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BH recebe 25ª edição do evento

Entre 21 e 25 de outubro BH recebe grandes nomes da moda

Por: Italo Charles e Joyce Oliveira

 

Destacar o setor têxtil fazendo do algodão o fio condutor das histórias contadas sobre as perspectivas da moda suscitou a criação do 25° Minas Trend, que acontece entre os dias 22 a 25 de outubro, no Expominas, em Belo Horizonte. Repleta de novidades, a semana de moda mineira, apresentará as propostas de tendências para o outono/inverno 2020. Com a participação de grandes marcas como Denise Valadares, Lethicia Brostein e Victor Dzenk, o evento promete agitar a capital.

 

A edição batizada de “Tecendo Futuros”, traz reflexões sobre inovação, democratização e a diversidade no mundo da moda. Com direção criativa de Rogério Lima, o evento, que é o maior salão de negócios do setor na América Latina, promete levantar discussões acerca do aperfeiçoamento da cadeia produtiva de moda, com uma programação que inclui palestras, oficinas e desfiles. Pela primeira vez, as indústrias têxteis serão as estrelas da passarela. Ao todo, seis empresas mineiras do ramo irão se apresentar em um desfile coletivo, composto de 20 looks confeccionados pela equipe técnica do Senai Modatec.

 

A marca Norb Brand, dirigida por Norberto Resende, estilista e estudante do curso de moda do Centro Universitário Una, é um dos destaques do desfile de abertura, que acontece na noite dessa segunda-feira (21). A marca eleita pela Codemge (Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais) como empresa tendência, estará presente no salão de negócios pela segunda vez consecutiva e de acordo com Norberto a inspiração vem das drags queens.

“A coleção foi inspirada no universo drag e nas pesquisas da Brigitte Baptiste, uma transexual que fala sobre os seres híbridos da natureza. As peças vão trazer muito volume e babado, seguindo a essência da Norb reforçando o exagero das drags”.

 

Coleção de aluno da Una é destaque

O estilista não trabalhou sozinho. Com ele há uma equipe de estudantes de moda da Una, que auxiliam no projeto de costura e modelagem.

“A gente montou uma equipe com vários alunos que participaram da produção, e acompanharam a ideia, desde sua criação no papel até sua chegada às passarelas. Foi uma experiência excelente que proporcionou a eles vivenciar  todos os desafios que é a produção completa de uma coleção”, salienta.

 

Fora da Capital

Uma grande novidade dessa edição é a extensão das atividades do Minas Trend para cidades do interior do estado. Com programação exclusiva e gratuita, que vai dia 14 de outubro a 09 de novembro, Tiradentes, Ouro Preto, Itaúna e Uberaba recebem palestras e oficinas.

A edição se encerra no dia 24 de outubro (quinta-feira) às oito e meia da noite com a Orquestra de Câmara do SESI e com o músico Flávio Venturini. Os ingressos para o público estão a preços populares nos valores de 20 reais a inteira, e 10 reais a meia entrada. Já palestras e oficinas são gratuitas. Mais informações e inscrições no site do Minas Trend.

 

 

*(Os estagiários escreveram a reportagem sob a supervisão da jornalista Daniela Reis)

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Copa Cozinha é um dos estabelecimentos que participa do processo de revitalização do Mercado Novo por meio da gastronomia. Foto: Super Câmera.

Antes esquecido, o Mercado Novo passa por uma revitalização puxada por um movimento gastronômico e vive um boom de bares e restaurantes

Por Jéssica Oliveira*

A exemplo de cidades como Nova Iorque, que passa por uma constante revitalização de bairros e espaços antes abandonados, a capital mineira vem recuperando e dando vida à ruas e estabelecimentos que caíram no esquecimento do poder público e das pessoas. O bar Zona Last foi o pioneiro ao atrair para a região leste um público diverso e interessado em vivenciar e ocupar outras áreas de Belo Horizonte.

Outro ponto que passou a ser frequentado pelos belo-horizontinos, a rua Sapucaí, no centro da cidade, recentemente, ganhou status de cartão postal, e, para além disso, traz variadas opções de bares e restaurantes que se tornaram referência nos últimos anos. O mesmo ocorre com o Mercado Novo. Até um ano atrás, quem passava pelo lugar se deparava com um prédio largado às traças, com pouca iluminação e sem cor.

Antes, toda edificação, construída na década de 1960, com o intuito de ser um centro de distribuição, assim como o Mercado Central, estava ocupada apenas por lojas e serviços gráficos. Um movimento gastronômico, no entanto, tem alavancado as atividades do local, que recebe, durante toda semana, gente interessada em boa comida e opções variadas de cervejas artesanais e drinks.

Quem vai até o local encontra um ambiente simples e despojado, com culinária voltada para as raízes mineiras e processos artesanais. O projeto batizado de Velho Mercado Novo, sob a batuta dos sócios Rafael Quick, Samuel Viterbo, Marcelo Machado e Luiz Furiati, é responsável por reavivar o local, que funciona como espaço onde os produtos e produtores locais são valorizados. Não à toa, a marca mineira de gin Ivy viu a possibilidade de instalar no Mercado Novo um bar onde todo o cardápio de bebidas foi pensado a partir do destilado, que nos últimos dois anos se tornou o queridinho das noites belo-horizontinas.

A presença de empreendedores da gastronomia e a execução de projetos em parcerias têm dado resultados e feito com que o Mercado Novo se torne um ponto de encontro. Uma das propostas responsáveis por esse engajamento é a dobradinha feita pela Cozinha Tupis e a Distribuidora Goitacazes, empresa do grupo Viela. A união tem fomentado a criação de novos projetos criativos no espaço.

Repensando a cozinha

Henrique Gilberto, 32 anos, que comanda o Cozinha Tupis, é um dos expoentes da cozinha mineira. A proposta do seu estabelecimento, localizado no segundo andar do Mercado, é proporcionar ao público um ambiente que dialogue com o espaço onde está instalado.

“Desenvolvemos uma cozinha anti-padrão, que fomenta a nossa criatividade. O restaurante não existe sem o Mercado Novo. A Cozinha Tupis só existe por causa dele. Ela tenta condensar a essência de insumos que são encontrados aqui, refletindo um pouco da cozinha centro belo-horizontina, as influências, as maneiras de serem consumidas, tudo isso é embasado em como cozinhamos e como as pessoas se comportam no centro da cidade”, revela Gilberto.

O empreendimento tem uma política de microeconomia. Todo insumo usado no restaurante é comprado no próprio Mercado Novo ou Mercado Central. Os ingredientes são escolhidos pensando na sazonalidade e oferta do mercado. “O que conduz o cardápio semanalmente é justamente o que vimos na feira do mercado, então o cardápio muda conforme a feira muda. Os ingredientes que não podem faltar são os frescos, da época. Não temos uma regra, esperamos que o ingrediente esteja no seu melhor momento para que possamos comprar. O ingrediente da época é o que conduz a Cozinha Tupis”, completa Henrique.

Brunch mineiro

Ainda que as opções noturnas de bares e restaurantes sejam as que mais atraem público, engana-se quem acha que o local se limita a isso. Quem estiver disposto a andar sem pressa pelos corredores do Mercado Novo irá descobrir uma galeria de arte, o Espaço Corda, dos amigos Diogo Salomão, Pablo Gomide e Humberto Hermeto, brechós, um laboratório de fotografia analógica, o Super Câmera, uma barbearia e um charmoso café, o Copa Cozinha, onde são servidas várias delícias mineiras.

À frente do Copa Cozinha, Júlia Queiroz, Maíra Sette e Cristina Gontijo decidiram criar um espaço onde as memórias, tanto da equipe como dos clientes, fossem reavivadas. É a partir da cozinha afetiva que as pessoas são conduzidas aos sabores e sensações sentidas na infância.

“Nós trabalhamos na Copa Cozinha em cima de memórias. Cada um tem uma lembrança de família, um cheiro que lembra infância. Na nossa cozinha, o doce de laranjinha kinkan se transforma em tortinha de chocolate com caramelo salgado, o gostinho de limão capeta do quintal é resgatado no nosso bolo com creme de queijo e geleia de amora. O bolinho de fubá, que tem milhares de receitas e está sempre presente na nossa mesa de café da manhã, os biscoitinhos amanteigados que não faltavam na lata da casa da vó, nos inspiraram para os nosso crocantes de goiabada e de doce de leite, e a tortinha cremosa com compota de jabuticaba”, explica Júlia.

Júlia entende que cada processo de uma receita demanda cuidado e delicadeza, e se inspirou na tradição da culinária mineira para criar o cardápio do Copa Cozinha. Ela aprendeu observando e valorizando cada detalhe, o tempo da massa, e os materiais corretos no momento do preparo. Acima de tudo, ela encara a cozinha como um ambiente que deve ser acolhedor.

“Nos apresentar é falar sobre um cômodo da casa conjugado a Copa Cozinha. É onde se prepara a comida e se faz as refeições também. A magia está na vocação de abrigar duas práticas tão infinitas de afeto, cozinhar e servir com simplicidade. Por isso a escolha do Mercado Novo, que é um retrato da nossa identidade, essência e autenticidade. A Copa Cozinha é um lugar para celebrar essa tradição em torno de uma mesa”, destaca Júlia.

*(A estagiária escreveu a reportagem sob a supervisão dos jornalistas Felipe Bueno e Daniela Reis)

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Por Marcelo Duarte e Moisés Martins

Foto: Alexandre Milagres

Sem qualquer aviso da Defesa Civil, uma forte chuva de granizo assustou moradores na noite da última segunda-feira, dia 6. A chuva, que pegou a todos de surpresa, trouxe caos e danos para a população Belorizontina e região metropolitana.  

“O vento batia na janela com muita força. Como moro no último andar do prédio, fiquei bastante assustada com a chuva repentina. Ainda bem que foi rápida”, relata Samyra Zaidan, moradora da região central de Belo Horizonte.

Os estragos foram sentidos em várias partes da cidade. Morador do Bairro Palmares, região Nordeste, o professor Alexandre Milagres teve um dos cômodos de sua casa inundado. “Parecia que as janelas iam todas quebrar de tão forte a chuva. Do lado de fora de casa, haviam camadas e mais camadas de granizo. Depois da chuva, todas nossas plantas estavam quebradas, tivemos uma telha quebrada pela força da tempestade”, enumera os prejuízos.

Em nota, a Defesa Civil de Belo Horizonte disse que está sem acesso às imagens do radar meteorológico, devido a ajustes no sistema. “Considerando que estamos fora do período chuvoso, a chuva de ontem foi uma surpresa, um fenômeno raro, de rápida formação e curta duração.”

Ainda de acordo com a Defesa Civil, a pancada de chuva, que durou apenas dez minutos, teve um reflexo maior na região da Pampulha, a mais atingida com o temporal. Foi registrado o maior volume de precipitação na região, 17,4 mm, e também o maior número de ocorrências como alagamentos, destelhamentos, granizos e deslizamentos.  

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), esta foi a primeira chuva de granizo registrada no mês de agosto em Belo Horizonte. O instituto faz medições na capital mineira desde 1910.

O meteorologista Ruibran dos Reis esclarece, em entrevista ao telejornal MGTV 2ª edição, da TV Globo Minas, que o fenômeno ocorrido, chamado de pré-frontal, é um aglomerado de nuvens que se formam antes da chegada da frente fria. Esse evento natural é comum durante o verão e dificilmente ocorre no inverno. “Quando a frente fria chega em Minas Gerais, ela deixa o tempo nublado, chuva leve e depois queda acentuada de temperatura”, explica o especialista. A última grande chuva de granizo na capital ocorreu aproximadamente há dez anos atrás.

Em um comunicado postado no Facebook, a Defesa Civil colocou algumas recomendações e avisos sobre alertas de chuvas isoladas que fica valendo até esta quarta-feira, dia 8.

Comunicado da Defesa Civil de Belo Horizonte:

A Subsecretaria de Proteção e Defesa Civil recomenda evitar áreas de inundação e não trafegar em ruas sujeitas a alagamentos e próximos aos córregos e ribeirões no momento de forte chuva, pois o seu nível pode se alterar rapidamente podendo acarretar transbordamentos.

Adverte para que não se abrigue debaixo de árvores e estacione veículos, pois elas podem cair e ocasionar graves acidentes. Atenção especial também em áreas de encostas e morros.

Outras recomendações:

– Tenha um lugar previsto, seguro, onde você e sua família possam se alojar no caso de uma inundação;

– Limpe o telhado e canaletas de águas para evitar entupimento;

– Retire todo o lixo e leve para áreas não sujeitas a inundações;

– Se você morar ou possuir comércio em áreas sujeitas à inundação coloque seus móveis e estoques em lugares altos;

– Colabore com a abertura de deságues para evitar o estancamento de água, pois pode causar muitos prejuízos,

principalmente para a saúde;

– Não utilizar alimentos atingidos pela água de enchente ou inundação e nem beber água de enchente ou inundação;

– Não jogar lixo nos bueiros e boca de lobo, nem nos córregos e rios, para não obstruir o escoamento da água;

– Não amontoe sujeira e lixo em lugares inclinados porque eles entopem a saída de água e desestabilizam os terrenos provocando deslizamentos;

– Não deixar crianças brincando na enxurrada ou nas águas dos córregos, pois elas podem ser levadas pela correnteza ou contaminar-se, contraindo graves doenças, como hepatite e leptospirose;

– Não tocar nem usar equipamentos elétricos que tenham sido molhados ou estejam em locais inundados, pois há risco de choque elétrico e curto-circuito;

– Jamais se aproxime de cabos elétricos arrebentados. Ligue imediatamente para CEMIG (116) ou Defesa Civil (199);

– Não coloque lixo nas ruas que seja de fácil propagação com o vento;

– Revise o madeiramento de sua casa;

– Reforce a amarração de seu telhado;

– Desligue os aparelhos elétricos das tomadas e o gás;

– Abaixe para o piso todos os objetos que possam cair, dentro das residências, com o vento forte (exceto em área inundável);

– Se você observar aparecimento de fendas, depressões no terreno, rachaduras nas paredes das casas e o surgimento de minas d’água avise imediatamente a Defesa Civil;

Em caso de raios, se estiver na rua:

Não permaneça em áreas abertas como campos de futebol,

quadras de tênis e estacionamentos;

– Não fique no alto de morros ou no topo de prédios;

– Não se aproxime de cercas de arame, varais metálicos, linhas aéreas e trilhos;

– Nunca se abrigue debaixo de árvores isoladas;

– Evite lugares que ofereçam pouca ou nenhuma proteção contra raios (pequenas construções não protegidas, tais como celeiros, tendas ou barracos, veículos sem capota como tratores, motocicletas ou bicicletas);

– Evite estacionar próximo a árvores ou linhas de energia elétrica;

– Evite estruturas altas tais como torres, de linhas telefônicas e de energia elétrica;

Se estiver dentro de casa:

– Não use telefone com fio;

– Não fique próximo a tomadas, canos, janelas e portas metálicas;

– Não toque em equipamentos elétricos que estejam ligados à rede elétrica.

Rua da Bahia, no cruzamento com a rua Guajajaras e avenida Álvares Cabral

Por Moisés Martins

O que dizer de uma rua, como a rua da Bahia? Localizada na bela Região Centro-Sul de Belo Horizonte, na capital de “trens e uais de Redá pá lá e Pó para”. Uma rua de importância histórica e cultural para a nossa capital.  Foi palco de manifestações políticas e objeto de crônicas e poemas de autores mineiros e nacionais. Deixo aqui um pouquinho da minha experiência dessa rua que faz parte do meu caminho.

Rua da Bahia, no cruzamento com a rua dos Guajajaras e avenida Álvares Cabral

A minha vida é essa:  subir e descer Bahia. Sem nenhuma pressa, de modo que me distraio à beça. A rua da Bahia se modifica a cada dia, sem ao menos ter que descer floresta.

São 12 minutos de caminhada para percorrer seis quarteirões, algo próximo a 1 mil metros. Atravesso ruas e avenidas da capital, que misturam nomes de povos indígenas a personagens importantes da história brasileira: Goitacazes, Augusto de Lima, Guajajaras, Álvares Cabral, Timbiras, Aimorés e Bernardo Guimarães. Ao transitar pelas calçadas,  você encontra pessoas de todas as cores, estilos e crenças, pessoas de diferentes orientações sexuais e classes sociais.

É uma subida cansativa, mas que dá gosto de percorrer. No horário da tarde, deparo-me com um grande número de pessoas. A maioria delas estão em horário de almoço. As agências bancárias no percurso fazem com que o  fluxo de passantes aumente ainda mais. Tenho que me desviar para que não esbarre em nenhuma delas. De olhos atentos consigo perceber a diferença social que existe entre os quarteirões.

O primeiro quarteirão vai da Rua Goitacazes à Avenida Augusto de Lima. Região onde é grande o número de pedintes, moradores de rua que dominam a área, vivem das moedinhas de quem passa por ali. Na calçada,  muitos bueiros, todos desnivelados, tornando a via cheia de relevos.

O quarteirão  da Avenida Augusto de Lima à Rua Guajajaras muda-se a cena. A presença de moradores de rua passa a ser  menor. Nota-se um fluxo maior de caminhoneiros no setor de carga e descarga. A presença de jovens classe média fica mais constante,  devido ao Colégio Chromos localizado na região. Os boêmios encontram lugares nos dois quarteirões, da Rua Guajajaras à rua Aimorés, onde as cadeiras dos bares se espalham pelas calçadas.

O final do meu percurso é o quarteirão entre rua Aimorés e rua Gonçalves Dias, local frequentado por estudantes, professores e bancários que trabalham em ruas próximas.

Mas a rua da Bahia é muito mais:  ao longo de todo trajeto, pessoas se amam, pássaros fazem ninhos em copas de árvores. Uma rua em constante transformação. É como uma estação de trem: as pessoas embarcam e desembarcam nos seguidos encontros e desencontros. Diria que a rua da Bahia é o palco, onde nós compomos todos os dias, uma nova cena.

Durante essas cenas, encontramos amizades com quem nunca vimos. Trocas de olhares e de repente a cena para, aparece a cortina. Fim da cena? Não, não, esperem! É apenas um fumante que passou por você e encheu o seu rosto de fumaça. Ufa! Já posso trocar olhares de novo.  Não! não posso, a pessoa simplesmente desapareceu. Talvez tenha entrado em alguma loja, virado em alguma rua…

Dentro do carro a cena é completamente diferente.  O sinal fecha e mais uma cena se inicia. De repente uma pessoa atravessa correndo na frente dos carros, a cena então recomeça, os motoristas buzinam, alguns xingam. Às vezes, nem adianta. A pessoa até atravessou! Sinal verde! Os carros podem avançar e lá vão eles subir bahias e descer florestas.

E assim as cenas vão se reconstruindo a cada dia. Não existe diretor, a cena simplesmente acontece, e sempre estamos lá para assistir em primeira mão as histórias que fazem da rua da Bahia um lugar tão fantástico.

Por: Moisés Martins e Marcelo Duarte 
Foto: Dimi Silva

Em 8 de maio comemora-se o Dia Nacional das Artes Plásticas. Convidamos o artista Edmilson Antônio da Silva, conhecido como Dimi Silva, para um bate-papo.  Aos 35 anos, ele vive de seu trabalho como autônomo em Belo Horizonte. Brinca com as cores, possibilitando a quem vê  viajar por mundos divertidos. A inspiração é ampla, vai da beleza da mulher negra aos autorretratos de Frida Kahlo (1907-1954), uma das principais pintoras do século XX. “É muito importante ter um dia do artista plástico, mas deveria ter mais eventos e feiras para que possamos mostrar nosso trabalho”,  afirma o artista plástico Dimi Silva.

Como e quando você iniciou nas artes plásticas?

A ideia de ser artista plástico foi algo que surgiu em minha vida. O gosto pela arte vem desde criança. Desde cedo aprendi a desenhar. O tempo passou e, a cada dia, queria aprender mais. Comecei a ter contato com novas técnicas e estilos de desenhos, que me fizeram chegar onde estou. Mas não quero parar por aqui. A cada dia que passa eu aprendo mais, para que meu trabalho fique cada vez melhor.

Como você se vê dentro do mundo das artes?

Eu me considero grande artista plástico. A grande maioria das pessoas não dá valor às artes. Então, fica difícil para o artista ser reconhecido pelo seu trabalho.

Dentro da arte, como você usa a tecnologia a seu favor?

A tecnologia tem nos ajuda bastante.  Uso as redes sociais para divulgar meu trabalho. Por meio das postagens, alcanço público amplo, o que aumenta o  reconhecimento do meu trabalho.

Como você apresenta suas obras?

Faço pinturas expostas em  muros da cidade, onde o público tem contato direto com a arte e com o meu processo de produção. Também participo de algumas feiras de artes.

Com qual outra área das artes plástica você teve contato?

Basicamente foi só pintura mesmo. Pintura de telas, murais, desenhos papel e arte digital.

O que você espera do seu futuro nas artes plásticas?

Busco evoluir cada vez mais, sempre buscando novos conhecimentos e com isso reconhecimento pelo meu trabalho.

Você tem contato com outros artistas?

Tenho muitos amigos no meio artístico, com trabalhos maravilhosos e de diferentes estilos. Para mim é um contato muito importante desde a  parte do aprendizado artístico até questão do respeito com a arte do colega.

Você vê muitos jovens inseridos nas artes plásticas?

No meu cotidiano vejo alguns, mas faltam oficinas, eventos e projetos voltados à juventude para poder despertar o interesse dos jovens pelas artes plásticas.

Aqui podemos ver um pouco de suas obras e sua descrição sobre elas;


Mural realizado na pista de skate do Barreiro/Belo Horizonte. “Assim como a maioria dos meus trabalhos não tem muita a explicação exata, gosto de compor obras voltadas para psicodelismo surreal com bastante movimento e cores vibrantes e objetos de mundos distintos tudo em um mesmo lugar”


“Trabalho realizado para uma cliente. Tinta acrílica sobre papel, retratando um ícone e referência. A pintura é releitura de uma das obras de Frida Kahlo, com cores, objetos e movimentos sempre presente no meu trabalho”.