Dança

Cantora vive a melhor temporada de premiações da sua carreira

Por Keven Souza

“Primeira vez, primeira vez, primeira vez…. Colecionando primeiras vezes”, celebrou Anitta, uma vez em sua rede social. A brasileira vem vivendo o melhor momento de sua vida profissional, em 12 anos de carreira. Gostando ou não da artista, é preciso concordar que os méritos de abrir portas para cantores brasileiros lá na gringa e colocar o Brasil em destaque internacional, é todo dela! E nesta última semana, enquanto vivíamos nossa vida comum, Anitta estava no foco das maiores premiações de música do mundo com todos holofotes para si. 

Destaque no EMAs 2022

Pela primeira vez, Anitta levou a estatueta de “Melhor Artista Latino” no Europe Music Awards no último dia 13 de novembro, em Düsseldorf, na Alemanha. Ela concorria com tal nomeação com Bad Bunny, Becky G, J Balvin, Rosalía e Shakira. 

A intérprete de “Envolver” não compareceu à cerimônia por conta dos ensaios do Grammy Latino, mas agradeceu aos fãs e família por vídeo. Durante a anunciação do resultado da categoria a platéia vibrou muito quando nossa brasileira foi consagrada como “Best Latin”. 

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Indicação ao Grammy Latino e Americano 

Já passamos da fase de entender que a Anitta sempre surpreende. Continuando a semana de feitos internacionais, a artista foi anfitriã, performer e indicada ao Latin Grammy 2022, que aconteceu dia 15 de novembro, em Las Vegas, EUA. 

Anitta apareceu na lista de indicados duas vezes: em “Gravação do Ano” e “Melhor Performance de Reggaeton”, ambas por “Envolver”. No entanto, acabou perdendo ambas nomeações por Jorge Drexler e C. Tangana pela canção “Tocarte” e Tainy, Bad Bunny e Julieta Venegas com “Lo Siento BB”. Seus fãs não reagiram bem com a perda de Anitta. Na web, criticaram o fato da cantora ter dito um Top 1 Global com “Envolver” e estar sempre presente na cerimônia, mas nunca ter sido premiada. 

Durante a cerimônia, ela mostrou sua simpatia ao apresentar diversas categorias importantes da premiação. Logo em seguida, realizou uma performance ao grande palco do Grammy Latino, com medley de funk para ninguém botar defeito. 

Falando agora do Grammy Americano, que é um dos maiores centros de premiações musicais do mundo, Anitta foi indicada em uma das categorias principais: a Best New Artist. Graças, até então, à sua grande notoriedade em solo americano nos últimos meses.  

A indicação é um marco para o Brasil, visto que somente três artistas brasileiros foram nomeados como “Artista Revelação”. Foram eles Astrud Gilberto (1965), Tom Jobim (1965) e Eumir Deodato (1974). Ou seja, após 48 anos depois, Anitta quebra barreiras e é elegível em uma categoria internacional no Grammy Americano.  

Indicação de Anitta no Grammy Awards. Foto: Instagram e internet.

História no AMAs 2022

Já na noite deste domingo (20), Anitta finalizou sua semana de feitos internacionais, fazendo história, agora, no American Music Awards, realizado em Los Angeles, EUA. A cantora se consagrou como a primeira brasileira a ser nomeada e vencedora na premiação. Ela levou para casa o prêmio de “Artista Latina Feminina”, deixando para trás Becky G, Kali Uchis, Karol G e Rosalía. 

Anitta com sua estatueta de “Artista Latina Feminina”, após seu discurso no AMAs 2022. Fonte: Instagram e internet.

Anitta agradeceu seus fãs pelo esforço nas votações, o apoio de sua família e a si mesma por vir trabalhando tanto no mercado americano. Logo em seguida, mostrou para o que veio e apresentou seu hit “Envolver” e seu último lançamento “Lobby”, ao lado de Missy Elliott. A cantora entregou beleza, sensualidade, dança e muito carisma na gringa. 

Anitta e Missy Elliott cantando “Lobby” no AMAs 2022. Fonte: Portal POPline.

 

rock in rio

Por Keven Souza 

Aconteceu no último domingo (11) o encerramento do Rock In Rio 2022, na Barra da Tijuca no Rio de Janeiro. O evento que reuniu ​aproximadamente 100 mil pessoas no sétimo dia e contou a presença de mais de 36 artistas dos mais variados gêneros musicais, trouxe vida a Cidade Rock em 12 horas de música constante divididos em oito palcos. 

rock in rio
Dua Lipa, esbanjando talendo e brilho no palco mundo ( Foto: Keven Souza )

A atração mais aguardada da noite foi a cantora britânica de 27 anos, Dua Lipa. A artista era headliner do dia, onde, ao som de “Physical“, subiu ao Palco Mundo com todo um espetáculo de cores, luzes e hits. Esbanjando talento, apresentou o setlist com os sucessos de Future Nostalgia, seu segundo álbum de estúdio. Tudo muito bem pensado para quem estava presente no Parque Olímpico e também acompanhava de casa, pela transmissão do Multishow. 

Das músicas aos figurinos – quatro, ao todo – Dua Lipa brincou com cores e não dispensou brilho. Trouxe seu balé que performou garantindo um show à parte com coreografias. A cantora interagiu ainda com a plateia e finalizou, em português, dizendo: ‘obrigado gatinhos e gatinhas’.  

Megan Thee Stallion, Rita Ora e Ivete também foram outras cantoras que abrilhantaram o último dia de Rock In Rio, se apresentando no Palco Mundo. No Sunset, Liniker mostrou toda força da mulher trans preta juntamente com Luedji Luna. Logo após, Majur,  Agnes Nunes, Mart’nália, Gaby Amarantos e Larissa Luz uniram o samba, soul, blues, brega e jazz em um só espetáculo para homenagear Elza Soares.

Cidade do Rock é baile de favela

rock in rio
Toda a estrutura gigantesca do palco mundo. ( Foto: Keven Souza )

Já a cantora Ludmilla, de 27 anos, que também se apresentou no Palco Sunset, foi uma das artistas mais comentadas do mundo na internet após seu show. Isso porque, ela prometeu que faria algo grandioso e cumpriu. A dona do hit ‘Rainha de Favela” investiu em estrutura de palco, luzes e figurinos luxuosos. Além disso, não deixou de lado o funk!

Ludmilla construiu um setlist único, que privilegiava o gênero musical, fazendo com que a Cidade do Rock por um momento virasse baile de favela. Levou ainda a dupla Tasha e Tracie, MC Soffia, Tati Quebra Barraco e Majur para o palco. Como resultado, fez um show certamente histórico que trouxe questionamentos aos produtores do Rock In Rio sobre a participação de artistas brasileiros no Palco Mundo, que é o principal palco do festival. 

O Rock in Rio promoveu inclusão em seus shows deste ano, como intérpretes de Libras (Linguagem Brasileira de Sinais) e mais artistas negros e LGBTQIA+. Mas a principal crítica do público com os produtores foi colocar artistas femininas de grande público, que é o caso de Ludmilla e Avril Lavigne, em palcos menores, como o Sunset. 

A volta do Rock In Rio no Brasil 

Após dois anos desde a última edição do evento do Brasil, que aconteceu em 2019, a Cidade do Rock recebeu um público de 700 mil pessoas com o forte desejo de se reencontrar. Foram sete dias, 1.255 artistas, 300 shows e mais de 507 horas de experiência. 

As parcerias? Muitas! Stands do Globo Play, Tim, Itaú, TikTok, Coca-Cola, Doritos, Latam, Kit Kat, iFood, entre outros, decoraram o Parque Olímpico com cores e vida. E para mostrar que o Rock In Rio é um festival de números, esta edição foi recorde de turistas no Rio. Foram mais de 420 mil pessoas de outros estados do Brasil e uma estimativa de 10 mil de fora do país. 

O Rock In Rio é um festival que impacta diretamente na economia da cidade. É, ainda, patrimônio cultural imaterial do Rio de Janeiro que expande toda nossa brasilidade para o mundo. Que as próximas edições continue com ​​toda a energia e alto astral, pois o evento além de trazer grandes espetáculos para o Brasil, dá um show como festival de experiências!  

 

A 9ª edição do evento foi realizada na Esplanada do Mineirão e fechou mais um ano sendo sucesso. 

Por Gustavo Meira 

Aconteceu no último sábado (27) na capital, o Festival Sarará 2022, evento que reuniu mais de 60 artistas de diversos segmentos e contou com a presença de mais de 35 mil pessoas na Esplanada do Mineirão, na Região da Pampulha. Foram quase 12 horas de música constante divididos em seis palcos. Os ingressos giravam em torno de R$ 150,00 a R$ 540,00.

Palco principal do Sarará 2022, na Esplanda do Mineirão. Imagem: Leo Caetano.

As atrações mais esperadas para esta edição eram Glória Groove, que trouxe o penúltimo show da ”Lady Leste Tour”, e contou com vários sucessos de seu último álbum e famoso medley de pagode com Ludmilla, no qual foi ovacionada. O show de Pabllo Vittar contou com a participação da cantora Urias e um corpo de ballet impecável. Um dia antes, PV esteve no Mercado Novo, onde gerou alvoroço e atendeu os fãs. Zeca Pagodinho, que sempre está com sua cerveja na mão, cantou seus maiores sucessos e de surpresa recebeu o rapper e fã Emicida no palco, levando o público ao delírio. 

Pabllo Vitar e Urias no palco principal do Sarará. Imagem: Alison Jones.
Gloria Groove em seu show no palco principal do Sarará.  Imagem: Leo Caetano.

A mineira de Taiobeiras Marina Sena, que em 2019 estava na plateia, fez sua estreia no Sarará e contou com a presença de Marcelo Tofani da banda mineira Rosa Neon. Ambos cantaram o hit ”Ombrim”. Já Gilsons fez a plateia cantar ”Várias Queixas” em um lindo couro. 

Marina Sena em seu show no palco principal do Sarará. Imagem: Alison Jones.

Homenagens e manifestações na Esplanada 

O line-up do festival contava com a presença de Elza Soares, porém a cantora faleceu em janeiro deste ano. Teresa Cristina, Nath Rodrigues, Paula Lima, Julia Tizumba e Luedji Luna fizeram um show em homenagem à Elza, contando com sucessos de sua carreira. 

“Elza é um nome muito importante da arte no Brasil e no mundo, uma mulher que sempre cantou tudo que tinha algum significado para ela e para todes no qual ela sempre defendeu com toda força e amor. Foram 91 anos de vida, bem vividos, 70 anos de carreira fantásticos, com reconhecimento no mundo todo e muito depois no país que ela tanto amava e defendia, mas Elza nunca fraquejou e agora tenho o orgulho de continuar trabalhando o nome da nossa eterna Rainha, para mim, Elzão. Ela ainda deixou muita coisa pronta para sair”. É o que disse Vanessa Soares, neta, produtora executiva e pessoal da cantora.

Cantoras em homenagem a Elza Soares no palco principal do festival. Imagem: Instagram Sarará/internet.

Houve manifestações políticas por parte dos artistas e do público em vários momentos do festival. O couro mais ouvido era a favor do ex-presidente Lula, candidato à Presidência das eleições deste ano.

Outras edições do festival 

As duas primeiras edições do Sarará aconteceram em 2014 e 2015, no Parque das Mangabeiras, em BH. Seu marco aconteceu quando o evento foi palco da Virada Cultural em 2016, com público de mais de 50 mil pessoas no Parque Municipal. Desde então, o festival cresceu e se transformou em um dos maiores do estado.

A 9ª edição do Sarará estava sendo preparada desde 2019. ”Tivemos momentos de sonhos, dúvidas, planejamentos constantemente alterados, nó na garganta, esperança… Nesse tempo todo, quisemos e queremos tanto viver”, diz a organização do evento. 

O Sarará é um #FestivalDeSentir, este ano foi possível sentir toda a energia dos artistas e do público, que estavam sedentos pela volta presencial do evento, que não aconteceu durante dois anos por conta do isolamento social. 

Anote na agenda, a próxima edição do Sarará já tem data marcada, 26 de agosto de 2023. Borá mais uma vez?!

 

Edição: Keven Souza. 

Festival promete trazer a heterogeneidade de estéticas como principal atração da Cidade do Rock

Por Keven Souza

A 37º edição do Rock In Rio está cada vez mais próximo do nosso Brasilzão! Durante os dias 2, 3, 4, 8, 9, 10 e 11 de setembro deste ano, a Cidade do Rock está prestes a receber mais uma edição histórica do maior festival do país.

O Rock In Rio foi criado em 1985 e mais do que quebrar recordes atrás de recordes desde sua estreia, o festival fomentou ao longo do tempo um estilo fashion influenciado pelo soft rock. Um subgênero da música rock que enfatiza ganchos pop, produção de estúdio impecável e estética sonora mais agradável.

Foram anos e décadas de edições que contaram com um público que priorizava tendências, como boho e athleisure, que aliam conforto e charme. O Parque dos Atletas, localizado na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, foi palco para as peças de couro, os chapéus de cowboy, as camisetas pretas, os acessórios em correntes e franjas e, claro, além das botas, os shorts jeans rasgados.

Imagem/Reprodução
Imagem/Reprodução
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Mas será que essa estética ainda prevalece? Bom, o que mostra as últimas edições do festival, não tanto quanto antes!

O Rock In Rio embora ainda seja um espaço de shows para distintas faixas etárias, ele está, desde 2019, com uma grande parcela de pessoas da geração Z. Isso motivado pelo line-up diversificado que traz shows de cantores da atualidade, como Anitta, Demi Lovato, Beyoncé, entre outros, que são queridinhos da nova geração.

Hoje, o público que frequenta o Rock In Rio é diferente daquele presente na década de 90 que foi marcado pelo estilo soft rock, por exemplo. Há uma adaptação dessa estética “tradicional” para a atual realidade. Não digo que é difícil encontrar pessoas ainda com esse estilo na Cidade do Rock, mas não será comum tanto quanto antes.

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A heterogeneidade de estilos

A mudança de público é o fator principal para ocorrer esse choque na estética fashion do festival. As pessoas, e especificamente os jovens, estão preferindo looks e peças de forma mais subjetiva, colorida e menos temática. Sem aqueles limites e definições vistos nas décadas passadas. 

Esse comportamento demonstra uma junção de estilos pessoais de diferentes indivíduos em um só lugar. Hoje, ao invés do público se adaptar ao estilo de um festival e criar um certo padrão fashion, eles querem realçar suas particularidades e origens através de suas roupas e visuais.

A liberdade do ser, que é algo muito discutido atualmente, possibilita a heterogeneidade de estilos nos gramados da Cidade do Rock. E a moda, enquanto instrumento de personalidade que acompanha os costumes, ressalta a mistura de gostos no RIR. Que não só diz muito sobre o como é o Brasil, mas abraça as tendências tradicionais (soft rock) e inclui o que está chegando de novo.

Imagem/Reprodução
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De fato, quem for ao Rock In Rio 2022 poderá encontrar estilos do soft rock ao dopamine dressing, já que a criatividade e ousadia serão as atrações principais do maior festival do Brasil. Irá encontrar também looks monocromáticos, com uma pegada solar e mais descontraída.

Agora, se o festival irá quebrar mais recordes com este ano, não sabemos! O que tenho certeza é que daqui alguns anos teremos uma estética ou estilo patenteado pelo Rock In Rio, anunciado pelo universo da moda e abraçado novamente pelo público.

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Por Keven Souza

Após anos de espera, Queen B está de volta ao cenário musical para mostrar ao mundo sua nova fase com o lançamento de “Renaissance”. Se nos últimos trabalhos a artista abordou temas sociais e urgentes, como feminismo e racismo, em seu sétimo álbum de estúdio, lançado hoje (29), ela quer apenas celebrar.

Renaissance é em grande medida uma homenagem à house music e à importante contribuição da população negra na criação do gênero. Se você não acompanha a carreira de Beyoncé dificilmente entenderá que ela não quer se encaixar em nenhuma tendência musical atual.

O novo lançamento, que já está entre nós meros mortais, é simplesmente único. Aqui, Bey celebra e retorna às pistas com referências diretas aos hits que estouraram nas noites da década de 90 e nos anos 2000, mas carregado de representatividade e poder. Isso fica evidente com Break My Soul, música presente no álbum. E mais do que isso, traz o olhar da realidade vivida pela cantora e seu tio, de maneira dançante e muita rica. 

“Um grande obrigado ao meu tio Jonny. Ele foi minha madrinha e a primeira pessoa a me mostrar muito da música e da cultura que serve de inspiração para este disco. Obrigado a todos os pionerios que originaram essa cultura, a todos os anjos caídos e suas contribuições que foram ignoradas por muito tempo. Isso é uma celebração a vocês”, escreveu Beyoncé em seu Instagram.  

O álbum será dividido em diferentes atos, como indicam as artes promocionais lançadas até agora. O lançamento de hoje é “Act I” que contém 16 faixas. Os próximos certamente possuirão a mesma intensidade e qualidade já entregues por Beyoncé. E na contramão dos que muitos pensam, a cantora jamais deixará de cantar suas origens, já que como a mesma disse na faixa Be Alive (2021), “ eu não poderia me limpar da negritude nem se quisesse“, canta Beyoncé.

Se vamos entrar novamente em formação (formation) com próximos trabalhos não tenho certeza, mas o que compreendo é que ninguém na indústria musical atua hoje com tanta dedicação, pureza e coesão igual a Beyoncé. 

Não há músicas feitas para o TikTok que realçam, ou representem, aquilo que nós sentimos e não sabemos dizer. E esse é o grande poder da Queen B. Espero que a representatividade através de suas músicas continue, pois há uma parcela da sociedade que a está ouvindo e compreendendo sua militância, inclusive eu.

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Por Keven Souza

A dança sempre esteve presente em todos os momentos da história da humanidade, como amiga do ser humano, desempenha papel importante na construção de várias culturas. Essa arte carrega a liberdade de se expressar, o poder de imaginar e a vontade de transformar o mundo. 

Essa responsabilidade conduzida pela dança tem sido precursora no desenvolvimento em todas as esferas da sociedade. Na Cultura Ballroom, esse princípio não é diferente. Em meio a resistência, glamour e movimentos, nasce uma comunidade que gira em torno de arte, um lugar onde ser diferente é permitido e se torna refúgio para aqueles que precisam de acolhimento.

Em conversa com o jornalista, dançarino e participante assíduo da Cultura Ballroom, Dante Alves, 26 anos, o Contramão abordou os aspectos e a importância que fazem desse movimento um ato social, político e histórico. Além disso, trazemos em detalhes como tem sido a cena ballroom no panorama de Belo Horizonte. Confira a entrevista! 

Dante Alves – Arquivo pessoal

Dante, o que seria a Cultura Ballroom para quem não conhece? 

A Ballroom é uma cultura que nasceu nos EUA em meados dos anos 70, ela surge em paralelo aos bailes drag daquela época e em um contexto social em que a população LGBTQIA+ sofria uma repressão horrivel, mas principalmente o recorte de travestis negras e latinas, que dentro da comunidade sofria com o racismo. Ela nasce a partir de suas próprias competições nos bailes, evoluindo e se criando em categorias que variam entre estética, dança, realidade, entre outras diversas. 

A Ballroom é extremamente importante, porque ela é feita por e para as travestis negras e latinas e acima de qualquer coisa, ela celebra os corpos marginalizados que estão dentro da comunidade LGBTQIA+, que por muito tempo, e até hoje, sofre de uma higienização e embranquecimento quando é representada no mainstream. Essa cultura é muito mais do que um baile e uma festa, é sobre resistência.

Qual é o estilo de dança dentro dessa cultura? 

A dança dentro da Ballroom é muito forte e diz muito sobre a liberdade. Ela é bem específica, pegando elementos de vários outros tipos de dança e, literalmente, não é necessário você ser o padrão de dançarino para se divertir dançando vogue. Essa autonomia que a ballroom permite é sensacional, pois abre um espaço de liberdade para você ser quem você realmente é.

Particularmente, eu sempre fui uma pessoa que ama dançar, desde criança nos churrascos de família ou fazendo as coreografias no meu quarto assistindo clipes na TV. A dança sempre foi um momento de diversão, de me conectar com a música e de me sentir bem com meu corpo.

Lembro que comecei a dançar na ballroom em 2017, mas já participava da comunidade como espectador desde 2014, neste ambiente me sinto confortável para dançar e me expressar. Como uma pessoa gorda, dançar pra mim é isso, liberdade! 

Normalmente, as pessoas tendem a confundir a Ballroom com a Dança Vogue, por serem estilos de danças marcados por poses e movimentos expressivos. Há diferença entre as duas? Por que as pessoas as confundem?

O Vogue é apenas uma parte da Ballroom, um estilo que nasce da dança de rua inspirada nas poses das modelos da revista Vogue. As pessoas se confundem principalmente pelo vogue ter saído da ‘bolha’ e isso se deve muito a Madonna nos anos 90 que levou a dança ao mainstream, onde as músicas são feitas para a massa. 

Há uma problemática com essa questão, é muito visto a apropriação da dança sem respeitar e ao menos saber da história da comunidade que há por trás, principalmente por pessoas brancas e não lgbts. O Vogue é muito mais que uma dança pra quem faz parte da ballroom e a ballroom é, definitivamente, muito mais do que o Vogue. 

Você é bastante atuante no cenário Ballroom aqui de BH, como funciona este estilo de dança aqui na capital? Possuem espaço ou ainda existe preconceito? 

Geralmente ocupamos espaços públicos, como o CRJ por exemplo, e acho que por mais que tenham pessoas preconceituosas e que não entendem o que está acontecendo ali, a gente se protege bem e sabemos onde vamos ser bem recebidos.

A cidade tem abraçado projetos, ideias e os eventos desse nicho?

Não acho que o governo de Belo Horizonte seja o maior exemplo de apoiar projetos desse tipo, mas a comunidade se movimenta bastante para conseguir alguns projetos e coisas desse nicho. Falando em questão de público, as balls estão sendo sempre muito bem recebidas, principalmente com o sucesso que a ballroom voltou a fazer com os programas de tv e etc. Então depende do ponto de vista.

Dentro da Ballroom existem as Houses, que são espaços que representam o acolhimento e vão além de um local físico. Qual a importância delas para a comunidade LGBTQIA +?

As houses são como nossas famílias dentro da ballroom, como se fossem nosso “time” nas competições. Mas para além disso, são grupos que se apoiam e que têm um sentimento familiar, tem toda uma estrutura de mother, father, princess e etc, e são criadas através das conexões de seus membros. 

Antigamente as houses poderiam até serem físicas, onde as mães e pais acolhiam aqueles que não tinham onde morar, especialmente aqueles em que os pais não aceitavam ser da comunidade e colocavam para fora de casa. Mas, no contexto atual da ballroom é algo mais abstrato do que físico, são “espaços” que representam o acolhimento. 

É a partir das houses que acontecem as competições, as disputas de danças, os desfiles. De que modo são organizados esses eventos?  

Os eventos são chamados de balls, que em tradução significa bailes, esses balls são organizados geralmente por uma house ou pessoas de maior movimentação. Normalmente, existe um painel de jurados que são pessoas influentes e importantes na ballroom, um MC que organiza as batalhas e se comunicam com o público, um chanter que é uma pessoa que faz o chant – que é como se fosse uma ‘letra’ que dita a batalha –  e claro um DJ para soltar os beats. 

Cada categoria é aberta e todos que querem competir ganham os tens (aprovação) ou o chop (eliminação). Essa etapa acontece antes de começar as batalhas, onde você se apresenta para os jurados e a partir disso, se eles acham que você está apto a participar dessa categoria, você ganha os tens, mas se algum deles acharem que você não está e te dá um chop, você está fora, não passa para a fase das batalhas. Isso tudo faz parte dos eventos.  

Hoje, você faz parte de uma dessas casas, o que ela representa para você? 

Sou membro da House of Barracuda, uma casa que foi e é muito importante para meu crescimento dentro da ballroom, além do meu desenvolvimento pessoal. Estou na Barracuda desde a sua fundação, onde surgiu a partir de um sentimento das mother’s, o Trio Lipstick, de transformar aquele grupo que estava muito unido em uma família. Elas reuniram todos nós e expuseram a vontade de construir uma house, e de uma forma bem colaborativa a Barracuda surgiu.

Hoje, temos diferentes membros, onde cada um compartilha suas experiências e apoia um ao outro. É como uma família mesmo! Quando estamos juntos, seja em um almoço, treino ou na ball gritando e apoiando, me sinto livre para ser eu mesmo. 

Por fim, qual dica você daria para quem não conhece o cenário de dança LGBTQIA + de BH, especificamente a Ballroom, mas tem curiosidade de participar dos eventos? Qual seria o lugar ideal de procurar para quem se interessa?

Uma frase muito dita na Ballroom é “procurem saber”. Procurem saber da história, da importância, da necessidade dessa comunidade. Busque entender quem começou, de como surgiu. A história é muito importante para a Ballroom, então antes de começar a se jogar na dança, minha dica seria estudar sobre. Tem ‘Paris is Burning’ para ver na internet, além de diversas páginas no instagram que se propõem a serem didáticos para quem está interessado. 

Hoje, as lideranças da ballroom também estão dispostas a ensinar e acolher, então se aproxime das pessoas e estude! Isso é legal para um primeiro passo. E para quem tem vontade de frequentar, o CRJ é um lugar onde a gente sempre está se encontrando e tendo treinos abertos, que estão voltando aos poucos devido a pandemia, mas na pagina @mgballroom é dito todas as movimentações da cena mineira, balls, treinos e etc, então ao seguir a página você vai saber onde estamos.