Educação

Por Bianca Morais 

A série de reportagens sobre os 60 anos já trouxe boas histórias a esse Jornal, conhecemos projetos, laboratórios, personagens. E hoje é dia de contar a história de Lélio Fabiano.

Lélio foi um dos diretores que passaram e deixaram uma marca importante na instituição. Sua trajetória foi de junho de 2012 até novembro de 2016, sem dúvida, marcada para sempre na história do Centro Universitário Una. 

Quem é Lélio Fabiano

Jornalista Lélio Gustavo

Lélio Fabiano dos Santos é jornalista, escritor, ex-seminarista e professor. Com 82 anos de idade, ele pode ser considerado um verdadeiro ícone do jornalismo, em sua bagagem inclui passagens pelos mais antigos jornais mineiros. Deu seus primeiros passos profissionais no Jornal Binômio, entrou em setembro de 1961. Em dezembro desse mesmo ano, testemunhou o veículo de comunicação ser depredado por militares. Passou pelo Correio de Minas, Diário de Minas, entre outros. Esteve presente nas ruas acompanhando e cobrindo o pré-golpe de 64, as primeiras passeatas de operários e estudantes, as comissões na Secretaria de Saúde e as Marchas com Deus pela família e liberdade. 

Repórter multifacetado, fazia coberturas esportivas, econômicas, políticas e policiais. Em um tempo no qual não se exigia diploma para ingressar na profissão, Lélio desfrutou dos mais diversos benefícios de ser um jornalista profissional (sem frequentar a universidade) na década de 60, como descontos em impostos e passagens aéreas. 

Usufruindo desse desconto, em 1967, Lélio comprou uma passagem só de ida com destino à Paris, onde foi procurar preencher o vazio que sentia após concluir um curso de Direito na Universidade Federal de Minas Gerais, o qual fez simplesmente para ter o diploma. 

“Fiz direito porque era o curso mais fácil para mim, para estudar você tinha que saber português, latim e francês. Latim eu era craque, dez anos de seminário, português desde o primário gostava de fazer composição, e francês o idioma que escolhi”, explica.

Quando estava em seu primeiro ano no curso de Direito, a UFMG criou o curso de Jornalismo, porém, Lélio já jornalista profissional, não queria estudar em um curso que acabara de abrir. Em razão disso, depois de se formar como advogado,  quando embarcou para Paris, grande centro cultural, iniciou um mestrado no Instituto Francês de Imprensa, na Universidade de Paris, e fez sua dissertação com o tema: “O Alcance Social e Político da informação esportiva no Brasil”. 

Na França, Lélio teve muito mais que a oportunidade de estudar, esteve presente em mais um dos momentos importantes da história do mundo, o Maio de 68, movimento político marcado por greves e ocupações de estudantes. Mais uma vez o jornalista registrava memórias que nenhum governo ditador poderia arrancar dele.

Manifestações em Paris – Arquivo Pessoal

“Eu morava ali no coração da revolução, no Quartier Latin, eu corri da polícia, cheirei gás, ajudei a ocupar as instalações do Instituto Francês de Imprensa”, relembra.

 

Entrada no cenário acadêmico

Por longos anos, Lélio foi seminarista e manteve uma relação próxima com a Igreja Católica, devido à esse motivo, quando voltou da França, foi convidado por Dom Serafim Fernandes de Araújo, antigo reitor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), para que ajudasse na criação do curso de comunicação da instituição. Em meio a ditadura, o jornalista ajudou a erguer aquela faculdade, sendo o primeiro diretor, em 1971.

Lélio e o Padre Geraldo Magela se conheceram nesse período. “Quando era diretor na PUC, o Dom Serafim me pediu para chamar a dar aula na comunicação o tal padre que tinha chegado de Roma e estudado jornalismo, esse era o Padre Magela e ali nos conhecemos”. 

Lélio em seu escritório

A chegada de Lélio na Una

Lélio ficou durante cinco anos e meio na PUC e quando saiu criou sua própria companhia, Lélio Fabiano Comunicação, que prestava assessoria para diversas empresas de diferentes segmentos em Minas Gerais, um dos clientes, inclusive, era o Centro Universitário Una.

Quando os três fundadores da Ânima, Daniel Faccini Castanho, Mauricio Nogueira Escobar e Marcelo Battistela Bueno chamaram o Padre Geraldo Magela para a reitoria da Una, Magela e Átila Simões, que estava na direção, conheciam bem o trabalho de Lélio, e dessa relação surgiu o convite para que ele assumisse como diretor do Instituto de Comunicação e Arte, ICA, o atual campus liberdade.

“Topei o convite com coragem e temor, 40 anos depois de sair da Católica, depois da minha vida ter passado por vários lugares, esse convite, tive a honra de participar do nascimento desse grupo, inicialmente como consultor e em seguida diretor de uma unidade na área a qual era a minha vocação, a minha paixão”.

 

O Lélio e a Una

São 60 anos de Una, e para se marcar um local que em tantos anos se passaram milhares de alunos, professores, coordenadores, diretores e reitores, é preciso ser um sujeito muito extraordinário. 

“Entrei em uma hora muito interessante, no início de uma grande aventura, o curso já existia muito bem, mas cheguei para consolidar mais e propor um ambiente relaxante. Até hoje eu trabalho muito movido assim, pela liberdade, franqueza, não aquele autoritarismo. Meu principal trabalho foi reunir os professores, funcionários, coordenadores de cursos e laboratórios e acho que cumpri minha missão”.

Lélio revolucionou o ICA, a começar pelo nome, antes de sua entrada a pronúncia dessas três letras era separada: I – C – A e isso incomodava o novo diretor, o campus não tinha uma marca.

“Uma das maiores escolas de comunicação do país era o ECA, da USP, Escola de Comunicação e Artes da faculdade de São Paulo, ali foi celeiro de importantes teóricos e profissionais. Eu queria uma marca dessas para o nosso, falei que I-C-A era foneticamente feio, usei o ICA, e aí virou ICA para tudo, todo mundo sabia do ICA, internamente pelos alunos e quem vinha de fora”.

O ex-diretor participou de diversas mudanças estruturais no ICA, para que aquele lugar se tornasse um ambiente de conforto. Segundo ele, fez uma revolução arquitetural, com sua ajuda os arquitetos da Una assimilaram o espírito do campus, uma faculdade de portas abertas.

“Eu falava que dirigia das masmorras, porque era embaixo, perto ali onde é a biblioteca. Chegava para os reitores e falava que não era possível esconder os professores lá, estou escondido, eu queria aparecer. Você não vai fazer comunicação subterrânea”.

Como diretor, Lélio não tinha muita proximidade dos alunos igual na época em que era professor, por isso, sempre que tinha oportunidade de discursar para eles, seja nas cerimônias de formatura ou nas semanas de palestras de cursos, ele procurava levar para os jovens a importância da liberdade, de ser livre dentro do espaço que estuda, ele buscava abrir as portas dos cursos e fazer eles trocarem ideias entre si.

Enquanto com os estudantes os encontros eram poucos, com os professores Lélio tinha uma grande proximidade. “O grupo de professores que encontrei, diria eu, que fui privilegiado de dirigir, se eu fosse técnico de futebol seria aquela famosa seleção brasileira da década de 70, Pelé e Tostão. Foi um tempo muito rico, e eu era estimado por eles da mesma forma como eles eram por mim”. 

Lélio Fabiano e seu time de professores, em ordem da esquerda para direita: Lélio Fabiano, Sávio Leite, Roberto Reis, Tatiana Carvalho, Pedro Coutinho, Júlio Pessoa, Piedra Magnani, Daniela Viegas
Piedra Magnani, Cândida Borges Lemos e Lélio Fabiano dos Santos na 5ª ExpoUna

Lélio e o Núcleo de Conteúdo (NUC)

Lélio era diretor do Instituto de Comunicação, logo, liderava os cursos do campus liberdade, sendo eles cinema, jornalismo, relações públicas, publicidade e propaganda e moda, mas não podia negar seu lado jornalista, que passou por tantos momentos históricos.

O diretor instigava os alunos a irem atrás das notícias, na fase em que dirigiu o campus, acontecia no Brasil as manifestações de junho de 2013, o comunicador estimulou não apenas os estudantes como o próprio Jornal Contramão a vivenciar aquilo.

“Lembro que houve confusões com a polícia, eu falava para eles irem, enfrentarem, complicarem tudo. Jogaram uma bomba em cima de um dos meninos e o NUC tinha a foto, falei, pública, não tem frescura não. Busquei dar forças e me juntei a quem queria gritar”.

O jornalista viveu o maio de 68 na França. “O francês é assim, um cara cuspiu na rua, no dia seguinte sai notícia sobre aquele cuspe”, e era aquilo que ele queria levar a Una, portanto, logo no dia seguinte ao início das manifestações ele já organizava debates com o objetivo de discutir sobre o assunto na faculdade, Lélio queria movimentar tudo. 

Na época em que era diretor, o campus ainda tinha a extensão do ICA, o ICBEU, lá era onde encontravam-se os laboratórios, entre eles o NUC. Lélio abriu o NUC para o mundo ver, retirou as cortinas pois tampava a visão da calçada.

“O NUC precisava disso, ele estava meio isolado, eu ia muito lá, fiz uma transformação, eles trabalhavam de frente a rua da Bahia, uma das principais de Belo Horizonte, estava se criando o circuito cultural de Bh, então vamos participar disso, vamos deixar as pessoas passarem e nos verem”. 

Um local físico precisa irradiar, e Lélio fez não somente o NUC, como todos os outros laboratórios e a instituição irradiaram. 

“A única coisa que me deixou danado foram aquelas escadas de incêndio. Precisa? Então faça, mas vamos fazer ela da forma mais bonita. É lei, a gente não vai lutar contra a lei, isso é bobagem”.

 

O último diretor romântico

Lélio se identifica como o último diretor romântico do campus, romântico porque manifestava a paixão, se entregou por completo a cada um dos cursos que dirigiu.

“Os projetos tão aí, o curso de cinema na fase em que tinha o Júlio e o Cicarini, conquistaram tanto espaço. O curso de moda, eu tinha uma paixão por aqueles desfiles, aquilo para mim era um São Paulo Fashion Week, queria que chamasse São Paulo Fashion ICA, era um negócio tão bonito. A agência de publicidade, tantos projetos bacanas”.

O diretor impulsionava seu time de estrelas, durante sua gestão muitos projetos foram realizados, a Una se tornou um dos maiores centros acadêmicos universitários social na área de inclusão, programas de luta anti racista, contra a homofobia, realizados pelos professores Roberto Reis e Tatiana Carvalho Costa com seu apoio.

 

Homenagem a Lélio Fabiano

Lélio Fabiano é uma pessoa que merece ser aplaudida de pé, e qualquer homenagem a ele ainda não é o suficiente para tudo que ele ofereceu, e é com todo o respeito e gratidão a esse esplêndido profissional, que o campus liberdade deu seu nome à sala dos professores. 

“Eu levei assim, o respeito sem medo, me senti respeitado e jamais temido. Esse simbólico mexeu muito comigo, fotografei e mandei para toda a família, porque se eu tivesse sido um babaca, autoritário, mal humorado e chato eles não teriam me homenageado”. 

A Sala Professor Lélio Fabiano dos Santos é o pedaço do ex- diretor que sempre estará presente na faculdade. 

Placa em homenagem ao jornalista

“A Una e o Grupo Ânima foram muito importantes para mim, cheguei com dignidade e sai com mais dignidade ainda. Sai em um momento de maturidade e até um pouco de idade, tenho juízo suficiente para saber quando a gente é mais produtivo, e foi assim, eu entrei na Una e a Una entrou em mim, e nenhum sai do outro”.

 

Recado de Lélio aos futuros jornalistas da Una

Lélio nasceu na segunda guerra mundial, esteve presente durante a ditadura militar e em maio de 68, pegou os piores e melhores papas da igreja católica, hoje enfrenta a pandemia da Covid-19 e com tudo isso o jornalista deixa uma palavra aos futuros ocupantes de seu lugar: Resistência. 

Para quem assistiu de perto momentos absurdos de autoritarismo do governo, falta de liberdade da imprensa, ver atualmente, depois de tanta luta, a regressão, muitos pedindo retorno do governo militar, voto impresso, é absurdo. 

“Depois do regime militar veio uma nova constituição e eu jamais imaginaria que isso poderia voltar, o que é a memória do brasileiro, onde foi que nós erramos”.

Na opinião de Lélio é imprescindível que um bom profissional esteja sempre bem informado, é preciso aprender a ler jornal, conhecer, comparar, saber criticar. 

“Como é uma aula de jornalismo que ninguém sabe ler jornal. Nas minhas aulas eu ensinava a ler jornal. Um jornal impresso bem feito te dá notícias de tudo: política regional, nacional e internacional, futebol, cultura, tem que ler O Globo, a Folha de S. Paulo e Estadão”.

E não somente a mídia impressa, é necessário ver a mídia da internet e televisão.

“Não é assim, detesto a globo, globo lixo, espere aí, minha paixão não é o Bonner, se for paixão eu assisto a Monalisa Perroni, essa sim tem entusiasmo e movimento o jornal, mas é preciso ser crítico, saber criticar, então no meu ponto de vista jornalista que fala Globo Lixo, não deveria nem passar”.

Ser jornalista é amar a profissão, estar sempre se profissionalizando e procurando aprendizado. Desta maneira que Lélio conquistou tanto, desde pequeno lá na cidade de Guaçuí no Espírito Santo, ainda garoto ele ia até a agência de banco onde o pai trabalhava para ler O Jornal, líder do Diário dos Associados. O impresso chegava de trem, uns cinco dias depois de ser publicado, notícias antigas que ele já havia escutado no rádio, mas mesmo assim sentia o prazer imenso de ir a fundo e ler. 

Lélio dá notícia de tudo, quando professor, chegava em sala de aula e escrevia no quadro de giz tópicos como: 3 regiões do mundo em conflito, 4 cemitérios de Belo Horizonte, 7 jogadores da seleção brasileira de vôlei, 4 ministros do governo federal, na sequência falava aos estudantes que escrevessem em uma folha de papel e entregassem no fim da aula.

“Os alunos apavoravam, ‘não sei 4 cemitérios’, e eu falava, pois é, o jornalismo vai dar notícias sobre cemitérios. ‘Ai não gosto de vôlei’, mas vai precisar falar de vôlei. É a nossa profissão, sinto muito, temos que saber, ler jornal todo dia, passar o olho na mídia impressa”. 

 

Recado de Lélio para os 60 anos da Una

“Sendo diretor da Una senti o mesmo ardor, a mesma paixão de quando criei o curso de comunicação da católica, com meus 32 anos em plena ditadura militar. Voltar ao acadêmico nos meus 70 anos para mim foi uma boa oportunidade, liderei uma equipe excelente, voltei a uma praia que eu estava acostumado a frequentar.

E digo a vocês, um sozinho gritando é pouco, dois é bom e três faz uma gritaria, acho que o dia que essa Una não gritar mais, esqueça, está acabando. É muito importante que o grupo não enfraqueça, não deixe o fogo apagar, soprem as brasas e deixe a cinza entrar nos olhos dos outros, não no nosso, e vamos continuar”.

 

Edição: Daniela Reis

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Por Daniela Reis 

Você que acompanha as redes sociais do Centro Universitário Una, com certeza já viu nossos conteúdos falando sobre futuro, tecnologia e inovação. No Instagram (@unaoficial) publicamos diversos conteúdos, incluindo vídeos sobre esses assuntos e também sobre o que o mercado espera dos profissionais do futuro. Tudo isso faz parte de uma série de ações que a instituição vem promovendo junto aos alunos, para que cada vez mais ele possa estar inserido em um ambiente que o permita explorar, criar, experimentar e compartilhar.

A gente tem visto que os profissionais do futuro serão exigidos, cada vez mais, nas suas competências. Aquele que tem senso de liderança, que é criativo, que possui inteligência emocional e que desenvolve constantemente suas habilidades através do aperfeiçoamento, é quem vai se destacar. O mundo está em constante evolução e o profissional deve estar também.

E é exatamente esse o diferencial da Una, ter uma formação baseada nos quesitos exigidos pelo mercado. Em entrevista ao Contramão no final do mês de julho a diretora da Cidade Universitária, Ana Carolina Sarmento, salientou sobre essa formação dos alunos Una:

“Temos um currículo baseado em competências, ele desenvolve e traz os conteúdos técnicos de uma forma que possibilita o desenvolvimento dessas competências socioemocionais, que vão para além do conteúdo técnico. Ele é integrado, como a vida é integrada, não estamos divididos em caixinhas de disciplinas separadas, a gente trata de problemas de forma interdisciplinar”.

Uma outra capacidade é a de resolução de problemas e o nosso currículo nos possibilita tudo isso, também temos componentes curriculares que nos impulsionam nesse sentido, como as próprias práticas dos projetos e cursos de extensão, os trabalhos interdisciplinares voltados e baseados para a resolução de problemas, são técnicas que contribuem para o desenvolvimento e para que nossos alunos saiam mais preparados para esse mundo do trabalho”.

E partindo dessa premissa, a instituição está elaborando o seu próprio centro de inovação, um projeto grandioso em toda sua essência. Por enquanto,  chamado internamente de “Alma Una” tem envolvido diversos profissionais de diferentes áreas (diretoria, marketing, estratégica, gestão, arquitetura, etc.) em sua condução. A ideia é trazer algo extremamente novo e diferenciado para que nossos alunos tenham a oportunidade de desenvolver suas habilidades e estar em contato direto com a tecnologia e a inovação.

Para conduzir todo esse processo, uma equipe visitou os principais Centros de Inovação país, como: Ágora Tech Park, Acate, Leaning Village, Campus Park e Órbi.

Essas visitas tiveram o objetivo de conectar nosso time com o que há de melhor e mais moderno no conceito de inovação, para construir em BH o “Alma Una” com foco no desenvolvimento de ideias, pessoas, e principalmente, no empreendedorismo focado em tecnologia, desenvolvimento e educação.

Para quem não está por dentro do que são os centros de inovação, são espaços multidisciplinares e multifuncionais para promoção eventos, reuniões e treinamentos, além de promover a ligação entre incubadoras, startups, investidores e mercado. Enfim, um local voltado para unir pessoas e ideias na promoção de ações em prol do desenvolvimento profissional.

Imagina ter tudo isso dentro da sua instituição  de ensino? Realizar projetos, conhecer pessoas, ampliar seus conhecimentos e estar conectado diariamente com o futuro. A Una mais uma vez sai na frente para trazer para os seus alunos uma experiência de prática muito além das salas de aulas. O planejamento é que em outubro, mês que a Una completará seus 60 anos, seja entregue um espaço para início das obras de estruturação do centro de inovação.

Quer acompanhar tudo sobre o “Alma Una”? Então fique ligado nas nossas redes sociais, que constantemente vamos soltar mais conteúdos e novidades! Inclusive, amanhã, dia 20, saí o Papo com a Fábrica que fizemos com Daniel Lopes, um dos fundarores da startup 3DLopes que trabalha com impressões 3D. Ele fala sobre sua trajetória, inovação e profissionais do futuro.

O programa será lançado no canal TV Una Fábrica.

Por Bianca Morais 

A Dígito Zero é uma produtora que faz parte do Núcleo Audiovisual da Fábrica. Durante muito tempo a DZ, assim chamada carinhosamente por alunos e equipe,  se envolvia pouco em projetos institucionais e o seu trabalho era dar suporte ao curso de Cinema e Audiovisual em demandas práticas, comunicação com alunos e projetos de extensão. No entanto, desde que a produtora foi integrada a Fábrica, ela passou a ter um papel muito importante para toda a Una, sendo requisitada constantemente para produção de materiais de cunho institucional que vão de produção de podcasts, gravação de programas para o Youtube, à transmissões ao vivo. 

Estúdio de TV
Estúdio de Rádio

Além da Dígito Zero, dentro da Fábrica Audiovisual, encontra-se também o NAV, enquanto a DZ é a produtora, que faz os vídeos, programas, podcasts, animações, etc, o NAV é setor que disponibiliza todos os equipamentos e estúdios para a produtora trabalhar. Olhando pelo lado acadêmico, o NAV empresta aos alunos e professores aparelhos e ambientes para realização de práticas e trabalhos. 

A equipe completa da DZ conta com o técnico Mateus Felix, e a estagiária Malu Saraiva, no NAV temos os técnicxs Gladison Santos e Ariadne Tannus e a estagiária Milena Barbaro, e o líder de ambos laboratórios, Raphael Campos.

As Parcerias do Núcleo Audiovisual

Durante a série de reportagens dos 60 anos da Una, vimos muitos projetos de extensão desenvolvidos por diferentes cursos da faculdade, e por trás de grande parte deles, está a participação da Dígito Zero e Nav, na produção audiovisual.

No Gastrouna e UnaTrend, a equipe responsável por fazer as vinhetas e chamada dos alunos, no dia do evento, cobrem e fazem transmissões ao vivo. 

No Lumiar, eles fazem todo o processo de assistência técnica, montam as estruturas, as câmeras, ajudam a escolher e legendar filmes, como evento do curso de cinema, eles ajudam na produção geral.

“Fizemos um belo trabalho na cobertura do Una Trend 2019/2, foi um desafio transmitir ao vivo o evento em dois telões simultaneamente e produzir um showreel do evento. Destaco, também, a live Volta às Aulas 2021.1 que demandou muito da parte técnica e o resultado foi muito bom” comenta Raphael.

 

Suporte aos alunos

Sem deixar os alunos de lado, a Dígito Zero e NAV é um grande suporte não somente para o curso de cinema, mas a todos, principalmente ligados à área de comunicação, onde auxiliam em demandas práticas e projetos de extensão. O núcleo é muito procurado pelos estudantes para aprenderem ferramentas dos softwares de edição e animação. 

Além da produção constante de conteúdo importante para a vida profissional do aluno e o desenvolvimento de projetos de extensão, os núcleos oferecem um trabalho de monitoria aos alunos.

“Para os alunos nós somos um apoio, muitas vezes o professor não pode estar presente a todo momento, mas nós sim, estamos lá para ensinar o que eles podem e não podem fazer. Já peguei muito aluno desesperado com o programa, ‘eu não sei mexer nisso’ e eu vou e salvo a pessoa, você ajuda e o aluno e ele fica muito grato”, conta Isabela Fonseca, ex técnica do laboratório.

 

Projetos em Ação

Assim como o Jornal Contramão, a Fábrica Audiovisual está preparando matérias especiais para a comemoração dos 60 anos da instituição, o núcleo irá produzir uma série de vídeos intitulada “60 Anos em 60 Segundos”, com depoimentos de pessoas que têm a Una como um personagem importante em sua vida. 

Em parceria com o Contramão, também irão produzir o Papo com a Fábrica: Reitores, que será gravado no Una Cine Belas Artes. Um bate papo entre os reitores recentes da instituição, conversando sobre momentos marcantes da Una. 

“Vai ser um momento especial, acreditamos que o resultado será um registro histórico muito importante”, comenta Raphael.

Fachada Una Cine Belas Artes

Canal Fábrica AV

O Canal Fábrica AV no YouTube, é um projeto interno da Fábrica Audiovisual, onde são produzidos conteúdos em série que vão de videoaulas sobre equipamentos de áudio à crítica cinematográfica. Com o principal objetivo de auxiliar os alunos dentro da área do audiovisual, principalmente aqueles que mexem com essa parte mais próxima, como os estudantes de jornalismo e designer.

O projeto foi idealizado pela técnica Isabela, que atua na coordenação e apresenta seu próprio quadro, De Zero a Herói. Além do canal, eles ainda tem a página no Instagram.

“De segunda a sexta nós temos conteúdos relevantes para o mundo audiovisual e falamos de absolutamente tudo, do rádio, novela, cinema, fotofilmes, elementos que às vezes não são tão colocados na faculdade”, diz Isabela.

Para acessar o canal, clique no link. 

 

É de casa

Da equipe da Dígito Zero, Isabela Fonseca, com certeza, é uma das mais antigas, a técnica deixou o laboratório no final de julho. A ex- técnica entrou como estagiária em 2018, e durante 4 anos participou ativamente das atividades do núcleo.

Isabela Fonseca, ex-aluna da Una e ex-técnica do lab.

“Já ajudei a produzir diversas edições do Gastrouna, Unatrend, Lumiar. Já fiz coordenação de oficinas, fiz um projeto de clipe para a cantora Mariana Cavanellas, esse em específico eu tive que selecionar os alunos que iriam fazer parte da produção. Participei também de um que chama Gororoba, projeto filantropo onde eles ensinam gastronomia para pessoas trans, cobrimos todo o processo e filmamos todas as aulas com os alunos”, relembra Isabela.

Para Isabela, a Dígito Zero sempre foi sua casa dentro da Una, ali ela conseguiu o primeiro estágio, o primeiro emprego fixo, e onde passou a maior parte de sua graduação, trabalhando durante o dia e realizando seu Trabalho de Conclusão de Curso.

“Eu chegava lá por volta das 7 da manhã e ia embora às 22h30, eu passava basicamente dois terços do meu dia inteiro dentro da Dígito, lá foi o lugar que me proporcionou conhecer pessoas maravilhosas, tem amigos lá que se tornaram família para mim”, completa ela.

Foi na Dígito Zero, que Isabela deu os primeiros passos no mundo do audiovisual, aprendeu a trabalhar em diversos programas importantes e melhorou sua performance em diversas áreas, como edição.

“Eu sou animadora e aprendi o After Effects, essa habilidade de animação eu vou levar para toda minha vida. Aprendi a mexer em câmera, eu não tinha noção nenhuma de como trabalhar e hoje eu sei configurar, montar, guardar, guardar equipamentos, fazer pré e pós produção, roteiro, eu sei fazer tanta coisa que eu não sabia fazer antes de entrar na DZ”.

Muito além de produção, a jovem também aprendeu a coordenar e liderar, organizar equipes, fazer escolhas, a se comunicar melhor com as pessoas. “Sempre fui uma pessoa um pouco mais fechada, de programa, aquela que fica na pós produção, eu e o computador, e de repente eu tinha que lidar com aluno, professor e tudo isso foi de grande importância para mim”.

O Nav

Gladison Santos, é técnico do Nav há 4 anos, e em entrevista explicou um pouco mais sobre o núcleo que junto a Dígito Zero formam o Audiovisual da Fábrica.

Gladison Santos

1. O que é o NAV e desde quando ele existe?

O NAV é um núcleo criado em 2011 que coordena os equipamentos e laboratórios audiovisuais da Una Liberdade

 

2. Qual papel ele desempenha?

A função do NAV é ajudar os alunos e professores com empréstimo de equipamentos e o uso dos estúdios.

 

3. Quais são os suportes que o NAV oferece para os alunos?

Damos suporte aos alunos emprestando equipamentos para produção de conteúdo audiovisual, ensinamos como usar os equipamentos e também auxiliamos em edições no laboratório iMac através de um estagiário.

 

4. E para a instituição?

Nosso suporte para a instituição é com o empréstimo dos equipamentos para as produções de vídeos feitos pela Dígito Zero e outros laboratórios como: Una 360 e o próprio Contramão.

 

5. Quais são os cursos que mais procuram pelos equipamentos do NAV e o que eles geralmente procuram?

O curso que mais procura pelos equipamentos do NAV é o de cinema, seguido de perto pelo jornalismo. A procura são por equipamentos gerais para criação de vídeos, sendo as câmeras (fotográficas que filmam) as mais procuradas.

 

6. Qual a diferença você vê no NAV de quando entrou para hoje?

Além dos técnicos que mudaram, hoje temos um envolvimento maior nas produções, inclusive Lives, temos mais equipamentos e conseguimos ajudar mais alunos, professores e laboratórios. Hoje o NAV faz parte da Fábrica Audiovisual, um “braço” da Fábrica e isso foi uma grande, e boa, mudança. Temos também um perfil no Instagram (@fabrica_av) com dicas diárias do mundo audiovisual e também um canal no YouTube (Fábrica AV) com quadro sobre edição de vídeo, oficina sobre equipamentos e resenha de filmes (até o momento).

 

7. Como técnico do NAV, como você procura ajudar os alunos? E quais as principais dificuldades eles mais apresentam?

Como técnico tento ajudar os alunos a escolher os melhores equipamentos para cada tipo de produção, para cada projeto, além de mostrar como cada um funciona. A maior dificuldade é em relação aos equipamentos de áudio e o laboratório de rádio, estes realmente são mais complicados e os alunos geralmente pedem a nossa ajuda.

 

8. Na sua opinião, qual a importância do NAV para a Una?

Eu acredito que o NAV seja muito importante pois proporcionamos aos alunos a praticarem o que aprenderam na sala de aula aumentando ainda mais o conhecimento. Sem o suporte do NAV / Fábrica Audiovisual as produções audiovisuais teriam mais dificuldades para serem realizadas.

 

Com a palavra, o líder

Rapahel Campos

“Acredito que é muito importante termos uma produtora audiovisual funcionando dentro de uma unidade tão diversa, produtora e criativa. É um espaço para o aluno experimentar e aprender, a DZ oferece isso aos alunos. Ela é um local de aprendizado para todos os estudantes, uma troca constante de conhecimento e experiência. Hoje todo o time é composto por alunos e ex-alunos da instituição, faz parte do nosso DNA dar espaço e a base necessária para os alunos evoluírem profissionalmente.

Durante a pandemia nós nos reinventamos, substituímos o suporte presencial pelo online através de postagens diárias no Instagram de muitos conteúdos técnicos do cinema e audiovisual. Hoje contamos com mais 400 postagens que vão de curadoria de filmes e séries a tutorias de motion graphic” – Raphael Campos

 

Edição: Daniela Reis 

Por Keven Souza

Tatiane Franco Puiati que é mestra em Gestão Estratégica de Organizações, trabalhou por muito tempo à frente das operações do Centro Universitário Una, onde assumiu o cargo de Diretora dos campi do Barreiro, Betim e Contagem na região metropolitana de Belo Horizonte. A institução obteve crescimento exponencial de alunos, durante sua liderança, e através do empenho corporativo conquistou nota máxima nos indicadores de qualidade acadêmica do MEC.  

Após uma administração de muito aprendizado e crescimento profissional, Tatiane finaliza seu ciclo junto à Una, sendo solícita ao aceitar o convite de trabalhar como diretora nacional da operação EBRADI (Escola Brasileira de Direito) e da Vertical da área de Ciências Jurídicas, que também compõem o Grupo Ânima. Em entrevista para o Jornal Contramão, Puiati compartilha sobre sua trajetória como diretora regional e traz experiências de vida e mercado, enquanto mulher, além de nos contar sobre quais são as expectativas para atuar nessa nova fase em sua carreira.

Tatiane Puiati

O que te motivou a querer ser líder regional, e como surgiu o convite? 

Sou uma mulher apaixonada pelo poder transformador da educação, onde desde os sete anos descobri minha vocação para ensinar. Em 2013, movida por esse propósito, aceitei o convite do reitor Átila Simões para implantar a primeira unidade de ensino técnico na Ânima Educação, pelo Pronatec e concomitante fui contratada também, pelo diretor Rodrigo Neiva, no Unibh, para assumir a coordenação do curso de Administração nos campi Estoril e Antônio Carlos. 

Implantamos o curso técnico em todas as marcas do Grupo Ânima tanto em Minas Gerais quanto em São Paulo. Foram mais de dez mil jovens impactados pelo programa e que tiveram seu projeto de vida realizado. Com o término do Pronatec, em âmbito nacional, auxiliei no processo de descentralização da pós-graduação na Ânima com Ricardo Cançado e Inês Barreto e, em 2016, Átila Simões e Carolina Marra me convidaram para assumir a gestão no Centro Universitário Una do campus Contagem. Um campus que tinha 1.800 alunos e com um potencial de crescimento muito grande. Inspirada pela gestão de Átila Simões e Carolina Marra, aceitei o convite. 

 

Durante sua trajetória, quais as principais ações e projetos que realizou na Una?

A Una para mim representa uma história de superação e crescimento pessoal e profissional. Não realizei nada sozinha, o resultado de qualquer líder é reflexo e consequência do trabalho de um time. No meu caso, formamos juntos um time de alta performance, do qual me orgulho. 

No campus de Contagem, estou há cinco anos, conseguimos transformar a Faculdade Una em Centro Universitário com nota máxima pelo MEC em 2019, atuando hoje com mais de cinquenta cursos superiores e pós-graduação, com alguns em destaques nacionais e regionais, posicionados como os melhores da cidade pelo INEP. Além disso, passamos de 1.800 alunos em 2016, para mais de 5.000 alunos em 2021, e neste ano inauguramos o primeiro Centro Médico Veterinário de Contagem e a primeira Clínica de Odontologia.

Em Betim, estou há três anos, saímos do Índice Geral de Cursos (IGC) nota 3, para nota 4, tendo esse ano alcançado o destaque histórico na Una de maior IGC Contínuo entre todas as instituições de ensino superior privadas de Minas Gerais. No mesmo ano e período do campus Contagem recebemos a visita do MEC para transformação da Faculdade em Centro Universitário, alcançado o resultado sensacional de nota máxima pela Comissão do MEC. Atualmente estamos trabalhando na expansão do campus no município e também no crescimento do portfólio, principalmente na área de Saúde e Ciências Agrárias, e já passamos de 1.700 alunos em 2018 para mais de 3.000 em 2021. 

O presente mais recente foi aceitar a gestão do campus Barreiro, desde setembro de 2019 estou na liderança desse campus encantador que comemora 15 anos na região, fazendo um trabalho louvável de transformação de toda comunidade e entorno. Atuamos no crescimento e expansão do campus Barreiro, principalmente na área de Saúde, Ciências Jurídicas e Ciências Agrárias. Inauguramos esse ano clínica integrada de saúde para atendimento à comunidade nas áreas de psicologia, estética, nutrição e fisioterapia. Neste feito, estivemos no crescimento exponencial da marca de mais de 3.000 graduandos. 

Todos esses indicadores de qualidade acadêmica alcançados durante esses cinco anos na gestão dessas operações da região metropolitana de Belo Horizonte, são frutos da dedicação incondicional e qualidade do nosso time de docentes, coordenação acadêmica, time administrativo e do comprometimento dos nossos alunos.

Tatiane Puiati e Átila Simões, ex-reitor da Una

Como era sua relação com os docentes, professores e alunos? 

Meu estilo de gestão sempre foi estar próxima da sala de aula de alguma forma. Minha primeira ação, sempre que assumi as operações, foi pedir para afixar um cartaz com todos os meus contatos, incluindo o meu celular com WhatsApp para todos os alunos, ou seja, inúmeros alunos possuem meu contato. Acredito que em uma instituição de ensino tudo acontece dentro de uma sala de aula e nessa trajetória tive que enfrentar vários desafios, ideias divergentes da minha e foi através do diálogo e escuta dos nossos alunos, professores e  coletivos que percebi inclusive minhas próprias falhas enquanto profissional. Todos os diálogos só me fizeram crescer como pessoa e como profissional. Os alunos e professores que mais contribuíram para o meu crescimento não foram os que me elogiavam sempre ou concordavam com todas as minhas falas e sim aqueles que traziam o ponto de vista divergente, críticas construtivas que me fizeram entender o que é realmente ter “empatia”.

 

Quais lembranças irá levar da sua jornada nesses anos como Diretora da Una? 

Vou levar inúmeros ensinamentos que aprendi nessa jornada com todos reitores que tive o privilégio de conviver na Una: a liderança inspiradora do Átila Simões; a habilidade e a abertura para o diálogo com a Carol Marra; a garra e coragem empreendedora da Débora Guerra; a sabedoria  do Ricardo Cançado e Marcelo Henrique; e o discernimento e assertividade na gestão de times do Rafael Ciccarini.

De cada liderado dos campi Contagem, Betim e Barreiro levarei o sentimento de gratidão por tamanha dedicação e entrega acima do esperado, superando todos os desafios. Por maior que fosse uma grande incitação, meu time, nunca achou que seria impossível. Fomos juntos e superamos sem saber que era praticamente impossível.

Dos professores(as) levarei a certeza de que a qualidade de qualquer instituição de ensino superior depende da qualidade e paixão dos seus professores. Tive a oportunidade de trabalhar ao lado desses grandes mestres, consequência disso é termos alcançado os melhores indicadores de qualidade acadêmica que se espera de uma instituição de ensino superior no Brasil.

E aos alunos, levarei com lágrimas nos olhos, o que realmente me move na  Ânima, pois é para eles e por eles que tentei sempre fazer o meu melhor na gestão. Não há nada no mundo mais gratificante do que ver a felicidade no olhar de cada aluno(a) que subiu ao palco da colação de grau para pegar o seu diploma. Aquele momento em que os pais se emocionam com a história e conquista de seus filhos é onde se concretiza o meu propósito de vida, o meu propósito de trabalhar na educação e o legado que quero deixar da minha história. 

 

Em sua trajetória profissional, você é graduada em Administração, e especialista em Gestão Educacional e Financeira, durante esse período enfrentou dificuldades para se reerguer profissionalmente?

Há algo curioso em minha trajetória profissional, apesar de muitos anos na mesma empresa, sempre estou assumindo novos desafios, geralmente no prazo máximo de dois anos. A Ânima Educação é meu segundo vínculo empregatício, tive a sorte de trabalhar em grandes instituições de ensino do Brasil, no Senac  por dezessete anos e na Ânima desde 2013. Tanto no Senac como na Ânima, ainda não fiquei mais de dois anos na mesma função ou escopo de atuação.

Minha ascensão sempre foi algo natural, fruto do reconhecimento do trabalho dos times que estiveram comigo. Para mim reconhecimento não se exige, se conquista. Precisa ser simplesmente consequência de um trabalho e na Ânima nunca deixei de ser reconhecida pelos meus líderes.

 

Em relação ao cargo de Diretora regional, como foi a experiência de administrar os campi sendo uma mulher? 

A Ânima Educação é uma instituição diferenciada em que mulheres assumem o cargo de direção. Em Contagem fui sucessora do professor Janones, em Betim, sucessora de duas grandes mulheres: Elaine Benfica e Daniela Tessele, no Barreiro de Maurília e Vinícius Costa. Não tive resistência em nenhuma dessas sucessões, pelo contrário, fui muito bem recebida por toda comunidade acadêmica e pelos parceiros de cada município.

 

As mulheres estão cada vez mais a entrarem em espaços que antes eram dominados majoritariamente por homens, podemos dizer que na Ânima Educação, prezam pela equidade de gênero? 

A equidade de gênero está na essência da Ânima Educação, respeito e transparência são valores que sempre foram percebidos por mim na instituição. Começando pelo nosso Comitê Executivo que hoje possui 40% dos vice-presidentes ocupados por grandes mulheres. Para mim, a Anima sempre foi o lugar da diversidade e da inclusão. Basta observar o resultado das nossas pesquisas, seja com educadoras e educadores ou com nossas alunas e alunos. Algo que me deixou muito feliz foi acompanhar a criação do Ânima Plurais, sendo esse o primeiro passo para criação de fóruns de discussão, alocação de educadoras e educadores, entre outras ações.  

 

Na sua visão, enquanto mulher e líder, qual conselho daria para outras mulheres que estão em ambientes corporativos, mas tem medo de ocupar grandes cargos?

Eu diria que a primeira pessoa que precisa acreditar na mulher é ela mesma. Tudo começa dentro de nós quando nos permitimos acreditar. Sei e estudo muito sobre os desafios para nós mulheres em cargos de comando, em algumas empresas e áreas, onde cargos de comando são ocupados geralmente por homens, podemos dizer que ainda há muito que se avançar para o alcance da  equidade de gênero. 

Para exemplificar, no campus Contagem, fiz um processo seletivo para vaga de coordenação do curso de Direito. Neste processo participaram mais de oito candidatos, dentre eles mulheres e homens. A aprovada foi uma professora e no momento em que ligamos para a mesma para dar o resultado ela ficou incrédula de que realmente tinha sido aprovada para a vaga,pois estava grávida. Eu fiquei surpresa, pois em nenhum momento pensei em reprová-la por estar grávida, muito pelo contrário, só o fato de ser mãe já era um grande diferencial competitivo. Para mim, as mulheres já são grandes guerreiras. Sendo então, mulher e mãe, merecem nosso reconhecimento duplicado e estão prontas para qualquer tipo de desafio.

 

Quais são as expectativas para atuar na nova instituição? 

Fiquei feliz pela oportunidade de poder operar a implantação da Primeira Vertical de Direito do Brasil. Esse desafio é enorme e num momento muito importante para nosso Brasil que tem vivido retrocessos enormes no Direito e na Justiça. Pode essa ser uma enorme oportunidade para resgatarmos o orgulho e a Justiça no nosso País, ao lado do Dr. João Batista e Guilherme Soarez, executivos de grande referência e também grandes líderes na Ânima Educação, me deixaram muito animada, desafiada e feliz!

 

O que você diria para a Tatiane que iniciou a graduação, pós e mestrado, há muitos anos atrás, para a Tatiane de agora que atuou como diretora regional de diversos campi universitários? 

É simples, digo que envelhecemos quando deixamos de aprender e que morremos quando deixamos de acreditar em nós mesmos! 

 

 

 

Edição: Daniela Reis 

 

Por Keven Souza

A constante inovação tecnológica dos últimos anos transformou o nosso modo de ter acesso às notícias, reportagens, artigos e meios de entretenimento. Os acontecimentos do mundo inteiro estão a um clique de distância na palma da mão. Esse fenômeno faz com que muitas pessoas que antes eram consumidores de notícias apareçam, também, como produtores e disseminadores de conteúdos. Isso é ainda mais evidente, aos adolescentes que são na atualidade um público favorável aos avanços da tecnologia das comunicações. 

É pensando nisso, que a Associação Profissionalizante do Menor (Assprom) desenvolveu o Projeto Jovens Jornalistas, estimulando o protagonismo dos jovens da entidade ao propor a iniciação dos participantes na elaboração de pautas jornalísticas para o jornal da associação e inúmeras produções de conteúdos para as redes sociais. 

A Assprom, ao lado do Centro Universitário Una, entende a importância de oferecer experiência e qualificação profissional para os adolescentes e jovens da atualidade. Desde 2020, com a finalidade de prepará-los para serem profissionais do futuro, o projeto tem atuado em parceria com a faculdade, que com o suporte da Fábrica, auxilia os jovens no desenvolvimento de habilidades e técnicas imprescindíveis para formar profissionais especializados, capazes de operar em diferentes âmbitos ocupacionais no mercado de trabalho.  

A Associação e o projeto 

A Assprom, desde 1975, profissionaliza e oferece aos adolescentes e jovens de famílias em situação de vulnerabilidade social, por meio de programas socioassistenciais, a oportunidade do primeiro emprego. Os projetos institucionais têm como objetivo a inclusão social e o exercício da cidadania plena e, dentre eles, o Jovens Jornalistas foi criado em 2017, com o intuito de dar voz e espaço aos adolescentes escrevendo assuntos de seus interesses.

O projeto, desenvolvido pela Divisão de Orientação e Formação Profissional (Difop/Assprom), foi idealizado pelas educadoras sociais Flávia Fontenele e Alenir Maria Silva, com o apoio da equipe de Comunicação da entidade e, atualmente, a responsável interina pelo projeto é a educadora Flávia Fontenele, que atua com o suporte técnico da equipe de Comunicação/Assprom. 

Desde sua estreia em 2017, a trajetória do Jovens Jornalistas é única e admirável. Em 2019, foi um dos vencedores da primeira edição do concurso “Prêmio Educador Social Fectipa/MG”, que teve como objetivo valorizar as ações educadoras em combate ao trabalho infantil, e, neste prêmio, especificamente, o projeto foi reconhecido de forma solene ao ficar em 3º lugar no concurso.

Prêmio Educador Social Fectipa/MG

Na visão da responsável pelo projeto, Flávia Fontenele, a proposta é excepcional para que os aprendizes obtenham conhecimentos de várias ferramentas de comunicação essenciais para o mercado de trabalho. Para ela, em cada oficina realizada se percebe o interesse e engajamento dos jovens no projeto. “Quando a turma finaliza o projeto solicitamos um feedback dos aprendizes e recebemos muitos retornos positivos e, além disso, alguns acabam se interessando em seguir a área da Comunicação. É muito importante ensinar provocando o protagonismo juvenil”, explica. 

A proposta do projeto acontecer junto a uma universidade é com o intuito de beneficiar exclusivamente o aprendizado dos jovens. O apoio da UNA no projeto resulta em um contato ativo dos aprendizes com a área acadêmica. “A aproximação com o ambiente universitário desperta o interesse do jovem em continuar seus estudos e até mesmo alguns acabam se identificando com a área de Comunicação”, ressalta Flávia, sobre a idealização da parceria com a Una. 

Parceria junto à Una

Oficina de gravação de vídeos com Daniela Reis, líder do Núcleo de Conteúdo da Una

A colaboração entre a Assprom e o Centro Universitário Una é uma relação de longa data. Anualmente, na Associação são realizadas palestras na “Feira das Profissões”, ministradas por profissionais da universidade e, desde 2020, através do contato entre ambas, surgiu a oportunidade de unir forças ao Projeto Jovens Jornalistas. Uma parceria marcante que contribui para o desenvolvimento pessoal dos aprendizes e fomenta o crescimento profissional, além de oportunizar uma experiência ávida de vivenciarem o ambiente corporativo ao conhecerem melhor a rotina da área de Comunicação.

Através da parceria, o projeto acontece semestralmente. É selecionada uma turma do Programa de Aprendizagem da Assprom com a participação de jovens que demonstram responsabilidade e se identificam com a proposta do projeto. 

A Fábrica, que é o coletivo dos laboratórios de Economia Criativa da Una, tem um papel imprescindível para a continuidade da parceria com a Assprom. O coletivo, que tem atuado no programa de forma virtual, desde outubro de 2020, por conta da pandemia do coronavírus, soma a segunda turma consecutiva ministrando oficinas e treinamentos para os aprendizes. As oficinas são fornecidas pelo laboratório do Núcleo de Conteúdo de Jornalismo (Nuc), bem como o de Publicidade (Luna) e o Dígito Zero (audiovisual). 

As principais oficinas desempenhadas dão oportunidades aos jovens de participarem ativamente de ações que fomentam a produção de texto, a elaboração de vídeos para as redes sociais, o desenvolvimento de postura do repórter, o combate a fake news, o ensinamento de como criar conteúdo para o Instagram, dentre outras atividades. 

Daniela Reis, Jornalista e líder do Núcleo de Conteúdo da Una, afirma que as oficinas aprimoram as habilidades dos jovens. As tarefas propostas aos encontros virtuais permitem aos participantes aperfeiçoarem a responsabilidade profissional em relação ao tempo de execução, além de desenvolver o trabalho em equipe e a escrita de redação. “São várias as habilidades, principalmente as voltadas para a comunicação. As tarefas desenvolvidas por eles, permitem que aprimorem a abordagem com pessoas de diferentes posições e níveis de conhecimento, uma vez que fazem o papel de repórteres e realizam entrevistas de diferentes temas”, explica a líder.

Segundo ela, o incentivo da academia às técnicas e ações voltadas à sociedade tem um papel excepcional, à vista da interconexão do mundo poder ensinar os jovens aprendizes a serem comunicadores de forma responsável e com qualidade, e colocá-los à frente no mercado de trabalho. “Uma parceria com o futuro, de uma importância imensa, tanto para os meninos, que se qualificam e podem desenvolver suas habilidades, quanto para as duas instituições, que juntas estão sendo capazes de gerar oportunidades e crescimento”, desabafa. 

E, afirma que é gratificante fazer parte do projeto e tem orgulho do empenho dos jovens nas ações.

Aos participantes, é uma oportunidade ímpar de enriquecer a trajetória. Ao se envolverem com o projeto, tendem a se destacar no mercado de trabalho. Para Larissa Alves da Rocha, que tem dezessete anos e foi aprendiza do projeto no primeiro semestre de 2021, sua participação foi inesquecível e trouxe melhorias em sua escrita, o contato com as técnicas de fotografia e redes sociais foi de extrema relevância para aparar as dificuldades. 

Larissa Alves da Rocha

Segundo ela, participou de inúmeras oficinas que tinham o propósito de abordar variados temas como a fotografia e o vídeo, a produção de matérias, a técnicas de entrevistas e o marketing de redes sociais. Na execução das tarefas, os participantes eram divididos de acordo com as demandas e tinham a abertura de se expressar em qual haviam mais identificação. “Particularmente me vi mais na parte de redação, produzindo matéria”, diz ela. 

O Jovens Jornalistas, por si só, é um projeto extraordinário que em suma é significativo, e que, em parceria com a Una, pretende ir além do preparo dos jovens para o mercado de trabalho, mas atrelar experiências sublimes na vida particular. A incitação à auto estima, a segurança e a soft skills de relacionamento interpessoal são fatores incentivados que resultam positivamente na vida dos jovens. Além de que é uma injeção de ânimo no futuro dos aprendizes ao se pensar no contato ofertado entre eles e a faculdade. 

Um exemplo é da outra adolescente que também chama Larissa. Ela está pela segunda vez no projeto e se dedica com afinco à todas as propostas, pensando no futuro. “É muito importante, pois nos proporciona ver um novo lado do mundo jornalístico, aprofundar, e com isso quem sabe poderá até abrir novas portas de vagas de trabalho nas áreas de comunicação como o jornalismo, publicidade e propaganda, cinema, rádio e tv. As atividades nos prepara para o futuro, a Assprom pegou no ponto certo, essa parceria nos proporciona desafios que podemos encarar com muita satisfação, porque isso tudo que estamos passando, no final vai ser um grande ganho quando entramos no mercado de trabalho”, explica Larissa Silva A. Barbosa, de 17 anos.

Larissa Silva A. Barbosa

Em 2019, o projeto chegou a levar uma turma para conhecer os laboratórios de comunicação da Una. A ocasião na época inclinou-se a construir uma responsabilidade social e, até hoje, com a implantação das oficinas, propõe-se a dar estímulo aos adolescentes de cada vez mais frequentarem espaços educacionais e incentivá-los a entrar em uma universidade. 

Vinícius Alves Martins, que iniciou recentemente a graduação em Letras na Una e participou do projeto no segundo semestre de 2020, afirma que sua jornada foi benéfica em relação à  decisão de qual curso ingressar e que, através dos ensinamentos durante as oficinas, a opção de cursar Letras se tornou mais clara e viável. “Atividades como desempenhar o papel de redator e editor, me abriram um leque de possibilidades e expandiu o meu pensamento sobre o curso”, explica.

Vinícius Alves Martins

Segundo ele, o seu primeiro contato com uma universidade foi através do colégio, a sua jornada foi pautada por diversos passeios que fomentaram a sua relação com o ensino superior e, com isso, acredita que é importante os jovens se conectarem com a universidade desde o ensino médio. “Foi através do Jovens Jornalistas que pude conhecer mais sobre a Una e entender melhor sobre o curso de Jornalismo. Definiria minha participação como bastante comprometida e determinada. Me trouxe o sentimento de empatia, de como é estar na pele de um jornalista. Eu já sabia disso através dos jornais e outros meios de comunicação, mas vivenciei só através do projeto”, comenta Vinícius. 

Com a palavra, o presidente da Assprom

Carlos Augusto de Araujo Cateb, presidente da Assprom

“A Assprom acredita que a educação transforma o mundo. Oferecer este espaço para os jovens é incentivá-los ao protagonismo juvenil e reconhecer que a participação atuante deles pode gerar mudanças decisivas na realidade social, incentivando que os jovens sejam os atores principais de suas histórias e que se posicionem perante a comunidade”. E acrescenta: “Não podemos esperar que os jovens lutem e procurem agir como transformadores da sociedade se não lhes for permitida uma abertura efetiva, teórica e prática. Falamos tanto em liberdade de expressão e acesso à informação, sendo este um caminho para os jovens se comunicarem e mostrarem seus talentos. Por meio das oficinas, eles aperfeiçoam suas reflexões sobre o mundo, o modo de se expressar, de ler e escrever, fato que pode contribuir futuramente para a permanência no mercado de trabalho”, enfatiza o presidente, Carlos Augusto de Araujo Cateb, sobre a importância do projeto. 

 

Edição: Daniela Reis 

Por Bianca Morais

Ana Carolina Sarmento trabalhou durante muito tempo na Diretoria de Planejamento e Expansão da Una, se mudou para Joinville, onde assumiu a liderança da Diretoria de Marketing e Comunicação da UniSociesc, instituição que também integra o Grupo Ânima. Por lá, desenvolveu grande aprendizado, e retornou a Belo Horizonte recentemente para assumir a diretoria da Cidade Universitária.

Com vasta experiência de mercado, Sarmento, promete trazer vários novos projetos para a instituição, incluindo grandes propostas relacionadas a inovação. Em entrevista para o Jornal Contramão, a diretora compartilha experiências de vida e visões de mercado. Confira.

Como surgiu o convite para ser diretora da Cidade Universitária?

O Cicarini, reitor da Una, com quem já trabalhei há um tempo atrás, quando ele era diretor do Campus Liberdade e eu Diretora de Planejamento e Expansão, me ligou e me fez esse convite, dizendo que a Cidade Universitária precisava de um gás diferente, de um olhar mais voltado para o mercado, com mais força de ocupação da cidade de Belo Horizonte. 

Como eu estava em Joinville, juntaram-se duas grandes possibilidades para mim, uma de aceitar e assumir esse desafio, que é algo que me motiva muito, principalmente porque eu entrei na Ânima pela Una, e a Cidade Universitária é o coração da Una e também conciliando a parte familiar, pois já era um desejo ficar mais perto da família. 

Como você avalia sua trajetória no mercado de trabalho e crescimento profissional até hoje?

Uma das coisas mais importantes para mim é trabalhar com algo que realmente faça meus olhos brilharem, encontrei isso na educação, já são 17 anos dos meus 21 anos como profissional da Ânima e realmente fazendo diferença, tanto para as pessoas as quais trabalho, quanto para os alunos que passam pela instituição e também para mim, que vivencio tudo isso.

Tenho muito orgulho e gratidão pelo aprendizado, pelas trocas, pela possibilidade de entregar projetos tão diferentes e que me fizeram crescer. Orgulho principalmente das relações e profissionais que encontrei durante essa trajetória. 

Com tantos anos de mercado, o que você pretende trazer de novo para a Cidade Universitária?

Essa minha ida para Santa Catarina me trouxe um olhar diferente sobre inovação e tecnologia, o estado tem uma densidade tecnológica de inovação muito grande, um ecossistema muito sólido, isso em todas as cidades que atuamos, tanto em Joinville, quanto Florianópolis e em Jaraguá. A gente percebe um ecossistema mais pronto e fazendo aí uma ligação entre os três atores, o público, a academia e a iniciativa privada. 

O que eu pretendo trazer é essa conexão com o mundo do futuro do trabalho, colocando os alunos dentro como protagonistas dessa iniciativa, para que eles possam fazer essa ponte com o que vai ser esse futuro do trabalho. 

Estamos desenvolvendo um grande projeto que internamente temos chamado de Alma Una, que será esse centro de conexões, inovações, conhecimentos e de transformação, no qual os alunos estarão a frente, por meio de uma cocriação e da própria participação do dia a dia dessa comunidade acadêmica, alunos, professores e o entorno.

Um grande objetivo também é abraçar esse entorno, entender as necessidade e colocar essa nossa comunidade acadêmica a disposição na resolução e entrega de projetos que façam realmente a diferença na comunidade na qual estamos inseridos, sempre olhando para os pilares da Una que são: diversidade, inclusão, empregabilidade, acessos e comodidade. 

Quais são suas expectativas para o futuro da Cidade Universitária?

Minha expectativa é que a gente realmente faça uma entrega diferenciada para a nossa comunidade acadêmica e para o nosso entorno, e que sejamos referência em educação no ensino superior em Belo Horizonte.

Falamos também em projetos de transformação, de extensão voltados para o mundo do trabalho e que consigamos colocar a CDU em lugar de destaque na cidade, crescendo nosso número de alunos, fazendo com que as pessoas que pretendem fazer um curso superior deseje cada vez mais estar nesse lugar diferente.

E da Una como um todo?

Tenho a expectativa de tudo aquilo que estamos pensando e construindo na Cidade Universitária possa reverberar para toda Una, e que a Una, seja vista como a escola de referência nos estados de Minas Gerais e Goiás, que possamos ser cada vez mais lembrados como o lugar que prepara os nossos estudantes para o mundo do trabalho, seja qual for este mundo, por meio de competências e habilidades que são desenvolvidas no nosso dia a dia por meio de um modelo acadêmico inovador.

Como você avalia a educação superior como base da transformação do país? 

A educação é a base de transformação de qualquer sociedade, ela está ali no centro dessa transformação, é por meio do acesso ao conhecimento, ao desenvolvimento dessas habilidades que as pessoas conseguem gerar conhecimentos, se empoderar, ganhar confiança, autoestima para poder entregar para o mundo o trabalho que elas aprenderam.

Eu diria que sem educação não temos crescimento, não abrimos nem expandimos. Não evoluímos, a evolução é a base de toda essa transformação, ela começa com uma transformação individual, que vai impactando a família, o mundo do trabalho, e essas transformações somadas conseguem elevar uma sociedade em um patamar de desenvolvimento muito maior, geração ciência, de mais empregos, empreendedorismo, tudo isso como um motor de economia de um país, gerando melhores rendas e melhores condições de vida.

Na sua opinião, como a educação, principalmente nas universidades, vem se transformando através dos projetos de inovação e tecnologia?

Hoje a inovação e tecnologia fazem parte da nossa vida, não tem como dissociar mais, vivendo esse ecossistema de inovação, respirando tudo isso, o que vem de dentro da universidade e do mundo do trabalho, é algo que se conecta, uma interação desses dois atores que entregam de volta para a sociedade algo que vai melhorar nossas condições de vida.

Dentro do próprio ensino superior vemos uma evolução também, por meio do uso de tecnologias dentro das metodologias de aprendizagem, em sala de aula. Não temos como negar que o acesso à informação hoje é muito diferente do que era antigamente, por causa dessa tecnologia que proporcionou tudo isso. Então também precisamos evoluir as metodologias de ensino, as formas de aprender, as novas ferramentas, o debate com os professores, eles que se reinventam e estão mais preparados para essa nova realidade.

Como você avalia o futuro da educação superior pós-pandemia? 

A pandemia acelerou um processo de hibridez das relações, hoje percebemos que não precisamos nos deslocar fisicamente para estar em alguns lugares, em algumas reuniões e da mesma forma a sala de aula. Óbvio que muitas das coisas dependem do presencial, mas muitas vão acabar sendo colocadas em prática com a ajuda da tecnologia, uma tecnologia mais avançada, por meio de simuladores, de realidade virtual, realidade aumentada, e muito vai ser a distância.

Eu enxergo três vertentes dentro da sala de aula, a presencialidade, a sala de aula online e o uso de ferramentas de aprendizagem por meio dessas novas tecnologias, não vejo como voltarmos para o patamar que tínhamos antes da pandemia.

Na sua opinião, quais as características do profissional do futuro? 

A gente tem visto que os profissionais do futuro cada vez mais serão exigidos nas suas competências socioemocionais, então destacamos muito forte a questão da liderança, da criatividade, da comunicação e relacionamento interpessoal, também a flexibilidade, adaptabilidade, que são competências na inteligência emocional a serem desenvolvidas dentro de um contexto educacional que irá colocar esses estudantes diante de situações que exijam isso deles.

Como a Una tem se preparado para formar esses profissionais?

Temos um currículo baseado em competências, ele desenvolve e trás os conteúdos técnicos de uma forma que possibilita o desenvolvimento dessas competências socioemocionais, que vão para além do conteúdo técnico. Ele é integrado, como a vida é integrada, não estamos divididos em caixinhas de disciplinas separadas, a gente trata de problemas de forma interdisciplinar.

Uma outra capacidade é a de resolução de problemas e o nosso currículo nos possibilita tudo isso, também temos componentes curriculares que nos impulsionam nesse sentido, como as próprias práticas dos projetos e cursos de extensão, os trabalhos interdisciplinares voltados e baseados para a resolução de problemas, são técnicas que contribuem para o desenvolvimento e para que nossos alunos saiam mais preparados para esse mundo do trabalho.

Além de profissional você também exerce outro grande cargo, o de mãe. Como você concilia sua carreira com a maternidade?

Ana Carolina Sarmento e família

Outro dia eu recebi uma charge que mostra uma corrida com as mulheres e os homens, as mulheres com aquelas atividades todas da casa, da maternidade. Eu sempre tive a sensação que eu entrei em uma reunião devendo, menos preparada para aquela reunião do que um outro colega.

Digo que é complexo conciliar tudo isso, mas é possível, extremamente possível, e gratificante, porque eu sempre quis ser mãe, eu sempre me enxerguei nesse papel e eu sou muito feliz, não me imagino não tendo meus filhos, é uma responsabilidade enorme e que precisamos nos dedicar, aprendo todos os dias.

Meu grande recado para as mulheres é que elas não desistam das suas carreiras, dos seus sonhos, de serem protagonistas da sua própria vida e que é possível conciliar todos esses papéis, com uma grande rede de apoio, contando com os pais dos filhos como sendo parte, dividindo igualmente essa responsabilidade, apesar das crianças ainda terem essa questão da mãe como uma referência, a gente acaba tendo com eles um papel diferente, mas que tenho buscado sempre tentar fazer com que eles vejam que nós dois temos o mesmo peso. 

Durante a pandemia vimos muitas mulheres abrindo mão de seus empregos para ficar em casa e cuidar dos filhos. Em algum momento isso passou pela sua cabeça?

Não, em nenhum momento isso passou pela minha cabeça. Os meus filhos são um pouco maiores, por isso eles têm um pouco mais de autonomia. Foi um desafio, mas eu sempre tive na minha cabeça de que a gente iria passar por isso junto, como eu disse, ter o pai das crianças comigo, dividindo essa responsabilidade da aula online, quando um não pode o outro pode estar ali ao lado deles, pensar em alternativas para eles nesse momento de isolamento que fosse para além das telas, busquei uma professora que pudesse dar aula umas duas vezes na semana, principalmente para o meu menor, que teve muita dificuldade de adaptação sobre o ensino remoto. É pensar em alternativas junto com meu marido, e ter persistência, resiliência, porque tinha dias em que tudo dava errado, todo mundo ficava nervoso, mas em nenhum momento o pensamento de desistir assim.

Qual o principal desafio enfrentado por você no dia-a-dia?

Acho que o principal desafio é ocupar um cargo de liderança importante e conciliar alguns compromissos com os outros papéis, o de mãe, esposa, dona de casa e de filha. Acho que conciliar isso e manter o equilíbrio, sempre pensando no bem estar de todo mundo é bem difícil.

Outro desafio é separar o profissional do pessoal, é impossível, não existe isso, nós somos uma pessoa só, mas saber colocar limite, no momento em que você está se dedicando ao trabalho e na hora em que você está se dedicando aos seus filhos, saber até aonde você vai com uma coisa e com outra. Acho que isso é muito importante, até a hora de parar, de dar atenção para um filho, de olhar ali pela educação deles, um outro grande desafio é fazer esse dia a dia deles ser produtivo e construtivo, de grandes desenvolvimentos, gerando memórias afetivas, de estar presente, isso tudo para mim é muito importante para que eles cresçam e se tornem adultos emocionalmente saudáveis.

Precisamos também nos manter saudáveis, ter um tempo para a gente, o tempo do lazer, do esporte, da prática do esporte, para cuidar da saúde, do corpo, e da própria mente, porque esses esportes nos desconectam do ritmo frenético e nos conectam conosco.

Tudo isso falta tempo, o desafio é conciliar tudo e sem ter culpa se as vezes não deu certo, se em um dia, não produzi o tanto que tinha que produzir, ou não fiquei com meus filhos o tanto que gostaria. Não sentir culpa e levar de uma forma leve, porque afinal a vida é uma só, e temos que ser felizes para conseguir evoluir, acho que estamos aqui para isso, evoluir através das relações que a gente tem com as pessoas.

Estando onde chegou, qual conselho você daria às mulheres que enfrentam diariamente as dificuldades do mercado de trabalho?

Não desistam, lutem pelos seus sonhos, busquem ao máximo o seu desenvolvimento e crescimento, lembre-se que vocês são incríveis, que cada uma de nós tem um talento que precisa ser colocado a favor do mundo. Descubram e valorizem seus talentos, sejam felizes, tenham um propósito e se realizem.

 

Edição: Daniela Reis