Coronavírus

0 109

Por Igor Tiago Ribeiro

Você já se perguntou hoje quem está mais exposto a este tiroteio que é a pandemia de covid-19? Conheço quem tenha a coragem de dizer “eu”, ou “todos nós”. Mas, infelizmente, os dados provam que essa não é uma verdade absoluta. A periferia tem sofrido cada vez mais porque o mal que a acomete não é somente a pandemia de covid-19, a distância dos centros de saúde, a falta de acesso ao saneamento básico, a quantidade de pessoas que moram na mesma casa, mas também a falta de acesso à educação, o aumento da presença messiânica da igreja nas comunidades e o quanto isso, infelizmente, a aproxima do discurso negacionista escancarado no mais alto escalão da política brasileira.

Pode soar conspiracionista demais que estes fatores se somem aos péssimos que já existem e resultem em uma chacina da população menos favorecida de um país, mas onde já vimos estes fatores acontecer, a história posterior fez questão de mostrar que nunca é somente só o fato, mas, sim, tudo o que está por trás dele. E eu, como jornalista, seria um irresponsável se não estivesse atrás da origem do fato de o Brasil ter ultrapassado mais de 300 mil mortes por covid-19, e elas estarem, em maioria, na população mais pobre.

Você ainda lembra que a primeira vítima fatal de covid-19 no Brasil foi uma empregada doméstica? Essa cena se repetiu outras milhares de vezes e foi um estudo publicado pelo Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde da PUC-Rio que primeiro confirmou tudo. Levando em conta as primeiras 30 mil notificações de casos de covid-19 disponibilizadas pelo Ministério da Saúde, o estudo concluiu que quanto maior a taxa de escolaridade, menor era a letalidade da doença, ficando em 71,3% entre pessoas sem escolaridade e 22,5% em pessoas com nível superior.

Se aprofundarmos os dados e cruzá-los com as características de raça, vemos que pardos e pretos sem escolaridade representam 80,35% dos dados de frente, com 19,65% dos brancos com nível superior. E esse é apenas o resultado de uma pesquisa no início da pandemia, em maio de 2020. O problema mesmo está no fato de que, com a permanência da pandemia, os dados ficam mais específicos e confirmatórios – por vezes, até mais assombrosos.

Pesquisa do estúdio de inteligência de dados Lagom Data, feita em exclusividade para o jornal El País, comparou os dados de 2020 com os de 2021 e confirmou aumento de até 60% das mortes entre as pessoas com vínculos profissionais comprovados que não puderam ficar em casa. Em especificidade, as profissões que não exigem formação de nível superior e não ganham o suficiente para sair das regiões marginalizadas onde habitam são as mais afetadas.

Mas o que a igreja tem a ver com isso? É meio difícil imaginar como a religião possa impactar numa crise humanitária quando seu papel, na história da sociedade, sempre foi o de passar uma imagem humanizada para a sociedade que a cerca [e a sustenta].

Segundo pesquisa divulgada pelo instituto Datafolha, em janeiro de 2020, pré-pandemia, 60% das pessoas que compõe o perfil do brasileiro evangélico se autodeclaram pretas ou pardas. Isso é resultado do crescimento da presença dessas igrejas nas regiões onde essa população está, em sua maioria, nas regiões mais periféricas. Essa representatividade não existe somente nesta população. Pelo contrário, está, até mesmo, no cenário político brasileiro, no qual compõe 20% do Congresso, em Brasília.

Só nas eleições municipais de 2020, foram, aproximadamente, 13 mil candidatos espalhados pelo Brasil, que usaram a própria religião como bandeira política, segundo o Instituto dos Estudos da Religião. E o maior problema é que a religião faz oposição à ciência, e, quando forma representatividade política, colocamos os estudos científicos em xeque na mão dos representantes do povo. Afinal, a voz do povo é a voz de Deus.

É com esse discurso que o próprio presidente Jair Bolsonaro conseguiu puxar para si a taxada irresponsabilidade social durante a gestão da pandemia. Principalmente, porque representa o combo perfeito entre negacionismo, religião e poder. E, quando esse discurso ecoa entre as pessoas que frequentam os centros religiosos neopentecostais, que é são as mesmas, mas sem acesso à educação, e representam a maioria entre os seus eleitores, temos o resultado catastrófico de um número maior de mortes nesta população.

Infelizmente, ainda estamos numa realidade longe do ideal de conseguir separar política de religião, formar cada vez mais pessoas em ensino superior, e voltar a investir em educação pública para aumentar o acesso da população mais pobre a melhores oportunidades de vida. Em 2021, já não bastava que brasileiro, o que, no geral, já é difícil? Também ser pobre e preto é a certeza de que não há como sobreviver a mais uma pandemia.

 

*Edição: Professor Maurício Guilherme Silva Jr.

 

 

Por Bianca Morais

“Forever young, I wanna be, forever young. Do you really wanna live forever?”

Essa música foi lançada lá nos anos 80 e ainda é muito reproduzida por vários artistas, sua tradução diz: “Eternamente jovem, eu quero ser eternamente jovem. Você realmente quer viver eternamente?”

Escutei a música esses dias e ela me remeteu a algumas notícias que li ultimamente em alguns jornais, de que pela primeira vez desde que começou a pandemia do coronavirus, os jovens são a maioria dos internados nas UTIs do Brasil. Assustador, e o que mais me chamou atenção é que essas reportagens mostravam um perfil de jovem que se acha imbatível, que não vai pegar a doença nunca, afinal, eles ainda são muito novos para morrer, ainda têm muito o que viver.

A inconsequência desses rapazes e moças que por acreditarem serem eternos e nada pode os atingir, levam eles constantemente a desobedecerem as medidas de isolamento social e saírem para bares, festas clandestinas, aglomerações e pessoas sem máscara. Muitos deles ainda acham bonito expor essa realidade no Instagram, na minha rede social, por exemplo, vejo constantemente postagens e stories dessa galera que não tem medo do Covid, se sbaldando em festas.

Se para mim tais imagens já incomodam tanto, imagine para aqueles médicos da linha de frente  que colocam diariamente em risco trabalhando em hospitais infestados Covid e quando saem de seus plantões e se deparam com ruas e bares lotados de pessoas inconsequentes. 

Do you really wanna live forever? (você realmente quer viver para sempre)? Isso é o que eu tenho vontade de responder nos stories dessas pessoas, porque parece que não. Será que se eles não se importam com a própria vida, pelo menos não se preocupam com os pais, os avós? Mas agora os avós já foram vacinados, então eles não precisam se afligir mais.

Egoísmo ou super poderes? Não pensar no outro ou simplesmente se achar um máximo que não pega a doença? “Somos jovens, temos que viver intensamente, estamos perdendo nossas vidas para um vírus, não quero envelhecer nessa pandemia”. Realmente, vocês estão perdendo suas vidas para esse vírus, pela primeira vez vocês estão morrendo de fato. 

Não sou Deus para julgar, longe de mim, mas a realidade é que a cada final de semana, feriado ou data comemorativa  a galera se aglomera, vacila e depois paga as consequências. 

Conclusão, não são apenas os jovens que saem prejudicados, mas toda a sociedade. Acompanhem o raciocínio: o perfil da Covid-19 mudou, a população idosa está finalmente sendo vacinada, no entanto, os jovens agora têm sofrido complicações mais preocupantes, chegam aos hospitais em condições muito ruins e ficam muito mais tempo internados em uma batalha gigantesca pela vida. Esses jovens lotam os leitos de UTI, e dessa forma não sobram vagas para novos pacientes, o que tem aumentado e muito o número de mortos por dia no país. 

A cada dia um novo recorde de mortos, uma nova cepa do vírus. Não tem leito para todo mundo, se chega um jovem sem comodidade e um idoso ao hospital a procura de um leito, para quem vocês acham que ele vai? Para os forever young com mais chances de sobreviver ou para o idoso com diabetes, hipertensão e asma?

Reflexão forte, texto pesado, mas não vou me desculpar. Sei que tem muitos desses jovens saem de casa não para farrear, mas para trabalhar, são eles que levam sustento ao lar. Com o fim do auxílio emergencial no final do ano passado e com a nova “merreca” do novo, muitos cidadãos foram obrigados a voltar a trabalhar e enfrentar ônibus lotados. Se eles são obrigados a sair de casa e se aglomerar contra sua vontade, por que não podem curtir o final de semana numa festinha?

Cada um faz o que quer da sua vida, o vírus mortal está no ar, ele circula, sofre mutações, e tem se tornado mais perigoso e letal. A pandemia não vai durar para sempre, mais cedo ou mais tarde, tudo indica que mais tarde, ela vai acabar. A sua juventude pode durar para sempre, isso se você estiver vivo para aproveitá-la. Pense em você, pense no próximo, use máscara, evite aglomerações, se cuide. Em breve sairemos dessa, mas é preciso pensar consciente agora. 

 

 

Por Bianca Morais 

Dando continuidade a comemoração ao mês das mães, o Jornal Contramão traz hoje a história de Vanessa. Mostraremos os prazeres e os desafios de conciliar a rotina profissional com a maternidade durante a pandemia.

Vanessa Cristina Lopes Santos, tem 46 anos e é professora do curso de Engenharia Elétrica da Una Cristiano Machado e do Uni-BH. Além de exercer o papel como profissional da educação, também atua em um outra área muito importante, a maternidade. Vanessa é mãe de três crianças, Fernando, o mais velho, e as gêmeas Isabela e Letícia.

Para a professora, ser mãe sempre foi mais que um sonho, foi uma realização como mulher. Casada há 15 anos, ela sempre teve o desejo de ter no mínimo dois filhos. “Na realidade, sempre enxerguei a maternidade como um empréstimo em confiança. É uma missão que Deus nos confia”. E Deus confiou e muito nela, dando-lhe três filhos, pois sabia que ela seria capaz.

 

Começa uma história de amor

Vanessa e o marido fizeram Engenharia na mesma faculdade, porém não se conheceram nessa época. O encontro aconteceu apenas no mestrado, anos depois. Podemos dizer que foi obra do destino, pois logo se apaixonaram e estão juntos até hoje. 

Depois de casados, os dois planejavam o futuro. Queriam dois filhos, para eles o número ideal para ter uma vida tranquila e confortável. Fernando, 11 anos,  é primogênito. Um menino muito calmo e que sonhava com a companhia de um irmão. Para os pais, o cenário perfeito, pois sempre idealizaram um ambiente de partilha, uma criança sendo companheira da outra.

Na época em que descobriu a segunda gravidez e contou ao filho, Fernando já sabia que viriam dois, isso sem ao menos a mãe ter feito o ultrassom. “O mais interessante é que quando soubemos da gravidez, fomos perguntar ao Fê se ele iria ter irmão ou irmã, qual seria o presente que  o Papai do Céu mandou. Para surpresa de todos, ele  nos disse que ganharia dois irmãos e contou na escola, para a família e a todos que ele conhecia. Nós achamos aquela situação engraçada”.

Fernando foi preciso em sua intuição! A mãe realmente estava grávida de dois bebês, só que esperava dois irmãos, porém na realidade eram duas meninas: Isabela e Letícia, atualmente com 7 anos . 

“No dia da ultrassonografia, quando o médico disse que tinha uma surpresa, eu e meu marido nos surpreendemos mais ainda com a sensibilidade do Fernando. Este acontecimento aumentou demais nossa fé e nos uniu muito como família, acreditamos que a sensibilidade dele foi uma forma de Deus nos mostrar o quanto ele estava depositando confiança em nossa fammília”.

O cotidiano antes da pandemia

Passeios em família eram constantes

Antes do isolamento, a família vivia a mesma rotina diariamente. Na parte da manhã, as crianças tinham uma cuidadora, à tarde iam para a escola e à noite ficavam com o pai, pois Vanessa tinha que se dividir em seus empregos, em uma empresa privada e nas faculdades.

“Eu saía para trabalhar cedo,  no horário do almoço levava as crianças para a escola e voltava ao trabalho. Chegava em casa por volta das 23h, a essa altura meus filhos já estavam dormindo. No outro dia, eu saía às 6h30 e eles ainda não tinham se levantado.Assim, nossos encontros eram no horário do almoço e no caminho da escola”, relembra.

Era aos finais de semana que Vanessa de fato conseguia aproveitar e passar um tempo maior com os filhos, e ela fazia questão de aproveitar cada minuto. Ia com os garotos passear em praças, clubes, andar de bicicleta, enfim, tirava o atraso da semana.

Mudança radical

Com o início da quarentena, Vanessa passou a trabalhar em home office, as crianças passaram a ter aula online, foi quando a rotina mudou completamente. Se antes a mãe pouco via os filhos, agora ela acompanhava de perto cada momento.

“Atualmente,  o tempo todo estou a conciliar e encaixar tarefas. Os horários se sobrepõem e a rotina é uma palavra quase em desuso em casa. Me tornei uma mãe mais dedicada em tempo, mas também percebo que às vezes tomo muito controle da situação. Assim, tento deixar as crianças desenvolverem sua autonomia, mas me freio muito”, explica.

Dentro de casa, 24 horas com os filhos, Vanessa consegue acompanhar de perto a alfabetização deles, estar perto nessa fase de construção de conhecimento dos filhos, por ser professora, é capaz de ser mais compreensível e intervir de forma mais assertiva no que diz respeito à rotina escolar.

O ensino remoto dos filhos

No início foi necessário um período de adaptação para toda família, diferenciar os dias das semana dos fins de semana, explicar à eles que mesmo em casa, não era tempo de férias,  foi uma missão desafiadora.

“Passamos por um período de conscientização das responsabilidades e de entendimento da situação. Para ajudar na compreensão das crianças, fomos explicando, juntamente com os professores, que estávamos passando por uma situação crítica e enfrentando uma doença desconhecida e severa. Assim, eles conseguiram se adaptar ao confinamento e se protegerem”. 

As gêmeas estão em fase de alfabetização e em nenhum cenário Vanessa previa viver esse momento tão próxima delas. A mãe consegue muitas vezes assistir  parte das aulas com as pequenas e ajudá-las. Sem contar, que apesar de trabalhar durante as aulas delas, a mãe precisa se transformar em duas, é um olho no trabalho e outro dividido entre as meninas.

“Coloco elas em cômodos diferentes, porque são gêmeas e se ficam juntas vira palhaçada, brincadeira atrás de brincadeira. Fico em um cômodo intermediário, onde eu consigo ver as duas”.

Se já dá trabalho dar conta de uma criança em aula online, imagine duas meninas sendo alfabetizadas. A mãe relata que há  dias tranquilos e outros bem agitados. “Tem dia que o lápis quebra a ponta, aí pega o lápis da outra e se torna motivo de briga”. Vanessa, ao invés de perder a cabeça, enxerga ali a oportunidade de ensinar as duas a partilhar. “Eu consigo ver onde elas estão tendo uma dificuldade, intervir, uma coisa que eu não veria se eu não estivesse participando”.

Diferente das mais novas, o filho mais velho é bem independente e sossegado, porém não gosta muito de estudar e como grande parte dos pré-adolescentes prefere jogar bola e passa um bom tempo no Tik Tok. Para cumprir as tarefas escolares, a mãe precisa ficar no pé, porém vê com bons olhos a chance que tem de estar dentro de casa, acompanhar de perto e poder mostrá-los as consequências das escolhas que ele faz. 

“Sinto que está sendo um período muito difícil para o mundo inteiro, mas me trouxe chances únicas e indispensáveis”, revela.

Em relação ao método de ensino remoto dos filhos, a mãe avalia que apesar de a distância, são aulas muito boas. “Os professores acompanham as atividades, exploram o conteúdo, conversam com as crianças, mantêm os intervalos para levantar e descansar a vista da tela. As aulas que me deixam de cabelo em pé são as de educação física. A casa vira de pernas para o ar”.

A profissional

No horário em que ministra suas aulas, Vanessa conta com o apoio do marido. É ele quem consegue manter as crianças em silêncio, aproveita o momento para dar banho e lanche. A professora tem uma placa de “mamãe em aula”, que deixa na porta e se fecha no quarto de estudos. Nessa hora eles sabem que a mãe está no trabalho, por isso, não interferem muito. Mas foi preciso orientá-los sobre a seriedade do silêncio durante esse período em que ela está com seus alunos. 

“Na hora dos intervalos,  eu abro a porta e todos entram como um furacão. Mãe eu quero pizza, mãe eu quero isso, mãe eu quero aquilo. Aí eu respondo que  daqui uma horinha ou duas a mamãe está fazendo tudo que vocês querem”.

Se surpreende quem pensa que o dia de Vanessa acaba depois de dar sua última aula. Ali, a noite na verdade está apenas no começo. Depois de colocarem as crianças na cama, ela e o marido separam as atividades das meninas e já preparam tudo para o dia seguinte.

“Como são crianças, nem sempre eles conseguem acompanhar e fazer tudo, sempre tem um para casa que passa despercebido. A gente tem que aproveitar para colocar tudo em ordem no sábado ou no domingo. Também é nos finais de semana que fazemos as leituras, treinamos as sílabas, as letras, a pontuação, a acentuação, e prepararmos as tarefas que segunda-feira”.

Diversão em casa

As aulas das crianças terminam por volta do meio-dia, e é a partir daí que inicia-se o momento de brincar. Os três filhos sempre se divertiram muito entre si. Em meio a pandemia e o isolamento social, Vanessa encontrou uma forma de driblar a falta de rotina com outros amigos e trouxe  novo membro para a família: o Flash, um cãozinho. “Flash é um cachorrinho lindo e sapeca, a hora de levá-lo para passear é um dos melhores momentos do dia, é uma algazarra”.

Flash, o amiguinho especial

Outro momento que a família também tira para descontrair é quando Vanessa tem provas para corrigir, ela reúne todos na mesa e é “hora da escola”, cada um faz sua tarefa e aproveitam para passar o tempo juntos. “Logicamente que uma coisinha ou outra sai da linha né. Se é uma tarefa que dava para fazer de manhã, ela gasta de manhã e  à tarde, mas aqui com saúde, fé, boa vontade, às vezes a polêmica a gente contorna”.

Os desafios da pandemia em família

Na rotina da mãe e professora existem dias mais difíceis, em que as tarefas não são concluídas e o cronograma não é cumprido, mas mesmo assim ela  garante que não se deixa abalar e que sua fé a faz acreditar sempre que tudo na vida é um aprendizado. Paciência, confiança e fé são suas palavras de ordem. 

“Daqui um tempo vamos poder parar, olhar para trás e espero que possamos agradecer por ter saúde, por ter o desafio vencido e ter crescido como ser humano, como família e estarmos mais fortes e mais preparados. Acredito que a pandemia me mudou como pessoa em muitos aspectos, principalmente em reconhecer os meus  limites e dos outros, entender que todos estamos sujeitos a problemas e ninguém está livre de mazelas. Assim, a fé aumenta e a gente aprende a confiar mais, confiar na vida, na proteção de Deus”.

Vanessa é uma mãe muito dedicada e grata a família que tem. No momento em que uma doença assola o mundo, ela enxergou a chance de ouro de se aproximar de seus filhos. Em meio a correria do dia a dia ela tenta dar atenção a cada um individualmente e educá-los da melhor forma possível. Ao estar diariamente presente, ela percebe as necessidades de cada um e entende a hora certa de interferir.

“Às vezes no momento em que você não pode intervir numa determinada situação, no momento exato do acontecimento, outra acontece e te dá a oportunidade de fazer uma abordagem mais madura. Nós somos muitos transparentes aqui em casa e fica mais fácil a percepção de como está cada um. Como eu via muito pouco meus filhos, apenas quando íamos para a aula, eu conversava muito com eles e explicava como é importante sermos sinceros e contarmos uns com os outros”, finaliza.

 

*Edição: Daniela Reis

0 443

Os pontos extras facilitam a aplicação de vacinas e ajudam a evitar aglomerações

A Una é o primeiro Centro Universitário de Belo Horizonte a atuar como posto extra de vacinação para Covid-19. A partir de hoje, 25 de maio, de 7h30 às 16h, serão vacinadas pessoas de 18 a 59 anos com comorbidades, deficiência permanente cadastradas no benefício de prestação continuada (BPC), gestantes e puérperas.

Podem tomar a primeira dose aqueles que preencheram o cadastro no portal da Prefeitura até o dia 16 de maio.

Outras informações sobre a vacinação contra a covid-19 em Belo Horizonte estão disponíveis no portal da PBH.
Serviço:

Onde: Centro Universitário Una – Campus Guajajaras. Rua dos Guajajaras, 175, Centro, BH.
Quando: a partir de terça-feira, dia 25/03.
Horário: segunda à sexta, de 7h30 às 16h.

Para saver como chegar, clique aqui.

Mais detalhes, acesse o link.

0 381

Por Bianca Morais

Há mais de um ano, o Coronavírus chegou ao Brasil e mudou completamente a rotina de milhões de pessoas. O isolamento social foi uma das primeiras medidas tomadas a fim de evitar a transmissão do vírus. Escolas e faculdades fecharam, empresas de serviços não essenciais passaram a adotar o home office como medida de manter os funcionários em casa e não os expor aos riscos. 

As relações passaram a ser online, a solidão tomou conta de muitos que moram sozinhos e o estresse daqueles que dividem a casa com seus familiares. As condições do trabalho remoto, a falta de limites entre profissional, vida pessoal e atividades domésticas somadas a uma maior carga horária e pressões diárias despertaram nos brasileiros, além de todos esses sentimentos, um quadro de ansiedade e depressão.

A covid-19 não contamina apenas os pulmões, mas também a saúde mental. No ano passado, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) realizou uma pesquisa que mostrou que 80% da população brasileira se tornou mais ansiosa durante a pandemia. A ansiedade é algo comum entre todas as pessoas, ela funciona como um aviso de perigo e faz com que o corpo do sujeito se prepare para enfrentá-lo, no entanto, ela passa a ser um problema quando atrapalha o dia-a-dia de alguém e cria um sofrimento daí a necessidade de procurar ajuda de especialistas.

O Brasil sempre ocupou um lugar de destaque em relação ao número de indivíduos com ansiedade. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) 9,3% dos brasileiros apresentam algum transtorno de ansiedade, e com a pandemia esses números só crescem. O momento de incertezas e a constante angústia afeta diretamente o psicológico aumentando as crises.

Um dos mais relevantes sintomas de uma crise de ansiedade é também um dos mais conhecidos da covid, a falta de ar, por isso, principalmente no começo, a população se assustou muito. Além disso, essa inquietação também é responsável por dores de cabeça, tensão muscular, palpitações, suor excessivo, tontura, ondas de frio e calor, vontade de urinar constante, entre outras. 

A verdade é que esses sintomas são parecidos com os de várias outras doenças, desta forma ela se torna um tormento diário, afinal as pessoas evitam ao máximo ir a consultas médicas e hospitais, por medo de pegar a covid, preferem ficar em casa e sentir essa angústia que poderia ser facilmente resolvida de outras formas. 

A ansiedade está diretamente ligada a problemas da vida do indivíduo e muitos desses foram criados pela pandemia, as incertezas sobre o futuro, o medo de contrair a doença e passar a algum familiar, a falta de contato físico, tudo isso provoca diversas reações, como tristeza, cansaço, insônia, irritabilidade, aumento de peso, sistema imunológico fraco, alteração do sistema gastrointestinal, enfim, a doença é desencadeadora de muitas situações ruins.

Um fator relevante que espalhou o afligimento pelo país durante a pandemia foi a atual situação socioeconômica. Muitos empresários foram à falência por não poderem abrir seus estabelecimentos, milhares de trabalhadores perderam seus empregos. A população em geral passa por dificuldades financeiras e esse é um importante ponto que se torna gatilho a favor desse tormento. A incerteza do cidadão se terá ou não dinheiro para arcar com as contas do mês cria nele não apenas a ansiedade como até a depressão.

Nesse mês de março, o Brasil bateu recorde em mortes por conta da covid-19 e está no pico da doença. Minas está na fase roxa, ninguém pode sair de casa, temos toque de recolher e a aflição só aumenta. O mais indicado nessa situação é manter a calma, procurar ajuda com psicólogos, psiquiatras, terapeutas, profissionais da saúde mental. Outras maneiras, também, podem ajudar a enganar essa agonia e uma delas é a alimentação. 

A nutrição e a saúde mental

Uma boa alimentação em si já ajuda e muito na melhora da qualidade de vida. Entretanto, pesquisas recentes mostram que determinados alimentos podem ajudar a combater os indícios da ansiedade. Nutrientes ricos em vitaminas e aminoácidos têm a capacidade de melhorar o humor, tranquilizar e trazer mais disposição.

Quem tem uma alimentação que inclui muitas comidas calóricas, consequentemente, tem uma deficiência de nutrientes considerados bons ao funcionamento do corpo e principalmente do cérebro, como vitaminas, minerais, aminoácidos e ácidos graxos essenciais. Para um bom funcionamento do cérebro do ser humano, é preciso a energia que os alimentos nos proporcionam, estes últimos, são muito significativos porque têm efeitos antioxidantes, antinflamatórios e neuroprotetores que ajudam a combater sintomas do estresse.

Em 2015, um trabalho publicado na BMC Medicine, apresentou uma pesquisa feita por alguns cientistas que observaram que uma ingestão menor de alimentos com poucos nutrientes e uma maior quantidade de comidas pouco saudáveis se associa a um menor volume do hipocampo esquerdo. 

A psiquiatria nutricional é um novo plano de estudo relacionado a transtornos mentais, anormalidades metabólicas e doenças crônicas. As pesquisas são atuais e, tudo é muito novo, existe uma base sólida de evidências que afirmam que a qualidade da dieta dos indivíduos está relacionada ao risco de transtorno mentais comuns, e ainda há muito o que descobrir. A área vem crescendo e em alguns anos  poderemos identificar descobertas muito importantes nesse campo da ciência.

Estudos iniciais mostram uma relação entre a ansiedade e o consumo excessivo de alimentos com cafeína, açúcar e bebidas alcoólicas, a má hidratação e o hábito de fumar também estão relacionados. Em contrapartida, comidas que estimulam a produção de neurotransmissores tais quais a serotonina e melatonina, substâncias que ajudam no bom humor e qualidade de sono, são sempre super bem vindos. 

Boa alimentação contra a ansiedade

Alimentos não são remédios, mas muitos deles podem ajudar a controlar o início dessa aflição que tanto tem tomado conta da rotina das pessoas. 

Denise Alves Perez é nutricionista e professora do Centro Universitário Una. A especialista ajudou a elaborar algumas dicas de alimentos que podem diminuir os níveis de ansiedade em um momento tão delicado. Confira abaixo.

Dica 1 – Coma alimentos fonte de triptofano. O triptofano é um aminoácido que participa da formação da serotonina, um neurotransmissor que está associado a sensação de bem estar, e podendo assim, reduzir sua ansiedade. Aqui vão alguns desses alimentos: Ovos, leite, carne, soja, cereais, brócolis, couve-flor, berinjela, tomate, kiwi, ameixa, banana, nozes, peixes, frutos do mar e cacau.

Dica 2- Alimentos ricos em gorduras boas, vitamina C e Vitamina E, têm demonstrado serem excelentes aliados para combater os males da ansiedade em excesso. Alguns estudos mostram que o estresse causado por essa angústia resulta em uma maior liberação de radicais livres que podem prejudicar o funcionamento do nosso corpo! Então abuse dos alimentos a seguir: peixes, linhaça, chia, castanhas, nozes, laranja, goiaba, limão, acerola, vegetais verdes escuros.

Dica 3- Alimentos ricos em vitamina do complexo B também são excelentes para auxiliar e combater a ansiedade! As vitaminas B6, B9 (folato) e B12 auxiliam na formação da serotonina, que nem dito acima, um neurotransmissor que está associado a sensação de bem estar. Podemos encontrar essas vitaminas nos seguintes alimentos: feijão, vegetais de folhas verdes (espinafre, aspargo, brócolis, couve), abóbora, batata inglesa, cenoura, carne vermelha, carne de porco, abacate, laranja, maçã, milho, ovo, queijo e leite.

Além da alimentação, a prática de atividades físicas também são muito importantes, afinal para uma boa qualidade de vida é necessário corpo e mente saudáveis. 

E lembre-se, essa é uma fase passageira, mesmo distantes um do outro, ninguém está sozinho, é momento de empatia e acolhimento. A qualquer aparecimento de indícios de depressão ou ansiedade procure ajuda de um profissional da saúde. Ocupe sua mente, alimente-se bem e hidrate-se.

1 416

Por Bianca Moraes

Nas últimas semanas trouxemos uma série de reportagens que abordavam os obstáculos que estudantes de todo o país têm enfrentado devido a pausa nas aulas presenciais e, sobretudo, o novo método de ensino remoto.

Além da dificuldade em de fato conseguir absorver tanto conteúdo através de uma tela, seja de celular, tablet ou computador, existe também a falta de troca entre os alunos e professores. O isolamento social passou a ser um grande causador de problemas ligados à saúde mental e as crises de ansiedade, pânico e  depressão são alguns dos exemplos do que essa pandemia acarreta.

Toda essa frustração por conta da quarentena, que já completa um ano, faz com que os alunos se sintam pressionados e tensos pela rotina monótona e o resultado disso é o estresse e os demais prejuízos que ele causa. A procura por profissionais especializados no bem-estar psicológico aumentou muito desde o começo do isolamento, aquela pessoa que jamais pensou fazer terapia ou aquela que sempre teve vontade mas não via a hora certa de começar encontraram no atendimento psicológico um conforto em tempos de medos e incertezas.

Sejam crianças, jovens ou adultos, a drástica mudança na rotina da educação, o alto nível de cobrança e até mesmo as dificuldades técnicas trazem um completo abalo no aluno que tem seu ensino comprometido.

Patrícia Barbosa, 44 anos, é Psicóloga e Neuropsicóloga. Atua há 18 anos na área e trabalha diariamente com pacientes de diferentes idades. Em entrevista ao Jornal Contramão, a especialista abordou algumas das principais temáticas relacionadas a essa didática do ensino online e a melhor maneira que os alunos, junto a pais e professores podem passar por essa fase. 

Qual diferença você percebe no comportamento das crianças que hoje vivem a rotina do ensino remoto?

A Escola é, sem sombra de dúvidas, um importante espaço de socialização e interação, e de uma forma muito brusca as crianças tiveram que se adaptar a um novo modelo de ensino, onde elas não estavam preparadas e nem tampouco os professores e os pais para essa nova modalidade.

No meu consultório chegam crianças e adolescentes inseguros, ansiosos e sempre fica nítido em seus discursos o tédio como sentimento mais recorrente. Os pais por sua vez, chegam “desesperados” por apoio e orientação sobre como agir neste momento tão delicado.

Sempre existiu discussões sobre crianças muito novas terem acesso a computador e celular. Qual sua opinião, como psicóloga, dessa nova forma de ensino que as colocam desde muito cedo na frente de uma tela para ter aula?

Ao meu ver, o uso excessivo de telas é muito prejudicial ao desenvolvimento como um todo das crianças e deixam marcas significativas, principalmente ao que se refere à parte psíquica-emocional. Como não temos outra saída neste momento em relação ao ensino, a não ser o remoto, oriento os pais a estarem interagindo com os filhos nos horários livres e não os deixando à mercê do uso exagerado de computadores, tablets e celulares.

Antes da pandemia, o celular e o computador eram instrumentos de lazer para as crianças (para jogos, vídeos, etc.). Hoje, esses aparelhos eletrônicos têm a função de “educar”. Como fazer com que as crianças e adolescentes consigam diferenciar a hora de brincar e a hora de estudar?

O problema maior que observo é exatamente esse, as crianças associavam computadores e celulares ao lazer, e o próprio lar como espaço de relaxamento e descanso. Trazer a sala de aula para dentro de casa é um desafio não tão fácil assim aos pais. Isto implica em diálogo, onde novas regras deverão ser estabelecidas e também a aquisição de uma nova rotina com horários e atividades que deverão ser cumpridas a fim de que se consiga aproveitar ao máximo essa nova modalidade de ensino. Não há dúvidas que a disciplina será uma ferramenta essencial ao ensino, o conduzindo de maneira eficiente.

Existem dois tipos de crianças, aquelas as quais conseguem aprender com mais facilidade e as que apresentam um déficit e precisam de uma ajuda a mais na escola. Como você enxerga a recente situação dessas crianças que não conseguem mais ter o apoio psicopedagogo tão presente como antes?

As crianças que apresentam algum déficit ou transtorno relacionado à aprendizagem, inevitavelmente, terão uma maior dificuldade com o ensino remoto. Estas deverão ser acompanhadas mais de perto pelos pais, verificando sempre se os filhos estão conseguindo acompanhar todo o processo escolar. Para essas crianças ou adolescentes, os pais devem apropriar um espaço bem organizado, sem distrações, para que este momento não seja tão difícil. Quem tem condições eu sugiro a contratação de um Pedagogo particular que ajudará muito a criança a se direcionar sem causar muita tensão e ansiedade a mesma.

Como os pais podem orientar e acompanhar o ensino remoto dos filhos?

Como disse anteriormente, a prática do diálogo e compartilhamento de responsabilidades devem ser bem definidos. Uma nova dinâmica deverá ser estabelecida e os pais deverão sempre checar se as atividades e os trabalhos estão sendo entregues. Este momento que estamos vivendo irá exigir mais dos pais nesse sentido. Mas se todos da família estiverem dispostos a colaborar este processo poderá ser enfrentado de uma maneira mais fácil e tranquila para todos.

Para os adolescentes que enfrentam o ensino médio online, você acha que eles demonstram uma dificuldade maior para escolher qual curso irão fazer na faculdade? Se sim, por que?

Esta decisão fora de um confinamento já é delicada para um adolescente. Ele se sente pressionado a escolher uma profissão tão precocemente que irá definir toda a sua vida. Nos processos de Orientação Profissional que faço, percebo neles muita indecisão e angústia quanto a essa escolha. Na pandemia todos os sentimentos se intensificam. Eles relatam que não estão aprendendo comparado ao ensino presencial. Além disso, estamos vivendo um momento econômico com muita instabilidade não só no Brasil, mas no mundo. Juntando todas essas variáveis e o momento da fase que é a adolescência, eles demonstram sim uma maior dificuldade.

Quais métodos podem ajudar no exercício de concentração e desempenho durante as aulas online?

A criança deverá estudar em um ambiente bem organizado para o estudo sem muitas distrações. Um local sem muitos barulhos e o trânsito grande de pessoas que podem atrapalhar o foco, seria o mais adequado. Uma rotina de obrigações e horários que ela deverá cumprir ajuda e direciona melhor a criança, onde ela se sentirá mais segura. Conversar com ela sobre o momento da aula remota ser tão sério como era presencialmente e mostrar a criança o seu apoio, que você estará ali para acompanhá-la e ajudá-la neste processo, fará com que ela se sinta mais confiante.

Um momento do dia ou alguns dias da semana onde a família possa se reunir e interagir, é bastante propício nesse momento. Uma boa dica são os jogos pedagógicos (os de tabuleiro são uma boa opção), porque além de divertir e aproximar todos os membros da família, trabalha o raciocínio, atenção e o foco.

A atividade física é essencial neste momento, pois promove a produção de hormônios que geram o bem estar, facilitando a concentração, além de práticas de relaxamento e meditação.

Já é complicado ter atenção dos alunos presencialmente, online é ainda mais. De qual forma você acha que os professores devem se preparar para dar esse tipo de aula?

Utilizando-se de instrumentos que irão chamar a atenção dos alunos, para que não fique algo tão maçante e monótono. É claro que nesta modalidade de ensino remoto o professor deverá utilizar muito mais da sua criatividade. Vale a pena utilizar muito mais de todos os recursos disponíveis, como efeitos audiovisuais, vídeos mais curtos e interessantes para incentivar a participação dos alunos. Apostar também em adereços bem coloridos, músicas e objetos para representar e associar aos conteúdos de cada disciplina.

Crianças menores costumam ter o primeiro contato com outras no primário. De qual forma você avalia essa falta de troca entre elas? Acredita que isso possa prejudicar alguma relação no futuro?

O contato com outras crianças é indiscutivelmente muito importante no processo de socialização e aprendizagem. Saímos do espaço sólido a que estamos acostumados, para experimentações dentro do espaço virtual. A grande vantagem das crianças é que elas são muito capazes, bem mais que os adultos, a se adaptarem a novas situações. Nós adultos devemos fazer o possível para que esse momento seja a elas e a nós vivido de uma forma mais tranquila. Temos que usar a criatividade através de brincadeiras que podem ser feitas em casa mesmo, promover a interação entre as crianças com os amiguinhos e parentes próximos virtualmente. Esta ação já minimiza os danos causados pelo distanciamento social, e podemos sair disso muito mais unidos e fortes com toda certeza.

Ainda sobre relações interpessoais, você acha que esse isolamento social pode atrapalhar a saúde mental dessas crianças, jovens e adultos?

Se soubermos ajudá-los neste momento, os impactos futuros ao meu ver não serão tão intensos. A criança precisa ser bem orientada e com limites bem claros e definidos, até mesmo para se desenvolver bem psiquicamente. Estamos com uma oportunidade de reinventarmos nossas relações, de fortalecer nossos vínculos. Talvez tenhamos uma geração mais disposta a valorizar os contatos reais e os espaços de integração social. Acredito sim, em uma geração com mais consciência social, empatia e respeito ao próximo.

Como os pais devem agir com as crianças que estão sofrendo com ansiedade neste momento?

Não cobrar demais da criança e levar em conta que esta modalidade de ensino exige muito mais dela. Com muito apoio e transmitindo segurança é fundamental. Conversar com elas que este momento é temporário e que vai passar. Como disse anteriormente, atividade física, relaxamento e meditação podem ser ótimos aliados também. Se os pais perceberem que a criança está sofrendo muito com a situação, o ideal é procurar a ajuda de um profissional capacitado que possa ajudá-la.

O que fazer para amenizar a situação de angústia e sentimento de incapacidade que os estudantes estão sentindo nesse atual momento?

A prática do diálogo e compartilhamento de responsabilidades entre as instituições de ensino e a família também é uma ferramenta muito eficaz para enfrentarmos juntos esse momento o qual estamos vivendo. Escola e família devem caminhar juntas, uma complementando a outra, potencializando assim a aprendizagem. O vínculo e o respeito ajudará muito nesse processo de aprendizagem. Devemos juntos centrar os esforços em estratégias de reflexão que não tem o foco só nos resultados. Dessa maneira estaremos amenizando muito o sentimento de angústia e incapacidade dos estudantes.

 

*Revisão: Italo Charles

**Edição: Daniela Reis