curiosidade

Por Keven Souza

Chegou o fim do mês e se você, como tantos outros, não pode sair nesta sexta-feira, porque gastou mais do que devia durante esses dois últimos feriados em abril, fique tranquilo! Hoje, o Contramão traz aquela receitinha para quem tende a sextar na sala de casa, de fácil preparo, baixo custo e ótima opção para quebrar o galho. 

O famigerado macacão com sardinha, preparado agora com limão! Vamos ao passo a passo?

 

Ingredientes 

2 xícaras (chá) de macarrão do tipo casareccia (ou outra massa curta de grano duro)

1 ½ xícara (chá) de tomate sweet grape (200 g)

1 lata de sardinha em óleo (125 g)

2 colheres (sopa) de vinho branco (opcional) 

¼ de xícara (chá) de azeite

raspas de 1 limão siciliano

1 folha de louro seco

sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto

2 ovos cozidos para servir

salsinha picada a gosto para servir

 

Modo de preparo 

Primeiro passo: leve uma panela média com água ao fogo alto para ferver. Lave, seque e corte os tomates ao meio, no sentido da largura. Abra as latas de sardinha, transfira os filés para um prato e, com um garfo, descarte a espinha central. Passe os ovos cozidos pelo espremedor de batatas para formar uma farofinha, reserve.

Assim que a água ferver, acrescente 1 colher (sopa) de sal e junte o macarrão. Misture e deixe cozinhar pelo tempo indicado na embalagem, ou até ficar al dente. Enquanto o macarrão cozinha, aproveite para preparar o molho.

Segundo passo: Leve uma frigideira grande com ¼ de xícara (chá) de azeite ao fogo médio. Quando aquecer, junte a folha de louro, os tomates e refogue por 2 minutos até começarem a murchar. Regue com o vinho branco, junte as sardinhas e misture bem. Acrescente as raspas de limão, tempere com sal e pimenta a gosto e deixe cozinhar por 5 minutos, mexendo de vez em quando para formar um molho rústico – os tomates e as sardinhas vão desmanchar parcialmente. Desligue o fogo e reserve.

Assim que o macarrão estiver cozido, reserve ½ xícara (chá) da água do cozimento. Escorra e transfira o macarrão ainda quente para a frigideira. Misture com o molho delicadamente e junte aos poucos a água do cozimento para deixar o molho mais fluido. Sirva a seguir, polvilhado com a farofinha de ovos e salsinha.

 

Dica do Contramão

Procure utilizar utensílios de cozinha antiaderente para facilitar o processo. Se possível, faça uso também de frigideiras e panelas de tamanho médio a grande porte, para não correr o risco de derrubar os ingredientes no fogão. Você não vai querer perder nem um pouquinho desse preparo!

Gostou? Então, faça e conte pra gente o resultado!

Por Keven Souza

Hoje (18) se comemora o Dia Nacional do Livro Infantil. A data é uma referência ao nascimento, em 1882, de Monteiro Lobato, considerado o pai da literatura infantil brasileira. O escritor é a personificação erudita do gênero literário com obras clássicas ligadas a linguagem da criançada, como Sítio do Pica-Pau Amarelo, O Saci, Fábulas de Narizinho, Caçadas de Hans Staden e Viagem ao Céu.

São realizadas neste dia diversas ações, projetos e campanhas para celebrar a leitura infantil em toda a sua essência e universo lúdico que se faz singular. Acima de tudo, 18 de abril é também um momento de reflexão sobre uma iminente conscientização dos adultos e das instituições responsáveis pela formação das crianças acerca do incentivo à leitura desde a fase pequena. 

Seja na sala de aula, campo aberto ou até mesmo em casa, o ato de ler contribui para o desenvolvimento de capacidades que fundamentam a base de um ser pensante que está em construção. Mas em tempos de uso de tantas telas, e agora com o ensino remoto ou híbrido, os livros infantis ainda têm espaço na rotina das crianças? Será que a leitura possui ainda valor e magia? 

É a partir dessas nuances que muitos professores e escritores têm feito um trabalho genuíno, pensado em conservar o hábito da leitura e disseminar a importância do livro físico. E nesse mar de heróis literários, temos a jornalista, escritora e heroína mineira, Paula Fernandes, que procura voltar seus esforços e conhecimentos à atividades e ações transformadoras no mundo pueril. 

Natural de Belo Horizonte, Paula é amante da escrita infantojuvenil e sua paixão pela área vem desde cedo. “Sempre gostei de crianças e de literatura. Acho um universo lúdico e repleto de possibilidades. Por volta dos meus 18 anos, eu era catequista e achava a linguagem da Bíblia complexa para crianças menores de 9 anos. Fiz o resumo do Novo Testamento e imprimi, por minha conta, alguns livretos e conversava com meus catequizandos sobre o tema. Essa foi minha primeira experiência com o público infantojuvenil”, diz Paula.

Ela conta que mais tarde, como jornalista, a vontade de escrever para a criançada se tornou ainda maior após perceber um gap de assuntos destinados ao público infantil. “Ao fazer matérias jornalísticas sobre educação e saúde, percebi um gargalo de alguns temas, por exemplo, sobre inclusão e política, e queria retratar algumas realidades de forma que não subestimassem a inteligência das crianças, aliás, elas são extremamente inteligentes”, explica. 

Com olhar disruptivo e voltado ao universo infantil, em 2016, Paula uniu literatura, inclusão e diversidade em seu primeiro livro, “O que Beca tem de diferente?”. Já no ano de 2018, lançou “Aprendendo sobre Honestidade com Lili”, levando a criançada a pensar, refletir e aprender um pouco sobre honestidade e política. 

Em 2019, a escritora escreveu o livro “Turminha Adownrável”. Na obra, a autora abre espaço para a discussão sobre o tema síndrome de Down, de modo simples e lúdico. Trabalho que entretém, informa e emociona, e que, de certo modo, traz orgulho aos leitores mineiros. 

Incentivo à leitura 

Ao adentrar nas páginas de um livro, aprendemos não só novas palavras e frases, mas também outras culturas e o que se mais tem rico na mente humana: a imaginação. 

O poder de imaginar é uma excelente experimentação, e é ainda mais forte quando se é menor. As crianças podem adquirir novas habilidades e diferentes conhecimentos através do imaginário que a leitura permite. Hoje, é mais do que comprovado que por meio dela o leitor mirim aprofunda o conhecimento, constrói relacionamentos interpessoais e desenvolve a empatia, além da cognição.   

Para Paula, o livro é um instrumento poderoso na fase pueril. “Certa vez, eu li que ‘os livros são portas para o conhecimento’. Acredito que o gosto pela leitura deve ser desenvolvido já na primeira infância, pois estimula a criatividade, a imaginação, o raciocínio, a criticidade, a reflexão, desenvolvimento cognitivo, ampliação de vocabulário e muito mais”, afirma. 

Segundo ela, escrever um livro voltado ao público infantojuvenil, bem como estimular o hábito de ler, não é uma tarefa fácil. Requer seriedade além de técnicas que ajudam a reter a atenção dos pequenos. “É imprescindível ter responsabilidade com o que você está escrevendo, sobretudo, com o público infantojuvenil. Todos os meus livros passaram por uma revisão cuidadosa de profissionais das áreas da educação e da saúde, além de especialistas nos assuntos que escrevo para os menores”, ressalta. 

Entre as estratégias para se fazer um bom livro infantil citadas por ela, estão a criação de tema, enredo e vocabulário adequados para a faixa etária; a utilização de título de fácil memorização; uso de muitas cores e ilustrações chamativas; uso correto da tipografia e animais nas histórias. 

A escritora ressalta ainda que é interessante fazer uso de nomes de personagens na qual a criançada se identifique. Os sujeitos de suas estórias, por exemplo, foram desenvolvidos por influência de seus amigos e familiares. “Todos os meus livros são baseados em fatos e as minhas personagens são inspiradas em crianças reais, ora por meio de alguma matéria que escrevi, noticiário ou até filhos de colegas. Os nomes são em homenagem às crianças da minha família”, pontua. 

Como escolher um bom livro na era digital 

Embora as telas sejam grandes concorrentes do livro, temos que desprender a imagem de serem competidores e usar ambas a favor da aprendizagem àvida. 

O livro físico tem seu valor e não pode ser deixado totalmente para trás, isso é fato! Agora, é preciso unir forças com a tecnologia para que juntas possam atrair a atenção do leitor mirim e fomentar a leitura em toda sua totalidade. “Independentemente da era digital, o importante é estimular a leitura da criançada e os pais e professores devem ser grandes aliados”, comenta Fernandes. 

Dito isso, é preciso ter cautela na hora de escolher a leitura do seu pequeno. A autora do livro “Turminha Adownrável”, deslumbra que, de maneira bem objetiva e subjetiva, as dicas mais importantes na hora de buscar por um livro infantil é estar atento a faixa etária e a mensagem que aquele livro possui.

Outro ponto a ser destacado é usar a leitura atrelada aos interesses da criança, como fazer roda de leitura em parques e bibliotecas; diversificar os livros com personagens que estimulam a imaginação; bem como optar pelas obras clássicas do universo da criançada.

Paula e o cartunista e escritor Maurício de Sousa

Neste dia de celebração do livro infantil, leia para uma criança! Permita ela experienciar o poder da imaginação que se forma quando se entra em contato com o mundo da fantasia. A magia é real e precisa ser cultivada em toda sua instância e constância. 

Recado para marcar a data

Ler para uma criança é um portal para um universo repleto de conhecimento e possibilidades, além dela desenvolver habilidades que serão imprescindíveis para sua vida. Uma criança que lê será um adulto leitor, com mais criticidade, que brinca com vocabulário, que permite conhecer outros universos e com sede de conhecimento, porque sabe que será um eterno aprendiz”, diz Paula. 

Se você se identifica com o trabalho da Paula e quer mais sobre sua trajetória, siga ela no instagram e leia suas obras em seu site: Livrolândia

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Por Gabriel de Souza

Profeta, conhecido pelo seu nome e pela sua arte disruptiva, é um cantor da cena do rap underground de Belo Horizonte, que começou a sua jornada cantando no coral da Igreja e logo percebeu a música como uma ferramenta de expressão de seus pensamentos e de sua narrativa no mundo.

O jovem apresenta sua estética através das artes plásticas e musical, o desenho foi visto por ele como uma forma de se aproximar de outras crianças na sua infância. De uma forma que foge do convencional ele também se apropria de elementos do mainstream nos seus ritmos e letras.

Na música “Broken Toy Boy”, Profeta faz referência a masculinidade tóxica do mundo masculino contemporâneo e a supervalorização da beleza estética reforçada pelas redes sociais e aplicativos de pegação, como também um próprio fenômeno percebido dentro da comunidade  LGBTQIA+.

Falando em apropriação, a música traz um trecho em inglês cantado pela artista Lourandes. A música também dilata as vivências e indignações vividas pelo artista, como racismo, o capacitismo e a homofobia, junto a um audiovisual que usa técnicas de edição, com as estéticas de vertentes do glitch.

Já na música “Ato II. Oração”, Profeta traz um “song love” como uma carta descrevendo o amor por um alguém e as formas de lidar com essa emoção, entrelaçado com outras tramas de sua vida, e volta para o sentimento original da letra que é o amor.

O clipe possui trechos em VHS mostrando a infância do artista aliado a um ritmo melancólico e nostálgico, aliado ao audiovisual que faz uma auto expressão exibindo o  passar do tempo e o amadurecimento do artista, produzindo assim, uma obra de  auto reflexão com o tema para quem assiste.

A obra é produzida com a participação de Maria Flor de Maio @marioflor.maio e Andy na Arte, e figurino com mix e master por Porreta. A direção e roteiro por Isis Grazielle, fotografia por Gustavo Koncht, o designer gráfico com João Guilherme e edição e montagem com @gusta_aguiarc.

 

* A matéria foi produzida pelo Icon Releass, projeto do aluno de Publicidade e Propaganda da Una, Gabriel de Souza.

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Técnica faz sucesso nas redes sociais e é mais fácil do que você imagina

Por Keven Souza

Quando a moda passou a ser um objeto de estudo, compreende-se que, por meio dela, as pessoas começaram a discernir que para ter estilo não precisa de muito. Atualmente, para se tornar único no meio de tantos, a moda lhe dá o que realmente é preciso para realçar sua personalidade: a liberdade de criar. 

Ser criativo tem muitos benefícios e na maquiagem essa premissa não é diferente. Saber combinar tons, cores e tipos de acabamentos na pele, pode ser a chave para acrescentar – ou descobrir – o seu estilo e apresentar as mil e umas versões de si mesmo. 

O delineado invertido tem sido uma das técnicas mais buscadas na maquiagem com o intuito de inovar, destacar o olhar. Diferente do de ‘gatinho’, essa proposta é mais ousada, muito colorida e altamente moderna. E, hoje, o Contramão traz algumas dicas na hora de fazer o seu delineado invertido, além de inspirações para valorizar o seu visual neste verão.

Aposta que veio para ficar

Uma verdadeira protagonista no desfile outono/inverno 2021 da Dior, o delineado na linha inferior dos olhos tem chegado a muitos lugares por meio de tutoriais no Youtube ou vídeos no TikTok. A trend de maquiagem é fácil de fazer e funciona para todos os tipos de peles, sendo comum entre quem busca fugir da versão clássica e quer ganhar alguns likes a mais nas redes sociais. 

Então se não sabe por onde começar, a primeira dica é simples! Tenha noção de que para fazer uma boa maquiagem não é preciso usar produtos de marcas famosas ou de alto custo. Existem diferentes marcas, como Macrilan, Ruby Rose, Natura, Vult, Avon, entre outras, que oferecem o custo/benefício em seus produtos e que, em suma, se desempenham perfeitamente na pele por terem sido bem executadas. O segredo é saber aplicar a técnica.

Daí em diante, libere a criatividade! Foque nos olhos para obter um melhor resultado. É o que diz o maquiador e designer de sobrancelhas, Rodrigo Chaves Frois. “A minha sugestão seria iniciar nos olhos e após finalizado, dar início na pele”, comenta. 

Para fazer o delineado, seja no modo esfumado ou marcado, é importante ter um lápis – sombra ou delineador gel/líquido – de cor pigmentada, com ponta fina e o mais firme possível. Logo, hidrate e higienize a parte dos olhos. E caso tenha costume, use primer para esta área para potencializar e prolongar o efeito.

A partir disso, faça uma linha rente ao canto do olho, embaixo dos cílios inferiores, e, então, alongue o traço até o externo do olho para formar o gatinho. Se tiver olhos grandes, tenha cuidado com a grossura.

Segunda dica, experimente começar com pouco produto e ir dando o devido acabamento para finalizar. Busque também usar sombra durante o processo para ajudar na fixação e na durabilidade do traço. Esse é o segredo para Rodrigo. “Iniciar e terminar o projeto do delineado invertido com sombra, aplicando com pincel chanfrado é interessante, pois fica mais fácil de consertar caso haja alguma imperfeição”, explica o maquiador e designer de sobrancelhas. 

Feito isso, finalize o look da forma que mais lhe atende e faça do delineado invertido, a peça principal da sua maquiagem.  

Veja algumas inspirações:

  • Versões coloridas 

  • Versões para o dia a dia 

 

  • Versões com glitters

 

  • Versões elegantes e charmosas

 

  • E claro, versões clássicas para homens também

O fato é que em ambos os métodos de fazer a nova tendência, o que não se pode fazer é se limitar. A premissa do delineado diferentão é se arriscar, por isso escolha produtos que combinam com você e se jogue nessa proposta em qualquer estação, época ou data do ano! 

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Por Bianca Morais

21 de janeiro é comemorado o Dia Nacional do Combate à Intolerância Religiosa. A data foi escolhida em homenagem à Iyalorixá Gildásia dos Santos e Santos, também conhecida como mãe Gilda, ela era do Candomblé e morreu de infarto após ver seu terreiro destruído por fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus.

Apesar de laico, o Brasil é majoritariamente católico e as religiões que mais sofrem preconceito são as afro-brasileiras, fato diretamente ligado ao racismo cultural. A intolerância religiosa existe em todo o mundo, os Estados Unidos e países da Europa, por exemplo, discriminam o islamismo, pois o associam ao terrorismo, no Brasil isso teve início a muitos anos atrás quando os portugueses catequizaram os índios e posteriormente com os escravos.

“O Estado é laico, mas nosso governo é cristão”, disse o presidente Bolsonaro certa vez, com o slogan de campanha “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, o presidente do país exclui todos aqueles que não tem o nome “Deus” como o ser supremo de sua religião. A democracia proíbe um vínculo direto entre Estado e Religião, mas não é isso que se assiste diariamente. 

A maioria dos casos de denúncias contra intolerância religiosa parte de grupos vinculados ao Candomblé e a Umbanda que veem ataques constantes a seus terreiros de orações, e muitas das vezes essas agressões saem do terreiro e passam a ser verbais, físicas, entre outras.

A intolerância religiosa na pele

Sérgio Batista, tem 39 anos e cresceu ao lado da mãe Maria Marli, que faleceu a alguns anos atrás. Marli era cartomancista, benzedeira e fazia simpatias, trabalhos e cirurgias espirituais, pela profissão de sua mãe o rapaz constantemente sofria discriminação na escola.

Sérgio e a mãe Marli

“Chamavam minha mãe de bruxa, batedora de tambor, falavam que ela iria transformar os outros em sapos e que eu vivia em cemitério, jogavam terra de cemitério na porta de casa  e diziam que eu fedia a coveiro”, conta ele.

Criado na umbanda, religião que mistura elementos afro-brasileiros, catolicismo, lendas indígenas e o espiritismo de Allan Kardec, Sérgio foi formado em princípios conceituais de “Luz, Caridade e Amor”, do espiritismo e cultuado no orixás assim como no candomblé, e independente de toda discriminação que a religião traz ele nunca se deixou abalar.

Muito da intolerância religiosa vem na realidade de uma ignorância de milhares de pessoas  que se recusam a conhecer mais a fundo uma religião diferente da dela, por entender que a única visão de mundo possível é a sua, quando se trata de uma cultura negra é ainda pior, pois não é de hoje que existe uma negação a história desse povo. 

“As pessoas falam que macumba é ruim, mas não sabem que na verdade macumba se refere a um instrumento de percussão, falam de terreiro mas não sabem que é um local de orações”, descreve Sérgio.

Outras fés têm o hábito de generalizar as religiões de origem africanas sem buscar entendê-las. Marli por exemplo, nasceu com o dom da revelação e ao descobrir isso soube que precisaria doutrinar aquilo. 

“A medida que a gente doutrina determinados encargos ou pesos essa responsabilidade que é te dada se torna mais leve e tranquila de lidar, porque a partir do momento que você não canaliza esse dom da forma correta ele pode se tornar uma maldição na sua vida”, explica ele.

Os ensinamentos da umbanda

Foi através de muito estudo com pessoas mais velhas como anciões e benzedeiras, que Marli foi aperfeiçoando seu dom até ser uma médium conhecida. Começou como kardecista antes de ir para a umbanda. O kardecismo é basicamente o estudo do espírito em si, do conhecimento, uma linha branca, a partir do momento em que ela chegou até o ápice do seu aprendizado nessa área, ela viu que precisava de mais, porque a linha de seu dom a puxava para outra vertente.

“Na umbanda ela se descobriu, não chegou a virar mãe de santo por falta de oportunidade e sim porque não queria se dedicar àquilo como obrigação única”, esclarece Sérgio.

Marli trabalhava fazendo simpatias na linha branca, aquela que não faz a utilização de sacrifícios apenas meios naturais que vem da natureza, durante um tempo o filho a ajudou, a mãe iniciava e ele procurava o local de fazer a entrega.

“Exemplificando, alguém aparecia com um trabalho para adoçar uma pessoa, nesse tipo de simpatia minha mãe fazia a montagem, as orações e pedia licença para iniciar as atividades, nesse caso eram sete qualidades de doce e colocá-los em um cupinzeiro”, comenta ele.

Por muitos anos pessoas com dons como os de Marli eram internadas em sanatórios e afastadas do resto da sociedade, essa situação começou a mudar à medida que as entidades afro que tinham maior entendimentos chegaram ao país, mesmo assim por muito tempo foram impedidos de fato praticar suas crenças.

Terreiro não é tudo igual

Segundo Sérgio, dentro das origem religiosas afro-brasileiras existe um caminho conhecido como quimbanda, que pratica “magia negra”, rituais de sacrifícios envolvendo sangue, acontece que essa é uma linha muito diferente, por exemplo, do que ocorre dentro da umbanda e candomblé, porém por causa do preconceito outras religiões englobam tudo em um único conceito, tratando todos como iguais.

“É aí que entra toda a intolerância religiosa, porque as outras religiões enxergam todos como um, e não é, assim como evangélicos, católicos tem suas linhas o espiritismo também tem as suas. À medida que você resolve utilizar determinada linha existem responsabilidades, e o preço que é pago por aquilo ali, se você faz o mal, a pessoa que solicitou o mal vai receber o mal e o executante que fez também”, completa.

Médium do bem

Maria Marli morreu a quatro anos de um câncer no pulmão, durante sua vida ela se dedicou a ajudar as pessoas com seu dom, muitos a acusavam de charlatanismo por cobrar os serviços, porém ela não se importava com os comentários maldosos, afinal havia sido sua entidade que a orientou na cobrança, pois ela ajudava aos outros e esquecia de se ajudar.

Mesmo sendo atacada por membros de sua família que diziam não ser normal criar os filhos daquela maneira, constantemente tendo evangélicos na porta de sua casa fazendo orações e a chamando de filha do demônio, acusada de charlatanismo por clientes sem fé e tendo um marido que não lhe apoiava, Marli nunca deixou de cumprir sua missão e usar seu dom para o bem.

“Teve um período que meu pai chegava a trancar minha mãe dentro do quarto para ela não atender as pessoas, isso até determinado ponto que a entidade chegava e ou ele deixava ela atender ou a entidade não dava paz dentro de casa”, relembra Sérgio.

Apesar de tudo que passou, Marli fez sua passagem e cumpriu sua missão na terra de ajudar o próximo. Diferente da visão preconceituosa de muitos, a única coisa que a médium pregava era amor, carinho e prosperidade. 

Respeito acima de tudo

“Respeito é algo primordial, a sociedade deve ter a consciência de que é preciso respeitar a religião do próximo, se não aceitá-la é necessário ao menos respeitar. Entrar dentro do templo religioso de alguém e profanar aquilo é como se elas estivessem desrespeitando a casa de Deus, porque os fiéis daquela religião entram nesses lugares para conversar com o Deus deles, e à medida que o sujeito entra ali com o intuito de vandalizar, ele não tem respeito. As pessoas julgam aquilo que ela não conhece como um ato satânico e não funciona assim, todos as religiões tem seu lado sombrio, e não vai ser a evangelica, a catolica, a espiritual, a kardecista, ou umbandista que vai mudar isso, o que precisa mudar é o respeito”, conclui Sérgio.

Principal Mercado de Belo Horizonte une tradição, contemporaneidade

e encanta turistas por sua singularidade

 

Por Sabrina Gutierrez dos Santos (texto e fotos)

O Mercado mais conhecido de Minas Gerais retomou as suas atividades após o período mais crítico da pandemia, confirmando a sua vocação turística, com uma visitação que cresce a cada dia e segue no enorme espaço, onde produtos variados e de qualidade atendem a todos os gostos.

História

Belo Horizonte tinha apenas 32 anos quando o prefeito Cristiano Machado resolveu reunir, em um só local, os produtos destinados ao abastecimento dos 47 mil habitantes da jovem cidade. Foi assim que o Mercado Central nasceu, no dia 7 de setembro de 1929, unindo as feiras da Praça da Estação e da atual Praça da Rodoviária. Em um terreno com 22 lotes, próximo à Praça Raul Soares, foram reunidos todos os feirantes, centralizando o abastecimento da população.

Nos 14 mil metros quadrados do terreno descoberto, circundando as carroças que transportavam os produtos, as barracas de madeira se enfileiravam para a venda de alimentos. Seus corredores guardam grandes memórias e muitas histórias, segundo o site oficial do Mercado Central, que também traz outras informações.

O Mercado funcionou até 1964, com atividade intensa, quando o prefeito da época, Jorge Carone, resolveu vender o terreno, alegando impossibilidade de administrar os estabelecimentos. Para impedir o fechamento do Mercado, os comerciantes se organizaram, criaram uma cooperativa e compraram o imóvel da Prefeitura. No entanto, teriam que construir um galpão coberto na área total do loteamento no prazo de cinco anos; se não conseguissem, precisariam devolver a área à Prefeitura.

Há duas semanas do fim do prazo dado pela Prefeitura, ainda faltava o fechamento da área. Foi então que os irmãos Osvaldo, Vicente e Milton de Araújo decidiram acreditar no empreendimento e investiram no projeto. Foram contratadas quatro construtoras, ficando cada uma responsável por uma lateral, para que o galpão pudesse ser fechado no tempo estabelecido. Ao fim do prazo, os 14 mil metros quadrados de terreno estavam totalmente cercados. Os associados, com seu empreendedorismo e entusiasmo, viram seus esforços recompensados.

Melhorias com o passar do tempo

Rai Amorim, que trabalha numa das lanchonetes mais tradicionais do espaço, há mais de 30 anos no local, diz que “o Mercado se especializou nesses últimos anos e a administração tem a limpeza como grande foco, porque antigamente as pessoas só viam o mercado como sujo, hoje em dia não, é bem profissional essa questão e a da segurança. Antigamente era barraca ao ar livre e chovia, era muito barro, aí tinha um lamaçal. A partir da década de 1970, com a construção do prédio galpão, a principal mudança foi essa organização. Como o Mercado é uma associação, os próprios comerciantes têm poder de voto, têm um conselho, então a administração está sempre conectada aos lojistas”.

Bem-organizado e com a participação ativa dos proprietários das lojas, a cada dia, ao longo dos anos, o Mercado Central ampliou suas atividades, expandindo seus negócios. Enquanto isso, se transformava em um núcleo não só de produtos alimentícios, mas também de artesanato, tornando-se um dos principais pontos turísticos da cidade e um dos locais mais queridos dos belorizontinos. Com 210 funcionários na administração, limpeza, estacionamento e segurança, o Mercado tem hoje 25.460 metros quadrados de área construída e 420 vagas rotativas no estacionamento.

Atualmente, com mais de nove décadas de vida, representante marcante da cultura mineira, o Mercado Central possui mais de 400 estabelecimentos, com artigos para animais, artesanato, padarias, açougues, restaurantes, hortifrutis, entre outros tipos de mercadorias. Oferece serviço de informações bilíngue, via site e no próprio local, e atrai diariamente milhares de visitantes de todos os lugares do Brasil e do mundo.

As mudanças com a pandemia

Em março de 2020 Belo Horizonte entrou em lockdown devido à pandemia da Covid-19 que se propagou pelo Brasil, causando mais de 600 mil mortes no país e 22,2 milhões de infectados até dezembro de 2021. Com isso, muitas lojas do Mercado Central ficaram fechadas durante o período de isolamento na cidade, que durou por volta de nove meses, e vários lojistas tiveram que trabalhar com aplicativos e delivery.

Segundo o jornal Diário do Comércio, antes da pandemia passavam no Mercado, por dia, 31 mil pessoas. Já no fim de semana a quantidade era maior, por volta de 58 mil visitantes. Hoje esse número foi reduzido, são 25 mil pessoas diárias e 31 mil nos finais de semana, mas com a reabertura das lojas a perspectiva é de que a frequência volte a subir.

Quando o comércio começou a retornar, de maneira gradual, em maio de 2021, com 10% da ocupação, vários bares localizados no Mercado tiveram que colocar mesas e cadeiras para fora do estabelecimento, garantindo a segurança tanto dos clientes quanto dos funcionários, por conta do distanciamento social. Além disso, novos hábitos foram adotados durante a pandemia, como o uso constante do álcool em gel e das máscaras.

Rai Amorim, na entrevista concedida ao jornal Contramão, também contou que “a nossa ordem foi começar a fazer o delivery ano passado (2020), que a pandemia estava menos controlada, o pessoal não tinha se vacinado ainda. O Mercado tinha restrição de 300 pessoas por vez, só podia entrar quando saia alguém, então foi um período bem difícil, sem movimento, mas era necessário, acho que conseguimos administrar bem essa crise”.

Mas, mesmo com o retorno da totalidade das suas atividades, funcionado com 100% da sua capacidade desde agosto de 2021, o Mercado ainda não retomou a mesma frequência de público do período anterior à pandemia. A funcionária Raquel Joana, que trabalha numa das padarias do local, aberta há cinco anos, relata: “o que eu senti de mudança foi o fluxo de pessoas. A gente veio do isolamento, como estava tudo fechado, a gente teve muita dificuldade em questão de venda, as vendas caíram bastante, a gente não podia deixar os produtos expostos, não podia deixar os clientes se alimentarem aqui dentro”. Ela explica que, com a flexibilidade, o público aumentou e que os lojistas criaram boas expectativas em relação às vendas de Natal.

Quanto ao público, o Mercado continua agradando, segundo comentam diversos frequentadores. Andrélia Moreira, aposentada, comenta que “além de oferecerem a segurança necessária para o público, posso tomar uma cervejinha e comer jiló; esse clima que tem aqui, de mineiridade, de descontração, de interior, é muito bom para fazer amizades. Gosto muito do Mercado porque tem mercadoria direto da roça, mas na verdade venho mais pra comer um bom tira gosto e beber”.

Fernanda de Araújo, cabelereira e maquiadora, diz que “o Mercado não é famoso só pela localização, mas também pela qualidade e por essa energia que ele tem, sabe? Gostosa, de interior. Quando entrei aqui pela primeira vez fiquei louca. Eu gosto de tudo, a peixaria, o atendimento, os temperos, as castanhas, tudo é muito bom, difícil escolher uma coisa só”.

Mesmo após o período mais complicado da pandemia da Covid-19, o Mercado Central continua surpreendendo com os cuidados com a segurança, o bom atendimento e os produtos diversificados. O Mercado mantém a sua essência e, em breve, deverá retomar o antigo número de visitantes, seguindo como um ponto turístico privilegiado no centro da cidade, que agrada a todos os gostos.

Para completar 

Os alunos da Unidade Curricular Desenho e Produção de Som desenvolveram um material audiovisial sobre o Mercado Central. A produção conta com entrevistas e muitas curiosidades sobre o local, confira no link.