Artes plásticas

“Meu trabalho consiste em levar soluções eficientes às famílias, casas e as empresas, de forma em que haja mais qualidade de vida às pessoas”

Por Italo Charles

Organizar espaços e torná-los funcionais nem sempre é uma atividade fácil. Para muitas pessoas pode parecer uma tortura, mas para outras pode ser algo prazeroso e até mesmo  uma profissão.

Em meados da década de 1980, nos Estados Unidos, um grupo de amigas empreendedoras – Bewerly Clower, Stephanie Culp, Ann Gambrell, Maxine Ordesk  e Jeanne Short – se reuniram para oferecer serviços de organização na cidade de Los Angeles.

A partir de então, a prestação de serviços do grupo ganhou grandes proporções e em menos de três anos fundaram a National Association Productivity & Organizing, que atualmente conta com mais de 4 mil membros.

No Brasil, a atividade de organização se iniciou por volta dos anos 2000. Não há registros da primeira pessoa que começou a atuar nesse ramo de forma profissional no país. Mas sabe-se que a maioria começou auxiliando familiares e amigos.

Ao decorrer do tempo, os serviços prestados foram crescendo e em 2006 profissionais da área se juntaram para criar uma associação a fim de subsidiar e regulamentar a profissão, porém apenas em 2013 que de fato a Associação Nacional de Profissionais de Organização e Produtividade (Anpop) foi estabelecida.

Mas, ainda hoje existem rumores e desconhecimentos sobre a profissão  e atuação de Organizers no Brasil. Em entrevista ao Jornal Contramão, Karina Carneiro Elian Costa, personal há três anos e proprietária da Kaetrenos Organização, fala sobre a profissão e dá dicas de como deixar o home office mais organizado e eficiente.

 

Como você descobriu a área de atuação como “Personal Organizer”? 

A organização sempre foi um dom, um hobbie e uma ferramenta de organização dos próprios sentimentos e emoções (organizar algo ou algum ambiente, sempre foi para mim uma forma de me organizar internamente).

Mas, como nenhuma profissão se faz apenas com dom ou habilidades, comecei a ver a possibilidade de profissionalizar esse, até então hobbie, a partir do olhar de amigos próximos, familiares e posteriormente, alguns programas de canais fechados de TV.

Após pesquisas, descobri que a profissão já existia fora do Brasil há mais de 20 anos, mas aqui (Brasil) ainda não era conhecida e muito menos regularizada. Comecei então a ler a pouca literatura existente antes de me profissionalizar em um curso e, como pedagoga de formação, reconheço que é um mercado que exige muito conhecimento (de diversas naturezas).

E, claro, com um olhar empreendedor de natureza, esses conhecimentos foram aos poucos, ao encontro das necessidades das pessoas ao meu redor. Organizar a casa, organizar o espaço de trabalho, a agenda, entre outros.

Apesar de parecer uma novidade, a profissão de Personal Organizer surgiu na década de 1980 nos Estados Unidos,

 

Quais foram/são os maiores desafios? 

No início, confesso que o maior desafio era enxergar a atuação de organizer como profissão reconhecida e valorizada. A grande maioria da população brasileira não sabia o que era (o que ainda é uma realidade hoje) ou, achava que era um serviço supérfluo e destinado à Classe A.

O meu maior desafio hoje é apresentar o serviço de organização para todos os níveis sociais. Mostrar como a vida organizada (interna e externamente) traz inúmeros benefícios e, não necessariamente é preciso ter a casa mais bonita, decorada, os melhores organizadores e etc.

Hoje a profissão tem crescido bastante, mas ainda é preciso percorrer um longo caminho, sobretudo no que diz respeito a valorização de mercado.

Infelizmente, muitas pessoas ainda acham que é só ter o dom e acabam entrando no mercado sem qualificação, o que desvaloriza a profissão.

 

Como funciona a rotina de um profissional Personal? Há passos fundamentais a serem seguidos? 

Sim… Há alguns passos fundamentais na minha rotina de organizer.

O primeiro deles é ouvir o cliente: entender um pouquinho da sua rotina e quais as suas principais queixas em relação à organização atual do seu espaço. Também é  dar a oportunidade de conhecer melhor como funciona o trabalho, o portfólio e esclarecer as suas dúvidas, etc.

A partir daí, começamos o trabalho na visita técnica. É nessa visita, que pode ser presencial ou através de vídeo conferência e até mesmo por vídeos e fotos, que consigo entender a real necessidade do meu futuro cliente, qual a sua rotina, espaço e o que ele espera de mim. 

Uma Personal Organizer não organiza apenas closets, o serviço é amplo e pode ajudar em qualquer âmbito da vida de uma pessoa, desde a organização de documentos, mudanças, residências e empresas inteiras!

Nessa hora muita gente fica com vergonha, com medo do que a personal organizer vai pensar quando ver a bagunça. Mas, um profissional sério não tem olhos julgadores para o espaço. E pode acreditar que, com nosso olhar apurado, até a bagunça nos ajuda a entender o que não está funcionando ali e buscar soluções que tragam um resultado eficiente. Quanto mais soubermos sobre a rotina no espaço a ser organizado, melhor será o resultado da organização.

É o resultado desta etapa que vai me permitir criar o projeto com mais eficácia e esclarecer o que pode ser esperado do resultado da organização do seu espaço.

Essa é a próxima etapa: criar um projeto baseado no que foi conversado e visto do local, apresentando as soluções pensadas para aquele cliente especificamente. Ou seja: tudo é personalizado porque ninguém tem o mesmo espaço, a mesma quantidade de objetos, a mesma rotina.

No projeto, além das soluções, também envio o orçamento e a quantidade de tempo que será necessária para a transformação acontecer. Não existe uma tabela de preços. Cada profissional decide o seu preço e, em geral, leva em conta a sua experiência, os custos necessários para manter a sua estrutura, entre outras questões. Assim como em qualquer profissão.

Na maior parte dos projetos, também sou eu quem faz a compra dos produtos organizadores, previamente acordados com o cliente. O que também é opcional. Trabalho de uma forma que tento, ao máximo, otimizar e aproveitar tudo o que o cliente já possui. Mas, é claro que, na maior parte das vezes, como as pessoas não costumam investir tanto nisso ou não possuem conhecimento específico em organização, é necessário levar itens básicos que permitirão a “mágica” da organização acontecer.

Uma Personal Organizer também ajuda a cliente a se livrar de objetos que fazem mal emocionalmente para ela (e). Orientar e escutar é uma das rotinas cruciais na organização. 

Como o mercado e o público entendem a profissão e atuação dos profissionais? 

Quando comecei, esse era um grande mercado adormecido no Brasil, o da organização pessoal, residencial e corporativa. Não havia empresas, sites ou blogs que falassem tanto assim no assunto.

Porém, o mercado tem estado cada vez mais aberto e o tema organização e produtividade tem sido referência constante na mídia. Novas empresas, blogs e sites surgem a cada dia. Principalmente pelo fato de que, na pandemia, as pessoas passaram a conhecer melhor os seus lares, e assim, passaram a enxergar os “vilões” de um espaço e uma vida desorganizada. 

Os tempos modernos fazem com que o tempo fique mais curto e mais valioso. É nesse cenário que o trabalho de um Personal Organizer passa a ganhar um papel cada vez mais importante. A tendência é que as pessoas utilizem seu tempo com a sua família, com o lazer ou com o seu próprio desenvolvimento pessoal. 

Hoje, também cresce a compreensão da necessidade de se otimizar os espaços residenciais (mais praticidade e economia) e de trabalho (mais produtividade e menos stress) e, para alcançar tudo isso é necessário organizar, e é exatamente aí que entra o Personal Organizer, oferecendo serviços, orientação e soluções para uma vida mais organizada, e claro, com mais praticidade e produtividade.

Se ficarmos atentos, considerando que tudo evolui, assim como no mercado americano, que já tem quase 30 anos de desenvolvimento, iremos entender que há muito ainda por acontecer por aqui. Até o mercado do varejo está mais atento ao mercado da organização. Grandes lojas já contam com setores específicos para a venda de produtos desse segmento.

 

Acredito que exista um tabu em relação à profissão e que muitas pessoas acham que não é pra elas por ser “caro”, como mudar essa visão? 

Esse tipo de serviço foi por muito tempo e ainda é considerado para para uma classe mais provida de recursos financeiros. É aí que entra um dos meus diferenciais no mercado pois, a organização está para todos, e nos mais variados aspectos das nossas vidas.

Por muito tempo, a organização estava associada a um espaço planejado, decorado, estruturado e, principalmente, para quem tinha espaço. Com a mudança dos espaços residenciais para casas cada vez menores, as rotinas de trabalho e cada vez mais corridas das pessoas e com isso, a falta de tempo, a organização se faz necessária para todas as pessoas. Com ela, deixamos de perder tempo, multiplicamos o espaço que temos, alcançamos uma vida mais produtiva e temos mais prazer em nosso dia a dia. Bem estar é tudo!

 

O serviço de personal organizer não está condicionado somente a casas, certo? Em quais outros espaços ocorre essa atuação? 

Os clientes estão em todos os lugares e as necessidades de uma vida organizada se fazem em todas as áreas. Com os diversos cursos existentes no mercado hoje, já temos especialização para as diferentes demandas: residencial (que é o mais demandado), pré e pós mudanças, organização corporativa, organização baby e infantil, arquivos digitais, organização de fotos e documentos, organização de barcos, luto, malas/viagem.

Depende da segmentação que você fizer do seu negócio. Algumas organizadoras só dão consultoria. Outras, só organizam armários.

Com o crescimento do mercado, as organizadoras profissionais estão se especializando cada vez mais.

Durante esse período de pandemia em que as pessoas estão a maior parte do tempo em casa, trabalhando em casa, fica até difícil manter uma organização  e talvez, para além disso, dificulte o seu trabalho.  Como tem sido atuar nesse período, quais os desafios e, sobretudo, como as pessoas podem manter o espaço de casa e trabalho organizados? 

De fato, o período da pandemia trouxe um olhar extremamente diferenciado para os ares, adicionando esse ambiente fundamental nos dias de hoje: o home office.

Não é tão difícil assim criar esse ambiente de produtividade, mesmo para aqueles que não possuem um escritório em casa, ou seja, um espaço para ler, trabalhar, produzir…A importância de se manter um escritório em casa organizado vai além da questão estética, auxiliando também na concentração e aumentando a produtividade.

Como personal organizer, recebi muitas demandas de auxílio/consultoria, para organizar e até mesmo criar esses espaços nos lares. O maior desafio do momento, é estar auxiliando meus clientes presencialmente. Porém, com a tecnologia a nosso favor, tenho me re-inventado e criado atendimentos adaptados para trazer soluções ao meu público.

No exemplo do home office, é importante que esse espaço seja pensado de forma específica dentro de casa, através de local que não tenha tanto barulho, que sejam aproveitados ambientes com iluminação natural

Crie um local (casinha) para todos os objetos necessários para o trabalho (agendas, canetas, blocos, fios dos eletrônicos, papéis, livros…) 

Utilize mobília, tapetes e divisórias como painéis móveis para criar múltiplos espaços e aumentar a funcionalidade

Use acessórios organizadores como caixas e revisteiros para manter os itens guardados (nesse caso, para quem não tem gavetas disponíveis). Opte sempre pelos organizadores móveis

Mantenha a mesa limpa: quanto menos objetos espalhados, maior a sensação de limpeza e organização

 

Sua conta no Instagram é bem ativa, como surgiu a ideia de usar a Internet como complemento do seu trabalho? 

Acredito muito no poder da internet há algum tempo. Claro que hoje, além de importante, usar esse espaço é essencial. A melhor forma de ser visto e reconhecido, sem dúvida.

Como comecei na organização atuando como pedagoga empresarial, essa foi uma maneira de dizer às pessoas não próximas a mim que esse também seria o meu trabalho. Fez parte do processo de transição de carreira, me estabelecer como P.O e ser vista assim. 

Existe a possibilidade de prestar o serviço de personal organizer virtualmente? 

Claro!! E como dito anteriormente, após a pandemia, foi necessário me reinventar e deu super certo. Até mesmo para aquelas pessoas que achavam ser impossível contratar uma personal organizer, essa também foi uma solução. Hoje em dia, além da consultoria online, onde conheço virtualmente o espaço do cliente e apresento as melhores soluções, também faço a venda dos acessórios (atualmente estou desenvolvendo uma linha de produtos organizadores que já conta com colméias organizadoras, ganchos e planner), e material exclusivo ensinando as técnicas (dobras) em um ou dois encontros virtuais. A pessoa executa, mas todo o projeto é proposto por mim e acompanhado.

 

Conheça mais sobre o mundo da organização acessando o perfil de Instagram @kaentrenos.organizacao da Karina.

 

“Organizar é solucionar!!!

E todo mundo merece uma vida e um ambiente em ordem”  – Karina Carneiro

 

*A entrevista foi produzida sob a supervisão da jornalista Daniela Reis

Por: Moisés Martins e Marcelo Duarte 
Foto: Dimi Silva

Em 8 de maio comemora-se o Dia Nacional das Artes Plásticas. Convidamos o artista Edmilson Antônio da Silva, conhecido como Dimi Silva, para um bate-papo.  Aos 35 anos, ele vive de seu trabalho como autônomo em Belo Horizonte. Brinca com as cores, possibilitando a quem vê  viajar por mundos divertidos. A inspiração é ampla, vai da beleza da mulher negra aos autorretratos de Frida Kahlo (1907-1954), uma das principais pintoras do século XX. “É muito importante ter um dia do artista plástico, mas deveria ter mais eventos e feiras para que possamos mostrar nosso trabalho”,  afirma o artista plástico Dimi Silva.

Como e quando você iniciou nas artes plásticas?

A ideia de ser artista plástico foi algo que surgiu em minha vida. O gosto pela arte vem desde criança. Desde cedo aprendi a desenhar. O tempo passou e, a cada dia, queria aprender mais. Comecei a ter contato com novas técnicas e estilos de desenhos, que me fizeram chegar onde estou. Mas não quero parar por aqui. A cada dia que passa eu aprendo mais, para que meu trabalho fique cada vez melhor.

Como você se vê dentro do mundo das artes?

Eu me considero grande artista plástico. A grande maioria das pessoas não dá valor às artes. Então, fica difícil para o artista ser reconhecido pelo seu trabalho.

Dentro da arte, como você usa a tecnologia a seu favor?

A tecnologia tem nos ajuda bastante.  Uso as redes sociais para divulgar meu trabalho. Por meio das postagens, alcanço público amplo, o que aumenta o  reconhecimento do meu trabalho.

Como você apresenta suas obras?

Faço pinturas expostas em  muros da cidade, onde o público tem contato direto com a arte e com o meu processo de produção. Também participo de algumas feiras de artes.

Com qual outra área das artes plástica você teve contato?

Basicamente foi só pintura mesmo. Pintura de telas, murais, desenhos papel e arte digital.

O que você espera do seu futuro nas artes plásticas?

Busco evoluir cada vez mais, sempre buscando novos conhecimentos e com isso reconhecimento pelo meu trabalho.

Você tem contato com outros artistas?

Tenho muitos amigos no meio artístico, com trabalhos maravilhosos e de diferentes estilos. Para mim é um contato muito importante desde a  parte do aprendizado artístico até questão do respeito com a arte do colega.

Você vê muitos jovens inseridos nas artes plásticas?

No meu cotidiano vejo alguns, mas faltam oficinas, eventos e projetos voltados à juventude para poder despertar o interesse dos jovens pelas artes plásticas.

Aqui podemos ver um pouco de suas obras e sua descrição sobre elas;


Mural realizado na pista de skate do Barreiro/Belo Horizonte. “Assim como a maioria dos meus trabalhos não tem muita a explicação exata, gosto de compor obras voltadas para psicodelismo surreal com bastante movimento e cores vibrantes e objetos de mundos distintos tudo em um mesmo lugar”


“Trabalho realizado para uma cliente. Tinta acrílica sobre papel, retratando um ícone e referência. A pintura é releitura de uma das obras de Frida Kahlo, com cores, objetos e movimentos sempre presente no meu trabalho”.

Por Melina Cattoni
Fotografia: Instituto Brasileiro de Museus e Fauno Cultural
Agradecimentos: Circuito Liberdade, Espaço do Conhecimento Ufmg,  MM Gerdau – Museu das Minas e do Metal, Projeto Museu de Rua.   

 

Fachadas clássicas, arquiteturas antigas e salões espaçosos são características presentes ao pensar em museus. Para reformular esta ideia e mostrar que esses espaços caminham junto ao uso das tecnologias e ao avanço das mídias digitais, o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) promove a 16ª Semana Nacional de Museusentre os dias 14 à 20 de Maio.

Com o tema Museus Hiperconectados _ novas abordagens, novos públicos, a décima sexta edição possibilita o diálogo entre público e os espaços culturais. Para Luciana Amormino, jornalista especialista em História da Cultura e da Arte, a temática permite a reflexão sobre a relevância da instituição junto ao público. “Possibilita evidenciar as conexões que fazem um museu acontecer, as parcerias que firmamos para a realização de nossas atividades, com os mais diversos públicos ou até mesmo com outros museus e instituições parceiras”, aponta a coordenadora da programação do Museu das Minas e do Metal.

O diferencial dessa edição está no uso das novas tecnologias e a possibilidade de parcerias. “O Memorial Minas Gerais Vale, por exemplo, em parceria com o Museu Brasileiro do Futebol, sediado no Mineirão, promoverá o intercâmbio de conteúdos como: músicas, vídeos, projeções e ações educativas interativas”, cita a museóloga Maíra Corrêa, coordenadora de programação do Circuito Liberdade. As redes sociais e aplicativos também são recursos utilizados nas oficinas. Como exemplo, o Espaço do Conhecimento da UFMG, oferece a Janela Digital, ferramenta que possibilita ao público conhecer as ações do espaço mesmo com o museu fechado. As pessoas podem assistir a mini vídeos da exposição sem sair de casa. Para a oficina Fotografia imersiva e tecnologias de realidade virtual para museus, ofertada pelo Museu Mineiro, se faz necessário o uso câmeras fotográficas ou smartphones para a experiência.

Quem vai ao Museu?

Das produções cinematográficas às grandes galerias, criatividade, diversão e, principalmente, interatividade são elementos presentes ao entrar em contato com as artes. Presentes nas praças, ruas e becos, o diálogo e a representatividade das artes em todos os locais é importante. Para Laís Flor, estudante do  curso de Museologia da Universidade Federal de Minas Gerais, os museus cumprem sua função com aqueles que têm acesso. A partir do momento que há uma identificação com o aquele espaço e, com o que ele representa, o lugar será aproveitado.

Ao pensar sobre a revitalização urbana e ressignificar  a ‘ida ao museu’, o Projeto Museu de Rua propõe novo tipo de entretenimento para a cidade, bem como a valorização das artes e dos artistas. O idealizador do projeto, Ivan Neves Bechelane, declara que o local das artes é no espaço público. “Qualquer espaço que seja fechado não é para todos. Qualquer lugar que ‘cobre’ entrada não é democrático. A arte tem que estar na rua. Ela é nosso espaço comum. A arte transgride o padrão e traz reflexões que são importantes de serem discutidas no nosso cotidiano”, diz o artista.

 

 

A principal participação do público nas intervenções se dá na “Batalha do Bomb”. Os integrantes do projeto escolhem as palavras que serão escritas no local e parte do público se voluntaria a escrever. “A arte conversa com a sociedade através da rua. Um museu, normalmente, é ambiente que demanda estudo prévio e que traz mensagens, às vezes, fora de contexto dentro de um ambiente versátil. Já a arte de rua expressa a mensagem local e interage esteticamente com o que está em volta”, declara Ivan.

 

 

Para Laís Flor, ainda sim, o reconhecimento e o acesso das comunidades periféricas à essas instituições não é tão abrangente. “Tanto a divulgação, quanto a forma como o museu se comunica com as minorias, são meios de melhorar esse acesso e essa identificação da população com este espaço de cultura”, afirma.

Estatuetas customizadas em tamanho real de um bebê elefante, encontram-se espalhadas pela cidade.
Por Moíses Martins

Uma das maiores exposições de Arte Pública do Mundo, Elephant Parade, desembarcou recentemente na capital mineira. O projeto começou em 2006, com inspiração em Mosha, um bebê elefante de 7 meses que teve uma de suas patas dianteiras amputadas depois que pisou em uma mina terrestre, próximo à fronteira entre Tailândia e Mianmar. A Elephant Parade foi a forma encontrada para buscar recursos para cuidar da elefanta Mosha, comprar sua prótese anualmente (uma vez que o tamanho da prótese muda conforme ela cresce), além de ajudar todos os outros elefantes asiáticos que sofrem com as minas terrestres e com os maus tratos praticados por caçadores em busca de Marfim (material arrancado das presas dos elefantes).

Querubins | Foto Moisés Martins

Ao final de cada exposição, as estátuas de elefantes são leiloados e parte da quantia arrecadada é destinada à filantropia local, a projetos de preservação dos elefantes e aos artistas participantes.

O maior valor pago por uma estátua da Elephant Parade em um leilão foi de £155,000 o que equivale aproximadamente R$ 724.555. A estátua foi criada pelo artista Jack Vettriano, em 2010, na Elephant Parade London.

O ateliê de pintura oficial, bem como a exposição dos elefantes, está acontecendo no Shopping Pátio Savassi, onde ficará exposta até o dia 15 de maio. Outras peças também estão expostas em áreas livres da cidade, como Praça da Liberdade e Praça da Savassi.

 

 

Por Ked Maria

A pequena Tiradentes entra mais uma vez na rota dos amantes da sétima arte, a 21ª Mostra de Cinema começa nesta sexta, 19 e se estende até o dia 27 de janeiro com uma programação gratuita e bem diversificada que atende toda a família. Será uma semana de seminários, exibições de longas e curtas, lançamento de livros e DVDs, exposições, oficinas, shows e muito mais. O tema desde ano é o Chamado Realista, que reúne títulos que exprimem a demanda social do público e traz filmes que tratam sobre feminismo, violência, política, protestos, segregação e manipulação midiática, referenciando as discussões cotidianas e os noticiários.

A 21ª Mostra de Cinema Tiradentes se consolida como um importante canal de lançamento do cinema brasileiro contemporâneo, abrindo oportunidades e espaço para os iniciantes. Exibindo filmes em pré-estreias mundiais e nacionais, títulos premiados e de destaque em festivais no Brasil e no exterior. Neste ano, na Mostra Homenagem, estará Babu Santanta, ator brasileiro que ganhou destaque pelo seu trabalho na televisão brasileira e no cinema, totalizando 23 filmes entre eles Estômago e Tim Maia.

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Com um show de talentos, o Festival de Arte Negra de BH, apresenta sua programação infantil.

Por Patrick Ferreira
Foto: Heitor Carvalho

Na última quarta-feira (18), O Festival de Arte Negra (FAN), abriu seu espaço para as crianças da rede municipal de ensino mostrarem seus talentos. O evento reuniu 12 escolas de diferentes pontos da cidade para apresentações de danças que celebram a herança dos povos africanos. Apesar de pequenos no tamanho, as crianças são grandes em talento e emocionaram a plateia do teatro Marília em vários momentos.

Antes das apresentações, a coordenadora geral do FAN, Rosália Diogo exaltou os talentos infantis: “Quando as crianças se conscientizam, elas também acabam conscientizando as outras pessoas, em respeito às diferenças”. Após o discurso, as apresentações se iniciaram ao som do clássico “Maria Maria”. Apresentado por alunos da Escola Municipal Cônego Raimundo Trindade. E com um samba da aluna Raíssa, da escola Municipal Fernando Dias Costa.

Em seguida os espectadores puderam prestigiar apresentações com coral percussão e uma representação da história da capoeira, pela Escola Municipal Sergio Miranda. Os talentos das crianças puderam ser trabalhados em várias esferas. As pessoas se encantaram ao ver alunas da Escola Municipal Fernando Dias Costa, ocupando o palco com uma apresentação de Balé.

A parte final das apresentações foi arrebatadora. Grupos fizeram performances de danças urbanas. Interpretaram músicas Pop nacionais e internacionais. O palco ficou tomado de alunos e professores extremamente talentosos.

Ao final, conversamos com o aluno João Pedro, aluno da Escola Municipal Agenor Alves de Carvalho, que dançou hip hop no palco do teatro, ele comentou sobre a adrenalina nos bastidores: “No começo fiquei com um pouquinho de vergonha, mas depois saí matando”.

O menino diz o quanto gosta da cultura Hip Hop: “Gosto de batalha, de danças de rua, senti uma coisa bastante legal”.

João conta o que ele sempre quis ser quando crescesse: “Eu sempre quis, que quando eu crescer e morrer, ser lembrado. Todo mundo que dançou aqui hoje vai ser importante um dia”. (mas eles já são, e muito!).

A educadora Eneida, da Escola Municipal João Pinheiro, ressaltou a importância de incluir uma programação infantil no FAN: “Através da educação podemos mostrar para todos, a igualdade. A população negra deve mostrar sua cultura, já que às vezes ela não tem espaço para isso”.

A professora explica como é o ensino afro nas escolas: “Afro faz parte do currículo das escolas, então durante todo o ano letivo, a gente ensina tanto a parte artística, quanto a parte histórica”.

Quanto às danças apresentadas a docente comenta: “Na escola não temos a dança afro, mas gostamos de inserir ritmos que vem da origem negra, aqui resgatamos o samba, a dança contemporânea e o forró”.

O Fanzinho é muito importante porque mostra que a cultura afro vai ser perpetuada pelos pequenos de hoje que serão os adultos de amanhã. Sendo negros, brancos, mestiços, todos estão juntos. Unidos pelo talento.

As crianças terão diversas programações ao longo do festival. Para maiores informações, acesse o site oficial www.fanbh.com.br e acompanhe a cobertura na página do Projeto Pretança no Facebook.