Economia

A cidade receberá mais de 5 milhões de foliões e um de seus  mais tradicionais blocos, o Baiana Ozadas, promete ferver o carnaval belorizontino deste ano.

Por Gustavo Meira

O carnaval de 2023 acontece entre os dias 4 a 26 de fevereiro. O último de BH, realizado em 2020, teve 4,45 milhões de foliões. A expectativa para este ano é que 5 milhões de foliões encham as ruas da capital, o maior da história com 479 blocos.

Desde 2020, Belo Horizonte se consolida como a terceira maior folia do Brasil, ficando atrás apenas para os 15 milhões de São Paulo e para os 5 milhões do Rio de Janeiro. A marca foi atingida quando a capital mineira passou de Salvador e Olinda.

Multidão de foliões reunidos na Av. Afonso Pena, centro de BH. foto: redes sociais

De acordo com a Prefeitura de Belo Horizonte, a movimentação econômica prevista é de R$ 623 milhões. A previsão é que mais de 9 mil vagas de emprego sejam geradas, além dos mais de 15 mil ambulantes credenciados. Esta edição contará com dois patrocinadores, o Sistema Fecomércio-MG (R$1 milhão), entidade que representa o comércio no estado, e a Rede de Supermercados BH (R$250 mil).

O Carnaval de Belo Horizonte terá mais de 15 mil ambulantes nas ruas. foto: PBH
O Carnaval de Belo Horizonte terá mais de 15 mil ambulantes nas ruas. foto: PBH

 

Anna e seus adereços de carnaval produzidos por ela e sua mãe. Foto: Anna Pini
Anna e seus adereços de carnaval produzidos por ela e sua mãe. Foto: Anna Pini

Para a publicitária Anna Pini, proprietária da empresa de artesanato Pixua Ateliê de Linhas, o período pré-carnavalesco já tem dado retorno. Em comparação ao mesmo período do ano anterior, onde a empresária não conseguiu vender seus adereços, neste 2023 ela se mostra muito otimista. ‘’As vendas no pré-carnaval estão indo muito bem. A expectativa está a mil, estou unindo o útil ao agradável, indo a todos os bloquinhos. Eu vou, curto e aproveito pra vender. O público está bem aquecido, botando muita fé nesse carnaval de BH, que desbancou o de muitas cidades’’, diz.

 

Bloco Baianas Ozadas

A cantora baiana Daniela Mercury e seus 30 anos de carreira, é o tema do bloco Baianas Ozadas, um dos mais tradicionais de Belo Horizonte para o Carnaval 2023.  O evento de lançamento aconteceu na última quinta-feira (2), dia de Iemanjá, e contou com ensaios da Bateria Ozada e da Ala de Dança, show da banda Baianas Ozadas, além de convidados.

‘’Pela primeira vez o Baianas Ozadas está homenageando uma artista feminina, homenageando as mulheres. Junto com uma personalidade importante da música baiana, a força das Yabás, as orixás femininas, mas celebrando 30 anos do Canto da Cidade e de carreira’’, é o que disse Geo Ozado, fundador e vocalista do Bloco Baianas Ozadas.

foto: Instagram/Baianas Ozadas
foto: Instagram/Baianas Ozadas

O Baiana é um dos blocos mais tradicionais do carnaval de BH, fundado em 2012 pelo baiano Geo Ozado. O bloco desfila com saias, turbantes, balangandãs, e lavagem das escadarias da Igreja São José, trazendo um pouco da cultura baiana e arrastando milhares de carnavalescos pelas ruas. Em 2017, registrou a marca de 500 mil foliões no carnaval da época. E neste ano, o Baianas Ozadas sai na segunda-feira (20) de carnaval às 9h em frente a Igreja São José, na Av. Afonso Pena.

 

Cármen Valadares no evento de lançamento do Carnaval 2023 Baianas Ozadas - foto: Gustavo Meira
Cármen Valadares no evento de lançamento do Carnaval 2023 Baianas Ozadas – foto: Gustavo Meira

 

Cármen Valadares, 58, é considerada por muitos blocos capital a rainha de bateria, a que puxa a comissão de frente e a ala de dança por conta de sua animação, alto astral e requebrado. Ela está presente há cinco anos no carnaval de BH e já está comparecendo aos ensaios dos blocos. ‘’O carnaval é uma festa muito bonita, que recebe todo tipo de pessoa, gera emprego e renda. Minha expectativa é muita, estou muito feliz com o carnaval e não só esse ano, mas em todos os momentos. Eu sou uma pessoa muito alegre em estar viva, com saúde, em estar bem’’, declara.

Professores e estudantes da Una durante o Minas Trend. Fonte: Divulgação Una

Por Keven Souza

Durante 02, 03 e 04 de novembro, estudantes dos cursos de Moda, Jornalismo, Cinema e Audiovisual da Una, marcaram presença na 28° edição do Minas Trend que aconteceu no Minascentro em BH. O maior salão de negócios da América Latina, promovido pela FIEMG, contou com palestras, lives e workshops gratuitos, tanto na modalidade remota quanto presencial, e recebeu novamente os alunos que ampliaram suas experiências com o mercado, a partir da parceria Una e FIEMG

Tal parceria possui o objetivo de encurtar a ponte entre universidade e indústria, proporcionando uma formação diversificada para o aluno. É o que destaca a professora de moda da Una, Gabriela Penna. “Aproximar a indústria da universidade coloca o aluno da Una em contato com marcas, fornecedores, profissionais do segmento em um aprendizado transformador. É a porta de entrada para os futuros profissionais do mercado, por meio de vivências exclusivas, ricas e formativas”, afirma. 

Formada por uma equipe multidisciplinar, os alunos experienciaram na prática o exercício de suas futuras profissões. A Comunicação Social ficou por conta da cobertura do evento, ao lado da assessoria do Minas Trend, e a Moda teve o ensejo de produzir, novamente,  um editorial de moda completo com peças dos expositores presentes no salão.

O editorial trabalhou com o conceito da comemoração dos 15 anos do Minas Trend. Nesta edição, o tema desenvolvido foi o Fashion Heritage, proposta ao qual está alinhado o conceito de herança. De olho na celebração desse legado, o plano de styling propôs traduzir em imagens a história do evento para a moda mineira, a afetividade e construção de um legado de anos de salão de negócios. 

Experiências únicas 

Larissa Raydan, aluna de Moda da CDU, conta como foi participar do editorial. Ela desenvolveu atividades relacionadas à produção no backstage. “Participar me proporcionou uma experiência mais profissional da carreira de modelo, que é algo que já trabalho e estou inserida no mercado. Estar no Minas Trend, me colocou em contato com um material exclusivo. Que me trará muita visibilidade e credibilidade dentro da minha carreira”, comenta. 

Para Carla Oberhofer, aluna de Cinema que esteve na produção de conteúdo, a convergência entre marcas, alunos e empresas, contribuiu para desenvolver visão ampla sobre sua área de atuação. “Me ajudou a enxergar como funciona realmente o trabalho. Tirar foto ou gravar um vídeo não é algo simples, é preciso saber o que você vai fazer. Assim, estar ali foi algo muito novo, pois era minha primeira vez no Minas Trend, mas foi uma experiência diferenciada”, pontua. 

Já a estudante de Jornalismo, Caroline Constance Ragi Zuppo, ‘vestiu’ a camisa de assessora e acompanhou de perto a rotina enquanto jornalista. “Foi bem legal! Eu fiquei apaixonada pela quantidade de expositores e também pelas tendências. Entrei no Jornalismo para trabalhar com moda, então foi muito gratificante para mim poder estar no meio desse evento. É um evento que faz brilhar os olhos de quem gosta de moda. Atuar na minha área então nem se fala, perdi o medo e o receio que tinha sobre entrevistar e consegui produzir conteúdos bem legais”, diz. 

Como foi a 28º edição do Minas trend

Em novo local, o maior evento da indústria da moda mineira debutou novas tendências para Outono/Inverno 2023 e movimentou cerca de R$20 milhões em negócios, com o mote “A Moda no Centro”. 

O Minas Trend reuniu os segmentos de vestuários, jóias, bolsas, calçados e bijuterias ao longo dos três dias de evento. Apresentou, ainda, nos largos corredores do Minascentro, o melhor da produção local com a moda global, celebrando 15 anos de empreendimento. E para o público final mostrou como funciona a indústria criativa a partir de palestras, lives e workshops. Fechando com chave de ouro mais uma edição bem sucedida. 

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Por Daniela Reis 

Você sabe dos seus direitos enquanto consumidor? Você conhece as leis que garantem uma compra segura? Já teve algum problemas com compras on-line em ou lojas físicas? 

Hoje o Jornal Contramão traz uma entrevista com a advogada, Alícia Fernandes Reis, para esclarecer sobre essas diretrizes. 

 

O cliente pode se arrepender de uma compra e devolver o produto? Qual o prazo para devolução e quais os prazos para o trâmite em compras físicas e on-line?

O Código de Defesa do Consumidor dispõe expressamente sobre o direito de arrependimento do consumidor no caso de compras realizadas on-line. Mas, o mesmo não ocorre quando as compras são realizadas na loja física. De acordo com o artigo 49 do Código do Consumidor, os clientes podem se arrepender da aquisição de um produto ou serviço no prazo de 07 (sete) dias a contar do recebimento do produto ou serviço, caso esta seja realizada pelo e-commerce. Nesses casos, o consumidor deverá entrar em contato com a loja e esta deverá arcar com todos os custos atinentes a devolução do produto ou serviço e proceder o reembolso do valor pago.

No caso de compras realizadas na loja física, o direito de arrependimento não se aplica, a não ser que a própria empresa estabeleça essa possibilidade de forma expressa. 

 

Nesse caso, o consumidor pode optar por um outro produto ou pedir o ressarcimento do valor? 

De acordo com o Código de Defesa do Consumidor, se o cliente exercitar o direito de arrependimento, os valores eventualmente pagos serão devolvidos de forma imediata, devidamente atualizados. Se for do interesse do consumidor, este pode optar por um outro produto, embora a empresa tenha sempre que deixar clara a possibilidade do ressarcimento. 

 

Explique para os nossos leitores o que é venda casada. Essa prática é legal?

O Código de Defesa do Consumidor proíbe expressamente a venda casada, constituindo, inclusive, crime contra as relações  de consumo. A venda casada se caracteriza quando ao adquirir um determinado bem, o consumidor se vê obrigado a comprar um segundo produto, ou seja, não tem a faculdade de adquiri-los separadamente. 

 

Quando o consumidor chega a um estabelecimento e encontra o mesmo produto, da mesma marca e com as mesmas especificações com marcação de preços diferentes? Qual preço a loja deve manter? 

Nos termos do artigo 5º do Código de Defesa do Consumidor, em havendo disparidade entre valores, atinentes ao mesmo produto, o consumidor terá direito de adquiri-lo pelo menor preço. 

 

Quando a mercadoria vem com defeito, qual o prazo de troca? 

Se o  produto possui um defeito que pode ser constatado facilmente (por exemplo: rasgos, riscos, rachaduras), os prazos são:  30 dias para produtos não duráveis (ex: produtos alimentícios) e  90 dias para produtos duráveis (ex: celular). 

Se o produto tiver um vício oculto, ou seja, apresentou defeito apenas após um tempo de uso, os prazos acima mencionados apenas se iniciam quando o defeito é detectado pelo consumidor. 

 

É muito comum as lojas, principalmente de eletroeletrônicos, venderem garantia estendida. Essa prática é legal? E quando a loja acrescenta essa garantia sem autorização do consumidor, como ele deve proceder? 

A garantia contratual, mais conhecida como garantia estendida é uma prática legal e regulamentada. A garantia estendida é aquela acordada entre consumidor e fornecedor, podendo ser onerosa ou gratuita, sendo de livre negociação.  Por ser uma garantia que muitas vezes é oferecida de forma onerosa, esta apenas pode se dar se houver expressa manifestação de vontade do consumidor. Caso esta garantia seja acrescentada sem a anuência do consumidor, caberá a este reivindicar o valor cobrado junto ao estabelecimento comercial e em não sendo exitoso, cabe ao consumidor a reclamação junto ao PROCON ou até mesmo o auxílio de um advogado para o ajuizamento da ação cabível. 

 

Preço diferente com pagamento à vista e com cartão, é certo? Muitas lojas usam dessa prática para incentivar a compra à vista e em dinheiro,  isso pode?

A Lei nº 13.455/2017 autoriza expressamente a comercialização de produtos com preços diferenciados para pagamentos em dinheiro ou cartão (crédito ou débito), desde que o fornecedor informe esta diferenciação de forma clara e expressa em seu estabelecimento. Logo, antes do consumidor realizar a compra deve estar ciente dos preços diferenciados a depender da forma de pagamento. 

 

Para finalizar, quando o consumidor se sente lesado em relação a uma compra, onde ele pode buscar seus direitos? 

Todo cliente que se sentir prejudicado ao contratar um serviço ou adquirir um produto, deve buscar um acordo amigável com a empresa.

Caso o contato com a empresa não seja exitoso, o consumidor possui outras duas alternativas: A primeira é ir ao PROCON. O PROCON é um órgão público que atua primordialmente na proteção e defesa dos direitos dos consumidores, sendo, pois, um órgão extrajudicial considerado como um meio alternativo para a solução de impasses e conflitos decorrentes das relações de consumo.

A segunda opção é contratar um advogado para intervir e orientar a como proceder nesta situação pelas vias judiciais. 

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Por Daniela Reis 

Na última semana, em meio às comemorações e manifestações do dia 07 de setembro, muito se falou sobre uma nova greve dos caminheiros igual ou maior a que aconteceu em 2018. Vários seriam os motivos, entre eles o preço abusivo dos combustíveis, a gasolina já ultrapassa os R$7 em muitas regiões do país. 

Por esse motivo, o Contramão traz hoje uma matéria para relembrar os impactos causados pela paralisação dos motoristas de carretas e caminhões há três anos. 

 

A greve e seus impactos 

A greve dos caminhoneiros, em maio de 2018, durou 10 dias e provocou uma brusca interrupção do fornecimento de bens e insumos básicos da economia. Por alguns dias, as cidades esvaziaram, por falta de combustível em postos de gasolina. 

O impacto na economia foi imediato, tanto na inflação quanto no PIB. O rápido equacionamento do problema fez com que o parte do impacto da inflação fosse temporário: a forte alta em junho foi compensada por alguma deflação em agosto daquele ano. 

O impacto da atividade, em particular na indústria de transformação, foi mais permanente: a mediana das projeções de crescimento do PIB antes em abril de 2018 era de 2,8%. O PIB acabou crescendo apenas 1,2% (resultado revisado recentemente para 1,8%). Parte da decepção do crescimento pode estar relacionada às incertezas eleitorais daquele ano. Mas a maior parte da queda das expectativas veio com a greve e a perda não recuperada da produção naquele período 

Durante a greve, o setor da economia que mais sentiu foi a indústria. A falta de entrega de insumos e de bens finais provocou uma queda de 3,4% da indústria de transformação entre abril e junho de 2018. Os setores que mais sentiram foram informática, equipamentos de transportes e bebidas – além da categoria “diversos” (Tabela abaixo). A retomada foi heterogênea, com cerca de metade dos setores voltando (ou superando) o nível pré-greve seis meses depois.

No setor de serviços, o impacto foi muito forte dado o peso dos serviços de transporte. Mas pouco se espalhou para outros setores. A PMS recuou quase 5% em maio, mas em junho já havia superado o patamar pré-crise, com o fim da greve (gráfico abaixo).

Apesar da retomada pós-greve, a perda de produto durante aqueles meses foi permanente. A mediana das projeções de crescimento do PIB antes em abril de 2018 era de 2,8%. No  final do primeiro semestre, a projeção havia recuado para 1,55% (gráfico abaixo). O PIB acabou crescendo apenas 1,2% (resultado revisado recentemente para 1,8%). Ainda que parte desta decepção esteja associada às incertezas eleitorais daquele ano, a greve parece mesmo ter sido a principal responsável pelo crescimento menor.

 

A importância dos caminhoneiros

Essenciais para economia, os caminhoneiros movimentam 60% de toda a carga brasileira, percorrendo 1,7 milhões de quilômetros de estradas que há em nosso país. Essa classe trabalhadora é vital para o funcionamento do país, você deve ter percebido isso nos últimos eventos de greve generalizada.

Praticamente tudo o que utilizamos no nosso dia a dia, seja perecível ou não, é transportado por um caminhão. O transporte de cargas no Brasil é feito em grande parte por estradas, portanto precisamos de políticas públicas que cuidem das estradas para que toda frota possa circular com qualidade e segurança.

O transporte feito nas rodovias é um dos mais simples e eficientes. Sua execução depende, como mencionamos, da existência e boas condições das rodovias. Embora a logística seja mais simples, manter as rodovias em boas condições e controlar a criminalidade parece que não tem sido tarefa fácil para os nossos governantes. Dos 1,7 milhões de quilômetros percorridos em território nacional, apenas 12% deles é feito em estrada pavimentada.

Outra questão que precisa ser levada em conta é o preço do diesel. Hoje, quase 30% do preço final do combustível no Brasil são impostos, como o Cide, o ICMS e o PIS/Confins, realidade que vem a ser a maior causa da paralisação dos caminhoneiros em 2018.

Sabe o que resulta um caminhão parado? Resulta no Brasil parado! Sem remédios nas prateleiras, sem comida nos supermercados, sem gasolina para se trafegar.

Conheça a história de Igor Raboni que saiu praticamente do zero e conseguiu realizar o sonho de montar o próprio negócio, com investimento inicial de R$172https://www.youtube.com/aoraboni

*Por Flávio Figueiredo, Patrick Ferreira eTales Ciel

Em 2014, Igor Raboni iniciou a construção de um sonho, lavando carros. Desde sempre apaixonado pela estética, sempre fez mais do que lavar e passar um “pretinho” no pneu. Aproveitando a popularização do YouTube, em parceiria com a esposa Maria Luiza criou seu canal Ao Raboni em 2018, com a proposta de trazer o universo da estética automotiva além do que se vê. No canal eles comentam desde custos até como desinfetar o veículo para beneficiar a  saúde dos passageiros. Em 6 meses, o canal já havia atingido a marca dos cem mil inscritos. Hoje, são mais de 680 mil inscritos no Youtube e no Instagram, eles já reúnem mais de 200 mil seguidores.

O empresário é de Belo Horizonte e conseguiu realizar o sonho de montar o próprio negócio saindo praticamente do zero. As portas se abriram quando Raboni resolveu pegar mangueira e balde para começar a lavar carros, juntou vontade e mais R$ 172,00 em um negócio desacreditado até pelos mais próximos. Igor conta que após a sua decisão de empreender, até a sua família se posicionou contra. Nesse bate-papo, vamos conversar com esse jovem que está revolucionado o mercado automotivo mineiro e faturando o seu primeiro milhão em meio a pandemia.

Igor Raboni e a esposa Maria Luiza
  • Como aconteceu essa mudança de lava-jato para estúdio de estética automotiva?

No começo do meu negócio, investi apenas R$ 172, na porta de casa, com muita determinação e com ajuda da minha esposa, Maria, que me ajudava na captação de novos clientes, bem como no atendimento, o lava-jato foi crescendo com a utilização da internet, principalmente com o nosso canal no YouTube, que hoje possui mais de 600 mil inscritos, que abriu caminho para divulgação e expansão do negócio que virou um estúdio de sucesso.

 

  • Em decorrência da pandemia, várias cidades tiveram lockdowns. De que forma o seu negócio se adaptou a esse desafio?

Foi um momento de levar conscientização para os nossos clientes de como poderíamos trazer soluções pra vida deles no combate ao vírus. Fizemos, inclusive, uma ação de um dia inteiro com tratamento de ozônio gratuito no carro deles, essa estratégia impactou muito, mas com os clientes o desafio foi menor pelo fato de sempre reforçarmos em nossas redes sociais a importância do cuidado e higiene do carro.

 

  • O seu estúdio tem uma pegada bem diferente dos demais, provavelmente isso contribuiu para que vocês alcançassem o lucro de R$1,7 milhão em plena pandemia. Além da temática automotiva, o que mais você oferece no espaço?

Com o crescimento do negócio, sempre almejei oferecer serviços diferenciados para os meus clientes, tendo isso em vista, criamos barbearia, lanchonete, e uma plataforma de cursos online e presenciais, gerando capacitação acessível e mão de obra para o mercado de trabalho, tudo no mesmo complexo. A nossa ideia é oferecer um grande espaço de convivência, enquanto o cliente espera o seu carro ficar pronto.

 

  • O que você fez para se reinventar em meio a pandemia e crescer o seu negócio?

Nessa pandemia o crescimento foi de aproximadamente 314%, isso devido a agilidade da nossa empresa ao criar as estratégias para o período, e por antes da pandemia já termos estruturado um curso online, que tinha como respaldo nossa própria empresa como case de sucesso da eficiência do método que ensinávamos, isso unido ao fato de várias pessoas perderem seus empregos, resolveram investir naquilo que amam, e esse fato nos fez ter um crescimento exponencial, com mais de mil alunos formados.

 

  • Como você avalia ver o capital de R$ 172,00 investido se multiplicar em 10 mil vezes ao longo de seis anos de trabalho intenso?

Esse sucesso pra gente significa muito mais que os números de um faturamento, é uma quebra de tabu, pra gente que veio de família simples, ver que há 6 anos começávamos com 170 reais. Nosso propósito sempre foi pessoas, transformar e impactar a vida delas de alguma forma, o dinheiro é uma das várias consequências positivas de executar um projeto de forma bem-feita. Por isso sempre dizemos a todos, tenha um propósito que vai além do dinheiro e dos boletos, é esse propósito que te fará levantar da cama nos seus piores dias.

 

  • O que você espera para o futuro?

Com certeza em crescer, após essa pandemia, já temos em mente uma ideia de criar franquias do nosso empreendimento em várias cidades do país. Quero fazer muito mais do que se imagina com R$ 172,00 reais.

 

  • E qual o conselho você daria para quem está começando agora o seu próprio negócio?

Sempre digo que o segredo não é o negócio, e sim a estratégia. Não é o que se faz, e sim como se faz. Todos nós precisamos aprender a fazer de um jeito diferente e assim encantar nossos clientes de um jeito diferente.

 

Mais detalhes da história de Igor Raboni nas redes sociais:

Instagram: https://www.instagram.com/aoraboni/

YouTube: https://www.youtube.com/aoraboni

 

**Edição: Daniela Reis

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*Por Ana Flávia da Silva 

O mercado de trabalho é um ambiente onde a desigualdade está presente, principalmente se olharmos para questões como raça e gênero. A mulher negra dentro deste âmbito encontra inúmeros desafios, que estão diretamente relacionados ao racismo estrutural e institucional.

A desigualdade no mercado de produção está diretamente associada ao desequilíbrio social que vivemos no Brasil. Os dados apontam um crescimento do número de pessoas negras alfabetizadas e concluintes do ensino médio. Contudo o índice de analfabetismo entre as mulheres negras é duas vezes maior do que as mulheres brancas, segundo uma pesquisa realizada pelo IBGE em 2014. No mercado de trabalho não seria diferente, tendo em vista de que o acesso à educação ainda é muito precário. Grande parte das mulheres negras que se formam do ensino médio encontram dificuldades de ingressar no ensino superior, os dados apontam que apenas 10% conseguem se formar na faculdade.

Segundo dados da Previdência Social, 39,08% das mulheres negras estão inseridas em relações precárias de trabalho, fazendo parte também do maior número de pessoas que trabalham sem carteira assinada e recebendo os menores salários. Em diversas áreas do mercado a presença de trabalhadoras negras é praticamente inexistente. Um bom exemplo é o Cinema Brasileiro, até o momento apenas duas cineastas negras conseguiram lançar longas-metragens.

“Embora vivamos em uma sociedade multirracial e haja muitos discursos de que no Brasil não há racismo, as mulheres negras têm grande dificuldade em se inserir em determinados lugares. Basta observarmos quantas mulheres trabalham em atividades de maior retorno financeiro. Quantas ocupam cargos políticos ou mesmo estão em altos escalões do governo?”, questiona Yone Gonzaga, Consultora em Relações Étnico-Raciais e de Gênero e Doutora e Mestra em educação pela UFMG.

A mulher negra ao buscar uma vaga de emprego por muitas vezes poderá ser julgada pela cor de sua pele, por seu cabelo entre outros atributos físicos. “Outra barreira é o fato de os Setores de Gestão de Pessoas ou Recursos Humanos das empresas, não estarem aptos tecnicamente para compreenderem a dimensão racial como um entrave para o ingresso de pessoas negras no mercado de trabalho”, conta Yone.

Dentro das empresas elas são a minoria, sendo que pouquíssimas conseguem chegar aos cargos de liderança. Conversando com um grupo de mulheres negras, foi possível encontrar alguns pontos em comum em seus depoimentos. O principal deles é de que dentro das empresas muitas vezes elas têm sua forma de trabalho questionada, e precisam sempre se reafirmarem para não terem suas ideias ou opiniões invalidadas.

O racismo estrutural como consequência do nosso processo de colonização corrobora com a situação de desigualdade dentro do mercado de trabalho. É interessante observar que o racismo muitas vezes não ocorre de forma explícita, e sim através de um comentários considerados inofensivos. Essas pequenas atitudes do cotidiano precisam ser reavaliadas, essa é uma batalha constante que precisa ser combatida por todos.

Ainda de acordo com Yone, a melhor forma de derrotar o racismo estrutural é a denúncia. “O silêncio em relação às diversas formas de discriminação racial e de opressão de gênero permite a reincidência. Penso que a questão racial é um problema que deve ser enfrentado por toda a sociedade brasileira e não somente pelo segmento negro. Afinal, não basta as pessoas fenotipicamente brancas fazerem discursos de que não são racistas. Elas precisam se posicionarem e agirem contra todas as formas de discriminação e opressão que têm no pertencimento racial a sua origem”, afirma.

O feminismo negro

A pauta da igualdade de gênero e racial está sendo discutida constantemente. Podemos dizer que o feminismo tem sido um grande auxílio para que as mulheres negras possam alcançar seus objetivos em suas respectivas carreiras. Está havendo uma ruptura nos padrões impostos pela sociedade, isto fica claro quando observamos o fenômeno da transição de cabelos. É possível perceber que esse foi um grande marco do feminismo negro no Brasil, colocando em evidência outros assuntos que estão diretamente relacionadas à diversidade. A rede de apoio que foi possível criar através do feminismo, tem servido de inspiração para que mulheres negras possam discutir os principais desafios que enfrentam na sociedade e partir disso encontrar soluções para mudar o cenário atual.

 

*A matéria foi produzida sob a supervisão da jornalista Daniela Reis