Bola na área – bate-papo sobre Copa do Mundo

Bola na área – bate-papo sobre Copa do Mundo

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Entrevista com Soraya Belusi e Josias Pereira do jornal O TEMPO

Por: Patrick Ferreira/ Foto: Marcelo Duarte

O curso de jornalismo do Centro Universitário UNA promoveu no último sábado, dia 25, o Tropeirão da Rússia, evento que reuniu jornalistas que batem um bolão fora de campo para um bate-papo sobre a cobertura da Copa do Mundo na Rússia. O jornal Contramão acompanhou todo o evento e traz, com exclusividade, para vocês, uma entrevista com dois dos convidados da roda de conversa, Soraya Belusi, editora do caderno Super FC do jornal O Tempo, e Josias Pereira, repórter do mesmo caderno.

Jornal Contramão: Muitas pessoas comentaram sobre o desinteresse do brasileiro pela Copa do Mundo deste ano. Você acha que isso realmente ocorreu?

Soraya Belusi: Eu acho que no período pré-Copa, o povo estava com total desinteresse, muito chateado com a situação do país, com a corrupção até mesmo dentro da CBF, 2014 ainda tinha deixado um baque. No jornal O Tempo, fizemos pesquisas e comprovamos que o brasileiro não estava interessado. Bastou começar o primeiro jogo, que o brasileiro enlouqueceu. Nas redes sociais, o único assunto que rolava era Copa do Mundo. Há um discurso arraigado de que a Copa do Mundo emburrece o povo. Eu discordo, pois, a copa é de 4 em 4 anos, durante 1 mês, temos 3 anos e 11 meses para pensar em política e porque a culpa é da Copa?

JC: Entre a infraestrutura do Brasil em 2014 e Rússia 2018, você viu um patamar igual ou diferente?

Soraya Belusi: Em termos de organização é equiparado, a gente fala muito do padrão FIFA e ele existe. Em qualquer parte do mundo ele funciona. Em Moscou tem um metrô que para na porta do estádio. Estive na Rússia em 2014 e já tinha essa estrutura lá. É uma cultura do país.

JC: Quanto à liberdade de imprensa na Rússia, houve algum tipo de censura?

Josias Pereira: Os russos foram muito bem treinados antes da Copa para evitar qualquer tipo de exposição ruim do país. Tudo foi muito tranquilo, fiquei até surpreso. Presenciei um caso na Praça Vermelha em que os mexicanos queriam fazer a festa dos mortos, um costume deles e a polícia Russa não permitiu que fizessem isso ao lado do túmulo do Lenin, que é uma pessoa “sagrada” para os russos.

JC: Na Rússia, as pessoas já tinham ouvido falar ou conheciam algo sobre Belo Horizonte?

Josias Pereira: Pouco se conhecia do Brasil, de modo geral na Rússia. A maioria só havia ouvido falar do Rio de Janeiro, Cristo Redentor, praias e mulheres. Quando se falava que era a cidade do 7 a 1, as pessoas lembravam e também quando citava que era uma cidade do Sudeste, entre Rio e São Paulo. O Brasil lá é muito lembrado pela música. Por exemplo, a lambada. Lá se ouve músicas famosas daqui de lambada dos anos 1990 e eles pensam que são músicas russas porque tem versões russas dessas músicas.

JC: Qual o balanço que você faz sobre o encontro de hoje?

Soraya Belusi: Foi um prazer estar ao lado da Kelen e da Isabelly. São duas referências, pois a Kelen veio antes de mim e a Isabelly é super jovem, um prodígio, que está começando, e eu no meio do caminho entre as duas. Eu estava muito curiosa, principalmente com a Isabelly que é pioneiríssima na narração. Eu estava falando com a Márcia [coordenadora do curso de jornalismo do Centro Universitário UNA] que poderíamos ter ido nas salas, dado palestras, mas dessa forma, se tornou uma diversão, porque o futebol é o microcosmo do Brasil. Todas as potências do país estão no futebol e todas as mazelas também, e foi muito legal dividir isso com vocês.  

 

 

 

 

 

 

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