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Dependência dos animais em relação aos tutores pode desencadear ansiedade da separação ao final da quarentena

*Por Camila Toledo

Quem tem um animal de estimação sabe que ele precisa – além de muito amor – de cuidados com a saúde. Porém, muitas vezes, alguns comportamentos indicativos de problemas psicológicos podem passar despercebidos. E não se trata apenas de cães e gatos: pássaros, roedores e outros animais exóticos também têm suas particularidades e necessitam de ainda mais atenção. Falta de espaço, alojamento inadequado e apresentação de um novo companheiro de forma brusca podem acarretar uma série de problemas que vão desde a perda de apetite do animal à automutilação.

Foi o caso da Calú, a calopsita da Milena Hanazaki, de 20 anos, que conversou com a gente sobre o assunto. “Percebi que tinha algo errado com a Calú quando ela começou a se coçar muito, deixava de comer e brincar pra ficar se coçando. Ela não sabia se coçava as costas, a barriga, o rabo, se pudesse coçava tudo ao mesmo tempo. A princípio suspeitei de ácaros ou piolhos, que acabam sendo comuns nas aves, mas como o medicamento não teve efeito, o veterinário indicou exames suspeitando alguma alergia ou protozoários internos, mas todos deram negativo. Ela se coçava a ponto de machucar e, como não parava, as feridas não curavam fácil.”

Histórias como a da Calú não são casos isolados. Bruno Campos, que é médico veterinário formado pela UFMG e instrutor em medicina comportamental e psicologia canina do Núcleo de Treinamento e Adestramento de cães (NUTRA) da PMMG, explica que o estresse de um animal pode se agravar quando o dono e o veterinário não identificam comportamentos anormais, normalmente confundindo os sinais que um pet pode dar de que está estressado com problemas fisiológicos:

“As aves quando se encontram em estado de estresse tendem a arrancar as próprias penas, ingerir menos água, comer menos e ter estereotipias (movimentações compulsivas), como forma de aliviar o estresse. Algumas podem ficar balançando de forma rítmica de um lado pro outro na gaiola. Podemos encontrar na internet vídeos de pássaros fazendo isso e os donos filmando e achando bonitinho, quando na verdade isso é um sinal que o animal apresenta de que está estressado. Inclusive, existem animais que se automutilam na tentativa de drenar essa frustração. Casos como o da Calú são comuns em meus atendimentos principalmente pela dificuldade em se fazer um diagnóstico preciso do problema comportamental por aquele colega que não tenha essa casuística em sua rotina de trabalho.

Alguns animais podem ter repercussões fisiológicas como vômito, queda de pelos, diarreia e inapetência. Muitos tutores no intuito de resolverem rápido o quadro clínico buscam saídas medicamentosas para o problema, mas vale ressaltar que os psicofármacos devem ser usados com critério e serem prescritos por um veterinário. Geralmente ajustes na rotina e no enriquecimento ambiental podem ser suficientes na resolução sem lançarmos mão de métodos mais invasivos.”

Sem diagnóstico do veterinário, Milena foi quem percebeu que Calú estava acuada por causa de seu companheiro de gaiola: Nick, que havia chegado já adulto à sua casa quando Calú tinha nove meses. Segundo a tutora de Calú, os dois viveram juntos por um ano até tudo começar a acontecer:

“Eu não sabia mais o que fazer, até que um dia eu vi o Nick – minha outra calopsita – avançando na Calú enquanto ela comia e surgiu a hipótese de estar incomodada com a presença dele. Fui direto conversar com o veterinário sobre essa possibilidade e ele confirmou que era possível que a mudança de comportamento dela fosse devido a estresse. Primeiro decidimos fazer um teste tirando o Nick de casa, levei ele pra casa da minha mãe e no segundo dia a Calú já mudou o comportamento, apesar de não ter parado de se mutilar porque o estresse estava em um grau muito elevado. Quando percebi a melhora rápida da Calú, decidi com muito pesar doar o Nick. Hoje ela está curada e feliz, mas ao todo foram 11 meses de tratamento intenso, muitos remédios para tratar as feridas, anti-fungos, anti-inflamatórios, entre outros.”

Quando se trata de cães e gatos não é diferente: uma mudança no ambiente pode causar problemas por muitos meses se o tutor não entender o comportamento e as necessidades do seu animal, como explica Bruno:

 “Qualquer coisa que altere a rotina de um animal é passível de evocar nele o estresse. Barulhos que ele não tenha sido acostumado, alterações da rotina – muitos clientes entraram em contato comigo já durante essa situação de quarentena dizendo que o cão está apresentando um comportamento diferente, e isso se deve ao fato de que ter os tutores em casa todos os dias, o tempo todo, não fazia parte do contexto de vida deles.  

Nesse período de isolamento que estamos vivendo eu prevejo um aumento exponencial dos casos não só de estresse, mas também de ansiedade da separação, que é quando o animal não lida psicologicamente bem com a ausência abrupta do tutor, e isso vai ocorrer ao fim dessa quarentena. Eu recomendo aos tutores nesse momento proporcionar momentos de autonomia emocional aos pets para que eles possam brincar sozinhos, ter prazer em estarem sozinhos, e pra isso é muito importante o enriquecimento ambiental específico pra cada animal. Não precisam ser muitos brinquedos, mas sim brinquedos que estimulem o cognitivo deles e os aproximem daquilo que teriam na natureza.”

Além do relacionamento do pet com o tutor, a convivência de um animal com outro que viva no mesmo ambiente também deve ser observada. O instinto de dominação, por exemplo, pode desencadear uma série de problemas entre animais, principalmente se houver interferência – mesmo que involuntária – do tutor nessa ordem natural, como destaca Francisco Daniel Schall, médico veterinário pela FEAD – MG, que também é membro da ONG Asas e Amigos e trabalha no Zoológico de Itabirito:

“Os próprios cães definem quem vai ser o dominante, então quando o tutor percebe que um animal está mais tenaz, a recomendação é para que o cão dominante seja o primeiro a receber carinho, comida, para deixar a dominância bem estabelecida entre os animais e evitar que aconteçam brigas. Se o tutor bagunça essa ordem, o cão dominante tende a bater no outro pra ficar na frente.”

Já a médica veterinária Anna Luiza Machado Sampaio, graduada pela Universidade Federal do Pampa, ressalta que os gatos são mais facilmente estressáveis do que os cães, porém se divertem com pouco:

“Gatos são animais que só vão mostrar que estão doentes em último caso, então o tutor precisa estar atento a qualquer mudança de comportamento. Eles se estressam muito fácil, então precisam de enriquecimento ambiental, brinquedos – e não precisam ser coisas caras, pode acontecer de você comprar um brinquedo novo e o gato gostar mais da caixa em que ele veio. Além disso, precisam também de um cuidado especial ao apresentar um novo animal.

Os felinos são animais muito sensíveis e podem ter uma descarga de adrenalina que resulte numa parada cardíaca em um pico de estresse – o que também pode acontecer com cães de pequeno porte. Eu já atendi um caso em que o gato desenvolveu uma cistite – que é a inflamação da bexiga – emocional porque os tutores mudaram os móveis da cozinha de lugar.”

Animais de zoológico, exóticos, também estão são suscetíveis ao estresse, na maioria das vezes pelo fato de estarem confinados, como explica Daniel Schall:

“O comportamento de animais estressados por estarem presos num zoológico é semelhante a uma pessoa que está na cadeia, procurando o que fazer e alguns reproduzindo ações repetitivas. Os macacos, por exemplo, mexem no cadeado, uma vez que relacionam a entrada de alguém na jaula com aquele objeto, destroem tronco de árvores e objetos do recinto, mordem gravetos.”

De acordo com um estudo realizado em 2010 pelo periódico científico Ciência Rural, da Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande de Sul, tendo como amostra 101 médicos veterinários de hospitais e unidades de atendimento veterinário de faculdades e universidades de todas as regiões do país, 90,2% dos profissionais afirmaram serem mais consultados sobre distúrbios de comportamento em cães do que em gatos (5,4%), e 4,3% dos médicos veterinários não identificaram a espécie com maior frequência para esse tipo de queixa.

Nesse estudo também foi perguntado aos entrevistados qual comportamento mais motiva o proprietário a abandonar ou solicitar a eutanásia do seu cão: 58,7% caracterizaram a agressão como muito frequente e 41,3% dos médicos veterinários indicaram os comportamentos destrutivos como muito frequentes.

É importante salientar que toda espécie de animal tem sua particularidade e precisa de cuidados específicos. Por isso, antes de ter um pet, é imprescindível que você pesquise sobre o que seu novo bichinho precisa para viver saudável e feliz.

*A matéria foi produzida sob a supervisão de Italo Charles e Daniela Reis

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Sua empresa e/ou produto com maior visibilidade nas redes

*Por Mariana Siqueira

Às vezes você fica sem saber como criar um post para sua empresa? Não sabe de onde tirar ideias? Preparamos um conteúdo especial para auxiliar você alavancar seu negócio na rede.

É fato que as empresas estão investindo em suas redes sociais e de acordo com os últimos dados divulgados pelo Instagram, apenas a rede possui mais de dois milhões de anunciantes ativos. Usar o Instagram para promover negócios e produtos é fácil, barato e pode trazer resultados bastante significativos. Mas, para fazer sua empresa ter uma boa imagem na rede é necessário seguir alguns passos. De acordo com Hugo Andrade, redator da empresa G30, é importante acompanhar as tendências do mercado e conhecer bem o seu cliente.

Ele conversou com a nossa equipe e explicou como faz no seu dia a dia:

“Nosso repertório é o que nos define. Reúno o que aprendo em páginas que me inspiram com aquelas que têm a ver com o universo do meu cliente. Durante a produção, sempre confiro se tudo está coeso e alinhado com o posicionamento on-line dele. Isso me ajuda a escrever mais. Quanto mais escrevo, mais perto chego do resultado ideal. Para isso, preciso dos 4 “quis” de um bom redator.

Em tempos de bombardeio de informações, tenho que saber sintetizar.

Tenho que saber falar a mesma coisa, de maneiras diferentes.

Tenho que escrever corretamente. Um erro de português tira toda credibilidade do cliente.

Tenho que saber escrever título. É isso o que vai te diferenciar de tantos outros posts. Fazer um bom título é saber colocar uma ideia em uma frase. Note que ele diz sobre todos os “quis” acima”, explica.

Passo a passo para montar seu post

  • Entenda o que estão pedindo:

Ao receber sua demanda, você precisa compreender o que é solicitado. É necessário saber o que pesquisar e o que a empresa necessita.

  • Faça uma pesquisa aprofundada:

É importante você estar por dentro do assunto! Fazer pesquisas e estudar sobre o que foi pedido é um passo super importante desse processo. Assim, lá no final do seu trabalho você vai ter mais facilidade em fechar o trabalho.

  • Qual linguagem utilizar?

Existe a linguagem da internet. Os bordões e expressões são formas informais para facilitar a leitura de quem lê o conteúdo. Assim como existe a linguagem que cada área e cada empresa aborda. Você precisa ponderar e equilibrar duas na hora de conversar com o público.

  • Faça um brainstorming:

Antes de começar a legenda, é bom ter alguns insights. Colocar no papel tudo o que pensou até esse quarto passo. Jogue todas as ideias para a tela do seu computador. Assim você vê o que pode ser utilizado ou não.

  • Hora de produzir:

Agora você está pronto para fazer a sua legenda. Ufa! Ficou fácil, né?! O indicado é ter aproximadamente 3 linhas, ou seja, faça uma rápida introdução, ligue ao assunto/informação essencial do post e conclua seu texto. Não se esqueça das hashtags, no máximo 5, viu?!

  • Imagem:

Chegamos à imagem! É hora de dar sentido ao seu texto. Lembre-se, você não pode encher de textos e é necessário chamar seu leitor para ler a legenda.

  • Revisão:

Finalizou? Não! Antes de concluir seu post é necessário revisar. Dê uma pausa rápida, tome um ar, volte e releia. Veja se seu post tem sentido, se fez o que foi solicitado e se não há erros de português. Se sim, parabéns! Seu post está pronto.

Organizar e dividir a criação do seu post em etapas torna a sua produção mais rápida e eficaz. Use desses métodos para facilitar o seu trabalho poupando tempo e sendo mais produtivo. Gostou? Agora é só colocar a mão na massa, bom trabalho!

*A matéria foi produzida sob a supervisão da jornalista Daniela Reis

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Elas ganham espaço nessa arte marcada pelo protesto

A arte está quebrando os tabus da sociedade e abrindo espaço para as artistas

*Por Marcelo Duarte Gonçalves Junior

A voz feminina no grafite vem ganhando forças. A arte democrática é bastante presente em Belo Horizonte e pode ser vista em muros e prédios ao longo de toda a cidade. Alguns desses trabalhos foram produzidos e executados apenas por mulheres, que inspiram-se em formas, sentimentos e protestos.  “Para mim, o grafite é empoderamento e coragem. Sempre me escondi muito e quando passei a me dedicar à essa arte de rua, me soltei mais. O grafite foi uma válvula de escape, porque eu enfrentei vários problemas com autoestima,  e as tintas foram para mim uma terapia, uma forma de reconhecer quem eu sou.”  Comenta a estudante de publicidade Samira Fernandes, conhecida no universo grafiteiro pelo seu apelido Sam.

Para a estudante, Joice Oliveira, saber que o grafite vem ganhando reconhecimento e que também as mulheres estão conquistando cada vez mais espaço na arte é um indicativo de que nós estamos no caminhando para a igualdade na arte. “É muito interessante ver que o grafite à tempos vem ganhando os muros e prédios de BH, colorindo e trazendo muita diversidade,  e é extremamente importante ver que as mulheres vem ganhando espaço e podendo expressar cada dia mais que também pertencem a este movimento, que sempre foi tão predominado pelos homens”.  pontua.

Buscando sempre um olhar de inclusão o grafite é a forma de se expressar, muitas vezes com o teor de protesto, o que faz a arte sempre ser vistas sempre por várias interpretações. “O grafite é uma arte muito democrática, vai ter diversas interpretações e isso vai depender de cada um”. comenta a grafiteira Krol (Carolina Jaued).

Para Tina Funk (Marcia Cristina), artista plástica e grafiteira, a cada dia o mercado do Grafite é agraciado com a presença das mulheres, que buscam sempre inspirar umas às outras. “O reconhecimento é muito gratificante, é ótimo poder ver que as pessoas se encantam com um muro grafitado por nós.  Eu acho de extrema importância  poder grafitar e inspirar outras mulheres, no dia-a-dia”, comenta.

Mas engana-se quem pensa que ainda não existe machismo dentro da arte, muitas vezes algumas artistas são inviabilizadas dentro da arte não ganhando os devidos créditos. “Nós continuamos enfrentando barreiras, principalmente o preconceito, ainda somos vistas com olhares misóginos , como se o grafite pertencesse somente aos homens”, comenta a grafiteira Krol (Carolina Jaued).

Para a aluna do ensino médio Marcelly Fernandes, buscar cada dia mais a igualdade feminina dentro da arte do grafite é o primeiro passo para quebrarmos alguns estigmas que ainda rondam a sociedade. “Quando eu vejo um grafite a primeira coisa que me chama atenção é como a arte é transmitida por cores e formas que atraem o olhar, muitas vezes, a primeira impressão que temos é de nós perguntar quem foi o grafiteiro que fez. E esquecemos que uma mulher poderia ser a autora do desenho. Temos que mudar essa visão machista sobre a arte do grafite e um dos primeiros passos para acabar com isso é sempre incentivar as mulheres a conquistar o seu espaço.”, comenta ela.

Novas gerações

O grafite é uma arte que vem sendo passada de geração para geração, sempre carregada de bastante protesto. Mesmo tomando os muros da capital mineira para Carolina ainda temos muito ainda o que aprender e também podermos ensinar sobre a arte. “A cidade de Belo Horizonte ainda é muito fechada, as pessoas tem aquele jeitinho antigo e a cultura não muda de um dia para outro. As novas gerações que veem o grafite de forma diferente, aceitam os desenhos como arte e isso colabora para o crescimento do movimento”,  comenta Krol.

 

*A matéria foi produzida sob a supervisão da jornalista Daniela Reis

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Una recebe equipe do programa Caminho de Mesa para gravação

A atração será exibida pela Rede Minas e terá início no dia 03 de abril

Por: Italo Charles

A busca por novas culturas e diferentes opções de turismo deu origem ao programa Caminho de Mesa que será exibido pela emissora Rede Minas a partir do dia 03 de Abril. Um dos quadros da primeira temporada é um reality  em parceria com o Núcleo de gastronomia do Centro Universitário Una.

 

Dividido em 21 episódios, a produção visitará dez cidades mineiras. São elas: Barão de Cocais, Brumadinho, Caeté, Catas Altas, Itabirito, Mariana, Ouro Branco, Ouro Preto, Sabará e Santa Bárbara.

 

Na fase “Cidades”, a atração mostrará aos espectadores as curiosidades de cada região visitada, explorando as atividades culturais, turismo e a culinária. Já na fase de batalhas, chefs e cozinheiros locais serão desafiados a preparar pratos com ingredientes obrigatórios como: Vinho de jabuticaba, queijo, goiabada, entre outros.

 

A chef e apresentadora do programa, Milsane de Paula, destaca a importância da parceria formada a instituição de ensino. “A Una viabilizou a fase de batalhas e sem a estrutura disponibilizada seria impossível uma locação tão perfeita para a execução das gravações”, diz.

 

O coordenador do curso de gastronomia da Una, Edson Puiati, também revela como é importante para o centro universitário abrir as portas para uma ação como essa. “A relação da Una com o Caminho de Mesa fortalece o que acreditamos e ensinamos aos nossos alunos, a valorização da cultura alimentar local, o respeito aos ingredientes, a relação do homem com a terra, seus costumes e modo de fazer dos pratos. Além disso, o programa leva para as pessoas informações importantes sobre os municípios visitados”, revela.

 

Dentre os jurados, temos a jornalista e chef Ana Sandim e os chefs Edson Puiati, Flávio Trombino, Américo Piacenza, Jaime Solares, Mariana Gontijo, Rosilene Campolina, Patricia Amante, Marcos Proença.

*A matéria foi realizada sob a supervisão da jornalista Daniela Reis

 

Rua da Bahia, no cruzamento com a rua Guajajaras e avenida Álvares Cabral

Por Moisés Martins

O que dizer de uma rua, como a rua da Bahia? Localizada na bela Região Centro-Sul de Belo Horizonte, na capital de “trens e uais de Redá pá lá e Pó para”. Uma rua de importância histórica e cultural para a nossa capital.  Foi palco de manifestações políticas e objeto de crônicas e poemas de autores mineiros e nacionais. Deixo aqui um pouquinho da minha experiência dessa rua que faz parte do meu caminho.

Rua da Bahia, no cruzamento com a rua dos Guajajaras e avenida Álvares Cabral

A minha vida é essa:  subir e descer Bahia. Sem nenhuma pressa, de modo que me distraio à beça. A rua da Bahia se modifica a cada dia, sem ao menos ter que descer floresta.

São 12 minutos de caminhada para percorrer seis quarteirões, algo próximo a 1 mil metros. Atravesso ruas e avenidas da capital, que misturam nomes de povos indígenas a personagens importantes da história brasileira: Goitacazes, Augusto de Lima, Guajajaras, Álvares Cabral, Timbiras, Aimorés e Bernardo Guimarães. Ao transitar pelas calçadas,  você encontra pessoas de todas as cores, estilos e crenças, pessoas de diferentes orientações sexuais e classes sociais.

É uma subida cansativa, mas que dá gosto de percorrer. No horário da tarde, deparo-me com um grande número de pessoas. A maioria delas estão em horário de almoço. As agências bancárias no percurso fazem com que o  fluxo de passantes aumente ainda mais. Tenho que me desviar para que não esbarre em nenhuma delas. De olhos atentos consigo perceber a diferença social que existe entre os quarteirões.

O primeiro quarteirão vai da Rua Goitacazes à Avenida Augusto de Lima. Região onde é grande o número de pedintes, moradores de rua que dominam a área, vivem das moedinhas de quem passa por ali. Na calçada,  muitos bueiros, todos desnivelados, tornando a via cheia de relevos.

O quarteirão  da Avenida Augusto de Lima à Rua Guajajaras muda-se a cena. A presença de moradores de rua passa a ser  menor. Nota-se um fluxo maior de caminhoneiros no setor de carga e descarga. A presença de jovens classe média fica mais constante,  devido ao Colégio Chromos localizado na região. Os boêmios encontram lugares nos dois quarteirões, da Rua Guajajaras à rua Aimorés, onde as cadeiras dos bares se espalham pelas calçadas.

O final do meu percurso é o quarteirão entre rua Aimorés e rua Gonçalves Dias, local frequentado por estudantes, professores e bancários que trabalham em ruas próximas.

Mas a rua da Bahia é muito mais:  ao longo de todo trajeto, pessoas se amam, pássaros fazem ninhos em copas de árvores. Uma rua em constante transformação. É como uma estação de trem: as pessoas embarcam e desembarcam nos seguidos encontros e desencontros. Diria que a rua da Bahia é o palco, onde nós compomos todos os dias, uma nova cena.

Durante essas cenas, encontramos amizades com quem nunca vimos. Trocas de olhares e de repente a cena para, aparece a cortina. Fim da cena? Não, não, esperem! É apenas um fumante que passou por você e encheu o seu rosto de fumaça. Ufa! Já posso trocar olhares de novo.  Não! não posso, a pessoa simplesmente desapareceu. Talvez tenha entrado em alguma loja, virado em alguma rua…

Dentro do carro a cena é completamente diferente.  O sinal fecha e mais uma cena se inicia. De repente uma pessoa atravessa correndo na frente dos carros, a cena então recomeça, os motoristas buzinam, alguns xingam. Às vezes, nem adianta. A pessoa até atravessou! Sinal verde! Os carros podem avançar e lá vão eles subir bahias e descer florestas.

E assim as cenas vão se reconstruindo a cada dia. Não existe diretor, a cena simplesmente acontece, e sempre estamos lá para assistir em primeira mão as histórias que fazem da rua da Bahia um lugar tão fantástico.