Cultura

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Banda Daparte - Reprodução do Instagram

Encerrando o Almanaque de Bandas Independentes, produzido por Bianca Morais, e divulgado no Jornal Contramão nas últimas semanas, a jornalista faz uma reflexão sobre as principais dificuldades que esse cenário de bandas enfrentam e ainda comenta qual o papel das gravadoras nesse meio, elas que por muito tempo foram o principal engajador para que os artistas tivessem sucesso, hoje, já não é mais exatamente dessa forma. 

Tempo e grana. Quando o assunto são bandas independentes buscando ascensão no mercado musical, uma das principais dificuldades que encontram são esses dois fatores.

Quem produz arte sempre tem ideias. Não há uma banda nesse almanaque que não possua pelo menos uma gaveta de idéias, composições, cifras e melodias que queiram mostrar ao mundo e ter oportunidade de gravar. Mas ensaiar, produzir e gravar é algo caro e nem todos têm poder aquisitivo para isso.

A parte financeira é difícil. Os contratantes de casas de show não querem bandas independentes, porque muitos deles procuram bandas covers que vão agradar mais o público. Aquele contratante que abre mão disso para contratar uma banda autoral não consegue entregar a eles um cachê tão bom. É difícil encontrar lugar para tocar, é difícil ser contratado. O dinheiro que comanda o mercado da arte pouco corre no mercado independente. A música em si ainda é subvalorizada.

Parte dessas bandas independentes, justamente por não conseguirem ter o dinheiro para produzir, tem outros trabalhos paralelos. Isso porque os músicos não conseguem se sustentar apenas com o cachê da banda, até porque esse dinheiro acaba sempre sendo revestido para o caixa da banda e suas demandas. Com outras ocupações e o trabalho semanal, acabam não tendo 100% do tempo para se dedicar apenas à música, atrasando seus sonhos. É possível gravar e produzir em casa, em estúdios mais simples e sair coisa boa, mas se você procura qualidade excelente é necessário investir, e esse investimento não é barato.

O tempo é limitado e muitas vezes não conseguem se encontrar como gostariam, principalmente durante a semana. Por outro lado, a demanda de conteúdo é alta, é necessário tempo para produzir as redes sociais, planejar clipes e idealizar projetos. Para uma banda conseguir se entregar totalmente ao que se propõe, precisa estar sempre junta e não é o que acontece muitas das vezes.

Paciência é a palavra-chave. Tudo tem seu tempo. Bandas como a Devise, Radiotape e Ous, por exemplo, com mais tempo de estrada, provam que é possível sustentar uma banda durante anos, mesmo tendo que fazer um paralelo com outros trabalhos, aceitar algumas consequências e encarar alguns desafios. O mais importante é não desistir.

Um outro problema que surge, principalmente quando se trata de uma banda com vocal, guitarra, baixo, bateria e teclado, é conseguir alcançar um público. Bandas de pop e rock deixaram de ser tão queridas pelo público que consome música hoje. Nos anos 80, 90 até o começo dos anos 2000 era possível encontrar muitas delas no cenário nacional e internacional. Bandas que marcaram épocas e existem até hoje, mas se você analisar principalmente no Brasil, poucas delas estão no top 10.

Nas rádios, encontramos cada vez mais artistas solos, onde a banda em si é formada por músicos que não tem visibilidade como o vocal principal, muitos sendo até freelancers.

O artista independente tem uma personalidade bem característica que é a de ser, na forma mais literal da palavra, INDEPENDENTE. Aquele que age com autonomia, não se deixando influenciar por ninguém. Por isso mesmo é tão difícil ser autoral e independente na arte convencional, entrar em uma caixinha de gênero, acompanhar o funcionamento do mercado e se adequar à indústria comercial. Além disso, as pessoas não estão preparadas para escutar o que elas não estão acostumadas.

A Daparte, por exemplo, uma das bandas desse almanaque que de fato é conhecida nacionalmente, são uma exceção. É raro encontrarmos hoje bandas de formação de quatro ou mais integrantes fazendo sucesso. Skank, Capital Inicial, Paralamas do Sucesso, Jota Quest e outras bandas que estouraram anos atrás, não é o que se encontra hoje em dia.

Para conseguir conversar com o gosto do público dessa nova geração, as bandas precisam se desapegar um pouco do estilo individual e particular de cada integrante em prol do conjunto e dos objetivos finais. De maneira geral, para conversar a língua do momento, muitas bandas se desprendem de fragmentos das músicas ou das melodias para poder se encaixar. No entanto, há outras que não querem abrir mão e acabam não alcançando um público maior. Tem público para tudo, mas isso não quer dizer que uma banda irá se alavancar por isso.

Apesar de todas as dificuldades desse mercado da música independente, se o músico tirar da cabeça a ideia de ficar rico e convertê-la na ideia de fazer algo criativo, mesmo com pouco dinheiro, mas com dedicação e gostando do que faz, a parte de enriquecer e fazer sucesso se torna não um obstáculo, mas uma consequência.

As Gravadoras

Por muitos anos, ter uma gravadora ao seu lado significava sucesso e dinheiro garantido. Estou falando de disco de platina, daqueles que os artistas recebiam nos palcos dos programas de televisão como o Domingão do Faustão. Acontece que do mesmo jeito que esses discos se extinguiram e foram substituídos pelas plataformas de streaming, as gravadoras deixaram de ser a peça fundamental para fazer uma banda ter sucesso.

As gravadoras deixaram de ser a única porta que se abre para o sucesso de bandas. Elas ainda são as que têm o dinheiro e são, de fato, uma grande ferramenta facilitadora, mas não são mais as únicas opções. Networking, não só no mundo da música, mas como em todos os lugares, é tudo. Se você tem contatos, eles serão uma das ferramentas mais valiosas. As gravadoras, além de dinheiro, possuem contatos. Elas também têm profissionais que sabem trabalhar nas mais diversas áreas, como o marketing e a publicidade. É um caminho que eles já conhecem e tem o dinheiro para acelerar as coisas.

O cenário, no entanto, mudou bastante. Antes as gravadoras pegavam artistas pequenos, investiam nele e esperavam o retorno financeiro que eles trariam. Hoje elas pegam artistas independentes que se consagraram dessa maneira e investem esperando o retorno. O apoio delas dá uma alavancada inicial que pode ser um fator de impulsão para a banda. Sem ela, é um caminho mais difícil, mas não impossível, considerando que a tecnologia e a internet são grandes ferramentas para divulgação.

A internet, juntamente com as plataformas de streaming, apareceu com as portas abertas para as bandas independentes mostrarem seu trabalho ao mundo. Dão aos artistas um poder de emancipação em relação às gravadoras e tem permitido fazer uma carreira mais sustentada e duradoura. Antigamente, para ser um grande fenômeno da música, você só estourava na mão de uma gravadora. Agora, com as possibilidades que a tecnologia proporciona, existe a possibilidade de você jogar sua música em uma rede social e, caso o

público goste, ajudarão na divulgação dela de forma gratuita. Assim, ela se espalha e aumenta a visibilidade dos artistas.

Um artista independente recebe pouco pela execução de sua música nas plataformas de streaming, os chamados royalties, porém ao mesmo tempo que acabam perdendo com isso, ganham a capacidade de atingir mais milhares de pessoas ao redor do mundo, gerando público e shows para conseguir cachê. Se a banda realmente for boa, as gravadoras vão ver potencial e investir.

Artistas independentes conseguem sobreviver sem apoio de gravadoras, a exemplo da Rosa Neon. Todos vivem apenas de música. Tudo bem que os diversos contatos que eles trazem de suas carreiras solos ajudam, mas provam que não somente as gravadoras possuem os respectivos contatos.

Um parêntese nessa parte para além das bandas independentes, artistas solos de Belo Horizonte, principalmente na área do rap, têm se destacado muito no mercado nacional, sobrevivendo com composições autorais e levantando públicos enormes. Estou falando do rapper Djonga, que apesar de ser um estilo muito diferente do pop e do rock, serve como influência para eles acreditarem que é possível alcançar o sucesso sozinho.

Uma dica preciosa para quem quer viver de música sem uma gravadora é estudar um pouco o panorama e se tornar um social media. Para uma banda crescer, ela precisa de público. Precisa de gente que acompanhe o trabalho e, para isso, é necessário divulgá-lo. Estudar esse meio auxilia a criar estratégias de atuação. Um dos principais papéis das gravadoras, além da parte financeira e do networking, é a de jogar você para o grande público e colocar em um status maior.

Uma alternativa para as bandas que estão começando e querem uma divulgação maior é se unir com distribuidoras, assim como faz a Chico e o Mar que trabalha com a Tratore. A empresa entrega as músicas dos artistas independentes para as plataformas de streaming, fazendo o som chegar a outros ouvintes. Aquelas playlist do Spotify, por exemplo, são muito úteis nessa divulgação, porque quem escuta outro artista acaba chegando até você. Além desse trabalho de distribuição, a empresa ajuda dando um retorno, apresentam vetores, mostram o que estão fazendo de certo, de errado e onde podem melhorar.

Se antes era difícil gravar uma música e custava muito caro, hoje você pode encontrar um estúdio bacana que cabe no bolso em qualquer lugar. Aquele seu amigo que formou em engenharia e se especializa em engenharia de áudio, vira produtor musical e constrói um estúdio muito bom. Como muitas das coisas atualmente são digitais, é muito mais fácil gravar e colocar na internet.

Independentemente de gravadora ou não, os artistas independentes sempre irão existir. Os que não permanecem nesse cenário, por vezes, são os integrantes, que justamente por isso acabam tendo um outro emprego. A vontade de fazer dar certo motiva a continuar sempre e o sonho da música não pode parar.

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Começar a semana com música e boas energias é a cara do Contramão! Hoje trazemos a última banda do Almanaque produzido pela Bianca Morais. Mas não fique triste, ainda vamos trazer conteúdos sobre o cenário das bandas independentes e muito mais!

Vamos ao show de hoje?

DAPARTE

E agora como fica Iaiá,

E agora como fico eu?

Se eu toda flor que eu tento cheirar,

O perfume é o seu.

Por um segundo fiquei sem saber

Achei que o rádio me falava de você

Numa canção de amor ouvi falar

Que eu levo a sério e você tenta disfarçar.

Quer música romântica? De sentimento? Baseadas em histórias reais? Melódica? Que fica na cabeça?

Apresento eles, a Daparte.

A Daparte tem contrato com a Sony;

A Daparte já tocou no altas horas;

A Daparte já gravou em estúdio famoso;

A Daparte já tocou no Circo Voador (um dos palcos mais tradicionais do Rio, em plena conquista do título da libertadores pelo Flamengo)

A Daparte já tocou em palco com gigantes da música;

A Daparte já tocou no Planeta Brasil;

A Daparte tem conta verificada no Instagram;

A Daparte já abriu show pro Skank e para o Cachorro Grande;

A Daparte fechou o último show do Cachorro Grande.

Se lendo isso você acha que a Daparte com toda essa bagagem tem lá seus mais de 10 anos de estrada, você está errado, a banda tem somente 4 anos e os meninos são todos jovens (nem todos) e sonhadores. João Ferreira (vocal e guitarra), Juliano Alvarenga (vocal e guitarra) e Bernardo Cipriano (tecladista) estão na casa dos 20 e poucos anos, Daniel Crase (baterista) uns 25 e o mais velho Túlio Lima, conhecido também como Cebola.

O Crase vem de crazy (aportuguesado) porque segundo os meninos ele é meio doido. O Cebola, quando criança, tinha planos mirabolantes e infalíveis, aí o irmão o apelidou assim.

Mas como uma banda tão nova conquistou tanta coisa importante que outras bandas mega famosas realmente levaram 10 anos para conquistar, eu vou contar agora.

O começo de tudo

O ano era 2015, João tinha uma banda com o Crase, a Gramofone; e o Juliano outra com o Bernardo, a Twig. As duas bandas terminaram na mesma época, porém a Twig tinha um show marcado na data do St. Patrick’s Day. Resolveram chamar o Crase, que já era amigo do Juliano, para tocar. O Crase chamou o primo, o Cebola. O João, que já conhecia o Juliano (por namorar a melhor amiga dele) pediu para entrar. E foi assim que a Daparte se apresentou pela primeira vez, mesmo ainda não sendo de fato a Daparte.

Sabe aquele grupo do Whatsapp que você tem com seus amigos? Essa é a Daparte. Todo mundo se zoa, de vez em quando briga, mas quem nunca? As personalidades diferentes se encaixam para formar a banda. Crase maluco, Bê caladão, Cebola o dentista, Ju o fofo e o João um pouco de todos e um pouco mais.

Ok, mesmo sendo um pouco de todos, talvez o João não seja dentista de fato. Mas o Cebola com certeza é formado e atuante. Nem todo mundo que está de fato em uma banda autoral consegue se sustentar somente com a música, mas isso a gente já está cansado de saber.

Agora imagina se você é fã da Daparte e se consulta com o Dr. Cebola. Privilégios.

Daparte de quem?

Quando foram tocar juntos pela primeira vez, decidiram que precisavam de um nome. O Cebola inventou um na hora, eles se apresentariam como “Seu Zeed”. Era um nome realmente muito ruim e a banda percebeu, por isso em outro show viraram o “Um Quinto”, outro nome também não muito bom.

Mas a busca pelo nome perfeito continuava. O acerto viria na terceira tentativa.

Em um show do Samuel Rosa com Lô Borges, onde estava à venda um livro que contava curiosidades do Clube da Esquina. Em um determinado capítulo contava a história do apelido entre os irmãos Lô Borges e Márcio Borges.

Um dia uma fã ligou para a casa do Márcio Borges e questionou se determinada música era “da parte de Mário Lô Borges”. Os irmãos acharam legal ela ter misturado o nome dos dois achando ser uma pessoa só e, dali em diante nasceu um apelido interno deles: “Da parte”.

Os garotos ao lerem isso acharam um nome interessante e o adotaram para a banda.

Escolha certeira (pela terceira vez).

Outra curiosidade: durante a infância, Juliano conviveu com Lô Borges e sempre via ele se referir a seu pai como da parte. Via naquilo um charme, então quando entendeu o nome não teve dúvidas. Era para ser aquele.

Se você chegou até aqui e ainda não sabe, o Juliano Alvarenga é filho do Samuel Rosa, vocalista do Skank.

Pois bem. Nome da banda ok.

Estilo musical

Influenciados pelo Clube da Esquina não apenas no nome da banda, mas em seu estilo musical, a banda carrega influência de muito rock e MPB dos anos 70. Beatles é uma das bandas favoritas em comum de todos eles.

Quando você pergunta à Daparte o estilo musical deles, a resposta vai ser Pop Rock. Agora, se você for tentar encaixar a Daparte no Pop Rock brasileiro, aquele que conta com grandes bandas como Skank, Barão Vermelho e Nando Reis, você vai se decepcionar. O som deles carrega sim essa influência, mas depois de quatro anos de muita dedicação a seu trabalho autoral, a banda vem criando uma identidade própria.

Mais próximos do que hoje chamamos de Pop Leve, aquele representado por Lagum, Vitor Kley, Anavitória e Melim, a banda mescla esses grandes sucessos atuais com a paixão pelo rock dos anos 90, como Oasis, Radiohead e Supergrass. É inspiração de todos os lados que os ajudam a criar, cada vez mais, a identidade jovial deles.

Manual de composição de João Ferreira

O ex relacionamento do João pode até ter partido seu coração, mas também serviu para boas canções. Principal compositor da banda, o músico tem consigo um caderninho em que anota seus sentimentos mais profundos e, quando necessário (ou quando o Juliano aparece com uma melodia), transformam aquilo em canção.

Assim aconteceu com a maioria das músicas desse novo disco que, por hora, está sem data de lançamento, mas com alguns singles já lançados.

Iaiá é um deles. Ela nasceu de uma melodia cantarolada que o Juliano mandou para o João e ele escreveu a letra inspirado no seu rompimento.

Iaiá é a música mais triste e mais alegre de todas. Ao mesmo tempo que você se pega cantando alto e dançando um som animado, você chora com a letra que conta como aquele alguém que você quer, não te quer.

Poxa João, eu e todo mundo que gosta de Daparte te entende e por isso que a gente gosta tanto. Quem nunca sofreu de amor nem precisa continuar, porque se em Iaiá você ainda dança, em 3 da manhã você chora junto com ele. Sabe aquela insônia que você teve quando brigou com a pessoa que gostava? Tá cantada ali.

A dupla João e Juliano, depois de trabalharem letra e melodia, mostram pro Cebola, pro Crase e pro Bê, que sempre acabam concordando.

Diferentemente desse novo disco em que os garotos se uniram para construir juntos com o estilo da banda, unindo comprometimento com a vontade de crescer, o primeiro álbum, o Charles, foi uma bagunça organizada. A banda já existia e a vontade de ser autoral sempre os motivou a escreverem suas próprias músicas, lançando seu próprio material. Foi então que os cinco decidiram que iriam lançar um disco para que as pessoas fossem aos shows e cantassem músicas deles.

Como já tinham as músicas escritas em seu particular, apenas juntaram e lançaram. Não foi um acordo de “vamos compor um disco”, foi mais para “vamos gravar um disco”.

Neste álbum, encontramos desde Guarda-Chuva, que é um pedido de desculpa do João a sua ex-namorada; A Cidade, canção que o Cebola fez com o pai; até a letra do Bê, Fênix, que não tem muito sentido, é mais uma viagem que o tecladista teve. 

No conjunto da obra, o disco ficou muito bom, fez sucesso e abriu portas para que os garotos tocassem Brasil afora.

A evolução

Sem medo do sucesso, a banda se preocupa apenas em fazer a sua arte chegar às pessoas. A cada dia que passa, evoluem mais como músicos e pessoas. A grande quantidade de shows e gravações fizeram os garotos evoluírem desde a maneira de se portar em frente a um público até em suas composições.

Quando a banda começou, João beirava os seus 15 ou 16 anos. Hoje mais velho e com mais vivências, amadureceu até mesmo em suas composições. A fase de transição da adolescência para a vida adulta deu uma visão bem diferenciada para ele, que acabou absorvendo novas inspirações e mudou principalmente a sua forma de pensar e produzir. O crescimento pessoal unido ao profissional fez todos eles criarem uma identidade única e original para a banda. Um som mais a cara deles.

A banda tem uma visão de onde querem chegar e trabalham cada dia mais para alcançar isso. Com o sonho de viver disso, a banda corre atrás de produzir material de qualidade, original e verdadeiro para, dessa forma, ganhar o mercado nacional.

E é então que aqui aparece para eles também a Sony. Diferente do trabalho que prestam para a Papa Black de distribuidora, a Sony tem um papel de gravadora para a Daparte. Esse último disco está sendo gravado com apoio de grandes produtores musicais e em um estúdio incrível.

A Daparte não quer atingir um público específico, o objetivo é alcançar pessoas acima de 0 anos e abaixo de 120, pessoas que vivem, que se identificam com as músicas. Talvez atinjam mais o público dos 20 e poucos anos que é a idade deles, mas qualquer um que já viveu uma história de amor cabe aqui.

 

*Esse produto resultado do Trabalho de Conclusão de Curso do Centro Universitário Una da Jornalista Bianca Morais.

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*Por Bianca Morais

A Mostra de Cinema de Tiradentes chega à sua 24°edição com versão totalmente online e gratuita, devido a pandemia do novo Coronavírus. A programação diversificada estará em cartaz de 22 a 30 de janeiro.  

O evento é considerado o maior do cinema brasileiro contemporâneo e apresenta sempre o que há de mais inovador e promissor na produção audiovisual brasileira, em pré-estreias mundiais e nacionais, uma trajetória rica e abrangente que ocupa lugar de destaque no centro da história do audiovisual e no circuito de festivais realizados no Brasil.

A Mostra Tiradentes deste ano exibirá um total de 114 títulos de 19 estados brasileiros. Os filmes estão em pré-estreias nacionais e foram selecionados por um forte grupo de críticos e pesquisadores. Os longas-metragens ficaram a cargo dos críticos Francis Vogner dos Reis e Lila Foster. A curadoria dos curtas foi assinada por Camila Vieira, Tatiana Carvalho Costa e Felipe André Silva.

Felipe André Silva é um dos curadores do evento, para ele essa experiência tem sido muito instigante e curiosa, principalmente por se diferenciar das que já trabalhou. Felipe já foi cineclubista por alguns anos e depois colaborou na seção de longas do Janela  Internacional de Cinema do Recife.

“Esses dois trabalhos têm em comum o processo intuitivo e complexo de ir buscar os filmes, pesquisar o que acontece de interessante, tentar criar uma linha coerente a partir de uma proposta puramente pessoal. Já Tiradentes é um trabalho mais “tradicional”, no que diz respeito a seguir o protocolo de avaliar apenas filmes inscritos, e a partir desse universo restrito tentar dar conta do que acontece de interessante na produção nacional durante aquele período”, conta ele.

O curador acredita que a seleção de curtas deste ano conseguiu cumprir sua missão apesar dos diversos problemas que vive tanto o cinema brasileiro quanto do resto do mundo. “Felizmente ainda estávamos num período transicional, por assim dizer, então muitos filmes tradicionalmente narrativos, e experimentos curiosos surgiram para nós, mas fica a dúvida do que será essa próxima etapa do cinema brasileiro, estagnado tanto pela pandemia quanto pelo desmonte das políticas de fomento” complementa.

A Mostra de Cinema é um evento muito além do audiovisual, é uma manifestação artística que conta com uma programação cultural extensa. Mostras temáticas, homenagem, oficinas, debates, seminário, mostrinha de cinema, exposições, live-shows, performance audiovisual, encontros e diálogos audiovisuais e atrações artísticas são alguns dos exemplos do que está presente.

Assim como nos anos anteriores, a mostra irá contar com o Encontro com o filmes e os debates. Nos Encontros com os Filmes, críticos e pesquisadores convidados irão discutir alguns filmes em exibição com a presença dos realizadores e dos espectadores. Nos debates, discussões conceituais em diálogo com a temática deste ano e a produção brasileira contemporânea.

O tema desta edição é “Vertentes da Criação”, proposto pelos curadores Francis Vogner dos Reis e Lila Foster, reflete como realizadores audiovisuais se relacionam com a construção das imagens e sons na busca pela poética de seus filmes.

“O convite a esse exercício de pensar os caminhos do cinema pode criar um léxico, novas palavras, acionar o campo de expressão das experiências particulares do trabalho de criação, um trabalho que não está isolado dos processos mais amplos do mundo (econômicos, técnicos, políticos), mas dele toma parte ativa com mais proximidade ou com uma calculada e necessária distância”, afirma Francis Vogner dos Reis.

A abertura do evento terá a exibição do filme inédito e em finalização “Obstinato”, dirigido pela homenageada Paula Gaitán. A cineasta é uma artista incontornável do cinema brasileiro, ela é a pura representação do tema da edição, uma vez que seus filmes se empenham sempre em buscas distintas. Além de cineasta é também artista plástica, fotógrafa e poeta. Paula está por trás de grandes obras cinematográficas, Vida, Agreste, Exilados do Vulcão, Memória da Memória, Noite, o videoclipe Mulher do Fim do Mundo da Elza Soares, É Rocha e Rio, Negro Léo, Sutis Interferências, entre outras.

O encerramento, no dia 30, terá a pré-estreia de Valentina, de Cássio Pereira dos Santos.

A programação completa do evento já está site oficial, confira.

 

 

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Crédito: DIVULGAÇÃO

Retornamos do recesso!!!! A partir de hoje estamos de volta com as nossas matérias e publicações. E para dar start na primeira postagem do ano, trazemos a Banda Duetê que faz parte do Almanaque produzido pela jornalista Bianca Morais.

DUETÊ

A autora deste almanaque que aqui vos fala pede que antes de começar a ler sobre essa banda, vá imediatamente na sua plataforma preferida de streaming e procure a banda Duetê. Em seguida, clique na música Tô na Tua e coloque no último volume.

Ok, não precisa ser no último, mas alto o suficiente para que você sinta a energia.

Sentiu de primeira? Não? Tente de novo, e de novo, e somente quando você conseguir sentir pelo menos um pouquinho de energia volta aqui, porque agora vou falar de uma das minhas bandas favoritas de Belo Horizonte, o nome dela é Duetê.

Nada do que eu posso fazer vai te tirar de dentro de mim vem dizer que é aqui que quer viver uhuuuuuuuuuuu

Todas as bandas que estão neste almanaque são muito boas e eu gosto de todas. Não queria e nem sei se poderia me dar ao luxo de escolher uma favorita, mas a Duetê com certeza tem um espaço especial no meu coração, e eu digo o porquê.

1-         Acho que eu definiria o som deles como brasilidade e isso me atraiu desde a primeira vez que escutei.

2-         Os caras são simpáticos, viu?

3-         Eles têm uma produtora muito incrível, que faz de tudo para ajudá-los a alcançar o sucesso, inclusive ser legal com todo mundo que conhece a banda.

Tem outros vários motivos, mas talvez através desses três, o sentimento de conhecê-los cresça em vocês.

Mas agora vamos falar um pouco sobre eles.

Gabriel Costa, Gustavo Rabelo (também conhecido como Peixe) e Pedro Lacerda são melhores amigos desde o colégio.

A banda de pop rock começou inicialmente como um projeto solo do vocalista, o Costa. Lá em 2017, depois de um tempo tocando em bares, ele decidiu que queria gravar suas próprias músicas, quando nasceu Natureza e Sou Litoral.

Na época, o Peixe e o Vitin (ex-integrante da banda, tecladista, saxofonista e sanfoneiro) acompanhavam o Costa pelos botecos mineiros, enquanto o Pedro Lacerda, o Lamac, estava lá na Nova Zelândia.

O Lamac voltou da Nova Zelândia, entrou na banda dos amigos e quando foram lançar as músicas, o Costa não quis assinar sozinho um trabalho que teve participação de todos. Foi então que no dia 16 de julho de 2017 nasceu a primeira banda dos meninos, Costa e os Mitos.

Curiosidade n°1: O Lamac, segundo ele próprio, aprendeu a tocar baixo uma semana antes dessa data aí em cima. Ok, provavelmente não foi uma semana antes. Mas até entrar na banda, o baixista não sabia tocar baixo. Antes de voltar de viagem ele era DJ, mas cansado da vida de mixagem, ao retornar ao Brasil e ver os amigos tocando em bares pediu para acompanhá-los com um violão ou uma guitarra, instrumentos que ele tocava. Como o Costa já tocava o violão, o Lamac pegou o baixolão do pai do Costa e falou:

“Ah, então vou tocar ele.”.

Isso mesmo, sem medo de desafios, o guitarrista pegou o baixolão, começou a se dedicar, aprendeu, comprou seu próprio baixo e hoje está firme e forte.

Fica a dica: se você tem uma banda e está faltando um integrante, não procure alguém de fora com quem você não tem uma conexão. Pegue um amigo e o obrigue a aprender a tocar o instrumento.

O baixolão ele provavelmente devolveu ao pai do Costa.

A medida que os meninos começaram a entrar de cabeça no projeto, tomando decisões, investindo dinheiro e pensando juntos, o nome Costa e os Mitos já não fazia mais sentido. Não era mais um projeto solo do Costa, mas sim um trabalho em equipe. A partir disso, decidiram mudar o nome.

Em busca de ideias para o nome da banda, a Lu, namorada do Costa e grande inspiração para canções da banda, sugeriu a eles que procurassem uma música deles que tivesse um nome legal. E daí veio a Duetê.

Duetê é uma música que conta a experiência que o Costa teve com um ser de outro planeta. Inicialmente, a música não tinha um nome. Porém, durante os shows, a galera pedia para tocar “aquela do et”; do et; du e tê.

Nesse meio tempo, o Vitin saiu da banda para seguir seus projetos.

A Duetê se formou então no dia 19 de fevereiro de 2019 com o trio Costa, Peixe e Lamac.

Provavelmente também o Vitin saiu porque não se encaixava mais na banda que é formada apenas de olhos claros, vai saber.

O objetivo dos meninos sempre foi ser autoral, compor suas músicas e gravar tudo que fosse possível, singles, EPs, álbuns e, é claro, viver de tudo isso.

Peixe e Lamac são formados em Engenharia. Peixe sempre escuta dos pais um “você acha que música vai te dar alguma coisa?”

Já Costa, o garoto rebelde, largou a faculdade de Direito e resolveu se dedicar a música. Dando aulas e se entregando com tudo a banda. No começo a mãe não gostou, mas hoje é uma das principais fãs. O pai, ao contrário, amou a ideia. Ele, que sempre quis ser músico, foi um grande incentivador do filho.

Curiosidade 2: se você já foi a um show da Duetê com certeza já viu o pai do Costa. Mas se você ainda não foi e depois de ler este almanaque já vai procurar a data pro próximo show deles, não vai ser difícil reconhecê-lo. Sempre na frente do palco, com o boné da Duetê, cantando todas as músicas. O dono do primeiro baixo que o Lamac tocou, é um verdadeiro apoiador da banda.

Dessa experiência de sair da faculdade para seguir a carreira musical que nasceu a música Valeu! da Duetê.

Valeu mamãe, valeu meu pai

Por continuar acreditando que seu filho ainda vai

Crescer e ser alguém de sucesso, por mais

Que muitas vezes não apresente progresso, eu confesso

As composições da Duetê são todas do Costa e o garoto é bom nisso. Dê uma palavra para ele que já nasce uma canção. Vamos aos exemplos (já deixa o Spotify aberto para acompanhar):

Lá fora: um dia em uma resenha na casa do Costa, entre uma cerveja e outra ele vira para alguém e pede uma palavra. Sorriso, alguém respondeu.

Vira para o Peixe e fala: canta essa palavra.

O Peixe: sorriso (leia no ritmo da música)

Dali o Costa tirou de letra o resto.

Quando vejo seu sorriso

De nada mais preciso, só consigo em ti pensar

E pelas ruas não canso de procurar

Sem saber o que tenho pra falar

Curto: A Lu, namorada do Costa, mandou mensagem para ele contando que iria cortar o cabelo. O Costa respondeu: Curto seu cabelo curto

Mais uma música saindo dali:

Curto seu cabelo curto, tô meio que viciado

É complicado sem você do lado

Não é justo seu vestido justo, aquele azul decotado

Assunto encerrado, eu tô grudado

Natureza:

Costa acorda em um sítio e vê um dia lindo. O que ele faz? Isso mesmo, música.

Havia dias que não via um dia como este dia

Havia tempos que não via um tempo como este tempo

Templo de inspiração, vou me preocupar somente

Em manter uma única vibração entre corpo alma e mente

Um dos diferenciais da Duetê são as letras, com certeza. Não são só sobre amor ou tristeza, são sons leves e fáceis de gostar. Nascem de uma palavra, de uma frase ou simplesmente de cantar algo sem letra no violão. Costa com a letra e o violão, depois o Peixe e o Lamac trabalham suas partes testando em seus respectivos instrumentos, vão para o estúdio e lá a produção fica por conta de moldar, acrescentar e dar vida aos singles.

A visão de mercado da Duetê

Diferente de algumas bandas que já apareceram aqui neste almanaque, a Duetê não se importa em, de vez em quando, precisar retirar um pedaço de uma música para torná-la mais aceitável ao gosto de um determinado público.

Com um objetivo muito centrado na cabeça, os três músicos, junto com a produtora e amiga Cristiana Corrieri, a Cris, passaram a ver a banda como uma empresa. Eles pensam na visão de mercado e apostam muito no marketing e conteúdo no Instagram para chamar a atenção das pessoas.

Desde o início da banda até hoje, eles admitem terem mudado como pessoas e profissionais, deixaram de lado a “banda com meus amigos” e adotaram uma visão de “banda que quer fazer isso para sempre”. Exigindo de si cada dia mais qualidade, quanto mais a banda cresce, mais procuram não cometer erros.

A Cris, produtora da banda, tem uma visão ampla de mercado musical e é uma pessoa de fora. O trio tinha uma visão romantizada da música, fazendo coisas criativas como queriam para mostrar ao mundo. Mas se tem uma coisa que o mercado musical não é, é romântico.

O Coto, lá da Lamparina e a Primavera, falou algo muito interessante em relação a esse mercado. Nas suas palavras, “a sociedade põe muito a música e outras artes como hobbies alternativos, só que não é nada alternativo, é profissão igual a qualquer outra.”.

Quando a Duetê toma para si uma versão de banda comercial, não quer dizer que eles vão perder a identidade, apenas que decidiram tomar um rumo que acreditam ser o certo.

Muito influenciados pela banda Lagum, como empresa, tomaram decisões e fizeram mudanças. Admitem que às vezes pode ser difícil desapegar de uma música para torná-la mais comercial, mas acreditam que trará resultado.

Quando você acredita no seu potencial e concentra seu foco naquilo, todo o esforço vale a pena.

Todas as bandas têm o sonho de alcançar seus objetivos, impactar pessoas através da música e subir em um palco e ver milhares de pessoas cantando suas canções. Como o próprio Costa já disse nos shows da Duetê é emocionante ver tanta gente cantando junto com ele as letras de músicas que compôs num pedaço de papel.

Ninguém sabe a receita certa do sucesso. Se alguém soubesse, milhares de artistas já estariam estourados por aí. Diferentes caminhos são tomados pelas bandas tentando alcançá-lo e, enquanto acreditarem no que fazem, nunca será tarde para tentar.

 

*Esse produto resultado do Trabalho de Conclusão de Curso do Centro Universitário Una da Jornalista Bianca Morais.

 

 

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*Por Bianca Morais

Se você gosta de dançar ao som do Lamparina, você também vai gostar de dançar ao som do Rosa Neon. E vice-versa.

Pop-Popular. Intitulados como safadeza suave, o som deles também pode ser conhecido como pop tropical.

Cheios de malemolência, cor, saliência.

Uma libriana, um leonino, um taurino.

Marina determinada, Marcelo debochado, Luís durão.

Todo mundo é cantor, todo mundo é compositor e todo mundo vive só de música.

Essa banda é marcada por três integrantes de personalidade marcantes e diferentes que juntos vem encantando multidões pelo Brasil inteiro e o mundo. Descritos pela revista Rolling Stones como “banda pop queridinha do Djonga”, eles foram apadrinhados pelo rapper que, assim como ele, correm muito atrás do que querem e sonham alto.

E quando eu digo alto, eu digo nível Anitta. O grupo ficou muito conhecido pela produção de um clipe por mês, assim como a cantora pop fez. Acontece que a Anitta é milionária e para ela um trabalho desses é algo comum. Agora pega uma banda independente de Belo Horizonte sem dinheiro que resolve fazer um clipe por mês.

E deu certo.

Depois da gravação do clipe Fala lá pra ela, o primeiro single da banda, eles gostaram tanto do trabalho que produziram, da correria e da raça que colocaram nele que alguém soltou ali:

“Vei, a gente tinha que fazer isso pelo menos uma vez por mês”.

No começo aquilo soou como loucura (e realmente era). Mas foi uma loucura que deu muito certo. De gênio e de louco todo mundo tem um pouco. Eles são loucos por terem tido a ideia, mas principalmente gênios por terem conseguido colocá-la em ação. Entraram de cabeça no projeto e conseguiram sucesso e reconhecimento.

O segredo por trás de tudo é ser criativo. Com ideias simples, mas inovadoras, você consegue alcançar tanta gente quanto um artista com muito dinheiro.

De novembro de 2018 a junho de 2019 a banda lançou 8 clipes (1 por mês), todos na pegada mais pop possível, trabalhados no audiovisual. Trouxeram com eles muitas referências, principalmente de artes plásticas. Junto ao pop, também uniram elementos das músicas eletrônicas, com muito beat e diálogo com músicas brasileiras.

Como eles próprios falam, suas referências vão de Caetano Veloso a Claudinho & Buchecha, de Marília Mendonça a Gal Costa. É um som diferente que em uma primeira escuta você não consegue identificar o que é. Da segunda vez também não, mas que é gostoso, é.

A primeira faixa do disco foi lançada e em menos de 24 horas tinha dado quase 10 mil views. Algo que não tinha acontecido em nenhum trabalho solo de cada um deles. A partir disso, perceberam que juntos eram muito mais fortes. A sensação de “não tem como dar errado”.

Foram lançando mais músicas e o retorno do público só aumentando, com mais views e pessoas comentando na internet.

O álbum completo foi lançado no dia 5 de setembro de 2019 e a capa prestou homenagem aos Doces Bárbaros, disco lançado em 1976 pelo quarteto: Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil e Maria Bethânia.

Faixas:

Fala lá pra ela

Estrela do Mar

Vai Devagar

Brilho de Leão

Picolé

Embalagem

Pirraça

Ombrim

Rosa Neon

Cê Não tem dó de mim

A banda começou lá em 2018. Todos os membros, na época o Luiz Gabriel Lopes, o Marcelo Tofani, a Marina Sena e a Mariana Cavanellas (aquela do Lamparina e a Primavera), já tinham seus trabalhos e um público fiel. Dali já era um passo para o sucesso. Quando eu digo um passo, eu digo turnê na Europa. Mas falo disso mais para frente.

Foi em um show em julho daquele ano, em Milho Verde, que os quatro integrantes se apresentavam com seus respectivos trabalhos e se encontraram. Em determinado momento do show, subiram ao palco do festival que acontecia e cantaram “Rosa Neon”, uma música que a Mariana Cavanellas já tinha. No momento em que cantaram juntos sentiram uma energia, uma conexão forte, aquele arrepio na espinha. A partir dali resolveram seguir juntos.

No dia seguinte já estavam escrevendo a segunda música da banda, Estrela do Mar, sentados à beira de uma cachoeira, e então não pararam mais.

O nome da banda, claro, veio então da primeira música que cantaram juntos.

Como todo mundo já tinha outros trabalhos, eles não partiram exatamente do zero como outras bandas que contei aqui. Eles tinham público e contatos, e se você chegou até aqui neste almanaque sabe que esses são elementos fundamentais para uma banda.

Com a banda já formada, fizeram cerca de 4 shows no Brasil e foram convidados a tocar na Europa. Sim, isso mesmo, na Europa. Mas isso tem um porquê.

No começo da banda eles não tinham um assessor de imprensa, mas tinham contatos. Então criaram um mailing com todos os contatos de imprensa, festivais e produtores e mandaram os lançamentos com o release dos clipes, falando sobre a banda.

O Luiz já tocou na Graveola, conceituada banda de Belo Horizonte (confira o som deles nas plataformas de streaming), que já fez algumas turnês mundiais.

Pois bem, em um belo dia, um sujeito dono de uma rádio lá do interior da Alemanha, onde a Graveola tocou há uns 10 anos atrás, escutou o Rosa Neon e gostou.

A rádio estava organizando um festival no interior do país e convidou os músicos. Seriam quatro cidades, eles receberiam um X valor de cachê e teriam que se virar com ele.

Eles fecharam, é claro, e a turnê deu certo. Acabaram fazendo outros shows em Portugal e no final foi tudo perfeito. Levaram o nome Rosa Neon para o mundo.

Para registro, o dinheiro do cachê ficou por lá mesmo. Compraram equipamentos e garantem que voltaram felizes.

Atualmente, a banda é um trio, o Luís, o Marcelo e a Marina (Luís e Marina são um casal, mas ser vela não é um problema para o Marcelo). A Mariana saiu para se dedicar a sua carreira solo.

Os três são muito amigos e juntos exalam sucesso. Tocaram este ano no palco do festival Sensacional no Mineirão ao lado de nomes grandes como Elba Ramalho, Emicida, Baiana System e dos amigos Hot e Oreia.

Os três são a prova de que é possível, sim, viver apenas de música.

*Vale lembrar que os três também têm trabalhos solos*

Mas são três indivíduos completamente apaixonados por música e que, segundo eles próprios, não sabem fazer outra coisa. (letra maior)

A vontade de entrar em uma toca e viver como um monge por lá acontece muitas vezes. O mundo da música é cercado de muita pressão, perrengues, noites mal dormidas e show atrás de show. Mas por trás de tudo isso, existe algo significante em fazer o que ama, e é isso que mantêm os três firmes e fortes. Não existe algo que amem mais que música.

O segredo do sucesso deles é muito parecido com o da Lamparina e a Primavera, quando dizem sobre ser você mesmo e seguir sua essência. Para o Rosa Neon, muita gente segue algo que está na moda e pensa “vou fazer igual”, mas acaba morrendo afogado.

A metáfora em questão é: faça o que você gosta e, quando a onda vier, você vai surfar nela. Mas se a onda tiver passando e você tentar entrar apenas para fazer sucesso, meu amigo, você vai levar um caldo.

Rosa Neon está nessa onda, surfando da melhor maneira possível, fazendo um som diferente que agrada a muitos. São três compositores que carregam bagagem e a colocam nas letras que produzem, cada um deixando seu pedaço ali e se ajudando.

Muita música de amor e muito ginga. A gente sente muita coisa boa ao escutar essa banda. Com um base boa de fãs, eles não têm “medo de ser feliz”, se jogam, fazem o que querem, quem gostar, gostou, e claro, evoluindo, aprendendo e crescendo cada vez mais.

Agora vai lá escutar Ombrim e vê se não dá uma vontade de dançar e depois postar um foto no Instagram com a legenda: ai que delícia o verão, a gente mostra o ombrim.

 

*Esse produto resultado do Trabalho de Conclusão de Curso do Centro Universitário Una da Jornalista Bianca Morais.

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Dia 02 de dezembro é comemorado o aniversário do estado

*Por Bianca Morais

O estado, conhecido como um dos maiores do Brasil, recebe anualmente milhares de turistas interessados em se aventurar pelas maravilhas que são as cidades históricas, as cachoeiras, a estrada real, os museus e a gastronomia. Minas Gerais é abraçado por serras que contemplam um encanto só delas, e como já se dizia a letra da música: “Ó Minas Gerais quem te conhece não esquece jamais”.

Quando se trata de música, a mineira conquista milhares de corações ao redor do Brasil e do mundo. Artistas não apenas na área da música, mas jogadores de futebol, políticos, e tantos outros famosos mineiros que marcaram o mundo.

Hoje Minas comemora seus 300 anos com muita bagagem de quem à muito tempo mostra ao mundo o que é história de verdade.

300 anos de história

Como o próprio nome já diz “Minas Gerais”, um estado repleto de minas que por anos foram exploradas pelos bandeirantes em busca de ouro e pedras preciosas.

Em 1709, foi criada a Capitania de São Paulo e Minas de Ouro, que mais tarde, em 1720, com objetivo de facilitar a administração dos territórios foi desmembrada pela Coroa Portuguesa, sendo criada a Capitania de Minas, que se tornou conhecida como Minas Gerais. O alvará dessa separação foi datado no dia 2 de dezembro daquele ano, data oficial do nascimento do estado.

As Minas Gerais, quem conhece não esquece jamais

A atividade minerária sempre foi grande no estado, principalmente na época Brasil Colônia, e com isso uma das heranças deixadas pelo período foi a Estrada Real, primeira rota feita pelos portugueses para levar as pedras preciosas de Minas até o mar.

A rota começa em Ouro Preto, localizada em meio às serras mineiras, a cidade reúne o maior e mais importante acervo da arquitetura e da arte do período colonial de todo o Brasil.  O trajeto ainda passa por cidades históricas e marcantes do turismo mineiro como Mariana, a primeira capital de Minas Gerais, Diamantina e seus povoados encantadores, Congonhas, terra dos 12 profetas de Aleijadinho, Lagoa Dourada, lar do famoso rocambole, tradição passada entre famílias, Resende Costa marcada pelo artesanato local, São João Del Rei e Tiradentes, ligadas pelo passeio de Maria Fumaça, cidades que até hoje possuem casarões coloniais, ruas de pedra, igrejas barrocas, e claro, a boa e velha culinária mineira.

A estrada Real corta muitas outras cidades mineiras, algumas delas como Carrancas, São Tomé das Letras, Aiuruoca, Pouso Alto e Itamonte, que são conhecidas pelas suas cachoeiras, fauna e flora diversificadas. MG é a caixa d’água do Brasil, recebe nascentes de grandes rios, por isso, é um dos estados que mais tem cachoeiras no país, recebendo visitas de todo o mundo para conhecer as famosas quedas-d’água.

O turismo no estado vai muito além da rota da estrada Real. As serras que rodeiam o estado, são um desses atrativos, Serra da Piedade, Serra da Mantiqueira, Serra do Cipó, Serra da Canastra, Serra do Caparaó, Serra da Moeda, todas com lindas paisagens, atraem os diversos públicos, desde casais buscando aconchego, até aventureiros que exploram suas trilhas, escaladas e voos de parapente.

Minas ainda é o lar do maior museu a céu aberto do mundo, o Inhotim. Localizado na cidade de Brumadinho, o instituto recebe anualmente milhares de visitantes, repleto de galerias com artes contemporâneas, o museu ainda abrange uma espetacular área verde, com um jardim botânico impecável onde se encontra a maior coleção em número de espécies de plantas vivas entre os jardins botânicos brasileiros.

Minas Gerais é repleto de peculiaridades e elementos que a tornam única. Poucos sabem, mas o estado concentra o maior número de grutas e cavernas do país, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), das 16.034 cavidades naturais registradas, 6.184 (38,5%) estão em Minas. São lugares com mais de 600 milhões de anos de história, esculturas naturais moldadas pela ação da água e formações rochosas.

Duas grutas muito populares são a Gruta do Rei do Mato em Sete Lagoas e a Gruta da Lapinha em Lagoa Santa, na última se encontra o museu Peter Lund com acervo de 80 fósseis e é conhecida como uma das maravilhas da Estrada Real, ambas se localizam na região metropolitana de Belo Horizonte. Para um turista que esteja disposto a se aventurar um pouco mais longe, a Gruta de Maquiné, localizada em Cordisburgo, apresenta pinturas rupestres e outros vestígios arqueológicos. As três grutas formam a Rota das Grutas de Peter Lund, naturalista dinamarquês considerado o pai da paleontologia e arqueologia no Brasil.

A cidade de Cordisburgo não abriga apenas a famosa Gruta de Maquiné, lá também é o local de nascimento de um dos escritores mais importantes do modernismo no Brasil, João Guimarães Rosa. Em seu conto Recado do Morro ele retrata o lugar “(…) tão inesperada de grande, com seus enfeites de tantas cores e tantos formatos de sonho, rebrilhando risos na luz – ali dentro a gente se esquecia numa admiração esquisita, mais forte que o juízo de cada um, com mais glória resplandecente do que uma festa, do que uma igreja”.

Berço de grandes artistas

Guimarães Rosa que assinou importantes obras da nossa literatura como o Grande Sertão Veredas, sempre tratou com admiração o estado em que nasceu. “Minas, são muitas. Porém, poucos são aqueles que conhecem as mil faces das Gerais.” E estava certo.

Minas Gerais é solo de grandes escritores, e outro nome muito conhecido também nasceu em terras mineiras, mais especificamente na cidade de Itabira no dia 31 de outubro de 1902. Um dos mais importantes nomes da poesia brasileira de todos os tempos, poeta, contista e cronista, o nome dele, Carlos Drummond de Andrade.

Itabira foi a primeira casa do escritor que se orgulhava disso, em diversos poemas Drummond, faz referência a cidade, que em forma de carinho e exaltação a sua imagem criou o Museu de Território Caminhos Drummondianos. O lugar é uma espécie de museu a céu aberto, com 44 placas-poemas distribuídas por diferentes pontos da cidade, identificando os locais citados nos poemas de Drummond.

(…) Alguns anos vivi em Itabira. Principalmente nasci em Itabira. Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro. Noventa por cento de ferro nas calçadas. Oitenta por cento de ferro nas almas. E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação (…)

O verso acima faz parte do Confidência do Itabirano, um dos poemas espalhados pela cidade de Itabira, esse em específico se localiza no Memorial Carlos Drummond de Andrade, desenvolvido por seu amigo Oscar Niemeyer. Localizado em um dos pontos mais altos da cidade, o Pico do Amor. Ao chegar no lugar o turista se depara com uma estátua do poeta sentado num banco, o memorial ainda abriga um precioso arquivo de livros de Drummond. A cidade de Itabira mantém a lembrança do poeta sempre viva.

Mas não é apenas dos grandes escritores que nós, mineiros, podemos sentir orgulho. Aleijadinho e Mestre Ataíde, reconhecidos como maiores artistas do período Colonial, o primeiro escultor e o segundo pintor, nasceram nas terras mineiras e nelas deixaram eternizadas suas obras.

Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, nasceu na cidade de Ouro Preto em 1738. Ele é considerado o maior representante do barroco mineiro, conhecido por suas esculturas em pedra sabão, um exemplo delas são os profetas do Santuário de Bom Jesus de Matosinhos em Congonhas.

Próximo de Ouro Preto, em Mariana nascia no ano de 1762, Manoel da Costa Ataíde, o Mestre Ataíde, produziu um acervo imenso de pinturas espalhadas pelo estado, principalmente em igrejas. Na famosa Matriz de São Francisco de Assis, em Ouro Preto, se eternizou uma de suas criações, a Assunção de Virgem Maria, rodeada de uma orquestra de anjos.

E é assim, com grandes Mestres como Ataíde, Reis como Pelé, ou até mesmo aqueles que não nasceram em Minas, mas são mineiros de coração, como é o caso do excepcional e único Milton Nascimento, que Minas se consagra como um berço de grandes artistas.

“De uma terra tão distante do mar 

Vem trazendo esperança para quem quer

Nessa terra se encontrar

E o trem…

Gente se abraçando

Gente rindo

Alegria que chegou no trem

(o trem…o trem…o trem)”. 

 

*Edição: Daniela Reis