Entretenimento

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Por Tiago Jamarino – Start – Parceiro Contramão HUB

 

DC forneceu ao ComicBook.com uma prévia exclusiva de The Brave e the Bold: Batman e Wonder Woman # 1 do escritor / artista Liam Sharp.

A série representa a única combinação de “trindade” de heróis de DC que ainda não tiveram um título mensal autônomo, com dois títulos Superman / Batman diferentes e uma Superman / Mulher-Maravilha em curso, fazendo o caminho para as lojas desde a virada do século .

“Quando o assassinato de um deus celta leva a uma guerra entre o povo das fadas e uma possível quebra entre os mundos, a Mulher-Maravilha deve encontrar o assassino e manter a paz enquanto Batman investiga ocorrências estranhas em Gotham City. Diana deve se dirigir ao maior detetive do mundo para que a ajude, e os dois heróis aprendem rapidamente que seus casos podem estar conectados.”

Você pode ver as páginas na galeria de imagens anexa e o texto de solicitação oficial abaixo.

Não perca o início de uma nova minissérie de seis números escrita e ilustrada por Liam Sharp (Mulher-Maravilha)! Quando o assassinato de um Deus celta leva a uma guerra entre o povo das fadas e uma possível violação entre os mundos, Mulher-Maravilha deve encontrar o assassino e manter a paz enquanto Batmaninvestiga ocorrências estranhas na cidade de Gotham. Como Diana deve se dirigir para o maior detetive do mundo para ajudar, os dois heróis aprendem rapidamente que seus casos podem estar conectados.

 

Fonte: Comicbook.com 

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Por Bruna Valentim 

Um dos favoritos do Oscar segundo a crítica especializada, Me chame pelo seu nome, é um filme poético sobre o primeiro amor de Elio, muito bem interpretado pela estrela em ascensão Timothée Chalamet, que com apenas 22 anos concorre por sua atuação e se tornou o ator mais jovem nos últimos 80 anos a concorrer na categoria.  O longa é baseado no best-seller homônimo do egípcio André Aciman, lançado em 2007. A trama centrada em Elio e sua relação de amor de beira a obsessão por Oliver, o também pouco conhecido, mas igualmente competente Armie Hammer.

É um filme sobre desejo, amor, entrega. O filme tem imagens belíssimas do interior da Itália, que fazem o espectador ter vontade de comprar a primeira passagem em direção ao país europeu e viver um verão por lá. São imagens e mais imagens dos personagens em uma rotina, nadando, jogando tênis, andando de bicicleta tudo muito lindo, mas com o tempo tudo se torna muito cansativo.

O filme com mais de duas horas não chega a dar sono, mas é longo demais, poderia ser reduzido para algo como uma hora e meia e ainda teríamos uma bela história. Como toda adaptação cinematográfica de um best-seller a responsabilidade e expectativa para corresponder é alta. O filme não chega a decepcionar os fãs do livro, mas poderia ter se saído melhor.

Armie Hammer é confiante e honra bem a personalidade segura de Oliver, porém o ator é muito velho para o papel, Oliver no livro tem 24 anos, no filme a idade do personagem não é citada, mas Hammer aparenta e tem 30 anos, o que é um contraponto à Timothée Chalamet que apesar dos seus 22 anos realmente parece um adolescente de 17. Pessoalmente acredito que um ator mais jovem teria caído melhor.

O casal principal tem química e o clima de sedução e a sensualidade em torno no filme é latente. É bonito e transmite ao público a vontade de viver uma paixão como a que é vista na tela. O sexo fica muitas vezes subentendido, ao contrário do livro que contém cenas explícitas, o que de jeito nenhum chega a se tornar um defeito. Ao contrário do que têm sido dito, o casal principal não é gay e sim bissexuais, o que é algo interessante e pouco visto. No filme tanto Oliver quanto Elio se relacionam com mulheres e por livre vontade e real atração.

A família de Elio é incrível, a mistura de culturas, o ambiente, as cenas que mostram as refeições tudo é muito agradável, muito real. A direção também fez um bom trabalho na escolha da trilha, do figurino, a caracterização fiel a década de 80, as locações, a da paisagem, tudo é maravilhoso aos olhos, tudo funciona. Os personagens são muito interessantes com destaque a Michael Stuhlbarg, pai de Elio, que é um homem à frente do seu tempo, o monólogo final é um tapa na cara de todos nós sobre como viver bem a vida.

A direção é ótima e acerta mostrando os momentos em que Elio toca piano de maneira primorosa, ressaltando o talento do ator. No filme inclusive os atores realmente falam italiano, algo raro em filmes Hollywoodianos, onde não importa se é em Barcelona Ou Paris, os personagens sempre falam inglês. Chalamet aprendeu a tocar piano e o idioma italiano para dar vida ao personagem, o que certamente deve estar contando como pontos extras para o ator na corrida para conquistar a estatueta dourado no dia 4 de março.

No final das contas, Me chame pelo seu nome é mais do mesmo de um jeito diferente. É o que já foi visto antes de um jeito mais bonito, mais encantador, mais forte. Com certeza será lembrado daqui muitos anos, como referência de uma boa história de amor LGBT e eu aposto que o chamarão de clássico.

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Foto Divulgação

Carnaval é um momento de alegria e descontração e já é de conhecimento geral que amigos querem se divertir e nada melhor do que os bloquinhos espalhados pela cidade para receber tamanha alegria. Ao longo da semana os foliões estão se preparando e ensaiando para não fazer feio nas ruas de Belo Horizonte quando originalmente a folia terá início, na próxima sexta, 9.

Para o conforto e não permitir que você perca ou se atrase para a saída dos blocos, listamos os principais com horários e local de saída. Vamos lá? E não se esqueça de se manter hidratado, um folião hidratado é um folião feliz!

 

  • Quarta-feira (7)

 

Desfile do Chama o Síndico

Local: Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1537, Centro)

Horário: 20h

Gratuito

Desfile do Spiro Giro

Local: Praça México, Concórdia

Horário: 18h

Gratuito

Ensaio do Unidos da Estrela da Morte

Local: Praça da Liberdade

Horário: 19h

Gratuito

Ensaio do Bloco da Fofoca

Local: Centro Cultural Padre Eustáquio (Rua Jacutinga, 821, Padre Eustáquio)

Horário: 19h

Gratuito

Festa Quarta dos Amigos – É Carnaval, com Raga Mofe

Local: Major Lock (Rua Major Lopes, 729, São Pedro)

Horário: 22h

Ingresso: R$ 15

 

  • Quinta-feira (8)

 

Desfile do UBloco

Local: Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1537, Centro)

Horário: 17h

Gratuito

Desfile do Índios

Local: Avenida Petrolina, 1057, Sagrada Família

Horário: 17h

Gratuito

Desfile do Fui Pobre Mas Nem Lembro

Local: Rua Ilacir Pereira De Lima, 124, Silveira

Horário: 18h

Gratuito

Desfile do Roda de Timbau

Local: Rua Itajubá, Floresta

Horário: 18h

Gratuito

Desfile do Reciclado

Local: Asmare (Avenida do Contorno, 10564, Barro Preto)

Horário: 19h

Gratuito

Desfile do Bloco da Bicicletinha

Local: Rua Sergipe, 666, Centro

Horário: 20h

Gratuito

Festa Carnaval do Memorial

Local: Memorial Minas Gerais (Praça da Liberdade, 640)

Horário: 19h30

Gratuito

Festa Baile de Carnaval de Zilah Spósito

Local: Centro Cultural Zilah Spósito (Rua Carnaúba, 286, Conjunto Zilah Spósito)

Horário: 14h

Gratuito

Festa Carnavrau, com MC Don Juan

Local: Clube Chalezinho (Avenida Mário Werneck, 530, Buritis)

Horário: 22h

Ingresso: A partir de R$ 50

  • Sexta-feira (9)

Abertura Oficial do Carnaval de BH – Encontro dos Blocos Afro

Local: Praça da Estação

Horário: 18h

Gratuito

Desfile do Bloco Sem Massagem

Local: Praça Nilo Peçanha, Sagrada Família

Horário: 16h

Gratuito

Desfile do Tchanzinho Zona Norte

Local: Avenida Sebastião de Brito, Dona Clara

Horário: 17h

Gratuito

Desfile do Sexta, Ninguém Sabe?

Local: Rua Alvarenga Peixoto, 1000, Santo Agostinho

Horário: 18h

Gratuito

Desfile do Unidos da Guaja

Local: Rua dos Guajajaras, Centro

Horário: 18h

Gratuito

Desfile do Lindo Bloco do Amor

Local: Rua Sapucaí, Floresta

Horário: 18h30

Gratuito

Desfile do Bloco Cintura Fina

Local: Rua Paquequer, 8, Bonfim

Horário: 19h

Gratuito

Desfile do Bloco da Fanfarronas

Local: Escadaria do Edifício Sulacap (Rua dos Tamoio, 15, Centro)

Horário: 19h

Gratuito

Desfile do Baião de Rua

Local: Rua Marechal Deodoro, Floresta

Horário: 20h

Gratuito

Desfile do Bloco Fúnebre

Local: Praça da Bandeira, Mangabeiras

Horário: 20h

Gratuito

Desfile do Tira o Queijo

Local: Praça da Estação

Horário: 23h59

Gratuito

Festa Carnaval do Studio, com Bloco dos Hermanos

Local: Studio Bar (Rua Guajajaras, 842, Centro)

Horário: 21h

Ingresso: A partir R$ 20

 

Por Bruna Valentim

Greta Gerwig é uma atriz de respeito. Musa do cenário indie, ela é referência quando se trata de filmes alternativos com histórias tão reais que chegam a ser palpáveis. Ela fala sobre o mundo feminino de forma tão pura como apenas outra mulher seria capaz de retratar. Greta é o tipo de atriz que enquanto a assistimos parece que estamos vendo uma amiga de longa data no seu próprio reality show. Como diretora felizmente Gerwig também não decepciona em seu longa de estreia.

Com cinco indicações ao Oscar,a de melhor filme, melhor roteiro original, melhor atriz, melhor atriz coadjuvante e melhor direção (Gerwig quebra recordes sendo a quinta mulher indicada na categoria em 90 anos de premiação), o filme acompanha uma adolescente interiorana e sua complicada relação com sua família enquanto busca se encontrar e seguir seus sonhos em meio a decisões erradas e atitudes inconsequentes típicas da idade.

Christine, que se autotitula Lady Bird, é uma garota de 17 anos que odeia sua cidade natal, Sacramento, sonha em viver da arte em alguma grande metrópole e se acha diferente, portanto melhor, que outras pessoas. Saoirse Ronan que da vida a personagem, com apenas 23 anos, adquiriu uma terceira indicação ao Oscar, dessa vez como melhor atriz e com muita chance de levar a estatueta para casa. Por vezes engraçada, por vezes impetuosa, por vezes simplesmente chata, mas sempre interessante, Lady Bird têm camadas e faz com que sintamos empatia e amor pela personagem, mesmo com atitudes adversas que poderia despertar uma antipatia no telespectador, mas o carisma de Ronan faz apenas com que torçamos pela adolescente de cabelo rosa em sua jornada em busca de felicidade e amor.

Os relacionamentos amorosos de Lady Bird no filme, diferentemente do que acontece na maioria dos filmes adolescentes, são romances reais es situações absolutamente plausíveis para jovens adultos. Os atores escolhidos para interpretar seus namorados, Lucas Hedges e Timothée Chalamet, mesmo que não sejam o foco principal uma indicação ao Oscar no currículo. As pessoas provavelmente se identificarão com Lady Bird e terão uma sensação do que é ser uma adolescente descobrindo o amor, a paixão, o sexo. Os primeiros momentos em um relacionamento, a primeira vez, o término, são situações que a direção do filme mostra sem firulas, sem uma áurea cor de rosa, mostra do jeito que é. Greta foi sincera sobre tudo e essa é sem duvidas sua maior qualidade como diretora. A forma como a personagem principal lida com seus interesses amorosos e seus altos e baixos é independente, honesta e nada soa falso ou melodramático, algo corriqueiro em longa metragens do gênero.

A relação da protagonista com sua mãe é o ponto mais alto do filme, não é algo perfeito como a relação mãe e filha do aclamado seriado Gilmore Girs, é algo mais cru, mas também verdadeiro. As brigas entre as personagens e a maneira como fazem as pazes é duro, é puro, é a oposição de duas personalidades fortes que se contrastam, mas acima de tudo se complementam de um jeito muito bonito. Atenção para a cena do aeroporto, lenços serão necessários.

Lauren Metcalf, mãe de Lady Bird, está em estado de graça no filme. Demonstra a exaustão da rotina dobrada para conseguir alimentar a família, o amor e a frustração que sente pela filha ao não conseguir realizar seus sonhos e ao tentar sempre tirar a garota das nuvens, mostrando a realidade que a jovem não que enxergar. A indicação ao Oscar como melhor atriz coadjuvante é mais que merecida.

A trilha sonora carrega sucessos do ínicio dos anos 2000, uma vez que o filme se passa em 2002, então vemos Bones Thugs-N-Harmony e Justin Timberlake com seu coração partido embalando as aventuras de Lady Bird pela simpática sacramento.

O filme é sucesso absoluto e é uma concordância dos críticos e da audiência. Parte disso certamente se deve a perfeição da construção da personalidade de Lady Bird, ela é segura quase o tempo todo, ela tem certezas sobre quem é e sobre o que quer. Ela vive com intensidade e verdade ao mesmo tempo em que sente medo, reconhece quando erra, pede perdão e perdoa. Ela é humana, assim como todos os personagens do filme e sua perfeição se encontra aí, no fato de que essa estória em devidas proporções poderia ser sobre você ou sobre mim. O filme contém traços biográficos de Gerwig, e é uma carta de amor a Sacramento e uma homenagem as mães, as filhas, ao poder feminino, as relações familiares e a quem se é de verdade.

Por Tiago Jamarino – Start – Parceiros Contramão HUB

 

Guillermo del Toro apresenta filme em cima de tema clássico, mas com uma trama original e com pitadas de sci-fi

 

A Forma da Água é o mais novo trabalho do cineasta mexicano Guilhermo del Toro, podendo se afirmar como uma bela história de amor, com bastante pitadas de ficção cientifica. Se analisarmos bem, este filme soaria bem com uma boa redenção para o cineasta. Aos fãs de Del Toro, assim como eu, tivemos uma amarga decepção com A Colina Escarlate (2015). Sempre esperamos mais de Del Toro, o diretor provou mais que nunca ser capas de nos impressionar com seu espetáculo visual e técnico. Quem não se espantou com a qualidade visual do fantástico mundo de Hellboy, com o surrealismo do mundo encantado que permeava o Fauno. Se a (duas) coisas no diretor que sempre andavam de mãos dadas, era, seu designer de produção e sua boa noção em se contar uma história, seja ela simples ou complexa. Nesse rumo que seu mais novo filme segue, um tema clássico como o amor, mas contada de uma forma bem simples e com elementos fantásticos.

Década de 60. Em meio aos grandes conflitos políticos e transformações sociais dos Estados Unidos da Guerra Fria, a muda Elisa (Sally Hawkins), zeladora em um laboratório experimental secreto do governo, se afeiçoa a uma criatura fantástica mantida presa e maltratada no local. Para executar um arriscado e apaixonado resgate ela recorre ao melhor amigo Giles (Richard Jenkins) e à colega de turno Zelda (Octavia Spencer).

Como de costume em obras de Del Toro este filme também se inicia com um voice-over, já causando no espectador o desconforto em saber se tal história é verídica ou um conto de fadas. Assim como no Labirintodo Fauno temos essa narrativa em off esmiuçando o conto, logo já vemos o potencial técnico do diretor, que faz sua câmera transitar em pequenos planos sequencias com pitadas de cortes bem escondidos. A apresentação da personagem principal já gera outro desconforto, Eliza é uma clássica princesa da Disney, a profissional da limpeza, desfavorecida socialmente, com uma vida pacata aguardando o elemento fantástico mudar sua vida. A genialidade do roteiro em usar esses elementos, é fantástico, até chegar ao final do filme muitos irão supor se Eliza é meramente uma personagem inventada por quem está contando a história.

A direção fica a cargo de Guilhermo del Toro, dos mais notórios filmes do cineasta temos, O Labirinto do Fauno (2006), Hellboy (2004), Blade 2 (2002) e Círculo de Fogo (2013). Como já mencionado acima, Del Toroé um diretor que mistura fantasia, ficção cientifica com temas clássicos, presenteando seus espectadores como belas criaturas e mundos magnificados. A cinematografia usa bem tons de verdes e cores bem escuras para dar um senso de perigo, angustia e tristeza, elementos claros de uma ficção científica com monstros. O designer de produção é a marca registrada de Del Toro, toda ambientação dos anos 60 está bem detalhado aqui. Apesar de em muitos momentos o filme ser bem escuro a uma iluminação pontual em cenas que precisam ser destacadas, algumas cenas que são espetaculares. As cenas que são feitas debaixo d’água mostram todo o potencial de uma fotografia que parece ser pintada a mão, fotografia ao qual somada com o excelente trabalho da trilha sonora, fazem com que o filme se pareça uma graphic novel digna de aplausos. Até o designer da criatura é meramente incrível, com uma roupa e uma maquiagem que demonstra uma sensação de realidade. 

O roteiro assinado por Del Toro e Vanessa Taylor tem uma difícil missão, fazer uma história de amor dar liga. Assim como a clássica história infantil, A Bela e a Fera, temos um potencial romance entre uma mulher e uma criatura. Mas não apenas isso, a várias pequenas histórias de pano de fundo acontecendo, o dia-a-dia de funcionários que trabalham na instalação do governo, o pano de fundo histórico da Guerra Fria e o tempo necessário para desenvolver alguns personagens, principalmente a interação com a criatura. O grande problema da narrativa é que o filme é bem previsível, em momento algum, o filme irá surpreender, toda sua condução vai ser entendido pelo espectador. A Forma da Água é um trabalho mais maduro do diretor, pegando o conceito básico de uma clássica história de amor nos introduzindo no fantástico, deixando uma trama mais séria e que em alguns momentos se torna assustadora, mediante a conduta de alguns dos seus personagens.

O elenco é muito bem escalado, tendo uma protagonista digna de todas as suas indicações a prêmios de cinema. Sally Hawkins faz o papel de uma mulher muda, a atriz dá um show à parte, sua personagem precisa se comunicar sem falar e isso é bem transmitido pela sua expressividade. Eliza é uma personagem doce, se preocupa com as pessoas, decidida quando quer e seu olhar transmite tudo em cena. A interação de Eliza com a criatura vivida por Doug Jones, que está habituado em fazer estes papeis, ambos precisam se comunicar sem falar, algo que soa realmente difícil, mas ambos se expressam com linguagens de sinais e muita linguagem corporal. O Michael Shannon com sua fisicalidade intimidadora é bem o personagem a ser odiado pelo espectador, desde o início do filme o roteiro já define bem isso, mas graças ao belo trabalho do ator seu personagem não ficou clichê. A Octavia Spencer está bem, mesmo tendo pouco o que fazer, em alguns momentos do filme ela é a voz de Eliza. O Michael Stuhlbarg bem como sempre nós oferecendo mais histórias de pano de fundo.

A Forma da Água, não alcança o patamar de obra-prima, contendo vários momentos em que o roteiro começa a usar artífices bem convenientes para fazer sua trama andar. Faltou a dupla de roteiristas um esmero a mais para dar desfechos mais sérios e fazer sua trama ser perfeita. Mas tirando todas essas ressalvas, A Forma da Água é uma linda história de amor, com elementos cinematográficos fantásticos, uma trilha sonora linda e mais uma criação de universo fantasioso maravilhoso.

 

4-Ótimo

 

 

 

FICHA TÉCNICA

 

A Forma da Água (The Shape of Water) — EUA, 2017
Direção:
 Guillermo del Toro
Roteiro: Guillermo del Toro, Vanessa Taylor
Elenco: Sally Hawkins, Michael Shannon, Richard Jenkins,  Octavia Spencer, Michael Stuhlbarg,  Doug Jones, David Hewlett, Nick Searcy
Duração: 119 min.

Por Ked Maria

Existem várias maneiras de contar uma história, podem ser através de causos, poesias, prosas e textos, porém, quando a narrativa se une com os desenhos para transmitir uma mensagem, as coisas ficam mais divertidas, fluidas e às vezes até mais leves. As histórias em quadrinhos ou as HQs fazem parte da vida de muitos brasileiros, na volta para a casa dentro do ônibus ou do metrô, é comum encontrar algum leitor ávido por aventura imerso nas páginas desenhadas.

Wendrick Ribeiro de 23 anos, consome HQs e diz que a produção nacional é muito boa, porém falta um ar de comercialização. No cenário brasileiro as revistas em quadrinhos se restringem a publicações independentes, talvez com investimento das editoras ou instituições de mercado intensifique o que traria um aumento exponencial nas publicações. Sobre o conteúdo o publicitário ressalta que os quadrinistas buscam inspirações estrangeiras o que acaba seguindo um padrão norte-americano. Para ele, os quadrinhos estão caminhando para a democratização, “Os quadrinhos atualmente ganharam uma impulsão com a internet, porém essa impulsão fez com que alguns grupos que não tem acesso ou que não tem contato de forma complexa com a internet em sua totalidade, não conseguem serem absorvido.”

 

“Ainda não é tão democrático para quem produz, afinal os quadrinhos
que estão em evidência tem um público muito pequeno que é
de uma faixa com o poder aquisitivo um pouco maior.” Wendrick Ribeiro

 

 

As histórias em quadrinhos entraram na vida do quadrinista Luan Zuchi, ainda na infância, com a coleção da revista Tex”. “Esse encontro com o universo dos quadrinhos me fez perceber que a ilustração poderia servir para contar histórias, causar sentimentos, tocar o outro com uma boa narrativa.”, explica o desenhista  de 22 anos, que lembra: “O interesse pelas HQs veio aos sete anos, com cópias de desenhos por observação e com as tentativas de ampliar essas cópias”. O foco sempre foi desenhar quadrinhos, destaca o jovem que entrou em uma faculdade de design na busca de uma base teórica. Hoje Zuchi tem 10 histórias publicadas sobre diversos temas e seu último projeto é a HQ Kong Comics, onde o autor promete disponibilizar seus quadrinhos para a leitura digital. “Todos esses projetos foram publicados de modo independente, ou seja, eu mesmo bancando a impressão, naqueles que fui responsável por roteiro e arte também fiz o projeto gráfico e cuidei, literalmente, de todas as etapas, da ideia à venda. ”, afirma Luan.

 

“Essa fusão de imagem e texto é instigante para quem lê e traz
o indivíduo para dentro da narrativa, já que é na cabeça do leitor
que a ação sugerida nos desenhos se desenrola.” Luan Zuchi

 

A vontade de tocar o próximo, causar alguma reflexão ou risos, são algumas das razões que motivam o ilustrador, já as ideias para os roteiros variam em cada edição, como sentimentos, situações inusitadas ou até mesmo um ponto vista sobre a vida em sociedade. “Acredito que o dever de um autor é filtrar o mundo ao seu redor e entregar ao leitor o seu ponto sobre aquilo e, se tudo der certo, gerar uma reação em quem consome.”, explica Zuchi e acrescenta que os quadrinhos fazem parte da cultura assim como o cinema, o teatro ou até mesmo os livros, mas ressalta que as características de cada país afetam o conteúdo das HQs. No Brasil, por exemplo as histórias em quadrinhos são associadas ao público infantil, porém para Luan as revistinhas são suporte para contar uma história e nada impede que um adulto se envolva em uma narrativa voltada para a criançada. “Tenho percebido é que temos uma grande oportunidade, de criar quadrinhos que se conectem com as pessoas pelos seus interesses na narrativa, devido à produção diversificada que temos atualmente, de criar quadrinhos para quem ainda não consome quadrinhos seja de super heróis, infantis ou material importado e traduzido por aqui.”.

 

Dificuldades dentro das HQs

Sobre as dificuldades nas produções independentes Luan Zuchi diz que não é na produção que se encontra muitos obstáculos, mas sim na distribuição. O autor alega que a fonte de capital vem com eventos ou financiamento coletivo. Na primeira opção se tem custos como aluguel do espaço, deslocamento, hospedagem, o que impacta diretamente no lucro das vendas, já na segunda opção há um investimento muito grande de tempo e de energia que poderia ser melhor aproveitado no desenvolvimento das histórias.

Outro assunto que instiga o ilustrador é a democratização das HQs, o que foi tema de um dos vídeos postados em seu canal no YouTube. Segundo o quadrinista as histórias em quadrinhos eram vistas como cultura de massa, estavam nos jornais, nas bancas, no mercadinho ou nos postos de gasolina, eram para serem lidas a qualquer momento, por qualquer pessoa. Os quadrinhos de certa forma começaram a se afundar no elitismo das livrarias, nas capas duras e ilustradas, papel bom e preço alto. “As editoras focam no público que já consome quadrinhos e que exige edições luxuosas. Enquanto esse público, que começou a ler na banca, na rodoviária, em edições baratas, se vislumbra com a qualidade gráfica atual e aceita pagar o preço, o novo leitor em potencial acredita que não se publica mais histórias em quadrinhos, simplesmente por que elas foram retiradas do seu campo de visão.”, externa o desenhista e alega que o caminho para reverter esse fenômeno talvez seja produzir narrativas que atraem o público que ainda não lê quadrinhos, uma vez que, todos são leitores potenciais.

“O mundo inteiro está mudando e se adaptando a
esse novo capitalismo tecnológico, os quadrinhos
também estão passando por isso.” Luan Zuchi

 

Para ele há outros vetores que implicam diretamente como as editoras, distribuidoras, lojistas e consumidores, contudo Luan Zuchi acredita que as HQs possuem capacidades incríveis. “Exatamente por essa efervescência que estamos vendo nos últimos anos, com eventos e novos autores surgindo e conseguindo produzir por aqui mesmo, conquistando seu público e mantendo um contato próximo com ele por meio das redes sociais.”.

Julio Almeida de 24 anos, publicou seu primeiro quadrinho na Comic Con Experience de 2017, a revista em quadrinhos se chama “Gie, The Gift”, onde narra a história de uma bruxinha e um desafio para acertar um feitiço. “Nesta história em especial tudo aconteceu muito rápido e não teve uma etapa prévia de preparação e concepts, eu só sentei e fui produzindo uma página atrás da outra. Por trás dessa trama principal eu quis criar uma metáfora sobre amor e afetividade, o que foi bem intuitivo e fluido.”, conta o ilustrador que atualmente trabalha no quadrinho “Nico e Alf”, previsto para este ano, e diz que desta vez anda respeitando melhor as etapas e preparando tudo com mais calma.

 

Inspirar os leitores é uma das motivações de Almeida, o autor propõe reflexões em suas narrativas de uma forma que sejam honestas e que encoraja o consumidor. “Enquanto artista eu me sinto no dever de produzir algo que encante visualmente e que guie esse vislumbre do leitor para uma reflexão sobre algo que seja real no modo como a sociedade funciona ou funcionou algum dia de forma que ele se identifique em algum grau com o que está sendo contado e que essa experiência seja levada para fora da leitura do quadrinho.”, explica o jovem e acrescenta que os quadrinhos instiga a curiosidade, as percepções visuais, a imaginação, fortalece vínculos com personagens e tipos de personalidade.

Para o quadrinista as HQs no Brasil eram dominadas pela produção estrangeira, há uma ou duas décadas atrás dificilmente um título nacional ganhava destaque ou era nacionalmente conhecido se não fosse algum título do estúdio Mauricio de Souza Produções. O que está mudando, o consumo de quadrinhos nacionais cresceu bastante e vem inspirando o surgimento de novos e bons autores. “Eu acredito que estamos nos encaminhando (muito bem) para que as histórias em quadrinhos estejam enraizadas como cultura nossa mesmo, com estilo próprio, sem influências a quadrinhos americanos, europeus ou japoneses.”, afirma Julio e alega que o cenário nacional vem criando personalidade própria.

O quadrinho é sempre muito mais sobre a experiência
por trás
do desenho do que o visual em si, e essas experiências
não podem ser definidas por idade.” Julio Almeida

Dentro das principais dificuldades que o quadrinista enfrenta é a publicação e distribuição, mesmo com o mercado em crescimento há poucas editoras interessadas nesse tipo de mídia. “A principal ferramenta de publicação de quadrinhos nacionais hoje é o financiamento coletivo em plataformas como Catarse, Vaquinha, Benfeitoria, KickStarter.”, afirma ilustrador que completa dizendo que prejudica um pouco a qualidade do material impresso, uma vez que, se trabalha com orçamentos muito apertados.

Sobre a divisão entre o público infantil e o adulto, Almeida diz que o quadrinho é muito rico e diverso, existem cada vez mais títulos com mensagens poderosas. “Eu acredito que essa definição hoje só existe na questão de “classificação indicativa”, pois realmente existem títulos com conteúdo que não são apropriados para o público infantil. Mas, fora esses casos específicos, no geral é uma grande besteira essas divisões.”.