Entrevista

0 259

Por: Helen Oliveira

A imagem dos avós  na cadeira de balanço a espera dos netos perdeu-se no tempo. O time da terceira idade está, cada vez mais, ativo. Eles trabalham, saem para encontrar os amigos, dançam, divertem-se e conseguem compartilhar momentos com a família. Administram o tempo de forma a aproveitar todas as oportunidades oferecidas pela vida. No Dia Nacional dos avós, o Contramão  conversou com dois deles, José Teixeira Alves, de 63 anos, e Ivany Alves Leite, de 66, que se mantêm em atividade.

De acordo com dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), divulgados pelo Ministério do Trabalho, o número de pessoas entre 50 e 64 anos, no mercado formal de trabalho, cresceu quase 30% entre 2010 e 2015. É o caso de José Teixeira Alves, mais conhecido como Zezinho. Avô de oito netos, o senhor faz dupla jornada: cuida da família em casa e da família que criou no ambiente de trabalho.

O idoso trabalha como auxiliar de manutenção, há 14 anos. Apesar de ter idade para se aposentar e ter dificuldades de locomoção, Zezinho não tem intenção de parar de trabalhar. Ele costuma percorrer longo trajeto de casa ao trabalho,  “São três ônibus para ir e três para voltar. Não é fácil, mas quero continuar trabalhando, enquanto tiver vida e saúde”, ressalta.

José assumiu o papel de conselheiro, atendendo às pessoas que o procuram para desabafos e conselhos, confiantes na vivência e maturidade dele. Em casa, os filhos e netos de Zezinho “tem que andar na linha”.  Ele não dá colher de chá, mas, sempre que necessário, está disposto a estender a mão.

“Como o tempo é curto, não consigo estar 100% com os netos, mas, no final de semana, a minha casa fica cheia. Nas férias, eles passam comigo e minha esposa. Procuro levá-los em passeios e viagens para ficar perto”, finaliza o avô.

Ivany Alves Leite é avó moderna. Com nove netos, ela não deixa transparecer a idade que tem. Cuida muito bem da saúde para manter-se, a cada dia, mais jovem. Nunca dispensa batom para realçar a beleza.

Para a senhora a idade chegou, mas ela se mantém com vigora. Ela foge dos padrões de avó que faz tricô. Garante que os netos se mantêm bem próximos por ela ser assim. É vista como amiga. Ivany sempre foi dona de casa e passou anos cuidando da casa e família. Agora é o momento de aproveitar os dias “de folga”. A dona de casa levanta todos os dias bem cedo para fazer caminhada, “manter a forma e saúde é primordial”. Realiza consultas periódicas para saber suas necessidades e limites.

A avó é exemplo para as amigas que procuram mudar o modo de vida. Sempre muito alegre, a senhora aconselha a todas a viverem como se sentem bem. “A idade chegou apenas no corpo. A cabeça tem que ficar jovem. Meus netos precisam de mim e eu deles, e é dessa forma que me mantenho próxima a eles”, conclui.

Por: Moisés Martins e Marcelo Duarte 
Foto: Dimi Silva

Em 8 de maio comemora-se o Dia Nacional das Artes Plásticas. Convidamos o artista Edmilson Antônio da Silva, conhecido como Dimi Silva, para um bate-papo.  Aos 35 anos, ele vive de seu trabalho como autônomo em Belo Horizonte. Brinca com as cores, possibilitando a quem vê  viajar por mundos divertidos. A inspiração é ampla, vai da beleza da mulher negra aos autorretratos de Frida Kahlo (1907-1954), uma das principais pintoras do século XX. “É muito importante ter um dia do artista plástico, mas deveria ter mais eventos e feiras para que possamos mostrar nosso trabalho”,  afirma o artista plástico Dimi Silva.

Como e quando você iniciou nas artes plásticas?

A ideia de ser artista plástico foi algo que surgiu em minha vida. O gosto pela arte vem desde criança. Desde cedo aprendi a desenhar. O tempo passou e, a cada dia, queria aprender mais. Comecei a ter contato com novas técnicas e estilos de desenhos, que me fizeram chegar onde estou. Mas não quero parar por aqui. A cada dia que passa eu aprendo mais, para que meu trabalho fique cada vez melhor.

Como você se vê dentro do mundo das artes?

Eu me considero grande artista plástico. A grande maioria das pessoas não dá valor às artes. Então, fica difícil para o artista ser reconhecido pelo seu trabalho.

Dentro da arte, como você usa a tecnologia a seu favor?

A tecnologia tem nos ajuda bastante.  Uso as redes sociais para divulgar meu trabalho. Por meio das postagens, alcanço público amplo, o que aumenta o  reconhecimento do meu trabalho.

Como você apresenta suas obras?

Faço pinturas expostas em  muros da cidade, onde o público tem contato direto com a arte e com o meu processo de produção. Também participo de algumas feiras de artes.

Com qual outra área das artes plástica você teve contato?

Basicamente foi só pintura mesmo. Pintura de telas, murais, desenhos papel e arte digital.

O que você espera do seu futuro nas artes plásticas?

Busco evoluir cada vez mais, sempre buscando novos conhecimentos e com isso reconhecimento pelo meu trabalho.

Você tem contato com outros artistas?

Tenho muitos amigos no meio artístico, com trabalhos maravilhosos e de diferentes estilos. Para mim é um contato muito importante desde a  parte do aprendizado artístico até questão do respeito com a arte do colega.

Você vê muitos jovens inseridos nas artes plásticas?

No meu cotidiano vejo alguns, mas faltam oficinas, eventos e projetos voltados à juventude para poder despertar o interesse dos jovens pelas artes plásticas.

Aqui podemos ver um pouco de suas obras e sua descrição sobre elas;


Mural realizado na pista de skate do Barreiro/Belo Horizonte. “Assim como a maioria dos meus trabalhos não tem muita a explicação exata, gosto de compor obras voltadas para psicodelismo surreal com bastante movimento e cores vibrantes e objetos de mundos distintos tudo em um mesmo lugar”


“Trabalho realizado para uma cliente. Tinta acrílica sobre papel, retratando um ícone e referência. A pintura é releitura de uma das obras de Frida Kahlo, com cores, objetos e movimentos sempre presente no meu trabalho”.

0 203

Por Bruna Valentim

Foi comemorado no último dia 12, o dia nacional do enfermeiro. Ofício que sempre esteve presente em nosso cotidiano porém, não é valorizado como deveria. Seja trabalhando em hospitais ou postos de saúde esses profissionais passam por altos e baixos, mas são sempre guiados pelo amor à enfermagem e ao cuidar.

A enfermeira Simone Bernardes, 41, sempre gostou de cuidar dos animais e de pessoas. Por um tempo se viu dividida entre optar pelo caminho da veterinária ou da enfermagem, quando sua mãe lhe aconselhou dizendo que deveria direcionar este desejo de cuidar às pessoas, que seria muito mais gratificante. Com a decisão tomada e com o apoio da família cursou a faculdade de enfermagem pela Pontifícia Universidade Católica, e exerce a profissão há 18 anos, trabalhando há 9 na Atenção Básica da Prefeitura de Contagem.

Inserida em ambientes hospitalares há quase duas décadas em ambientes hospitalares, Bernardes diz que sempre foi feliz em seu exercício, mas recorda de um triste episódio no início de sua carreira ocorrido 12 anos atrás “ Certa vez acompanhei uma paciente do posto de saúde até o hospital em que seu marido estava internado, pois ela estava muito abalada emocionalmente. Enquanto fazia a visita, ele teve uma parada cardíaca e faleceu naquele momento e eu acabei dando a notícia para a paciente, apoiando-a e ligando para o restante da família. Foi algo que me marcou muito” lamenta a enfermeira.

Ela diz que apesar das alegrias que a enfermagem lhe proporciona, nem tudo são flores já que a pressão em torno da profissão é alta e um erro pode ser fatal “A área da saúde deveria receber dos mais altos salários. Lidar com vidas, isso não tem preço, um erro, não tem volta. A grande maioria dos profissionais da enfermagem sofre de algum problema de saúde relativo ao estresse, sobrecarga de trabalho, assédio moral, etc… Administramos medicamento errado e matamos um paciente, deixamos sequelas irreparáveis…Se formos processados nem temos dinheiro para pagar a indenização, já o salário dos médicos é bem diferente” conta relatando a diferença no salário do profissional de medicina, uma profissão que de acordo com ela não se compara com a enfermagem. Bernardes classifica que são diferentes como sal e açúcar, embora sempre caminhem de mãos dadas. Segundo a profissional a dica para quem está começando, apesar dos contratempos, é não desanimar “Aos colegas recém formados, digo sempre que sejam bem vindos e que precisamos de gente dedicada e humana acima de tudo. A academia forma, mas é a vida que ensina. Tenham humildade para reconhecer que não sabe, para aprender com os mais experientes” finaliza.

Os conselhos de Bernardes, serão benéficos para Bruno Santos, 20, estudante do segundo ano do curso de enfermagem pela Newton Paiva. Apesar das dificuldades no semestre, o mesmo alega estar satisfeito com o curso “A princípio o que me fez cursar a profissão foi o meu amor pelo ambiente hospitalar e o cuidado às pessoas”. O estudante conta que as coisas saíram um pouco diferente do planejado “Ainda não está cumprindo minhas expectativas. porque eu pensava que nesse momento já teríamos mais atividades práticas e até o momento basicamente só temos teoria”. Pelo fato de ser um homem em meio predominantemente feminino, Santos diz que o machismo sempre existe e já ouviu comentários jocosos, mas nada que chegasse a afetá-lo de maneira pessoal. Sobre a valorização no meio profissional o jovem relata que não chegou a pensar sobre isso, mas é otimista ao dizer que a profissão precisa ser valorizada.

A técnica de enfermagem Vanilda Silva, 61 anos, é aposentada há três,  já vivenciou muitas angústias e alegrias similares as de Simone e Bruno, nos 30 anos que passou apaixonada e dedicada ao ofício. Mas admite que é uma profissão tão árdua quanto gratificante, embora o salário não seja tão bom. “Sempre gostei de cuidar, do processo de ajudar na cura de um paciente, ver a evolução de seu tratamento”. Silva conta que foi muito feliz em todos os seus anos praticando enfermagem e que sempre lembra saudosa os velhos tempos. “Trabalhei em várias áreas, com cirurgia, na central de esterilização e no serviço de urgência. Cada lugar foi um acréscimo ao meu crescimento pessoal e profissional, me fez sentir grande ao cuidar das pessoas, ver as pessoas ficando saudáveis. O que eu digo para todos que estão começando, que estão nessa profissão é para se prepararem pois na enfermagem por vezes você precisa ser um amigo do paciente, um confidente, mas acima de tudo você precisa amar a profissão” finaliza a aposentada.

 

História de amor que nasceu através da Dança de Salão.

Por: Helen Oliveira
Fotografia: Ana Luísa Arrunátegui

Não há idade para amar. Ninguém está livre de virar a esquina e se apaixonar, mesmo quando o tempo diz que acabou. Dona Osmarina de 74 anos e Sr Darcy, 84, são prova disso. Casados a pouco mais de 7 anos, são um par dentro e fora do salão de dança, onde se conheceram.

Dona Osmarina frequenta o Clube da Maturidade há 26 anos. Sempre muito vaidosa, gostava de “paquerar”, até que o destino lhe apresentou um senhor de olhos azuis pelos quais ela não resistiu aos encantos. Seu Darcy tem 13 anos de baile, parte deles frequentados com sua falecida esposa. Quando a ex-mulher de Darcy veio a falecer o mesmo acabou adoecendo e, por pouco perdia a oportunidade de estar com seu novo amor.

Uma senhora de cabelos ruivos e perfume encantador. Ao saber que Darcy estava adoentado se dispôs a ajudá-lo, estando presente perante as necessidades do dia a dia. Os meses se passaram e a recuperação ficou aparente. Um belo dia o telefone de Osmarina tocou, era Darcy, a pedindo em namoro, “fiquei sem reação no momento, mas após um tempo já estávamos andando de mãos dadas por aí”, afirma. Após seis meses decidiram se casar e desde então esbanjam felicidade, cumplicidade e companheirismo.

Mais velho de 13 irmãos, Darcy está acostumado a levantar cedo todos os dias para cumprir com as obrigações em casa, o mesmo, lava, passa e cozinha sem reclamar, pois, sua “princesa” ainda dorme. “Eu não tomo café enquanto ela não levantar para me acompanhar”, declara. Além da dança ele procura manter constante atividade física. Faz caminhada todos os dias e, quando o tempo permite, encontrar os amigos para uma “prosa”. Ele também canta em um grupo de seresta, o que nos deixa ainda mais encantados por sua história. Imaginem só ele fazer uma serenata para a esposa?

Dona Osmarina é aposentada, mas não se permite ficar parada em casa. Comerciante, trabalha todos os dias, mas, dentro de suas condições, pois às quartas, às 16h tem o baile e ela precisa estar linda na pista de dança. Sempre muito bem arrumada e bem-disposta a dançar a tarde toda, ela arrasta o marido para a pista, que já às pressas aceita o convite.

Unidos pela dança, o casal não se desgruda e, de acordo com Darcy, Osmarina é ciumenta e briga se alguém se “engraçar” para o lado do “Maridão”. Por isso sempre dançam juntos, mas isso não é um problema para o casal que decidiu ser para sempre “Um par”.

 

Dança na terceira idade

Muito mais que um hobby, a dança se tornou modalidade de atividade física,  sem contraindicação e nem limitações de idade. Dançar na terceira idade traz vários benefícios, como: bem-estar físico e emocional, exercícios de vários grupos musculares, ganhos de agilidade e na coordenação motora, melhorias à atividade cardiorrespiratória, estímulo à atenção, equilíbrio, combate a depressão e melhora da autoestima.

Não é de se estranhar que o público mais fiel das escolas de dança de salão são os idosos. Em muitas dessas escolas este público já tem seu próprio baile, levando essa turma a colocar em prática todo seu encanto e talento no salão. O Clube da Maturidade, localizado no bairro Gutierrez, região oeste de Belo Horizonte, é um deles. As quartas e sábados a partir das 16:00 abrem as portas para a terceira idade disposta a virar a noite se divertindo.

Imagem: Rúbia Cely

Por Bruna Valentim

Colaboração Daniel Nolasco 

No Dia Internacional da Mulher, celebrado no dia 08 de março, movimentos sociais da capital mineira se reuniram nos entornos da Praça Sete para uma passeata em prol dos direitos humanos e melhorias sociais. Com camisetas com dizeres feministas, caras pintadas, cartazes e panfletos mulheres de diversas partes da cidade e do estado, de diferentes idades e classes sociais se uniram com o objetivo de celebrar o que é ser mulher.

 

A “Marcha das Mulheres”, teve início na Praça da Assembleia, no bairro Santo Agostinho, na Região Centro-Sul da capital, e seguiu até a Praça Sete. O protesto reuniu os grupos como, o Movimento dos Atingidos por Barragem, Tranvest, Funcionárias Públicas, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Linhas do Horizonte.

 

Por volta das 15 horas, duas jovens se aproximaram da nossa equipe entregando panfletos do Movimento Popular da Mulher (MPM) e da União Brasileira de Mulheres (UBM) com dizeres onde falava sobre os problemas enfrentados por mulheres no dia a dia, mas também continha dizeres otimistas ao ressaltar as conquistas alcançadas nos últimos tempos. Entre as manifestantes estava Julie Deathreage, de 19 anos, que prefere não se classificar em uma vertente radical ou liberal, prefere acreditar em uma luta conjunta por equidade “Acho que neste momento a visão do outro sobre a minha luta pode ser muito variável, dependendo do lugar em que a pessoa se encontra socialmente e politicamente”.

A estudante conta que a veia ativista vem de berço, traço que herdou da mãe solteira e feminista. Deathreage lembra que foi aos 15 anos que começou a levantar bandeiras e participar ativamente da causa. “Desde das eleições de 2014, me vejo dentro do movimento, foi quando conheci entidades feministas e tive consciência do lugar da mulher no nosso país, que é um lugar de pouca voz, pouca representatividade, principalmente dentro da política. Em 2016 me filiei à União Brasileira de Mulheres e conheci mulheres de variados estados, classes econômicas, diferentes idades e de diferentes papéis na sociedade. Me encontrei dentro da UBM, que é uma entidade que luta pela emancipação feminina desde 1988. Encontrei voz, apoio e histórias de mulheres incríveis.” compartilha.

Ceuza Matos Marques, é ex-professora de biologia da rede pública, tem 80 anos, mas protesta ao ser chamada de senhora. Feminista ferrenha é se diz a favor de toda e qualquer minoria. Ela conta que frequentemente vai às ruas em prol do direito do trabalhador, da democracia, do direito do cidadão. É extremamente clara em relação seu posicionamento político, é defensora fervorosa do partido trabalhista, e faz e ensina bordados com dizeres em apoio a ao PT, Lula e atende a qualquer pedido dos clientes que estejam de acordo com seus ideais. Quando perguntada sobre o que a tornou feminista, ela sorri e diz que começou pensando na influência que a religião exercia sobre as mulheres enquanto era jovem “Me perguntei, o que é pecado? É usar uma roupa de banho de duas peças? É usar uma calça? Não, pecado é fazer mal aos outros é trair, é roubar, é enganar o outro. Não me denominava feminista, mas não achava que homem era melhor, eu sempre fui contra esse meio de pensamento, quando mulheres andam a cavalo de sainha sem abrir as pernas, sentadas de lado, eu montava de calça jeans. Minha filha sempre disse que eu fui revolucionária. A gente vai se descobrindo na luta, vivendo, sou pelas mulheres como sou pela liberdade religiosa, como sou pelo negro.”, explica.

Ao ver mais mulheres se aproximando, a aposentada falou com brilho nos olhos sobre a importância de eventos como aquele “A importância da manifestação é que na rua a gente ouve as pessoas, é uma forma de reagir, de resistir. A gente aprende política nesses locais, sim, nós temos o parlamento, os políticos, os vereadores, os deputados, mas é diferente, nas ruas a gente se fortalece”, Finaliza.

Enquanto conversávamos com Ceuza, um rapaz que ouvia atentamente os relatos da aposentada se aproximou. Alexandre Israel, vulgo Alex, como gosta de ser chamado, tem 35 anos, trabalha com obras de acabamento e está sempre presente no meio do movimento feminista, prática que herdou da mãe já falecida. “Há 15 anos o movimento não estava como está hoje e ela sempre se impôs, não levantava uma bandeira, mas ela me ensinou o certo no cotidiano, no dia a dia, quando dialogava com outras mulheres que eram oprimidas no lar.  Foi uma coisa para mim que veio de casa. Hoje meu ciclo de amizade é basicamente formado por mulheres e homossexuais então fui entendendo cada vez mais as minorias. Acredito que a cultura é machista, antigamente eu mesmo já fiz comentários sem perceber, então meus amigos foram me mostrando certas coisas erradas, por exemplo em uma batalha de rap disse para ofender outro competidor que ele tava rimava como uma ‘mulherzinha’ e uma amiga chegou pra mim e disse ‘isso é ruim por que? Mulher não sabe rimar? Isso tá errado’ e bateu um clique em mim, então nessas pequenas coisas do cotidiano, fui fazendo essas reflexões. Percebo também que muitas vezes homens não dão ouvido as mulheres e quando eu faço o mesmo discurso de uma mulher eles ouvem”.

A ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, também esteve presente no protesto e fez um sincero discurso contra o assédio e a opressão em meio a aplausos das mulheres presentes, mostrando que a união faz a força. Mulheres de diferentes vertentes do feminismo, como o feminismo negro e o liberal também estiveram presente na marcha e também fizeram declarações, mas ao mesmo tempo motivadoras nos megafones. Temas como Mulheres no Poder, Violência Sexual, Feminicídio e Violência Obstétrica também estiveram em pauta durante a passeata.