curiosidade

Principal Mercado de Belo Horizonte une tradição, contemporaneidade

e encanta turistas por sua singularidade

 

Por Sabrina Gutierrez dos Santos (texto e fotos)

O Mercado mais conhecido de Minas Gerais retomou as suas atividades após o período mais crítico da pandemia, confirmando a sua vocação turística, com uma visitação que cresce a cada dia e segue no enorme espaço, onde produtos variados e de qualidade atendem a todos os gostos.

História

Belo Horizonte tinha apenas 32 anos quando o prefeito Cristiano Machado resolveu reunir, em um só local, os produtos destinados ao abastecimento dos 47 mil habitantes da jovem cidade. Foi assim que o Mercado Central nasceu, no dia 7 de setembro de 1929, unindo as feiras da Praça da Estação e da atual Praça da Rodoviária. Em um terreno com 22 lotes, próximo à Praça Raul Soares, foram reunidos todos os feirantes, centralizando o abastecimento da população.

Nos 14 mil metros quadrados do terreno descoberto, circundando as carroças que transportavam os produtos, as barracas de madeira se enfileiravam para a venda de alimentos. Seus corredores guardam grandes memórias e muitas histórias, segundo o site oficial do Mercado Central, que também traz outras informações.

O Mercado funcionou até 1964, com atividade intensa, quando o prefeito da época, Jorge Carone, resolveu vender o terreno, alegando impossibilidade de administrar os estabelecimentos. Para impedir o fechamento do Mercado, os comerciantes se organizaram, criaram uma cooperativa e compraram o imóvel da Prefeitura. No entanto, teriam que construir um galpão coberto na área total do loteamento no prazo de cinco anos; se não conseguissem, precisariam devolver a área à Prefeitura.

Há duas semanas do fim do prazo dado pela Prefeitura, ainda faltava o fechamento da área. Foi então que os irmãos Osvaldo, Vicente e Milton de Araújo decidiram acreditar no empreendimento e investiram no projeto. Foram contratadas quatro construtoras, ficando cada uma responsável por uma lateral, para que o galpão pudesse ser fechado no tempo estabelecido. Ao fim do prazo, os 14 mil metros quadrados de terreno estavam totalmente cercados. Os associados, com seu empreendedorismo e entusiasmo, viram seus esforços recompensados.

Melhorias com o passar do tempo

Rai Amorim, que trabalha numa das lanchonetes mais tradicionais do espaço, há mais de 30 anos no local, diz que “o Mercado se especializou nesses últimos anos e a administração tem a limpeza como grande foco, porque antigamente as pessoas só viam o mercado como sujo, hoje em dia não, é bem profissional essa questão e a da segurança. Antigamente era barraca ao ar livre e chovia, era muito barro, aí tinha um lamaçal. A partir da década de 1970, com a construção do prédio galpão, a principal mudança foi essa organização. Como o Mercado é uma associação, os próprios comerciantes têm poder de voto, têm um conselho, então a administração está sempre conectada aos lojistas”.

Bem-organizado e com a participação ativa dos proprietários das lojas, a cada dia, ao longo dos anos, o Mercado Central ampliou suas atividades, expandindo seus negócios. Enquanto isso, se transformava em um núcleo não só de produtos alimentícios, mas também de artesanato, tornando-se um dos principais pontos turísticos da cidade e um dos locais mais queridos dos belorizontinos. Com 210 funcionários na administração, limpeza, estacionamento e segurança, o Mercado tem hoje 25.460 metros quadrados de área construída e 420 vagas rotativas no estacionamento.

Atualmente, com mais de nove décadas de vida, representante marcante da cultura mineira, o Mercado Central possui mais de 400 estabelecimentos, com artigos para animais, artesanato, padarias, açougues, restaurantes, hortifrutis, entre outros tipos de mercadorias. Oferece serviço de informações bilíngue, via site e no próprio local, e atrai diariamente milhares de visitantes de todos os lugares do Brasil e do mundo.

As mudanças com a pandemia

Em março de 2020 Belo Horizonte entrou em lockdown devido à pandemia da Covid-19 que se propagou pelo Brasil, causando mais de 600 mil mortes no país e 22,2 milhões de infectados até dezembro de 2021. Com isso, muitas lojas do Mercado Central ficaram fechadas durante o período de isolamento na cidade, que durou por volta de nove meses, e vários lojistas tiveram que trabalhar com aplicativos e delivery.

Segundo o jornal Diário do Comércio, antes da pandemia passavam no Mercado, por dia, 31 mil pessoas. Já no fim de semana a quantidade era maior, por volta de 58 mil visitantes. Hoje esse número foi reduzido, são 25 mil pessoas diárias e 31 mil nos finais de semana, mas com a reabertura das lojas a perspectiva é de que a frequência volte a subir.

Quando o comércio começou a retornar, de maneira gradual, em maio de 2021, com 10% da ocupação, vários bares localizados no Mercado tiveram que colocar mesas e cadeiras para fora do estabelecimento, garantindo a segurança tanto dos clientes quanto dos funcionários, por conta do distanciamento social. Além disso, novos hábitos foram adotados durante a pandemia, como o uso constante do álcool em gel e das máscaras.

Rai Amorim, na entrevista concedida ao jornal Contramão, também contou que “a nossa ordem foi começar a fazer o delivery ano passado (2020), que a pandemia estava menos controlada, o pessoal não tinha se vacinado ainda. O Mercado tinha restrição de 300 pessoas por vez, só podia entrar quando saia alguém, então foi um período bem difícil, sem movimento, mas era necessário, acho que conseguimos administrar bem essa crise”.

Mas, mesmo com o retorno da totalidade das suas atividades, funcionado com 100% da sua capacidade desde agosto de 2021, o Mercado ainda não retomou a mesma frequência de público do período anterior à pandemia. A funcionária Raquel Joana, que trabalha numa das padarias do local, aberta há cinco anos, relata: “o que eu senti de mudança foi o fluxo de pessoas. A gente veio do isolamento, como estava tudo fechado, a gente teve muita dificuldade em questão de venda, as vendas caíram bastante, a gente não podia deixar os produtos expostos, não podia deixar os clientes se alimentarem aqui dentro”. Ela explica que, com a flexibilidade, o público aumentou e que os lojistas criaram boas expectativas em relação às vendas de Natal.

Quanto ao público, o Mercado continua agradando, segundo comentam diversos frequentadores. Andrélia Moreira, aposentada, comenta que “além de oferecerem a segurança necessária para o público, posso tomar uma cervejinha e comer jiló; esse clima que tem aqui, de mineiridade, de descontração, de interior, é muito bom para fazer amizades. Gosto muito do Mercado porque tem mercadoria direto da roça, mas na verdade venho mais pra comer um bom tira gosto e beber”.

Fernanda de Araújo, cabelereira e maquiadora, diz que “o Mercado não é famoso só pela localização, mas também pela qualidade e por essa energia que ele tem, sabe? Gostosa, de interior. Quando entrei aqui pela primeira vez fiquei louca. Eu gosto de tudo, a peixaria, o atendimento, os temperos, as castanhas, tudo é muito bom, difícil escolher uma coisa só”.

Mesmo após o período mais complicado da pandemia da Covid-19, o Mercado Central continua surpreendendo com os cuidados com a segurança, o bom atendimento e os produtos diversificados. O Mercado mantém a sua essência e, em breve, deverá retomar o antigo número de visitantes, seguindo como um ponto turístico privilegiado no centro da cidade, que agrada a todos os gostos.

Para completar 

Os alunos da Unidade Curricular Desenho e Produção de Som desenvolveram um material audiovisial sobre o Mercado Central. A produção conta com entrevistas e muitas curiosidades sobre o local, confira no link.

 

0 140

Um dos melhores pontos turísticos de Belo horizonte, com uma história cheia de empreendedorismo, inovação e boa gastronomia

Por Larissa Emily Ferreira e Hyago da Mata Nasiareno

O Mercado Novo foi construído na década de 1960, tendo sido projetado, num primeiro momento, “para ser um dos mais modernos mercados da América latina, com o objetivo de funcionar como um complemento do Mercado Central de Belo Horizonte”, de acordo com o site 360 Meridianos. O projeto inicial nunca foi finalizado, os lojistas que ali restavam lutaram e se reinventaram para o lugar não fechar de vez.

O local já chegou a ter 65 lojas, como gráficas especializadas em tipografia artesanal, fábricas de velas, lanchonetes e restaurantes populares. Segundo o blog Bendizê, em meados de 2010, “um grupo de artistas inaugurou o Mercado das Borboletas, um espaço para shows e eventos, onde eram realizadas festas com uma pegada mais alternativa às sextas-feiras”. O grupo tinha vários planos para as outras 300 lojas vazias, nessa primeira tentativa de revitalização, que não chegou a ser concluída.

Foto: Larissa Ferreira

Em 2018 o empresário Rafael Quick abriu sua distribuidora Goitacazes, no segundo andar do Mercado, com a ideia de popularizar o consumo de cerveja artesanal. Em conjunto com a Cozinha Tupis, que se instalou logo em seguida, foi dado o impulso que faltava ao Mercado Novo, como informa o blog Bendizê. Aos poucos, outros comerciantes foram percebendo o reaquecimento do local e não demorou muito para que as lojas vazias fossem ocupadas.

Mudanças benéficas

Hoje em dia o Mercado funciona como uma incubadora de negócios ligados à sustentabilidade, nas áreas do Design, Gastronomia, Arte e Cultura. O ambiente também passou a incluir bares e restaurantes tradicionais de Minas Gerais, alguns com serviço direto no balcão, de modo informal e sem garçom, além de lojas com produtos vintage, segundo informações do site Meridianos.

O Mercado é um lugar agradável, preserva a arquitetura do antigo prédio de ar nostálgico, difunde a gastronomia mineira e é frequentado por uma galera animada e de prosa boa. De acordo com um dos lojistas do Mercado, o espaço ficou fechado por grandes períodos durante a pandemia, quando o lockdown estava bem rigoroso. Mas com a flexibilização o Mercado foi se adaptando, sempre com o uso obrigatório de máscara e álcool em gel.

No momento atual, o local tem um limite de no máximo 443 visitantes, e conta com mais de 25 lojas, onde o frequentador pode tomar um bom café, beber uma cerveja artesanal, vinhos, destilados e drinks, comer frutos do mar, massas e pratos italianos, assim como petiscos de boteco e culinária mineira, entre várias outras lojas/galerias que oferecem produtos diversos.

Sinval Espirito Santo, chef do restaurante Fubá, pontua que a vida do Mercado Novo é cheia de mudanças de roteiro, é um lugar que foi pensado para ser apoio para estabelecimentos da cidade e várias coisas aconteceram nesse caminho, como falência da construtora, incêndio, etc. Ele ressalta que o Mercado nunca deixou de ser vivo, sempre teve pessoas ali dentro, e acredita que não houve uma revitalização, mas sim uma nova forma de ocupação do Mercado Novo, que permite que tudo seja integrado.

Sinval, que também leciona no curso de Gastronomia da Una, explica sobre a parceria do Centro Universitário com o Mercado Novo, firmada em dezembro de 2021. O projeto, voltado para ser um centro de produção criativa, vai envolver os cursos de Gastronomia, Cinema, Comunicação e Moda de uma forma muito particular. O objetivo é que seja um espaço para os alunos produzirem conteúdos, materiais e terem a oportunidade de empreender.

Sobre ser um consumidor do Mercado Novo, o estudante Pedro Neto ressalta que a alegria, a agitação e a história do Mercado é o que torna o lugar um dos melhores pontos de Belo horizonte para ele. E que não pode deixar de mencionar a “grande gastronomia e os belos chops que se pode encontrar no Mercado”. Para ele, o Mercado Novo é um lugar sensacional e super agradável.

O primeiro contato com o Mercado (por Larissa Ferreira)

Foto: Larissa Ferreira

Meu primeiro contato com o Mercado Novo foi algo inexplicável. Todos os corredores tinham algo que me impressionava. Bares temáticos, um cheiro delicioso no ar e vários comércios. O que mais me chamou a atenção foi o clima descontraído e animado.

O primeiro bar que parei para conhecer foi o Herbário YVY, que tem algumas opções de drinks, com o famoso gin, cuja fábrica é sediada na nossa vizinha Nova Lima. São deliciosos drinks servidos em copos personalizados da marca, que saem de torneias embutidas na parede.

Foto: Larissa Ferreira
Foto: Larissa Ferreira

O Gira, outro dos bares mais famosos do Mercado, traz várias opções de vinho, de uvas diversas. O tempo em BH estava propício para tomar algumas tacinhas de vinho, então eu aproveitei (rsrs).

Foto: Larissa Ferreira

No Rotisseria Central o público encontra uma culinária de raiz que é deliciosa. Há quem diga que para ter uma experiência completa no Mercado você precisar provar o delicioso torresmo que eles tem como opção no cardápio.

A minha experiência com o Mercado foi totalmente segura em relação à Covid – 19. Em todos os estabelecimentos que passei há a exigência do uso da máscara para ser atendido. O Mercado se tornou um dos meus lugares favoritos em BH, estou ansiosa para voltar e me deliciar mais um pouco com a culinária e os bons drinks que ele traz.

 

Funcionamento

Restaurantes abertos para almoço – segunda a domingo, das 11h às 15h

Vendas de bebidas – quarta a sexta, das 17h às 22h; sábado, das 11h às 22h; domingo, das 11h às 18h.

0 102

Por Bianca Morais 

Chegou o final do ano e junto com ele as festas natalinas, época de reunir a família e amigos, montar árvore de Natal, fazer pedidos ao Papai Noel, ceias recheadas de comidas gostosas, “All i want for christimas” da Mariah Carey e outras musicas natalina, luzes iluminando as casas e toda a cidade, amigo oculto e muito mais.

Agora, caso você queira encontrar tudo isso e um pouco mais, até mesmo neve, não tem lugar melhor que na Netflix, a plataforma de streaming tem diversos filmes e séries natalinas com muitas novidades, além dos clássicos. 

O Jornal Contramão hoje traz algumas sugestões de filmes de natal para maratonar neste mês.

Um castelo para o Natal 

Uma escritora recém divorciada acaba matando um dos personagens favoritos dos fãs em seu livro mais recente, o que provoca a fúria de muitos. Para fugir de toda confusão ela acaba indo para uma cidadezinha onde seu pai havia crescido, no lugar existem muitos castelos e ela acaba com  o herdeiro de um deles.

A mulher tenta a todo custo comprar o castelo desse rapaz que não quer vendê-lo. Os dois acabam vivendo juntos nele e o tempo todo ele tenta fazer  com que ela desistisse de comprar o lugar. A escritora vai vivendo na cidade, conhecendo as pessoas, fazendo amizade e claro, se apaixonando pelo homem. O bom e velho clichê romance ambientado pelo Natal.

 

A Família Noel

O filme conta a história de uma família que acaba de perder o pai e tem que se mudar para outra cidade para ficarem mais perto do avô. O garoto da família (Jules) detesta o Natal, mas descobre que seu avô é o papai noel e por causa de um infarto não poderá fazer as entregas desse ano, Jules então resolve ajudar. O filme é emocionante e trás bastante conceito pra quem perdeu alguém perto de uma data comemorativa.

A princesa e a plebéia

A história é uma franquia com três filmes estrelados pela atriz Vanessa Hudgens, a trama é de duas mulheres que se parecem muito e podem ser parentes distantes, uma é duquesa e outra confeiteira, elas decidem trocar de lugar. Em cada filme uma aventura diferente e nele se aborda a questão da amizade

Um menino chamado Natal

O longa é sobre um garoto que mora na floresta com seu pai, pois perdeu sua mãe. Antes de morrer, ela sempre contava histórias de elfos e dizia que eles já tinham ido à sua vila. O menino tinha fé que existiam, o pai nem tanto, mas a mando do rei foi atrás da vila dos elfos. 

O menino ficou com sua tia, que não era tão legal, por isso, fugiu para encontrar o pai e acabou encontrando um velho elfo que lhe deu poderes, retornando a vila descobre que humanos não eram bem vindos e foi preso, no final consegue fugir e achar seu pai. Esse filme fala muito sobre o luto, como conviver com a dor e fazer o melhor com ela.

​​Tudo bem no Natal que vem

O filme brasileiro protagonizado por Leandro Hassum fez sucesso no ano passado com a história do pai de família que depois de sofrer um acidente acaba vivendo o dia de natal todos os dias, não se recordando de nada que viveu ao longo do ano. A comédia arranca risos e chorar e vale muito a pena.

Recentemente a Netflix liberou uma lista com várias outras sugestões para os assinantes curtirem o fim do ano, confira no Instagram. 

 

 

 

 

0 107

Por Daniela Reis 

A Black Friday é um evento promocional do comércio varejista. A ação que tem como objetivo incentivar as vendas no final do ano surgiu nos Estados Unidos e acontece sempre na sexta-feira após o feriado de ação de graças nos Estados Unidos. Esse ano será no dia 29 de novembro. 

Como surgiu? 

O termo “black friday” é bastante popular e é de conhecimento de muitos que ele se refere ao dia de liquidações de lojistas. No entanto, ninguém sabe ao certo como e porque esse nome foi atribuído ao dia de liquidações após o Dia de Ação de Graças.

Acredita-se que o termo foi usado pela primeira vez no século XIX e teve relação com um esquema criado por dois investidores para enriquecer. Jay Gould e Jim Fisk elaboraram um esquema para que eles controlassem o mercado de ações do ouro nos Estados Unidos. A ação era ilegal e contou até com suborno de um parente do presidente Ulysses S. Grant.

Os dois investidores conseguiram fazer o preço das ações do ouro disparar e enriqueceram, mas o governo interveio na situação e começou a vender o estoque de ouro que tinha guardado. Isso fez com que o preço das ações do ouro despencassem e muitos que tinham comprado para aproveitar a alta perderam muito dinheiro da queda dos preços. Eles nunca foram investigados pelo esquema e saíram ilesos de suas ações. O episódio aconteceu em 24 de setembro de 1869 e ficou conhecido como “black friday”, que significa, em uma tradução livre, “sexta-feira negra”.

Outra hipótese é de que uma revista da década de 1950 que chamou a sexta-feira após o Dia de Ação de Graças de black friday. A justificativa para o termo era que, de acordo com a revista, muitos trabalhadores agiam na sexta após o feriado como se fossem vítimas da black death, a peste negra em inglês, fazendo com que o dia fosse uma black friday.

Já a última teoria sugere que o termo black friday se popularizou na Filadélfia, cidade em que os policiais começaram a usar o termo para se referir à sexta após o feriado, porque era um dia que havia muita gente na rua e que o trânsito ficava sobrecarregado.

Black Friday assinou o passaporte

Por muito tempo, os lojistas canadenses morriam de inveja de seus colegas americanos, especialmente quando seus clientes fiéis colocavam o pé na estrada rumo ao sul em busca de boas compras. Por esse motivo passaram a oferecer as suas próprias liquidações – apesar de o Dia de Ação de Graças no Canadá acontecer um mês antes.

No México, a Black Friday ganhou novo nome – ‘El Buen Fin’, ou “Bom fim de semana”. A comemoração é associada ao aniversário da revolução de 1910 no país, que às vezes cai na mesma data que o Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos.Como o próprio nome sugere, o evento dura o fim de semana inteiro.

No Brasil, onde o feriado de Ação de Graças não existe, a data passou a ser incluída no calendário comercial do país quando os lojistas perceberam o potencial de vendas do dia, estima-se que o movimento começou por aqui em 2010. Desde 2010 para cá, as regiões brasileiras que mais compram na Black Friday são: Sudeste (71,5%), Sul (36%), Nordeste (9,9%), Centro-Oeste (5,2%) e Norte (2,1%).

0 114

Por Daniela Reis

Para os amantes da animação e do Walt Disney, 18 de novembro é uma data especial. Foi nesse dia, no ano de 1928, que o famoso personagem Mickey Mouse apareceu pela primeira vez em um desenho animado. O simpático ratinho e a sua namorada Minnie foram os protagonistas de “Steamboat Willie”, a primeira animação com música e som da história. Esse pequeno filme ficou marcado pela apresentação do personagem ao mundo, datando assim, o seu aniversário.

Dirigido por Walt Disney e Ub Iwerks, produzido pelos Estúdios Walt Disney e distribuído pelo Celebrity Studios, “Steamboat Willie” foi exibido no Universal’s Colony Theater (hoje The Broadway Theatre), em Nova York.

A história de pouco mais de 7 minutos traz Mickey dentro de um barco a vapor em um rio. O ratinho aparece como capitão do barco, mas logo é “deposto” pelo verdadeiro comandante, o carrancudo gato Pete. Em certo momento, a embarcação para e surge Minnie, que se junta ao namorado. O desenho segue com o casal se divertindo fazendo música com o som dos bichos do barco!

Uma curiosidade interessante sobre a produção é que o próprio Walt Disney fez todas as vozes da animação, incluindo as de Mickey e Minnie – na verdade, são mais sons do que propriamente vozes. A trilha sonora teve arranjos de Wilfred Jackson e Bert Lewis, além das músicas “Steamboat Bill”, composição de Arthur Collins de 1911 e “Turkey in the Straw”. O nome da animação é uma paródia do filme de Buster Keaton, “Steamboat Bill Jr.”, que, por sua vez, é uma referência à música de Collins.

Mickey Mouse reapareceria pela segunda vez em um desenho em dezembro de 1928, em “The Gallopin’ Gaucho”.

Curiosidades do rato de suspensório

 – No início, o personagem principal de Walt Disney não era Mickey e sim Oswald, o coelho sortudo. Walt Disney acreditava que o personagem seria um sucesso, mas em uma viagem para tentar conseguir dinheiro para a produção, os investidores deram uma resposta negativa e, como os direitos autorais do personagem pertenciam a eles, assumiram o controle do personagem.

– O primeiro nome de Mickey Mouse, na verdade era…Mortimer!

– O nome “Mickey” foi sugerido por Lillian, esposa de Walt, que achou o nome Mortimer muito pretensioso e sugeriu Mickey. A partir daí, nascia um astro!

– As primeiras palavras de Mickey foram: “Hot Dog! Hot Dog!”, a fala faz parte do curta-metragem The Karnival Kid (1929). Daquele momento em diante, na maioria dos curtas de Mickey durante a Segunda Guerra Mundial foi o próprio Walt Disney que deu voz a Mickey.

– Apesar do nome Mickey Mouse ser conhecido no mundo todo, em italiano, é chamado de Topolino; em alemão, é o Micky Maus; em espanhol, Raton Mickey; em sueco, Musse Pigg; e em mandarim, Mi Lao Shu.

– Mickey participou da cerimônia do Oscar duas vezes. Em 1998, o personagem subiu ao palco para entregar um envelope ao ator Tom Selleck. Já em 2003, Mickey voltou a aparecer na cerimônia como animação ao lado da atriz Jennifer Garner.

– Mickey Mouse chegou à televisão em 1950. Nesta década, Walt produziu um especial de Natal para televisão chamado “One Hour in Wonderland“. O desenho clássico Relojoeiros das Alturas (1937) também foi apresentado como parte das comemorações de fim de ano.

 

0 97
cinema movie film festival poster design background

Por Keven Souza

Quem não se encantou quando foi a primeira vez ao cinema? Ou quem nunca se emocionou ao assistir um filme que lhe proporcionasse sensações únicas? Agora, imagine como ficaram as pessoas que foram à primeira sala de cinema fixa do Brasil e se surpreenderam com a exibição do primeiro curta nacional. 

O que era representado por pinturas e telas no século XIX, se tornou algo menos atrativo e pouco crucial, quando foi possível registrar uma imagem sem ao menos pintá-la. Talvez, a partir daí tenha surgido o pontapé para que chegasse no conceito de cinema que se tem hoje. Um espaço que se enche de pessoas para exibir megas produções com efeitos visuais e sonoros, como um canal poderoso que é capaz de formar grandes nomes na indústria artística, como Fernanda Montenegro e Sônia Braga. 

De fato é graças às dificuldades encontradas em produzir curta-metragem nos séculos passados que moldaram as maneiras de fazê-lo atualmente. Por isso, o Contramão traz hoje um apanhado dessa história para que possa relembrar as ricas e diversas obras que formaram o cenário cinematográfico nacional até os dias atuais. 

O início das produções 

Uma arte que encanta, fascina e mexe com a emoção. Um espaço de histórias e movimentos, destinado a produzir obras estéticas para transcender a imaginação e realçar as sensações. Este é o cinema, um artefato cultural que carrega consigo a responsabilidade de ser uma das principais artes do mundo com a capacidade de emocionar o público através do entretenimento popular e trazer memórias únicas nas mais variadas produções cinematográficas que por meio deste lhe é apresentado. Apresentações que só existem porque certamente o cinema é um dos meios que mais usou da criatividade para acompanhar a realidade e evoluir em tempos tecnológicos. 

Sua história existe há mais de cem anos e passou por inúmeras transformações ao longo do século XX e do século XXI, quando foi exposta a primeira concepção de cinema em um cenário mundial na cidade de Paris em 1895, pelos franceses Auguste e Louis Lumière. A exibição do filme ‘Saída dos Operários da Fábrica Lumière’, dos irmãos Lumiére, não só transformou o que havia de conceito sobre captar imagens, como trouxe à tona a criação do cinematógrafo, um aparelho portátil que permitia a projeção de imagens em movimento em uma tela ou parede sem usar a eletricidade. 

Saída dos Operários da Fábrica Lumière

Com este brilhante trabalho, a invenção se espalhou por todo o mundo e possibilitou a produção de curtas-metragens, mesmo que sem som, de forma surpreendente e totalmente nova. O aparato não demorou a chegar ao Brasil. No dia 19 de junho de 1898 foram exibidas imagens capturadas do cenário da Baía de Guanabara na cidade do Rio de Janeiro, gravadas a bordo do navio Brésil, que havia saído de Boudeaux, na França. A partir daquele momento, foi escrita na história do país a primeira captação de imagens em movimento através da tecnologia do cinematógrafo. 

A primeira sessão no país 

Entre 1897 e 1898, após a criação do cinematógrafo, foi inaugurada a primeira sala fixa de cinema do Brasil, o “Salão de Novidades Paris”, no Rio de Janeiro. Na época, o local era amplamente frequentado e contou a exibição de diferentes curtas voltados ao cenário euro-ocidental com cenas do cotidiano das cidades europeias.

A sala foi aberta ao público por incentivo dos irmãos italianos Paschoal Segreto e Affonso Segreto. Afonso era o responsável interino pela aquisição dos filmes no espaço e seu irmão, Paschoal Segreto, era um dos proprietários da sala juntamente com José Roberto Cunha Salles. Os irmãos Segreto foram figuras importantes para o início do cinema no país, considerados os primeiros cineastas pela gravação da Baía de Guanabara, em 1898, com sobrenome de peso que tornou-se sinônimo do pioneirismo no cinema nacional. 

O que levanta ruídos em volta do primeiro filme feito no país, já que, assim como os irmãos Segreto, houveram quatro produções de outros cineastas, como Vittorio di Maio, que foram cruciais para legitimar as gravações em solo brasileiro. 

Apesar dos pesares, os curtas foram apresentados, ambos em preto e branco, sendo mudos e em curto espaço de tempo. Que são eles: 

  • Ancoradouro de pescadores na baía de Guanabara
  • Chegada do trem em Petrópolis
  • Bailado de crianças no colégio, no Andaraí
  • Uma artista trabalhando no trapézio do Politeama

Além disso, um dos problemas encontrados para a produção do cinema em todo o país, era devido a falta de eletricidade e como a cidade carioca era a capital da Federação na época, a situação foi resolvida em 1907 com a implantação da Usina Ribeirão de Lages, no Rio de Janeiro.

Após a inauguração da usina, foi possível aumentar os números de salas, que cresceram consideravelmente, não só na cidade, como as antigas salas de cinema: o Pathé Palace e os cinemas Capitólio, Íris e Pathé, mas também por todo o país.  

Crescimento do cinema 

Na primeira década do século XX, com a amplificação das salas de sessões no país, começaram a surgir as primeiras produções de caráter fictício no Brasil. Nesse período, o cineasta luso-brasileiro António Leal, apresenta sua película “Os Estranguladores”, considerado o primeiro filme de ficção brasileiro, com o tempo maior do que os que já existiam, com duração de 40 minutos. 

Os estranguladores (1908)

O filme obteve grande repercussão e trouxe novas expectativas para a cinematografia.  Houve também registros de filmes cantados, um gênero que contornava o fato do cinema ainda ser mudo com uma dublagem ao vivo e “Paz e amor” foi uma produção desse gênero considerada como uma das de maior sucesso nos anos iniciais do século passado. 

Em um panorama geral, o século havia começado brilhantemente com esforços voltados a estimular a cultura nacional através das ‘telonas’, entretanto, em 1910, houve o enfraquecimento dos curtas-metragens produzidos no Brasil. 

O conflito empobreceu as produções feitas aqui, além daquelas vindas da Europa, e deu margem para que Hollywood, nos Estados Unidos, se consolidasse como a grande produtora mundial de filmes. Logo o que havia de cinema em território nacional acabou sendo atordoado por produções norte-americanas e que chamavam mais atenção, tecnicamente, pela qualidade dos curtas. 

Essa confluência do estilo cinematográfico americano foi abraçado por todo o país, principalmente na década de 1930, e muitas salas de cinema começaram a priorizar inteiramente a exibição de filmes hollywoodianos. O que prejudicou na íntegra o cinema nacional. 

Com tanta negligenciada, a cinematografia do Brasil buscava atingir outras expansões, como fazer produções em jornais e revistas, por exemplo as publicações das revistas de cinema “Para Todos, Selecta” e a “Cinearte”. Desde então, na década de 30, foi criado o primeiro grande estúdio cinematográfico no Brasil, denominado de a Cinédia.

A Cinédia foi a personificação da resistência do cinema brasileiro. A companhia cinematográfica, realizava produções que exploravam musicais e temas da cultura popular, como o carnaval e a MPB. Por meio dessas ações, foi despontada uma figura icônica, a grande Carmen Miranda.

Estudiosos e cinéfilos, acreditam que foi após esse momento épico, em 1940, que surgiu a chanchada, um dos primeiros e relevantes gêneros de sucesso na história do país. Este estilo entendia que, os temas que diziam respeito ao gosto popular eram importantes para promover curtas-metragens que misturavam humor com drama musical, sendo ligados diretamente ao baixo orçamento. 

Além disso, a repercussão e o desenvolvimento da chanchada coincidiu com o surgimento do cinema falado, que foi um processo de introdução gradual no país, sendo a princípio com filmes estrangeiros e posteriormente traduzidos para o portugues.

Dentre as produções de sucesso desse gênero, destacaram-se: 

  • Moleque Tião (1941)
  • Tristezas Não Pagam Dívidas (1944) 
  • Carnaval no fogo (1949)
  • Aviso aos navegantes (1950)

A revolução do cinema novo 

Após o fim da década de 40, se manifestou o cinema novo. Um movimento de caráter revolucionário, focado em pautas sociais e políticas que passam a questionar o poder do cinema hollywoodiano nas produções nacionais e teve como ponto de partida a produção “Rio, 40 graus”, de Nelson Pereira dos Santos. O filme oferecia uma narrativa simples, preocupada em ambientar personagens e cenários que pudessem fazer um panorama da cidade carioca, que era a capital do país na época. 

O cinema novo se embebedou fortemente do neo-realismo italiano e da “nouvelle vague” francesa, com o propósito de relatar críticas voltadas à desigualdade social. Se com a chanchada havia um tom divertido nas produções, nesse período essa voz é abandonada para mostrar a verdadeira realidade do país, principalmente do Rio de Janeiro, onde as áreas turísticas ficaram em segundo plano e apareceram as pessoas pretas, as favelas e a marginalidade. 

Com isso, a nova geração de cineastas propôs deixar os percalços encontrados nas décadas passadas a fim de usar uma linguagem inspirada em traços de sua própria cultura, no caso a do Brasil. Os curtas e os longas-metragens abordavam pessoas reais em suas histórias, como trabalhadores rurais e indivíduos de baixa renda, além de que, toda trama trazia cenários simples ou naturais, com imagens sem muito movimento. Um dos principais nomes que atuaram no movimento foi o cineasta Glauber Rocha, que produziu filmes como “Deus e o diabo na terra do sol” e “Terra em transe”. 

Deus e o Diabo na Terra do Sol – Glauber Rocha

Mais tarde, na década de 60 e no início dos anos 70, surge o cinema marginal denominado também de “Údigrudi”, um gênero que vai dar continuidade à postura anteriormente defendida pelo Cinema Novo.

Chegada do século XXI e outros gêneros

De fato, a presença do cinema nacional é uma relíquia atemporal que, como vimos, existe há mais de um século, se moldando e traçando novos olhares para o que se tem da cinematografia brasileira hoje. Depois da chanchada e do cinema novo, por um longo período de tempo o cinema esteve sob controle do governo militar, durante a Ditadura Militar (1964-1985), onde sofria grande censura em continuar a mostrar a verdadeira situação social do Brasil. 

Nesse contexto, surge a criação da Embrafilme (Empresa Brasileira de Filmes), uma produtora de controle estatal que financiava um gênero que se desenvolvia naquele tempo, as pornochanchadas. Movimento que misturava o erotismo com o humor e como exemplo marcante tinha-se a produção do cineasta Bruno Barreto, “Dona flor e seus dois maridos” (1976), que fez sucesso e já foi recriado na teledramaturgia nos dias atuais.

Na metade dos anos 80, com o fim da ditadura e a chegada do videocassete, há o despontar de uma crise econômica envolta do cinema nacional. Já que, com a criação das locadoras, as salas ficaram vazias e os produtores sem dinheiro para  produzir seus filmes. Com isso, começava-se a comentar sobre a retomada do cinema na década de 90. Os burburinhos para que o cinema voltasse a produzir curtas, ganharam forças depois de anos de imersão na crise. 

A partir disso, pela persistência e o empenho do movimento, deu-se o crescimento da produção de filmes e começaram a ser fomentados grandes festivais no país. Nesse período, é exibido um dos maiores, e talvez um dos melhores, filmes já produzidos no país:  “Central do Brasil” (1998), dirigido por Walter Salles.

Central do Brasil (1998)

Já no início do século XXI, o cenário não poderia ser melhor, o cinema nacional passa ser considerado e reconhecido mundialmente. Filmes, festivais, atores e atrizes, passam a fazer parte de grandes premiações, como o Oscar e o Globo de Ouro. Tudo se deu devido aos recordes de vendas em relação às bilheterias e a introdução de novas tecnologias, como por exemplo a ilusão de percepção de profundidade dos filmes em 3D.

É com esse contexto que são produzidos os clássicos da geração e aclamados pelos públicos em geral:  

  • Cidade de Deus (2002) de Fernando Meirelles; 
  • Carandiru (2003) de Hector Babenco; 
  • Tropa de Elite (2007) de José Padilha; 
  •  Enquanto a Noite Não Chega (2009), de Beto Souza e Renato Falcão.

Dia do Cinema Nacional 

No Brasil o Dia do Cinema Brasileiro é comemorado duplamente, no dia 19 de junho e 05 de novembro e isso se deve à datas importantes da história cinematográfica do Brasil. 

Há 124 anos ocorria a primeira exibição pública de cinema no Brasil. No dia 5 de novembro de 1896, no Rio de Janeiro, foram projetados oito pequenos filmes, de cerca de um minuto cada um, para a elite carioca, na Rua do Ouvidor.

Quase dois anos depois, no dia 19 de junho de 1898, o ítalo-brasileiro Afonso Segreto registrou as primeiras imagens em movimento no Brasil. Afonso estava a bordo de um navio e gravou imagens da sua chegada à Baía da Guanabara. Alguns historiadores consideram que, na verdade, as primeiras gravações brasileiras teriam acontecido em 1897, na cidade de Petrópolis.

Como os dois acontecimentos foram memoráveis, alguns atribuem o Dia Nacional do Cinema Brasileiro ao dia 5 de novembro, outros o comemoram em 19 de junho. Outras fontes afirmam que a data de 5 de novembro seria ainda uma homenagem ao aniversário do cineasta Paulo Cesar Saraceni e também à data da morte do cineasta Humberto Mauro.

Desde aquele período, o cinema tem deixado como aprendizado que não se faz uma história da noite para o dia. É acerca de cada movimento ou gênero, que veio a surgir durante os anos, que a cinematografia do país veio a ser moldada e considerada. Hoje se consolidou uma identidade artística única que permeia canções, peças de teatros, coleções artísticas e principalmente filmes. 

Uma identidade que está em constante evolução, mas carrega consigo mesma a sua própria história. Abraça o futuro, mas nunca deixa o seu passado. E esta é a história do cinema brasileiro, recheada de resistência e resiliência!