explicações dadas, como bons rockstars, vou me referir a eles aqui pelos apelidos que são conhecidos.

Banda geradora de caixa, não é uma banda geradora de lucro

A Devise está no mercado de bandas independentes há oito anos e hoje é uma das bandas de rock mais conhecidas da capital mineira. Já tocou no mesmo palco de grandes nomes da música brasileira, como exemplo, a participação no Breve Festival com Mano Brown, Iza e Djonga.

Já produziu com Jean Dollabella, tocou junto com Andy Summers, do The Police e João Barone, do Paralamas do Sucesso. Foram entrevistados pelo Henrique Portugal e sempre é lembrada pelo Samuel Rosa, do Skank.

Mas nada veio de mão beijada para os meninos vindos do interior, que não cresceram na capital, não tinham contatos do meio musical e não conheciam produtores musicais, que são as principais pessoas para abrir portas para shows. Tudo que conseguiram até hoje foi porque desde cedo eles correram muito atrás para conquistar. Foi com o tempo e entregando shows de qualidade que passaram a criar os contatos.

Realidade seja dita que para uma banda independente se manter, principalmente quando quer atingir um material de qualidade igual ao da Devise, há um custo financeiro alto por trás. Todos os rendimentos deles são para a subsistência da banda, seja na gravação de discos ou clipes.

A Devise é uma banda geradora de caixa, não de lucro. O Mike, Luís, D2 e Bontempo não sobrevivem à custa da Devise. Eles, assim como a maioria das bandas independentes, têm outros empregos e são realistas quando afirmam que é necessário ter outro trabalho que permita fazer o que querem. No meio da música independente, é fundamental que uma banda ame o que faz, pois somente isso fará com que continuem.

Os meninos da banda sempre correram muito atrás de tudo que conquistaram e entre eles existe admiração mútua e amizade muito grande. Viver de música não é fácil e desistir nunca foi uma possibilidade, mas sempre que alguém estremece, o que os mantêm firmes e fortes são os shows. O vício dos quatro integrantes é o palco. Quando se reúnem em cima dele para tocar, sentem a energia, a força e a vontade de não se render.

A amizade é outro elemento fundamental para a sobrevivência de uma banda independente, porque quando um companheiro de banda pensa em desistir ou começa a ficar distante, é pela amizade que os outros o trazem de volta. É uma questão pessoal.

Parar? Jamais. A sensação que os novos lançamentos proporcionam a eles dá a sensação de que o trabalho está acontecendo e, mesmo com as dificuldades e perrengues, a banda está viva.

A sintonia da banda

A Devise é uma banda que trabalha em sintonia, cada um de seus membros traz ao grupo diferentes referências e, todas unidas, cria-se uma liga. Cada cabeça consome influências diferentes e também conversam entre si.

Uma analogia breve sobre a Devise, por Bontempo:

A música tem que funcionar como um carro.

D2: funciona como uma força, tanto fisicamente por tocar a bateria, como no som dele, que é bem particular e bate no peito de uma forma diferente dos outros bateristas. Sendo então o motor desse carro, algo que move. Mesmo com seu jeito caladão, ele faz as coisas acontecerem. Segundo os outros colegas de banda, também pode ser o tanque de gasolina, porque bebe muito.

Bontempo: seria o volante que, em suas próprias palavras “o chato que só dá a direção, mas não faz nada”. Manda ir para lá, vir pra cá, mas, na verdade, é apenas o famoso palpiteiro. Os colegas, no entanto, afirmam que é um homem franco, tanto na personalidade quanto no seu som.

Mike: os adornos, os kits. Tudo de requinte e tudo que a gente reclama em um carro. Todas as coisas bonitas, os detalhes, a atenção.

Luís: as rodas. Não importa se você tem um baita carro, um motor excelente, os adornos e kits mais bonitos ou quem está na direção, sem as rodas não se vai a lugar nenhum. É o essencial para o carro andar.

O Mike fissurado em Led Zeppelin, o Bontempo em Red Hot Chilli Peppers, o Luís em britpop e o D2 metaleiro. Essas referências são muito encontradas nas músicas.

Se você escutar Go With the Flow do Queen of the Stone Age, vai gostar de Bodatista.

Se você escutar Berlin do Black Rebel Motorcycle Club, vai gostar de Indra.

Resgatando todas as referências, acabaram produzindo uma identidade sonora que vem amadurecendo muito desde o primeiro EP até hoje. A mudança do som de um disco para outro se dá principalmente pelo reflexo do que eles estão consumindo como música.

Em oito anos de banda, a Devise aprendeu a ousar mais. Sem medo de arriscar, atribuem elementos que gostam e escutam em suas músicas. Já colocaram órgão por influência de Deep Purple, guitarras mais barulhentas por causa de Oasis e guitarras mais rasgadas por causa de Led Zeppelin e Whitesnake. Em um disco da banda você vai tudo isso e muita referência do britpop e indie rock. E assim eles se enquadram no famoso rock alternativo.

Cada música surge de um jeito. Algumas enquanto estão passando som antes de algum show, alguém começa a tocar alguma coisa e dali sai uma base que é trabalhada na produção. Tem as músicas que o Luís escreve, tem outras que saem de um riff do Mike. No Whatsapp, a banda tem um grupo destinado apenas às ideias sonoras, então quando finalmente se reúnem no estúdio o processo flui bem rápido. Eles apenas unem o que foi discutido anteriormente no grupo, consolidam e colocam em ação.

É claro que essa rapidez e fluidez vem também do tempo de banda, que faz cada um entender mais de si e do grupo, se comunicar e pensar melhor. Criar playlists com referências também é uma dica que a banda dá para que todos entrem em sintonia e entendam melhor o projeto que um deles está propondo.

O Luís é o compositor principal e o grupo trabalha em volta fazendo os arranjos ou interferindo em alguma letra que ele compõe. As composições mudam de acordo com o momento de vida pelo qual passam. As letras, em sua maioria, são inspiradas em situações cotidianas e pessoais.

O bilhete de Kurt Cobain a Arnaldo Baptista

Nem somente de algo pessoal falam as músicas da Devise, um exemplo disso é Bodatista. A música nasceu depois que Luís assistiu ao documentário do Arnaldo Baptista, mais precisamente no momento em que o artista fala do bilhete que Kurt Cobain, ex-vocalista e guitarrista da banda grunge Nirvana, escreveu para ele. Na época, Kurt veio ao Brasil e queria encontrar o integrante da banda Os Mutantes, porque o considerava sensacional. Porém, o encontro não aconteceu e, por isso, ele escreveu um bilhete ao músico:

“Arnaldo, te desejo o melhor e cuidado com o sistema. Eles te engolem e te cospem de volta como o caroço de uma cereja marrasquino. Com amor, Bill Bartell da Gasatanka Records e White Flag e Kurt Cobain do Nirvana”.

Isso o tocou muito, porque o vocalista enxergou que os dois artistas compartilhavam a mesma dor do julgamento das pessoas por ser quem eles queriam ser. Assim, resolveu fazer uma homenagem a ambos.

O nome da música vem da capacidade incrível do Luís de dar nomes (por mais que ele diga que não) a tudo. Fã de Kurt Cobain, Luís estudou o músico e descobriu que Cobain tinha um amigo imaginário e que o nome era Boddah, por isso Bodatista, vindo do encontro dele e do Baptista.

Luís, tenha a certeza de que sua imaginação e criatividade para nomes é realmente muito boa e muito diferenciada, por assim dizer.

Mesmo o rock não estando no seu auge, ainda há um grande público em seu favor. A Devise procura atrair a galera que quer conhecer bandas novas, abrindo a mente deles para o rock local, além de atingir pessoas que não querem ouvir AC/DC, Strokes e Oasis para o resto da vida (não que isso seja um problema).

Abrir a mente é algo essencial para começar a gostar de bandas autorais e independentes. A Devise foi a primeira que escutei. Me lembro como se fosse ontem o dia que uma amiga me fez ir ao show deles em um evento onde só tocariam bandas independentes e o ingresso custava 20 reais, no Espaço Do Ar. Imagina um lugar longe, é lá mesmo. E outro detalhe, só vendia cerveja artesanal e… xeque mate!

Para mim, jovem que ama cerveja barata e escutar bandas covers que tocam um pouco de tudo que eu gosto, ir a um rolê onde eu não saberia cantar nenhuma música e também não beberia, era um sacrifício enorme por uma amizade que valia ouro (a minha, no caso).

Chegando ao evento, para minha surpresa, não somente as bandas eram autorais, mas até o DJ só tocava música autoral. Me senti perdida e entediada, até que chegou a hora do show.

A minha amiga já era muito fã da banda e, como boa fã (e a amiga da boa fã), nos posicionamos na frente do palco. A Devise começou e imediatamente algo mudou. Tudo que eles tocavam me remetia a bandas que eu gostava muito. O show foi acontecendo e as músicas entrando na minha cabeça de uma forma involuntária. A voz do vocalista parecia tanto com a do Liam Gallagher que, quando ele abriu a boca para cantar Além do Próprio Espelho, na primeira frase “deixa o dia recomeçar”, eu achei que ia sair um “today is gonna be the day” ali. Não saiu, mas que música boa.

O show foi todo autoral e juro para vocês, nem um coverzinho. Eu não conhecia nenhuma música. A minha boca nem mexeu, mas a minha cabeça estava a milhão. Quando entramos no Uber para ir embora, fui despejando na minha amiga tudo que eu conseguia lembrar de frase ou de melodia para que ela me falasse o nome da música. No dia seguinte eu já estava com a playlist Devise pronta no meu Spotify e dali não parei de ouvir mais.

O segundo show que fui deles e o primeiro com as letras na ponta da língua, foi n’A Obra. Ali eu me sentia em um mega show, de uma banda super famosa que eu era muito fã. Eu realmente cantava as músicas com emoção e eu conhecia todas. Foi incrível. Dali para frente, em todos os shows consigo ir, eu vou e me divirto muito.

Agora eu vou falar porque você deve escutar as bandas independentes da sua cidade. Sempre vai ter show. Sabe a sua banda internacional favorita que vem ao Brasil de 2 em 2 anos e olhe lá? Então, sempre haverá show das bandas da sua cidade. Você sempre vai ter a oportunidade de sair pelo menos uma vez no mês para se divertir e cantar ao vivo as músicas que canta lá no busão ou no banho. Tem coisa melhor? Além disso, por que ouvir uma cópia de grandes sucessos se você pode ouvir algo original e diferente? É ótimo passar a madrugada bêbado com amigos ouvindo e vendo alguma banda cover reproduzir Live Forever do Oasis, Californication do Red Hot e You Shook Me All Night Long do AC/DC, mas experimenta a sensação de ir a um show da Devise e ouvir toda a plateia cantando o refrão de Sem Fim, em coro. Abra sua mente e dê uma chance para o cenário local.

 

*Esse é um produto resultado do Trabalho de Conclusão de Curso do Centro Universitário Una da Jornalista Bianca Morais.

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Evento será gratuito, totalmente online e acontece entre 09 e 11 de novembro

*Por Italo Charles

Nos dias 09, 10 e 11 de novembro acontecerá a Maratona de Fact-checking: Eleições – Jornalismo, evento 100% on-line promovido pelo Centro Universitário Una. A maratona tem como objetivo debater a problemática das fake news a partir do movimento de checagem nesse período eleitoral, que sabemos ser propício para a circulação de informações falsas. 

Para fomentar as discussões sobre o tema e elevar a troca de saberes entre os participantes, a jornalista Ethel Rudnitzki, da Agência Pública, apresentará no primeiro dia de evento o projeto de checagem Truco, desenvolvido durante as eleições de 2018.

No dia 10, o professor da Una Luiz Lana será o responsável por apresentar ao público o projeto Checkbot, este que está inserido no cenário atual que passa por grande inquietação devido a disseminação de informações falsas na esfera pública.

O fechamento do evento será  através de uma roda de checagem, onde os convidados levarão aos participantes as metodologias de apuração.

 

Programação

Ethel Rudnitzki da Agência Pública fala sobre o projeto de checagem Truco nas eleições 2018

9 de novembro 

Das 18h às 19h

Sobre Ethel Rudnitzki

Formada em jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Realizou intercâmbio acadêmico na Universidade de Coimbra em Portugal, onde estudou jornalismo com especialização em Estudos Europeus. Trabalhou também como editora e repórter da Revista Viração e do portal Agência Jovem de Notícias, participando de coberturas e eventos internacionais como a Terceira Conferência das Nações Unidas sobre Moradia e Desenvolvimento Urbano Sustentável e a 22ª Conferência das Partes sobre Mudança do Clima. Na Pública, fez parte do Truco – projeto de fact-checking – durante as eleições de 2018, e produz reportagens sobre redes sociais e desinformação.

 

Professor Luiz Lana apresenta o projeto de extensão CheckBot

10 de novembro

Das 18h às 19h

Sobre o projeto CheckBot

Este projeto se insere no contexto atual de intensa preocupação com o impacto da propagação da desinformação na esfera pública e no crescente crédito atribuído às agências de fact-checking como estratégia de enfrentamento das fake news para atestar que, não o bastante a expansão dessas iniciativas no Brasil e a consolidação de uma literatura sobre a temática, há no país uma escassez de mecanismos dedicados a entender e combater as notícias falsas.

 

Rodada de checagem – 11 de novembro – Das 18h às 19h

Após as conversas com os profissionais nos dias 9 e 10, acontecerá uma rodada de checagem.

As inscrições são gratuitas, acesse: bit.ly/Maratona_eleições

 

**Edição: Dani Reis

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*Por Daniela Reis

Hoje a receita é perfeita para o final de semana! Os dadinhos de tapioca são uma excelente opção de entrada, tira-gosto ou até mesmo para o café da tarde. E quem nos agraciou com essa gostosura é o ex-aluno do Curso de Gastronomia do Centro Universitário Una e proprietário da Sanxav Paães Artesanais, Luan Henrique dos Santos.

Dadindo de Tapioca

Descrição do prato: Receita preparada com tapioca em formato de cubos.

Quantidade de porções: 30 dadinhos

Tempo de preparo: 2h30

Categoria: Aperitivos

Nível de dificuldade: Fácil

Ingredientes:
500g de farinha de tapioca granulada
1litro de leite líquido integral
500g de queijo canastra curado ralado
Sal a gosto
Pimenta do reino branca a gosto

Passo a passo para a preparação:
– Aqueça o leite em uma panela.
– Quando o leite estiver bem quente, desligue o fogo, adicione o queijo e continue mexendo.
– Logo em seguida adicione a farinha de tapioca granulada e continue mexendo.
– Adicione o sal.
– Pare de mexer quando todos os ingredientes estiverem bem misturados.
– Despeje em uma forma coberta com papel filme (pvc), cubra em cima e leve para a geladeira por mais ou mens duas horas.
– Retire da geladeira, corte em cubinhos, e frite aos poucos em óleo quente, outra opção é colocar no forno até dourar.
– Sirva com algum molho da sua preferência de acompanhamento.

DICA: Use um pouco de alho granulado e pimenta do reino branca para acentuar ainda mais o sabor.

 

 

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*Por: Italo Charles

É  domingo de manhã, abro a janela, acendo o cigarro e dou o primeiro trago. Olho, espero um bom dia caloroso e firme de quem ainda está por levantar. Dois minutos, nada, três, quatro, cinco, aí sim, um “Bom Dia”, singelo. O dia começa  sem cor, o céu  está  cinza, triste? Talvez, mas não para quem o ama. 

Sento no sofá observando as plantas que ali estão,  sinto um vazio, algo falta, ou eu faço faltar? Amor, tem de várias formas, mas o que é  amor? Posso amar meu pet, claro, é  lindo. Mas amor pode ser cuidar, querer estar, se importar ou simplesmente  gostar. 

Amar não tem tempo, surge, do nada, amor se constrói através de gestos, observações, dos defeitos, do sorriso que contagia, ou da bobeira que se faz. Mas, amor, como explicar, como sentir?

Não há tempo, não há certo ou errado, é  sentir, é  se entender, existe amor de mãe para filho, amor maternal, aquele que admira e protege acima das circunstâncias . 

Existe amor de amigo, aquele que apoia, que incentiva e sempre está ali para te ajudar, nos momentos felizes e tristes, na saúde e também na doença, ah, isso é  amor de amigo, amor de irmão. 

Mas também, tem o romântico, aquele que estabelece depois da paixão. Paixão é tempo de estar, de gostar e de imaginar, amor é querer, é cuidar, é muito mais que se possa imaginar.

Então, existe tempo de amar?

 

 

**Revisão: Daniela Reis

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*Por Bianca Morais

Se você está começando a ler aqui esperando que eu conte o significado profundo das siglas O-U-S, que formam o nome da banda OUS, então sinto em lhe contar que não tem significado nenhum.

Não é coruja em inglês e não tem nada a ver com mitologia da Índia.

Segundo Raphael Jardim, vocalista da banda, um amigo de escola, o Marcelo, se referia aos integrantes da banda dessa forma, uma variação de “OU”. Um OU elaborado, por assim dizer. É uma brincadeira interna entre amigos que criou um significado especial para eles.

E é entre amigos de escola também que nasceu essa banda. Eles se uniram inicialmente lá em 2001 (ultrapassando então a idade da Radiotape), com uma conexão musical muito forte, apesar de certas especificidades, elemento em comum como Beatles, Oasis e Foo Fighters, uniram 7 garotos do ensino médio que participaram de alguns festivais e depois acabaram seguindo caminhos diferentes.

Houve um intervalo entre 2002 até 2010, período em que tocavam apenas por diversão.

Mas foi cerca de 10 anos depois do início da banda que o Rapha e o Léo se encontraram  por coincidência na rua, trocaram uma ideia “Pô, por que a gente não volta a tocar?” Segundo o baterista foi assim que a banda se reuniu, e dessa vez com a intenção de um projeto mais sério.

A primeira formação profissional da banda então foi: Raphael Jardim (no vocal), Leonardo Ghudor (na bateria) e Henrique da Mata (na guitarra). O power trio. Nessa época viraram residentes no Collins Pub aonde chegaram a fazer mais de 100 shows. Tocavam covers, mas sempre procuravam mostrar também suas autorais.

Antes mesmo de se tornarem profissionais, lá no embrião da banda, eles já trabalhavam com autorais, os shows que faziam tinha covers, mas o foco sempre foi o autoral. No começo, essas músicas eram um tributo aos seus artistas favoritos, o que é supernormal em uma banda no início de carreira, ser influenciada pelo som que gosta.

Com o tempo vem também a maturidade, com os anos a banda OUS foi criando um som mais com a sua cara, uma personalidade só deles. A banda se define como rock alternativo, aquele rock moderno, um pouco pesado, um pouco clássico. Segundo eles, um pouco de The Killers com um pouco de Beatles.

As letras na maioria são compostas pelo Rapha e a melodia, na maior parte pelo Leo. O Rapha dá os temas e o Léo o ritmo e melodia, trabalham juntos no estúdio fazendo a fusão dessas ideias.

Rapha é um compositor diferenciado, enquanto muitos se inspiram apenas em experiências pessoais, o vocalista da Ous se inspira também em fantasias. Apaixonado por literatura, além das situações que vive em seu dia a dia ele gosta de pegar elementos de livros que leu.

Admirável mundo: O nome da canção não é uma mera coincidência com o livro Admirável Mundo Novo do Aldous Huxley, um dos favoritos de Raphael Jardim. Segundo o músico, o livro conta a história de uma sociedade escrava do entretenimento onde as pessoas sofrem de depressão e tomam um remédio, o Soma, para sobreviver à doença. O livro marcou muito o cantor que uniu a história a uma experiência que viveu. Um dia, caminhando com seu cachorro pelo seu bairro, descobriu que uma menina havia se suicidado bem no lugar onde ele passava todos os dias, poucas horas antes dele passar por lá. Isso foi algo que lhe marcou muito, pois caso tivesse passado antes poderia estar ali no momento.

“Se tem alguém pra me salvar

Você

Me de às mãos  vamos voltar

O mundo é seu”

Ele casou essa experiência com o tema do livro. “Como uma menina poderia querer tirar a vida?”. Uma coisa levou a outra e saiu a letra.

Se depois de ler toda essa história você acha que daí nasceu uma canção triste, você está errado. Porque não só de Rapha existe a Ous, mas também de Léo. Quando o vocalista chegou com a música para a banda, ele tinha uma ideia de ritmo que foi quebrada pelo baterista completamente.  Léo compôs a parte rítmica todo sozinho. É uma melodia animada, que dá vontade de chorar apesar da história da música, escutá-la da vontade de dançar.

Essa é a banda Ous, as letras registradas em conjunto são assinadas por todos, são músicas verdadeiras, que tentam se conectar com pessoas que se identificarem com a banda. Para eles o mais importante é fazer uma música criativa e original que leve as pessoas a terem interesse de escutar. Todo o resto, marketing, fazer show, para eles é acessório, o fundamental é uma música criativa, pois sem isso a banda não tem nada.

Diferente da maioria das bandas que você vai encontrar neste almanaque, a banda Ous tem composições em inglês e não é porque eles são antipatriotas, mas porque as músicas são escritas da forma como elas surgem na cabeça, então às vezes elas vêm em forma de melodia, outras como letra, ritmo, às vezes em inglês e às vezes em português. Mas eles se defendem dizendo que preferem as músicas em português, afinal, inglês está em um ambiente mais genérico, a maioria do mundo canta em inglês, mas em português fica mais autêntico.

Para treinar um pouco seu inglês escute aí: Speechless (a favorita do Rapha).

Durante muito tempo a composição da banda foi Rapha, Léo e Henrique. Em 2013, buscando uma forma de dedicar mais tempo à banda, Rapha e Léo pediram demissão de seus respectivos empregos, porém Henrique tinha outras prioridades profissionais e escolheu se dedicar à carreira de advogado, foi então que saiu do grupo. Como grandes amigos, a saída de Henrique abalou muito a banda, que começou a refletir se queria mesmo continuar.

Será que tá funcionando?

Será que a gente é talentosa o suficiente para fazer isso?

Será que vai ter gente querendo ouvir a gente?

Toda boa banda já pensou em algum momento em desistir, porém a resiliência e a vontade de fazer dar certo serviu de incentivo para eles continuarem.

Henrique da Mata posteriormente acabou engatando um projeto solo, a banda ous chegou a gravar com ele seu disco solo, assim também como Henrique continuou a tocar algumas vezes com eles, entre essas vezes a gravação de Paris. Confira a música Mar aberto e também todo o ep Liberdade nas plataformas de streaming.

O dia 7 de junho de 2014:

Essa data é mais que especial para a banda Ous, pois foi o lançamento do seu primeiro EP, o “Amor Vincit”, no Studio Bar. E não foi uma noite especial só para eles, naquele sábado além do lançamento do primeiro EP da Ous, a Radiotape lançava seu EP “Novo dia” e a Devise (vamos falar deles na sequência) lança seu cd “Lume”. Bandas autorais lançando de forma independente trabalhos autorais em uma casa de show lotada. A memória é fresca na mente de todos os membros dessas bandas.

Rapha e Léo relembram o momento de “banda à moda antiga”, todos eles reunidos no camarim antes e depois dos shows. Ali ninguém tinha estourado, mas o clima de amizade e cumplicidade, de sentir que o movimento das bandas estava acontecendo, que realmente tinha um público que estava escutando e cantando a músicas deles e a união para fazer um evento por conta própria despertava a sensação de que seus projetos estavam dando certo.

 

*Esse é um produto resultado do Trabalho de Conclusão de Curso do Centro Universitário Una da Jornalista Bianca Morais.

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*Por Bianca Morais

Entre os dias 3 e 9 de novembro irá acontecer a 7° edição do festival Lumiar, evento organizado pelo curso de cinema e audiovisual do Centro Universitário Una. Esse ano em decorrência da pandemia o festival será totalmente online com transmissão pelo Youtube e Looke. 

O Lumiar começou no ano de 2015, desde então o evento cresceu muito e hoje é um festival interamericano de cinema universitário muito conhecido na América Latina. O evento que geralmente acontece presencialmente no Cine Humberto Mauro, uma parceria do curso com o espaço, em 2020 irá acontecer de forma digital, gratuita, para todos os interessados em cinema no geral.

Esse ano, o festival tem como tema Estado de Contingência, escolhido pelas curadoras do evento Joana Oliveira, Ramayana Lira e Tatiana Carvalho, ele foi pensado devido a esse momento de incertezas que vivemos em 2020.

“Contingência é a dúvida quanto à possibilidade de algo acontecer ou não, aquilo que é possível, porém incerto. Nem necessariamente falsa, nem necessariamente verdadeira, a contingência indica que algo poderia ter sido outra coisa. Viver em Estado de Contingência é estar imersa na incerteza, mas nunca na impossibilidade” explicam as curadoras.

Dentro do festival temos a Mostra Competitiva, um concurso que conta com 23 curtas metragens concorrendo ao prêmio de melhor filme. Estudantes de toda a América Latina enviaram seus projetos através do edital, que deixa livre o gênero, formato e temática. Como finalistas temos filmes do Brasil, México, Peru, Colômbia, Cuba e Argentina. A seleção das produções foi feita através de uma comissão formada por três duplas, de professores e alunos do curso de Cnema, que assistiram a todos os filmes inscritos e selecionaram os melhores. Nas outras edições do evento a votação também contou com o voto do público, as pessoas recebiam uma cédula na entrada e votavam, esse ano por ser online a decisão ficou por conta apenas do júri oficial.

Além da premiação da mostra competitiva, o evento também vai contar com uma programação bem diversificada, incluindo debates, mesas de bate papo e lançamento de livro.

O debate sobre assédio e estruturas de poder na curadoria de festivais acontece na quarta-feira (4), às 18h e contará com a participação das jornalistas Nayara Felizardo e Schirlei Alves, do The Intercept Brasil, as coordenadoras de festivais e curadoras Amaranta César, do CachoeiraDoc  (BA), Ana Siqueira, do Festcurtas BH (MG) e Marilha Naccari, do FAM (SC).

As jornalista do Intercept Brasil prometem falar suas impressões da reportagem sobre o curador e produtor de cinema Gustavo Beck, acusado de abuso sexual por 18 mulheres.

“Eu entendia muito pouco desse mundo de cinema, mas o que ficou evidente para mim depois de fazer, junto com a jornalista Schirlei Alves, cerca de 40 entrevistas, é que o meio do cinema e a forma como são escolhidos os filmes para os festivais não é seguro para a mulher cineasta e produtora. Elas estão muito expostas a abusos e assédios. Suas carreiras muitas dependem disso, e não dos seus talentos, mesmo que eles sejam inquestionáveis” relata Nayara.

Uma convidada muito esperada para o evento é a roteirista e diretora argentina, Clara Picasso. Ela e sua parceira Eugenia Ratcliffe conduzem a Masterclass Desarrollo de Guión (com inscrições prévias) na sexta-feira (6) às 9h30. Uma verdadeira aula para os amantes de cinema, apresentando recursos e técnicas para a escrita de peças (storyline, sinopse, argumento, carta de motivação, proposta estética) que compõem o folder de apresentação de um projeto audiovisual, estabelecendo as diferenças entre os materiais de trabalho e materiais de vendas.

Além disso, Clara também participa de um bate papo sobre o filme La Protagonista, que dirigiu em 2019. Para acompanhá-la, a atriz Rosario Varela. Ambas atividades terão tradução simultânea.

“Me dá muita alegria fazer parte dessa edição do Lumiar e poder compartilhar minha experiência fazendo o bate papo de La Protagonista com os estudantes de cinema. Meu maior desejo é poder incentivar que cada um encontre seu próprio caminho e se anime a levar adiante seus projetos, valorizando sua própria voz. Nesse sentido, a Masterclass que ofereço junto a Eugênia Ratcliffe tem como objetivo trazer ferramentas para montar uma pasta de projeto audiovisual, tanto em material de trabalho e também como material de comunicação”, diz a roteirista.

O festival terá a sessão Filmes no Isolamento, produzidos exclusivamente pelos alunos do curso de Cinema e Audiovisual da Una. Inicialmente o evento aconteceria no mês de maio, porém a programação foi interrompida por conta da pandemia. Todos os filmes que estão na Mostra Competitiva são de 2019 e 2020 e foram recebidos pelo Júri até fevereiro, por isso, eles não retratam a situação de isolamento.

Quando a produção do Lumiar voltou em agosto, sentiu-se a necessidade de falar desse momento em que vivemos. Um edital especial foi aberto para os alunos enviarem suas produções feitas nesse tempo. Foram selecionados seis filmes para a exibição.

A programação completa do Lumiar está disponível no site una.br/lumairfestival

*Edição: Daniela Reis