Desvendando BH
Lugares pouco conhecidos da capital mineira

Cine belas Artes, na rua Gonçalves Dias, próximo à Praça da Liberdade. Um dos últimos remanescentes dos cinemas urbanos de Belo Horizonte.

O prédio, com arquitetura típica dos anos de 1950, teve sua primeira utilização pelos alunos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O que antes era a sede do Diretório Central dos Estudantes, símbolo da resistência estudantil durante a ditadura militar, no ano de 1992, se tornou o Centro de Cultura e Referência Cinematográfica da cidade de Belo Horizonte: o cinema urbano, Cine Belas Artes.

Localizado no coração do bairro de Lourdes, região centro-sul da capital, o discreto edifício ainda mantém viva a cultura da nostálgica combinação de filmes e carrinhos de pipoca. A um quarteirão da Praça da Liberdade, ele recebe seus convidados e oferece, além dos filmes, cafés e livros para aqueles que não dispensam um ponto de encontro para uma conversa casual. Com suas portas abertas à rua Gonçalves Dias, número 1581, o Belas Artes se tornou um símbolo concreto da resistência cinematográfica da cidade.

Cinema possui três salas para as exibições dos filmes. Ao longo da semana, a programação é integrada por oito diferentes títulos que se alternam durante a programação.

Histórias conterrâneas que se cruzam nos corredores do cinema

Em pé, ao lado da entrada principal e próximas à entrada da livraria que existe no salão principal do Belas Artes, duas senhoras mantinham uma longa conversa. Leda Paiva, 83, professora universitária se alegrava com a coincidência do casual encontro em que vivenciava. Suas mãos, firmes e certeiras, seguravam as da educadora popular, Rosa Perdigão, 72.

Os 11 anos de diferença não foram suficientes para separar a história de um inédito (re)encontro, dignos de roteiros de Mario Puzo ou Woody Allen. Leda, mora em Brasília/DF. Rosa, mora na capital mineira. Os 700 e muitos quilômetros que separam as duas cidades, também não impediram o acaso, em uma tarde de terça-feira, naquele lugar.

Rosa Perdição e Leda Paiva. Um encontro de histórias e coincidências no Cine Belas Artes. Fotografia: Lucas D'Ambrosio/Jornal Contramão
Rosa Perdição e Leda Paiva. Um encontro de histórias e coincidências no Cine Belas Artes. Fotografia: Lucas D’Ambrosio/Jornal Contramão

Com brilhos em seus grandes olhos azuis, cobertos pelas lentes de seus óculos, a neta de italianos explicou toda a coincidência com um largo sorriso em seu rosto, “a Rosa veio me perguntar sobre um dos filmes que está em cartaz. Paramos para conversar e descobrimos vários pontos em comum. Sou nascida na cidade de Itabira e ela também é de lá”, revelando que tudo começou com a troca de olhares e pela conversa desinteressada.

Futuro incerto envolve o Belas Artes

Histórias como essa é que tornam o cinema de rua, único para a cidade de Belo Horizonte. Tradicionais na cidade, em certo tempo existiam mais de 40 espalhados pelas ruas de BH. Ao longo dos anos, o costume, tradição e envolvimento da população com essa forma de entretenimento deixaram de ser prioridade para as horas vagas belorizontinas.

Fotografia: Lucas D’Ambrosio/Jornal Contramão

Hoje, o que restou, foram os discursos. Na prática, os investimentos não existem mais. De acordo com fontes que não quiseram se identificar, o cine Belas Artes é outro espaço que está fadado em se tornar uma lembrança para os belorizontinos.

Livraria e cafeteria completam o ambiente formado pelas três salas de cinema do Cine Belas Artes. Fotografia: Lucas D'Ambrosio/Jornal Contramão
Livraria e cafeteria completam o ambiente formado pelas três salas de cinema do Cine Belas Artes. Fotografia: Lucas D’Ambrosio/Jornal Contramão

Apesar do esforço e projetos que existem para revitalizar o espaço e aumentar o conforto para os usuários, a falta de interesse e a dificuldade de encontrar patrocínio é algo que dificulta ainda mais as pretensões para o espaço. O espaço, conta com três salas de cinema o que não se torna suficiente para a automanutenção do espaço que, por enquanto, ainda se sustenta por meio de um esforço que mantém as “telas acesas”.

Fotografias e Reportagem: Lucas D’Ambrosio

Imagem Retirada da Internet - Divulgação
  • Aquele Abraço – O Musical – O Poeta, a Canção e o Tempo

Data: de 27.08.2016 até 28.08.2016

Local: Grande Teatro – Palácio das Artes

Musical inspirado na vida e obra do ícone da Música Popular Brasileira, Gilberto Gil, é uma homenagem aos 50 anos de carreira do artista.
Interpretando 55 músicas cantadas total ou parcialmente, sobem ao palco os atores Alan Rocha, Cristiano Gualda, Daniel Carneiro, Gabriel Manita, Jonas Hammar, Luiz Nicolau, Pedro Lima e Rodrigo Lima, que comandam o espetáculo com energia e vitalidade inigualáveis. Gilberto Gil não participa do espetáculo.
Na dramaturgia e direção geral, o premiado Gustavo Gasparani – que estudou todas as letras, ouviu todos os discos e leu todos os livros publicados sobre Gil antes de finalmente conceber esta homenagem – cuidou de trazer para o espetáculo o lugar de risco e ousadia presente na carreira do compositor, sem deixar de lado a delicadeza que sempre o acompanhou. O resultado é uma montanha russa de emoções que podem ser sentidas pelo público durante toda a apresentação, em um musical único e imperdível.

Informações Adicionais:

Sáb. às 21h, dom. às 19h.

https://fcs.mg.gov.br/

Telefone: 31 3236-7400

  • BH Music Station

Data: de 27.08.2016 até 03.09.2016

Local: Praça Rui Barbosa – Praça da Estação

Repleto de novidades e de energias positivas, o festival agitará a madrugada dos sábados com uma programação musical recheada rock, MPB, carimbó, manguebeat, funk, rap, eletrônica e muita diversão
Nos dias 29 de agosto e 3 de setembro as estações de metrô de BH serão tomadas pela música. O embarque continua na estação Central, porém o trem musical irá para o sentido Oeste de Belo Horizonte. O público desembarcará em um lugar inusitado e mágico, a estação Oficina.
Neste ano, o BH Music Station está em clima de festa! “Estamos em um período de crise econômica e política, necessitamos de uma válvula de escape. As pessoas precisam de um pouco de alegria para conseguir seguir em frente. Teremos uma decoração toda voltada para boate, festa, e energias positivas. A ideia é que a pessoa entre no metrô e encontre um local festivo, que o público possa se divertir. Uma madrugada inesquecível, com performances lúdicas. Haverá mágicos, cartomantes, videntes e ciganas para lerem as mãos das pessoas. Queremos novas perspectivas. Queremos um futuro melhor!”, explica Márcia Ribeiro, diretora da Nó de Rosa Produções.
Diversidade cultural, liberdade de deslocamento, ritmos variados, pessoas de todas as tribos e um balanço que proporciona uma viagem incrível.

https://www.facebook.com/bhmusicstation

Telefone: 31 3264-2423

  • Curso de Fabricação de Cerveja Caseira

Data: de 27.08.2016 até 28.08.2016

Local: Cervejaria Backer – Pátio Cervejeiro

O objetivo do curso é que o aluno fabrique sua própria cerveja, utilizando insumos de qualidade, de forma artesanal, livre de conservantes ou aditivos químicos. Além disso, as aulas explicam técnicas e ferramentas sobre o tema, aprofundam o conhecimento sobre cervejas, estilos e tipos.
O Curso será ministrado pelo mestre-cervejeiro da Backer, Sandro Duarte, formado em Engenharia Agrônoma pela UFV e técnico especial em Cervejaria e Maltaria pela Câmara da Indústria e Comércio de Munique e Alta Baviera.

Informações Adicionais:

Sáb. às 14h, dom. às 10h.

https://www.cervejariabacker.com.br/

Telefone: 31 3228-8888

  • Saúde na Praça 2016

Data: de 27.08.2016 – 08:00 até 27.08.2016 – 13:00

Local: Praça da Liberdade

O evento é aberto à comunidade e conta com atividades gratuitas e orientações de especialistas sobre saúde. Neste ano, 22 sociedades de especialidades médicas participam do evento, nas áreas de: alergia, anestesiologia, angiologia, cardiologia, cirurgia plástica, coloproctologia, dermatologia, endoscopia digestiva, gastroenterologia e nutrição, ginecologia, homeopatia, infectologia, mastologia, medicina do exercício e do esporte, medicina do trabalho, nefrologia, oftalmologia, pediatria, pneumologia, psiquiatria, tanatologia e terapia intensiva. Médicos e estudantes de medicina vão orientar a população sobre como evitar as principais doenças que acometem crianças, homens e mulheres, além de estimular a prática de hábitos saudáveis de vida.

https://ammg.org.br/?noticia=saude-na-praca-2016-27-de-agosto

Entrada Franca

Promoção: Associação Médica de Minas Gerais (AMMG)

Realização: Associação Médica de Minas Gerais (AMMG)

  • 25ª Feijoada do Maranhão

Data: de 27.08.2016 – 13:00 até 27.08.2016 – 18:00

Local: Belo Horizonte Othon Palace Hotel

Open Bar e Open Food mediante a compra do ingresso: cerveja, caipivodka, refrigerante, água, espumante miolo e feijoada completa.
https://facebook.com/valdezmaranhao

https://www.valdezmaranhao.com

Telefone: 31 99235-3540

Email: valdezmaranhao@gmail.com

Promoção: Valdez Maranhão

Realização: Valdez Maranhão

  • A Origem dos Super-Heróis

Data: 27.08.2016 – 15:00

Local: Centro Cultural Vila Fátima (CCVF)

Conversa sobre os mitos, lendas, contexto histórico, cultural e literário que deram origem aos super-heróis dos quadrinhos.
Com Waney Medeiros

https://www.bhfazcultura.pbh.gov.br/

Telefone: 31 3277-8193

Entrada Franca

  • Camisa Preta – Rock D’la Rua

Data: 27.08.2016 – 19:00

Local: Centro Cultural Urucuia (CCU)

Lançamento do CD Camisa Preta da Banda Rock D’La Rua. Formada por Polaco no vocal e guitarra, Lucas Gomes no baixo e vocais e Geraldo Reis na Bateria, a banda irá apresentar o repertório do CD Camisa Preta que aborda temas que vão da política, passando pela psicodelia, comportamento e estados alterados. O Show contará também com a discotecagem do renomado DJ Reinaldo Café.

https://www.bhfazcultura.pbh.gov.br/

Telefone: 31 3277-1531

Entrada Franca

  • Visitas Guiadas ao Cemitério do Bonfim

Data: 28.08.2016 – 09:00

Local: Cemitério do Bonfim

Visita guiada para observação de aspectos artísticos e históricos do cemitério do Bonfim. Venha conhecer esse museu a céu aberto e descubra o mistério de sua construção e o significado de suas obras de arte.
Para participar é necessário inscrição através da Fundação de Parques Municipais. Evento quinzenal.

https://www.pbh.gov.br/parques

Telefone: 31 3277-5398

Email: agendaparques@pbh.gov.br

Entrada Franca

Promoção: Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Fundação de Parques Municipais (FPM)

Realização: Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Fundação de Parques Municipais (FPM)

  • Concertos Dominicais Peter Lund

Data: 28.08.2016 – 11:00

Local: Museu de Ciências Naturais – PUC Minas

O Recital Sacro Te Deum é a próxima atração dos Concertos Dominicais Peter Lund.

https://www.pucminas.br/

Telefone: 31 3319-4152

Entrada Franca

  • Circuito Vijazz & Blues Festival –

Data: 28.08.2016 – 20:00

Local: Sesc Palladium

O pianista carioca Eumir Deodato participa do Circuito ViJazz & Blues Festival, ao lado dos músicos Renato Massa Calmon, na bateria, Webster Santos, na guitarra e violão, Orlando Bolão, na percussão, e Marcelo Mariano, no contrabaixo. No repertório do show Eumir mostra novos arranjos na versão jazz funk para canções de Baden Powell e George Gershwin, além de Richard Strauss e o seu famoso arranjo, que lhe propiciou o Grammy e mais de 5 milhões de álbuns vendidos no mundo todo.

Fonte: Agenda Cultura de Belo Horizonte

 

Estefane dos Santos de Oliveira foi uma das visitantes da exposição "Mulheres Cabulosas da História".

Apesar de desempenharem um papel fundamental na construção humana, social e cultural da história, existem mulheres que foram esquecidas ao longo do tempo e colocadas como coadjuvantes diante das tradicionais figuras masculinas impostas pelos livros didáticos. Nomes como, Dandara, Simone de Beauvoir, Mercedes Sosa, Nísia Floresta, Sophie Scholl, Frida Khalo e Angela Davis são alguns desses exemplos. O projeto fotográfico “Mulheres Cabulosas da História” faz o resgate desses e de outros símbolos da luta social e feminista, por meio da releitura dos seus retratos clássicos utilizando, dessa vez, mulheres que são a atual força de representatividade dessas causas.

A fotógrafa Isis Medeiros, 26, é a responsável por idealizar o projeto que está exposto na passarela cultural do Anexo da Biblioteca Professor Francisco Iglésias, Rua da Bahia nº 1889, bairro Lourdes, entre os dias 25 de agosto a 02 de setembro, com entrada franca. Com o apoio e a realização do coletivo de mulheres do movimento social Levante Popular da Juventude, a ideia foi o resultado do engajamento fotográfico desempenhado pela autora do projeto. “Quando conheci o Levante, tive contato com todas as causas de opressão social: feminismo e patriarcado, racismo e todos os tipos de LGBTfobias. Por eu ser mulher, a primeira coisa que me pegou foi o feminismo. Fui entender várias das opressões que as mulheres sofriam e que antes eu não conseguia enxergar, e que também sofria antes. Fui entender as dificuldades que vivemos. Logo no inicio comecei a pensar como transformar isso em algum tipo de trabalho”, explica Medeiros sobre a inspiração do seu projeto.

Tornando o projeto em realidade:

Em fevereiro de 2015, após retornar de uma viagem realizada para a Bolívia, a fotógrafa apresentou a proposta para o movimento, do qual faz parte desde o ano passado, e recebeu o apoio para a sua concretização. Com a ajuda de outra integrante, Paula Silva, iniciaram o processo da pesquisa de nomes e referências que poderiam integrar as retratadas. Isis Medeiros credita o sucesso do projeto ao trabalho coletivo que foi realizado. “Ele foi muito importante e envolveu todas as meninas do movimento. Durante um mês de mobilização realizamos as pesquisas e o ensaio, que não durou mais de dois e intensos dias. No total foram 43 retratos realizados de 70 nomes pesquisados. Nesse processo, criei um evento no facebook e as meninas foram ajudando com sugestões e palpites. Tivemos a ajuda da figurinista Alzira Calhau que providenciou as vestimentas de cada uma das mulheres que foram retratadas”, explicando sobre o processo de criação das fotografias.

Além de participarem no processo de criação, as mulheres do movimento social também foram as modelos utilizadas para as releituras fotográficas. Todas os registros estão acompanhados de uma pequena biografia de cada uma das personalidades e, em seguida, é apresentada uma descrição da mulher que a representou. Isis Medeiros, além de fotógrafa, foi responsável por interpretar Isis Dias de Oliveira que, durante a ditadura militar, atuou como militante da Ação Libertadora Nacional sendo presa no ano de 1972 e dada como morta, quinze anos depois.

Retratos de Mulher:   

Estefane dos Santos de Oliveira, 21, é estudante e foi uma das visitantes da exposição “Mulheres Cabulosas da História”. Frequentadora do espaço destinado à estudos e leitura da biblioteca pública, o trabalho chamou a atenção da estudante que visitou o trabalho. “Por eu ser mulher, acho interessante ver e conhecer um pouco das mulheres que lutaram e representaram nossa causa ao longo dos anos da nossa história.”. Para ela, todos os retratos, de alguma forma, possuem a sua importância individual. “Cada uma delas lutou por ser mulher. Lutou pelo nosso reconhecimento e pelo nosso próprio bem-estar. ”, comenta.

A ideia de Isis Medeiros foi criar um ambiente em que as pessoas pudessem ver e interagir com as fotografias. Ao lado do texto que apresenta a exposição, existe uma placa com os dizeres: “o que você diria agora para uma mulher? ”. Ele acompanha caneta e papéis para serrem colados em volta do cartaz com a resposta dos visitantes. Medeiros comentou sobre as experiências geradas pela oportunidade de expor todo o material, “O que mais me comoveu foi a questão da mulher negra. Ela é a que menos aparece. Me comove ver as mulheres negras se empoderando e se organizando. Elas sentem um reconhecimento quando se deparam com a exposição e isso me emociona”, afirma .

Certa vez, Medeiros estava na Praça da Liberdade e observando os visitantes através do corredor de vidro em que as fotografias estão expostas, no interior do anexo da biblioteca, se atentou para um grupo de meninas que estavam chorando ao verem as fotos. “Naquele momento percebi que alcancei o objetivo que é de sensibilizar as mulheres para lutarem por aquilo que acreditam, por serem aquilo que desejam ser. A vida inteira lutamos por reconhecimento e para estarmos vivas. ”, finaliza.

Fotografias e Reportagem: Lucas D’Ambrosio

Homem caminha pela Praça da Liberdade e observa a montagem de "Triângulos", do artista Victor Monteiro.

No fluxo diário de Belo Horizonte, pouco se nota dos seus detalhes e dos locais pertencentes a ela. Através de um meio inusitado, o artista plástico Victor Monteiro, 31, é um dos representantes de movimentos da arte que visam a releitura dos espaços urbanos que são utilizados pela população, normalmente, de forma imperceptível. Ele criou um meio para desconstruir essa “utilização automática” dos espaços, por meio de sua arte. A Praça da Liberdade, normalmente utilizada como um caminho pelos moradores da região Centro-Sul de BH, seja para irem até o local de seus trabalhos ou para suas casas, outrora, como um espaço de lazer, se tornou a nova galeria aberta de Monteiro.

Com a utilização de filme plástico e fita tipo durex o artista, que é do Espírito Santo, está criando esculturas interativas entre as palmeiras imperiais que cercam o corredor central da Praça da Liberdade. Ao lado de amigos que o auxiliam na montagem, ele utiliza andaimes de aço para elevar a montagem de três triângulos, representando a bandeira do estado de Minas Gerais. A iniciativa é vinculada ao seminário Patrimônio e Arte Contemporânea, do IEPHA e do Inhotim, e tem por objetivo a preservação do patrimônio e noções contemporâneas de urbanismo, arte e ocupação.

Convidado para realizar uma ação na praça, Victor Monteiro explica sobre o Prolongamentos, nome dado à sua intervenção. “Normalmente realizo ele em construções arquitetônicas e tento fazer extensões de paredes, colunas e elementos da construção arquitetônica. É uma proposta que executo desde 2007. Agora, tentei trazer a proposta para o ambiente natural aqui da praça, utilizando as palmeiras como colunas de sustentação. Fiz uma proposta que chamei de Triângulos, trazendo uma relação formal com a bandeira de Minas”., comenta. Para ele, seu objetivo com esse tipo de intervenção e ocupação é fazer com que as pessoas possam interagir no espaço público por meio de uma maneira distinta daquele trivial. “As montagens das estruturas serão realizadas até o dia 18 e a desmontagem será na sexta feira, 19. Utilizamos o filme de plástico para cobrir e proteger as palmeiras e o durex colamos sobre o filme”.

Monteiro relata que algumas pessoas ainda estranham o trabalho que está sendo realizado, principalmente, pessoas mais velhas. Na tentativa de conversar com o público que frequenta a praça, dois jovens falaram sobre suas impressões da arte de Monteiro. João Victor Duarte e Isabel Lima Pontes, estudantes, acreditam que este tipo de projeto é importante para a cidade. “Sinceramente, não entendi inicialmente a proposta. Depois de chegar mais próximo percebi que é uma arte que pode fazer com que as pessoas percebam ainda mais a praça que está à volta delas.”, opina João Victor. Comentando sobre as dimensões do trabalho, Isabel Pontes comenta, “o mais interessante é que força a pessoa a desviar do seu caminho cotidiano. Não tem jeito da pessoa não ver essa estrutura”, finaliza. Triângulos, o trabalho de Victor Monteiro ficará exposto de hoje, 17 até sexta feira, 19, no canteiro central da Praça.  

Reportagem e fotografia: Lucas D’Ambrosio

Lucas D'Ambrosio

O estado de Minas Gerais é uma das referências nacionais quando o assunto é música popular brasileira. Também conhecida como MPB, o gênero, considerado um reflexo daquilo que existe de original da cultura musical nacional, feita e pensada por aqui, é aquele que consegue alcançar diferentes gerações entre os seus adeptos. Belo Horizonte, capital do estado e berço de movimentos musicais como o Clube da Esquina, ainda mantém de forma pulsante, os tons desse gênero lançando, por exemplo, nomes como os de Clara Nunes, João Bosco, Milton Nascimento, Paulinho Pedra Azul e Marcus Viana, assim como outros mais recentes, como Paula Fernandes, Aline Calixto e Flávio Renegado.

O projeto Quatro Cantos Coral na Praça, idealizado pelo BDMG Cultural, foi criado para divulgar o canto coral de Minas Gerais e promoverá o encontro de coros infanto-juvenis mineiros na noite desta quarta-feira, 10, a partir das 19h30. O palco será a Basílica de Nossa Senhora de Lourdes, localizada na região centro-sul da capital mineira. O encontro irá reafirmar a importância da música popular como forma de expressão cultural, além de demonstrar sua importância na formação de crianças e adolescentes. No total, serão quatro grupos de coros: Jovem Sesc, Gotas da Canção, São Geraldo e Raio de Luz. De acordo com Leila Lúcia Gregório, coordenadora do Coral BDMG o projeto surgiu “para que existisse um espaço para apresentação dos coros e uma agenda cultural que servisse tanto para divulgar, como interação cultural da cidade de Belo Horizonte”. Sobre a edição desta quarta-feira, Leila Gregório explica que será uma edição excepcional, trazendo coros exclusivamente infantis e infanto juvenis. “No entanto, as apresentações do evento Quatro Cantos contam com corais de todas as faixas etárias”, ressalta.

João Paulo Cunha, presidente do BDMG Cultural destaca a importância do incentivo à música como plano de apoio ao aprendizado de crianças e adolescentes, “O incentivo à cultura é reconhecido com um dos caminhos mais produtivos para a inclusão de crianças e adolescentes. A música, por suas características, é uma das artes que mais se aproxima dos valores sociais que desejamos levar aos jovens. Por meio da música os jovens se socializam, desenvolvem projetos coletivos, entram em contato com a cultura e têm ainda oportunidade de profissionalização”, finaliza.

Coral Raio de Luz

O coral Raio de Luz, foi criado no ano de 1998 e está vinculado ao projeto social Obras Educativas Padre Giussani. Nele, participam quarenta crianças que vão dos 9 aos 13 anos de idade. No repertório, além de músicas e cantos tradicionais da Igreja Católica, as crianças interpretam clássicos da MPB. Vanderlúcia Balsamão, 48, é supervisora da socialização e explica que a ideia do projeto do coral surgiu com o intuito de oferecer às crianças “Coisas belas que pudessem alargar os seus horizontes”. Balsamão acredita que a música, bem como a arte em todas formas de expressão, é um direito universal. “Infelizmente, a acessibilidade a cultura é precária em nosso país, principalmente para a população de baixa renda. Nesse sentido, percebemos a importância de criar canais de cultura que possibilitem às crianças escolher o que lhes encanta e edifica como seres humanos”. ressalta a supervisora que falou sobre a importância de incluir projetos culturais no processo de formação das crianças e adolescentes que participam do projeto.

Todo semestre, seleções são realizadas pelo coral para incluir novos participantes e cantores. Um teste é realizado para avaliar a saúde vocal dos concorrentes, além da experiência musical de cada um dos interessados. Nas apresentações, todo o repertório é organizado e elaborado pelo maestro Daniel Rezende Lopes e pelo músico Marco Aurélio, responsáveis pela condução do coral, que mesclam as músicas entre aquelas que “querem ser ouvidas” com as que estão presentes na realidade individual de cada uma das crianças.

Projeto Quatro Cantos Coral na Praça – BDMG Cultural

Dia: 10 de Agosto

Hora: 19h30

Local: Basílica de Lourdes – Rua da Bahia, 1596 – Lourdes/BH

 

Reportagem e Fotografia: Lucas D’Ambrosio

Fotos: João Alves

Entre jogos mornos, caos nos serviços de bar e a Zika, quem brilhou mesmo foram os torcedores com a sua animação, criatividade e humor. A olimpíada promete

O futebol feminino deu a largada ao calendário de competições que Belo Horizonte irá receber durante toda a Olimpíada. As seleções da Nova Zelândia, Estados Unidos, França e Colômbia protagonizaram a primeira fase do grupo G, que ainda tem mais dois jogos a serem realizados nos dias 12 e 16 de Agosto, no Estádio Mineirão.

Com bastante aparato policial, porém menos agressivo como visto na Copa do Mundo, os torcedores chegaram entusiasmados com jogo, carregando bandeiras e vestindo as camisas das seleções de cada país. Mesmo assim, os torcedores dos times mineiros, Atlético e Cruzeiro, vieram em peso e demonstraram as suas preferências.

Dentro do Mineirão que se apresentava bem vazio, o favoritismo da torcida praticamente era só uma, Nova Zelândia. Mesmo com o time inferior e com um gol já nos primeiros 15 minutos de jogo, a torcida não deixou de empurrar o time com gritos e “Ôlas”. Já o time americano não foi tão bem recebido assim. A goleira da seleção dos Estados Unidos, Hope Solo, recebeu vaias seguido de “zika” em coro, toda vez que tocava na bola. Os gritos entoados foram um tipo de resposta às postagens que a goleira publicou em suas redes sociais ironizando o Brasil e o vírus Zika, doença que casou pânico e desencadeou uma epidemia no país. No Twitter, diversos usuários riram da piada e aprovaram a situação – @leandokhaled escreveu – “Eu preciso agradecer os torcedores lá do Mineirão que começaram com o Ooooo Zika para Hope Solo. Vocês são Feras! #Rio2016”. O jogo terminou com o favorito ao ouro, Estados Unidos, vitorioso por 2×0.

Se a entrada para o estádio foi tranquila e bem organizada, o intervalo foi caótico. Os bares disponíveis não conseguiam atender a quantidade de pedidos e as cozinhas se transformaram em uma verdadeira bagunça. Foram necessários 44 minutos para comprar a ficha do caixa e retirar a mercadoria no balcão. Durante a espera, foi possível ouvir reclamações, deboches e xingamentos por parte dos visitantes. Para piorar, os preços eram absurdamente caros, um pão de queijo custava R$8,00 reais e um saco de pipoca R$ 13,00 reais.

Distante daquele caos, o jogo entre França e Colômbia ocorreu com menos torcedores presentes que o anterior, mas nenhum um pouco menos animado. Eram visíveis os esforço das colombianas em criar táticas no meio de campo e criar chances de gols pela direita, mas a marcação francesa não abria espaço e marcava em cima as adversárias. Enquanto isso, nas arquibancadas, os belo-horizontinos gritavam junto com os estrangeiros presentes e vibravam com cada chute a gol feito. A França com um time mais estruturado, treinado e coeso sai como vitoriosa com 4 gols, contra a esforçada Colômbia.

Texto e foto: João Alves