Artigo de opinião

Por Matheus Dias

Nas ruas, na TV, na rádio, na internet, no letreiro, nas bandeiras, nas faixas, nos altos falantes de carros, nos papéis – famosos santinhos, nos muros e em diversos locais se vê a movimentação política que se aflora de dois em dois anos a partir do mês agosto. 

É impossível não perceber que já se aproxima um dos períodos em que temos que exercer a cidadania, irmos nos colégios eleitorais para votar em alguém que nos representa.

Desde criança escuto a palavra “representar”, ou derivações dela. Quando se tratava de política, me pego pensando quando comecei a votar: será que tenho alguém que apoio e confio a tal certo ponto de me representar? Consigo achar um candidato que entregará tudo? Possivelmente não, mas parto para o desafio de fazer uma peneira nos que conheço ou ouvir falar para sondá-los em dar o meu voto. 

O horário eleitoral gratuito é um dos momentos da grade de programação de rádio e TV mais rejeitados e apontado como chato por grande parte das pessoas na minha percepção, mas paro a rotina alguns dias para poder assistir e ver quem está com  a oportunidade de me representar. E novamente me deixa mais confuso, principalmente os concorrentes aos cargos de legislativo, que neste ano são os deputados e senadores. 

Sinto que por uma cultura enraizada em nossa sociedade, os cargos de legislativo aparentam ser menos importantes para sabermos suas propostas e, para os candidatos que tentam se reeleger,  uma análise de seu mandato.  

Quando vejo o grande debate nas ruas sobre os candidatos concorrentes aos cargos do executivo e pouco escuto dos deputados, por exemplo, fico preocupado e quando pergunto para os amigos e também pessoas próximas, a resposta é de que ainda pensará em um candidato e que verá mais para frente – mesmo faltando menos de duas semanas para ir às urnas. 

Acredito que nessa reta final, os candidatos com melhor propaganda, maior números de placas espalhados pela cidade e com maior simpaticidade ganham votos. A hora de dar um voto de confiança se aproxima, é preciso ter cautela para depositar confiança e poder nas mãos de pessoas que influenciará e tomará decisões que respingará em mim e em todos.

rock in rio

Por Keven Souza 

Aconteceu no último domingo (11) o encerramento do Rock In Rio 2022, na Barra da Tijuca no Rio de Janeiro. O evento que reuniu ​aproximadamente 100 mil pessoas no sétimo dia e contou a presença de mais de 36 artistas dos mais variados gêneros musicais, trouxe vida a Cidade Rock em 12 horas de música constante divididos em oito palcos. 

rock in rio
Dua Lipa, esbanjando talendo e brilho no palco mundo ( Foto: Keven Souza )

A atração mais aguardada da noite foi a cantora britânica de 27 anos, Dua Lipa. A artista era headliner do dia, onde, ao som de “Physical“, subiu ao Palco Mundo com todo um espetáculo de cores, luzes e hits. Esbanjando talento, apresentou o setlist com os sucessos de Future Nostalgia, seu segundo álbum de estúdio. Tudo muito bem pensado para quem estava presente no Parque Olímpico e também acompanhava de casa, pela transmissão do Multishow. 

Das músicas aos figurinos – quatro, ao todo – Dua Lipa brincou com cores e não dispensou brilho. Trouxe seu balé que performou garantindo um show à parte com coreografias. A cantora interagiu ainda com a plateia e finalizou, em português, dizendo: ‘obrigado gatinhos e gatinhas’.  

Megan Thee Stallion, Rita Ora e Ivete também foram outras cantoras que abrilhantaram o último dia de Rock In Rio, se apresentando no Palco Mundo. No Sunset, Liniker mostrou toda força da mulher trans preta juntamente com Luedji Luna. Logo após, Majur,  Agnes Nunes, Mart’nália, Gaby Amarantos e Larissa Luz uniram o samba, soul, blues, brega e jazz em um só espetáculo para homenagear Elza Soares.

Cidade do Rock é baile de favela

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Toda a estrutura gigantesca do palco mundo. ( Foto: Keven Souza )

Já a cantora Ludmilla, de 27 anos, que também se apresentou no Palco Sunset, foi uma das artistas mais comentadas do mundo na internet após seu show. Isso porque, ela prometeu que faria algo grandioso e cumpriu. A dona do hit ‘Rainha de Favela” investiu em estrutura de palco, luzes e figurinos luxuosos. Além disso, não deixou de lado o funk!

Ludmilla construiu um setlist único, que privilegiava o gênero musical, fazendo com que a Cidade do Rock por um momento virasse baile de favela. Levou ainda a dupla Tasha e Tracie, MC Soffia, Tati Quebra Barraco e Majur para o palco. Como resultado, fez um show certamente histórico que trouxe questionamentos aos produtores do Rock In Rio sobre a participação de artistas brasileiros no Palco Mundo, que é o principal palco do festival. 

O Rock in Rio promoveu inclusão em seus shows deste ano, como intérpretes de Libras (Linguagem Brasileira de Sinais) e mais artistas negros e LGBTQIA+. Mas a principal crítica do público com os produtores foi colocar artistas femininas de grande público, que é o caso de Ludmilla e Avril Lavigne, em palcos menores, como o Sunset. 

A volta do Rock In Rio no Brasil 

Após dois anos desde a última edição do evento do Brasil, que aconteceu em 2019, a Cidade do Rock recebeu um público de 700 mil pessoas com o forte desejo de se reencontrar. Foram sete dias, 1.255 artistas, 300 shows e mais de 507 horas de experiência. 

As parcerias? Muitas! Stands do Globo Play, Tim, Itaú, TikTok, Coca-Cola, Doritos, Latam, Kit Kat, iFood, entre outros, decoraram o Parque Olímpico com cores e vida. E para mostrar que o Rock In Rio é um festival de números, esta edição foi recorde de turistas no Rio. Foram mais de 420 mil pessoas de outros estados do Brasil e uma estimativa de 10 mil de fora do país. 

O Rock In Rio é um festival que impacta diretamente na economia da cidade. É, ainda, patrimônio cultural imaterial do Rio de Janeiro que expande toda nossa brasilidade para o mundo. Que as próximas edições continue com ​​toda a energia e alto astral, pois o evento além de trazer grandes espetáculos para o Brasil, dá um show como festival de experiências!  

 

Por Lucas Nascimento

Ontem, 7 de junho, se comemorou uma data que, não sabia que existia até escrever este artigo: o Dia Nacional da Liberdade de Imprensa.

Em se tratando do conceito básico da imprensa, ela nada mais é do que o mediador entre a população e os fatos, já que não podemos estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Assim, a imprensa faz o papel informativo, para que possamos, por consequência, ter nossa própria opinião e debater, em bares, em casa e qualquer encontro que chamamos de social, tais assuntos.

Historicamente, a imprensa, com os meios de comunicação de massa, tem um poder quase absoluto, como um governo à parte; tanto que chega a ser denominada de “o quarto poder” aqui no Brasil. Seguindo essa linha de raciocínio, sabemos que, quase nunca, a imprensa foi plena o suficiente.

No Brasil colonial e imperial, a imprensa teve um cerceamento muito forte. A partir dos primeiros anos da república, jornais, como o Correio da Manhã e a Folha de São Paulo, além da revista O Cruzeiro, foram criados e demonstravam muita competência na busca detalhada de informações. Com a criação da rádio, na década de 1920, as informações passaram a ser ouvidas, para uma melhor absorção.

Quando tudo parecia um mar de rosas, Getúlio Vargas criou o DIP em 1935, como uma forma de controle sobre a imprensa à época. Com o Estado Novo (1937-1945), a rigidez do DIP se aprofundou até a sua destituição, dez anos após o DIP. Tivemos, então, uma imprensa forte por mais de 15 anos.

Porém, em 1964, tudo começaria a degringolar com o Governo Militar (1964-1985), sobressaindo o AI-5 (1968). A partir daí, admitiu-se uma nova faceta da imprensa: a da luta por liberdade de expressão, que foi a maior em muitos anos. A data desta comemoração, inclusive, foi criada ainda no Governo Militar, em 1977. O manifesto, assinado por mais de 3 mil jornalistas, ocorreu após o assassinato de Wladimir Herzog.

E, com todo este movimento e tantas transformações – entre elas, a descentralização da informação, confesso que, depois que ouvi de uma professora minha que “jornalista não se acha um Deus, tem é certeza”, alguns acontecimentos recentes mostram um cerceamento seletivo e que, a própria imprensa, que se julga atacada pelo presidente Jair Bolsonaro, bate palmas.

Desde as eleições de 2018, há uma competição de quem realmente fala a verdade. Desta forma, a grande imprensa criou mecanismos de validação; dentre eles, o Fato ou Fake, do Grupo Globo. Em paralelo, a criação de conteúdo voltado para assuntos sobre política, trazendo informações que a grande mídia, por vezes, esconde, gerou revolta pela disputa de audiência.

Lembra do cerceamento da liberdade de expressão que passou a ser validado? Criticar posturas da mídia e de políticos ou magistrados jurídicos (leia-se STF – Supremo Tribunal Federal), passou a ser passível de censura. Aí, devemos nos perguntar: por quê?

Há casos a serem analisados: o deputado Daniel Silveira e os canais Te Atualizei e Hipócritas, além do Telegram. No primeiro caso, o deputado está sendo julgado para uma pena de 8 anos. Motivo? Criticar posturas do ministro Alexandre de Moraes e outras, um tanto quanto estranhas, do STF. No dia 21 de abril, Bolsonaro concedeu o indulto presidencial a Daniel.

Já sobre os canais do YouTube e o Telegram, que, como sabemos, é um órgão privado. Logo, convenhamos que é bizarro ter alguma tentativa de cerceamento, correto? Não para Alexandre de Moraes. Ele notificou ambas as plataformas sobre “conteúdos perigosos” e exigiu que o Telegram fosse bloqueado, e os canais do YouTube citados, desmonetizados.

A imprensa ainda tem a ideia de que existe uma “censura saudável”? Como? Mesmo com o Brasil estando em 111º lugar em um ranking de 180 países sobre liberdade de imprensa, segundo o Repórter Sem Fronteiras. Bem estranho.

Ou seja, enquanto a guerra da falta de verbas exorbitantes de desvio e as narrativas se sobreporem, a imprensa não vai mais convencer ninguém. Portanto, como qualquer coisa que exista para um bom equilíbrio, ele precisa retomar o seu papel de fato: apenas os fatos.

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Por Bianca Morais

Em uma época em que as mulheres viviam refém dos pais e depois dos maridos, quando elas não tinham acesso à educação e trabalhavam apenas em funções domésticas, uma delas, talvez uma das primeiras feministas do mundo, se levarmos o termo cru do movimento que luta pela igualdade de gêneros, se destacou. O nome dela: Maria Madalena. 

Tida por muitos, ao longo de séculos de catolicismo, como prostituta e pecadora, aquela que acompanhou Jesus Cristo até sua morte e ressureição, muito provavelmente, teve de deixar para trás padrões impostos pela sociedade da época que diziam que ela deveria permanecer em casa.  

Lucas 8:2 diz: “Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios”. Para os judaicos, ter demônios, nada mais é que ter uma doença, mas no cristianismo europeu aquilo foi ligado ao pecado, e por ela ser mulher, relacionado ao sexual. Em nenhum momento o versículo deixou claro que era uma prostituta, mas estamos cansados de saber que as religiões interpretam a bíblia da forma como querem, por isso, muitas a consideram de tal forma, inclusive, as mesmas que dizem que o relacionamento homoafetivo é pecado, mesmo Jesus durante toda sua vida ter pregado o amor. 

No livro “O Código da Vinci” de Dan Brown, é narrado um relacionamento secreto entre Jesus e Maria Madalena retratados nas obras de da Vinci. O argumento parte em teorias feitas pelos chamados “Evangelhos Canônicos” nos livros apócrifos do Novo Testamento e dos escritores gnósticos. Segundo eles, na pintura A Última Ceia, quem está ao lado de Jesus de cabelos compridos e traços femininos seria Maria Madalena e não o apóstolo João. Além disso, o fato de Jesus não envergar o Gral leva a interpretação que a mulher é o “Cálice Sagrado”, onde repousa o “sangue de Cristo”, ou seja, que ela estaria grávida. 

Após a crucificação de Jesus Cristo foi Maria Madalena que visitou sua tumba levando especiarias para ungir seu corpo nu, tarefa assumida por esposas, mães ou familiares. Já dizia a bíblia que Jesus viveu entre nós como um homem comum, e homens naquele tempo e com a idade dele tinham esposas. Os cristãos fervorosos dizem que o filho de Deus não veio a terra para se casar, muito menos para ter filhos, por isso, repudiam tanto Maria Madalena.  

Claro, isso é uma teoria, assim como toda bíblia escrita pela Igreja Católica, a mesma que considera Jesus Cristo, nascido em Jerusalém, um homem branco de olhos azuis.  

Na atual sociedade com o machismo imposto toda mulher autossuficiente, dona de si, financeiramente independente, mãe solo, líder e chefe, intimida e sofre preconceito. Quantas mulheres que saem a noite para tomar uma cerveja com o marido, ou levam o filho na apresentação da escola sozinha são vistas com maus olhos pela sociedade que por mais avançada que seja, ainda acredita que lugar de mulher é no fogão, faxinando casa para quando o marido chegar à noite do trabalho sua janta estar servida? 

Sendo assim, não seriamos todas nós feministas, Maria Madalena? 

Maria Madalena é vítima. Vítima de um catolicismo exacerbado, vítima de sua imagem ser possivelmente ligada a uma relação mais intima com Jesus. Vítima de ter largado costumes da época para seguir seu líder espiritual.  

E se Maria Madalena de fato fosse prostituta, qual seria o problema? Prostituta é uma profissão, mulheres que ganham a vida com trabalhos sexuais, inclusive, para homens de bem, seguidores do catolicismo. A questão é, do mesmo jeito que eles têm o direito de seguirem uma religião e usufruírem dos serviços delas, elas também têm o direito de acreditar em Deus e seguir os ensinamentos de Jesus. Independente se Maria Madalena foi ou não uma prostituta, ela teria a mesma licença para seguir a Jesus Cristo, afinal, foi ele quem disse “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”.  

No Brasil não se discute religião, política e futebol. 2022, copa do mundo e eleições. Com as redes sociais é, sem dúvidas, impossível não se discutir esses assuntos. Por que não discutir religião então? Discussão é uma palavra forte, pode remeter algo agressivo e não precisa ser. Discutir religião pode ser simplesmente uma maneira de tentar trazer os ensinamentos de Jesus Cristo para a nossa atual realidade.  

Paz, amor, harmonia, perdão, respeito entre os homens, por que é tão fácil adorar Jesus e tão difícil seguir seus mandamentos? Por que considerar uma mulher solteira uma prostituta? Por que levar um fora de uma mulher te leva a ofendê-la? Do que adianta não consumir carne na sexta-feira da paixão para ser perdoado dos seus pecados se você poderia simplesmente não os cometer? 

O feminismo te incomoda porque algumas pessoas são cheias de preconceitos dentro de si, e o pior, tentam justificar isso em cima do cara mais bacana que já passou pela Terra. E como disse Bruna Marquezine em uma recente participação num podcast, “Jesus Cristo é maneiraço, o fã clube que estraga o rolê”.

Nota do editor: os textos e fotos, vídeos publicados nos artigos de opinião não refletem necessariamente o pensamento do Contramão, sendo de total responsabilidade do(s) autor(es) as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

 

 

 

Por Bianca Morais

No último Lollapalooza, no ano de 2019, a apresentadora Titi Müller do canal Multishow soltou o conhecido meme “a galera te pedindo muito Anitta”, que na verdade era para mascarar a plateia gritando “Fora Bolsonaro”. A questão é que o ano agora é 2022, dois anos depois do último Lolla o evento volta com tudo, e inclusive, com Anitta agora no número 1 do mundo. 

Esse ano além de ter muita gente pedindo Anitta, também teria muita gente pedindo fora Bolsonaro, afinal é ano de eleições e quem ama um bom festival sabe que no governo dele a verba para cultura foi cortada. Pabllo Vittar estava presente no evento, outra rainha do Brasil, símbolo LGBTQIA+, a drag mais pedida de todo o mundo, fez uma performance incrível e um momento polêmico registrou seu show. 

Ao ir para a plateia, ela se enrolou em uma toalha com a estampa do ex-presidente do Brasil, Lula. O que levou a galera à loucura, uns pedindo “Lula” e outros “Fora Bolsonaro”. E foi então, que o atual chefe de estado recorreu imediatamente ao TSE para que proibissem as manifestações políticas no evento. O pior? O pedido foi acatado! 

Agora me pergunto, estamos vivendo a constituição que garante a liberdade de expressão ou voltamos aos anos de chumbo em que artistas como Caetano Veloso, Milton Nascimento, Chico Buarque entre outras dezenas tinham que se calar em meio a ditadura militar.

E o Lollapalooza não deixou barato. No sábado, o vocalista da aclamada banda de rock Foo Fighters faleceu, a banda, claro, cancelou sua apresentação e o festival chamou simplesmente o Planet Hemp para tocar no lugar dos caras.

Teve Emicida, Rael, Criolo e a frente do Planet: Marcelo D2. Artistas que vivem da música e sabem o quanto ela é importante e simboliza em momentos de insatisfação. Foi assim no século passado e não será diferente neste. Porque, na música não há espaço para represália, não há lugar para boicote, não há censura! 

E se Jair Messias Bolsonaro, estimula a reclusão de manifestação artísticas nos palcos por parte dos cantores e do público, deveríamos pensar sobre seu cargo de presidente, já que na íntegra  o trabalho de um presidente é governar para todos, inclusive para aqueles que discordam do seu governo, e não calar a voz de uma classe só porque ela não lhe convém. 

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Por Bianca Morais 

No dia 24 de fevereiro, depois de meses negando uma invasão, Vladimir Putin, presidente da Rússia invadiu a Ucrânia. Por terra, céu e mar o presidente, com a justificativa de proteger a população de um genocídio e eliminar o nazismo presente no lugar, vem causando a morte de milhares de civis e militares com a guerra.

Putin não anuncia em suas redes sociais ou nos canais de televisão controladas pelo governo que, na verdade, a sua maior preocupação não é com os nazis do país, liderado por um judeu que teve seus antepassados mortos pelo regime, mas sim, pelo medo de perder o controle do Leste Europeu.

Com a proximidade da Ucrânia com a União Europeia e da Otan, a Rússia teme que o país vizinho se expanda e retorne ao tamanho que tinha em 1997, porém a narrativa de um Putin ‘bonzinho’ não engana ninguém que tenha acesso ao mundo real.

O aumento das mortes devido aos ataques leva o presidente russo a colocar a paz na Europa em risco, fazendo então países do continente e os Estados Unidos imporem sanções para ajudar a Ucrânia. Marcas como a Apple, Starbucks, McDonalds e Coca-Cola estão temporariamente encerrando suas atividades na Rússia, o capitalismo unido com força para derrubar a ex-União Soviética, mais uma vez.

Por onde será que estava todo esse boicote, ou como se diz hoje em dia “cancelamento”, lá em 2003, quando os EUA invadiram o Iraque com uma justificativa em cima de uma “fake news” que dizia que o ditador iraquiano da época tinha armas químicas de destruição em massa? Por que ninguém foi contra uma das maiores potências mundiais pedir misericórdia pelos iraquianos?

Nesse exato momento, ao redor do mundo, existem dezenas de conflitos com uso de armas, como na Europa, África, Oriente Médio e na Ásia. O destaque está na Rússia x Ucrânia, mas a Síria, há cerca de 10 anos está sendo completamente destruída por bombardeios diários.

O Afeganistão é sem dúvidas um dos mais abalados, depois de derrubarem o Talibã e manter suas tropas durante anos na região, Joe Biden, atual presidente dos EUA, retirou seus militares deixando o país africano nas mãos do grupo mais radical do mundo, aquele que mata mulheres e tira a liberdade de viver do seu povo. Mas quem vai criticar os Estados Unidos?

As guerras acontecem por diversos motivos, seja por questões políticas, territoriais, religiosas, étnicas, entre outras. Países do Oriente Médio, por exemplo, vivem massacres há anos, grande parte deles com um dedo da potência americana, e se a mídia divulga algum, uma vez por semana, é muito! 

A guerra na Ucrânia tem gerado uma grande comoção mundial, principalmente dos vizinhos europeus. O jornalismo ocidental vem soltando vários comentários de apoio aos irmãos, alguns deles ressaltam como pessoas brancas de olhos azuis estão morrendo, “Eles se parecem tanto com a gente, isso é o que faz ser tão chocante”, disse um jornal. Outros ressaltam como é um absurdo estar acontecendo uma guerra na Europa, “Com todo respeito, não é um lugar como o Iraque ou Afeganistão”.

Só existe uma explicação para toda a comoção da morte de europeus loiros de olhos azuis e indiferença por negros e outras minorias que estão sendo deixados para trás no país, moradores de favela e cidadãos do Oriente Médio, o nome disso é preconceito!

A Europa está praticamente gritando que toda morte é lamentável, mas algumas são mais do que as outras. Quem está perdendo a vida dessa vez não são homens-bomba e terroristas, são gente do bem, como eles. O deputado espanhol, Santiago Abascal, defendeu que os refugiados ucraniano merecem ser recebidos na Europa, porque são diferentes dos jovens de origem muçulmana que buscam o mesmo acolhimento, e o pior, ele está sendo aplaudido por isso.

A empatia é seletiva, pessoas brancas versus não brancas, dessa vez os europeus não estão sendo capazes de disfarçar o racismo e xenofobia, são imigrantes negros, árabes e asiáticos que não estão conseguindo sair do país. Segregação racial descarada, são pessoas negras barradas em ônibus e trens em direção a fronteira.

Recentemente um cidadão imigrou para o   Brasil para fugir da guerra e morreu em uma famosa praia do Rio de Janeiro. Certas coisas nunca mudam.

Mas o que é guerra? O que significa uma guerra? São pessoas presas em suas casas, sem poder sair com medo de serem vítimas de um bombardeiro. São escolas e hospitais fechados, destruição e sangue de inocentes derramados. Nesse momento me perco, estou a falar da guerra na Ucrânia, na Síria ou de uma invasão policial em uma favela brasileira? A diferença mais gritante é que aqui no país tropical, as pessoas não podem simplesmente abandonar suas casas para se refugiar em outro local.

No começo do mês, um jovem foi morto e dois baleados na comunidade da Gamboa em Salvador, o repórter então chega para uma mulher e pergunta se o garoto ferido tinha envolvimento e em resposta ela diz: “Ô moço, isso não importa nesse momento, sabe por quê? Porque se ele tinha algum envolvimento a obrigação dos policiais é levar preso e não matar à queima roupa”. A diferença do jovem de Gamboa para o ucraniano é a cor da pele e a humanização dada a ele.

É responsabilidade do jornalismo expor as imagens de guerra, mas é evidente que a grande mídia narra o que lhe convém. Durante a guerra do Iraque não se chegou nem perto de humanizar os iraquianos como os ucranianos. A rede social que acha lindo e emocionante o pai militar segurando uma arma e fazendo TikTok, a fim de fazer a filha acreditar que está tudo bem na guerra, é muito mais bem visto do que um iraquiano mascarado com uma arma.

Supremacia branca, termos racistas, xenofobia e termos pejorativos. Até quando? Há anos existem guerras, muitas vezes piores, que sensibilizam muito menos.

Em nenhum momento a dor dos ucranianos foi diminuída, são cidadãos pegando em armas, alguns pela primeira vez, para defender o país em que nasceram e foram criados. São crianças atravessando fronteiras sozinhas com apenas um papel com o telefone de parentes em mãos. São idosos com medo de sair de onde estão e serem bombardeados no caminho de fuga e outros que nem ao menos conseguem sair de onde estão.

A guerra está ali, aqui e lá, todas têm sua importância e história, as pessoas que passam por elas sentem mais, sofrem mais, por isso, a obrigação de quem está de fora é não selecionar quem merece ou não passar por tal sofrimento.