Cultura

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*Por Bianca Morais

Hoje vamos apresentar a primeira Banda do Almanaque Bandas Independentes. Venha conhecer a história da Radiotape, há 14 anos na estrada, os rapazes já viram todo o cenário da música de BH crescer e evoluir. Para quem curte um rock vale a pena conferir.

Badaró deu à luz a Radiotape (ao EP também, mas falamos mais pra frente) no ano de 2006. Vindo de Ubá, trouxe consigo as ideias no papel e no violão. 14 anos de banda não é para qualquer um, por isso seus integrantes mudaram muito desde o começo até hoje. Muitos amigos passaram pela banda que, atualmente, tem como formação Adilson Badaró nos vocais, Bruno Bentes na bateria, Henrique Rocha na guitarra e Bruno Groth no baixo.

“Banda é aquele negócio, você vai fazendo, mas sua vida vai tomando um monte de direção”, conta Badaró.

Em 2010, o segundo integrante mais antigo entrou na banda, o Bentes. Após a saída do antigo baterista, Caputo, que havia começado com o Badaró a banda, a Radiotape procurava por alguém para ocupar o seu lugar. Por indicação de amigos em comum e, por tocar Beatles e Strokes, as ideias foram batendo, Badaró e Sallum convidaram o Bentes para tocar com eles e está aí até hoje.

*Pode ser que quando você for a um show da Radiotape, da Ous ou da Devise, vai escutar a galera chamando o Bentes de Frendes, e não, você não está confundindo um nome com o outro. Às vezes ele é o Bentes e às vezes ele é o Frendes, e às vezes todo mundo é Frendes.

Confuso? Sim. Mas vou tentar explicar. O Badaró tem um amigo no trabalho que sempre chegava e falava “Fala, Frendes”. Um dia, o Badaró foi perguntar para ele o porquê dele sempre chamar todo mundo de frendes, e ele explicou que friends é amigo em inglês.

Explicação óbvia? Poderia até ser, se não fosse por causa do Bentes. Quando o Badaró conheceu o Bentes, ele já usava o frendes e explicou o sentido para ele. Acontece que o Bentes começou a falar Frendes mais que todo mundo, e então todo mundo passou a chamá-lo de frendes. A combinação com o nome? Coincidência.

Não sei se consegui ser clara o suficiente na explicação, mas acredito que se você tentar ler mais umas cinco vezes você consegue, vai lá, faz um esforço.

BH É UM OVO e eu vou explicar o porquê.

Acasos não acontecem nessa banda, ou acontecem. O Henrique, talvez você o conheça por Toxina, ou talvez você nem o conheça, é primo da Verônica, que é noiva do Badaró, que o indicou para tocar baixo na banda. O Badaró já conhecia o Toxina de outros rolês. Mais precisamente pelo tal de Rodner que estudou com Henrique na UEMG em 2009 e o levou para tomar uma na Savassi e, chegando lá, conheceu o amigo dele, o Badaró. Então não foi difícil sua entrada na banda lá em meados de maio de 2016. Ele entrou no final da gravação do EP Luz.

O EP conta com as faixas Luz, Capataz, Fotossíntese e Vou Seguir. Confira nas plataformas de streaming.

O nome Toxina, segundo ele, vem lá de sua antiga banda de hardcore no colégio.

E mais um acaso? A Verônica, noiva do Badaró, também é cantora independente. Confira nas plataformas a música “Além de mim”.

O Groth já conhecia o som da Radiotape por meio do Bentes por tocarem nos mesmos lugares com suas bandas covers de indie rock: a Konk e a Juicebox. Em 2017, a banda se encontrava sem baixista para um show depois que o Raphael Jardim, da banda Ous (falaremos dela na sequência) que estava tocando na Radiotape precisou sair. Bruno entrou, fez um show rápido, e desde então não saiu mais.

Lembra que eu pedi para se concentrarem nos detalhes, certo? Ainda tem muita história para descosturar nesse rock independente de BH.

Radiotape: Assim como a maneira que Badaró escutava as músicas na sua infância e adolescência, sempre em fita, as primeiras gravações da banda também eram gravadas nelas. Por isso, do inglês tape, a banda Radiotape. Caso estejam se perguntando, a pronúncia correta é: rádio (em português) e tape (em inglês) = Radiotape. Junta aí e é só sucesso.

A Radiotape não gosta de rótulos. Produz suas músicas, mas também se diverte tocando músicas das bandas que gostam. Em suas letras autorais você encontra a mistura de todas as influências, desde o pop rock até o britpop. Segundo eles, é um som bem orgânico e nada industrial. Eles fazem música de forma natural e porque gostam de fazer isso.

Se para alguns o rock está morto, para eles está bem vivo e não têm medo de explorá-lo cada vez mais.

A mistureba da Radiotape:

Tem Oasis, Led Zeppelin, Beatles;

Tem Legião Urbana, tem Capital Inicial, tem Skank;

Tem Clube da Esquina (como todo bom mineiro que faz música);

Tem aqueles que dizem que lembra um pouco Cachorro Grande;

Tem o Badaró que carrega consigo suas raízes caipiras e tem também o Henrique acelerado no hardcore.

Cada um acrescenta e agrega um pouco ao som.

Na hora de compor, é o Badaró que chega com a melodia cantarolada e então só depois a letra vem aparecendo. Melodia é a raiz da letra.

Tonight: É um exemplo de música que veio do cantarolado de Badaró e depois quem disse que conseguiram substituir a palavra tonight? A banda sem rótulos não viu nisso um problema e resolveu manter a palavra em inglês.

A canção é sobre nossa sensação na noite, de liberdade, despreocupação.

“Quando perceber que é fácil, se perder pelo espaço, quero não sentir limites, TONIGHT.

Vou sair ter que voltar, se perder não quero procurar, vou dormir sem ter que acordar”.

Aproveitando a pegada de “Tonight”, confira também “Enquanto os outros dormem”.

Enquanto os outros dormem, a Radiotape sai por BH curtindo o momento. A noite deles demora a terminar e, quando acaba, geralmente é lá no Rei do Pastel, tomando uma cachaça.

“Pegue o copo fique mais um pouco ainda temos muito para conversar. Oh não vá.

Sei que é tarde mas ainda é cedo nossas noites nunca vão se acabar antes das seis”.

Curiosidades

Em 2008 a banda abriu o show do Keane.

Agora o interessante da história está em como eles conseguiram.

Diferente do que acontece hoje em 2020, lá em 2008 não tinha isso de plataformas de streaming e quem queria divulgar suas músicas carregava um CD.

E foi assim que em um show do Little Joy, Badaró entregou um disco da Radiotape para o produtor do evento, falou da banda e que caso houvesse uma oportunidade, poderiam abrir um show da Patofu (humildes sempre). Conversa de porta de casa de show, como conta o vocalista da banda.

Esse produtor deixou esse CD no escritório, onde a secretária começou a ouvir.

Na época, a banda Fresno, que abriria os shows do Keane no Rio de Janeiro e São Paulo, não viria para BH, abrindo as portas para as bandas da capital. O produtor então juntou o material de algumas bandas e a secretária dele colocou junto o CD da Radiotape, dizendo ter gostado muito do som. Esse material foi enviado à produção do Keane, que escolheu a banda Radiotape.

“Gratidão eterna à secretária que curtiu nosso som”.

Para a banda, eles não miram um público específico, fazem as músicas e esperam atingir quem se identifica com elas.

 

 

*Esse é um produto resultado do Trabalho de Conclusão de Curso do Centro Universitário Una da Jornalista Bianca Morais.

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Uma série dedicada às bandas independentes da capital mineira

*Por Bianca Morais

O Jornal Contramão, a partir de hoje, apresentará uma vez por semana histórias do Almanaque Bandas Independentes, produzido como meu Trabalho de Conclusão de Curso. No projeto entrevistei bandas independentes de Belo Horizonte e contei um pouco sobre suas histórias. Para começar, apresento uma parcela sobre o cenário desses artistas que tem crescido nos últimos anos. Nesse trabalho passaram grupos bem conhecidos da capital mineira, são eles: Radiotape, Ous, Devise, Chico e o Mar, Matiza, Lamparina e a Primavera, Rosa Neon, Duetê, Papa Black e Daparte. Então, fique de olho aqui no nosso site e nas redes sociais que a cada semana traremos uma banda diferente.
Confere aí, vale a pena!

Um pouco de história 

Belo Horizonte é um berço de grandes compositores que construíram boas referências na história da música belorizontina. Porém, de um tempo para cá é possível visualizar uma movimentação maior do cenário da música independente crescendo, com muita gente produzindo conteúdo de qualidade.

A cena independente de BH vive então uma nova fase que já se repete há alguns anos.

Tudo começou na década de 60 com eles, os pioneiros, o Clube da Esquina. O movimento musical mostrou que mineiro sabe fazer música boa, com grandes nomes como Milton Nascimento, os irmãos Borges e Beto Guedes. O grupo serviu de ponta pé para o Brasil enxergar que Minas é berço de grandes artistas.

Anos depois, outras bandas marcaram o cenário musical belorizontino, foram elas Skank, Jota Quest, Pato Fu e Tianástacia, bandas que explodiram e fazem sucesso até hoje nas rádios do país.

Depois desse boom de bandas de pop rock lá no final dos anos 90 e início dos anos 2000, mais uma vez o cenário se apagou. Durante um bom tempo, as bandas de Beagá ficaram adormecidas e voltaram a acordar poucos anos atrás. Para ser mais específica, com o aparecimento da banda Lagum. Com os olhares sempre voltados para Rio de Janeiro e São Paulo, a banda mineira apareceu e conquistou o Brasil inteiro com o hit Deixa, voltando os holofotes mais uma vez para a capital mineira.

O almanaque

Mas esse almanaque não está aqui para contar sobre essas bandas famosas, essas vocês já conhecem. Vou contar como a Lagum e todas as outras bandas servem de motivação para as demais bandas correrem atrás do sucesso. Depois de tanto tempo sem alguém de fato progredir, a Lagum explodiu, incentivando quem estava com sede de correr atrás de fazer seu som.

Este é um almanaque sobre bandas independentes, com artistas que se expressam através de suas próprias músicas, independentemente do grande mercado da música nacional. Fazem, assim, parte de um movimento cultural local. Durante muitos anos, antes que a Lagum aparecesse, Belo Horizonte viveu uma efervescência de música cover. O Circuito do Rock, formado por três casas noturnas (hoje apenas duas em funcionamento), foi o grande incentivo para isso. Ir para um lugar beber e escutar músicas que você já conhece parece um plano perfeito para um sábado a noite, certo?

E por anos isso ficou na cabeça de muitos. Mas tocar música de outros artistas acaba despertando a vontade de produzir algo seu, de se arriscar, e a capital mineira tem dado toda a motivação possível.

A cabeça dos contratantes também vem mudando. Se antes era somente cover e pouca liberdade para mostrar o autoral, hoje eles têm dado espaço para a galera que tem algo novo e diferente para mostrar. Afinal, no futuro você não vai querer ser o cara que disse “não” para aquela banda que está fazendo sucesso nas rádios e televisões.

Grandes festivais na cidade como o Planeta Brasil e o Sarará, que recebem pessoas de todos os estados brasileiros e até atrações internacionais, têm dado muito espaço para essas bandas independentes se apresentarem, fazendo palcos como o “Locais”, onde se apresentam artistas da própria cidade.

Cada vez mais, essas bandas têm se unido e criado festivais independentes para tocarem; e o mais interessante é que o público está realmente pagando, comparecendo e valorizando esse cenário. A vontade de conhecer coisa nova tem aparecido aos poucos na mente das pessoas.

O comportamento tem mudado e a esperança dos artistas de fazer esse movimento dar certo, também.

“Se aqueles caras da Lagum fizeram e deram certo, por que eu não vou tentar também?”

O cenário sempre existiu, mas agora com mais destaque e diversidade de estilos. Um dos fatores que motiva essas bandas a se arriscarem é a democratização do acesso. A internet e a facilidade de conhecer conteúdo novo caminha ao lado do trabalho independente.

É um momento muito bonito e justamente por isso não foi nada fácil selecionar as 10 bandas que aqui estão.

Todos os nichos e gêneros têm artistas fazendo um trabalho maravilhoso, mas para poder registrar e mostrar um pouco do que está acontecendo selecionei bandas de rock e pop em que cada membro (vocal, guitarra, baixo, bateria, teclado, entre outros) tem seu papel único.

A quantidade de bandas não faz diferença porque não é um mercado de competição. Na área cultural, quanto mais diversidade, mais fácil a visibilidade de cada uma no todo. Uma banda puxa a outra e ninguém se sobressai.

Espero que goste e até semana que vem!

 

 

*Esse é um produto resultado do Trabalho de Conclusão de Curso do Centro Universitário Una da Jornalista Bianca Morais.

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Projeto disponibiliza toda semana dois filmes para o público acompanhar direto de casa

Por Guilherme Sá

Sem poder receber o público em sua sala, o Cine Cento e Quatro, um dos poucos cinemas de rua ainda em operação, disponibiliza através da plataforma online vimeo obras do cinema elogiados pela crítica especializada e premiadas em grandes festivais.

A curadora do projeto Mônica Cerqueira comentou que a ideia nasceu da realocação de uma verba já capitaneada pelo espaço – “Foi uma ideia mais que natural, temos um projeto aprovado pela lei federal de incentivo à cultura e patrocinado pelo BMG, a gente tinha recursos para fazer alguma coisa, pedimos uma readequação ao Ministério tendo em vista essa coisa da pandemia e lançamos esse projeto em março.”

A escolha dos filmes, segundo Mônica leva em conta dois critérios, primeiro a vasta filmografia, no catálogo filmes de países como França, Argentina, Israel, Estados Unidos, Coréia do Sul, Canadá, Brasil e outros, e o segundo, a análise profissional. “Eu leio muito para conhecer o filme, peço lead, mas tento ser o mais abrangente possível, mais universal e mantendo essa coisa do que eu chamo de Outro Cinema, que não seja um filme de apelo estritamente comercial, não que eu tenha algo contra o cinema comercial mas é que esses já tem muito espaço, prefiro os com corte independente, autoral eu diria.” conclui.

A programação tem sido elogiada e repercutido positivamente junto ao público, com cada vez mais acessos, um exemplo é o longa ‘Arábia’ dos mineiros Affonso Uchoa e João Dumans, rodado em Ouro Preto e vencedor do 50º festival de Brasília, campeão de visualizações no projeto. Segundo a curadora foram cerca de 2600 clicks. Em virtude do sucesso e atendendo a pedidos, a organização adotou a estratégia de re-apresentar algumas obras as quartas-feiras. 

A exibição funciona da seguinte forma: toda quarta e sexta a partir do meio dia fica disponível nas redes sociais e no site do Cento e Quatro o link de acesso e senha para plataforma vimeo, o público tem 48 horas para assistir. 

A programação segue enquanto durar as medidas de restrição de circulação impostas devido a pandemia de Covid-19.

CENTO E QUATRO

Inaugurado em 2009 o espaço de ocupações culturais e eventos abriga cinema, restaurante e galerias multifuncionais. No casarão construído no início do século XX funcionou a primeira fábrica industrial da nova capital. Localizado no coração de Belo Horizonte, perto da estação central e o CRJ (Centro de Referência da Juventude), o edifício é tombado pelo poder público e integra o conjunto arquitetônico e paisagístico da Praça da Estação. 

Acesse as redes sociais do Cento e Quatro e fique por dentro: 

Instagram Facebook

 

 

* Matéria supervisionada por Italo Charles e Daniela Reis

 

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Foto: Divulgação

Programação conta com mais de 60 apresentações explorando as possibilidades do fazer artístico dentro do cenário virtual 

Por Guilherme Sá

Ao adentrar pelas porta do casarão Estrela, a impressão é mergulhar no cenário cheio de sentimentos. Lembro-me bem da primeira vez que ali pisei, no primeiro semestre de 2019. As paredes da construção, feridas pelo tempo, mostram suas cicatrizes, a energia tem algo diferente, não é pesada, mas demonstra que um dia foram. Os artistas e colaboradores ocupantes, constroem suas entranhas mas também as deixam visíveis, não querem apagar a sua história. Transformaram o lugar escuro e sem vida em uma das maiores ações coletivas dessa cidade.

A partir dessa união, criaram-se ações como a que acontece até o dia 31 de julho. A Ocupação Espaço Comum Luiz Estrela em Belo Horizonte, realizará o 2º Festival de Inverno – Inverno Estelar – com uma programação extensa com participação de artistas, ativistas, arquitetos, psicólogos, educadores e produtores culturais locais, nacionais e estrangeiros. Neste ano a edição acontece totalmente online.

Construído por cincos mulheres produtoras, mas também de diferentes carreiras (característica bem comum do coletivo), são elas, Luciana Lanza (bailarina e produtora), Deise Eleutério (arquiteta e produtora), Gabrielle Salomão (bailarina e produtora), Mariana Angelis (designer e produtora), Maria Câmara (psicologa e produtora) e Yasmine Rodrigues (atriz e produtora). 

O desenho do festival surgiu na assembléia geral do Coletivo Estrela (grupo  responsável pela administração do espaço desde 2013) com o objetivo de manter ativa as ações que já vinham sendo desenvolvidas. “A gente se juntou, vamos ajudar, fazer juntos na cara e na coragem. Fizemos um edital e estamos aí experimentando essa coisa nova que é fazer tudo de forma virtual.” diz, Luciana Lanza.

A programação inclui, exposição de retratos e zines, apresentação musical, sarau, performances, discussões sobre patrimônio, oficina de percussão, de atuação para cinema, cerâmica, redação, fotoperformance, entre outros. Mas como fazer tudo isso dentro do ambiente virtual?

Mudar, adaptar e experimentar foram pontos chaves para o processo de criação do festival e quebra das dificuldades encontradas. Luciana Lanza comenta que, cada artista está á procura da melhor forma de expressão da sua arte e está aberto ao novo. “É um festival muito amplo, os artistas estão experimentando também junto com a gente, ninguém sabe qual é a melhor plataforma, a melhor mídia, melhor horário. Enfim, muitos desafios que a gente está encarando, quase que no escuro mas com muita vontade de fazer.”

Lançado o edital em junho, nos canais de comunicação, a seleção foi simples e natural, o que deixou claro que não haveria remuneração aos artistas, mas, ao encontrar apoio na vontade de construir coletivamente o festival. “Acontece que o estrela já tem um público de pessoas que acompanha, entendi quais são as lutas do lugar e, como é um coletivo muito grande que comporta muitas lutas, muitas temáticas, então o festival não poderia ser diferente. Ele recebe todo tipo de linguagem, de performance, música, dança, teatro, rodas de conversa, uma diversidade de pessoas que comunga das mesmas ideias.” conclui, Luciana. 

Para a mineira Anne Cruz que realizou a live show no último sábado, 25, a participação no festival foi o momento de mostrar sua versatilidade como cantora e apresentar-se para um público novo “A princípio fiquei com receio, pois seria uma live fora do meu canal, mas comprei a ideia de participar. Eu tive todo suporte da produção do evento. Live é um show virtual, eu tenho de criar um bom repertório, lidar com minha timidez para poder levar um entretenimento de qualidade para as pessoas que disponibilizaram seu tempo para poder me assistir.”

E também foi a oportunidade do público que já a segue, assistir sua estréia em um show solo. “Foi minha estreia cantando sozinha, na minha jornada eu vinha fazendo participações em  algumas rodas de samba em BH, e com essa onda de live, eu  venho fazendo minhas apresentações sozinha. A participação no festival foi um marco na minha caminhada como cantora. Foi muito gostoso, as pessoas interagiram com show virtual, foi lindo participar desse projeto.” comenta. 

Outro destaque é o artista amapaense Nau vegar, que apresentará no dia 31 ao lado de Thayse Panda e  Geisa Marins, com o perforbar no instagram – um bar online onde quem entrar na live poderá interagir com o artista, como se fosse um bate papo de buteco, e enquanto conversam sobre qualquer tema, fará o uso das ferramentas da plataforma, como os filtros, criando algo novo a partir das possibilidades e a experiência do encontro de diferentes pessoas. 

Para Nau, a participação no Inverno Estelar representa a conexão com um público novo, “Minhas expectativas na verdade é mais pelo público, o público que vamos receber será o público do Luiz estrela, então não sei como será.”  

O organizador do Mizura – Encontro de Performance e Intervenção Urbana no Amapá, um dos maiores do Brasil, o ator e performista comenta que sua arte utiliza principalmente do corpo para construir o espetáculo “Eu trabalho com a arte da Performance como pensado dentro das artes visuais, a arte do corpo, meu corpo é meu instrumento de trabalho. Eu não tenho uma forma de criação específica, se dá de diversas formas, lendo um livro, assistindo a um filme, ou as vezes sou atraído por algum objetivo, ou material e a partir daí eu crio um trabalho.” 

Em relação ao desafio de apresentar-se online, o artista enxerga a possibilidade de explorar os novos meios de criação performática. “Essa será a terceira vez que faço essa ação, mas tô aprendendo ainda, mas está sendo uma experiência maravilhosa, é também uma forma de explorar o campo da tecnologia que até então, não dava tanta atenção.” conclui. 

A OCUPAÇÃO ESPAÇO COMUM LUIZ ESTRELA

A ocupação cultural e autogestionada nasceu em 2013 através da reunião de um grupo de amigos, artistas e moradores da capital preocupados com o abandono do casarão da rua Manaus, bairro Santa Efigênia. 

O local foi usado para diversas finalidades. Sua origem remonta o início da construção de Belo Horizonte, servindo de Hospital Militar até 1945, após esse período, reformado para abrigar o Hospital de Neuropsiquiatria Infantil (HNPI) que funcionou até os anos 1990, com a mudança do HNPI, o espaço foi transformado em escola para o ensino de crianças com transtornos intelectuais, escola estadual Yolanda Martins, o que perdura até o ano de 1994.

Com a escola desativada, começa então o processo de abandono advindo de diversas disputas de uso que nunca foram prosseguidas, em 20 anos de deterioração e em péssimas condições estruturais ganha uma nova chance de vida e utilidade com a ocupação. 

A organização do coletivo é composta por núcleos que atuam na restauração, preservação, administração financeira e jurídica além da implantação de atividades culturais, políticas e educacionais, devolvendo luz a construção que viu tantos horrores no passado.

Faz parte da filosofia do local a luta antirracista, em defesa da negritude brasileira, pelo direitos dos povo indígenas, LGBTQIA+, a luta antimanicomial, em defesa da população de rua, a luta pelos direitos humanos e em defesa das Ocupações do país.  

O nome do espaço é uma homenagem ao Luiz Estrela, poeta e morador de rua que foi assassinado em 2013.

Para assistir e acompanhar a programação do Festival entre nas redes sociais da ocupação:

Instagram, Facebook e Youtube

 

 

 

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Elas ganham espaço nessa arte marcada pelo protesto

A arte está quebrando os tabus da sociedade e abrindo espaço para as artistas

*Por Marcelo Duarte Gonçalves Junior

A voz feminina no grafite vem ganhando forças. A arte democrática é bastante presente em Belo Horizonte e pode ser vista em muros e prédios ao longo de toda a cidade. Alguns desses trabalhos foram produzidos e executados apenas por mulheres, que inspiram-se em formas, sentimentos e protestos.  “Para mim, o grafite é empoderamento e coragem. Sempre me escondi muito e quando passei a me dedicar à essa arte de rua, me soltei mais. O grafite foi uma válvula de escape, porque eu enfrentei vários problemas com autoestima,  e as tintas foram para mim uma terapia, uma forma de reconhecer quem eu sou.”  Comenta a estudante de publicidade Samira Fernandes, conhecida no universo grafiteiro pelo seu apelido Sam.

Para a estudante, Joice Oliveira, saber que o grafite vem ganhando reconhecimento e que também as mulheres estão conquistando cada vez mais espaço na arte é um indicativo de que nós estamos no caminhando para a igualdade na arte. “É muito interessante ver que o grafite à tempos vem ganhando os muros e prédios de BH, colorindo e trazendo muita diversidade,  e é extremamente importante ver que as mulheres vem ganhando espaço e podendo expressar cada dia mais que também pertencem a este movimento, que sempre foi tão predominado pelos homens”.  pontua.

Buscando sempre um olhar de inclusão o grafite é a forma de se expressar, muitas vezes com o teor de protesto, o que faz a arte sempre ser vistas sempre por várias interpretações. “O grafite é uma arte muito democrática, vai ter diversas interpretações e isso vai depender de cada um”. comenta a grafiteira Krol (Carolina Jaued).

Para Tina Funk (Marcia Cristina), artista plástica e grafiteira, a cada dia o mercado do Grafite é agraciado com a presença das mulheres, que buscam sempre inspirar umas às outras. “O reconhecimento é muito gratificante, é ótimo poder ver que as pessoas se encantam com um muro grafitado por nós.  Eu acho de extrema importância  poder grafitar e inspirar outras mulheres, no dia-a-dia”, comenta.

Mas engana-se quem pensa que ainda não existe machismo dentro da arte, muitas vezes algumas artistas são inviabilizadas dentro da arte não ganhando os devidos créditos. “Nós continuamos enfrentando barreiras, principalmente o preconceito, ainda somos vistas com olhares misóginos , como se o grafite pertencesse somente aos homens”, comenta a grafiteira Krol (Carolina Jaued).

Para a aluna do ensino médio Marcelly Fernandes, buscar cada dia mais a igualdade feminina dentro da arte do grafite é o primeiro passo para quebrarmos alguns estigmas que ainda rondam a sociedade. “Quando eu vejo um grafite a primeira coisa que me chama atenção é como a arte é transmitida por cores e formas que atraem o olhar, muitas vezes, a primeira impressão que temos é de nós perguntar quem foi o grafiteiro que fez. E esquecemos que uma mulher poderia ser a autora do desenho. Temos que mudar essa visão machista sobre a arte do grafite e um dos primeiros passos para acabar com isso é sempre incentivar as mulheres a conquistar o seu espaço.”, comenta ela.

Novas gerações

O grafite é uma arte que vem sendo passada de geração para geração, sempre carregada de bastante protesto. Mesmo tomando os muros da capital mineira para Carolina ainda temos muito ainda o que aprender e também podermos ensinar sobre a arte. “A cidade de Belo Horizonte ainda é muito fechada, as pessoas tem aquele jeitinho antigo e a cultura não muda de um dia para outro. As novas gerações que veem o grafite de forma diferente, aceitam os desenhos como arte e isso colabora para o crescimento do movimento”,  comenta Krol.

 

*A matéria foi produzida sob a supervisão da jornalista Daniela Reis

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Campanha de Popularização do Teatro e da Dança movimenta a capital e região metropolitana

A 46ª campanha de popularização do teatro e da dança acontece até o dia 16 de fevereiro

*Por Joyce Oliveira

Ahh… as férias! Uma pausa da correria do dia dia, tempo livre para fazer coisas diferentes, sair da rotina, dar uma relaxada, como não amar as férias?Porém, muitas vezes o baixo orçamento acaba sendo uma pedrinha no sapato de quem quer curtir esse período e a Campanha de Popularização do Teatro e da Dança vêm como uma opção de diversão sem pesar no bolso. Com 150 espetáculos, todos montados por artistas mineiros, a campanha traz ingressos à preços populares que variam entre dez e vinte reais, o que dá margem para fazer uma programação cultural para crianças e adultos até o dia 16 de fevereiro.

A 46ª edição tem como novidade a extensão da campanha para além de Belô. Agora as sessões também acontecem em Betim, Contagem, Confins, Juiz de Fora, Ribeirão das Neves e Sete Lagoas.

Na edição anterior 460 mil pessoas estiveram presentes nos espetáculos oferecidos. Para bater esse público, o Sindicato dos Produtores de Artes Cênicas de Minas Gerais (Sinparc) conta com 52 atrações estreantes e também com a proximidade do carnaval que atrai muitos turistas desde o aquecimento da folia ainda em janeiro.

Com peças para todos os gostos e idades, a programação conta com espetáculos de comédia, dança contemporânea e clássica, drama, infantis, mostras especiais, stand-ups e teatro de rua. Sendo os de humor os mais procurados. O slogan “Você na Campanha” traduz a intenção de atrair ao teatro pessoas que não frequentam espaços culturais e divulgar artistas e produções mineiras não só no período da campanha, mas durante todo o ano.

As montagens agradam o público, um exemplo é a peça veterana Um Espírito Baixou Em Mim, do ator e diretor Maurício Canguçu que está em cartaz e detém a maior bilheteria do evento há 21 anos. O artista também está envolvido em mais três peças desta edição.

Como comprar 

Os valores de dez e vinte reais são válidos apenas para as compras nos postos Sinparc e na internet. Nas bilheterias dos teatros, são cobrados os valores integrais dos ingressos. Na internet você compra no site https://www.vaaoteatromg.com.br/  ou no aplicativo Vá ao Teatro, com pagamentos somente no cartão. Nos postos oficiais é possível adquirir os ingressos com dinheiro e cartão de débito. O posto do Shopping Cidade também aceita Dotz e Vale Cultura.

Qualquer dúvida basta entrar em contato no (31) 25517758 de segunda a sábado das 10h às 19h, e aos domingos até às 18h. As dúvidas sobre vendas on-line podem ser esclarecidas no atendimento@vaaoteatromg.com.br

Aqui você encontra o guia de toda a programação: https://www.vaaoteatromg.com.br/files/7da1c16303feda6ee936236746badb46.pdf

Você pode comprar também nos postos físicos oficiais:

Belo Horizonte

  • Posto Mercado das Flores (avenida Afonso Pena, 1055, esquina com Rua da Bahia, centro)

Seg a Sáb das 10h às 19h, Dom das 10h às 18h.

  • Posto Shopping Cidade (rua Tupis, 337, G5, centro)

Seg a Sáb das 10h às 19h, Dom das 10h às 18h.

  • Posto Shopping Pátio Savassi (Av. do Contorno, 6.061, Piso L3, Funcionários)

Seg a Sáb das 12h às 19h, Dom das 14h às 18h

  • Posto Shopping Estação BH (avenida Cristiano Machado, 11.833, Piso 2, Venda Nova)

Seg a Sáb das 12h às 19h, Dom das 14h às 18h

  • Posto Shopping Oiapoque BH (avenida Oiapoque, 156, Piso 2, Box J106, centro)

Seg a Sáb das 10h às 19h, Dom das 09h às 15h

Betim

  • Posto Partage Shopping Betim (rodovia Fernão Dias, KM 492, 601, 3º Piso)

Seg a Sáb das 12h às 19h , Dom das 14h às 18h

Contagem

  • Posto ItaúPower Shopping (avenida General David Sarnoff, 5160, 2º piso, Cidade Industrial)

Seg a Sáb das 12h às 19h, Dom das 14h às 18h

  • Posto Shopping Oiapoque Contagem (Térreo- Box 275) (rua Mario vital, 168, Térreo, Box 275, Eldorado)

Seg a Sáb das 10h às 19h, Dom das 09h às 15h

 

  • A matéria foi realizada sob a supervisão da jornalista Daniela Reis