Coronavírus

*Crédito: Freepik

Consultora de Imagem comenta sobre a importância do autocuidado no período de isolamento 

*Por: Italo Charles

A busca por conforto e praticidade ao vestir, tornou-se realidade para muitas pessoas devido ao isolamento social. Em home office, alguns preocuparam em se arrumar para trabalhar, o que de certa forma gerou o aumento na produtividade, em outros casos, pessoas se estabeleciam com seus pijamas ou com os famosos trajes de ficar em casa.

Cuidar da autoimagem e autoestima fazem parte de um processo de construção do indivíduo. A imagem é muito mais que o vestuário, a pessoa pode estar num traje deslumbrante, mas não se sentir bem internamente. 

Em conversa com Consultora de Imagem Marina Seif, profissional da área há 14 anos, a equipe do Contramão abordou os aspectos e importância do cuidado com a autoimagem durante o isolamento social. 

Marina, Qual a importância do cuidado com a autoimagem?

O cuidado com a autoimagem é essencial, pois a autoimagem está diretamente relacionada à nossa autoestima. Não é incomum encontrarmos pessoas que têm uma visão distorcida de sua própria imagem, prova disso são os transtornos alimentares. Em alguns casos, a consultoria de imagem pode ajudar, mas em outros, é necessário um acompanhamento psicológico. No que diz respeito a consultoria de imagem, é fundamental que o cliente esteja satisfeito com o resultado, senão vira fantasia e depois fica difícil de manter o trabalho realizado. 

Neste período de isolamento, muitas pessoas passaram a ter sua rotina de trabalho em home office. Com isso o conforto e praticidade se tornaram primordiais. Algumas pessoas adotaram o pijama para ficar o dia inteiro trabalhando, e outras continuam se arrumando. Dessa forma, como o autocuidado e a ausência em se arrumar podem afetar a imagem após pandemia ?

Os especialistas são quase unânimes em dizer que sim, que isso implica inclusive na sua produtividade e autoestima e eu vou dizer que depende muito da pessoa. Ficar de pijama de segunda a segunda pode não ser muito saudável para nossa saúde mental, mas que atire a primeira pedra quem não trabalhou de pijama nem um dia nesta pandemia.

Acho que o mais importante que trabalhar ou não de pijama é entender o que está por trás desta decisão. É só uma busca por conforto ou essa escolha é resultado de desânimo constante? Essa opção está me prejudicando de alguma forma? Eu estou de pijama, mas estou me sentindo bem? 

Lembrando que imagem vai muito além do vestuário. Não adianta a pessoa estar impecavelmente vestida e com as expressões apáticas, a voz arrastada e a caos instalado no cômodo em que está trabalhando.

Como se adaptar a esse momento de vida sem perder o estilo, seja para somente ficar em casa ou para trabalhar?

Acredito que o segredo está em equilibrar seu estilo pessoal, com a imagem que quer ou precisa passar para quem está do outro lado da tela e, a nova rotina de trabalho em casa. Optar por peças que te façam sentir bem e sejam confortáveis é uma ótima opção. Por exemplo, ninguém precisa vestir terno para trabalhar em casa, se não for uma exigência que você aparece assim nas vídeos conferências, mas estar com a barba feita ou alinhada, uma camisa mais arrumada e o cabelo penteado já fazem toda a diferença.

É importante definir um “look” para o momento de trabalho e o momento de descanso? Quais são os efeitos:

Depende muito do seu trabalho e do que você faz nos seus momentos de descanso. Quanto mais versáteis forem as peças do seu guarda-roupa, maiores as possibilidades delas serem utilizadas na composição de looks para os mais variados momentos.

Sabendo que os espaços como salões de beleza, academia, lojas e centros estéticos não estão funcionando, como os cuidados com a imagem interferem na autoestima e como elevá-la?

As pessoas têm encontrado soluções caseiras e virtuais para suprir essas necessidades e acredito que seja essa uma ótima solução. Essa pode ser também uma ótima oportunidade de reavaliar esses hábitos de beleza que, muitas vezes, realizamos sem questionar se são realmente necessários. Tenho visto um movimento de mulheres que aproveitaram a quarentena para abandonar de vez os alisamentos e as colorações e acho fantástico. Nada contra quem ainda mantêm esses hábitos, mas poder reavaliar isso é muito legal.

É possível dizer que após esse período as pessoas vão passar por um processo de readaptação do “vestir”? 

Precisamos entender, antes de tudo, que o vestir é reflexo do momento pelo qual a sociedade está passando. As pesquisas apontam que haverá uma alteração na forma de consumo de moda, com o impulsionamento da tecnologia e a valorização de marcas locais e com propósito.

Já no quesito estilo, acho que viveremos tendências antagônicas; de um lado a valorização do comfy, que tem sido enaltecido no recolhimento e, do outro lado uma glamourização mais exacerbada, em um desejo de celebração e recuperação do “tempo perdido”. Parece exagero comparar a pandemia com os períodos de guerra, mas ambos foram momentos de crise mundial e o que tivemos após a Primeira Guerra foi a valorização de peças mais práticas e inspiradas no guarda-roupa masculino, enquanto depois da Segunda Guerra Mundial, vieram os anos dourados com o new Look de Dior. 

Quer conhecer mais sobre o trabalho de Marina Seif, acesse o Instagram (@marinaseif)

 

*Edição: Daniela Reis

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Nutricionista e Preparador Físico falam sobre cuidados para manter o corpo saudável 

Por: Amanda Gouvêa e Camila Toledo

A pandemia global do novo coronavírus, fez com que várias pessoas trocassem a sua rotina normal de trabalho pelo “home office” (teletrabalho) e pelo ensino remoto, no caso das universidades. Além disso, essas mudanças também afetaram as formas de lazer e de se exercitar, impactando diretamente na saúde física e emocional de diversas pessoas pelo país.

Muitos estabelecimentos comerciais (bares, restaurantes, academias e afins), estão com funcionamento reduzidos ou fechados, com isso, as pessoas cada vez estão a procura para alternativas de consumo, o que contribuiu significamente para o aumento de pedidos de delivery e, consequentemente, o sedentarismo.

Com o intuito de entendermos as consequências da má alimentação e da falta de exercícios físicos, conversamos com Clara Marcelle, nutricionista que atua na rede pública de Vespasiano, e com o preparador físico da equipe feminina de vôlei do Itambé/Minas, Alexandre Marinho, sobre os impactos e cuidados que devem ser tomados devido ao isolamento social ocasionado pela Covid-19.

Cuidados com a alimentação

Clara, Quais os hábitos que devem ser evitados durante esse período de isolamento social?

CM: Você deve evitar criar “falsos hábitos” Mudar horário do sono, alimentação, trabalho, você mesmo que esteja em casa, tente manter os hábitos e horários, da sua vida habitual antes.

A crise que vivenciamos devido a pandemia da Covid-19 influencia na formação de comedores compulsivos?

CM: O período de quarentena que estamos vivenciado influencia muito na nossa alimentação. Quando estamos em casa e ansiosos nossos hábitos compulsivos afloram, por este motivo é importante tentar manter os horários habituais.

Como se alimentar em tempos de pandemia? Quais alimentos ajudam no fortalecimento da imunidade?

CM: Precisamos ficar atentos a algumas fontes que podem fortalecer nosso sistema imunológico. A vitamina C por pode ser encontrada na acerola, limão, goiaba, caju, laranja, brócolis, pimentão, espinafre, salsinha e tomate. Estas opções podem ser incluídas em saladas, sucos, temperos e consumo in natura. Podemos inserir o Zinco na alimentação através de semente de girassol, abóbora, chia, farelo de aveia, castanhas e nozes – que podem ser adicionadas em vitaminas, sucos, bolos, na preparação de alguma refeição ou consumidas in natura, e carnes em geral. É importante incluir também o Ferro no cardápio, consumindo carnes e vegetais verdes escuros, e Vitamina A, presente nos alimentos alaranjados como cenoura, mamão, abóbora, além de ovos, manga, couve, espinafre, pimentão vermelho, leite e derivados.

Uma boa hidratação é essencial para combater infecções virais, por isso alerta-se para o consumo diário de no mínimo dois litros de água potável evitando assim a desidratação. Lembrando que uma alimentação equilibrada não é cura para o vírus, mas fortalecerá o sistema imunológico.

Com o isolamento social as pessoas tem pedido com mais frequência comida em Delivery. Existe algum tipo de dica pra que isso não afete tanto na saúde das pessoas?

CM: A dica é: se for pedir um Delivery, evite sanduíches, pizzas e outros tipos de massa, dê preferência a pedidos de comidas in natura, frutas, legumes frescos e sucos naturais.

Existe uma forma correta para a higienização dos alimentos?

CM: Sim, a forma correta é: Para cada 1 litro de água, coloque 1 colher de sopa de hipoclorito de sódio (água sanitária), e deixe verduras e legumes imersos nesta solução por 15 minutos. Para produtos embalados, você deve borrifar álcool líquido sobre as embalagens lacradas. Nunca faça isso com embalagens abertas. Caso prefira usar álcool em gel, você deve adicionar um pouco do álcool em um pano limpo e passar sobre toda a embalagem.

Cuidados com o corpo

Alexandre, em meio ao isolamento social devido à pandemia de Covid-19 muitas pessoas só estão saindo de casa em casos muito necessários, então, até atividades simples praticadas no dia-a-dia – como subir escadas no trabalho ao invés de usar o elevador e preferência à caminhada ao percorrer distâncias curtas, por exemplo – foram paralisadas. Como as pessoas podem inserir atividades em seus cotidianos sem sair de casa?

Hoje a gente tem várias opções, os profissionais estão cada vez mais criativos e estão elaborando treinos de acordo com as coisas que as pessoas têm em casa: é possível transformar toalhas em TRX – que é um treinamento de suspensão – amarrando na porta, por exemplo, e (utilizar) principalmente o peso corporal que, com a criatividade de quem está prescrevendo, a gente consegue variar bastante o tipo de estímulo: pranchas, puxadas, flexões de braço, agachamentos são alguns dos exemplos que conseguimos fazer em espaços bastante limitados. É a criatividade de quem prescreve (os exercícios) que vai mandar, pensando também na individualidade para conseguir ajustar essas cargas em função da demanda da pessoa

Qual a importância da mobilidade para quem está trabalhando em home office?

AM: A mobilidade e a flexibilidade são alguns dos pilares do treinamento em casa no período de pandemia, então é fundamental que a pessoa se preocupe com esse tipo de exercício porque a tendência é ficarmos cada vez mais parados. Muitas pessoas estão casa, então os deslocamentos são pequenos e as atividades do dia-a-dia estão cada vez menores.

Quais prejuízos de se ficar muito tempo sentado em uma única posição?

AM: Nada que é exagerado é bom, então ficar na mesma posição pode gerar dores nas pernas, na região lombar, na região torácica. Manter uma mesma posição durante muito tempo é prejudicial em relação à dor e obviamente ao ficar muito tempo sentado você diminui ainda mais o gasto calórico. O ideal é, mesmo dentro de casa, se locomover o máximo possível.

Quais os efeitos do isolamento no corpo de um atleta com a paralisação das atividades dos clubes? E nas pessoas não atletas, qual a diferença?

AM: O atleta tem várias demandas físicas, a qual depende da modalidade. Independente de qual esporte é praticado, as perdas são muito grandes: força muscular, potência, agilidade, velocidade, além de mudanças ruins na composição corporal, ou seja, ele tende a perder massa magra e ganhar gordura. Isso porque o tipo de estímulo que a gente dá em casa está longe de ser o estímulo que ele, o atleta, trabalha no clube com disponibilidade de equipamentos, com a intensidade do treino.

Nós não conseguimos reproduzir isso de uma forma ideal para a demanda de um atleta. Uma pessoa normal, como ela não tem a mesma demanda, tem perdas um pouco menores, mas elas existem também. Se você para de treinar, começa a se alimentar mal – e a tendência é comer mais. Assim, a composição corporal vai variar de uma forma muito ruim, então temos que estar atentos a isso.

O Minas Tênis Clube têm realizado lives no instagram e preparado vídeos no Youtube com exercícios físicos instruídos por seus profissionais de cada área. Qual a importância disso nesse momento?

AM: A importância dessas lives nas redes sociais é minimizar essas perdas que vão ocorrer, não tem jeito, o período é muito extenso. No vôlei feminino, por exemplo, eu dou férias de inatividade de uma semana apenas para as atletas, já estamos estendendo muito o tempo. Se não fizer nada, a perda é muito grande. Então, a ideia dessas lives é minimizar as perdas das capacidades físicas e, no caso das atletas, prepará-las para retornar em uma condição melhor.

Quais os perigos de se fazer um exercício sem a instrução devida de um profissional?

AM: A pessoa adequada, para instruir os exercícios, é o profissional de educação física, porque ele organizará a sua demanda, seus problemas e eventuais lesões. Não recomendo as pessoas pegarem vídeos de blogueiros, porque, estes podem fazer coisas erradas e passando treinos sem ver quem está do outro lado, perdendo a orientação. Fazer qualquer coisa é melhor do que nada? Nesse momento, sim. A orientação é mover-se, mas com cuidado. Temos muitas opções tecnológicas para um preparador físico ou um personal trainer conseguir, virtualmente, ajudar. Não é o ideal, mas conseguimos ajudar sim.

Como está trabalho com as atletas do Minas? Quais as recomendações e dicas você e sua equipe estão passando para as jogadoras?

AM: No momento, não só para as atletas, mas para a população em geral, a gente tem que se exercitar, mas é preciso alguns cuidados. Não é a hora de fazer exercício extenuante, em altíssima intensidade ou exercício muito prolongado. A gente sabe que o nosso sistema imunológico pode sofrer e não é a hora dele estar debilitado.

Exercícios moderados a moderado intenso são mais curtos, via de regra hoje eu recomendo em torno de 45 minutos – talvez um pouco mais, um pouco menos, mas por volta disso. Esse é o principal recado que eu passo para as atletas porque elas acham que, como está parado, tem que se dedicar ao máximo e não é bem assim. Tem que se dedicar fazendo o que é para ser feito, mas com os devidos cuidados. Elas vêm treinando, algumas tem a estrutura própria que facilita (as atividades), e eu personalizo o treino, mando vídeos explicativos com as todas as variáveis do treinamento e, pra quem não tem estrutura, eu passo um treino com peso corporal, utilizando o menor espaço possível. Tudo isso dentro da base que eu disse, que é estimular o gasto calórico, diminuir as perdas das valências físicas, de potência, de força. Então é um pouco nesse sentido.

 

 

*A entrevista foi revisada por Italo Charles e Daniela Reis

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*Por Jéssica Oliva

Ao me levantar, pela manhã, sinto como se fosse uma borboleta, em suas fases até a libertação. A rotina se torna rotina, a janela do quarto continua sendo uma janela. E o sol das dez? Ele nunca será o mesmo. A cada dia que passa, o Sol tem características alteradas. Posso sentir quando ele exala tristeza, ou alegria. Em tempos de pandemia, o Sol tem ficado tão, mas tão quente!, que chega a rachar a minha pele.

Antes, eu corria para vê-lo entrando pelas frestas de minha janela, logo ao amanhecer. Sentia o vapor na minha pele, e logo me deitava diante dele, para me sentir melhor. Hoje, só tenho corrido para sair do quarto, sair da sala, sair do banheiro, pois tudo tem sido tão monótono que não consigo me movimentar como antes. A mistura de sentimentos aparece, as crises são expostas por sensações de desespero e inquietação, e o medo toma conta do meu Sol. Não posso sair à rua, não posso me movimentar. Às vezes, não consigo nem respirar.

Já não sei como me sinto. Os quatorze dias já viraram cem. Minha alma foi roubada, assim como meus sentimentos, minha disposição… Tenho me sentido como um objeto. O quarto fica escuro, o sorriso já não vem mais, e a vontade de sentar numa mesa de bar, e pedir uma cerveja, também já não existe. Por onde anda toda essa vontade, se não tenho sequer um minuto para abraçar meus entes queridos? Esqueci a sensação do abraço, do apego, do desapego, de estar ou não apaixonada. Tudo isso me foi tirado. Já tentei convencer o Sol de sua beleza estonteante, já lhe disse o quão importante é. Meus cabelos brilhavam, ao me pôr de frente para ele; meus olhos reluziam, ao ver raios de luz atravessando as ruas, os comércios, e a minha casa.

O vento já não vem mais, o frio chega devagar, atravessa as paredes das casas e arrepia a pele. O sentimento de perda chega a ser indolor, quando a dor já nem se é sentida mais. As valas são cavadas como buracos nas plantações de flores, a luz amarela, que vem do céu, já não reluz e reflete nos esquifes expostos ao chão. A terra é derramada junto às lágrimas de saudade. Os minutos parecem horas, e o adeus se torna, apenas, a Deus. Milhares de perguntas são feitas, e minha cabeça já não absorve sequer a soma de um mais um. A história fica, literalmente, no passado; mas e daí? Talvez, meu corpo atlético sobreviva a toda essa experiência obrigatória; talvez, eu tenha que derramar mais lágrimas para o Sol voltar.

A falta é tão grande que, quando escuto o som do famoso “Money”, a cabeça vibra e a verdadeira aglomeração começa. Talvez, eu precise viajar cinco mil quilômetros para escutar esse som tão esperado e almejado. Às vezes, fico parada na janela do quarto, e sinto que estou vivendo como no “Mito de Platão”: me sinto em uma caverna, mas a única diferença é que posso ver as pessoas falando comigo, através da TV ou do rádio. Todos falam sobre o Sol, e sobre quando ele voltará. A idealização da liberdade vai e volta de meus pensamentos. A perna chega a tremer em pensar. A sensação deve ser maravilhosa, mas ainda não sei dizer qual é. O tempo vai se fechando e a única certeza que tenho é de que os raios de luz não entrarão por minha janela tão cedo. As máscaras não cairão, e eu ainda estarei presa por uma grade, que me separa das ruas e do meu Sol das dez.

Meu cabelo não vai brilhar, meu corpo não vai se tornear, minhas unhas não crescerão, meu sorriso não vai se abrir espontaneamente, mas sei que uma vida vai ver a cor dourada que nasce todas as manhãs, vai respirar, vai gritar, sorrir, abraçar, amar, gostar e desgostar. Essa pessoa vai acreditar na liberdade, na pureza da vida, usará máscaras e álcool em gel, vai se preocupar com o próximo, e vai se doar em prol de outras vidas.

A vida não é uma peça do quebra-cabeças, mas também não é um leite derramado. A vida é importante para quem respira, grita, chora. Talvez, seja importante para mim, mas gostaria que fosse importante assim como uma flor que nasce, um bebê que chora, uma idosa que sorri. E como o Sol que entrava, todo os dias, pela minha janela.

 

 

*A crônica foi produzida sob a supervisão do professor Maurício Guilherme Silva Jr.

 

 

 

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*Por João Paulo Rocha

Com a proibição de shows e eventos, que causam aglomerações de pessoas, muitos cantores, dos mais variados estilos, investem em lives, feitas, principalmente, em seus canais no YouTube. Nesta época de shows ao vivo via internet, os cantores sertanejos têm se destacado: além de apresentar seus maiores sucessos, têm feito um trabalho social importantíssimo, em período economia “fechada”.

Na maioria da lives sertanejas, capazes de atingir milhões de espectadores, além de cantar, os artistas arrecadam milhares de doações para projetos sociais, como cestas básicas, frascos de álcool em gel, mascaras e diversos outros insumos indispensáveis durante a pandemia. Os shows são patrocinados por grandes marcas, e alguns festivais, que reúnem várias duplas e cantores, fizeram versões online, da casa dos músicos, de modo a que todos sempre mantenham o isolamento recomendado pelas autoridades de saúde.

Certos artistas, porém, têm sido criticados nas redes sociais, pelo excesso de bebida e de espontaneidade que demonstram durante as apresentações. Alguns chegam a ficar completamente embriagados, o que chamou a atenção do Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária (Conar), que abriu processos, contra eles, por suas atitudes.

Em partes, o órgão está certo ao obrigar os artistas a alertar, durante os shows, sobre a venda de bebidas para menores de 18 anos, e sobre a importância de não dirigir se tiver bebido. Contudo, obrigar os sertanejos a parar de beber durante a realização da live, sob o risco de suas apresentações serem derrubadas, é uma atitude, no mínimo, desnecessária, pois eles irão beber de toda forma.

Para além de levar música e entretenimento a quem está de quarentena em casa, inúmeras pessoas têm sido beneficiadas, por causa das numerosas doações e da solidariedade deles. Particularmente, não me importo com o tanto que bebem durante as lives, desde que incentivem a moderação e digam não ao consumo de menores de idade e de quem for dirigir. No mais, podem beber o quanto acharem necessário, pois estão em suas casas, são maiores de idade e responsáveis pelo que fazem.

Por fim, a espontaneidade que demostram é importante para a diversão que tanto buscamos neste isolamento social. Independentemente da bebedeira, os sertanejos têm dado um show de solidariedade e entretenimento, fazendo-nos esquecer, mesmo que por alguns momentos, da complicada situação em que estamos.

 

*O artigo foi produzido sob a supervisão do professor Maurício Guilherme Silva Jr.

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*Por Dara Alamino

Domingo, 05 de julho.

Na verdade, já são 06, 1h05 da madrugada.

Hoje, tirei aquele característico cochilo das tardes de domingo da tradicional família brasileira. A última vez em que fiz isso? Sinceramente, não sei. Dormi tão de mau jeito que meu ombro esquerdo está doendo bastante. Com qualquer mínimo movimento, meu pescoço faz questão de me lembrar de todos os nervos que passam por ele.

Acordei com a boca aberta, sem noção de qual horário é e de onde estava. Demorei alguns segundos para me localizar, e demorou pouco tempo para que percebesse que eu sentia, no braço, uma das piores câimbras da minha vida. A sensação era terrível: muita dor e um incômodo surreal.

Dava pra ver como as tranças marcaram muito minha pele, e, sem querer, algumas ficaram enroladas em meu pescoço. Um dia, isso ainda vai me matar sufocada. Ao mesmo tempo em que sentia a dor e o incômodo, não conseguia, de jeito nenhum, fazer com que meus braços se movimentassem de acordo com os comandos dados por meu cérebro.

Demorou alguns minutos para que eu conseguisse fazer pequenos e superdoloridos movimentos.

Por ter dormido de dia, agora à noite, não estou com tanto sono, como de costume. Normalmente, sou muito boa em dormir em menos de dois minutos após me deitar. Lembro-me de ter almoçado com a minha família, um almoço tradicional, regado a vinho, caipirinha e cerveja. É um costume, e quase uma regra, para nossos almoços de domingo. Depois dele, vim ao quarto e fiquei um pouco na janela, a sentir o ventinho frio e a pensar em vários nadas, em absolutamente nada.

O bairro onde moro se chama Heliópolis, e é conhecido como “a cidade dos ventos”. Dizem, por aí, que “hélio”, em grego, significa “ventos”, e que “polis” quer dizer “cidade”. Isso explica por que venta tanto aqui. Contudo, nunca apurei, ao certo, esse fato. 

A ideia de pegar o computador, a essa hora da madrugada, veio quando saí da janela e fui para a frente do espelho. Fiquei um bom tempo me olhando de corpo inteiro, e com vários pensamentos. Pensamentos aleatórios, impossíveis de escrever na ordem cronológica.

Pensei no quanto amo minhas tranças, extremamente longas, e no quanto amo o fato de elas terem me libertado de um padrão estético absurdamente prisioneiro. Pensei nas prisões que ainda hoje carrego.

Pensei no quanto amo ter um namorado na quarentena. Pensei no quanto engordei desde que fui obrigada a me isolar em casa, após perder um emprego no último ano de faculdade. Eram 10 kg a menos, que ficam bem nítidos em fotos antigas. Pensei no quanto o “interno” pode se refletir no “externo” – mas observei bem as marcas, cicatrizes e tatuagens que já fiz ao longo da vida. Lembrei de muitas coisas que já passei e passei. 

Pensei no quanto, hoje, tenho consciência de não me prender em padrões estéticos, mesmo que me incomodem, muito, meus quilos a mais. Aliás, foram resultados de dias de desequilíbrio, o principal fator com o qual devo me preocupar.

Pensei no quanto acho meu corpo bonito, mas buscando defeitos, e não qualidades, em fotos que tiro, e em roupas que uso, principalmente, as muitas que já não servem mais.

Pensei, também, que tenho feito atividades físicas em casa, e me alimento melhor. Penso, contudo, se o faço para meu bem-estar, ou se, na verdade, seria para tentar, mesmo que inconscientemente, ter aquele corpo antigo,.

Pensei no quanto cresci como mulher. Pensei, também, no quanto é forte saber que já sou uma mulher, e não uma menina que sonhava muitas coisas, mas, ao fim, sabia que não iria conseguir conquistar nem metade.

Pensei no quanto essa menina estava enganada e, hoje, coleciono experiências que nunca imaginei viver.

Pensei se a menina de 10 anos atrás realmente teria orgulho da mulher de hoje, ou se iria se decepcionar pelos “ene” planos que não deram nada certo ou pelas “ene” vezes em que fiz papel de trouxa.

Pensei no quanto tenho muitas coisas a fazer de faculdade, mas não consigo ter energia, vontade e cabeça para tal.

Pensei no quanto estou com (muito) medo real de morrer nessa quarentena.

Pensei no medo de perder alguém que amo para esse coronavírus.

Pensei no quanto senti a falta de meus amigos nessa quarentena. Mas pensei, também, no quanto não ando tendo paciência para ficar nas redes sociais, para dialogar por WhatsApp ou realizar qualquer outra interação digital.

Enfim (pela segunda vez no texto, este enfim!)…

Deu para pensar em muita coisa, em um intervalo de pouquíssimos minutos me olhando no espelho. O silêncio da madrugada e a solidão da quarentena têm despertado diversos sentimentos e humores em mim.

Os pensamentos estão a mil! Mas sabe no que pensei agora? Por que, à tarde, não tiro outros tantos e tantos cochilos?

 

*A crônica foi produzida sob a supervisão do professor Maurício Guilherme Silva Jr.

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*Por Caio Adriano Martins Leite

Com essa epidemia, a cidade parou, muitas pessoas respeitam a orientação da OMS e não estão saindo de casa. Neste novo momento, a natureza aproveita para tomar conta do que é seu, e metrópoles estão cada vez mais verdes, trocando, de vez, o tom cinza do dia a dia.

Muitos não têm a sorte de poder ficar em casa, de quarentena, por vários motivos. Há aqueles, porém, que preferem dar sua “voltinha” matinal. Crianças brincam na rua, como se estivessem nas férias de julho; idosos, do grupo de risco, tomaram coragem, nunca vista antes, de sair as ruas.

Em meio ao silêncio predominante nas metrópoles, os animais tomaram as rédeas das coisas. Ouvimos cantos de sabiás, canarinhos, avistamos pica-paus e muitos outros pássaros, que sequer conhecemos. Tais cantos perduram durante todo o dia, e é como se dissessem: “Obrigado”. Árvores, como ipê e mangueira, florescem à moda da primavera, e é possível vê-las, durante o dia inteiro, lotadas de pássaros, que cantam como se tivéssemos em um show lírico, ou melhor, no show dos pássaros. É o grande espetáculo da natureza.

Os cachorros e seus donos estão, a cada dia, mais entrosados. Pets, que antes ficavam sozinhos em casa, agora, saindo ao menos três vezes ao dia. Vejo os donos com mais empatia, uma vez que entenderam como é ruim ficar em casa o dia todo. Parece engraçado, mas, hoje, somos nós que usamos “focinheira”.

Casais passaram a ter mais paciência com seus parceiros(as). Agora, além de viver juntos, trabalham juntos. Diálogo, neste momento, é muito importante. No entanto, descobriu-se que respeitar o espaço do outro é primordial. Famílias estão se redescobrindo, e mudando a forma de conviver diariamente. No final das contas, esta epidemia trouxe união jamais observada.

As ruas, à noite, ficam lotadas pelo vai e vem das motos que entregam comidas. Tal serviço, agora, é fundamentao às famílias, que pedem comida por aplicativos. Ir ao supermercado é algo raro, algo a ser feito, por muitas pessoas vão, de 15 em 15 dias. Tudo isso para diminuir o risco de contágio. O consumismo desacerbado também diminuiu, pois descobrimos que é a hora de manter o controle de tudo. O medo das pessoas, que não têm certeza se terão emprego amanhã, fazem-nas gastar menos.

O novo momento em que vivemos nos faz refletir. Será que, realmente, o mundo estava no caminho certo? Sairemos pessoas melhores desta epidemia. É o momento de se pôr no lugar do outro e rever conceitos. O mundo caminha para uma grande mudança.

Uma frase que se encaixa no contexto em que vivemos é a do grande escritor Alvin Toffler: “Os analfabetos desse século  não são mais as pessoas que não sabem ler e escrever, mas, sim, aqueles incapazes de aprender, desaprender e aprender de novo”.

Acredito que, em 2020, a sociedade, como um todo, terá que exercer o hábito de desaprender, com certa propriedade. Desaprender conceitos que nos trouxeram até aqui. Claro que a gente há de valorizar o que funcionou, e deu certo. É preciso, porém, desaprender um pouco, deixar verdades de lado, e abrir espaço, em nossa cabeça, para aprender conceitos novos. Afinal, está muito claro que o que nos trouxe até aqui não será o que nos levará à frente. Então, é preciso ser humilde o suficiente para entender que tudo o que sabemos tem prazo de validade, e teremos que abrir nossa mente, sempre, para coisas novas.

Teremos que, antes de tudo, sermos resilientes, e entendermos que nada será como antes. A covid-19 mudou nossas vidas para sempre, e o mais correto é preparar-se para o que vem por aí.

Qual o possível cenário, logo após a pandemia? O Biólogo Átila Iamarino foi bem feliz ao dizer: “Mudanças que o mundo levaria décadas para passar, que a gente levaria muito tempo para implementar voluntariamente, estão sendo implementadas no susto, em questão de meses”.

Em tão pouco tempo, tivemos que reinventar a forma como trabalhamos, convivemos e lidamos com outras pessoas. A palavra-chave é empatia. Tudo, ao final, se resume a isso.

 

*O artigo foi produzido sob a supervisão do professor Maurício Guilherme Silva Jr.