Artigo de opinião

0 183
Desfile LAB no SPFW - Fotos retiradas do site Lillian Pacce

Por Fernanda Moreira

Não é de hoje que a humanidade evolui em relação aos discursos em prol da igualdade. Movimentos como a luta pela equidade racial, o feminismo e os debates sobre gênero começam a se destacar não só nas mídias contemporâneas, como, também, ocupam espaços antes inexistentes nos meios de comunicação mais convencionais. Apesar do que podemos chamar de progresso, em meio a todos esses movimentos que ganharam destaque, com muita luta, ao longo dos anos, um ainda recebe atenção limitada: o combate à gordofobia.

Levando em consideração a força e a responsabilidade da indústria da moda sobre essa temática, seja pela produção em massa de peças e estilos, seja pelo poder de imagem que carrega – por meio de desfiles, ensaios, outdoors etc. –, é fácil enxergar o papel que tal indústria precisa desenvolver nessa luta. Será, porém, que ela preenche bem as lacunas do preconceito?

Em 2016, foi realizado o primeiro desfile com modelos Plus Size no São Paulo Fashion Week (SPFW). A LAB, marca do rapper brasileiro Emicida, que se destaca na luta pela busca de igualdade, foi quem tornou isso possível, com a aparição de três modelos com manequins +56, em parceria com o coletivo de moda “África Plus Size Brasil”.

Desfile LAB no SPFW – Fotos retiradas do site Lillian Pacce

Quando me deparo com uma narrativa real como essa, fico muito esperançosa de que, a cada dia, estejamos mais perto de uma moda plural e sem preconceitos. Mas alguns anos depois, em 2020, uma cena lastimável na luta contra a gordofobia demonstra que só um – SPFW mais inclusivo – não é o suficiente para dizimar o preconceito incorporado nesse mercado.

Dessa vez, a manifestação de ódio, que ainda assombra corpos gordos, data de janeiro de 2020, no Grammy Awards. A modelo Tess Holliday escolheu uma peça assinada pela estilista Lirika Matoshi, para abrilhantar o tapete vermelho dessa grande premiação. Tratava-se de lindo vestido longo, estampado por morangos, que remetia a um estilo bem folk. Ela chega a dizer, em sua conta do Instagram, que nunca se sentiu tão bonita quanto naquele dia. Não demorou muito, contudo, para que Holliday virasse uma grande “piada”. O motivo era, uma vez mais, a manifestação de que corpos gordos não foram feitos para se vestir da forma como gostariam.

Tess Holiday para Lirika Matoshi no Grammy Awards – Jon Kopaloff FilmMagic

Em agosto do mesmo ano, em meio às últimas tendências do Tiktok, a hashtag #strawbaerrydress chegou a mais de 13 milhões de visualizações. Isso porque o mesmo vestido usado por Tess, na premiação de meses atrás, entrou na onda dos corpos padrões e obteve grande alcance positivo nas mídias digitais. Dessa vez, ela se manifestou e deixou uma reflexão: “Adoro como esse vestido me fez entrar para a lista das ‘mais malvestidas’ quando o vesti em janeiro, no Grammy. Mas agora, porque um monte de pessoas magras o está usando no TikTok, todo mundo está”, comenta a modelo.

Esse cenário me fez pensar se a inclusão que a moda plus size propõe, de fato, acontece. Gostaria que esse processo fosse mais real, mas, depois de tantos anos enfrentando manifestações de ódio em ambientes online ou offline, e observando que a contribuição dessa indústria ainda é mínima diante da caminhada que temos pela frente, ainda me pergunto se a aceitação da pluralidade de manequins – desde sempre ridicularizada – é algo que realmente interesse a esse mercado. Porque, aparentemente, além de ridicularizados, são taxados como insuficientes para lançar e/ou sustentar quaisquer tendências e estilos.

Até quando a indústria da moda terceirizará a responsabilidade social e não assumirá seu papel de atender e respeitar todos os corpos, independentemente da condição de cada um? E, sobretudo, até quando compreenderá que esse discurso atemporal precisa e merece ser ouvido e destacado pelas grandes marcas e personalidades do meio, para que a inclusão aconteça, efetivamente, em todos os polos e contextos da sociedade?

 

*Edição: Professor Mauricio Guilherme Silva Jr. e Daniela Reis 

0 107

Por Bianca Morais

“Forever young, I wanna be, forever young. Do you really wanna live forever?”

Essa música foi lançada lá nos anos 80 e ainda é muito reproduzida por vários artistas, sua tradução diz: “Eternamente jovem, eu quero ser eternamente jovem. Você realmente quer viver eternamente?”

Escutei a música esses dias e ela me remeteu a algumas notícias que li ultimamente em alguns jornais, de que pela primeira vez desde que começou a pandemia do coronavirus, os jovens são a maioria dos internados nas UTIs do Brasil. Assustador, e o que mais me chamou atenção é que essas reportagens mostravam um perfil de jovem que se acha imbatível, que não vai pegar a doença nunca, afinal, eles ainda são muito novos para morrer, ainda têm muito o que viver.

A inconsequência desses rapazes e moças que por acreditarem serem eternos e nada pode os atingir, levam eles constantemente a desobedecerem as medidas de isolamento social e saírem para bares, festas clandestinas, aglomerações e pessoas sem máscara. Muitos deles ainda acham bonito expor essa realidade no Instagram, na minha rede social, por exemplo, vejo constantemente postagens e stories dessa galera que não tem medo do Covid, se sbaldando em festas.

Se para mim tais imagens já incomodam tanto, imagine para aqueles médicos da linha de frente  que colocam diariamente em risco trabalhando em hospitais infestados Covid e quando saem de seus plantões e se deparam com ruas e bares lotados de pessoas inconsequentes. 

Do you really wanna live forever? (você realmente quer viver para sempre)? Isso é o que eu tenho vontade de responder nos stories dessas pessoas, porque parece que não. Será que se eles não se importam com a própria vida, pelo menos não se preocupam com os pais, os avós? Mas agora os avós já foram vacinados, então eles não precisam se afligir mais.

Egoísmo ou super poderes? Não pensar no outro ou simplesmente se achar um máximo que não pega a doença? “Somos jovens, temos que viver intensamente, estamos perdendo nossas vidas para um vírus, não quero envelhecer nessa pandemia”. Realmente, vocês estão perdendo suas vidas para esse vírus, pela primeira vez vocês estão morrendo de fato. 

Não sou Deus para julgar, longe de mim, mas a realidade é que a cada final de semana, feriado ou data comemorativa  a galera se aglomera, vacila e depois paga as consequências. 

Conclusão, não são apenas os jovens que saem prejudicados, mas toda a sociedade. Acompanhem o raciocínio: o perfil da Covid-19 mudou, a população idosa está finalmente sendo vacinada, no entanto, os jovens agora têm sofrido complicações mais preocupantes, chegam aos hospitais em condições muito ruins e ficam muito mais tempo internados em uma batalha gigantesca pela vida. Esses jovens lotam os leitos de UTI, e dessa forma não sobram vagas para novos pacientes, o que tem aumentado e muito o número de mortos por dia no país. 

A cada dia um novo recorde de mortos, uma nova cepa do vírus. Não tem leito para todo mundo, se chega um jovem sem comodidade e um idoso ao hospital a procura de um leito, para quem vocês acham que ele vai? Para os forever young com mais chances de sobreviver ou para o idoso com diabetes, hipertensão e asma?

Reflexão forte, texto pesado, mas não vou me desculpar. Sei que tem muitos desses jovens saem de casa não para farrear, mas para trabalhar, são eles que levam sustento ao lar. Com o fim do auxílio emergencial no final do ano passado e com a nova “merreca” do novo, muitos cidadãos foram obrigados a voltar a trabalhar e enfrentar ônibus lotados. Se eles são obrigados a sair de casa e se aglomerar contra sua vontade, por que não podem curtir o final de semana numa festinha?

Cada um faz o que quer da sua vida, o vírus mortal está no ar, ele circula, sofre mutações, e tem se tornado mais perigoso e letal. A pandemia não vai durar para sempre, mais cedo ou mais tarde, tudo indica que mais tarde, ela vai acabar. A sua juventude pode durar para sempre, isso se você estiver vivo para aproveitá-la. Pense em você, pense no próximo, use máscara, evite aglomerações, se cuide. Em breve sairemos dessa, mas é preciso pensar consciente agora. 

 

 

0 172
Foto: Divulgação

Por Patrick Ferreira

O conteúdo de hoje é para você que é fã de música, que tem um ídolo que ama. Podendo ter nascido ali depois de 1995, ser roqueiro, ou não. Não é regra, mas só de ser um amante musical, esse conteúdo é para ti. No conteúdo de hoje vamos mostrar que é possível amar seu ídolo, seu gênero musical, sem diminuir, xingar outras artista, o gênero musical apreciado por outros. Sim! É possível. Ao seguir essas ideias, você ainda pode evitar a fadiga, deixar de brigar em comentários no Instagram e fazer crescer a cultura nacional de forma plena. Você vai ser o orgulho do Mario Frias (contém um caminhão de ironia). Pegou tudo? É muita informação né? Mas não se preocupe, vou detalhar tudo certinho. Deixa comigo!

A começar pelo nome mais famoso do Pop nacional: Anitta. A artista usa os “feats” como frequente ferramenta de engajamento em sua carreira, e, volta e meia, se envolve em conflitos com seus parceiros. Cada vez que isso acontece, os fãs da cantora, que são muitos, perseguem, de forma irritante a pessoa que se desentendeu com ela.

Podemos citar o exemplo de Pabllo Vittar, com a polêmica de que a drag devia 70 mil dólares para Anitta, devido aos custos do clipe do hit “Sua Cara”, lançado em 2017. Sem saber a veracidade do boato, fãs cancelaram Pabllo, acusando-a de calote e tentando atrapalhar o sucesso da artista em qualquer lançamento após esse episódio.

Outro ponto, é em relação a qualquer notícia de algum artista onde Anitta não está envolvida, e alguns fãs tentam menosprezar o feito do músico em questão. Eles comentam na internet: “que relevância tem esse prêmio x?”, “Anitta não precisa disso, ela tem aquilo…”, “Joelma ainda existe?…” dentre outras coisas de revirar os olhos. A cantora não se esforça em nada para pedir trégua aos fãs, a exemplo de uma polêmica que a envolvia, e fez Ludmilla receber inúmeras ofensas racistas, a ponto de desativar suas redes sociais. Anitta só se posicionou timidamente depois de ser cobrada por alguns internautas.

Agora, os roqueiros. O Brasil é um país continental, povoado por diferentes culturas e se vocês não querem diversidade, lamentamos. Sem generalizar, mas para muitos, a música se resume ao rock e o resto, lixo cultural. Não somos obrigados a ser fãs de tudo, nem de Led Zeppelin ou Barões da Pisadinha, muito menos de Nina Simone ou Daniela Mercury. Mas assim como um guitarra e bateria, o outro tem agogô e timbau. E se tem instrumento musical envolvido e sons unidos formando uma harmonia, tudo se torna música. Mesmo que para você seja ruim. Não adianta chorar, filhinhos.

Só mais um ponto sobre o qual, quase me esqueci de falar: números. Raciocine comigo? Tim Maia faleceu em 1998. Renato Russo, em 1996. Cazuza, em 1990. Sabe qual o número de streammings tiveram em seus lançamentos em vida? Zero. A era da música digital se popularizou na segunda metade dos anos 2000. Por isso, eles são inferiores a artistas que nasceram após 1990? Eles têm culpa de terem inventado o Spotify depois? Da Lud, da Iza, do Luan Santana terem nascido depois deles? Por décadas são lembrados, mesmo depois de falecidos, mas qual foi a música que bombou no fevereiro, sem carnaval mesmo? Aquela que teve milhões de views… Nem me lembro mais.

Diminuí o mérito do hit de fevereiro sem carnaval, né? É assim que quem curte o hit de 1 mês, ou o artista eternizado se sente ao ser diminuído. Portanto, menines, meu conselho para vocês hoje é: cada um no seu quadrado! A propósito… Lembram-se desse hit?

 

*Edição: Professor Mauricio Guilherme Silva Jr. e Daniela Reis 

0 232
Crédito: Rodney Costa

Thiago Guimarães Valu

A cobertura esportiva jornalística, acompanha as mais variadas práticas e modalidades, há pelo menos, 150 anos. Nesse tempo, evidentemente, muita coisa aconteceu.

Aqui,  trataremos, justamente, daquele que é declarado, pela “grande massa”, como o esporte mais popular do mundo, o futebol. Tenho vivido a experiência da cobertura do esporte, como jornalista, nos últimos seis anos,  e cada vez mais me faço as perguntas: “Qual o limite da liberdade jornalística na cobertura de um clube de futebol?” e “Qual a relevância real”?

Atualmente, sou repórter no canal do YouTube Cruzeiro Sports, onde produzimos conteúdos de cunho jornalístico e opinativo sobre o Cruzeiro Esporte Clube. É um canal democraticamente aberto a todos, mas, logicamente, mais consumido por adeptos do clube em questão. Atingimos a importante marca de 150 mil inscritos, recentemente, e a empresa é registrada como veículo de comunicação jornalística. Todos os seus integrantes estão registrados no Ministério do Trabalho como jornalistas, mas o clube não nos reconhece,  nem considera nosso trabalho dessa forma.

O Cruzeiro Esporte Clube segue, a cada dia, mais afundado em crises financeira, política e estrutural sem precedentes, desde que denúncias de irregularidades, tiveram conhecimento público, no dia 26 de maio de 2019, no programa Fantástico, da Rede Globo, graças a grande trabalho jornalístico da repórter Gabriela Moreira. Em um primeiro momento, a tentativa, por parte dos dirigentes, foi mostrar que se tratava de algo tendencioso, já que, no discurso dos gestores do clube, tentava-se criar um ambiente de instabilidade, já que o Cruzeiro  vivia a incomodar no âmbito desportivo. O que se viu, e se vê, desde aquele dia, é o tremendo desmoronamento de uma instituição centenária, que, graças a gestões temerárias, caminha, desde então, sem rumo e luminosidade.

Quer dizer:- a imprensa, antes querida, ao tratar dos títulos e das grandes partidas, passou a ocupar o  posto de “inimigo número” um do “estado”. A verdade é que a cobertura é agradável aos assessores de imprensa dos clubes e direções, enquanto o enquadramento das notícias e informações, favorece não ao clube, mas à imagem de quem ocupa as cadeiras mais importantes das instituições futebolísticas.

Tenho credencial de jornalista validada na AMCE (Associação Mineira Dos Cronistas Esportivos), mas, no entendimento do clube,  não passo de um influencer. Por isso, as perguntas redigidas por mim, direcionadas ao técnico do clube, na coletiva aberta a toda  imprensa, seguem ordem expressa de não serem lidas. O curioso é que  me preparo para cada jogo, do qual fazemos a cobertura, como os profissional da Rede Globo, da rádio Super ou da Itatiaia,que, aliás, me enxergam e reconhecem  como colega de trabalho. Já o Clube, não.

Pergunto, então:- se o conteúdo não fosse crítico e independente como é, será que teríamos o mesmo tratamento por parte dos mandatários do Cruzeiro? Ou seja, a liberdade para coberturas dentro dos clubes de futebol, parece estar, definitivamente, atrelada aos interesses de pessoas que detêm o poder interno, e não dos torcedores.

*Edição: Professor Mauricio Guilherme Silva Jr.

Por Tales Ciel

Ainda me lembro de quando vi a minha primeira parada gay. Vi pela janela do carro; vi, porque participar eu jamais iria. Lembro-me de pensar “ainda bem que não sou eu”, para muitas das ações incabíveis que estavam fazendo – dois homens que se gostam beijando? O sacrilégio! Mal sabia o pequeno eu o que essa frase iria fazer. Às vezes ainda penso no que poderia ter sido se não tivesse sido doutrinado assim, se não tivesse negado tanto, se não teria começado a perceber mais cedo e me poupado de ter que ir no ritmo que a pandemia me permite, mas sei que não vale à pena ficar pensando nisso. Antes tarde do que nunca, é o que dizem.

Para muitas juventudes LGBTQ+, a percepção de que algo está “errado”, incomodando, começa bem cedo. Para outros ela vem mais devagar, aos pouquinhos. Se é algo do destino ou do subconsciente não tem como dizer e pode ser que seja um pouco dos dois, porque tem pessoas que precisam de mais tempo que outras para entender algo que deveria ser apenas mais uma faceta de existir. Mas o medo, ele nos para, faz com que enxerguemos esses pequenos fatos e condições como errôneos e ruins, com que esses seres humanos que são diferentes – pois é apenas isso que somos, diferentes do “padrão” – se odiarem tanto por dentro, até não acreditarem que merecem viver. Que podem ter uma vida normal, um emprego, uma pessoa para amar. Faz um garotinho olhando duas pessoas que se amam pela janela do carro agradecer por não ser como eles.

E é um absurdo pensar que condicionamos o nosso direito de existir nos padrões que um grupo alheio de pessoas seguem. Que temos que justificar com evidências e provas, um slide de 100 e mais páginas e um estudo de 60 anos o porquê merecemos viver. É uma noção retrógada, nociva e cruel, que muitos não param para perceber. Especialmente num tempo em que os números e fatos que deveriam estar sendo levados em consideração é, talvez, o primeiro lugar que o Brasil ocupa mundialmente no assassinato de pessoas transgêneros ou a relação de uma morte por homofobia a cada 16 horas. Tanto que quando invertemos as cartas, há muitas mais evidências de que nenhum dos que nos subjugam podem provar porquê não podemos, porquê somos “errados”.

Em quase todas as espécies de animais no planeta há a presença de todos as cores do arco-íris, por exemplo existem casais de leões, pinguins, elefantes e muito mais, homoafetivos. Até mesmo nas plantas, com árvores que trocam entre serem do sexo feminino e masculino sem motivação ou interferência externa, apenas o fazem. Sexualidade, gênero e identidade são coisas que fazem parte da mãe natureza e, por extensão, fazem parte da natureza humana. Talvez o problema não seja quem somos, talvez não seja quem amamos, como no chamamos ou queremos vestir. Talvez, o problema não sejamos nós, não seja o menino gay que agradece por não ser o que, na verdade, é. Talvez, o problema seja o medo que aprendemos a ter.

0 1308
Ilustração: Tawany Santos

Tawany Santos

O preconceito linguístico está atrelado às diferenças dentro de um mesmo idioma, e se revela quando um indivíduo acredita que seu modo de falar é superior ao de indivíduos de outra regionalidade ou classe social. Não se respeitam, assim, as variações linguísticas de sotaque ou regionalismo, as características de dialetos e as gírias, dentre outras diferenças ligadas a determinados grupos.

Em um país multicultural como o nosso, a prática desse tipo de preconceito é algo frequente. Muitas vezes, a linguagem usada na região centro-sul do país é imposta como padrão, e acaba utilizada, pelos preconceituosos, como motivação ao desrespeito às outras formas de falar. Esse tipo desrespeito, recentemente, foi acompanhado, em rede nacional, em um programa de grande audiência.

No Big Brother Brasil, a participante Karol Conká, junto de outros participantes, desferiu, por vezes, falas preconceituosas ou piadas referentes ao jeito de falar de uma participante nordestina, Juliette Freire, que, em uma das discussões, se sentiu ridicularizada e excluída, e até cogitou mudar seu jeito de falar.

Dentre as causas que geram o preconceito linguístico, a questão socioeconômica também é fator a ser pautado, pois ela está relacionada condição regional do indivíduo, que, muitas vezes, é estereotipada e atrelada a dificuldades da região em que se vive, a exemplo da baixa escolaridade. Nas telas, além do caso anteriormente citado, já vimos situações parecidas, em que personagens humorísticos são tratados com vários estereótipos, agregando diversos tipos de preconceito.

Um exemplo é a Adelaide, do programa humorístico Zorra Total, personagem de aparência bizarra, e pele negra, em cujo roteiro, há falas erradas em relação à norma padrão. Ela está longe de ser engraçada, pois trata-se de retrato criado por mentes racistas, para subjugar e inferiorizar pessoas, usando, como arma, sua condição, aparência, grau de escolaridade e situação socioeconômica.

Assim como em programas de grande audiência, esse tipo de ridicularização de pessoas, devido a suas características, ocorre diariamente fora das telas. A parte da sociedade que não está inserida no padrão visto como aceitável está sujeita a sofre com atitudes preconceituosas, por vezes se excluído, sendo excluída ou sentindo a necessidade de mudar algo que vem da sua raiz cultura, por achara que isso pode fazer com que haja aceitação dos demais.

Além disso, o preconceito linguístico está altamente ligado à liberdade de fala dos brasileiros, e, quando advindo das questões socioeconômicas, pode trazer graves consequências. Levando em consideração a dificuldade de acesso à educação formal de classes mais pobres, e sua variedade linguística, essa parcela da população pode, facilmente, ser excluída em seleções de emprego. Pode, ainda, receber atribuições de menor remuneração, que não permitem que tenham acesso a novas oportunidades. Desse modo, famílias inteiras permanecerão no ciclo da pobreza, sem perspectiva de mudança de classe social.

 

*Edição: Professor Mauricio Guilherme Silva Jr.