Entrevista

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Por Keven Souza

Ao longo das inúmeras reportagens já produzidas no nosso jornal, demos vozes a diferentes ações, projetos e vivências. Tivemos a oportunidade de apresentar pessoas e personalidades, cuja narrativa é ímpar e para lá de especial. 

E hoje, em comemoração ao Mês da Visibilidade Trans, é dia de contar a história de Gabriel Carneiro, homem trans, que passou pelo processo transitório com determinação e representa todos aqueles que não se identificam com o gênero que lhe foi atribuído em seu nascimento. O jovem detém uma trajetória de vida que irradia coragem, além de superação. Conheça-o!

Quem é Gabriel 

Gabriel Carneiro Campos é belo-horizontino, empresário, criador de conteúdo digital e ativista assíduo do movimento LGBTBQIA+. Com 27 anos de idade, é um rapaz apaixonado por acampamento, trilha, viagem e como grande parte dos mineiros, pelo Atlético/MG. Gabriel um dia fora Gabriela. Gabi, como ele a chama, fez parte da sua história enquanto indivíduo e moldou a personalidade do imponente ser que se tornou hoje. 

“O Gabriel é a junção do que a Gabriela construiu até uma determinada parte do caminho. Então, muito do que me tornei é sobre a Gabi”, conta ele, que apesar de ser um grande homem atualmente, sua história com a incongruência de gênero é antiga, quando ainda estava na adolescência. 

Aos 15 anos, em 2010, ardia em seu peito alguns instintos da não identificação com o seu gênero designado biologicamente, na época, o rapaz não entendia muito bem os ensejos do seu próprio eu, mas ia compreendendo os sinais que surgiam e de forma natural, e inconsciente, acabou ouvindo a sua real identidade. “Consigo entender perfeitamente que naquele momento algo já estava sendo reproduzido, mesmo que inconscientemente”, conta.

Durante essa fase havia pouco acesso e representatividade acerca do tema transsexualidade, no entanto, mesmo com a falta de informação sobre o assunto, a boa relação com si próprio trouxe a confiança e a firmeza de dar pequenos passos para se conectar com o universo masculino. 

A partir daí, Gabriel começou a discernir que não se encaixava naquele corpo feminino, a entender que os questionamentos eram apenas a inquietude de quem estava em busca da sua verdadeira identidade e que, desde sempre, se enxerga como homem. 

Relação com família e transição 

Seu vínculo com a família é uma exceção com base nos históricos de relacionamento familiar de transexuais no Brasil. O jovem, criado pelos pais, obteve o companheirismo e a empatia dos seus entes queridos durante todo processo de transição. Dentro de casa, estudou a melhor forma de contar que tinha tido coragem de ser quem ele realmente era. 

“Busquei a forma mais didática para falar com eles, entendi que eu teria que abordar o assunto de formas diferentes… não teria como ter a mesma conversa com minha avó e minha prima de 8 anos, por exemplo”, explica ele. 

Quando começou a obter independência financeira, deixou de raspar os pelos de seu corpo e iniciou a troca das peças de roupas femininas pelas masculinas. Uma decisão crucial, pois acreditava realçar sua masculinidade. “Com minha ‘liberdade financeira’ iniciei a troca do meu guarda roupa, não usava mais peças íntimas femininas, não tinha mais roupas daquele universo”. 

Na época, o menor dos problemas de Gabriel era dizer sobre o desejo de transacionar, já que o assunto vinha sendo trabalhado para não haver certas emoções. “Não tive problema! Era algo que eu deixava bem claro e muito certo do que estava fazendo, não queria e nem aguentava usar nada feminino mais”.

Foi próximo aos 22 anos que deu início ao tratamento hormonal. A aceitação da família foi fora da curva, de modo leve, pautado por trocas e descobertas. “Eles não entendiam nada sobre o assunto, porém estavam lá se esforçando dia após dia para me acolher da forma mais honesta possível. Havia alguns deslizes, mas eu entendia que acabaria com o tempo e foi assim, com respeito, que fui levando e recebendo todo apoio.”

O processo, a priori, foi libertador e tranquilo. Em 2018, custeava cerca de duzentos reais mensais para a terapia de reposição hormonal que acontecia através do atendimento particular. Durante esse período, após um ano de acompanhamento médico, Gabriel acabou perdendo o emprego – que era sua principal fonte de renda na época – e teve que continuar o tratamento através do Sistema Único de Saúde (SUS), no Ambulatório Trans do Hospital Eduardo de Menezes em Belo Horizonte, oferecido gratuitamente. 

O rapaz sentiu grandes emoções com a demissão, mas jamais pensou abrir mão da terapia. “Em nenhum momento passou pela minha cabeça desistir. Muito pelo contrário, estava ciente de tudo que eu poderia perder com minha escolha, mas nada no mundo me assustava mais do que não ser eu, então desistir nunca foi uma opção!”

Hoje em dia, Carneiro mantém o acompanhamento médico, uma vez que o processo tende a durar toda a vida, e para ele chegar onde chegou é dar valor à sua própria trajetória. “Eu sempre deixo claro sobre ser um homem trans e o orgulho que sinto disso”.

Gabriel e a família

Empenho à luta trans

Ser uma pessoa trans no Brasil não é fácil – o país mantém liderança no ranking mundial de estado que mais mata transexuais, de acordo com a ONG Transgender Europe (TGEU). Mas Gabriel, mesmo com tantas adversidades e talvez certos privilégios, se empenha pela causa, na qual tem orgulho e enxerga importância. 

Sua luta pode parecer única, invisível, diante de tantas outras, porém, a coragem de ser quem realmente é realça o desejo permanente pelo reconhecimento e a liberdade de existência da sua população. Por isso, participar de projetos, ações e movimentos ligados à transexualidade é um ato constante que faz parte de seu propósito. “Meu corpo é político e a urgência dessa luta é enorme, já que o nosso país é o que mais mata pessoas trans no mundo”, desabafa. 

Atualmente, Gabriel tem sido voluntário ativo de uma ação para pessoas trans que foram afetadas pelas fortes chuvas em BH. Trabalho significativo que representa a sensibilidade pelo outro. “A pessoa que eu ajudo, de algum modo, fortalece outro companheiro(a) de caminhada e juntos vamos tendo acesso, chegando em lugares que nossos corpos não tem espaço para ocupar”.  

Nas redes sociais não é diferente! Com serenidade, seu trabalho social ganha voz, corpo e imagem através de vídeos de conscientização e publicações voltadas à causa. Onde busca de forma politizada dar fim a preconceitos, baixa representatividade trans e atuar na falta de informação. “A maioria das pessoas têm acesso à internet, por isso o objetivo central é criar uma rede de apoio e conhecimento de forma didática, além de levar acesso às pessoas trans e aqueles aliados ao nosso universo”. 

Recado para marcar o Mês da Visibilidade

“Ser você é o maior presente que você pode lhe dar. Então se acolha, se permita e seja carinhose com você mesmo. A transição é a maior universidade da existência, a viagem muitas vezes é dura, o caminho incerto, mas pode ter certeza que o trajeto começa aparecer à medida que você vai dando seus passos. Para este mês da visibilidade deixo uma frase autoral que diz assim: ‘Que sua imensidão não seja limitada por pessoas vazias’. Então, fique firme!”, diz Gabriel.

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Por Bianca Morais

A diabetes é uma doença global, pelo mundo milhões de pessoas vivem com ela, e não necessariamente é causada pelo consumo excessivo do açúcar, mas por fatores genéticos, comportamentos sedentários, obesidade, hipertensão entre outros.

Um diagnóstico de diabetes não deve significar o fim do mundo, ao contrário, é uma possibilidade de viver uma vida saudável, sem ter que abrir mão de tudo, mas aprendendo a se controlar e ter cuidados.

 A Sociedade Brasileira de Diabetes mostrou que em 2019, mais de 13 milhões de pessoas viviam com a doença no país. E apesar dos obstáculos, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito para a doença, fazendo a distribuição de insumos matérias como aparelho de medir glicose, tiras reagentes, insulina, seringas e agulhas. 

A luta contra a diabetes é algo constante e o autocuidado preventivo é essencial, afinal ela é uma doença crônica que precisa de cuidados por toda a vida. No dia 14 de novembro, é celebrado o Dia Mundial da Diabetes, como uma forma de conscientização a respeito do assunto.

Em comemoração a data de hoje, o Jornal Contramão traz uma entrevista com a jovem Beatriz Porto, de apenas 14 anos. Ela estudante do Ensino Fundamental e convive com a doença ainda bebê. Como convive desde muito nova com a doença, Beatriz não vê sua condição como um problema. Viver com diabetes não a impede de fazer o que gosta, como praticar vôlei, sair com os amigos e primos e assistir suas séries favoritas.

Confira a seguir a entrevista com a adolescente.

Com quantos anos você descobriu a diabetes e como foi? 

Eu descobri que tinha diabetes com um ano e meio de idade, não lembro como foi, pois era muito nova, mas pelo que me contam foi algo surpreendente. 

Minha mãe diz que no dia em que descobrimos eu estava na natação da minha irmã mais velha, a Brenda, e estava muito quietinha em um canto, quando saímos fui para casa da minha avó e ela disse para minha mãe me levar na minha pediatra, a doutora Helena. 

Ao chegar lá, minha mãe contou sobre os sintomas e imediatamente a doutora me mandou direto para o hospital e falou que podia internar que eu tinha diabetes, ela mesma já sabia e fizemos o exame só para confirmar. No hospital, minha mãe disse que eu chorava muito e não queria ficar com ninguém.

Como foi a reação da sua família? 

Minha família ficou meio assustada, porque foi de repente que eles descobriram que eu tinha diabetes, mas eles me apoiaram e me apoiam até hoje.

Alguém da sua família tinha diabetes?

Na minha família nós temos predisposição, só que o tipo de diabetes que temos predisposição é o tipo 2, no qual a gente toma remédio, no meu caso minha diabetes usa a insulina, então é diferente, a minha diabetes não foi por família.

Qual seu tipo de diabetes? E o que isso significa?

O tipo de diabetes que eu tenho é o tipo 1, mas conversando com minha médica ela entendeu que meu caso é tipo mody, que é um pouco diferente. A diabetes tipo 1 é aquela que faz uso de insulina porque o pâncreas não funciona, ele funciona a zero por cento e isso significa que você precisa injetar insulina em si mesmo. 

A diabetes tipo 2 é a que você usa o remédio, o pâncreas funciona mas a célula que precisa introduzir a insulina dentro do sangue não consegue captar essa insulina, precisando do remédio para funcionar. 

A diabetes tipo mody, que é a que eles acham que é a minha, é assim, meu pâncreas funciona na hora que ele quiser, parece ter vida própria.

Você descobriu a diabetes muito nova, consequentemente acabou crescendo e aprendendo a viver com ela. Quando mais nova seus pais conseguiam controlar sua alimentação, e agora que você está maior você sente dificuldades em se controlar sozinha?

Não, eu não sinto nenhuma dificuldade em controlar a minha alimentação sozinha. A minha alimentação é um pouco diferente, ela não é igual a de alguém que não tem diabetes, mas também não é igual a uma pessoa que tem diabetes, como meu pâncreas funciona na hora que ele quer, é um pouco mais difícil de controlar, mas ainda dá super certo.

Como é viver com diabetes?

Viver com diabetes é um pouco complicado, porque você tem que estar sempre se controlando, se a glicose estiver um pouco baixa você começar a sentir dor de cabeça, começar a ficar tonta. E quando você fica com ela muito alta pode acontecer a dor de cabeça e também a agitação provocasa pelo excesso de açúcar no sangue. 

Depois de descobrir a diabetes você teve algum caso de urgência ou precisou ir ao hospital?

Sim, uma vez quando eu era muito novinha, era festa de aniversário do meu primo, eu estava brincando no parquinho e tinha uma mesa de doces próxima, porque era festa de crianças, e como eu era pequena ainda não sabia o que era diabetes eu só estava comendo muito doce, e acabou que essa foi a primeira vez que eu fui parar no hospital depois de descobrir a doença.

Como foi chegar na escola pela primeira vez e perceber que seus colegas não eram como você?

Como eu tenho diabetes há muito tempo, a primeira vez que eu fui a escola eu não me lembro ao certo, mas perceber que meus colegas tinham um jeito diferente foi um pouco assustador, porque eu achava que todo mundo era assim e descobri que não. Com isso, fuime aprofundar um pouco mais e entendi mais ou menos o que estava acontecendo.

Você procura se informar sobre sua doença?

Sim, procuro me informar e muito, faço várias pesquisas e converso muito com minha médica.

Você sente medo? 

O medo em si eu não sinto, eu sinto mais ansiedade, desconfiança, tentando descobrir o que pode mudar essa situação que eu vivo, não sei muito expressar, às vezes fico com raiva e pensando porque não posso comer aquilo se todo mundo pode. 

Qual a pior parte de ter diabetes?

A parte mais ruim é eu ter que me furar todo dia, ter que tomar insulina, ter que furar o dedo para olhar a glicose, essa é a parte mais ruim.

Seu tratamento é caro?

O tratamento em si é caro, mas só que eu consigo o suporte do SUS. Então, a gente sempre consegue pegar a insulinas, os exames, as fitinhas, daí não gastamos muito, mas de vez em quando acontece do governo não mandar a insulina e termos que comprar, e é muito caro.

Como é sua rotina? Segue alguma dieta específica?

A minha rotina ela é bem centrada, eu vou para escola, faço minhas tarefasm assisto tv, tenho que fazer alguma atividade física todos os dias para tentar sustentar a glicose no sangue. Sim, eu sigo uma dieta específica, até pouco tempo atrás eu não seguia, porque eu ainda não tinha conseguido uma nutricionista para mim, só que depois consegui sigo uma dieta super especifica e controlada.

Você sente vontade de comer alguma coisa e não pode?

No meu caso como eu expliquei, a minha diabetes é tipo mody, a minha alimentação é diferente de um diabético tradicional. Eu posso comer doce à vontade, eu só preciso controlar com a insulina. Um diabético tradicional não pode comer doce de forma alguma, a não ser que sua diabetes esteja baixa, mas eu nunca senti vontade de comer algo que eu não possa, porque sempre fui liberal, sempre pude comer tudo.

Qual sua dica para viver bem com a diabetes?

Minha dica é sempre se controlar, usar a insulina da forma correta como o médico explica, usar todo o equipamento, fazer exame controlado, deixar o açúcar correto no sangue, e sempre controlar açúcar no sangue.

Por Bianca Morais 

Atire a primeira pedra quem nunca gostou de um artista ou banda famosa, colocou poster d pelo quarto, mandou uma mensagem no Instagram, ou foi em um show cantar bem alto suas canções. 

A série de reportagens de sonhos adiados vai contar hoje a história das amigas Isabella e Mayura, que chegaram muito perto de ver a banda que gostam ao vivo depois de muitos anos sem assisti-los, mas que com a pandemia tiveram que adiar o sonho de ver os ídolos de pertinho. 

O início 

Isabella Procópio e Mayura Rinco são amigas de infância, e por volta do ano de 2004, no auge de seus 14 anos, Isabella apresentou a Mayura uma banda que havia conhecido na internet, o Mcfly. 

“Lembro que eu estava baixando música na internet, procurando dos Beatles e apareceu um cover do Mcfly. Eu já gostei de cara, da voz de tudo, baixei mais duas músicas e me viciei, escutava o dia todo”, conta Isabela.

Logo depois que ela conheceu a banda, os artistas estouraram com por terem uma música na trilha sonora do filme “Sorte no Amor”. Isabela conheceu ali a sua maior paixão de fã. Vale lembrar que na época, conhecer músicas de artistas internacionais não muito famosos, não era uma tarefa fácil, e se não fosse a coincidência de achar o cover deles dos Beatles ou o filme, as duas jamais teriam tido acesso a eles.

“Eu nunca gostei tanto de uma banda na minha vida igual eu gostei dessa, foi um vício que assim, ninguém na minha casa estava aguentando mais, eu só ouvia eles, só falava deles”, completa ela.

Isabella não podia viver esse sonho sozinha, por isso, apresentou a melhor amiga Mayura uma música e na mesma hora ela se apaixonou também. 

“Como toda boa amiga ela empurrou para mim o conteúdo e eu tive que aprender a gostar”, relembra Mayura.

Mas no fundo não foi nenhum sacrifício, a banda formada por quatro jovens artistas ingleses, encantou as duas logo no início e de longe elas sempre sonharam em poder ir a um show dos rapazes.

 

A primeira vez a gente nunca esquece

Foi em 2008, quando as duas descobriram que eles viriam ao Brasil pela primeira vez, para as adolescentes foi algo muito emocionante, afinal a banda era algo muito distante, e por não serem muito conhecidos jamais acreditavam que conseguiriam assistir um show deles ao vivo no Brasil. 

“Era algo que a gente só via pela internet, nem na tv, eles não eram muito famosos a ponto de aparecer sempre, então quando eles vieram em 2008 fizemos de tudo para ir”, conta Mayura.

Na época, Mayura era menor de idade e trabalhava apenas meio horário na loja de seu tio, Isabella tinha acabado de completar 18 anos e mesmo com pouco dinheiro, juntaram o que tinham e embarcaram para São Paulo. O irmão de Isabella morava na cidade, por isso, as duas tiveram onde ficar, no entanto, o dinheiro que tinham para passar os dias, acabaram comprando ingresso para outro dia de show.

“Iriam ter dois dias de show, 28 e 29 de maio, o show principal era dia 29, como esgotou eles abriram outro show extra, a gente comprou ingresso para o dia 29 e chegando lá nós pegamos todo o dinheiro que tínhamos para comer e compramos ingressos para ir no dia 28 também. E passamos dois dias só comendo promoção do McDonalds”, explica Mayura

“A gente tinha 18 anos, só que assim, as duas sem trabalhar, aquela confusão, mas conseguimos juntar dinheiro e pensamos vamos. No primeiro dia ficamos quase seis horas na fila, assistimos o show e depois que acabou, voltamos para fila do segundo, tudo isso para poder assistir a banda” relembra Isabella. 

A dupla de amigas já passou por vários perrengues pela banda, dormiram na fila do show para ficar na grade, passaram frio e tomaram chuva. Mayura acabou se sentindo mal e tiveram que ir para a parte de trás. Na volta para Belo Horizonte, Mayura foi internada com amidalite. Enfim, nada que uma boa fã não faria pelo ídolo adorado.

As amigas na fila do show

No ano de 2009, Mcfly voltou ao Brasil, dessa vez para a capital mineira, Isabella e Mayura “ganharam” uma promoção da Jovem Pan, com a ajuda de um primo da Isabella que trabalhava na rádio e conseguiram conhecer a banda pela primeira vez.

“Foi o primeiro show deles em bh, foi maravilhoso, mesmo esquema, horas na fila, só que esse ano, foi mais especial porque a gente conseguiu pela primeira vez ver eles de perto, foi bem rapidinho, só deu tempo de falar oi, mas foi sensação de outro mundo”, conta Isabela.

Na época, realizar todos aqueles sonhos era algo muito inédito para as duas, redes sociais como Instagram, onde os fãs conseguem ter contato muito próximo com seus ídolos era algo que não existia. 

“Eles eram inalcançáveis e de uma hora para outra se tornaram reais. Nessa fase o máximo que nós tínhamos era orkut, então colocávamos na frente do nome um parêntese com as datas com quantos dias faltava para o show”, completa Mayura.

Mayura e Isabela com a banda Mcfly

As expectativas para o retorno da banda aos palcos

As duas jovens aproveitaram e muito o pico da banda que gostavam. Acontece, que depois de muito tempo nas paradas, o Mcfly deu uma longa pausa nos palcos, e nesse tempo Isabella e Mayura, aquelas adolescentes que dormiam na fila do show, cresceram, amadureceram, Isabella acabou saindo do país para morar um tempo fora e Mayura se formou em odontologia e seguiu a carreira de dentista.

Em setembro de 2019, o grupo britânico anunciou o retorno aos palcos, nenhum show tinha sido confirmado ainda no Brasil, mas as expectativas e certezas das meninas eram altas. 

“A sensação era maravilhosa, a gente velha já, vários anos depois, não quisemos nem saber, iríamos de qualquer jeito”, confidencia Isabela.

No mês seguinte a banda confirmou, para a alegria dos fãs, os shows em março de 2020. A tour passaria pelas cidades de Belo Horizonte, Uberlândia, Rio de Janeiro, São Paulo, Ribeirão Preto, Curitiba e Porto Alegre. Em questão de segundos depois de começarem as vendas, elas já estavam com ingressos em mãos, se dependesse delas, comprariam para todas as cidades, porém acabaram adquirindo apenas para Belo Horizonte e Uberlândia.

“A gente ia ver em BH e em Uberlândia, BH porque a gente mora aqui e Uberlândia porque acreditávamos que seria mais fácil ter acesso a banda por lá, por ser uma cidade menor, encontrá-los no hotel para tirar fotos. Mas eu acho que no final das contas eu ia acabar fazendo alguma dívida e ia pro Rio de Janeiro ou São Paulo também. Eu ia fazer outra loucura igual eu fiz da primeira vez que não tinha grana para pagar”, brinca Mayura.

Para as duas, os shows seriam além de reviver toda aquela paixão pelo Mcfly, também o reencontro, já que Isabella estava morando em Portugal na época, e viria ao Brasil apenas para assistir aos shows ao lado da amiga.

“Começamos a fazer os planos e se preparar logo depois da confirmação, mesmo sem ter certeza se daria pra ir, até porque eu morava em portugal, estava estudando lá na Universidade do Porto, então eu fui na loucura, falei que ia, mas sem saber se daria certo. Foi de setembro até março nessa expectativa”, recorda Isabella. 

 

A chegada da Pandemia e o adiamento de tudo

Os shows do Mcfly no Brasil estavam programados para acontecer a partir do dia 19 de março, o primeiro inclusive, seria em Uberlândia onde as meninas já estavam com ingresso comprado e hotel reservado.

“Quando chegou janeiro e a pandemia começou a se espalhar pela Europa comecei a ficar com medo, só que eu não tinha ideia que ia chegar na proporção que chegou, porque até então o Brasil ainda estava teoricamente tranquilo” pensava Isabela. 

Acontece que desde o começo daquele mês uma grande quantidade de shows, principalmente internacionais, estavam sendo adiados ou cancelados no Brasil, já que a pandemia da Covid-19 começava a se expandir pelo país. 

Até o último momento elas não deixaram de acreditar que os shows aconteceriam, apesar de tudo ao redor dizer que não. Foi de fato no dia 13 de março, faltando menos de uma semana para que elas enfim pudessem assistir novamente, quase 10 anos, a banda favorita ao vivo, que saiu o anúncio do adiamento.

“De jeito nenhum eu imaginei que isso aconteceria, foi tanto tempo esperando, literalmente quase uma década, para faltando poucos dias ele ser adiado”, desabafa Mayura.

“Eu ainda fazia planos, Mayura e eu combinamos tudo, comprei a passagem, com muito custo, até porque eu nem podia, é muito cara viajar de lá para cá e eu já tinha vindo em dezembro, mas pelo Mcfly eu dei um jeito. Estava muito empolgada, mas o tempo passou e percebi que não ia ter o show, nem tinha como, mesmo assim eu vim na expectativa, e só quando eu cheguei aqui eu tive a confirmação de fato que ia ser cancelado”, revela Isabela.

Por fim, a pandemia não adiou apenas os shows mas também o reencontro das amigas, pois Isabela chegou a vir para o Brasil mas as duas não conseguiram se encontrar por causa do isolamento social.

Os prejuízos

Antes da pandemia, quando uma empresa responsável por um show tinha que adiar ou cancelar algum evento, geralmente cada uma tinha sua política, mas de uma maneira geral o consumidor poderia solicitar a devolução do dinheiro. No entanto, com o cancelamento em massa de shows, o governo estabeleceu uma medida provisória que dispensava essas empresas de reembolsarem em dinheiro, permitindo a devolução em créditos.

Com isso, não apenas Isabela e Mayura ficaram no prejuízo pelos ingressos adquiridos para dois shows, como todos os outros fãs ao redor do Brasil que haviam comprado ingresso para ver o ídolo. 

“Foi muito frustrante, principalmente porque não sei se foi algo adiado ou cancelado, não adiou para uma data certa, não sabemos até hoje quando eles podem vir novamente. Quanto ao dinheiro nem tento mais, apenas tenho retornos automáticos, aquelas mensagens padrão que enviam para todo mundo”, diz Mayura.

“Eu tenho esperança que vai ter o show e que eu vou poder usar esse ingresso, até porque eu tenho certeza se eu vender o ingresso, quando eles voltarem eu vou surtar e querer ir de qualquer jeito, prefiro deixar ele garantido, a esperança é a última que morre, ainda mais fã de Mcfly que está acostumado a nunca desistir”, confessa Isabella.

No caso de Isabella, o prejuízo não foi apenas do show, mas a garota veio ao Brasil exclusivamente para assisti-lo. “Comprei a passagem para o começo de março e voltaria no começo de abril, porém com a pandemia os aeroportos fecharam e não consegui voltar para Portugal”, lembra ela.

Isabella estava em período de provas e trabalhos na faculdade, mas sem condições de voltar, acabou se prejudicando. “Eu entrava em contato com a companhia aérea, com o aeroporto, com tudo, mas o mundo estava parado. E quando consegui realmente voltar a passagem estava absurdamente mais cara”.

A sensação de se adiar um sonho além de frustrante também é decepcionante, para Mayura além de estar indo ver sua banda favorito depois de ano, seria também a primeira vez que teria condições financeiras para não passar por perrengues como sobreviver a base de mcdonalds, dessa vez como adulta que se tornou poderia fazer algumas refeições a mais e ainda assistir os ídolos de perto. Também seria a primeira vez que iria viajar de carro para longe, enfim vários sonhos que foram adiados mas de forma alguma cancelados.

Foram 10 anos esperando a banda retornar aos palcos, as garotas já até tinham se acostumado a ideia de talvez nunca mais os ver juntos ao vivo e compartilhar aquele sentimento antigo de cantar bem alto todas as canções, cercadas de outros milhares fãs. O Mcfly voltou, elas viram de longe pelas redes sociais, os shows que aconteceram no final de 2019 em Londres e aguardavam ansiosamente pela sua vez, aquela sensação que permaneceu adormecida por uma década voltou com tudo, e elas chegaram muito próximas de reviver a juventude, dias, horas, porém a pandemia mais uma vez atrapalhou os sonhos planejados.

Nunca no último século o mundo cogitaria viver uma situação parecida com o que a pandemia da Covid-19 causou, ela abalou as crenças de muitos, mas como vimos na série de reportagens, sonhos nunca devem ser cancelados, e sim adiados, e a dupla de melhores amigas sabem disso, independente do prejuízo, elas vão manter os ingressos, porque sabem que pode demorar um, dois, ou até dez anos, como já aconteceu, mas elas vão esperar pelo Mcfly, assim como a Jordania seu intercâmbio e a Enza seu casamento. 

Pelo olhar do artista

Cantor Thiago Pinelli

Os impactos foram ainda maiores para os músicos. Muitos artistas, principalmente os independentes sofreram e muito com os efeitos causados pela pandemia. Nossa equipe entrevistou o cantor Thiago Pinelli, de 31 anos, que nos contou como tem sido superar esses obstáculos. 

Thiago é cantor sertanejo, antes do isolamento social se apresentava em bares, festas e casas de shows em Belo Horizonte e cidades de Minas. Já tocou em lugares de renome como Alambique e Observatório, agora com a retomada dos eventos está preparando muitas coisas novas para o público. Confira: 

  • Há quanto tempo você está no mercado da música e como começou nele?

Estou no mercado há dez anos. Na verdade, comecei minha carreira cantando em igreja. Em casa eu e meu irmão cantávamos de brincadeira e reuniões de família e amigos, quando numa dessas brincadeiras surgiu a vontade de formarmos uma dupla e cantar profissionalmente.

 

  • Como era a situação do mercado de shows para você antes da pandemia?

Quando dupla fazíamos bastante shows na região de Ouro Branco e Lafaiete, viemos para Belo Horizonte onde também fomos bem recebidos pelo público e casas noturnas, posso dizer que não ficávamos parado, sempre tínhamos shows e apresentações.

 

  • Tinham muitos marcados para acontecer?

Sim, estávamos com uma agenda muito satisfatória para quem tinha recém-chegado à Belo Horizonte.

 

  • Quando começou a pandemia você tinha ideia de que ela poderia atrapalhar tanto o seu trabalho como artista?

Não, Era uma doença nova e só com passar dos dias é que percebemos a gravidade disso tudo. Junto com o vírus vieram os cancelamentos das datas já marcadas, ai sim foi que a ficha caiu e passamos a perceber o que realmente estava acontecendo.

 

  • Como foi quando caiu a ficha de que os shows, todos os planos de gravações e novos projetos teriam que ser adiados?

Em Abril de 2020, quando os contratantes começaram a ligar para o escritório e cancelar as datas dizendo que estavam assustados com as reportagens e que não teriam datas certas para voltar aos shows, ai foi um baque pois no inicio da pandemia as datas eram adiadas e depois passaram a ser canceladas. Isso tanto nos shows como nos estúdios para gravações.

 

  • No começo da pandemia, quais foram as maiores dificuldades pelas quais você passou?

Largamos tudo o que tínhamos de segurança em nossa cidade para abrir novos espaços em Belo Horizonte, com a pandemia a maior dificuldade foi nos mantermos aqui na capital, sem shows e sem renda. 

 

  • O que os shows significavam para você tanto em questão de carreira quanto de realização pessoal?

Tudo! Cantar é minha paixão, eu estando no palco cantando é uma realização pessoal e profissional ou seja os dois andam lado a lado, juntos e misturados! E agora em carreira solo, significa mais ainda!  

 

  • Você teve prejuízos em relação a contratantes, quebras de contratos, atraso de salários?

Não digo prejuízo, posso dizer que deixei de ganhar. Os contratantes não tiveram culpa de algo que atingiu o mundo, não podemos cobrar deles essa conta. Mas, é complicado ficar parado, deixar de estar perto dos fãs, de fazer o que eu mais gosto!

 

  • Você trabalha apenas como músico ou tem trabalho paralelo para se manter?

 Vivo da Música, sou focado 100% na minha carreira, porém na pandemia fui ajudar meu pai na empresa de engenharia elétrica dele, precisava me manter! 

 

  • Como tem sido a sua rotina sem os shows ao vivo? Tem surgido alguma oportunidade de trabalho nesse tempo? Chegou a fazer lives?

Agora as coisas estão retomando devagar. Abri a agenda e já estou fazendo algumas apresentações em bares e casas de show em BH e Nova Lima. Mas, quando tudo estava parado, fiz apenas uma live na cidade de São Lourenço (MG). 

 

  • Pensou em algum momento em desistir da carreira?

Jamais! A música é minha vida, não me vejo fazendo outra coisa. Aproveitei esse momento para me dedicar à carreira solo, ensaiar bastante e focar em projetos para o pós-pandemia. 

 

  • E quais são esses projetos?

Bom, na verdade já comecei a colocar em prática um sonho que tenho há muito tempo, com a pandemia e os cancelamentos de shows, os trabalhos parados eu e meu irmão conversamos e resolvemos seguir caminhos diferentes. Como disse, meu sonho antigo era seguir carreira solo e venho fazendo meu trabalho gravando vídeos e movimento minhas redes sociais para que quando voltar a vida normal, o público e os contratantes já saberem desta nova fase da carreira solo.  

 

  • Quais são suas expectativas para quando voltar aos palcos?

Apesar de já ter completado 10 anos de carreira, acaba que nessa nova trajetória tudo ainda é novidade, mas claro que a expectativa é voltar a agenda recheada e conquistar meu espaço no mercado. Para isso, eu e meus produtores estamos realizando um trabalho intenso de preparação e produção de conteúdo. Queremos trazer muitas novidades e muita música boa para meu público. 

Conheça o trabalho do Thiago Pinelli no Instagram.

 

Revisão: Daniela Reis 

Por Keven Souza

Tatiane Franco Puiati que é mestra em Gestão Estratégica de Organizações, trabalhou por muito tempo à frente das operações do Centro Universitário Una, onde assumiu o cargo de Diretora dos campi do Barreiro, Betim e Contagem na região metropolitana de Belo Horizonte. A institução obteve crescimento exponencial de alunos, durante sua liderança, e através do empenho corporativo conquistou nota máxima nos indicadores de qualidade acadêmica do MEC.  

Após uma administração de muito aprendizado e crescimento profissional, Tatiane finaliza seu ciclo junto à Una, sendo solícita ao aceitar o convite de trabalhar como diretora nacional da operação EBRADI (Escola Brasileira de Direito) e da Vertical da área de Ciências Jurídicas, que também compõem o Grupo Ânima. Em entrevista para o Jornal Contramão, Puiati compartilha sobre sua trajetória como diretora regional e traz experiências de vida e mercado, enquanto mulher, além de nos contar sobre quais são as expectativas para atuar nessa nova fase em sua carreira.

Tatiane Puiati

O que te motivou a querer ser líder regional, e como surgiu o convite? 

Sou uma mulher apaixonada pelo poder transformador da educação, onde desde os sete anos descobri minha vocação para ensinar. Em 2013, movida por esse propósito, aceitei o convite do reitor Átila Simões para implantar a primeira unidade de ensino técnico na Ânima Educação, pelo Pronatec e concomitante fui contratada também, pelo diretor Rodrigo Neiva, no Unibh, para assumir a coordenação do curso de Administração nos campi Estoril e Antônio Carlos. 

Implantamos o curso técnico em todas as marcas do Grupo Ânima tanto em Minas Gerais quanto em São Paulo. Foram mais de dez mil jovens impactados pelo programa e que tiveram seu projeto de vida realizado. Com o término do Pronatec, em âmbito nacional, auxiliei no processo de descentralização da pós-graduação na Ânima com Ricardo Cançado e Inês Barreto e, em 2016, Átila Simões e Carolina Marra me convidaram para assumir a gestão no Centro Universitário Una do campus Contagem. Um campus que tinha 1.800 alunos e com um potencial de crescimento muito grande. Inspirada pela gestão de Átila Simões e Carolina Marra, aceitei o convite. 

 

Durante sua trajetória, quais as principais ações e projetos que realizou na Una?

A Una para mim representa uma história de superação e crescimento pessoal e profissional. Não realizei nada sozinha, o resultado de qualquer líder é reflexo e consequência do trabalho de um time. No meu caso, formamos juntos um time de alta performance, do qual me orgulho. 

No campus de Contagem, estou há cinco anos, conseguimos transformar a Faculdade Una em Centro Universitário com nota máxima pelo MEC em 2019, atuando hoje com mais de cinquenta cursos superiores e pós-graduação, com alguns em destaques nacionais e regionais, posicionados como os melhores da cidade pelo INEP. Além disso, passamos de 1.800 alunos em 2016, para mais de 5.000 alunos em 2021, e neste ano inauguramos o primeiro Centro Médico Veterinário de Contagem e a primeira Clínica de Odontologia.

Em Betim, estou há três anos, saímos do Índice Geral de Cursos (IGC) nota 3, para nota 4, tendo esse ano alcançado o destaque histórico na Una de maior IGC Contínuo entre todas as instituições de ensino superior privadas de Minas Gerais. No mesmo ano e período do campus Contagem recebemos a visita do MEC para transformação da Faculdade em Centro Universitário, alcançado o resultado sensacional de nota máxima pela Comissão do MEC. Atualmente estamos trabalhando na expansão do campus no município e também no crescimento do portfólio, principalmente na área de Saúde e Ciências Agrárias, e já passamos de 1.700 alunos em 2018 para mais de 3.000 em 2021. 

O presente mais recente foi aceitar a gestão do campus Barreiro, desde setembro de 2019 estou na liderança desse campus encantador que comemora 15 anos na região, fazendo um trabalho louvável de transformação de toda comunidade e entorno. Atuamos no crescimento e expansão do campus Barreiro, principalmente na área de Saúde, Ciências Jurídicas e Ciências Agrárias. Inauguramos esse ano clínica integrada de saúde para atendimento à comunidade nas áreas de psicologia, estética, nutrição e fisioterapia. Neste feito, estivemos no crescimento exponencial da marca de mais de 3.000 graduandos. 

Todos esses indicadores de qualidade acadêmica alcançados durante esses cinco anos na gestão dessas operações da região metropolitana de Belo Horizonte, são frutos da dedicação incondicional e qualidade do nosso time de docentes, coordenação acadêmica, time administrativo e do comprometimento dos nossos alunos.

Tatiane Puiati e Átila Simões, ex-reitor da Una

Como era sua relação com os docentes, professores e alunos? 

Meu estilo de gestão sempre foi estar próxima da sala de aula de alguma forma. Minha primeira ação, sempre que assumi as operações, foi pedir para afixar um cartaz com todos os meus contatos, incluindo o meu celular com WhatsApp para todos os alunos, ou seja, inúmeros alunos possuem meu contato. Acredito que em uma instituição de ensino tudo acontece dentro de uma sala de aula e nessa trajetória tive que enfrentar vários desafios, ideias divergentes da minha e foi através do diálogo e escuta dos nossos alunos, professores e  coletivos que percebi inclusive minhas próprias falhas enquanto profissional. Todos os diálogos só me fizeram crescer como pessoa e como profissional. Os alunos e professores que mais contribuíram para o meu crescimento não foram os que me elogiavam sempre ou concordavam com todas as minhas falas e sim aqueles que traziam o ponto de vista divergente, críticas construtivas que me fizeram entender o que é realmente ter “empatia”.

 

Quais lembranças irá levar da sua jornada nesses anos como Diretora da Una? 

Vou levar inúmeros ensinamentos que aprendi nessa jornada com todos reitores que tive o privilégio de conviver na Una: a liderança inspiradora do Átila Simões; a habilidade e a abertura para o diálogo com a Carol Marra; a garra e coragem empreendedora da Débora Guerra; a sabedoria  do Ricardo Cançado e Marcelo Henrique; e o discernimento e assertividade na gestão de times do Rafael Ciccarini.

De cada liderado dos campi Contagem, Betim e Barreiro levarei o sentimento de gratidão por tamanha dedicação e entrega acima do esperado, superando todos os desafios. Por maior que fosse uma grande incitação, meu time, nunca achou que seria impossível. Fomos juntos e superamos sem saber que era praticamente impossível.

Dos professores(as) levarei a certeza de que a qualidade de qualquer instituição de ensino superior depende da qualidade e paixão dos seus professores. Tive a oportunidade de trabalhar ao lado desses grandes mestres, consequência disso é termos alcançado os melhores indicadores de qualidade acadêmica que se espera de uma instituição de ensino superior no Brasil.

E aos alunos, levarei com lágrimas nos olhos, o que realmente me move na  Ânima, pois é para eles e por eles que tentei sempre fazer o meu melhor na gestão. Não há nada no mundo mais gratificante do que ver a felicidade no olhar de cada aluno(a) que subiu ao palco da colação de grau para pegar o seu diploma. Aquele momento em que os pais se emocionam com a história e conquista de seus filhos é onde se concretiza o meu propósito de vida, o meu propósito de trabalhar na educação e o legado que quero deixar da minha história. 

 

Em sua trajetória profissional, você é graduada em Administração, e especialista em Gestão Educacional e Financeira, durante esse período enfrentou dificuldades para se reerguer profissionalmente?

Há algo curioso em minha trajetória profissional, apesar de muitos anos na mesma empresa, sempre estou assumindo novos desafios, geralmente no prazo máximo de dois anos. A Ânima Educação é meu segundo vínculo empregatício, tive a sorte de trabalhar em grandes instituições de ensino do Brasil, no Senac  por dezessete anos e na Ânima desde 2013. Tanto no Senac como na Ânima, ainda não fiquei mais de dois anos na mesma função ou escopo de atuação.

Minha ascensão sempre foi algo natural, fruto do reconhecimento do trabalho dos times que estiveram comigo. Para mim reconhecimento não se exige, se conquista. Precisa ser simplesmente consequência de um trabalho e na Ânima nunca deixei de ser reconhecida pelos meus líderes.

 

Em relação ao cargo de Diretora regional, como foi a experiência de administrar os campi sendo uma mulher? 

A Ânima Educação é uma instituição diferenciada em que mulheres assumem o cargo de direção. Em Contagem fui sucessora do professor Janones, em Betim, sucessora de duas grandes mulheres: Elaine Benfica e Daniela Tessele, no Barreiro de Maurília e Vinícius Costa. Não tive resistência em nenhuma dessas sucessões, pelo contrário, fui muito bem recebida por toda comunidade acadêmica e pelos parceiros de cada município.

 

As mulheres estão cada vez mais a entrarem em espaços que antes eram dominados majoritariamente por homens, podemos dizer que na Ânima Educação, prezam pela equidade de gênero? 

A equidade de gênero está na essência da Ânima Educação, respeito e transparência são valores que sempre foram percebidos por mim na instituição. Começando pelo nosso Comitê Executivo que hoje possui 40% dos vice-presidentes ocupados por grandes mulheres. Para mim, a Anima sempre foi o lugar da diversidade e da inclusão. Basta observar o resultado das nossas pesquisas, seja com educadoras e educadores ou com nossas alunas e alunos. Algo que me deixou muito feliz foi acompanhar a criação do Ânima Plurais, sendo esse o primeiro passo para criação de fóruns de discussão, alocação de educadoras e educadores, entre outras ações.  

 

Na sua visão, enquanto mulher e líder, qual conselho daria para outras mulheres que estão em ambientes corporativos, mas tem medo de ocupar grandes cargos?

Eu diria que a primeira pessoa que precisa acreditar na mulher é ela mesma. Tudo começa dentro de nós quando nos permitimos acreditar. Sei e estudo muito sobre os desafios para nós mulheres em cargos de comando, em algumas empresas e áreas, onde cargos de comando são ocupados geralmente por homens, podemos dizer que ainda há muito que se avançar para o alcance da  equidade de gênero. 

Para exemplificar, no campus Contagem, fiz um processo seletivo para vaga de coordenação do curso de Direito. Neste processo participaram mais de oito candidatos, dentre eles mulheres e homens. A aprovada foi uma professora e no momento em que ligamos para a mesma para dar o resultado ela ficou incrédula de que realmente tinha sido aprovada para a vaga,pois estava grávida. Eu fiquei surpresa, pois em nenhum momento pensei em reprová-la por estar grávida, muito pelo contrário, só o fato de ser mãe já era um grande diferencial competitivo. Para mim, as mulheres já são grandes guerreiras. Sendo então, mulher e mãe, merecem nosso reconhecimento duplicado e estão prontas para qualquer tipo de desafio.

 

Quais são as expectativas para atuar na nova instituição? 

Fiquei feliz pela oportunidade de poder operar a implantação da Primeira Vertical de Direito do Brasil. Esse desafio é enorme e num momento muito importante para nosso Brasil que tem vivido retrocessos enormes no Direito e na Justiça. Pode essa ser uma enorme oportunidade para resgatarmos o orgulho e a Justiça no nosso País, ao lado do Dr. João Batista e Guilherme Soarez, executivos de grande referência e também grandes líderes na Ânima Educação, me deixaram muito animada, desafiada e feliz!

 

O que você diria para a Tatiane que iniciou a graduação, pós e mestrado, há muitos anos atrás, para a Tatiane de agora que atuou como diretora regional de diversos campi universitários? 

É simples, digo que envelhecemos quando deixamos de aprender e que morremos quando deixamos de acreditar em nós mesmos! 

 

 

 

Edição: Daniela Reis 

 

Por Bianca Morais 

Dando continuidade a série de reportagens sobre sonhos adiados, hoje o Contramão traz a história de Enza e Jeferson. Um casal que tenta se casar desde o começo do ano, porém com a covid-19 e suas restrições têm adiado a realização desse sonho, mas como jovens apaixonados que são, não desistiram de seu casamento e apesar dos milhares de perrengues enfrentados, esperam ansiosamente a vez de subir no altar. 

A história do casal

 

Enza e Jeferson, moram no interior do Espírito Santo e se conheceram na escola. Apesar de não serem muito próximos o ciclo de amizade era o mesmo, por isso, foi questão de tempo para que o destino os unisse. Em uma noite qualquer do ano de 2015, uma amiga de Enza que namorava o amigo de Jeferson, a chamou para comer um sanduíche com eles. Depois de deixar Enza em sua casa, a garota mandou uma mensagem para ela dizendo que Jeferson havia falado dela no carro, depois de muito insistir para saber o que, a amiga revelou que naquela noite ele disse que “Essa ai eu pego hein”.

Nenhum deles sabia naquele momento, mas aquele encontro despretensioso para comer um lanche seria o início de uma linda história.

O casal está junto há 6 anos, e ano passado resolveram dar um passo a mais na relação, e antes que pensem que esse passo seria o casamento, não é, esse seriam juntos embarcarem para o Canadá e começarem uma vida a dois fora do país. 

Jovens, cheios de sonhos e planos, o casal sabia que estarem casados facilitaria o processo de tirar o visto e embarcar rumo ao futuro juntos, por esse motivo, no dia 10 de julho de 2020, eles contaram aos seus pais a decisão e comemoram o noivado moderno. Moderno porque foi decidido de última hora e as alianças ainda não estavam em mãos, entretanto, isso não diminuiu a importância daquele momento. 

“A gente comemorou o noivado, mas não teve pedido, a gente só falou a bora casar. A aliança a gente foi no dia seguinte na loja encomendar”, conta Enza.

Noivos, e agora?

Dado esse passo, agora eles tinham todo um casamento para planejar, isso, contando que ele deveria acontecer até janeiro de 2021, para que os planos que fizeram de ir para o Canadá, onde Enza iniciaria seu mestrado no meio do ano e Jeferson trabalharia, caso tudo saísse como planejado.

O dia 23 de janeiro, foi a data escolhida para acontecer o casório. Então, de julho de 2020 em diante eles teriam que escolher vestido, terno, buffet, decoração, enviar convite, contratar fotógrafo, agendar cabelo e maquiagem, entre outros. A noiva, em busca de economizar dinheiro para a viagem, decidiu assumir o papel de organizadora.

O planejamento acontecia a todo vapor, e não que tenham ignorado um fator importante, a Covid-19, contudo preferiram acreditar que na data escolhida para o casório, a questão “pandemia mundial” já não seria mais um problema.

“Eu jurei que até dezembro o mundo já ia estar melhor, que todo mundo ia estar vacinado”, comenta a noiva.

 

O primeiro adiamento

Acontece que planos e pandemia não são palavras que caminham juntas, em razão disso, cerca de um mês antes da primeira data agendada para acontecer o casamento, Enza e Jeferson acharam melhor adiá-lo para segurança de todos, afinal, na época os números de contágio ainda eram altos e o país ainda não tinha nenhuma perspectiva de começar a vacinação. 

“Quando eu vi que não tinha outra solução a não ser adiar, fiquei muito chateada, foi uma fase muito ruim, porque a gente tinha corrido atrás de tudo muito rápido, conseguimos, estava dando tudo certo e um mês antes foi tudo por água abaixo”, desabafa Enza.

A sensação de impotência tomou conta não somente do casal, mas de todos aqueles que precisaram deixar um sonho para depois em um momento tão complicado. “Ver hoje que tudo poderia ter sido diferente, que se o governo tivesse aceitado as ofertas de vacinas da pfizer lá atrás, as minhas esperanças de que muita gente já teria sido vacinada estariam vivas e que meu casamento poderia ter acontecido. É uma sensação muito ruim de impotência, porque não tinha algo que eu poderia fazer, eu não sei fazer vacina”, completa. 

 

Futuro delongado

A pandemia não adiou somente o sonho de se casar, mas também o de Enza fazer seu mestrado fora do país. O casamento dela não era apenas para mudar seu status de relacionamento, mas juntamente com o presente, ela pediu aos convidados que, ao invés de presentes, contribuíssem com uma quantia para ajudar o casal a construir o sonho de morar fora. O dinheiro que ganhariam no casório era um investimento no futuro deles, visto que, como filha única, o pai de Enza insistiu em pagar o evento.

Enza e seus pais

Além disso, a festa seria uma despedida do casal, dos parentes e amigos próximos, já que quando partirem para o Canadá, não pretendem mais voltar.

“Eu sempre quis morar fora, desde que começamos a namorar eu falava isso para ele, que ou ele ia junto ou a gente terminava. De tanto eu falar, ele começou a pesquisar e animou também, começou comigo, contudo hoje é um sonho do casal”, explica a jovem. 

 

A segunda onda da covid-19

Depois de precisar adiar o casamento pela primeira vez, o casal acreditava que a segunda data, no dia 10/04/2021, finalmente o sonhado dia chegaria, todavia, a pandemia mais uma vez iria arruinar seus planos. Se em janeiro a maior preocupação era que os convidados não estariam vacinados, para abril, as expectativas eram até muito boas, afinal a vacina já tinha chegado e a população brasileira, incluindo o grupo de risco, já havia começado a receber as doses. 

No entanto, a covid-19 é uma doença traiçoeira e quando o mundo pensou que poderia começar a se recuperar dela, ela voltou pior em uma segunda onda mais violenta. Não teve jeito, por mais que a última coisa que a jovem queria era delongar aquilo, por medidas de segurança, mais uma vez ela precisou reagendar. 

Além de toda frustração que é precisar atrasar tudo, ainda existe a dificuldade que é entrar em contato com os fornecedores, conciliar data, e até conseguir uma nova, afinal, não apenas ela como várias outras pessoas que tinham seus casamentos marcados precisaram adiar. 

Da primeira vez, Enza tinha uma data limite até julho para prorrogar, uma vez que iria embarcar para o Canadá em agosto, porém a pandemia ainda atrasou a emissão de seu visto, então a data da viagem também mudou. 

“Conciliar com todo mundo é difícil, porque sempre tem um que não pode em tal data, que não quer devolver o dinheiro, mas apesar de tudo eu ainda não perdi dinheiro”, ressalta. 

 

Contratempos no meio do caminho

Depois de três vezes adiando seu sonho e da dificuldade em encontrar a data do dia 07/08/2021, mais uma vez Enza precisou desmarcar, neste caso, a pandemia não foi o único motivo, e sim que a data conciliou com a da prova da OAB, que ela e a mãe precisam fazer. 

“Mais uma vez vou adiar, acho que dessa vez não escapo do prejuízo. A pior parte é ter que avisar todo mundo, medo de me esquecer de alguém e a pessoa aparecer no dia errado”. 

Desta vez, a noiva infelizmente teve a triste notícia que o vestido que escolheu não está mais disponível para esse ano, então ela vai precisar trocá-lo. “Estou muito triste pois gostei muito dele, mas alguma coisa precisava dar errado depois de três adiamentos”, confessa. 

 

Do amor não se desiste jamais 

Enza e Jeferson sempre tiveram uma relação intensa, com 1 mês e 4 dias ficando, eles assumiram um relacionamento sério, muito jovens, mas sempre muito responsáveis.

Depois de se formar no ensino médio na cidade de Nova Venésia, Enza voltou para São Gabriel da Palha, sua cidade natal, e os dois passaram a viver um relacionamento à distância, 40 minutos de distância, ainda assim distantes para quem se via todos os dias. O casal se encontra apenas aos finais de semana, foi difícil no começo todavia souberam lidar bem. 

Uma viagem especial do casal, Gramado (RS)

Se eles conseguiram levar durante seis anos um relacionamento a distância, não seriam pequenos perrengues encontrados na hora de casar que os fariam desistir. Em janeiro o cônjuge chegou a se casar no civil para tentar agilizar o processo do visto, porém eles seguem aguardando a partida para o Canadá para finalmente escreverem um novo capítulo em suas histórias. 

“Nada mudou, a gente se casou no papel, mas não moramos juntos, não temos uma casa só nossa. No fim de semana ele vem aqui para a minha, e aí moramos eu, ele e minha mãe, então para a gente é como se estivéssemos namorando ainda ou já estivéssemos numa vida de casados há muito tempo, tudo depende do ponto de vista, nunca teve muito essa divisão”, esclarece Enza. 

Como marido e mulher, eles ainda não tem uma casa só deles, mas a cada dia que passa esse dia se aproxima mais.

Enza e Jeferson não tem dúvidas de que querem estar juntos e construir um futuro fora daqui, por isso, não importa o tempo que leve, ou até quantas vezes o casamento precise ser adiado, eles não irão desistir. 

E para as noivas que se encontram na mesma situação que Enza, vários adiamentos e ainda sem muitas expectativas, o conselho da jovem é apenas um: Jogar para 2022. “Isso não é vida”, diz ela em tom de descontração, “ é ruim demais, se você pode jogar para frente só joga, se eu não tivesse o mestrado agora não estaria casando, nem noiva”, completa.

Casamento civil do casal

Fábrica de sonhos

Alexia Lorrane da Silva é uma jovem de 24 anos e influenciada pela mãe, Conceição Martins dos Santos Silva de 51 anos, criaram a empresa Ao Casar, juntas mãe e filha fabricam não apenas vestidos, mas a realização do sonho de muitas noivas. 

Há 10 anos elas começaram a vender vestidos para damas de honra e debutantes, com a queda nas vendas, acabaram ampliando para o aluguel de vestidos de noivas, madrinhas, padrinhos, festas, tudo sob medida e ainda a possibilidade de primeiro aluguel.

Alexia e a mãe, Conceição

Em entrevista, Alexia, conta um pouco como tem sido a rotina na pandemia e como tiveram que se adequar a ela. Confira. 

De onde surgiu a vontade de fazer uma loja de vestidos de noivas?

A vontade partiu do prazer do trabalho minucioso e da criatividade que se pode acrescentar a um vestido de noiva, além da valorização de um trabalho tão bonito.

 

Qual a sensação de materializar os sonhos e desejos das noivas em realidade?

Tenho prazer em realizar sonhos através do nosso trabalho, pois no fundo acabo também me sentindo realizada como profissional.

 

Como era a demanda de vocês antes da pandemia? Tinham muitos pedidos de vestidos?

Antes da pandemia nossa demanda era cerca de 20% maior, entramos na pandemia com apenas 5% da nossa demanda, atualmente, um ano depois já estamos atingindo os 90%.

 

Quando se deram conta da gravidade da pandemia e como isso poderia atrapalhar os negócios?

Logo no segundo mês já começamos a sentir o peso da pandemia, falência era algo que a gente pensava todos os dias.

 

No começo da pandemia vocês tiveram prejuízos em relação a cancelamentos de contratos? Como funcionou a negociação com as noivas?

Alguns prejuízos, adiamentos eram fato, mas os cancelamentos nos trouxeram o constrangimento da negociação mais agressiva, pois o cliente queria todo o dinheiro de volta e tínhamos que convencê-los da multa pelo cancelamento, afinal era nosso trabalho e nossas despesas em jogo.

 

Trabalhando dentro da área, você acredita que a maioria das noivas optaram pelo adiamento ou cancelamento do casamento? E por qual motivo?

Adiamento, com certeza, a maioria faz questão de comemorar.

 

O que mudou na rotina de trabalho de vocês durante a pandemia?

Tivemos que nos adequar ao agendamento para não ter aglomeração na loja. Também passamos a agilizar o atendimento prévio, fotografamos todos os vestidos e disponibilizamos as clientes os modelos disponíveis. 

 

Como tem funcionado o atendimento de vocês nesse período? Vocês são flexíveis a adiamentos ou cancelamentos? Oferecem reembolso em alguma circunstância?

Trabalhamos só com agendamento. Quanto ao reembolso, oferecemos carta de crédito para o próximo evento, ou cartão presente, que pode ser repassado para outra pessoa. Também oferecemos a devolução parcial, conforme prazos estipulados pela lei durante a pandemia.

 

Qual foi a maior dificuldade que vocês encontraram nesse momento?

Convencer os clientes a marcar horário, muitos aparecem na porta querendo ser atendidos e alguns até ficam com raiva. 

 

Em algum momento pensaram em desistir do negócio?

Jamais. 

 

No Instagram vocês têm postado diversos modelos novos de vestidos, isso significa que o mercado voltou a se aquecer?

Não exatamente, na verdade a demanda anda entre 60% e 90%. Nós tivemos a ideia de usar o tempo ocioso para criar e lançar novos vestidos.

 

A pandemia interrompeu ou adiou algum sonho de vocês como comerciantes?

Não, ao contrário, nos impulsionou a profissionalizar ainda mais os nossos serviços.

 

Vocês têm algum plano idealizado para quando terminar a pandemia?

Sim, pretendemos preparar um espaço maior para um atendimento mais personalizado.

 

Como vocês têm dado apoio às noivas?

Nós sempre procuramos incentivar apenas a adiar e não cancelar. Aconselhamos elas aproveitarem o prazo do adiamento para acrescentar algo que não seria possível a curto prazo.

 

Qual mensagem vocês deixariam para as noivas não desistirem de casar?

Sonho não se cancela e sim se adia. Paciência e foco, o resto vem com tempo.

 

Edição: Daniela Reis

 

Por Keven Souza

Criada em 2009, pelos diretores André Novais Oliveira, Gabriel Martins, Maurílio Martins e pelo produtor Thiago Macêdo Correia, a produtora mineira Filmes de Pástico já foi selecionada em mais de 200 festivais nacionais como o Festival de Cinema de Brasília e a Mostra de Cinema de Tiradentes, além dos internacionais como o Festival de Cinema de Locarno, Festival de Rotterdam, Indie Lisboa, Festival de Cartagena, Los Angeles Brazilian Film Festival e entre outros, ganhando mais de 50 prêmios. 

Fundadores da Filmes de Plástico

Como uma das séries de conteúdos dos 60 anos da Una, o Contramão traz, hoje, um bate-papo com Gabriel Martins, sócio-fundador da produtora, que tem 33 anos de idade e é Diretor, Cineasta, Roteirista e Produtor Cinematográfico, formado pelo pela instuição em 2010. Martins acredita na Una como um espaço que oferece o encontro entre pessoas que amam cinema e que queiram dialogar e aprender sobre o universo cinematográfico, além de tudo foi roteirista em 2014 do filme “Alemão” e possui produções em catálogo na plataforma de streaming Netflix, com o filme “Temporada”

Nessa entrevista, Gabriel relembra sua trajetória como graduando de Cinema que possuía o anseio de realizar projetos, ainda na faculdade, e que construiu experiências formidáveis através da Una para alavancar os seus sonhos no setor de produção audiovisual. Além disso, nos conta sobre sua carreira de cineasta ao longo dos anos, junto à produtora. 

Gabriel Martins da Filmes de Plástico e ex-aluno da Una

1) Como começou a sua carreira no Cinema? 

Considero que comecei minha carreira no cinema com meu primeiro filme “4 passos” que dirigi na Escola Livre de Cinema em 2005, antes de entrar na Una. Até hoje é significativo para mim, porque através dele errei muito e pude aprender com isso, sem falar na circunstância limitada para produzi-lo, que na época, possuía poucos recursos que consequentemente forçou a minha criatividade na execução. 

 

2) O que propiciou você a escolher estudar Cinema e por quê escolheu a Una? 

Sempre quis fazer Cinema, é um sonho desde pequeno pelo universo audiovisual e me encantava ver televisão e assistir making-of, bastidores de filmes, e nunca me passou pela cabeça cursar outra coisa. A escolha de estudar na Una aconteceu em 2006, quando tentei o vestibular, minha intenção era entrar para uma universidade pública e não particular, mas realizei o vestibular na Una para testar meus conhecimentos e como resultado consegui bolsa integral e tive a oportunidade de cursar o curso, foi interessante porque a princípio, naquele época, era a única faculdade que ofertava o curso só de Cinema. 

E foi através da faculdade que consegui fazer um estágio importante no laboratório, que tive possibilidade de ter contato com muitos equipamentos da área e aprender muito sobre eles. 

 

3) Quando era aluno, você participava de projetos voltados ao curso de Cinema, como por exemplo o Lumiar? O que agregaram na sua formação profissional?

Infelizmente, quando estudei não existia o Lumiar, mas criei o Cineclube, que funcionava depois das aulas e várias pessoas iam lá para ver filmes. Nessa época frequentava muitos festivais, e antes de entrar na Una, era crítico da área e escrevia sobre cinema em uma revista, tinha um network muito forte que consequentemente ajudava a levar muitas discussões importantes pro Cineclube. Digo que foi uma parte excepcional como estudante, porque agregou muito conhecimento para mim e para o projeto, nos encontros se formavam muitas equipes que eventualmente vinham a fazer filmes juntos. 

 

4) A ideia de criar a Filmes de Plástico, veio de onde? 

A Filmes de Plástico veio de encontro entre eu e Maurílio Martins na Una, nos conhecemos no primeiro dia de aula, fomos da mesma turma, e desde o início queríamos filmar e fazer algo que possibilitava assinarmos filmes que queríamos fazer em nosso bairro. Na época, morávamos na periferia de Contagem e havia muitas ideias, uma vontade grande de produzir juntos. 

É interessante dizer também que as nossas produções não tem uma mensagem específica, só fazem parte do universo e que a partir disso, buscamos filmar personagens que trazem empatia com o público e mostram realidades diferentes, provando que, em meio às adversidades, é possível, sim, fazer cinema.

 

5) Devido ao cenário imposto pela pandemia, a cidade (o mundo) sofreu interrupções nas produções. De que forma a Filmes de Plástico se adaptou a esse desafio? 

A Filmes de Plástico teve que se adaptar à pandemia, porque diversos projetos que esperávamos filmar por agora, foram congelados e nesse meio tempo utilizamos o período para desenvolver os roteiros e preparar melhor os projetos, e não tem sido fácil, tivemos algumas questões para nos mantermos de pé enquanto produtora e efetuar outros trabalhos, mas compreendemos que o mundo em si esteve em pandemia contra a Covid-19 e nós como produtora focamos em tarefas que poderiam ser feitas a distância. 

 

6)Existe algum impasse, por causa deste cenário, em fazer crescer ainda mais a produtora?

Com certeza! São dois anos que o mundo de certa forma se estagnou, e a produtora em si mediante o cenário, interrompeu as produções de caráter físicos como a gravação de filmes de longa-metragem e ficamos um pouco impossibilitados de se movimentar mais, mas de alguma forma a pausa não foi negativa, tivemos a oportunidade analisar onde a produtora poderia chegar futuramente, repensar mesmo sobre a nossa caminhada daqui pra frente.

 

7) O que podemos esperar sobre os próximos lançamentos?

Com ineditismo, por agora, temos dois filmes a serem lançados comercialmente, um deles se chama “A felicidade das coisas” dirigido por Thais fujinaga, que é um filme estreado no International Film Festival Rotterdam (IFFR) neste ano e que ano que vem pretendemos colocar em cartaz. O outro é o meu próximo longa-metragem que se chama “Marte Um”, que está em pós-produção e com lançamento, também, previsto para o primeiro semestre do ano que vem.

 

8) Como você entende a evolução do Gabriel que estudou Cinema na Una, para o Gabriel de hoje? 

Minha evolução é nítida, ao longo da trajetória aprendi e errei ao fazer filmes de longa ou curta-metragem, e também em produções de outra pessoas, acho que a experiência me trouxe mais serenidade, me ensinou a entender que às vezes é melhor ter menos urgência e obter mais calma no passo a passo, dando tempo ao tempo.

 

9) Qual conselho você daria aos graduandos do curso de Cinema e Audiovisual em relação às oportunidades de mostrarem o seu trabalho, em um festival como o Lumiar?

O conselho é que as pessoas se joguem nos projetos, criem novos, como o Lumiar foi criado, porque é a partir deles que muitos alunos podem sair da faculdade tendo sua própria produtora. É necessário pensar no seu caminho a seguir, filmar incansavelmente mesmo que você não tenha todos os recursos suficientes, colocar suas ideias em prática e cultivar o ato de fazer cinema é necessário. 

É importante aproveitar também todas as oportunidades de festivais universitários que vier a ter, absorver o máximo que puder desses ambientes para adquirir informações, conseguir ter contato com mais filmes brasileiros e conhecer pessoas que estão em um lugar mais próximo que você, em uma mesma fase da vida que estudam e tentam fazer filmes.

 

Edição: Daniela Reis