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Por Tales Ciel 

Todo grande cineasta tem que começar de algum lugar, e o audiovisual, como toda forma de arte, consegue aproveitar bastante a universidade para iniciar suas experimentações e produções. Guilherme Jardim é co-diretor e roteirista do curta-metragem “Dois”, junto com Vinícius Fockiss. Jardim também é aluno do Centro Universitário Una e integrante da agência Una 360.

O curta conta a história de Bernardo e Luix, que buscam aproximação afetiva durante o período de distanciamento social e, em meio ao caos, tentam descobrir outras formas de amar. Foi contemplado pela 6ª Edição do Prêmio BDMG Cultural, nomeado Melhor Filme pelo Júri do Festival Kinolab Tela Digital 2021, e mais. Guilherme Jardim conta um pouco sobre o seu processo de criação de um filme independente e as algumas das dificuldades de produção em meio ao isolamento social.

Em parceria com o Contramão, o Núcleo de Relações Públicas e Cultura traz o Palco 360: onde os estudantes que integram a equipe podem exibir suas produções e trabalhos. Guilherme concedeu uma entrevista sobre seu filme e nos contou sobre sua vida profissional e a produção de “Dois”.

Como é o processo de produção de um filme?

Esse processo de elaboração de filme, pra mim a princípio é um processo muito aberto. Porque, normalmente, pode ser uma frase que me motiva a escrever um roteiro, pode ser uma imagem que eu vi e que tive vontade de fazer uma história baseada nela, pode ser de alguma história que já escutei. Então depende do caso.

O filme “Dois”, por exemplo, que é o filme que eu faço roteiro e direção, surgiu a partir de uma frase que tinha anotado num tipo de bloco de notas do celular. E a partir dali, fui moldando essa história junto com o Vinicius Fox, que é meu amigo e fez esse filme junto comigo. E a gente chegou onde o “Dois” é hoje.

 

Quais as dificuldades que mais te testaram durante o projeto de “Dois”?

As maiores dificuldades que eu enfrentei durante o processo de criação do “Dois” foram, primeiro: o filme foi idealizado e desenvolvido durante a pandemia do coronavírus; o início da pandemia. Então a gente já tinha a primeira dificuldade de produção que seria fazer um filme em dupla à distância. Não podendo nos encontrar e tudo mais.

E aí, depois, também de direção à distância. Porque é um filme que envolve dois atores, o Bernardo Rocha e o Luis Gabriel, e que se fala muito sobre amor em meio ao caos. Então tinha também essa diferença entre a realidade que estávamos vivendo e o que queríamos propor junto ao filme.

Fazer esse direcionamento, tentar se aproximar dos atores e criar essa relação mais íntima mesmo à distância, acho que foi a maior dificuldade. Mas ao mesmo tempo, também, foi a maior alegria, assim, dentro do filme. Porque, eu acho que todo esse processo acabou fortalecendo a mensagem que a gente queria passar com o “Dois” e o queremos propor com essa história. Então, até no meio dessas dificuldades, a gente acabou conseguindo criar novos caminhos, para que as coisas fossem possíveis mesmo de acontecer.

E eu acho que se fazendo cinema universitário independente, precisa ter muita dessa força; de tipo, tem que querer um pouquinho mais do que o normal. Porque qualquer coisa desanima e, enfim, a gente precisa ter essa consistência e acreditar nas coisas que a gente faz.

 

Como é conseguir/ter o apoio da instituição?

É, ter a universidade como apoio no processo facilita alguns passos, principalmente quando a gente tá desenvolvendo a escrita do projeto. Nas aulas a gente tem as orientações dos professores, que têm experiências diversas. Então, isso acaba agregando muito nesse processo de criação e eu acho que é um facilitador também. Muitas vezes nós ficamos em dúvida, inseguros com o que estamos propondo e é bom ter esse apoio junto aos professores, de mostrar a sua ideia e compartilhar e ir construindo juntos.

Acho que um ótimo exemplo no processo do “Dois” foi a nossa relação com a Mariana Mól, que era professora na época da disciplina de P.I. de ficção, e a gente tinha um diálogo muito aberto, muito horizontal. Muitas vezes nós chegávamos com uma ideia e – uma ideia embrionária, que seja – e conversava, e acabavam surgindo novas ideias no meio disso.

Também tem muito haver com o se questionar, sabe? Acho que a universidade dá também essa oportunidade para sermos mais críticos com os trabalhos que fazemos. Colocam a gente pra pensar: ‘Que história é essa?’; ‘Onde que a gente quer chegar com essa história?’; ‘Por que que a gente tá contando ela?’. E ter argumentos plausíveis e profundos. Ao meu ver, acho que cada caso é um caso, e pro “Dois” foi muito importante se questionar várias coisas, acessar memórias afetivas e ter essa troca mesmo; essa relação coletiva e horizontal com todo mundo que estava, de alguma forma, desenvolvendo esse projeto.

Até teve um caso muito marcante, que eu amo, que foi quando estávamos tendo uma das orientações com a Mariana e ela lembrou de um livro da Ana Maria Martins – Como Se Fosse A Casa. Ela lembrou de um poema específico e falou: “Olha, pelo que vocês estão me falando, me lembrei disso aqui!”. E nós estávamos numa reunião ao vivo e ela meio que abriu o guarda roupa, pegou o livro na hora e leu pra gente. Depois mandou as fotos, para termos o acesso, também, digitalmente, caso fosse interessante usar. Enfim, [usar] como uma inspiração e acabou virando, sim, uma das coisas que usamos de referência. E acho que, também, essa construção afetiva, sabe? Do filme, junto aos professores; acaba criando um corpo que [vai] além do que a gente consegue imaginar e querer. É muito natural e muito bonito.

 

Se pudesse citar um dos seus projetos favoritos, qual seria?

O “Dois” foi um processo muito íntimo pra mim. Tanto pela troca com o Vinicius, de pensar nisso juntos, sabe? Tanto [quanto] fazer um filme para que eu acreditasse no meu potencial. Eu estava vindo, antes do Dois, de um processo que eu me desacreditava muito. Das coisas que eu poderia propor. Eu não me via muito nesse lugar, principalmente de roteiro; tinha muita dificuldade de me enxergar ali. Acho que o “Dois” veio como esse “clareamento das retinas”, “uma correção da miopia”, onde era tudo embaçado pra mim. Acabou ficando mais claro, mais amplo; consegui enxergar mais longe. Eu consegui criar possibilidades a partir do que eu tinha.

O “Dois” também vem muito junto com o meu entendimento com o cinema, que tipo de cinema eu quero fazer. E tem muito haver com um termo que eu gosto de usar, que se chama: auto-ficção. Que é o compartilhamento das coisas que eu vivi e que vivo, e ao mesmo tempo, das coisas que eu invento. Como eu consigo pegar da experiência e transformá-las, também, a partir das coisas que eu queria viver.

 

Qual dica você daria pra si mesmo e os outros?

A dica que eu daria, tanto pra mim e pra outras pessoas seria de ficar sempre atento. Eu acho que o cinema se dá muito ao olhar. Pra quem curte esse tipo de produção hereditária, uma produção que fala sobre nós (eu com um realizador, não-binário, lgbtqia+), é da minha vontade criar imagens pensado nesses corpos e como que eu posso representá-los. É mais sobre a representação do que a representatividade. E como que, a partir da minha vivência e das coisas que eu acredito, posso propor novos imaginários e fazer esse processo de abrir caminhos; abrir mentes.

Enfim, para quem gosta desse tipo de cinema, a dica é estar atento às suas memórias, as coisas que você está vivendo no agora. Eu acho que tem muita coisa que a vida acaba trazendo e a partir [disso], talvez, igual o “Dois”, uma frase que se escreve num bloco de notas, acabe virando filme.

 

Edição: Daniela Reis

Revisão: Keven Souza

 

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*Por Daniela Reis 

A 93ª edição do Oscar aconteceu neste domingo com uma sistêmica bem diferente dos últimos anos, devido à pandemia da covid-19. Com uma platéia inferior a 200 pessoas, que se revezavam no local, o grande destaque foi para o drama americano “Nomadland” que levou três estatuetas. Sendo o prêmio principal, de melhor filme, além de  Direção, para Chloé Zhao, e Atriz, para Frances McDormand.

As atrações musicais, que sempre são aguardadas, foram gravadas e apresentadas antes da premiação que mais agraciou mulheres. Foram 17 estuetas para elas.

A noite  foi bastante dividida, seis filmes levaram duas estatuetas cada: “Meu pai”, “Mank”, “Soul”, “Judas e o Messias Negro”, “A voz suprema do blues” e “O som do silêncio”.  Anthony Hopkins superou o favoritismo de Chadwick Boseman e venceu como Melhor Ator por seu trabalho em “Meu pai”.

Confira a lista dos 23 vencedores:

Melhor filme – “Nomadland”
Melhor direção – Chloé Zhao: “Nomadland”
Melhor ator – Anthony Hopkins: “Meu pai”
Melhor atriz – Frances McDormand: “Nomadland”
Melhor filme internacional – “Druk – Mais uma rodada” (Dinamarca)
Melhor atriz coadjuvante – Youn Yuh-jung: “Minari”
Melhor ator coadjuvante – Daniel Kaluuya: “Judas e o messias negro”
Melhor roteiro adaptado – “Meu pai”
Melhor roteiro original – “Bela vingança”
Melhor figurino – “A voz suprema do blues”
Melhor trilha sonora – “Soul”
Melhor animação – “Soul”
Melhor curta de animação – Se algo acontecer… te amo
Melhor curta-metragem em live action – “Dois estranhos”
Melhor documentário -“Professor Polvo”
Melhor documentário de curta-metragem – “Collete”
Melhor som – “O som do silêncio”
Canção original – “Fight for you”: “Judas e o messias negro”
Maquiagem e cabelo -“A voz suprema do blues”
Efeitos visuais -“Tenet”
Melhor fotografia -“Mank”
Melhor edição -“O som do silêncio”
Melhor design de produção – “Mank”

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Por Bianca Morais 

O Lumiar, Festival Interamericano de Cinema Universitário, é uma atividade de extensão realizada pelos professores e alunos do curso de Cinema e Audiovisual do Centro Universitário Una e recebe produções cinematográficas de todos os países da América. 

O evento começou em 2014, idealizado pela coordenação do curso e realizado pelos alunos. A primeira professora a produzir o Lumiar foi a Úrsula Rosele, que participou ativamente na curadoria de todas as sete edições do evento. 

O Lumiar sempre aconteceu de forma aberta ao público amante do cinema, no Cine Humberto Mauro (Palácio das Artes), sendo uma parceria do curso com o espaço. Em sua última edição, no entanto,  devido à pandemia do Covid-19, o evento aconteceu pela sua primeira vez de forma online. Apesar do festival ser produzido pela Una, ele não é focado apenas nos estudantes. Desde o seu início, em 2014, ele cresceu de maneira enriquecedora e hoje alcança o grande público.

O festival conta com uma premiação, sendo assim, estudantes de toda a América podem concorrer enviando seus filmes. O edital do evento, geralmente, permite o envio de um curta metragem com qualquer gênero, formato e temática, esses curtas são avaliados por uma comissão formada por professores e alunos que selecionam os finalistas que serão exibidos na mostra competitiva.

Antes da pandemia, quando o evento acontecia de forma presencial, os filmes finalistas eram analisados pelo Júri Oficial e pelo público presente que também recebia cédulas para votar, infelizmente com o formato online o voto popular acabou sendo extinguido. 

Além da mostra competitiva, o Lumiar também apresenta uma programação extensa que inclui palestras, oficinas, cursos, bate-papos, shows, entre outros. Conheça a seguir um pouco das edições anteriores do festival.

Lumiar 2014

Em sua primeira edição, o festival aconteceu entre os dias 3 a 8 de novembro e recebeu filmes de 6 países diferentes: Brasil, Cuba, Argentina, Colômbia, Uruguai e Estados Unidos.

Os filmes foram exibidos no Cine Humberto Mauro e a programação teve uma palestra sobre o Cinema Universitário brasileiro, ministrada pelo assessor internacional da Ancine, Eduardo Valente, debate sobre Os desafios do ensino de cinema e três oficinas.

 

Lumiar 2015

Na segunda edição, que aconteceu entre os dias 6 e 12 de novembro, o festival contou com um total de 148 inscrições de filmes universitários vindos de instituições da Argentina, Canadá, Colômbia, Equador e Estados Unidos. Do Brasil tiveram curtas de Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina, Sergipe e do Distrito Federal. A programação mais uma vez incluiu palestras, debates e oficinas. 

 

Lumiar 2016

A terceira edição do evento abordou o tema “Mulheres no Cinema”. Organizado pelas professoras Mariana Mól e Ursula Rosele, o evento discutiu questões importantes como os espaços, as preocupações e as perspectivas das mulheres no cinema. Ao todo, 248 curtas-metragens foram inscritos para a Mostra Competitiva Interamericana e 37 selecionados para a final. 

 

Lumiar 2017

O quarto Lumiar teve início com todos os ingressos para a primeira sessão esgotados. O filme exibido foi “Esfera Máxima”, de Marcos Assunção, vencedor do 3°edital Lumiar de Apoio à produção de curta-metragem, promovido pelo curso de Cinema e Audiovisual da Una. Após a exibição teve um bate-papo com a equipe de direção do filme. Neste ano, o festival homenageou o produtor executivo João Vieira Jr.

 

Lumiar 2018

Em 2018, a quinta edição do Lumiar teve o tema “Verbo Político”. O assunto abriu uma discussão sobre as diversas formas de atuação política que envolvem nosso cotidiano e discutiu como o cinema e audiovisual tem respondido à conjuntura política dos últimos anos e quais serão as possibilidades de atuação e efetividade dessas ações. A programação envolvendo conversas, mostras, debates e sessões de filmes aconteceu no Cine Humberto Mauro e no Campus Liberdade, a festa de encerramento aconteceu no Zona Last.

 

Lumiar 2019

A sexta edição do festival apresentou a temática “Cinema e Teatro: Diálogos Contemporaneos”. A ideia foi refletir sobre as relações contemporâneas entre o cinema e o teatro, tanto do ponto das obras, quanto em relação aos processos criativos. Durante toda a semana do Lumiar, houve convergências entre cinema e teatro, tanto nas exibições de filmes, como nos debates e bate papos.

 

Lumiar 2020

A última edição do Lumiar aconteceu pela primeira vez de forma online por conta da pandemia. O tema foi “Estado de contingência” relacionado a esse momento de incertezas. A Mostra Competitiva contou com 23 curtas vindos do Brasil, México, Peru, Colômbia, Cuba e Argentina. A programação foi bem diversificada com debates, mesas de bate papo e lançamento de livro. 

A sétima edição do Lumiar teve também uma sessão de Filmes no Isolamento, que foram produzidos exclusivamente pelos alunos do curso de Cinema e Audiovisual da Una. Inicialmente o evento aconteceria no mês de maio de 2020, porém a programação foi interrompida por conta da pandemia. Todos os filmes que participaram da Mostra Competitiva eram de 2019 e 2020 e foram recebidos pelo Júri até fevereiro, por isso, eles não retratam a situação de isolamento.

Quando a produção do Lumiar voltou em agosto, sentiu-se a necessidade de falar desse momento em que vivemos. Um edital especial foi aberto para os alunos enviarem suas produções feitas nesse tempo. Foram selecionados seis filmes para a exibição.

Desde que começou em 2014, o Lumiar vem sendo um grande incentivo aos alunos de Cinema e Audiovisual, não apenas do Centro Universitário Una, como de toda a América, a colocar a mão na massa e produzir seus filmes. A Una sempre motivou seus estudantes a produzirem, a estrutura do Campus Liberdade, onde é ministrado o curso, disponibiliza para eles todo o equipamento necessário para a criação, eles ainda contam com o apoio da produtora Dígito Zero, do estúdio e dos professores sempre dispostos a ajudar. Não é para menos que atualmente o Lumiar é um festival de cinema conhecido muito além do Brasil, tudo isso é graças ao esforço e bom trabalho de toda equipe docente e discente que levaram seu nome e popularidade para fora do país.

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*Por Bianca Morais

A Mostra de Cinema de Tiradentes chega à sua 24°edição com versão totalmente online e gratuita, devido a pandemia do novo Coronavírus. A programação diversificada estará em cartaz de 22 a 30 de janeiro.  

O evento é considerado o maior do cinema brasileiro contemporâneo e apresenta sempre o que há de mais inovador e promissor na produção audiovisual brasileira, em pré-estreias mundiais e nacionais, uma trajetória rica e abrangente que ocupa lugar de destaque no centro da história do audiovisual e no circuito de festivais realizados no Brasil.

A Mostra Tiradentes deste ano exibirá um total de 114 títulos de 19 estados brasileiros. Os filmes estão em pré-estreias nacionais e foram selecionados por um forte grupo de críticos e pesquisadores. Os longas-metragens ficaram a cargo dos críticos Francis Vogner dos Reis e Lila Foster. A curadoria dos curtas foi assinada por Camila Vieira, Tatiana Carvalho Costa e Felipe André Silva.

Felipe André Silva é um dos curadores do evento, para ele essa experiência tem sido muito instigante e curiosa, principalmente por se diferenciar das que já trabalhou. Felipe já foi cineclubista por alguns anos e depois colaborou na seção de longas do Janela  Internacional de Cinema do Recife.

“Esses dois trabalhos têm em comum o processo intuitivo e complexo de ir buscar os filmes, pesquisar o que acontece de interessante, tentar criar uma linha coerente a partir de uma proposta puramente pessoal. Já Tiradentes é um trabalho mais “tradicional”, no que diz respeito a seguir o protocolo de avaliar apenas filmes inscritos, e a partir desse universo restrito tentar dar conta do que acontece de interessante na produção nacional durante aquele período”, conta ele.

O curador acredita que a seleção de curtas deste ano conseguiu cumprir sua missão apesar dos diversos problemas que vive tanto o cinema brasileiro quanto do resto do mundo. “Felizmente ainda estávamos num período transicional, por assim dizer, então muitos filmes tradicionalmente narrativos, e experimentos curiosos surgiram para nós, mas fica a dúvida do que será essa próxima etapa do cinema brasileiro, estagnado tanto pela pandemia quanto pelo desmonte das políticas de fomento” complementa.

A Mostra de Cinema é um evento muito além do audiovisual, é uma manifestação artística que conta com uma programação cultural extensa. Mostras temáticas, homenagem, oficinas, debates, seminário, mostrinha de cinema, exposições, live-shows, performance audiovisual, encontros e diálogos audiovisuais e atrações artísticas são alguns dos exemplos do que está presente.

Assim como nos anos anteriores, a mostra irá contar com o Encontro com o filmes e os debates. Nos Encontros com os Filmes, críticos e pesquisadores convidados irão discutir alguns filmes em exibição com a presença dos realizadores e dos espectadores. Nos debates, discussões conceituais em diálogo com a temática deste ano e a produção brasileira contemporânea.

O tema desta edição é “Vertentes da Criação”, proposto pelos curadores Francis Vogner dos Reis e Lila Foster, reflete como realizadores audiovisuais se relacionam com a construção das imagens e sons na busca pela poética de seus filmes.

“O convite a esse exercício de pensar os caminhos do cinema pode criar um léxico, novas palavras, acionar o campo de expressão das experiências particulares do trabalho de criação, um trabalho que não está isolado dos processos mais amplos do mundo (econômicos, técnicos, políticos), mas dele toma parte ativa com mais proximidade ou com uma calculada e necessária distância”, afirma Francis Vogner dos Reis.

A abertura do evento terá a exibição do filme inédito e em finalização “Obstinato”, dirigido pela homenageada Paula Gaitán. A cineasta é uma artista incontornável do cinema brasileiro, ela é a pura representação do tema da edição, uma vez que seus filmes se empenham sempre em buscas distintas. Além de cineasta é também artista plástica, fotógrafa e poeta. Paula está por trás de grandes obras cinematográficas, Vida, Agreste, Exilados do Vulcão, Memória da Memória, Noite, o videoclipe Mulher do Fim do Mundo da Elza Soares, É Rocha e Rio, Negro Léo, Sutis Interferências, entre outras.

O encerramento, no dia 30, terá a pré-estreia de Valentina, de Cássio Pereira dos Santos.

A programação completa do evento já está site oficial, confira.

 

 

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*Por Bianca Morais

Entre os dias 3 e 9 de novembro irá acontecer a 7° edição do festival Lumiar, evento organizado pelo curso de cinema e audiovisual do Centro Universitário Una. Esse ano em decorrência da pandemia o festival será totalmente online com transmissão pelo Youtube e Looke. 

O Lumiar começou no ano de 2015, desde então o evento cresceu muito e hoje é um festival interamericano de cinema universitário muito conhecido na América Latina. O evento que geralmente acontece presencialmente no Cine Humberto Mauro, uma parceria do curso com o espaço, em 2020 irá acontecer de forma digital, gratuita, para todos os interessados em cinema no geral.

Esse ano, o festival tem como tema Estado de Contingência, escolhido pelas curadoras do evento Joana Oliveira, Ramayana Lira e Tatiana Carvalho, ele foi pensado devido a esse momento de incertezas que vivemos em 2020.

“Contingência é a dúvida quanto à possibilidade de algo acontecer ou não, aquilo que é possível, porém incerto. Nem necessariamente falsa, nem necessariamente verdadeira, a contingência indica que algo poderia ter sido outra coisa. Viver em Estado de Contingência é estar imersa na incerteza, mas nunca na impossibilidade” explicam as curadoras.

Dentro do festival temos a Mostra Competitiva, um concurso que conta com 23 curtas metragens concorrendo ao prêmio de melhor filme. Estudantes de toda a América Latina enviaram seus projetos através do edital, que deixa livre o gênero, formato e temática. Como finalistas temos filmes do Brasil, México, Peru, Colômbia, Cuba e Argentina. A seleção das produções foi feita através de uma comissão formada por três duplas, de professores e alunos do curso de Cnema, que assistiram a todos os filmes inscritos e selecionaram os melhores. Nas outras edições do evento a votação também contou com o voto do público, as pessoas recebiam uma cédula na entrada e votavam, esse ano por ser online a decisão ficou por conta apenas do júri oficial.

Além da premiação da mostra competitiva, o evento também vai contar com uma programação bem diversificada, incluindo debates, mesas de bate papo e lançamento de livro.

O debate sobre assédio e estruturas de poder na curadoria de festivais acontece na quarta-feira (4), às 18h e contará com a participação das jornalistas Nayara Felizardo e Schirlei Alves, do The Intercept Brasil, as coordenadoras de festivais e curadoras Amaranta César, do CachoeiraDoc  (BA), Ana Siqueira, do Festcurtas BH (MG) e Marilha Naccari, do FAM (SC).

As jornalista do Intercept Brasil prometem falar suas impressões da reportagem sobre o curador e produtor de cinema Gustavo Beck, acusado de abuso sexual por 18 mulheres.

“Eu entendia muito pouco desse mundo de cinema, mas o que ficou evidente para mim depois de fazer, junto com a jornalista Schirlei Alves, cerca de 40 entrevistas, é que o meio do cinema e a forma como são escolhidos os filmes para os festivais não é seguro para a mulher cineasta e produtora. Elas estão muito expostas a abusos e assédios. Suas carreiras muitas dependem disso, e não dos seus talentos, mesmo que eles sejam inquestionáveis” relata Nayara.

Uma convidada muito esperada para o evento é a roteirista e diretora argentina, Clara Picasso. Ela e sua parceira Eugenia Ratcliffe conduzem a Masterclass Desarrollo de Guión (com inscrições prévias) na sexta-feira (6) às 9h30. Uma verdadeira aula para os amantes de cinema, apresentando recursos e técnicas para a escrita de peças (storyline, sinopse, argumento, carta de motivação, proposta estética) que compõem o folder de apresentação de um projeto audiovisual, estabelecendo as diferenças entre os materiais de trabalho e materiais de vendas.

Além disso, Clara também participa de um bate papo sobre o filme La Protagonista, que dirigiu em 2019. Para acompanhá-la, a atriz Rosario Varela. Ambas atividades terão tradução simultânea.

“Me dá muita alegria fazer parte dessa edição do Lumiar e poder compartilhar minha experiência fazendo o bate papo de La Protagonista com os estudantes de cinema. Meu maior desejo é poder incentivar que cada um encontre seu próprio caminho e se anime a levar adiante seus projetos, valorizando sua própria voz. Nesse sentido, a Masterclass que ofereço junto a Eugênia Ratcliffe tem como objetivo trazer ferramentas para montar uma pasta de projeto audiovisual, tanto em material de trabalho e também como material de comunicação”, diz a roteirista.

O festival terá a sessão Filmes no Isolamento, produzidos exclusivamente pelos alunos do curso de Cinema e Audiovisual da Una. Inicialmente o evento aconteceria no mês de maio, porém a programação foi interrompida por conta da pandemia. Todos os filmes que estão na Mostra Competitiva são de 2019 e 2020 e foram recebidos pelo Júri até fevereiro, por isso, eles não retratam a situação de isolamento.

Quando a produção do Lumiar voltou em agosto, sentiu-se a necessidade de falar desse momento em que vivemos. Um edital especial foi aberto para os alunos enviarem suas produções feitas nesse tempo. Foram selecionados seis filmes para a exibição.

A programação completa do Lumiar está disponível no site una.br/lumairfestival

*Edição: Daniela Reis