60 anos. 60 histórias

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Por Bianca Morais

No ano em que comemora seu sexagenário, a Una (campus Liberdade e campus Contagem) lançou uma grande novidade: As Rádios Una Fábrica e Una Contagem.  Os canais estrearam neste mês de Julho e já estão fazendo sucesso, com novos episódios de podcasts toda segunda (Fábrica) e terça-feira (Contagem), com edições repletas de assuntos interessantes e convidados especiais. 

As rádios são canais de conteúdo informativo e de entretenimento desenvolvidos pelos universitários, com temas que permeiam a instituição, os jovens e o momento atual em que vivemos.

“Com uma linguagem leve, acessível, com expressão universitária, pretendemos trazer assuntos diversos a partir da percepção dos próprios alunos em conteúdos curtos e relevantes para ouvir no intervalo das aulas, no deslocamento para o trabalho, estágio ou até enquanto lava a louça. Além disso, podem contar com uma curadoria musical exclusiva e playlists pensadas para o dia a dia dos nossos universitários”, explica Larissa Santiago, uma das coordenadoras do projeto.

O começo

Idealizado pela aluna do curso de Publicidade e Propaganda, Lara Trigo, a ideia da Rádio Una, nasceu durante os intervalos das aulas, onde a jovem passou a colocar músicas, o que gerava uma interação entre os colegas de sala que acabou em uma playlist colaborativa da turma, posteriormente, virou um projeto apresentado. 

Rádio Una Fábrica

Lara teve o desejo de levar o intervalo diferenciado para toda a Una, e foi então que levou aquela sua proposta para Larissa, líder do Laboratório de Publicidade e Design, após conversa elas pensaram na criação de um podcast que seria uma forma de levar informação do mundo da comunicação e da economia criativa para todos. 

Junto a tudo isso, a diretora da Una Contagem, Tatiane Puiati, já havia demonstrado o desejo de ter uma rádio própria do campus, enquanto a Fábrica tinha a vontade de fomentar o podcast, como um formato de conteúdo tendência do mercado.

Rádio Una Contagem

“A partir de todas essas congruências que demos vida ao projeto, com o apoio do nosso ex-líder Elias Santos e a parceria do Raphael Campos, líder da Fábrica AV, que topou coordenar comigo essa extensão universitária desde o início”, conta Larissa.

Seleção dos alunos

Para a rádio Una Fábrica, foram abertas vagas para os alunos de comunicação (jornalismo, cinema e audiovisual, publicidade e propaganda, design gráfico e relações públicas), enquanto na Rádio Una Contagem, a intenção era que o projeto fosse multidisciplinar abrindo vagas para todos os cursos do campus.

A seleção foi feita a partir do recebimento dos currículos e testes solicitados de acordo com as vagas ofertadas, entre elas: 

  • Hosts – entrevistadores, responsáveis pela seleção das pautas, produção dos roteiros e contato com o convidado.

 

  • Editores – responsáveis por acompanhar as gravações, edição e entrega dos episódios finalizados.

 

  • Social Media – responsável pela proposta de comunicação nas redes sociais, do planejamento à interação. 

Os hosts, por exemplo, tiveram que gravar uma chamada de um minuto de fala e os editores, enviar uma proposta de vinheta. 

Do Campus Liberdade os alunos participantes foram: Cristhiano Rodriguês, Eugênio Ferreira, Gabriel Souza, Giovanni Corrêa, Iago Bicalho, Inah Argentina, Lara Trigo e Virginia Cunha.

Da Una Contagem: Jonas Rocha, Karoline Beijamim, Paulo Vitor e Wendell Rafael.

Os preparativos

Com o objetivo de preparar os alunos para o começo das gravações, até porque a grande maioria começaria do zero, João Victor Rocha, especialista em podcast (@casadopodcaster) e produtor na Rádio Band News, foi convidado para ministrar uma oficina de quatro aulas sobre dicas essenciais para produção de podcast, bem como apresentar as perspectivas desse mercado.

“Aprendi muito com João sobre a produção de podcasts, desde o roteiro até a gravação, escolha do ambiente, da ferramenta para gravação, dos vícios de linguagens que temos e nem percebemos, foi engrandecedor o conhecimento oferecido por ele”, relata Lara Trigo.

Nos encontros online, foram passadas técnicas de gravação em casa, com os próprios recursos: um celular, fone de ouvido e computador com acesso à internet. Além de técnicas que ajudam a tornar o ambiente mais adequado para a gravação. 

“Algumas das dicas foi gravar dentro do guarda-roupa para ter maior isolamento acústico ou criar uma espécie de cabana com colchões e cobertores para o mesmo propósito, e nossos alunos fizeram”, relembra Larissa.

As gravações

Na Rádio Una Fábrica todos os encontros foram online, desde a oficina até a gravação e finalização do material. Já na Rádio Una Contagem as gravações foram feitas presencialmente com os alunos, mas convidados de forma remota.

Para se ter uma melhor qualidade na gravação foi orientado aos estudantes fazer em dois dispositivos: no computador, via Zoom ou Zencast e no próprio gravador do celular, podendo inclusive utilizar uma meia na saída do microfone para ter uma gravação ainda mais limpa.

“Dessa forma acabamos minimizando possíveis problemas de conexão que podem acontecer gravando de casa”, completa Raphael. 

Além dos alunos, a equipe técnica da Fábrica Luna esteve envolvida em todo o processo, especialmente no apoio à produção do material de divulgação. Na criação das peças gráficas e avaliação da proposta de planejamento e execução do aluno Iago Bicalho, de Publicidade e Propaganda e social media do projeto.

Em relação às dificuldades, a orientadora do projeto acredita que muitas delas partiram do apoio remoto e tempo de produção, o projeto foi uma grande novidade na Una, e aos poucos eles foram aprendendo a alinhar tudo.

“O tempo de produção e de lançamento dos episódios foi desafiador, por ser a primeira vez de um fluxo que depende do alinhamento entre todos. De qualquer forma os desafios deixam um saldo positivo, pois agora os alunos conseguem produzir este conteúdo, independente da estrutura disponível e principalmente a equipe desenvolvida quanto ao trabalho em coletivo”, compartilha ela.

Os episódios

Ficou na responsabilidade dos alunos a escolha dos temas e dos convidados a partir da pauta sugerida. Nesta primeira edição veremos profissionais do mercado especialistas nos assuntos, professores da instituição e grupo Ânima, como Joana Meniconi, Fernando Isidoro, Luiz Lana e Gustavo de Val Barreto. 

Os episódios também terão participação de personalidades reconhecidas nos meios em que atuam como a artista Efe Godoy, o empreendedor e ativista Felipe Gomes, Léo Moraes do Batekoo, o Diretor de Marketing da Lotus E-Sports e CEO do curso Fórmula Avante Wesley Moura.

Resultados positivos

Além dos alunos aprimorarem habilidades técnicas, eles também desenvolveram soft skills como colaborativo de gestão do tempo, autoconfiança e comunicação interpessoal. Alguns deles citaram que após a participação no projeto retiraram seus projetos pessoais de podcast do papel e estão colocando em prática. 

“A participação a distância de todos proporcionou desafios, mas muitos aprendizados para quem quer montar o próprio podcast e ainda houve estímulos junto à produção do projeto rádio UNA. Um dos principais desafios foi realizar as entrevistas sem a garantia da estrutura para qualidade de áudio”, diz Gabriel Souza, aluno de Publicidade e Propaganda.

“Eu como um dos editores do podcast tive desafios ao tratar os áudios gravados dos convidados, afinal nem todos tinham bons equipamentos, então passei algumas boas horas melhorando a qualidade. Apesar de ser um grande desafio, envolvi-me com muita aprendizagem nesse meio tempo, além de descobrir novos truques de edição com os outros editores, aprendi métodos de gravações interessantes”, Jonas Rocha, aluno de Publicidade e Propaganda.

“O resultado final foi muito agregador, experiência única, muito bom trabalhar em equipe e estar com o pessoal da Fábrica, tendo a oportunidade de ter voz, conseguir conhecer os outros projetos já desenvolvidos, indico a participação de todos nos projetos de extensão por justamente ter a praticidade do que é visto nas aulas ao decorrer dos semestres, espero continuar junto nas próximas edições com novas ideias e aqui deixo o meu muito obrigado”, Cristhano Rodriguês, aluno de Publicidade e Propaganda.

“Eu indico demais o projeto para os meus colegas de curso, mesmo com a dificuldade de gravação devido a pandemia foi muito proveitoso, produtivo, onde pude realizar o início de um sonho e vou levar para sempre na minha história, vou contar com orgulho que fiz parte desse projeto”, Wendell Rafael, aluno de Jornalismo.

“Esse projeto foi algo que desde o início me animou bastante por gostar muito de Podcasts e edição de áudio, mesmo sendo algo fora do meu curso é uma coisa que me interessa bastante, após essa experiência tenho vontade de estudar mais sobre o assunto e se possível participar das próximas temporadas e de outros projetos similares”, Paulo Vitor, aluno de Engenharia Elétrica.

Com a palavra, os organizadores.

“Apesar de não ser um formato novo, a produção de podcasts está em alta e o seu mercado está em crescimento. Levar essa experimentação para os nossos alunos é introduzi-los a uma possibilidade de carreira em sinergia com o que o futuro está apontando.

Ter uma rádio na instituição também é um canal próprio e potencial para levar discussões importantes aos universitários. Por isso, acreditamos que é só o início das rádios e elas têm muito a serem exploradas ainda para gerar mais benefícios especialmente à nossa comunidade acadêmica, mas também ao nosso entorno” – Larissa Santiago, orientação técnica e planejamento.

“Em ambos os projetos dividi a coordenação com a Larissa Santiago, por conta da minha área de atuação, estive mais próximo da produção e pós-produção, dando todo o suporte aos alunos nas gravações, edições e distribuição dos episódios.

O podcast é uma mídia que está crescendo muito ano após ano e demanda profissionais aptos a exercerem com propriedade cada passo de sua produção. Esse projeto de extensão capacita de forma responsável os alunos participantes, oferecendo um espaço de aprendizado e experimentação. 

Essa troca de experiência ainda é muito importante para o aluno, ele se torna um profissional preparado para enfrentar adversidades ao longo da sua carreira. Da mesma forma que nós coordenadores do projeto aprendemos com os alunos a todo momento” – Raphael Campos, orientação técnica, edição e roteirização.

Depois de uma primeira temporada de sucesso, Larissa e Raphael já começaram as reuniões de planejamento para a outra edição. Para o próximo semestre, eles prometem aprimorar as produções a partir dessa primeira experiência com os alunos. Como spoiler, eles contam ao Jornal que pretendem lançar de forma mais recorrente os episódios durante todo o semestre e incluir mais possibilidades dentro da rádio.

Acesse: 

Rádio Una Fábrica

Rádio Una Contagem

 

Edição: Daniela Reis 

Por Bianca Morais

Ana Carolina Sarmento trabalhou durante muito tempo na Diretoria de Planejamento e Expansão da Una, se mudou para Joinville, onde assumiu a liderança da Diretoria de Marketing e Comunicação da UniSociesc, instituição que também integra o Grupo Ânima. Por lá, desenvolveu grande aprendizado, e retornou a Belo Horizonte recentemente para assumir a diretoria da Cidade Universitária.

Com vasta experiência de mercado, Sarmento, promete trazer vários novos projetos para a instituição, incluindo grandes propostas relacionadas a inovação. Em entrevista para o Jornal Contramão, a diretora compartilha experiências de vida e visões de mercado. Confira.

Como surgiu o convite para ser diretora da Cidade Universitária?

O Cicarini, reitor da Una, com quem já trabalhei há um tempo atrás, quando ele era diretor do Campus Liberdade e eu Diretora de Planejamento e Expansão, me ligou e me fez esse convite, dizendo que a Cidade Universitária precisava de um gás diferente, de um olhar mais voltado para o mercado, com mais força de ocupação da cidade de Belo Horizonte. 

Como eu estava em Joinville, juntaram-se duas grandes possibilidades para mim, uma de aceitar e assumir esse desafio, que é algo que me motiva muito, principalmente porque eu entrei na Ânima pela Una, e a Cidade Universitária é o coração da Una e também conciliando a parte familiar, pois já era um desejo ficar mais perto da família. 

Como você avalia sua trajetória no mercado de trabalho e crescimento profissional até hoje?

Uma das coisas mais importantes para mim é trabalhar com algo que realmente faça meus olhos brilharem, encontrei isso na educação, já são 17 anos dos meus 21 anos como profissional da Ânima e realmente fazendo diferença, tanto para as pessoas as quais trabalho, quanto para os alunos que passam pela instituição e também para mim, que vivencio tudo isso.

Tenho muito orgulho e gratidão pelo aprendizado, pelas trocas, pela possibilidade de entregar projetos tão diferentes e que me fizeram crescer. Orgulho principalmente das relações e profissionais que encontrei durante essa trajetória. 

Com tantos anos de mercado, o que você pretende trazer de novo para a Cidade Universitária?

Essa minha ida para Santa Catarina me trouxe um olhar diferente sobre inovação e tecnologia, o estado tem uma densidade tecnológica de inovação muito grande, um ecossistema muito sólido, isso em todas as cidades que atuamos, tanto em Joinville, quanto Florianópolis e em Jaraguá. A gente percebe um ecossistema mais pronto e fazendo aí uma ligação entre os três atores, o público, a academia e a iniciativa privada. 

O que eu pretendo trazer é essa conexão com o mundo do futuro do trabalho, colocando os alunos dentro como protagonistas dessa iniciativa, para que eles possam fazer essa ponte com o que vai ser esse futuro do trabalho. 

Estamos desenvolvendo um grande projeto que internamente temos chamado de Alma Una, que será esse centro de conexões, inovações, conhecimentos e de transformação, no qual os alunos estarão a frente, por meio de uma cocriação e da própria participação do dia a dia dessa comunidade acadêmica, alunos, professores e o entorno.

Um grande objetivo também é abraçar esse entorno, entender as necessidade e colocar essa nossa comunidade acadêmica a disposição na resolução e entrega de projetos que façam realmente a diferença na comunidade na qual estamos inseridos, sempre olhando para os pilares da Una que são: diversidade, inclusão, empregabilidade, acessos e comodidade. 

Quais são suas expectativas para o futuro da Cidade Universitária?

Minha expectativa é que a gente realmente faça uma entrega diferenciada para a nossa comunidade acadêmica e para o nosso entorno, e que sejamos referência em educação no ensino superior em Belo Horizonte.

Falamos também em projetos de transformação, de extensão voltados para o mundo do trabalho e que consigamos colocar a CDU em lugar de destaque na cidade, crescendo nosso número de alunos, fazendo com que as pessoas que pretendem fazer um curso superior deseje cada vez mais estar nesse lugar diferente.

E da Una como um todo?

Tenho a expectativa de tudo aquilo que estamos pensando e construindo na Cidade Universitária possa reverberar para toda Una, e que a Una, seja vista como a escola de referência nos estados de Minas Gerais e Goiás, que possamos ser cada vez mais lembrados como o lugar que prepara os nossos estudantes para o mundo do trabalho, seja qual for este mundo, por meio de competências e habilidades que são desenvolvidas no nosso dia a dia por meio de um modelo acadêmico inovador.

Como você avalia a educação superior como base da transformação do país? 

A educação é a base de transformação de qualquer sociedade, ela está ali no centro dessa transformação, é por meio do acesso ao conhecimento, ao desenvolvimento dessas habilidades que as pessoas conseguem gerar conhecimentos, se empoderar, ganhar confiança, autoestima para poder entregar para o mundo o trabalho que elas aprenderam.

Eu diria que sem educação não temos crescimento, não abrimos nem expandimos. Não evoluímos, a evolução é a base de toda essa transformação, ela começa com uma transformação individual, que vai impactando a família, o mundo do trabalho, e essas transformações somadas conseguem elevar uma sociedade em um patamar de desenvolvimento muito maior, geração ciência, de mais empregos, empreendedorismo, tudo isso como um motor de economia de um país, gerando melhores rendas e melhores condições de vida.

Na sua opinião, como a educação, principalmente nas universidades, vem se transformando através dos projetos de inovação e tecnologia?

Hoje a inovação e tecnologia fazem parte da nossa vida, não tem como dissociar mais, vivendo esse ecossistema de inovação, respirando tudo isso, o que vem de dentro da universidade e do mundo do trabalho, é algo que se conecta, uma interação desses dois atores que entregam de volta para a sociedade algo que vai melhorar nossas condições de vida.

Dentro do próprio ensino superior vemos uma evolução também, por meio do uso de tecnologias dentro das metodologias de aprendizagem, em sala de aula. Não temos como negar que o acesso à informação hoje é muito diferente do que era antigamente, por causa dessa tecnologia que proporcionou tudo isso. Então também precisamos evoluir as metodologias de ensino, as formas de aprender, as novas ferramentas, o debate com os professores, eles que se reinventam e estão mais preparados para essa nova realidade.

Como você avalia o futuro da educação superior pós-pandemia? 

A pandemia acelerou um processo de hibridez das relações, hoje percebemos que não precisamos nos deslocar fisicamente para estar em alguns lugares, em algumas reuniões e da mesma forma a sala de aula. Óbvio que muitas das coisas dependem do presencial, mas muitas vão acabar sendo colocadas em prática com a ajuda da tecnologia, uma tecnologia mais avançada, por meio de simuladores, de realidade virtual, realidade aumentada, e muito vai ser a distância.

Eu enxergo três vertentes dentro da sala de aula, a presencialidade, a sala de aula online e o uso de ferramentas de aprendizagem por meio dessas novas tecnologias, não vejo como voltarmos para o patamar que tínhamos antes da pandemia.

Na sua opinião, quais as características do profissional do futuro? 

A gente tem visto que os profissionais do futuro cada vez mais serão exigidos nas suas competências socioemocionais, então destacamos muito forte a questão da liderança, da criatividade, da comunicação e relacionamento interpessoal, também a flexibilidade, adaptabilidade, que são competências na inteligência emocional a serem desenvolvidas dentro de um contexto educacional que irá colocar esses estudantes diante de situações que exijam isso deles.

Como a Una tem se preparado para formar esses profissionais?

Temos um currículo baseado em competências, ele desenvolve e trás os conteúdos técnicos de uma forma que possibilita o desenvolvimento dessas competências socioemocionais, que vão para além do conteúdo técnico. Ele é integrado, como a vida é integrada, não estamos divididos em caixinhas de disciplinas separadas, a gente trata de problemas de forma interdisciplinar.

Uma outra capacidade é a de resolução de problemas e o nosso currículo nos possibilita tudo isso, também temos componentes curriculares que nos impulsionam nesse sentido, como as próprias práticas dos projetos e cursos de extensão, os trabalhos interdisciplinares voltados e baseados para a resolução de problemas, são técnicas que contribuem para o desenvolvimento e para que nossos alunos saiam mais preparados para esse mundo do trabalho.

Além de profissional você também exerce outro grande cargo, o de mãe. Como você concilia sua carreira com a maternidade?

Ana Carolina Sarmento e família

Outro dia eu recebi uma charge que mostra uma corrida com as mulheres e os homens, as mulheres com aquelas atividades todas da casa, da maternidade. Eu sempre tive a sensação que eu entrei em uma reunião devendo, menos preparada para aquela reunião do que um outro colega.

Digo que é complexo conciliar tudo isso, mas é possível, extremamente possível, e gratificante, porque eu sempre quis ser mãe, eu sempre me enxerguei nesse papel e eu sou muito feliz, não me imagino não tendo meus filhos, é uma responsabilidade enorme e que precisamos nos dedicar, aprendo todos os dias.

Meu grande recado para as mulheres é que elas não desistam das suas carreiras, dos seus sonhos, de serem protagonistas da sua própria vida e que é possível conciliar todos esses papéis, com uma grande rede de apoio, contando com os pais dos filhos como sendo parte, dividindo igualmente essa responsabilidade, apesar das crianças ainda terem essa questão da mãe como uma referência, a gente acaba tendo com eles um papel diferente, mas que tenho buscado sempre tentar fazer com que eles vejam que nós dois temos o mesmo peso. 

Durante a pandemia vimos muitas mulheres abrindo mão de seus empregos para ficar em casa e cuidar dos filhos. Em algum momento isso passou pela sua cabeça?

Não, em nenhum momento isso passou pela minha cabeça. Os meus filhos são um pouco maiores, por isso eles têm um pouco mais de autonomia. Foi um desafio, mas eu sempre tive na minha cabeça de que a gente iria passar por isso junto, como eu disse, ter o pai das crianças comigo, dividindo essa responsabilidade da aula online, quando um não pode o outro pode estar ali ao lado deles, pensar em alternativas para eles nesse momento de isolamento que fosse para além das telas, busquei uma professora que pudesse dar aula umas duas vezes na semana, principalmente para o meu menor, que teve muita dificuldade de adaptação sobre o ensino remoto. É pensar em alternativas junto com meu marido, e ter persistência, resiliência, porque tinha dias em que tudo dava errado, todo mundo ficava nervoso, mas em nenhum momento o pensamento de desistir assim.

Qual o principal desafio enfrentado por você no dia-a-dia?

Acho que o principal desafio é ocupar um cargo de liderança importante e conciliar alguns compromissos com os outros papéis, o de mãe, esposa, dona de casa e de filha. Acho que conciliar isso e manter o equilíbrio, sempre pensando no bem estar de todo mundo é bem difícil.

Outro desafio é separar o profissional do pessoal, é impossível, não existe isso, nós somos uma pessoa só, mas saber colocar limite, no momento em que você está se dedicando ao trabalho e na hora em que você está se dedicando aos seus filhos, saber até aonde você vai com uma coisa e com outra. Acho que isso é muito importante, até a hora de parar, de dar atenção para um filho, de olhar ali pela educação deles, um outro grande desafio é fazer esse dia a dia deles ser produtivo e construtivo, de grandes desenvolvimentos, gerando memórias afetivas, de estar presente, isso tudo para mim é muito importante para que eles cresçam e se tornem adultos emocionalmente saudáveis.

Precisamos também nos manter saudáveis, ter um tempo para a gente, o tempo do lazer, do esporte, da prática do esporte, para cuidar da saúde, do corpo, e da própria mente, porque esses esportes nos desconectam do ritmo frenético e nos conectam conosco.

Tudo isso falta tempo, o desafio é conciliar tudo e sem ter culpa se as vezes não deu certo, se em um dia, não produzi o tanto que tinha que produzir, ou não fiquei com meus filhos o tanto que gostaria. Não sentir culpa e levar de uma forma leve, porque afinal a vida é uma só, e temos que ser felizes para conseguir evoluir, acho que estamos aqui para isso, evoluir através das relações que a gente tem com as pessoas.

Estando onde chegou, qual conselho você daria às mulheres que enfrentam diariamente as dificuldades do mercado de trabalho?

Não desistam, lutem pelos seus sonhos, busquem ao máximo o seu desenvolvimento e crescimento, lembre-se que vocês são incríveis, que cada uma de nós tem um talento que precisa ser colocado a favor do mundo. Descubram e valorizem seus talentos, sejam felizes, tenham um propósito e se realizem.

 

Edição: Daniela Reis 

 

 

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Por Keven Souza

Identificar e resolver problemas é uma capacidade desejada em todos os departamentos, agências e escritórios ao redor do mundo. No campo criativo não é diferente, a carreira de um publicitário ou de um designer gráfico é traçada pela curiosidade e a vontade de aprender coisas novas todos os dias, o graduando da área deve ser inquieto, ter disposição para correr atrás de referências e inovar com soluções que valorizem cada trabalho desenvolvido. 

No Centro Universitário Una, por ser uma área extremamente mutável e inovadora, a criação publicitária é um campo que tem crescido e transformado diversas ideias em excelentes resultados. Para a instituição, é imprescindível ofertar habilidades para além das exigidas na área, o esforço em aprimorar os domínios técnicos dos alunos é um viés estimulado para torná-los profissionais multifacetados com diversas possibilidades de atuar no mercado.

Como uma das séries de conteúdos dos 60 anos da Una, o Contramão traz uma agência que faz parte da Fábrica, que entre os laboratórios é o mais antigo, e se configurou como o núcleo dos cursos de Publicidade e Propaganda e Designer Gráfico. O laboratório que atua no mercado há mais de dezessete anos tem prezado em potencializar o crescimento profissional dos alunos, através do estágio supervisionado e dos projetos de extensão para proporcionar novos saberes aos estudantes.

A Fábrica Luna ou Laboratório Luna, é uma agência experimental, fundada em 2004 como Laboratório de Comunicação Integrada que acolhe os alunos dentro da própria academia e oferece serviços no setor de produção de conteúdo, além de estimular infinitas possibilidades aos estudantes de solucionar diversos tipos de demandas no campo dos sentidos visuais. 

Equipe Luna

Atualmente, está situada nas unidades da Una Liberdade (Cidade Universitária) e na Una Contagem, sendo gerida pela líder Larissa Santiago, que enquanto publicitária especialista em Inteligência de Mercado, está à frente da gestão do laboratório desde 2019, com o suporte da supervisora técnica Larissa Bicalho, formada em Design Gráfico, junto a um time inteiramente feminino composto pelas estagiárias Amanda Serafim, Emanuely Iolanda, Isadora Ayala e Jéssica Goés. 

A Luna ser uma agência experimental com participação da academia é um propósito desde o início, mas assim como a Una, têm se adaptado às tendências de mercado. Hoje, além de incluir os conhecimentos profissionais requisitados no setor, busca trabalhar ao lado dos alunos as soft skills de relacionamento interpessoal, a autoconfiança, a colaboração e o autoconhecimento para torná-los profissionais do futuro.

Por esta razão, obter a oportunidade de integrar o time da agência é única, capaz de construir uma experiência gradativa e enriquecedora que é favorável para fomentar o pensamento fora da caixa, aprimorar a organização, desenvolver a versatilidade e a ativar a criatividade. 

Aos alunos é uma vitrine ensejada de caráter introdutório no mercado de trabalho que promete fortalecer a postura profissional, além de atribuir conhecimentos e técnicas específicas exigidas no dia a dia do setor de criação. A oferta de uma vivência ávida ao lado da seguridade de enriquecer o portfólio com a elaboração de campanhas para uma instituição de reconhecimento nacional, como o grupo Ânima, é uma brecha para todos os estudantes engajados que sonham construir uma polida carreira de sucesso. 

Para o estudante João Lucas Moreira Soares, que foi um dos estagiários de criação de Publicidade e Propaganda no ano de 2020, a sua participação que durou cerca de um ano se tornou uma experiência extraordinária para iniciar sua entrada no mercado de trabalho. “A Luna foi o pontapé na publicidade pra mim, me permitiu experimentar muitas coisas, sair fora da caixa e pensar mais alto, nada era engessado, cada ideia era bem vinda que a longo prazo ajuda a você ter um olhar mais analítico que muitas vezes é exigido na profissão.” 

Segundo ele, a trajetória foi pautada em uma excelente relação ao lado da equipe, sua líder Larissa Santiago, na época foi uma das pessoas em que o fez entender sobre a diferença entre uma agência tradicional e uma agência experimental, e com ela pôde absorver na íntegra o significado de profissionalismo, carisma e acessibilidade enquanto liderança.

“Por conta da liderança que tive na Luna, hoje consigo liderar outras pessoas no meu trabalho, a minha líder me inspirou muito nessa parte. E fica a gratidão pela abertura que tive, porque nunca tinha trabalhado na área e tive a oportunidade que foi muito rica para mim”, desabafa João. 

João afirma que, na Luna, sempre existiu abertura para as alcançar novos horizontes e construir novas ideias, a oferta de uma visão macro da comunicação era destinada aos estagiários. E que através das funções que exercia como criador de peças gráficas, desenvolvedor de campanhas, social media e redator publicitário, construiu bagagem suficiente para dar um start no mercado de trabalho e iniciar um novo desafio como profissional. A sua participação se tornou uma porta de entrada para o então emprego, atual, em uma startup de franquia de reforço escolar como assistente de marketing. 

À vista disso, está à frente de tantas outras agências universitárias com foco na experiência do aluno, possui em um de seus pilares a prática e a teoria alinhadas com a vivacidade e em suma importância, cultiva a criatividade dos estudantes ao favorecer um ambiente pautado na colaboração que alimenta laços sociais significativos para a equipe. 

Na Luna, as conquistas ao longo do tempo enquanto agência, são plausíveis a todos os integrantes do time que fazem o trabalho acontecer de maneira fluida que são a partir um dos outros que ocorre o fortalecimento dos potenciais de cada um e se torna o lugar onde é possível crescer, se desenvolver de maneira profissional, e desejar novos desafios pessoais.

Jéssica Gabriella Góes, que está no quinto período de Publicidade e Propaganda e é estagiária há mais de oito meses da agência, diz que participar do laboratório propiciou desenvolver habilidades essenciais no mercado da publicidade, sua capacidade de compreender melhor o briefing foi a parte mais trabalhada que antes não o tinha muito apurado. 

“Antes de ser estagiária no laboratório não possuía nenhum tipo de experiência no mercado de trabalho, nem mesmo em outras empresas, por isso para mim foi e está sendo muito importante desenvolver as tarefas, principalmente em grupo”, explica. 

Para ela, a conexão entre a equipe trouxe a possibilidade de se comunicar com pessoas de diferentes ideias e pensamentos, e que é um exercício que tem agregado bagagem para prepará-la para chegar ao mercado. 

Além disso, o ambiente unido ofereceu a rica experiência de melhorar o cotidiano do curso e permitiu momentos inesquecíveis dentro da Luna. “Uma demanda que fiz e tenho muito orgulho foi a do Gastrouna. Logo quando entrei, estava um pouco acanhada, não sabia muito, mas ao longo do processo a Larissa foi me auxiliando e por fim tudo deu certo. Fiquei muito feliz, meu primeiro KV realizado”, desabafa Jéssica. 

Parcerias e demandas 

Por causa da pandemia de Coronavírus, o laboratório tem se adaptado para priorizar a prestação de demandas institucionais. Os serviços voltados a alcançar mais alunos e experienciar o trabalho dos estagiários é atualmente possibilitado através do auxílio no setor de marketing do grupo Ânima e funciona como “braço direito” em projetos ao lado dos cursos de jornalismo, cinema, relações públicas, arquitetura, moda e gastronomia. 

A criação de materiais gráficos é a engrenagem de eixo que move a atuação da agência que em sua jornada executa mais de duzentos e quatro materiais por mês e realiza em média de uma a duas campanhas para instituição e clientes externos. Em sua função, as principais demandas estão a produção de conteúdo, a gestão de redes sociais, o planejamento de campanhas, a produção audiovisual, a produção de podcasts, a produção de livros e e-books, além da comunicação corporativa e criação de identidades visuais. 

Em sua história o laboratório conta com diversas parcerias ao longo dos anos, na própria Una produz desde 2019 as campanhas de Volta às Aulas, e nos últimos anos, colaborou com a FIEMG, no desenvolvimento da identidade visual do Conecta Hub e no desenvolvimento conceitual e de identidade visual da Fábrica, enquanto Núcleo de Economia Criativa da Una que integra os laboratórios. 

E com ineditismo há a parceria com as rádios Una Fábrica e Una Contagem que estrearam em Julho deste ano e são extensões universitárias em parceria com a Fábrica, ao lado do projeto de rebranding do café “Manní Cafés Especiais”, alocado na Una Cine Belas Artes.

Isadora Cristina Bicalho Ayala, que está indo para o segundo período de Design Gráfico e faz parte da equipe a três meses, afirma que descobriu novas possibilidades de atuar no mercado além da sua área e que em particular sua participação foi essencial para acrescentar conhecimentos ao seu curso e alinhar a teoria com a prática. 

“Meu curso necessita de habilidades específicas como os softwares de criação e de ilustração, dentro da Luna consigo desenvolvê-los e levar novas habilidades, onde também a criatividade conta muito e na agência a esse estímulo” explica.

Para ela entregar as demandas dentro do prazo solicitado e receber um feedback positivo, ajuda no estímulo pessoal, além de significar que está no caminho certo ao lado de pessoas que tem a agregar profissionalmente.   

E conclui que, fazer parte do time e poder realizar as demandas, o sentimento que resta é o de orgulho. 

A proposta da Luna é ser mais do que uma agência comum, é ser um lugar que sintetize a vontade do aluno de crescer profissionalmente ao lado de oportunizar uma experiência  ímpar nas diversas ações no campo da publicidade, e também no próprio ambiente acadêmico. 

Por isso, vai além do tradicional, é uma agência multidisciplinar que se preocupa na íntegra com a experiência do graduando e está há muito tempo no mercado cultivando e aprimorando os vários lados de um profissional. O que simplifica para a instituição que obter agências disruptivas como a Luna, é a maneira imprescindível de capacitar e desenvolver uma visão macro de possibilidades de atuação a todos os estudantes.    

Com a palavra, a líder

Larissa Santiago, publicitária e líder da Luna

“Pensar que estamos a contribuir para o sonho de quem está entrando para a faculdade buscando um futuro melhor para si, para a família e que com um laboratório com o propósito como o da Luna conseguimos de fato apoiar esses alunos, a sensação é de trabalhar com propósito e é emocionante. Em suma, a Luna poderia ser definida no conjunto das palavras: experimentação, crescimento, aprendizados, criatividade, apoio e futuro. Um lugar para alinhar teoria e prática com vivacidade” – Larissa Santiago.

 

Edição: Daniela Reis 

Por Keven Souza

Criada em 2009, pelos diretores André Novais Oliveira, Gabriel Martins, Maurílio Martins e pelo produtor Thiago Macêdo Correia, a produtora mineira Filmes de Pástico já foi selecionada em mais de 200 festivais nacionais como o Festival de Cinema de Brasília e a Mostra de Cinema de Tiradentes, além dos internacionais como o Festival de Cinema de Locarno, Festival de Rotterdam, Indie Lisboa, Festival de Cartagena, Los Angeles Brazilian Film Festival e entre outros, ganhando mais de 50 prêmios. 

Fundadores da Filmes de Plástico

Como uma das séries de conteúdos dos 60 anos da Una, o Contramão traz, hoje, um bate-papo com Gabriel Martins, sócio-fundador da produtora, que tem 33 anos de idade e é Diretor, Cineasta, Roteirista e Produtor Cinematográfico, formado pelo pela instuição em 2010. Martins acredita na Una como um espaço que oferece o encontro entre pessoas que amam cinema e que queiram dialogar e aprender sobre o universo cinematográfico, além de tudo foi roteirista em 2014 do filme “Alemão” e possui produções em catálogo na plataforma de streaming Netflix, com o filme “Temporada”

Nessa entrevista, Gabriel relembra sua trajetória como graduando de Cinema que possuía o anseio de realizar projetos, ainda na faculdade, e que construiu experiências formidáveis através da Una para alavancar os seus sonhos no setor de produção audiovisual. Além disso, nos conta sobre sua carreira de cineasta ao longo dos anos, junto à produtora. 

Gabriel Martins da Filmes de Plástico e ex-aluno da Una

1) Como começou a sua carreira no Cinema? 

Considero que comecei minha carreira no cinema com meu primeiro filme “4 passos” que dirigi na Escola Livre de Cinema em 2005, antes de entrar na Una. Até hoje é significativo para mim, porque através dele errei muito e pude aprender com isso, sem falar na circunstância limitada para produzi-lo, que na época, possuía poucos recursos que consequentemente forçou a minha criatividade na execução. 

 

2) O que propiciou você a escolher estudar Cinema e por quê escolheu a Una? 

Sempre quis fazer Cinema, é um sonho desde pequeno pelo universo audiovisual e me encantava ver televisão e assistir making-of, bastidores de filmes, e nunca me passou pela cabeça cursar outra coisa. A escolha de estudar na Una aconteceu em 2006, quando tentei o vestibular, minha intenção era entrar para uma universidade pública e não particular, mas realizei o vestibular na Una para testar meus conhecimentos e como resultado consegui bolsa integral e tive a oportunidade de cursar o curso, foi interessante porque a princípio, naquele época, era a única faculdade que ofertava o curso só de Cinema. 

E foi através da faculdade que consegui fazer um estágio importante no laboratório, que tive possibilidade de ter contato com muitos equipamentos da área e aprender muito sobre eles. 

 

3) Quando era aluno, você participava de projetos voltados ao curso de Cinema, como por exemplo o Lumiar? O que agregaram na sua formação profissional?

Infelizmente, quando estudei não existia o Lumiar, mas criei o Cineclube, que funcionava depois das aulas e várias pessoas iam lá para ver filmes. Nessa época frequentava muitos festivais, e antes de entrar na Una, era crítico da área e escrevia sobre cinema em uma revista, tinha um network muito forte que consequentemente ajudava a levar muitas discussões importantes pro Cineclube. Digo que foi uma parte excepcional como estudante, porque agregou muito conhecimento para mim e para o projeto, nos encontros se formavam muitas equipes que eventualmente vinham a fazer filmes juntos. 

 

4) A ideia de criar a Filmes de Plástico, veio de onde? 

A Filmes de Plástico veio de encontro entre eu e Maurílio Martins na Una, nos conhecemos no primeiro dia de aula, fomos da mesma turma, e desde o início queríamos filmar e fazer algo que possibilitava assinarmos filmes que queríamos fazer em nosso bairro. Na época, morávamos na periferia de Contagem e havia muitas ideias, uma vontade grande de produzir juntos. 

É interessante dizer também que as nossas produções não tem uma mensagem específica, só fazem parte do universo e que a partir disso, buscamos filmar personagens que trazem empatia com o público e mostram realidades diferentes, provando que, em meio às adversidades, é possível, sim, fazer cinema.

 

5) Devido ao cenário imposto pela pandemia, a cidade (o mundo) sofreu interrupções nas produções. De que forma a Filmes de Plástico se adaptou a esse desafio? 

A Filmes de Plástico teve que se adaptar à pandemia, porque diversos projetos que esperávamos filmar por agora, foram congelados e nesse meio tempo utilizamos o período para desenvolver os roteiros e preparar melhor os projetos, e não tem sido fácil, tivemos algumas questões para nos mantermos de pé enquanto produtora e efetuar outros trabalhos, mas compreendemos que o mundo em si esteve em pandemia contra a Covid-19 e nós como produtora focamos em tarefas que poderiam ser feitas a distância. 

 

6)Existe algum impasse, por causa deste cenário, em fazer crescer ainda mais a produtora?

Com certeza! São dois anos que o mundo de certa forma se estagnou, e a produtora em si mediante o cenário, interrompeu as produções de caráter físicos como a gravação de filmes de longa-metragem e ficamos um pouco impossibilitados de se movimentar mais, mas de alguma forma a pausa não foi negativa, tivemos a oportunidade analisar onde a produtora poderia chegar futuramente, repensar mesmo sobre a nossa caminhada daqui pra frente.

 

7) O que podemos esperar sobre os próximos lançamentos?

Com ineditismo, por agora, temos dois filmes a serem lançados comercialmente, um deles se chama “A felicidade das coisas” dirigido por Thais fujinaga, que é um filme estreado no International Film Festival Rotterdam (IFFR) neste ano e que ano que vem pretendemos colocar em cartaz. O outro é o meu próximo longa-metragem que se chama “Marte Um”, que está em pós-produção e com lançamento, também, previsto para o primeiro semestre do ano que vem.

 

8) Como você entende a evolução do Gabriel que estudou Cinema na Una, para o Gabriel de hoje? 

Minha evolução é nítida, ao longo da trajetória aprendi e errei ao fazer filmes de longa ou curta-metragem, e também em produções de outra pessoas, acho que a experiência me trouxe mais serenidade, me ensinou a entender que às vezes é melhor ter menos urgência e obter mais calma no passo a passo, dando tempo ao tempo.

 

9) Qual conselho você daria aos graduandos do curso de Cinema e Audiovisual em relação às oportunidades de mostrarem o seu trabalho, em um festival como o Lumiar?

O conselho é que as pessoas se joguem nos projetos, criem novos, como o Lumiar foi criado, porque é a partir deles que muitos alunos podem sair da faculdade tendo sua própria produtora. É necessário pensar no seu caminho a seguir, filmar incansavelmente mesmo que você não tenha todos os recursos suficientes, colocar suas ideias em prática e cultivar o ato de fazer cinema é necessário. 

É importante aproveitar também todas as oportunidades de festivais universitários que vier a ter, absorver o máximo que puder desses ambientes para adquirir informações, conseguir ter contato com mais filmes brasileiros e conhecer pessoas que estão em um lugar mais próximo que você, em uma mesma fase da vida que estudam e tentam fazer filmes.

 

Edição: Daniela Reis

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Por Flávio Figueiredo, Patrick Ferreira, Tales Ciel e Tawany Santos

A atual pandemia da Covid-19 tem gerado muitos debates sobre a gestão dos governos diante do controle da doença. Hoje o Contramão traz uma matéria especial para outras crises sanitárias em nosso país.

O mundo já passou por inúmeras crises sanitárias globais e a Covid-19 tem se mostrado a mais grave que as gerações atuais já viram. No século XX, os governos precisaram enfrentar desafios em quatro graves doenças que assustaram as pessoas: a gripe espanhola, a AIDS, a gripe suína e agora, a Covid-19. Relembre como foram as gestões dos governos diante das crises.

Pandemia da gripe espanhola – 1918/1920

Gripe Espanhola também foi tratada com negligência no Brasil

De origem misteriosa, a Gripe Espanhola foi uma pandemia que ocorreu entre os anos de 1918 e 1919 atingindo todos os continentes deixando uma marca de no mínimo 50 milhões de mortos. Não se sabe ao certo em qual país a doença surgiu, mas existem suspeitas que tenha sido na China ou mesmo nos Estados Unidos, onde se tem os relatos dos primeiros casos.

Pesquisas da época identificaram que o vírus da gripe espanhola era uma mutação do vírus Influenza (H1N1), que se espalhou das aves para os humanos fazendo suas primeiras vítimas em uma instalação militar no Kansas (USA) em meio às movimentações das tropas no período da 1ª Guerra Mundial, impactando de maneira direta países que participaram desse conflito.

Naquele tempo, assim como recentemente com o Coronavírus, houve negligência por parte de autoridades, Woodrow Wilson presidente americano da época (1856-1924) além de não notificar os demais países da existência do problema, censurou a imprensa para que as mortes não fossem noticiadas, bem como as demais autoridades participantes do conflito não divulgaram as informações em seu país, ficando assim a Espanha que não estava diretamente ligada ao conflito incumbida de trazer as notícias sobre a doença e por isso ela ficou conhecida como Gripe “Espanhola”.

No Brasil, a Gripe Espanhola fez números catastróficos, os dados mais exatos vinham do Rio de Janeiro, a capital da República na época. Estima-se que a doença fez cerca de 15 mil óbitos entre os meses de setembro a novembro de 1918, devido aos recursos escassos e à falta de conhecimento sobre a doença, autoridades da época demoram muito a tomar as primeiras atitudes e ajustar ações e criar medidas efetivas contra a enfermidade.

Naquele tempo, assim como atualmente, algumas das medidas que foram tomadas consistiam no distanciamento físico, uso de máscaras e restrição às aglomerações. No início, a doença foi tratada como piada pela mídia da época, quando Carlos Seidl, então diretor-geral de Saúde Pública, cargo hoje competente ao ministério da saúde, falou sobre a doença e não foi ouvido por muitos. A situação ficou insustentável após ataques da mídia que fizeram Seidl renunciar ao cargo.

Após o acontecido, coube ao médico carioca Theóphilo Torres assumir o posto de diretor-geral de Saúde Pública convidando o também médico e pesquisador Carlos Chagas para assumir as ações de combate à gripe espanhola junto a ele. Em diferença aos tempos de hoje os governantes da época, não foram contra as ações tomadas pelo diretor-geral de Saúde Pública e quanto menos fizeram propagandas de medicamentos ineficazes a doenças.

A pandemia do HIV/Aids – 1981/atualmente

Governos começaram a criar campanhas de conscientização e prevenção ao HIV

Em anos anteriores à década de 1980, uma doença acometia muitos jovens, causando sintomas que não eram uniformes. Alguns tinham complicações como uma pneumonia, uma tuberculose, ou um sarcoma, uma doença de pele, que de forma avassaladora os levava até à morte. Mas foi em 1981 em que foi catalogada, a AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) causada pelo vírus HIV. Ele ataca matando as células de defesa (CD4) deixando a pessoa sem imunidade para vários tipos de doença.

Mesmo 40 anos depois, ainda é uma pandemia ativa, porém com tratamentos muito eficazes em que a pessoa vive de forma plena, sem nenhum comprometimento na saúde caso siga corretamente tomando as medicações devidas. O Brasil é referência mundial no tratamento à pessoa vivendo com HIV. Porém, o mundo nos anos 1980, fez vista grossa a essas pessoas, por conta dos infectados e mortos serem principalmente homossexuais. O preconceito fez com que a AIDS se tornasse também uma doença social.

O Brasil não tinha nenhum tratamento no início de tudo. A partir de 1987 que surgiram os primeiros recursos, onde em 1996 deu-se um passo maior, onde a ciência descobriu que uma combinação de medicamentos antirretrovirais, conhecida popularmente como “coquetel”, que era capaz de controlar a multiplicação do vírus, em média eram até oito comprimidos. A partir de 2017, entre um e três comprimidos apenas já são capazes de controlar. Também há como prevenção a PREP (Profilaxia Pré-exposição), onde a pessoa toma regularmente um medicamento que impede a infecção pelo HIV e a PEP (Profilaxia Pós-exposição) que após uma situação de risco, a pessoa pode tomar um medicamento para impedir que o vírus infecte o organismo.

O papel dos governos brasileiros na prevenção e tratamento da AIDS sempre foi satisfatório, apesar das dificuldades biológicas e preconceitos. A partir de 1987, o governo de José Sarney se voltou ao incentivo do uso de preservativos e os “perigos” que as práticas sexuais e uso de drogas guardavam, até que em 1990, no governo de Fernando Collor, intensificou as campanhas educativas muito polêmicas. Em determinado comercial, quatro pessoas deram um depoimento, sendo três de outras doenças e um de AIDS, onde este dizia que a doença dele era incurável e vinha um slogan: “Se você não se cuidar, a AIDS vai te pegar!”. Isso causou muita revolta de grupos ativistas da época por discriminar e estigmatizar a pessoa que estava com a doença. O governo de Collor foi marcado pela indiferença com a epidemia que com a crise fiscal, congelou preços e salários, porém autorizou o aumento em todos os medicamentos de tratamento à doença.

A abordagem do governo de Fernando Henrique Cardoso foi de mais leveza. Deram atenção mais devida às pesquisas e descobertas e passaram a fazer uma campanha mais leve onde incentivava o sexo seguro, para proteção de quem ama, tirando o teor terrorista de anos anteriores. Foi nesta época onde surgiram os primeiros tratamentos mais eficazes e mais pessoas puderam se tratar.

O governo Lula seguiu a favor do tratamento à AIDS, chegando a cometer um ato histórico. A primeira quebra de patente de um medicamento no Brasil. O então presidente Lula decretou a quebra do Efavirenz, do laboratório americano Merck Sharp&Dohme, usado no tratamento da AIDS -e ameaçou repetir a medida com outros fabricantes se considerar que os preços praticados são injustos. O governo Dilma seguiu com medidas semelhantes, acompanhando as evoluções da ciência.

O HIV/AIDS ainda persiste nos dias de hoje. Várias evoluções ocorreram, incluindo testes de uma vacina no Brasil e até mesmo um tratamento de cura desenvolvido pela Universidade do Estado de São Paulo (Unesp), onde um paciente vivendo com HIV, com a junção de várias drogas ficou por 17 meses sem replicar o vírus no organismo. Porém, o governo Bolsonaro segue indiferente com as conquistas. Não há investimento para a pesquisa e Ciência, já manifestou preconceitos em falas como “A pessoa que vive com HIV, além de ser um problema para ela, é um gasto para o país”. Se mostra contrário a tudo que favorece a população LGBTQIA +, que embora não seja mais a maioria que é infectada (58% dos infectados hoje se declaram heterossexuais) segundo dados do Ministério da Saúde). Apesar disso, as pessoas que vivem com HIV recebem um acolhimento adequado pelo SUS. Os medicamentos, exames são gratuitos e recebem até mesmo assistência social e psicológica para manter a vida mais plena possível.

Pandemia H1N1 – Gripe Suína -2009/2010

Em 2008, o ex-presidente Lula (PT) e o então governador de São Paulo, José Serra (PSDB), se uniram para divulgar campanha de vacinação em massa contra a gripe.  Foto: Ricardo Stuckert

A Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou o estado de pandemia moderada para a Influenza A (H1N1) em 11 de junho de 2009, após os casos se espalharem por países da América, Europa e Ásia. Contudo, os primeiros casos de gripe suína já haviam sido registrados um ano antes, no México. Dados da Organização mostram que  foram diagnosticados 504 mil casos da doença e cerca de 6.300 mortes. No Brasil, o Ministério da Saúde registrou entre os anos de 2009 e 2010, 44.544 casos e 2.051 mortes. O estado de pandemia foi encerrado em agosto de 2010 após estudos reconhecerem que a doença estaria sob controle e passaria a se comportar como outras enfermidades localizadas.

Na época, o país apresentou um comportamento ativo no combate à pandemia e se consolidou como a nação que mais vacinou cidadãos pelo sistema público no mundo. A imunização contra o vírus H1N1 começou em março de 2010. O plano de vacinação definido pelo Ministério da Saúde contemplou cinco grupos prioritários para a vacinação: indígena, gestantes, portadores de doenças crônicas, crianças entre seis meses e dois anos de idade e jovens com idade entre 20 e 39 anos. Diferentemente da Covid-19, os idosos não eram considerados grupo de risco.

Sob o governo de Lula foram mais de 100 milhões de pessoas vacinadas. Destas, 88 milhões em apenas três meses. A ideia do Governo Federal era conter uma “segunda onda” de casos da doença no outono e no inverno. A fim de combater os boatos que colocavam em dúvida a eficácia e a segurança dos imunizantes, o governo também lançou uma campanha contra essas fake news. Como resultado, mais de 45% das pessoas foram vacinadas. Nenhum lugar do mundo imunizou tanto quanto o Brasil.

Pandemia COVID-19 – 2020/atualmente

Manaus 06/05/2020 – Cenas dos leitos semi intensivos do hospital Platão Araujo sob responsabilidade do Governo de Manaus. Foto Jonne Roriz/Veja

O surto de vírus do Covid-19, nem precisa de introduções, completando agora quase um ano e quatro meses de crise infectológica no país. E de acordo com um estudo australiano, o Brasil é o país que pior lidou com a pandemia. Esse levantamento foi feito com base em análises com mais de 100 nações sob critérios como casos confirmados, mortes e capacidade de detecção da doença. Segundo dados, adicionalmente, do consórcio de imprensa, o país possuía, até janeiro de 2021, quase 9 milhões de infecções confirmadas e 220 mil mortes, para uma população de 209,5 milhões de habitantes.

Esses números são ainda mais indignantes quando olhamos para os países que sofreram intensamente nos primeiros meses de pandemia, como a própria China, onde tudo começou, a Itália e Espanha, têm visto suas infecções despencaram, as do Brasil continuam a subir. De acordo com a maior pesquisa feita sobre o surto em terras tupiniquins, de Darlan Candido, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, é possível que as infecções tenha vindo de muitas mais fontes internacionais, o que indica que a movimentação dentro do país pode ter sido um contribuinte para a disseminação do vírus.

“Quando as diminuições de mobilidade foram impostas, houve uma queda importante do R0, que chegou a menos de 1 em São Paulo entre 21 e 31 de março, no início do isolamento social. Só que, depois dessa redução, o número subiu de novo, estimulado pela diminuição na adesão à quarentena. ”sumariza a jornalista Chloé Pinheiro, em reportagem da revista Saúde Abril.

Na análise australiana, elaborado pelo Lowy Institute, na Nova Zelândia, aponta que, por exemplo, nos países europeus, um comportamento similar ocorreu. “Isolamentos sincrônicos (…) conseguiram parar a primeira onda [de infecção], mas as bordas abertas deixaram os países vulneráveis para renovação de surtos em países vizinhos [tradução nossa].”. Ou seja, o primeiro passo para o controle da pandemia seria o isolamento social e fechamento das fronteiras e aeroportos, coisas que não aconteceram no Brasil. Aqui, cada estado foi deixado, por abandono do supremo, a si próprio, muito como os Estados Unidos no início de seus contágios.

Segundo dados da Universidade Johns Hopkins, os Estados Unidos registraram 33.478.513 casos e 600.935 óbitos, até junho de 2021. Assim como aqui, um governo negacionista, deixou os estados por conta própria e minimizou a gravidade da doença e a importância de medidas de prevenção – como o uso de máscara e o distanciamento social. O ex-presidente, Donal Trump.

Porém, após a troca de presidentes e um plano de vacinação, a média semanal de mortes pela Covid-19 nos EUA caiu em quase 90% do pico em janeiro. O país, que ocupa, por enquanto, o maior número de mortalidade pelo vírus do planeta, fechou suas fronteiras oficialmente em 2020 e começou a reabertura gradual já em setembro do mesmo ano. De acordo com a Hopkins, a campanha de vacinação em massa teve um grande impacto na redução das mortes. Em dezembro de 2020, o país começou a vacinar seus cidadãos e, desde então, de acordo com a universidade, cerca de 44% da população americana já recebeu as duas doses e, por consequência, o número de mortes caiu 18% e o número de internações por infecção pelo coronavírus também baixou 28%.

Já no Brasil, as mesmas campanhas anti-ciência continuam e os casos só aumentam. Em entrevista para a revista Saúde Abril, o pneumologista Fred Fernandes faz uma análise das relações humanas e como foram afetadas pelo Coronavírus. Quando questionado sobre a situação no Brasil, Fernandes destacou a falta de coerência no discurso sobre a doença, citando como exemplo a situação em que o presidente falava uma coisa e os médicos outra. Isso fez com que a população ficasse perdida e diminuindo a eficácia das orientações médicas.

“Quando falamos do uso da cloroquina, por exemplo, isso não está baseado em evidência científica.”, ele cita. “Tem muita gente advogando a favor da cloroquina logo na fase inicial e em indivíduos de baixo risco. Mas trata-se de uma medicação que traz efeitos colaterais conhecidos. E isso pode fazer mais mal que bem.”

 

Edição: Daniela Reis

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Por Bianca Morais

O Centro Universitário Una, muito além de instituição de ensino superior, tem como um de seus pilares a inclusão. A série de reportagens sobre 60 anos da Una, mostra diversos projetos de extensão que promovem essa rede de apoio e troca. 

Dando continuidade a série, o Contramão traz hoje uma iniciativa muito importante da instituição que, desde 2016, estimula o diálogo e combate ao racismo. Batizado de Pretança, o projeto mostra mais uma vez como, além de educar e preparar alunos para o mercado de trabalho, a Una quer formar cidadãos conscientes de seu papel na sociedade oferecendo a eles uma formação humanista.

Racismo é um assunto extremamente delicado, principalmente dentro de instituições de ensino. Não é de agora que estudantes negros sofrem discriminação dentro de faculdades, muitas vezes, já foram noticiados na grande mídia vários episódios de preconceito, piadas de mal gosto, trotes polêmicos. 

O Pretança traz para o Centro Universitário Una e para a comunidade em geral, por ser um projeto aberto ao público, um espaço de discussão sobre questões raciais, o reconhecimento da cultura negra, demonstra como o racismo é configurado na sociedade e como deve ser combatido, isso tudo através de debates, rodas de conversas, entrevistas, entre outros. Pretança é um espaço de acolhimento, diversidade, onde o aluno pode compartilhar suas dores e lutas, é um local de resistência em cima de um sistema que por anos os excluiu.

O começo

O Projeto de Extensão Pretança, idealizado pela professora e coordenadora do programa, Tatiana Carvalho Costa, na realidade, partiu de alguns movimentos anteriores realizados pelos alunos do campus Liberdade. Por volta dos anos de 2013 e 2014, devido a políticas federais, como o Fies, Prouni e as cotas, houve um aumento significativo de estudantes negros e de periferia nas faculdades particulares.

“Sobretudo no campus Liberdade, localizado em um lugar super elitizado, zona sul de Belo Horizonte, houve um estranhamento por parte de estudantes e professores brancos, daquela quantidade de pessoas negras ali, o aumento de pessoas não brancas em ambientes acadêmicos que historicamente são embranquecidos”, esclarece a coordenadora.

Devido a dois episódios específicos de racismo dentro da faculdade, as reclamações de atitudes preconceituosas cresceram, por isso, coordenadores e diretores do campus se uniram e tiveram a iniciativa de um evento para discussões de questões raciais.

 

“Foi incrível, a gente aprendeu muito coletivamente, e os alunos que organizaram esse evento, ainda criaram um coletivo de estudantes chamado ABUNA, Afro Brasileiros da Una, mas aí eles se formaram, algumas pessoas saíram da instituição e essa coisa acabou. Isso em 2015”, conta Tatiana.

Em 2016, depois de um semestre sem novas iniciativas sobre discussões raciais, na época, Tatiana, uma das poucas professoras negras do campus, se viu cobrada pelos alunos. Ela que sempre esteve engajada em outras ações fora da escola, próxima ao movimento negro no geral, resolveu tomar a frente e propor um projeto, que inicialmente seria somente para o curso de jornalismo.

“Basicamente, era um projeto de extensão para produção de conteúdo audiovisual, fotográfico e textual. Além disso, a ideia era promover rodas de conversas para que as pessoas participantes entrassem em contato com os principais conceitos e dessem conta de compreender a questão racial que se dava naquele momento”, relembra ela.

A ideia inicial era algo pequeno, no entanto, logo na primeira roda de conversa chegaram pessoas de vários cursos, inclusive colaboradores, e foi quando a instituição começou a entender a necessidade de se ter um espaço mais amplo de acolhimento para além do seu propósito inicial. Inspirados pelo Una-se contra a LGBTfobia (veja a matéria sobre o projeto), passaram a atuar em um tripé de acolhimento, incentivo e diálogo, com a verba do projeto adquiriram livros de discussão racial para a biblioteca e também passaram a promover eventos e participar de outros.

A evolução

Ao longo dos anos, o projeto Pretança cresceu e passou a ter reconhecimento externo, como as ações em parceria com o EDUCAFRO, o curso preparatório para Enem que discute questões de cidadania e direitos humanos e com a Comissão para a Promoção da Igualdade Racial, da OAB.

O projeto também se desdobrou em grupos de estudos, e realizam atividades em parceria com outros programas ligados ao Ânima Plurais, política de diversidade da Ânima Educação, como o Antirracismo na Rede que é a produção de material de referência para as redes sociais e promoção de discussão entre intelectuais e profissionais negros em diversas áreas do conhecimento, e o Cineclube que visa promover sessões comentadas com debates abertos de produções cinematográficas africanas.

“Com a presença forte do Ânima Plurais e desse marcador institucional de discutir questões raciais de maneira mais profunda, o Pretança se desdobrou, então segue o projeto a partir da Cidade Universitária, e levamos o Cineclube para o nível Ânima, já tivemos 240  pessoas inscritas de diversas escolas do grupo”, explica Tatiana.

Além das parcerias, o Pretança tem uma bagagem de muitas realizações, já estiveram presentes em comunidades quilombolas, participaram de eventos como a Taça da Favela, o Festival de Arte Negra, durante a pandemia promoveu palestras com profissionais negros, sobre empreendedorismo, mulheres negras. No último semestre o projeto desenvolveu um podcast que irá estrear em breve e abordará diversos temas, como lugar de fala, violência policial, entre outros.

“Quando a gente fazia cobertura de eventos, amplificávamos esses eventos, como Prêmio Lei Leda Martins, Mostra de Cinema que tratavam especificamente de filmes negros, nós demos uma pequena contribuição ali, e ao mesmo tempo, também tivemos um retorno interno muito importante que foi trazer para dentro da escola, principalmente para as pessoas que participaram do projeto, um contato maior com essas questões, foi muito bonito, em questão de afirmação da identidade, do desenvolvimento de autoestima dos alunos e dessas percepções mais ampliadas das possibilidades de atuação”, completa Tatiana.

Durante uma cobertura do evento Festival de Arte Negra, uma aluna do curso de Jornalismo entrevistou Djamila Ribeiro, durante a conversa a ativista feminista negra, comentou como queria ter tido a oportunidade de ter um programa como o Pretança na sua época de faculdade. Ela gostou tanto do projeto que até hoje segue de longe com uma parceria.

“Ela lançou uma plataforma, Feminismos Plurais, a gente participou de uma ação dela Junto pela Transformação, acabamos ganhando algumas bolsas de estudo para alguns estudantes ligados ao Pretança fazerem os cursos de formação na plataforma, foi bem massa”, lembra ela.

A importância do Pretança

O Pretança sempre foi um espaço de acolhimento e compartilhamento de experiências, aberto à participação de todos aqueles dispostos a aprender sobre pautas de questões étnico raciais. São pessoas negras e não negras motivadas a encarar essa discussão, aprendendo mais e agindo em diversas frentes. 

Com um perfil de sempre propor ações, o projeto muitas vezes lida com assuntos delicados, situações pessoais de violência, camadas complexas do racismo institucional e estrutural, colorismo, feminismo negro, e com isso, ele se torna um espaço de compartilhamento, onde todos entendem que não estão sozinhos.

“São pessoas que se sentem absolutamente à vontade para abrir o coração e falar de problemas de autoestima que sempre enfrentaram e a maneira como o projeto foi acolhedor para a pessoa dar conta. Tem gente que acaba mudando, se compreendendo como negra, pessoas que entram ‘ah sou parda’, por ter ouvido a vida inteira que ser negro é algo ruim e acabou negando isso e acaba mudando de opinião sobre si mesma assim, aceitando mais sua identidade, tendo orgulho assim”, diz Tatiana.

O projeto cria um ambiente para que as pessoas possam se ver como propositivas, e coletivamente também propõe temáticas para contribuir no combate contra o racismo, a luta antirracismo e para estudantes que não são negros colaborarem com a luta antiracista, entender um pouco as dimensões do racismo na sociedade e se entender como pessoas aliadas, poder contribuir, primeiro para a descontrução do racismo em si e ainda como pensar de maneira mais ampla na atuação, no seu entorno imediato.

“Ele tem uma importância grande para os estudantes, sobretudo os negros, nesse lugar de se ver ali, de se ver em outras pessoas, de terem suas demandas acolhidas, de ter gente que entende quando essa pessoa fala ‘eu sofri racismo’, ‘eu passei por essas situações’, ‘é difícil estar aqui como uma pessoa negra’,’é difícil ter chegado aqui’, comenta a idealizadora do projeto.

A luta contra o racismo

Segundo a professora Tatiana, os sistemas econômico e político, e a maneira como a sociedade funciona depende do racismo, são necessários marcadores hierárquicos e um deles é a raça.

“É muito cruel a maneira como a sociedade brasileira foi construída numa ideia de progresso que é racista, porque o progresso brasileiro é o genocídio indígena, é a escravização de pessoas negras e depois a subalternização sucessiva delas ao longo do tempo, não à toa a maior parte das pessoas pobres, 75% das pessoas que estão perto da linha da miséria no Brasil são pessoas negras, de acordo com os dados do IBGE. Então não tem jeito de ser eliminado de vez nessa geração quiçá na outra”, desabafa a professora.

Acabar com o racismo é algo complicado, mas é necessário diminuir a violência, e começar pelo entorno. Em uma instituição de ensino, responsável por educar pessoas para o mundo, é primordial a discussão desse assunto, e o Pretança é fundamental nessa batalha. No sentido institucional, a faculdade Una, vem buscando diversas maneiras para minimizar as situações de racismo, mesmo sabendo que é uma situação difícil.

“Por isso que eu gosto de olhar para o Pretança como lugar de acolhimento, porque combater essa violência é quase impossível do ponto de vista da tentativa de eliminá-lo, então a gente se acolhe, se fortalece mutuamente, traz pessoas aliadas para ajudar nessa luta, porque é uma luta e é preciso entender a dimensão dessa luta, cotidianamente as pessoas brancas desconstruindo o racismo dentro de si mesmas, as pessoas que estão à frente da gestão da instituição entendendo a dimensão do racismo institucional, as pessoas à frente de lugares de liderança, e poder em qualquer local entender como podem fazer diferença para diminuir as desigualdades”, conclui Tatiana.

O Pretança está sempre de portas abertas a todos, visite as redes sociais do projeto, no Facebook, Instagram e Youtube.

https://www.facebook.com/projetopretancauna

https://www.instagram.com/projetopretanca/

https://www.youtube.com/channel/UCOZraLVoSABf8NWSICwbYsg

 

Edição: Daniela Reis