Cultura

Estatuetas customizadas em tamanho real de um bebê elefante, encontram-se espalhadas pela cidade.
Por Moíses Martins

Uma das maiores exposições de Arte Pública do Mundo, Elephant Parade, desembarcou recentemente na capital mineira. O projeto começou em 2006, com inspiração em Mosha, um bebê elefante de 7 meses que teve uma de suas patas dianteiras amputadas depois que pisou em uma mina terrestre, próximo à fronteira entre Tailândia e Mianmar. A Elephant Parade foi a forma encontrada para buscar recursos para cuidar da elefanta Mosha, comprar sua prótese anualmente (uma vez que o tamanho da prótese muda conforme ela cresce), além de ajudar todos os outros elefantes asiáticos que sofrem com as minas terrestres e com os maus tratos praticados por caçadores em busca de Marfim (material arrancado das presas dos elefantes).

Querubins | Foto Moisés Martins

Ao final de cada exposição, as estátuas de elefantes são leiloados e parte da quantia arrecadada é destinada à filantropia local, a projetos de preservação dos elefantes e aos artistas participantes.

O maior valor pago por uma estátua da Elephant Parade em um leilão foi de £155,000 o que equivale aproximadamente R$ 724.555. A estátua foi criada pelo artista Jack Vettriano, em 2010, na Elephant Parade London.

O ateliê de pintura oficial, bem como a exposição dos elefantes, está acontecendo no Shopping Pátio Savassi, onde ficará exposta até o dia 15 de maio. Outras peças também estão expostas em áreas livres da cidade, como Praça da Liberdade e Praça da Savassi.

 

 

por Moisés Martins (aluno do 3° período de Jornalismo Multimídia)

O tema da primeira mesa foi “Resistências Cotidianas”, inspirado pelo Dia Internacional da Mulher, celebrado no último dia 8 de março. O Mulheres Comunicam tratou em toda discussão, as condições das mulheres na contemporaneidade.

As convidadas da primeira mesa; Polly do Amaral, Larissa Metzker, Gilmara Silva Souza, Cristina Tolentino, trataram de temas importantes e atuais, como o papel da mulher na sociedade moderna, machismo, feminismo entre outros.

A noite foi marcada por frases fortes, lágrimas, indignações e pequenas manifestações contra a morte da Vereadora Marielle Franco assassinada a tiros no Rio de Janeiro, no último dia 14.

Gilmara Souza começou o seu discurso sem palavras e disse que: “No silêncio e no sorriso tem muita coisa”. Disse também que: “Tem humanos que podem existir tem humanos que não, Marielle não podia”

Outra frase Marcante foi da Jornalista Larissa Metzker que disse “A gente precisa romper, tentar intervir nessa política”. A noite não parou por aí, a segunda mesa falou sobre “Desafios no Trabalho”, onde as convidadas falaram sobre empreendedorismo feminino no trabalho.

Ao entrevistar uma convidada que participou do encontro, a Pedagoga formada pela UFMG Kenia Araújo, disse que a temática lhe interessou bastante, e que um ponto positivo do encontro foi levar os presentes a reflexão sobre o lugar que cada um ocupa no mundo, considerando o outro como sujeito que também tem direitos.

Aberto ao público, o Ciclo de Debates e Mostra de Cinema ocorrerão no Campus Liberdade e no Anexo I (prédio do ICBEU), entre os dias 14 e 24 de março de 2018.

 

Imagem: Reprodução

Por Bruna Valentim

Marielle Francisco da Silva aos 36 anos foi a quinta vereadora mais votada na cidade do Rio de Janeiro na última eleição e tinha alcançado um lugar de fala onde era referência para milhares de mulheres com as mesmas lutas, vivências e ideais. Marielle era mulher negra, bissexual e periférica se fazendo presente em locais comumente negados a seus semelhantes. Se formou em sociologia pela PUC-RIO e defendia as minorias, os direitos humanos e não temia falar o que pensava ou lutar por justiça. Tinha fé em um mundo melhor e foco para fazer acontecer, em pouco mais de um ano integrando a câmara dos vereadores apresentou mais de 20 projetos de leis, que tinha como foco alcançar melhorias para as minorias supracitadas, e teve dois aprovados.

Na última quarta-feira, dia 14, porém, a vereadora teve sua vida interrompida de forma cruel ao ser alvejada com diversos tiros enquanto voltava para a casa, após sua participação no debate “Jovens Negras Movendo as Estruturas”, organizado pelo seu partido PSOL, realizado no espaço Casa das Pretas no bairro da Lapa na capital do Rio de Janeiro. No momento de seu assassinato, a vereadora estava acompanhada de seu motorista, Anderson Pedro Gomes de 39 anos e sua assessora, a única sobrevivente do ataque.

Enquanto Franco era alvo, Gomes, seu motorista, foi vítima do acaso. O condutor do veículo estava em sua última semana como funcionário de Marielle, com quem vinha trabalhando nos últimos dois meses cobrindo a licença de um amigo. Em breve Anderson iria começar um período de teste para mecânico de uma empresa de aviação e demonstrava empolgação pela nova carreira que almejava trilhar. Gomes acabou sendo atingido por 3 balas e não resistiu aos ferimentos, deixando assim a esposa Agatha e um filho, o pequeno Artur.

 Nos últimos dias a internet também tem sido tomada por homenagens a Marielle. Personalidades como Bruno Gagliasso e MV BILL, passando pelo colega de partido e amigo íntimo da vereadora, Marcelo Freixo, chegando a cantora americana Lauren Jauregui e a top model britânica Naomi Campbell, milhares de pessoas tem prestado suas condolências diante do ato de barbárie que vitimou Marielle e Anderson. No último domingo, em passagem pelo Brasil com a turnê “Witness” a cantora americana Katy Perry chamou ao palco a família de Marielle prestando uma emocionada homenagem a socióloga após cantar Unconditionally.

No exterior, países como Estados Unidos, Argentina, Inglaterra, Colômbia, Portugal e França ao também tiveram atos Convocados pelas comunidades brasileiras que moram no exterior, movimento negro e organizações de mulheres.

Por aqui, a indignação, a raiva, a tristeza e o luto fizeram milhares de brasileiros irem às ruas nos últimos dias pedindo justiça para Marielle, Anderson e tantas outras vidas tiradas sem o menor pudor e de maneira tão cruel. O povo clama por justiça com um desespero agudo, uma urgência de paz, uma sede por melhorias. As causas por qual Franco tanto lutava, hoje lutam bravamente por ela. Quem quer que esteja por trás de sua morte pode ter tido o objetivo de silencia-la, mas o senso de justiça do Brasil tem gritado cada vez mais alto desde o último dia 15. O país tem feito coro ao dizer que vidas negras importam e o legado de Marielle ainda vive.

Em Belo Horizonte, ocorreu na última quinta-feira na Praça da Estação, em Belo Horizonte, um ato contra o genocídio negro e em homenagem a Marielle e Anderson. O protesto contava com artistas, ativistas, estudantes e pessoas dos mais diversos movimentos sociais. Os servidores estaduais da Educação Integrantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) também participavam da mobilização.

Durante o ato que durou aproximadamente quatro horas pessoas de múltiplos grupos sociais fizeram discursos nos microfones com palavras de luto, pesar e resistência.  A estudante de jornalismo Laura Gomes de 19 anos, se emocionou ao ouvir declarações emocionadas das pessoas presentes “Foi como se fosse uma parte minha tivesse ido embora com ela. Com a morte dela eu senti medo, perdi alguém que era como eu e que tinha voz, que falava por mim, que me representava. Tenho sentido medo, repressão. Chorei aqui porque apesar de todos os sentimentos ruins eu senti que não estava sozinha. Eu sei que se eu cair vai ter uma irmã me ajudando a levantar. Hoje eu percebi que sentir medo vai ajudar na nossa vontade de lutar”.

A atriz Elisa Lucinda, que está em Belo Horizonte com o espetáculo L, abandonou os ensaios de sua peça para prestar uma homenagem a amiga de longa data Marielle “Vim prestar a minha homenagem a luta que era dela e que agora é nossa. Acredito que a união da esquerda é a nossa única possibilidade, que é no coletivo que a gente vai fazer a mudança no Brasil. Hoje eu estou em choque, estou de luto, estou com medo, mas por outro lado vemos o que essa moça tão jovem já fez, o impacto que a morte dela causou, essa manifestação mostra o quanto ela nos representava e isso não tem como ninguém destruir.” Questionada se acha que agora haverá um outro olhar das autoridades no Brasil para a questão do genocídio do povo negro, ela é sucinta “Bom, eu acho que agora não dá mais para disfarçar, o mundo inteiro, sabe que a gente mata negro. A todo momento minha esperança é posta à prova, mas eu sou danada, eu tenho muita reserva de esperança e acredito que a gente pode virar esse jogo”.

    Aos 71 anos, a pediatra aposentada, Mirtes Beirão também compareceu ao ato e relatou que não tinha como deixar de estar presente “Antigamente eu nunca poderia imaginar que hoje eu estaria aqui presente para lutar por causas como essa, mas é necessário. Estive nas ruas na época da ditadura e embora os motivos sejam diferentes eu sinto que preciso estar aqui. Marielle representava várias coisas que acredito e é por ela e pelo jovem negro, pelo pobre, que vamos continuar”.

O ato que teve início na Praça da Estação seguiu em passeata de forma pacífica e com a supervisão da polícia militar até a Praça Sete com cartazes, rostos pintados muita emoção e clamores. Em dado momento o bloco musical Maracatu deu início a um canto logo interrompido com protestos dos populares presentes afirmando que o movimento não era bloco de carnaval. Aproximadamente às 20:30 horas o trânsito na região já havia sido liberado pela BH trans.

Na próxima quarta-feira, dia 21/03, um novo movimento está sendo organizado por diversos coletivos sociais de Belo Horizonte, o Ato Preto: Nossa Luta Ninguém (a)tira!, novamente contará com o povo na ruas pedindo por dignidade, pelo direito à cidade, pela população negra. O evento acontecerá na Praça Sete de Setembro no centro de Belo Horizonte. A data escolhida é o dia internacional na luta contra discriminação racial, causa que Marielle tanto lutava.

Afinal o que temos visto após a morte de Marielle é uma comoção pouco vista por aqui. Podemos chamar de reciprocidade, podemos chamar de retorno. Ela moveu montanhas, quebrou paradigmas e sempre fez muito por aqueles que atravessaram seu caminho. Em resumo, a solidariedade que vêm recebendo nada mais é do que o amor que ela tinha pelo próximo voltando para ela. Marielle se foi deixando uma esposa, uma filha, muitos sonhos, mas seu legado se manterá presente, hoje e sempre.

  ATENÇÃO

Acusações questionando a integridade da vereadora estão sendo constantemente propagadas na última semana em diversas redes sociais. Como veículo de informação, o Jornal Contramão se sente no direito de informar que publicar e compartilhar conteúdos contendo inverdades e informações sem precedências legitimadas constitui em crime contra a honra de Franco. Dizer que a vereadora “foi eleita pelo Comando Vermelho” é imputação de fato falso e criminoso. O art. 138, #2o do Código Penal tipifica a calúnia contra os mortos. Os familiares podem demandar criminalmente e civilmente. Caberá aos autores das publicações provar o que afirmam. Uma equipe jurídica está a postos rastreando o compartilhamento dessas notícias falsas para tomar medidas jurídicas cabíveis.

 

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Por Tiago Jamarino Blog Start

Filmes de espionagem tem vida longa desde meados da Guerra Fria, com sua linha cinematográfica bem definida por violência, muita ação, jogos de intrigas e bastante sedução. A um clichê com tramas internacionais com armas e países que podem destruir a paz mundial, o pano de fundo sempre é um interesse maior por parte de um país “dito neutro”, para desvendar esses interesses. Em Operação Red Sparrow, temos uma história que usa um fundo histórico verídico para contar mais uma história manjada de espionagem. Jeniffer Lawrence protagoniza essa obra que tinha tudo para ser grandiosa, mas tem um roteiro que escorrega feio. Lawrence volta a trabalhar com Francis Lawrence (diretor dos três últimos filmes da franquia Jogos Vorazes), a missão dada a Jeniffer Lawrence é bem árdua com um roteiro com a famigerada história de americanos contra russos, que tem mais um filme esquecível.

Outrora talentosa bailarina, Dominika Egorova (Jennifer Lawrence) encontra-se em maus bocados quando é convencida a se tornar uma Sparrow, ou seja, uma sedutora treinada na melhor escola de espionagem russa. Após passar pelo árduo processo de aprendizagem, ela se torna a mais talentosa espiã do país e precisa lidar com o agente da CIA Nathaniel Nash (Joel Edgerton). Os dois, no entanto, acabam desenvolvendo uma paixão proibida que ameaça não só suas vidas, mas também as de outras pessoas.

O filme é baseado em uma adaptação literária do ex-agente da CIA Jason Matthews, que foca mais em um lado sensual da espionagem, com um tom bem misógino e com temas bastantes pesados como violência e cenas de estupro. A muita exposição de nudez e um filme que vai realmente mostrar como é aquela agência Red Sparrow, uma agência de belas mulheres que conseguem qualquer informação pela sensualidade. O longa começa a desandar justamente quando a melhor agente (teoricamente), se apaixona por um agente americano, rapidamente a construção da personagem de Lawrence vai por água abaixo. Filmes como Atômica (2017) e Salt (2010) se baseiam em um ar mais 007, com sedução como robe e uma ação frenética ao mesmo tempo que consagra sua protagonista como uma personagem forte. Apesar de Lawrence segurar em alto-nível as pontas, Operação Red Sparrow beira a monotonia, longo demais e nada para surpreender.

A direção é do Francis Lawrence, que desenvolve uma narrativa que é ousada, no sentido de saber que seu filme irá causar vários desconfortos ao espectador. Já no começo temos uma cena de ação com nudez, que é bem pesada, sendo o cartão de visita do que estar por vir, com várias cenas de nudez frontal masculina e muita exposição do corpo da protagonista. O jogo de câmeras é bem elegante, bem no prologo tem uma luz forte com um tom avermelhado destacando sua protagonista. A cinematografia é belíssima e com um tom cru, reagindo ao humor da personagem de Lawrence, quando está deprimida usa roupas pretas e quando está alegre e charmosa usando roupas vermelhas. O designer de produção atua de maneira magistral, principalmente a maquiagem que reproduz bem todos os hematomas oriundos das cenas que o causaram. As sequências de ações não são tão empolgantes e o trabalho da trilha sonora é bem abaixo!

O roteiro assinado por Justin Hayth traz a clássica história dos americanos contra os russos, soa mais como uma propaganda anti-governo russo, mas a narrativa é longa demais e recebe todos os clichês de filmes de espionagem. Tais mecanismos de roteiro tornam a história dilatada, um certo desenvolvimento que em muito beira a preguiça, se arrastando por 140 minutos. O que se espera de um filme de espionagens são aqueles twists, que neste filme até tem, mas você vai prever todos, exceto a personagem principal, que está a um passo à frente de todo mundo. Apesar de conduzir algumas cenas de tortura sádica, aquelas cenas tensas e pesadas, bem angustiantes, o filme dá um drible ao entregar uma relação amorosa proibida que não é bem desenvolvida. Algumas reviravoltas podem até impressionar, mas o roteiro fica confuso sem saber onde levar seus personagens, que ao final, começa a ganhar uma grande quantidade de furos.

O elenco tem bons nomes, alguns nomes de peso, a começar pela protagonista que segura o filme. A Jennifer Lawrence vale todo ingresso do filme, ela convence como espiã, sensual, com uma atuação bem minimalista. A protagonista parece estar confortável o bastante para entregar uma atuação convincente e atrativa, fica óbvio que Lawrence pode interpretar qualquer papel que ela quiser. O único problema é o sotaque russo-americano que é totalmente desnecessário e incomodo em boa parte. O elenco de apoio é totalmente descartável e com nomes de peso como Charlotte Rampling, Jeremy Irons e Joel Edgerton. O grande problema do elenco de apoio, é a falta de tempo de tela, atuações bem apagadas e esquecíveis.

Em resumo, Operação Red Sparrow é um filme sobre espiões que literalmente se prostituem em nome de sua  Pátria. Com uma protagonista que segura o filme, sendo melhor atrativo, com um roteiro que derrapa e não sabe a onde levar seus personagens. O filme não se decide o que quer ser, embora seja interessante e atrativo visualmente, o sentimento que fica é, que sua falta de ação poderia tornar o longa muito mais empolgante e com um resultado bem mais satisfatório.

 

Por Bruna Valentim

Greta Gerwig é uma atriz de respeito. Musa do cenário indie, ela é referência quando se trata de filmes alternativos com histórias tão reais que chegam a ser palpáveis. Ela fala sobre o mundo feminino de forma tão pura como apenas outra mulher seria capaz de retratar. Greta é o tipo de atriz que enquanto a assistimos parece que estamos vendo uma amiga de longa data no seu próprio reality show. Como diretora felizmente Gerwig também não decepciona em seu longa de estreia.

Com cinco indicações ao Oscar,a de melhor filme, melhor roteiro original, melhor atriz, melhor atriz coadjuvante e melhor direção (Gerwig quebra recordes sendo a quinta mulher indicada na categoria em 90 anos de premiação), o filme acompanha uma adolescente interiorana e sua complicada relação com sua família enquanto busca se encontrar e seguir seus sonhos em meio a decisões erradas e atitudes inconsequentes típicas da idade.

Christine, que se autotitula Lady Bird, é uma garota de 17 anos que odeia sua cidade natal, Sacramento, sonha em viver da arte em alguma grande metrópole e se acha diferente, portanto melhor, que outras pessoas. Saoirse Ronan que da vida a personagem, com apenas 23 anos, adquiriu uma terceira indicação ao Oscar, dessa vez como melhor atriz e com muita chance de levar a estatueta para casa. Por vezes engraçada, por vezes impetuosa, por vezes simplesmente chata, mas sempre interessante, Lady Bird têm camadas e faz com que sintamos empatia e amor pela personagem, mesmo com atitudes adversas que poderia despertar uma antipatia no telespectador, mas o carisma de Ronan faz apenas com que torçamos pela adolescente de cabelo rosa em sua jornada em busca de felicidade e amor.

Os relacionamentos amorosos de Lady Bird no filme, diferentemente do que acontece na maioria dos filmes adolescentes, são romances reais es situações absolutamente plausíveis para jovens adultos. Os atores escolhidos para interpretar seus namorados, Lucas Hedges e Timothée Chalamet, mesmo que não sejam o foco principal uma indicação ao Oscar no currículo. As pessoas provavelmente se identificarão com Lady Bird e terão uma sensação do que é ser uma adolescente descobrindo o amor, a paixão, o sexo. Os primeiros momentos em um relacionamento, a primeira vez, o término, são situações que a direção do filme mostra sem firulas, sem uma áurea cor de rosa, mostra do jeito que é. Greta foi sincera sobre tudo e essa é sem duvidas sua maior qualidade como diretora. A forma como a personagem principal lida com seus interesses amorosos e seus altos e baixos é independente, honesta e nada soa falso ou melodramático, algo corriqueiro em longa metragens do gênero.

A relação da protagonista com sua mãe é o ponto mais alto do filme, não é algo perfeito como a relação mãe e filha do aclamado seriado Gilmore Girs, é algo mais cru, mas também verdadeiro. As brigas entre as personagens e a maneira como fazem as pazes é duro, é puro, é a oposição de duas personalidades fortes que se contrastam, mas acima de tudo se complementam de um jeito muito bonito. Atenção para a cena do aeroporto, lenços serão necessários.

Lauren Metcalf, mãe de Lady Bird, está em estado de graça no filme. Demonstra a exaustão da rotina dobrada para conseguir alimentar a família, o amor e a frustração que sente pela filha ao não conseguir realizar seus sonhos e ao tentar sempre tirar a garota das nuvens, mostrando a realidade que a jovem não que enxergar. A indicação ao Oscar como melhor atriz coadjuvante é mais que merecida.

A trilha sonora carrega sucessos do ínicio dos anos 2000, uma vez que o filme se passa em 2002, então vemos Bones Thugs-N-Harmony e Justin Timberlake com seu coração partido embalando as aventuras de Lady Bird pela simpática sacramento.

O filme é sucesso absoluto e é uma concordância dos críticos e da audiência. Parte disso certamente se deve a perfeição da construção da personalidade de Lady Bird, ela é segura quase o tempo todo, ela tem certezas sobre quem é e sobre o que quer. Ela vive com intensidade e verdade ao mesmo tempo em que sente medo, reconhece quando erra, pede perdão e perdoa. Ela é humana, assim como todos os personagens do filme e sua perfeição se encontra aí, no fato de que essa estória em devidas proporções poderia ser sobre você ou sobre mim. O filme contém traços biográficos de Gerwig, e é uma carta de amor a Sacramento e uma homenagem as mães, as filhas, ao poder feminino, as relações familiares e a quem se é de verdade.

Por Ked Maria

Existem várias maneiras de contar uma história, podem ser através de causos, poesias, prosas e textos, porém, quando a narrativa se une com os desenhos para transmitir uma mensagem, as coisas ficam mais divertidas, fluidas e às vezes até mais leves. As histórias em quadrinhos ou as HQs fazem parte da vida de muitos brasileiros, na volta para a casa dentro do ônibus ou do metrô, é comum encontrar algum leitor ávido por aventura imerso nas páginas desenhadas.

Wendrick Ribeiro de 23 anos, consome HQs e diz que a produção nacional é muito boa, porém falta um ar de comercialização. No cenário brasileiro as revistas em quadrinhos se restringem a publicações independentes, talvez com investimento das editoras ou instituições de mercado intensifique o que traria um aumento exponencial nas publicações. Sobre o conteúdo o publicitário ressalta que os quadrinistas buscam inspirações estrangeiras o que acaba seguindo um padrão norte-americano. Para ele, os quadrinhos estão caminhando para a democratização, “Os quadrinhos atualmente ganharam uma impulsão com a internet, porém essa impulsão fez com que alguns grupos que não tem acesso ou que não tem contato de forma complexa com a internet em sua totalidade, não conseguem serem absorvido.”

 

“Ainda não é tão democrático para quem produz, afinal os quadrinhos
que estão em evidência tem um público muito pequeno que é
de uma faixa com o poder aquisitivo um pouco maior.” Wendrick Ribeiro

 

 

As histórias em quadrinhos entraram na vida do quadrinista Luan Zuchi, ainda na infância, com a coleção da revista Tex”. “Esse encontro com o universo dos quadrinhos me fez perceber que a ilustração poderia servir para contar histórias, causar sentimentos, tocar o outro com uma boa narrativa.”, explica o desenhista  de 22 anos, que lembra: “O interesse pelas HQs veio aos sete anos, com cópias de desenhos por observação e com as tentativas de ampliar essas cópias”. O foco sempre foi desenhar quadrinhos, destaca o jovem que entrou em uma faculdade de design na busca de uma base teórica. Hoje Zuchi tem 10 histórias publicadas sobre diversos temas e seu último projeto é a HQ Kong Comics, onde o autor promete disponibilizar seus quadrinhos para a leitura digital. “Todos esses projetos foram publicados de modo independente, ou seja, eu mesmo bancando a impressão, naqueles que fui responsável por roteiro e arte também fiz o projeto gráfico e cuidei, literalmente, de todas as etapas, da ideia à venda. ”, afirma Luan.

 

“Essa fusão de imagem e texto é instigante para quem lê e traz
o indivíduo para dentro da narrativa, já que é na cabeça do leitor
que a ação sugerida nos desenhos se desenrola.” Luan Zuchi

 

A vontade de tocar o próximo, causar alguma reflexão ou risos, são algumas das razões que motivam o ilustrador, já as ideias para os roteiros variam em cada edição, como sentimentos, situações inusitadas ou até mesmo um ponto vista sobre a vida em sociedade. “Acredito que o dever de um autor é filtrar o mundo ao seu redor e entregar ao leitor o seu ponto sobre aquilo e, se tudo der certo, gerar uma reação em quem consome.”, explica Zuchi e acrescenta que os quadrinhos fazem parte da cultura assim como o cinema, o teatro ou até mesmo os livros, mas ressalta que as características de cada país afetam o conteúdo das HQs. No Brasil, por exemplo as histórias em quadrinhos são associadas ao público infantil, porém para Luan as revistinhas são suporte para contar uma história e nada impede que um adulto se envolva em uma narrativa voltada para a criançada. “Tenho percebido é que temos uma grande oportunidade, de criar quadrinhos que se conectem com as pessoas pelos seus interesses na narrativa, devido à produção diversificada que temos atualmente, de criar quadrinhos para quem ainda não consome quadrinhos seja de super heróis, infantis ou material importado e traduzido por aqui.”.

 

Dificuldades dentro das HQs

Sobre as dificuldades nas produções independentes Luan Zuchi diz que não é na produção que se encontra muitos obstáculos, mas sim na distribuição. O autor alega que a fonte de capital vem com eventos ou financiamento coletivo. Na primeira opção se tem custos como aluguel do espaço, deslocamento, hospedagem, o que impacta diretamente no lucro das vendas, já na segunda opção há um investimento muito grande de tempo e de energia que poderia ser melhor aproveitado no desenvolvimento das histórias.

Outro assunto que instiga o ilustrador é a democratização das HQs, o que foi tema de um dos vídeos postados em seu canal no YouTube. Segundo o quadrinista as histórias em quadrinhos eram vistas como cultura de massa, estavam nos jornais, nas bancas, no mercadinho ou nos postos de gasolina, eram para serem lidas a qualquer momento, por qualquer pessoa. Os quadrinhos de certa forma começaram a se afundar no elitismo das livrarias, nas capas duras e ilustradas, papel bom e preço alto. “As editoras focam no público que já consome quadrinhos e que exige edições luxuosas. Enquanto esse público, que começou a ler na banca, na rodoviária, em edições baratas, se vislumbra com a qualidade gráfica atual e aceita pagar o preço, o novo leitor em potencial acredita que não se publica mais histórias em quadrinhos, simplesmente por que elas foram retiradas do seu campo de visão.”, externa o desenhista e alega que o caminho para reverter esse fenômeno talvez seja produzir narrativas que atraem o público que ainda não lê quadrinhos, uma vez que, todos são leitores potenciais.

“O mundo inteiro está mudando e se adaptando a
esse novo capitalismo tecnológico, os quadrinhos
também estão passando por isso.” Luan Zuchi

 

Para ele há outros vetores que implicam diretamente como as editoras, distribuidoras, lojistas e consumidores, contudo Luan Zuchi acredita que as HQs possuem capacidades incríveis. “Exatamente por essa efervescência que estamos vendo nos últimos anos, com eventos e novos autores surgindo e conseguindo produzir por aqui mesmo, conquistando seu público e mantendo um contato próximo com ele por meio das redes sociais.”.

Julio Almeida de 24 anos, publicou seu primeiro quadrinho na Comic Con Experience de 2017, a revista em quadrinhos se chama “Gie, The Gift”, onde narra a história de uma bruxinha e um desafio para acertar um feitiço. “Nesta história em especial tudo aconteceu muito rápido e não teve uma etapa prévia de preparação e concepts, eu só sentei e fui produzindo uma página atrás da outra. Por trás dessa trama principal eu quis criar uma metáfora sobre amor e afetividade, o que foi bem intuitivo e fluido.”, conta o ilustrador que atualmente trabalha no quadrinho “Nico e Alf”, previsto para este ano, e diz que desta vez anda respeitando melhor as etapas e preparando tudo com mais calma.

 

Inspirar os leitores é uma das motivações de Almeida, o autor propõe reflexões em suas narrativas de uma forma que sejam honestas e que encoraja o consumidor. “Enquanto artista eu me sinto no dever de produzir algo que encante visualmente e que guie esse vislumbre do leitor para uma reflexão sobre algo que seja real no modo como a sociedade funciona ou funcionou algum dia de forma que ele se identifique em algum grau com o que está sendo contado e que essa experiência seja levada para fora da leitura do quadrinho.”, explica o jovem e acrescenta que os quadrinhos instiga a curiosidade, as percepções visuais, a imaginação, fortalece vínculos com personagens e tipos de personalidade.

Para o quadrinista as HQs no Brasil eram dominadas pela produção estrangeira, há uma ou duas décadas atrás dificilmente um título nacional ganhava destaque ou era nacionalmente conhecido se não fosse algum título do estúdio Mauricio de Souza Produções. O que está mudando, o consumo de quadrinhos nacionais cresceu bastante e vem inspirando o surgimento de novos e bons autores. “Eu acredito que estamos nos encaminhando (muito bem) para que as histórias em quadrinhos estejam enraizadas como cultura nossa mesmo, com estilo próprio, sem influências a quadrinhos americanos, europeus ou japoneses.”, afirma Julio e alega que o cenário nacional vem criando personalidade própria.

O quadrinho é sempre muito mais sobre a experiência
por trás
do desenho do que o visual em si, e essas experiências
não podem ser definidas por idade.” Julio Almeida

Dentro das principais dificuldades que o quadrinista enfrenta é a publicação e distribuição, mesmo com o mercado em crescimento há poucas editoras interessadas nesse tipo de mídia. “A principal ferramenta de publicação de quadrinhos nacionais hoje é o financiamento coletivo em plataformas como Catarse, Vaquinha, Benfeitoria, KickStarter.”, afirma ilustrador que completa dizendo que prejudica um pouco a qualidade do material impresso, uma vez que, se trabalha com orçamentos muito apertados.

Sobre a divisão entre o público infantil e o adulto, Almeida diz que o quadrinho é muito rico e diverso, existem cada vez mais títulos com mensagens poderosas. “Eu acredito que essa definição hoje só existe na questão de “classificação indicativa”, pois realmente existem títulos com conteúdo que não são apropriados para o público infantil. Mas, fora esses casos específicos, no geral é uma grande besteira essas divisões.”.