Coronavírus

0 442

Por: Ana Flávia da Silva

O barulho do ventilador ecoa por todo o quarto. Chato, o som reverbera em minha mente confusa e faz com que eu volte à realidade. Estamos enfrentando uma pandemia. Gostaria mesmo de voltar, àquele tempo em que podíamos sair às ruas sem máscaras, sem nos preocuparmos em ficar a um metro de distância das pessoas, sem sentir falta de ar e, instantaneamente, pensar: “Será que fui infectado?”.

Quando saí à rua pela primeira vez, depois de duas semanas em casa, fiquei em choque. Naquele momento, percebi que o mundo em que vivíamos já não era o mesmo: poucas pessoas nas ruas, olhar de espanto e medo notório nos diversos rostos cobertos por máscaras. Agora, já me sinto acostumada com o momento atual, e creio que também outras pessoas. O sentimento de impotência, tristeza e medo, porém, continua o mesmo.

Meu bairro, sempre silencioso, ficou ainda mais. Só se ouve o barulho dos pássaros e dos pouquíssimos carros que circulam. Na verdade, o ruído que causa mais incômodo vem de dentro. Todos os planos cancelados, viagens suspensas, reencontros adiados… e a mente tentando lidar com os diversos acontecimentos; no caso do Brasil, a bagunça é generalizada, o que gera um misto de emoções a nos atormentar, dia e noite.

Hoje, saí à rua pela segunda vez. Fiquei em choque com o tanto de pessoas a circular nos espaços públicos. Chamou-me atenção um senhor de idade, que costuma ficar sentado, numa cadeira de plástico branca, à porta de sua casa. Sempre que passo por lá, ele está assim. Dessa vez, não foi diferente: permanecia lá, sentadinho, mas com uma máscara no rosto. Apesar de correr perigo, ninguém se atreve a tirá-lo dali. Com olhos tristes, observa o movimento, sem esboçar reação.

Acredito que todos estejam um pouco como esse senhor. Observamos os dias e as horas passarem, desacreditados da nova realidade. Fazemos nossa parte, e a vontade de voltar à vida “normal” é enorme, mas os números sobem desenfreadamente. Fica difícil acompanhar e prever quando tudo vai voltar.

Milhares de pessoas já morreram pela Covid-19 no Brasil e no mundo. As notícias são atualizadas a todo momento. O que me chateia é a falta de empatia de muitos cidadãos. Com tanta gente morrendo, há aqueles que se recusam a seguir as orientações recomendadas pelos órgãos de saúde. O vírus tem altos níveis de contágio e, ao sair na rua sem necessidade, participar de festas, e não usar máscara, pode-se prejudicar inúmeras pessoas, além de nós mesmos.

É o momento de ter consciência e empatia pelo outro. O silêncio de certas das autoridades brasileiras, diante de tal fato, também me intriga. Acredito que o respeito ao próximo deveria começar pelas pessoas encarregadas de nos representar. O poder público tem pecado nessa parte. O momento é de se ajudar, de reconhecer os erros e de lutarmos contra o vírus que assola a população mundial.

Olhar para o futuro nos leva a sentir medo. Como será a vida pós-coronavírus? Antes, tínhamos pensamento positivo. Hoje, não sabemos quando será possível abraçar aquela pessoa, ou quando poderemos aproveitar um show do artista de que gostamos. Além disso, há preocupações muito maiores, como a tão temida recessão econômica. Como estará o país daqui a um ano? Só o tempo será capaz de responder à pergunta.

Se, em 2019, me contassem que a vida, agora, seria assim, eu teria aproveitado para ter bastante contato físico com as pessoas que amo. Teria saído mais de casa e iria valorizar cada momento ao lado dos meus amigos. Afinal o amanhã é incerto, principalmente, nas condições atuais. O fato é que ainda não acabou, e é muito triste pensar nisso. Espero que tudo passe logo.

Queria não ter escutado o tal barulho do ventilador e continuar a viver no meu mundo. Aqui, podemos abraçar as pessoas que amamos. A alegria é genuína, a rotina é um presente. Neste mundo, as festas são permitidas, assim como as aglomerações. Podemos sair livremente às ruas, e nosso único medo é o de não aproveitar a vida de todas as formas possíveis. Vivemos como se não houvesse amanhã, mas na torcida para que o sol nasça novamente – e que, então, possamos repetir as doses de alegria.

 

*A crônica foi produzida sob a supervisão do professor Maurício Guilherme Silva Jr.

0 326
Foto: @fabi_photografia

Por Amanda Gouvêa

Em meio à crise gerada pelo novo coronavírus, ações de apoio às pessoas mais afetadas parecem cada vez mais comuns, e o termo solidariedade tem sido levado a outro patamar. Movimentos sociais e pessoas que já agiam em outras circunstâncias, intensificam suas atuações, e chegam, de forma mais rápida, àqueles que mais precisam.

A instabilidade no país, aliada à Covid-19, levou, no primeiro trimestre deste ano, 1,2 milhões de pessoas ao desemprego, cuja taxa atingiu a marca de 12,2%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Tais números trazem à tona a desigualdade e a crise econômica que já assolava o Brasil. Pessoas em situação de rua, desempregados, trabalhadores informais, microempresários e tantas outras pessoas, sofrem, de forma efetiva, os impactos gerados pela pandemia, que causa perdas em diversos setores e serviços.

A distribuição de alimentos, a fabricação de máscaras e as doações de produtos de higiene pessoal, são ações solidárias, que se multiplicam pelo país, na tentativa de amenizar os impactos gerados pela crise. “Muitas pessoas que pagam aluguel estão sem trabalhar, lutando para sobreviver, com ajuda do próximo”, comenta Luana Moreira, que há quatro anos, atua por meio do Projeto do Bem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

O projeto, neste momento, visa garantir o básico às famílias mais carentes, o alimento. Para isso, tem contado com a rede colaborativa e solidária, criada pela situação atual. “Graças a Deus, as pessoas estão mais solidárias, mais preocupados com o outro. Temos visto outros projetos que também entregam cestas básicas”, acrescenta Luana.

Música ao vivo

Além dessas atuações, o que tem tomado as plataformas digitais são as lives, que acumulam grandes números de arrecadações e views, ao unir variados estilos musicais.

Com mais de oito mil shows cancelados ou adiados, em 21 estados brasileiros, segundo dados levantados pelo Data Sim em março, as transmissões têm sido uma forma de conscientização para que as pessoas fiquem em casa. Além disso, servem para divertir o público e levantar doações a instituições e famílias de todo o Brasil.

No ver do músico Felipe Santos, o período de quarentena afetou, diretamente, o setor musical. Com a falta de eventos, fonte principal de quem trabalha no meio, muitos músicos passam por impasses. “Os eventos são nossa fonte de renda. Sem eles, não temos renda. Tentamos organizar outras coisas, mas torcemos para isso passar o mais rápido possível. Precisamos trabalhar”, explica.

O cantor também destaca que aderiu às transmissões ao vivo: “Havíamos feito outras lives pelo Instagram. Tivemos, então, a ideia de fazer algo grande, que pudesse ajudar pessoas. Pretendemos fazer outra, mas ainda não há nada certo. Muitos companheiros de profissão passam necessidade. Músicos não têm como gerar receita sem eventos, e pensamos em fazer algo para auxiliá-los”.

Para o produtor de Felipe, André Mota, a inspiração para a live vem de outros grandes nomes, que fazem, nas telas, há mais de um mês: “Nós nos inspiramos em lives de grandes artistas. Vimos que, na região, muitas pessoas precisavam de ajuda. Resolvemos, então, explorar a boa popularidade do Felipe para fazer um grande projeto beneficente, além do registro de uma grande apresentação, no dia do aniversário da cidade de São José da Lapa”, conta.

0 455
Dra Izabela Reis, médica da família, conversou com a equipe do Contramão

Por Jéssica Oliveira

A pandemia do novo Coronavírus fez com que o número de pacientes internados aumentasse a ponto de sobrecarregar o sistema de saúde brasileiro, com o número de casos subindo diariamente e os casos de óbito que já ultrapassam 45 mil, locais com maior risco de contaminação. No entanto, os médicos, que estão na linha de frente na luta contra a COVID-19 afirmam que a procura por atendimento em casos crônicos ou atendimento de urgência diminuiu significativamente, em razão do risco de contágio.

Porém, a endocrinologista e médica da família, Izabela Reis, explica que em caso de doenças crônicas ou de sintomas incomuns e inesperados de outras enfermidades é necessário o acompanhamento regular e até mesmo a busca por atendimento em unidades de urgência. A medica também nos conta sobre os perigos da automedicação. Confira a entrevista completa com a prossional da saúde.

Qual a orientação para pessoas que fazem acompanhamento médico por doenças crônicas como problema de pressão e diabetes?

Portadores de doenças crônicas são considerados de risco para complicações provenientes da infecção pela COVID-19. Portanto, estes pacientes devem estar com a doença sob controle. Ou seja, devem manter o uso das medicações de forma regular como prescrito pelo médico e aliar à alimentação saudável. Sempre que possível, devem aferir a pressão arterial (caso possua aparelho em casa) e a glicemia capilar para acompanhar os níveis de açúcar. Se estes parâmetros estiverem fora dos valores normais e caso tenham dúvidas ou aparecerem outros sintomas, devem entrar em contato com o médico responsável.

Caso seja necessário uma consulta, e esta ocorra de forma presencial, o paciente deve assegurar de que há restrição do número de pessoas circulantes naquele local e ter todos os cuidados básicos como uso de máscara, evitar levar acompanhantes, manter distância de dois metros de outra pessoa e lavagem das mãos. É importante ressaltar que o CFM (Conselho Federal de Medicina) autorizou a Teleconsulta, ou seja o Médico está autorizado a realizar consultas via internet, sendo uma excelente opção neste momento para a segurança de todos. O que não pode é este paciente ficar com sua patologia fora de controle.

Quais as consequências de um paciente que se automedica e adia um diagnóstico, ao invés de procurar um hospital por receio de se expor ao risco da Covid?

A automedicação é perigosa, pois podem surgir efeitos colaterais indesejáveis, além do risco de mascarar sintomas que possam se manifestar para um diagnóstico médico correto. Não podemos esquecer que além do COVID-19, todas as outras doenças continuam existindo e devemos cuidá-las para evitar o possível agravamento e para não piorar ainda mais a superlotação hospitalar neste momento de pandemia. Caso o paciente apresente sintomas que coloquem sua vida em risco, deve procurar um serviço de Pronto Atendimento, caso contrário deve procurar um agendamento ambulatorial ou procurar o posto de saúde mais próximo para a orientação correta.

Até que ponto é adequado evitar ir ao hospital nessa pandemia?

Deve-se evitar sim ir ao hospital durante a pandemia desde que não esteja em risco iminente de morte ou não tenha alterações dos sinais vitais. Quando for possível aguardar uma consulta agendada, este é o melhor caminho. Então “o que são sinais vitais”? São os indicadores das funções que nos mantém vivos como frequência cardíaca, frequência respiratória, pressão arterial e temperatura. Por exemplo, queda importante ou aumento excessivo da frequência cardíaca mesmo que em repouso; dor no peito; dificuldade para respirar; pressão arterial alterada mesmo com uso de medicação regular; febre alta refratária aos antitérmicos; e perda da consciência são motivos para procurar um Pronto Atendimento. Lembrando que traumas e fraturas também não devem postergar uma avaliação médica imediata

Com a estrutura das unidades básicas de saúde, qual suporte elas podem dar ao paciente evitando o contato com o hospital?
A estrutura de cada unidade básica varia de região para região. Algumas mais equipadas possuem medicações básicas orais, venosas e até mesmo exames disponíveis, outras possuem somente o médico e/ou enfermeiro, que sozinhos não conseguem tirar ninguém de uma situação de risco iminente à vida. Mas de modo geral o acompanhamento de doenças crônicas, crises hipertensivas, dores leves a moderadas, febre leve a moderada, diarréias, amigdalites, otites são patologias bem guiadas pela Unidade básica de saúde.

Um paciente que suspeita estar com Coronavírus deve recorrer ao hospital assim que perceber os sintomas?

Não. O paciente com suspeita de COVID-19 deve permanecer em casa fazendo repouso em isolamento. Só deve procurar o Hospital caso tenha falta de ar, febre que não melhore após uso de medicação e alteração do nível de consciência. Devemos lembrar que estamos numa época do ano favorável à outras doenças respiratórias, o paciente pode não estar contaminado pelo novo Coronavírus e acabar contraindo numa ida indevida ao Hospital. Outro ponto importante é que ainda não temos tratamento para a COVID-19, então não adianta correr para o hospital caso o paciente tenha somente sintomas leves.

 

Lembra-se: É indispensável o uso de máscara, a higienização constante das mãos com água e sabão ou álcool em gel, trocar de roupa e tomar banho imediatamente ao retornar para a casa e higienizar objetos como óculos e celular.

 

 

*A entrevista foi produzida sob a supervisão da jornalista Daniela Reis.

0 220

*Por João Gabriel

O planeta passa,talvez, pela pior crise humanitária de toda a história. Há muito tempo não se via algo de proporções parecidas: instabilidades sociais e econômicas se manifestam, diferenças de ordem política se afloram, enquanto o número de mortes pela Covid-19 se multiplica de forma aterradora, mundo afora. Período este, que pode ser facilmente associado a tempos de guerra.

O surto começa a explodir na China, em dezembro passado, e se alastra para o resto do mundo numa velocidade sem precedentes. Em meio ao caos, teorias conspiratórias ridículas começam a surgir e a ser propagadas por pessoas, em tese, desinformadas – ou,muitas vezes, fundamentadas em discursos, e a esbanjar suposta “sabedoria”, tão ilógica quanto asquerosa.

Confesso que chego a ficar quase incrédulo, ao ver afirmações, no mínimo, imbecis, como: “Isto é invenção da mídia”, “ Os chineses criaram este vírus para instaurar o comunismo no mundo”, ou outras sandices tão hilárias quanto trágicas. “A mídia está focada em estabelecer o terror nas pessoas, para desestabilizar o Bolsonaro”.

Por falar em Bolsonaro, que tal a infame pérola profanada por este ser: “Temos que encarar este vírus como homens, não como moleques. Pessoas vão morrer, mesmo”. Isto, para mim, evidencia o quanto estamos órfãos de representantes que tenham, como premissa, trabalhar para o bem-estar e a melhoria para todos. De um cidadão que deveria zelar pelos interesses de todos os segmentos de uma sociedade tão plural como a nossa, e não em prol da desordem e da desinformação do povo, ao disseminar fake News aos montes.

Que o diga o estímulo à automedicação, com a divulgação da cloroquina  como cura do coronavírus, de modo que Bolsonaro age tal qual um moleque, inconsequente e mal compreendido. Como se não bastasse a postura perigosa e autoritária do presidente, aplaudida e endossada por militantes, que, dentro das bolhas do fanatismo cego e patológico, apoiam, incondicionalmente, seu adorado “mito”.

Somos obrigados a conviver com a figura máxima da representação do país a instigar a violência contra repórteres, a minimizar a classe científica. Há ainda, pasmem! agressões a profissionais de saúde, que atuam, de forma altruísta e em condições desumanas, na linha de frente, ao combater a doença em hospitais, às vezes, sem estrutura, seja de equipamentos, seja de respiradores e EPIs.

Somos bombardeados, quase diariamente, por tais declarações, mesmo que estejamos diante um cenário cada vez mais assustador, em virtude de uma pandemia, com a restrição de nossos afazeres comuns e do convívio social. A crescente curva de contágio por um vírus altamente agressivo, em escala global, resulta em mortes aos montes, e, ainda, colapso dos sistemas de saúde e funerário, como no caso do Equador, e mesmo estados brasileiros, como Amazonas, Pará, Ceará e São Paulo. É real possibilidade de o Brasil se tornar o epicentro da doença no mundo.

A tragédia só não está maior graças aos governadores e prefeitos que se opõem ao pensamento do presidente. Nosso alento pode ser saber que a maioria da população brasileira tem aderido à quarenta, e compreende o quão positivo a medida é para a futura erradicação do vírus. Segundo estudos de cientistas da Unicamp, estima-se que, caso a aderência ao isolamento social continue em bons índices – embora ainda estejamos longe do padrão recomendado por órgãos de saúde no país, cerca de 15 mil vidas podem ser salvas nas próximas duas semanas.

Isso representa uma vida salva a cada 78 segundos. Este é somente um, dentre inúmeros estudos, feitos por instituições científicas de todo o mundo, que comprovam como as medidas de isolamento social, promovidas e estimuladas pela ONU – outra instituição criticada por Bolsonaro por enquanto, o caminho mais seguro e eficaz para evitar ainda mais perdas e frear o avanço do coronavírus.

*O artigo foi produzido sob a supervisão do professor Maurício Guilherme Silva Jr.

0 408

*Por Jéssica Oliveira

O isolamento social devido a pandemia do Coronavírus deixou o ambiente doméstico mais estressante e mais propício aos abusos. Casos de violência doméstica têm crescido de forma assustadora e para tentar minimizar essa violência, empresas criaram ações e recursos para apoiar vítimas e coibir os atos violentos.

O Jornal Contramão preparou uma lista de empresas e suas ações, confira:

• A 99POP está custeando corridas para a delegacia da mulher, a iniciativa é uma forma incentivar as mulheres que são vítimas de qualquer situação de violência a denunciarem. Para mais informações acesse: https://99app.com/coronavirus/ .

• A Magazine Luiza liberou no seu aplicativo (disponível para Android e IOs)  um botão de denuncia para casos de violência doméstica, que faz com que a pessoa ligue diretamente para o 180, que é a Central de Atendimento à mulher.

• A Marisa se juntou à ONG Turma do Bem com o objetivo de contribuir com o projeto Apolônias do Bem, que consiste em reverter 100% da renda obtida com a venda de vários produtos para o programa que oferece tratamento odontológico gratuito as mulheres vítimas de violência que tiveram a dentição afetada.

• Recentemente as marcas Natura e Avon projetaram em alguns pontos do Brasil mensagens contra a violência doméstica. A iniciativa é parte de um projeto chamado “#IsoladasSimSozinhasNão” que criou uma rede de apoio para vizinhos e familiares, com informações sobre como lidar com um caso de violência doméstica.

Não se omita! Se for vítima, denuncie. Se souber de alguém sofrendo violência doméstica, denuncie!

 

 

*A matéria foi produzida sob a supervisão da jornalista Daniela Reis

0 413

*Raphael Segato

Vivemos um dos piores momentos da história do mundo, devido à pandemia da Covid-19, que nos atinge. O isolamento social é a medida adotada, por três ou quatro meses, devido à falta de vacina ou medicamento que combata o coronavírus. Não temos escolha: precisamos e devemos adotar o isolamento. Isso tudo para que possamos proteger as pessoas, e a nós mesmos, ao mudarmos completamente a rotina, os costumes, as obrigações e os hábitos. Muitas pessoas se perguntam o porquê do isolamento social, e se ele é tão importante. Sim, isolamento é a melhor saída.

Um momento bastante delicado, com muitas mortes, pessoas infectadas, mas há aqueles que defendem somente a restrição de pessoas do chamado grupo de risco, pessoas com 60 anos de idade ou mais, ou portadoras de doenças crônicas, como hipertensão. Segundo tal visão, o restante da sociedade deveria retomar a rotina, para que diminua, assim, um pouco do impacto econômico no planeta.

Com o crescente ritmo de infectados em todo o mundo, a quarentena e o isolamento social são fundamentais para vencer a Covid-19 e diminuir o número de casos e de mortes. Se voltarmos ao normal, como ficará o sistema de saúde? Será possível comportar todas as pessoas que se infectarem? Existirão médicos para todas as pessoas? Logicamente, não. Nem mesmo os países mais desenvolvidos – ou melhor, as nações de “primeiro mundo” – aguentariam tamanha demanda de casos. Não existiria leitos suficientes para todas as pessoas.

O argumento de volta à normalidade não tem tratado, com a devida atenção, o problema da velocidade de pessoas infectadas, ou dos custos de atenção à saúde. Ignora-se o fato de que a volta à “normalidade” antes do prazo correto ampliará consideravelmente a taxa de mortalidade, pois maiores serão os processos de contágio e maior a pressão feita pelo sistema de saúde, já que não se trata de grupo específicos, pois o risco é eminente a todas as pessoas.

Os defensores da volta à normalidade querem simplificar algo da realidade dura e agressiva: a Covid-19 não oferece saída fácil, e as vidas social e econômica serão afetadas profundamente. Isso é inevitável. O isolamento social é de extrema importância, pois pode reduzir a contaminação, de modo a que garanta prioridade ao atendimento médico das pessoas que precisam trabalhar, com vistas às atividades sociais necessárias.

Tudo isso é necessário, para que a normalidade possa se reestabelecer o mais rápido possível. Mesmo com a taxa de mortalidade baixa, o risco de contágio é extremamente alto, e não há sistema de saúde que suporte. Ao invés de buscarem a volta à habitual, os defensores da “normalidade” deveriam trabalhar para minimizar os efeitos diretos humanitários e de saúde pública.

Por mais que a taxa de mortalidade seja relativamente baixa, em comparação a outros casos, os impactos sobre o sistema de saúde, e sobre toda a sociedade, são realmente preocupantes, pelo fato de que muita gente será infectada, e não haverá leitos de UTI, equipamentos respiratórios e médicos suficientes para a população.

O número de infectados que precisariam de maior atenção é tão alto que provocaria desorganização ainda maior. O isolamento está sendo feito em virtude da diminuição da curva da epidemia, para que possa reduzir o número de infectados e pacientes graves, e, principalmente, o número de mortos.

O momento, portanto, demanda atenção. E a não pratica do isolamento social temporário pode gerar catástrofe social sem precedentes, e não só social, mas também econômica. Se não for preservada a renda dos trabalhadores e empreendedores, o que é dramático, tudo ficará catastrófico. Não existe saída individual. Como sociedade, devemos buscar a saída juntos, de modo a respeitar o isolamento até que seja necessário.

A Covid-19 apresenta mensagem duríssima, de modo claro e direto: ou mudamos nosso pensamento, e buscamos uma saída em conjunto – ao pensar mais nas pessoas, e não só em si mesmo – ou perdermos a vida coletivamente. Devemos tirar lições deste vastao problema, para que, no futuro, não passemos, novamente, por uma crise tão grave como esta.